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Saber falar sobre as questões do sexo, do género e da orientação e atividade sexuais é deveras pertinente para as nossas formações identitárias. Saber falar com os pais, os avós e a família no geral, com os amigos, com os colegas e com os outros conhecidos. Saber falar em casa, no trabalho – e, claramente, no infantário, na escola e no ensino superior. Este é um assunto que merece sempre um tratamento de todos e para todos e este tratamento tem sempre de passar por um contexto e uma dimensão educativa.

Há duas principais razões para que esteja a abordar este assunto. Uma delas está eminentemente associada à complexidade das sociedades atuais. A contemporaneidade que vivemos é marcada por uma tão grande diversidade de vivências e de existências que se tornam irrisórias as críticas que tentam abater esta mesma pluralidade de seres e de estares – irrisórias não nos potenciais motores e efeitos de agressão física, psicológica, moral e social que promovem, mas no sentido do ridículo que assumem ao utilizar estratégias demagógicas de regresso a um passado dotado de uma alegada essência verdadeira e supostamente imaculado e superior. A solução para as divergências não passa pelo esquecimento das mesmas, mas também não passa por consentimentos, feitos à pressa e à medida, que eliminam o raciocínio crítico da argumentação. É essencial o debate e a realização de iniciativas visando o entendimento de toda a gama do sexual e do género como uma matriz de assunções da diferença, onde cada um de nós – do sexo masculino ou feminino, homo, hétero, bi ou transsexual, entre outras identidades –, mesmo que não (se) pensando assim, é uma exclusividade.



O outro motivo prende-se com a esfera do educativo e da sua supramencionada importância como um lugar de discussão dos assuntos mais diferenciados – e, já agora, também de mudança social. É a educação que nos permite olhar todas as diferenças, todas as exclusividades como equitativamente importantes para a construção de um mundo mais bem articulado e menos desigualitário. Mas esse mundo não é sustentável e nem sequer viável com a perpetuação das masculinidades (e também das feminilidades) tóxicas, da heteronormatividade e de todo um conjunto de conceitos e processos e de atos e discursos que legitimam o acometimento pouco escrupuloso de terceiros com base nas suas opções. Como se pode verificar num artigo de investigação científica elaborado por Hugo M. Santos, Sofia Marques da Silva e Isabel Menezes (2017) – Para uma visão complexa do bullying homofóbico: Desocultando o quotidiano da homofobia nas escolas – os testemunhos dos estudantes entrevistados indicam que o recurso a piadas, comentários ou insultos como “maricas” são uma forma comum de tratamento próximo, sobretudo entre rapazes, o que apenas é o garante para que as discriminações se reproduzam e obstaculizem os direitos a uma cidadania mais universal. Ora, são a escola e as demais instituições educativas que não devem deixar isto acontecer, investindo, de maneira adequada para cada idade, num conhecimento simultaneamente apreendido e produzido que ligue o educativo e o que se passa nele às causas públicas, de modo a respeitar o género e as conduções sexuais de cada pessoa, motes aqui explorados. Esta ligação precisa, por isso, de atravessar disciplinas (da biologia ao inglês) e currículos.

Não há remédio milagroso para perspetivar estes temas de uma forma completamente benéfica. No entanto, a intenção também não é a de curar ninguém. O relevante é equipar a educação com ferramentas que possibilitem entendermo-nos nas nossas abrangências e profundidades, ao invés de nos negligenciarmos, o que não deve descartar as dúvidas e a sua problematização relativamente ao género, ao sexo e à orientação sexual. E agora que a época natalícia está a chegar, nada melhor que utilizar a educação, nas suas vertentes interna e externa ao domínio escolar, para explicar como a racionalidade e o carinho podem ser justos orientadores da ação nas várias esferas da vida social. Sem se excluírem mutuamente, mas surgindo integrados em projetos de humanidade.

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Este texto faz parte de uma série de textos de opinião de alunos do ensino secundário e superior sobre a sua visão do ensino e da educação.

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