A praxe e a sua decrescente popularidade.

velhodesgraçado

Membro Caloiro
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1 Outubro 2023
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A praxe, pelo menos nas grandes cidades parece estar a entrar em declínio, são raras as vezes que tomo conhecimento de uma praxe que atraia 20% dos caloiros, mas não posso ter a certeza sobre esta figura, sou apenas um aluno na faculdade no porto. Mas mesmo assim gostava de colocar a questão aos doutores presentes neste fórum, não será altura de alterar as práticas que mantem os caloiros fora da praxe, não será altura de criar um sistema de integração que funcione para todos os alunos que querem representar a sua faculdade, e nela ser integrados.
A meu ver a popularidade decrescente da praxe, devido a sua falta de capacidade de mudar para respeitar tradições, faz com que falhe a sua verdadeira missão, criar união entre os alunos de um curso ou faculdade, desse modo criando vários indivíduos como eu, alunos que gostariam imenso de representar a sua faculdade, mas encontram-se incapacitados de o fazer, pois quando tentaram foram sujeitos a estranha mistura de jogos infantis, aulas de praxe, irritante e leve mas constante humilhação que invés de ser limitada de forma ritualística, nas horas de praxe, estendia-se aos intervalos ou seja era tratado por diminutivo e não podia olhar para os olhos dos meus doutores o que dificultava criar uma boa relação com estes, até as atividades que teriam como objetivo ser divertidas não passavam de jogos de pré-primária, ou seja o que deveria ser a parte boa da praxe era mais causadora de vergonha do que encher flexões e estar de quatro.
Deste modo toda a gente com o mínimo de respeito próprio e individualidade foi se indo deixando para trás só os membros mais submissos e com mais dificuldades sociais, julgo que estes aguentavam serem tratados como crianças pois desejavam ter amizades com os outros praxados independentemente de quem fossem.
Não é de todo difícil imaginar, uma praxe (e tenho a certeza em que em algum lugar já haverá) que trato os caloiros como o que são jovens geralmente dos 18-19 anos limitando a sua humilhação apenas a certas horas de praxe e de resto fomentar bons valores e conexão entre os caloiros através de atividades mais adequadas á sua idade criando assim um bom clima de praxe.
Termino com a questão inicial, já não será altura de mudar, de criar uma praxe ainda que possa ser suja e por vezes obscena, adequada a idade dos caloiros, sem infringir em demasia ao seu respeito próprio e deste modo conseguir cumprir uma das suas mais importantes funções, que é a de unir o maior número de alunos para que estes vivam os anos faculdade com orgulho e diversão
 
Aqui exponho minha opinião sobre a praxe principalmente de onde venho não menciono instituição, mas é de uma faculdade de saúde. As praxes se algum dia tiveram propósito de unir as pessoas, hoje em dia tudo o que vemos são pessoas sendo humilhadas e se submetendo a certos tipos de tratamento que são agressão verbal, psicológica e física consentida, que em outros contextos seriam bullying, preconceito, crime, falta de senso e etc. Então se as praxes vão continuar, que pelo menos as pessoas tenham senso daquilo que fazem.
 
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A praxe, pelo menos nas grandes cidades parece estar a entrar em declínio, são raras as vezes que tomo conhecimento de uma praxe que atraia 20% dos caloiros, mas não posso ter a certeza sobre esta figura, sou apenas um aluno na faculdade no porto. Mas mesmo assim gostava de colocar a questão aos doutores presentes neste fórum, não será altura de alterar as práticas que mantem os caloiros fora da praxe, não será altura de criar um sistema de integração que funcione para todos os alunos que querem representar a sua faculdade, e nela ser integrados.
A meu ver a popularidade decrescente da praxe, devido a sua falta de capacidade de mudar para respeitar tradições, faz com que falhe a sua verdadeira missão, criar união entre os alunos de um curso ou faculdade, desse modo criando vários indivíduos como eu, alunos que gostariam imenso de representar a sua faculdade, mas encontram-se incapacitados de o fazer, pois quando tentaram foram sujeitos a estranha mistura de jogos infantis, aulas de praxe, irritante e leve mas constante humilhação que invés de ser limitada de forma ritualística, nas horas de praxe, estendia-se aos intervalos ou seja era tratado por diminutivo e não podia olhar para os olhos dos meus doutores o que dificultava criar uma boa relação com estes, até as atividades que teriam como objetivo ser divertidas não passavam de jogos de pré-primária, ou seja o que deveria ser a parte boa da praxe era mais causadora de vergonha do que encher flexões e estar de quatro.
Deste modo toda a gente com o mínimo de respeito próprio e individualidade foi se indo deixando para trás só os membros mais submissos e com mais dificuldades sociais, julgo que estes aguentavam serem tratados como crianças pois desejavam ter amizades com os outros praxados independentemente de quem fossem.
Não é de todo difícil imaginar, uma praxe (e tenho a certeza em que em algum lugar já haverá) que trato os caloiros como o que são jovens geralmente dos 18-19 anos limitando a sua humilhação apenas a certas horas de praxe e de resto fomentar bons valores e conexão entre os caloiros através de atividades mais adequadas á sua idade criando assim um bom clima de praxe.
Termino com a questão inicial, já não será altura de mudar, de criar uma praxe ainda que possa ser suja e por vezes obscena, adequada a idade dos caloiros, sem infringir em demasia ao seu respeito próprio e deste modo conseguir cumprir uma das suas mais importantes funções, que é a de unir o maior número de alunos para que estes vivam os anos faculdade com orgulho e diversão
Olá! Tirei a licenciatura na Universidade de Aveiro e a Faina (nome local para praxe) é muito diferente do que me é recorrentemente descrito noutras universidades, nomeadamente Coimbra, Porto, Lisboa.
Claro que existe sempre a componente ritualística e de submissão (q.b.), mas não é de todo o nível de humilhação que está a sempre a chegar-me. Isto claro, é a minha experiência numa faina específica, um curso diferente pode ter uma experiência um pouco diferente.
As fainas são marcadas normalmente 1 vez por semana, quarta à tarde ou de vez em quando segunda/terça à noite. Ao longo do ano existem as fainas obrigatórias (Grande Aluvião, Roncada, Batismo, Desfile, Tribunal, no total são umas 7). A "praxe" em si só é durante a faina, antes e depois é estritamente proibido qualquer tipo de prática de faina. Além disto, também é proibido praxar no terreno da universidade.
Existe bastante controlo: não pode haver referências sexuais, asneiras, referências a professores e a parte física é sempre controlada, atendendo a não haver exageros, nem nenhum perigo para qualquer aluvião (caloiro). Por exemplo, se tiveres problemas de joelhos, nunca te vão por numa posição em que os esforces.
A maioria das fainas tem sempre um componente didática e social, de modo aos caloiros se conhecerem e fazerem jogos. No caso da minha área, por vezes os jogos têm temas a ver com o curso. Não vou mentir que é tudo cor-de-rosa. Há sempre berros, testas no chão e de longe a longe uma faina "psicológica" (basicamente muito tempo no chão e muitos berros, quando os aluviões se portam "mal"). No entanto, nunca há bullying a nível de colocar alguém a chorar, ou de a pessoa desistir logo.
Estas práticas acabam por se refletir no número de aluviões que vão às fainas, apontaria para os 50%/60%, bem mais dos 20% que mencionaste.
Outra questão que existe é os caloiros que não vão às fainas serem postos de lado. Não acontece. Ninguém julga ninguém por fazer ou não fazer faina e, havendo vontade do caloiro que não fez faina, é muito fácil de ser integrado. Tanto que nos jantares de faina aparecem várias pessoas que nem participaram quando aluviões.
Por último, também não existe a componente de não poder interagir com os alunos mais velhos num contexto fora de uma faina, na verdade das coisas que mais existem é essas interações.
Em suma, em Aveiro há um clima bastante bom de praxe.