Ajuda emocional - entrar na uni

ArminG

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18 Janeiro 2021
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Então, este ano quero candidatar-me ao ensino superior, nomeadamente no Minho, que é perto meu local de residência e é uma universidade que sempre quis entrar por ter cursos muito completos e diversificados. Porém tenho medo de não entrar no norte e ter que me mudar para outro sítio, outra das minhas opções são Lisboa (ISCTE, ISCSP) e Coimbra.

Há várias razões para eu não querer ir para longe, uma delas são as minhas possibilidades económicas, sei o quão difícil é manter um filho fora de casa com tantas despesas juntas.
 
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Então, este ano quero candidatar-me ao ensino superior, nomeadamente no Minho, que é perto meu local de residência e é uma universidade que sempre quis entrar por ter cursos muito completos e diversificados. Porém tenho medo de não entrar no norte e ter que me mudar para outro sítio, outra das minhas opções são Lisboa (ISCTE, ISCSP) e Coimbra. Pretendo seguir a área de Gestão e de Economia, sendo eu de humanidades com a média a rondar os 16 valores sem as notas dos exames, que agora me baixam muito a média.

Preciso de ajuda, de conselhos, não sei, agora sinto-me muito perdida e muito chateada comigo mesmo por não me ter esforçado mais para entrar no que queria e na uni que quero. Sei que ainda é muito cedo para estar a pensar nisto, mas para já quero ter o baralho em cima da mesa e ponderar fazer decisões desde já.

Há várias razões para eu não querer ir para longe, uma delas são as minhas possibilidades económicas, não sou rica, nem sou pobre, mas sei o quão difícil é manter um filho fora de casa com tantas despesas juntas. Outra das razões é que eu não sou muito sociável, sou um pouco introvertida e acho que isso iria influenciar um pouco a minha adaptação a um sítio novo. Mesmo no norte, não fui muito independente de mim e nunca fui pessoa muito largada da família ou de ir a muitas festas. Tenho literal pânico ao sair de casa em geral quanto mais sozinha, ainda mais, sendo mulher.... Sempre que saio de casa, tenho casos de constantes assédios e afins. Dá-me medo constante pensar em ir sozinha para os sítios, fazer tudo sozinha, é um pesadelo mesmo para mim. Se calhar para outras pessoas não é assim, mas para mim é mesmo um terror só de pensar nisso. Por isso tb tenho muito medo da universidade e das possiveis amizades que possa vir a ter, tambem nunca fui pessoa de ter muitos amigos. São tudo questões que a mim afetam-me muito.

Só de pensar nessa possibilidade a mim dá me real vontade de chorar.

Ajudem-me
Olá!

Compreendo a tua posição e aquilo que te quero dizer, em primeiro lugar, é que não estás sozinha. Há muitos estudantes em situações aqui pelo fórum e muitos mais no offline, pelo que o teu caso não será o primeiro nem o último.
Em primeiro lugar, acho que estares já a pensar que podes vir a estudar longe de casa quando ainda nem fizeste os Exames Nacionais, só te vai deixar com mais pressão e ansiedade. Deves focar-te, para já, em conseguires os melhores resultados possíveis e só depois veres as possibilidades que tens à tua disposição, possivelmente com maior clareza.
Na hipótese hipotetica de não conseguires ficar perto de casa, tens 2 possibilidades: 1) ou tentas a 2ª fase de candidaturas ou 2) arriscas mudar-te para um sitio novo. Compreendo que seja assustador ir para longe de casa e saires da tua zona de conforto, mas às vezes é preciso mesmo um pequeno empurrão para mostrarmos a nós mesmos aquilo que somos capazes. Já experimentaste ir tendo alguma liberdade aos poucos, mesmo aí em casa? Por exemplo, seres tu a fazer o jantar ou ficares responsável pelas compras da semana? Podem parecer coisas insignificantes mas para quem não se sente confortável ao sair de casa, é um passo gigantesco.
Quanto às amizades, acredito que saibas isto, mas vou dizê-lo na mesma: teres muitos ou poucos amigos não é sinal de seres nem mais nem menos feliz. As Universidades, de modo geral, dispõem de imensas atividades que promovem a confraternização e o estreitamento de laços. Isso inclui voluntariado, clubes, jornais académicos, etc...
Em relação às despesas, aconselho sempre que te candidates à Bolsa da DGES - para te ajudar no pagamento das propinas e, caso sejas estudante deslocada, para te ajudar no pagamento do alojamento.

Espero ter ajudado. Alguma coisa de que precises, fica á vontade para escrever aqui ou para enviares MP. A maior das sortes para esta nova fase da tua vida e não te esqueças: seja o que for que o destino te tenha reservado, certamente será incrível. 🍀🌈😊
 
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Vendo isto já um pouco com as notas que tive nos exames do ano passado. Claro, espero e vou fazer para isso ter melhores resultados e entrar na zona pretendida, no curso pretendido.

Essas tarefas que recomendaste fazer, meio que já tenho feito, mas como moro com a família é sempre diferente.

Eu sempre que saio de casa, tenho casos de constantes assédios, olhares indesejados e aterrorizantes. Afeta todas as mulheres, creio. Mas a mim, sempre que me acontece isso, chego a casa a chorar e a perguntar me o que fiz de mal. Sinto- me mesmo um pedaço de carne e é horrivel. Nenhuma de nós devia passar por isto, maior parte do meu medo é esse, não tanto de ser independente e fazer as coisas por mim, é mais o sair de casa.
 
Então, este ano quero candidatar-me ao ensino superior, nomeadamente no Minho, que é perto meu local de residência e é uma universidade que sempre quis entrar por ter cursos muito completos e diversificados. Porém tenho medo de não entrar no norte e ter que me mudar para outro sítio, outra das minhas opções são Lisboa (ISCTE, ISCSP) e Coimbra. Pretendo seguir a área de Gestão e de Economia, sendo eu de humanidades com a média a rondar os 16 valores sem as notas dos exames, que agora me baixam muito a média.

Preciso de ajuda, de conselhos, não sei, agora sinto-me muito perdida e muito chateada comigo mesmo por não me ter esforçado mais para entrar no que queria e na uni que quero. Sei que ainda é muito cedo para estar a pensar nisto, mas para já quero ter o baralho em cima da mesa e ponderar fazer decisões desde já.

Há várias razões para eu não querer ir para longe, uma delas são as minhas possibilidades económicas, não sou rica, nem sou pobre, mas sei o quão difícil é manter um filho fora de casa com tantas despesas juntas. Outra das razões é que eu não sou muito sociável, sou um pouco introvertida e acho que isso iria influenciar um pouco a minha adaptação a um sítio novo. Mesmo no norte, não fui muito independente de mim e nunca fui pessoa muito largada da família ou de ir a muitas festas. Tenho literal pânico ao sair de casa em geral quanto mais sozinha, ainda mais, sendo mulher.... Sempre que saio de casa, tenho casos de constantes assédios e afins. Dá-me medo constante pensar em ir sozinha para os sítios, fazer tudo sozinha, é um pesadelo mesmo para mim. Se calhar para outras pessoas não é assim, mas para mim é mesmo um terror só de pensar nisso. Por isso tb tenho muito medo da universidade e das possiveis amizades que possa vir a ter, tambem nunca fui pessoa de ter muitos amigos. São tudo questões que a mim afetam-me muito.

Só de pensar nessa possibilidade a mim dá me real vontade de chorar.

Ajudem-me
Olá! Espero que estejas bem, depois das experiências que partilhaste aqui 🫂 O que relatas é um sentimento partilhado por milhares de jovens por este país fora - há 4 anos, eu era também uma dessas pessoas. Venho do Alentejo interior e a opção mais próxima de casa implicava sempre que eu tivesse que me mudar para a cidade onde iria estudar e essa opção não satisfazia o meu interesse, então desde muito cedo que percebi que muito provavelmente viria para Lisboa estudar. Apesar de ter nascido em Lisboa e ter vivido lá uma parte da infância, considero que os anos mais importantes do meu desenvolvimento foram passados numa aldeia pequena do interior e que eu partilhava da mesma experiência que os meus colegas que já eram de cá e não tanto a experiência das pessoas de Lisboa ou de cidades maiores. Assustava-me um pouco ir para uma cidade que eu não conhecia bem (não sabia sequer como funcionava o metro, onde nunca tinha andado, nem autocarros, parecia-me tudo confuso, grande) e os comentários maldosos da minha mãe exacerbavam muito esse sentimento de que não me iria adaptar bem a uma cidade que parecia ser "demasiado grande para alguém tão atadinha como tu".

Tal como tu, também sou uma pessoa introvertida. Não tenho quaisquer problemas em comunicar na internet e todos os dias respondo a dezenas de dúvidas e mensagens. Conheci algumas pessoas através da internet, que quando me conheceram até ficaram surpreendidas por eu aparentemente "não parecer assim tão introvertida". Isto deve-se ao facto de que comunicar com as pessoas por aqui torna mais fácil o cenário de eu chegar ao momento de conhecer as pessoas e estar mentalmente mais confortável para comunicar. Ainda assim, sempre que regresso de interacções sociais, estou sempre cansada, a precisar recarregar energias e esse reforço de energia vinha muitas vezes de eu isolar-me, passar dias sozinha, a estudar, a ler e a fazer as minhas coisas. Não fiz grandes amizades dentro do meu curso, a maior parte foram apenas colegas com quem cordialmente falava e não me identificava o suficiente para serem meus amigos. Mas conheço muitas pessoas que conheceram no curso vários colegas com os quais se identificaram e onde puderam surgir amizades - no meu caso, acabei por ir buscar essas amizades fora do curso, mais ligadas a actividades extracurriculares que eu fazia (é sempre bom conheceres que núcleos existem dentro das tuas opções e questionares-te se gostarias de praticar algum desporto, fazer teatro, fazer parte de uma tuna, etc). Não sei como vai ser a tua experiência futura, mas é importante colocares as opções na mesa e tentares perceber que estejas mais longe ou mais perto de casa, vão sempre existir pessoas em teu redor - muitas delas a passarem por experiências semelhantes à tua; podes não acreditar agora, mas é relativamente fácil que as pessoas na universidade venham falar contigo, porque estão a passar por essa situação de serem novas num novo espaço desconhecido - quando te sentires confortável, tenta tu também fazer conversa com alguns colegas. Acima de tudo, tenta colocar-te em situações que minimizem o teu desconforto e que não te deixem em stress.

Não me vou adiantar muito quanto às tuas preocupações das opções onde poderás vir a calhar - acho que é impossível prever isso, mas é óptimo que tenhas a noção que poderás ficar em A, B ou C e o trabalho que tens a fazer é sobretudo tentar ver pontos positivos também nas opções B, C e até à Z - existem sempre algumas coisas boas, outras que se vão descobrindo conforme vamos experienciando. De qualquer dos modos, como bem te disseram, caso não te revejas nessas experiências, tens sempre 2ª fase de candidaturas, 3ª fase, mudança de par instituição/curso no ano seguinte, gap year - toda uma panóplia de opções nas quais tens de tentar escolher aquilo que faz com que te sintas melhor, mais confortável, porque não há nada mais torturante do que escolhermos coisas que nos desgastam, que nos stressam e que nos consomem - é mesmo muito importante tentar proteger-nos. A tua escola oferece algum tipo de serviço de apoio psicológico? Não o digo no sentido de achar que tens alguma coisa de errada em ti, mas digo-o porque ter começado a ter apoio psicológico mudou bastante a minha forma de olhar para vários aspectos - desde a vida familiar, a problemas pessoais e a situações de stress. A minha psicóloga, com algum tempo de acompanhamento, detectou que os meus comportamentos de overthinking, o meu ambiente familiar e outras circunstâncias podem estar a sinalizar um transtorno de ansiedade e uma depressão crónica que eu me escusava de tentar analisar. Não são só as pessoas com doenças que vão ao psicólogo e muitas vezes a terapia proporcionada ajuda-nos a poder expor todos estes receios e receber respostas por parte de alguém que está sem dúvida preparado para nos ouvir e que tem estratégias para nos ajudar.

Por último, não quero deixar de comentar o assédio que reportas: o que contas é verdadeiramente preocupante e infelizmente, uma realidade para muitas jovens e mulheres por todo o país. Durante a minha adolescência, observei os mesmos comportamentos que referes e cheguei até mesmo a ser perseguida pelas ruas da minha aldeia por um jovem. Pensei que em Lisboa, a situação terminaria porque as pessoas estariam todas demasiado ocupadas para perderem tempo a agirem assim; mas não foi isso que aconteceu, ainda surgem peripécias, desde carros a apitar, carros a parar, até a um homem perseguir-me pelo Largo Camões para fazer uma série de comentários nojentos. Quero reforçar que a culpa não é tua, tal como a culpa não foi minha em todas estas situações em que me referi - não é por usarmos calções, saias ou decotes, por estarmos maquilhadas ou não. A culpa está mesmo em comportamentos adquiridos das pessoas (maioritariamente, homens), que se sentem com autoridade para poderem dizer essas coisas e que muitas vezes acham que isso é um direito deles e que nada de criminoso há nisso, que até estão a "elogiar", etc. A verdade é que, ainda que as mulheres tenham conquistado imensos direitos no último século, continuamos a viver numa sociedade machista e com subtilezas que denunciam a misoginia que socialmente vai penetrando no modo como socializamos. Isto é uma versão simplória daquilo que na verdade tem sido analisado há décadas por sociólogos, antropólogos, filósofos, teóricas feministas, etc. Não há uma resposta certa para resolver o problema que denuncias - porque o problema não está nem nunca esteve em ti; mas há estratégias que podem ajudar-te a sentires-te com menos medo, ou pelo menos mais reconfortada:
- Uma delas é, por exemplo, tentares ir acompanhada, seja presencialmente ou até mesmo pelo telemóvel - fala com uma amiga tua com quem tenhas mais proximidade, alguém da tua terra ou até mesmo alguma das tuas novas colegas - com quem, sem dúvida, assim que te sentires confortável, deverias partilhar esses receios, porque vais verificar que muitas meninas também têm histórias desse tipo e será mais fácil partilhares esses pensamentos com pessoas com quem tu sentes que vão compreender. Mesmo pessoas desconhecidas podem vir ajudar-te: há pouco tempo, uma rapariga da minha faculdade relatou que ia num autocarro e foi abordada por um senhor bêbedo que até nas pernas lhe tocou. Ela fez contacto visual com todas as pessoas no autocarro e ninguém a vinha ajudar, até que entrou uma rapariga que rapidamente percebeu que se passava ali alguma coisa e fingiu que a conhecia, conseguindo dissuadir o homem a fazer o que quer que fosse, enquanto foi fazendo conversa com a rapariga. Isto passou-se em Lisboa, mas podia ter sido noutro sítio; cada vez mais, as pessoas estão cientes deste problema e conseguem ajudar-se.
- Na maior parte dos casos, a melhor estratégia é não te envolveres em qualquer interacção com quem te está assediar - dares qualquer tipo de resposta pode dar-lhes alguma satisfação da situação e só será frustrante. Porém, se estiveres acompanhada, por vezes existem situações em que a abordagem (não por ti) deixa as pessoas embasbacadas. Recentemente, ia com o meu namorado na rua e estava à espera que um semáforo ficasse verde para atravessarmos a rua. Uma carrinha passou, com dois homens que olharam para mim, sorriram de forma assustadora e deram uma apitadela. Como o trânsito fez com que ficassem parados um pouco mais à frente, o meu namorado foi abordá-los e os senhores tentaram escusar-se, dizendo que apitaram porque bastante mais para a frente estavam uns colegas deles - ficaram sem chão, completamente envergonhados porque a atitude deles tinha sido perfeitamente compreendida e eles tinham plena consciência de que se admitissem que tinham sim apitado para uma mulher na rua (facto que era notável, dado que apitaram enquanto faziam contacto visual para mim), isso poderia levar a que facilmente fixássemos a matrícula da carrinha e fizéssemos uma denúncia porque estamos a falar literalmente de um crime.
- Por último, coisas que me ajudaram a lidar com esta experiência, além de falar com outras mulheres sobre o assunto, passou por fazer algumas leituras sobre o tema, comecei a ler literatura feminista e a juntar-me a círculos onde esse tema fosse dialogado (por exemplo, juntei-me ao MDM, mas existem várias universidades com núcleos feministas, com os quais poderás entrar em contacto e receber apoio).

Desculpa o enorme texto que te escrevo, mas revi-me demasiado no que relataste e seria para mim um erro não partilhar tudo isto depois de 4 anos a estudar longe de casa. Espero que, de alguma forma, isto te ajude 🤗 Por último, não sei se o teu username é uma referência ao Armin de Attack on Titan, mas se for, então tens um óptimo gosto 💞 Se não for, ignora este aparte 🤣 Boa sorte!!
 
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Sempre ajuda, quando há quem nos ouça e quem nos compreenda. Sinto que estes assuntos não são compreendidos por muitos e quando me abro em relação a isso, dificilmente concordam ou percebem do que falo. Nem toda a gente tem de ser etiquetada e rotulada pelos padrões da sociedade e há sempre que tentar perceber o outro mesmo que não sejamos assim. E é realmente difícil falar sobre isso, quando sabemos que ouvimos desde cedo que temos de ser assim ou assado. Espero que consiga me adaptar na uni e aos amigos e ter facilidade em ter essa comunicação no futuro, assim como espero que toda a gente que passa por esta situação que o faça. Apesar de acharmos que estamos sozinhos, nunca estamos. Há sempre alguém que está a passar pela mesma coisa, só não tivemos muita sorte de as encontrar.
Por isso obrigada pela tua resposta :)

E simm é de AOT o meu user :D

Obrigada pelo teu tempinho e espero que tenhas muito sucesso, também! ;)
 
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