Assessoria e tradução- ISCAP ou Direito-Coimbra ?

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Matrícula
14 Março 2018
Mensagens
11
Gostos
3
Curso
Linguas literaturas e culturas- FLUP
Instituição
Universidade do Porto
#1
Olá!
Escolher o curso que queremos seguir é sempre muito difícil; principalmente se, tal como eu, pretendes escolher pela segunda vez, receando fazer a escolha errada novamente. Como já puderam ver pelo título, estou indecisa entre dois cursos completamente diferentes (embora assessoria tenha algumas cadeiras de "direito"). Nesse sentido peço a alunos que já frequentaram, ou frequentam, um destes cursos para me dar a sua opinião sincera sobre o mesmo.( quais as cadeiras melhores e as mais chatas). Para além disso, gostava de saber como é o ambiente académico em ambas instituições, visto que poderá facilitar a escolha.
Desde já muito obrigado,
Mrs.Lira
 
Gostos: _ac0nitum_

_ac0nitum_

Membro Veterano
Matrícula
7 Julho 2017
Mensagens
217
Gostos
354
Curso
Direito
Instituição
Universidade de Coimbra
#2
Olá!
Escolher o curso que queremos seguir é sempre muito difícil; principalmente se, tal como eu, pretendes escolher pela segunda vez, receando fazer a escolha errada novamente. Como já puderam ver pelo título, estou indecisa entre dois cursos completamente diferentes (embora assessoria tenha algumas cadeiras de "direito"). Nesse sentido peço a alunos que já frequentaram, ou frequentam, um destes cursos para me dar a sua opinião sincera sobre o mesmo.( quais as cadeiras melhores e as mais chatas). Para além disso, gostava de saber como é o ambiente académico em ambas instituições, visto que poderá facilitar a escolha.
Desde já muito obrigado,
Mrs.Lira
Olá, Olá!
Apesar de não ter passado por uma situação similar à tua possuo empatia suficiente para imaginar as tuas consternações! Posso não ter a experiência de estudar solicitadoria no ISCAP, no entanto, estando a terminar o meu primeiro ano em Direito na Universidade de Coimbra, creio poder falar-te da minha experiência (algo que, porventura, pode ajudar-te na tua indecisão).

Começo desde já por te dizer que Direito é um curso com bastantes saídas profissionais (mais até do que as que lhe são tipicamente associadas), pelo que se ainda não tens bem a certeza daquilo que queres seguir no futuro é o curso ideal para ti (podes inclusive trabalhar na área da solicitadoria), posto não te limitar a um caminho em concreto. Pode parecer-te que estou a puxar a brasa à minha sardinha, no entanto, estou apenas a analisar a situação de um ponto de vista pragmático. Outra vantagem de tirares um curso que te dá valências relevantes para saídas profissionais relativamente diversas (relativamente porque se subsumem quase todas em áreas similares, relacionadas quer com o mundo jurídico ou com a diplomacia) é o facto de acabar por atenuar o teu medo de errar novamente quanto à escolha da área. Não te estou a dizer que seja certo que te identifiques de imediato com o curso, isso é algo que depende única e exclusivamente de ti e dos teus sonhos pessoais, mas a verdade é que, como não te limita muito, se não te imaginares a exercer algo diretamente ligado ao mundo jurídico (como é o caso de advocacia, notariado, solicitadoria ou integrar a PJ) tens sempre outras opções.

Quanto ao curso em si, podes ter ouvido vários relatos de que a FDUC é bastante exigente e que o seu método de ensino é um tanto arcaico, o que não diverge muito da verdade. Contudo, continua a ser uma faculdade que pela sua longa história possui bastante prestígio perante as entidades patronais, que têm noção de que as médias baixas (relativamente a outras faculdades pátrias de Direito mais recentes) se devem em parte ao rigor e à exigência a que somos submetidos aquando das avaliações. Sim, é um curso bastante teórico (que apenas atinge o ápice prático nos finais do terceiro ano, inícios do quarto, pelo que me foi relatado), todavia, não se pode querer exercer direito sem se possuir as bases para tal e no caso essas bases assentam bastante na teoria. Não te vou dizer que me adaptei de imediato ao curso, estaria a mentir se o fizesse (e tendo eu o intuito de te ajudar na tua escolha, seria veemente contraproducente não partilhar na integra a minha experiência). Sendo que vim do secundário com uma média relativamente alta (sem estudo praticamente nenhum, devo acrescentar), fez com que o choque fosse, de certo modo maior. Para minha primeira frequência (Constitucional I) utilizei o mesmo regime de estudo que utilizei durante o secundário, nomeadamente, ver a matéria toda de rajada três dias antes da dita avaliação. Quando me deparei com um 10, indaguei-me o que é que se estaria a passar comigo, se as minhas capacidades intelectuais tinham diminuído do dia para a noite e se aquele seria mesmo o curso para mim (lembro-me de ter ligado aos meus pais beira lágrimas a dizer-lhes que queria desistir e ir para Relações Internacionais no Porto). Muitos dos meus colegas que tinham estudado o mesmo que eu tinham tirado notas inferiores (e com isso não me refiro a 8's e 9's mas sim 4's, 5's e 6's) e disseram-me que me queixava "de barriga cheia". Para a segunda estudei um bocadinho mais (5 dias) e tirei 14 (se bem me recordo). O método de avaliação preferencial da Fduc é o exame final (pelo que apenas podes fazer 1 ou duas cadeiras por frequência por semestre), algo que é justificável através do facto de as presenças não serem obrigatórias (só no caso de disciplinas feitas por frequência, como o nome indica) e cada aluno fazer o seu próprio horário (as aulas teóricas são fixas, no entanto, tens várias aulas práticas - aulas em que os professores explicam de um modo mais "compreensível" e interativo aquilo que te é exposto nas aulas prelecionadas pelos professores catedráticos - pelas quais podes optar, fazendo assim o teu próprio horário individual, se não te apetecer ir a x no dia y, podes ir a x no dia z à última da hora). Há duas fases de exame final, nomeadamente, a época normal e a época de recurso. Podes inscrever-te na época de recurso sem te inscreveres na época normal, pelo que, acabas por ser tu a organizar o teu próprio calendário de exames. Todavia, quando te inscreves somente na época de recurso acabas por perder a oportunidade de fazer a cadeira na época normal (mas não desesperes, se tiveres pelo menos 8 podes ir a oral de passagem). Outra coisa interessante nesta ínclita faculdade é que caso faças a cadeira em época normal não tens direito a tentar a tua sorte em recurso. Isto à primeira vista pode parecer injusto, no entanto, continuas a ter a oportunidade de subir a tua nota caso esta não seja do teu agrado. Tens é de te submeter a uma oral de melhora! Isto ocorre para estimular as nossas capacidades discursivas, pelo que, um bom jurista deve ser detentor de certa eloquência discursiva. As cadeiras mais chatinhas do primeiro ano são, a meu ver, Introdução ao Direito e Economia Política, no entanto, isso é bastante subjetivo. Ademais, como entramos quase 400 alunos por ano somos divididos alfabeticamente por duas turmas, pelo que acabamos por ter professores diferentes. O método de ensino aplicado à primeira turma difere daquele que é aplicado à segunda turma, pelo que ambas discutem bastante sobre qual é sujeita a um método de ensino mais severo. Que mais é que te posso dizer sobre o curso em si?! Acho que já abordei todos os pontos fundamentais, pelo que se ainda tiveres alguma dúvida concernente ao curso, peço-te que te sintas livre para me enviar mensagem de modo a que te possa esclarecer melhor.

Relativamente ao ambiente académico, o ambiente académico do meio universitário conimbricense tem séculos de história, e as lendas relativas à vida boémia que aqui levam os estudantes, são algo bem sabido. A Universidade de Coimbra em si, tem uma tradição praxistica bastante forte, pelo que é na praxe Coimbrã que se inspiram todas as outras. A faculdade de Direito da Universidade de Coimbra, em particular, tem uma tradição praxista bastante vincada, pelo que, embora conheça alunos que não integram da praxe, são uma minoria (não estou a criticar essa conduta, atenção). Os alunos de outras faculdades dizem que a praxe de Direito é mais puxada, contudo, isso é bastante subjetivo. A praxe é o conjunto de valores que os alunos mais velhos passam aos "caloiros", pelo que não se resume à mobilização e ao gozo do caloiro (o apadrinhamento é praxístico, o batismo é praxístico, a latada é praxística, os cortejos são praxísticos, o espírito inerente à queima é praxístico, a queima das fitas, o cartolar, etc, é praxístico), assim sendo, a intensidade da praxe, depende muito de quem te praxa e dos valores que essa pessoa ou conjuntos de pessoas te querem transmitir. Em Direito não se pode fazer uma generalização dessas dimensões porque, devido à quantidade dos estudantes (e à impossibilidade de se juntarem todos), há uma divisão dos alunos em vários grupos de praxe. As tertúlias. A praxe Coimbrã é sexista, pelo que a maioria das tertúlias são exclusivamente femininas ou masculinas. No entanto, há raras exceções, como é o caso da minha tertúlia, que é mista. Não vou estar aqui a promover a minha tertúlia, até porque não acho que essa seja a conduta mais adequada para um site que visa esclarecer dúvidas e não impingir opções a outrem. Todavia, caso tenhas curiosidade e nos queiras conhecer (quanto mais não seja para tomar um chá e te mostrarmos a cidade, caso efetivamente optes por vir para a fduc) não te inibas de me enviar mensagem! Mesmo que escolhas não integrar a praxe o ambiente académico de Coimbra, como não se limita a esta, é bastante próprio. Talvez pelo badalar da velha cabra, talvez pelo Mondego, talvez pelas dimensões de Coimbra, talvez pela AAC e pela luta de outrora contra a ditadura (com o luto académico de 69), talvez pelas Repúblicas de estudantes. É algo que por mais que escreva não consigo descrever. Durante os meus primeiros dois meses em Coimbra recusei-me a aceitar a visão romântica da cidade que me era perpetuada pelos alunos mais velhos. Tinha escolhido Coimbra precisamente por tudo o que tinha ouvido sobre o seu ambiente único (muito embora tivesse média para entrar em Direito no Porto ou no Minho caso tivesse colocado as respetivas instituições como primeira opção), no entanto, era tudo diferente daquilo que me tinha sido narrado. Não me sentia filha do Mondego. Tinha saudades da minha cidade, dos meus amigos, dos meus pais. Mas Coimbra, por muito que inicialmente se estranhe, acaba por se entranhar. E, estranhamente, agora percebo muito do que me foi dito.

Espero ter-te ajudado!
Abracinho,
Carolina.
 
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