Ciências biomédicas laboratoriais vs Bioquímica

biap_

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21 Outubro 2017
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Olá!
Alguém sabes se um licenciado em cbl tem trabalho garantido logo após a licenciatura? Eu tenho ideia que não e que este é um curso pouco valorizado, o que faz com que a empregabilidade no mesmo seja baixa. Eu estou indecisa entre bioquímica e cbl, no entanto, o plano de estudos de cbl interessa-me muito mais do que o de bioquímica, visto que incide mais sobre as áreas que mais gosto (mas como já referi, tenho receio de não arranjar trabalho, daí a indecisão). Por outro lado, bioquímica é um curso muito mais abrangente, abrindo-nos um leque de especializações em diferentes áreas. Se alguém me pudesse ajudar e relação a um destes cursos, agradeço!
 

biap_

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21 Outubro 2017
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Não sou muitos os cursos que te garantem um emprego logo após a licenciatura.
Sim é verdade, mas em questão de empregabilidade em Portugal (mesmo não sendo logo após a licenciatura), penso que o curso de bioquímica tem mais sucesso do que o curso de cbl. No entanto, o que eu queria saber era se alguém que seja licenciado em cbl me possa esclarecer melhor sobre isso, falando um pouco da sua experiência.
 

Rafael.

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18 Fevereiro 2016
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614
Curso
Biologia
Instituição
Universidade de Aveiro
Um curso não te dá "garantias" de emprego ( são poucos os cursos que o conseguem ) sendo que podes vir a ter que tirar um mestrado depois de concluir a licenciatura

CBL dá a possibilidade de ter uma cédula profissional para trabalhar como TSDT. Nesta carreira não é exigido possuir mestrados e não precisam de fazer formações de continuidade para renovarem a cédula profissional ( é vitalicia ). Esta cedula profissional é dada pela ACSS.

Os Biologos e Bioquimicos para exercer atividade no laboratorio clinico, genetica humana ou embriologia/reprodução ( principais especialidades oferecidas pela ordem dos biologos ), devem seguir os regulamentos da ordem dos biologos que foram transpostos dos Processos Europeus de registo dos profissionais especialistas de saude. Estes profissionais devem ter um mestrado adequado ( ex. analises clinicas, para um futuro especialista de laboratorio ), e devem depois efetuar um internato de 4 anos em laboratorio, e candidatar-se a exames da especialidade ao colegio de biologia humana e saude da ordem dos biologos. Se fores aprovada nos exames, passas a ser especialista em analises clinicas e és obrigado a revalidar a especialidade a cada 5 anos ( demonstrando cumprir os requisitos minimos ).

De uma forma "geral" podemos dizer que por cada Especialista de Laboratório trabalham 3-7 TSDT, pois os especialistas têm atividade de gestao e liderança em setores, implementação de metodos novos e procedimentos. Enquanto que um TSDT é um executor do laboratório, no entanto, os profissionais de CBL podem muito bem passar a Especialistas com mestrados e formação adequada ( é inclusive o que estão a tentar fazer com a abertura de um procedimento concursal para as categorias de técnico superior especialista e técnico superior especialista principal ).

Esta seria a principal diferença entre saidas nos laboratorios/saude entre CBL e Bioquimica. De referir que já nao há concursos publicos para TSS ( anteriormente tecnicos superiores de saude de cursos como bioquimica ) e os TSDT ( licenciaturas de CBL ) estão a ganhar "terreno" nestas vagas e faz sentido que assim o seja - o sindicato dos TSDT tem conseguido o descongelamento das carreiras ( apesar de não ter sido considerado "correto" pelos TSDT ) e aumentos salariais para estes profissionais ( mas ainda ha muito trabalho a fazer )
Nota : Os novos "TSS" ( o nome ja nao se aplica ) sao todos contratados com contrato individual de trabalho e é a especialidade das respetivas ordens profissionais que serve agora para estes profissionais ( farmaceutica, psicologos, nutricionistas, biologos... ).

De resto a segunda grande saída seria área da investigação e aqui o percurso mais natural seria mestrado e doutoramento e qualquer dos cursos consegue seguir essa área ( bioquimica mais focada na área da investigação desde a licenciatura ). Em bioquimica tens ainda possibilidade de trabalhar em I&D na industria alimentar, por exemplo, ou outras vertentes para além da saúde.

O curso de CBL também é reconhecido lá fora, por isso, consegues trabalhar no Reino Unido na área de analises clinicas ( e não só ), por exemplo( como uma amiga minha o fez ) entrando em contacto com a HCPC.

Compara bem os planos curriculares e vê o que gostarias de fazer. Preferes ter um curso mais geral como Bioquimica com possibilidade de trabalhar nas áreas da alimentação/ fora da saúde? Ou é saúde que queres?
 
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biap_

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Um curso não te dá "garantias" de emprego ( são poucos os cursos que o conseguem ) sendo que podes vir a ter que tirar um mestrado depois de concluir a licenciatura

CBL dá a possibilidade de ter uma cédula profissional para trabalhar como TSDT. Nesta carreira não é exigido possuir mestrados e não precisam de fazer formações de continuidade para renovarem a cédula profissional ( é vitalicia ). Esta cedula profissional é dada pela ACSS, assim que acabam o curso e ficam registados na ACSS.

Os Biologos e Bioquimicos para exercer atividade no laboratorio clinico, genetica humana ou embriologia/reprodução ( principais especialidades oferecidas pela ordem dos biologos ), devem seguir os regulamentos da ordem dos biologos que foram transpostos dos Processos Europeus de registo dos profissionais especialistas de saude. Estes profissionais devem ter um mestrado adequado ( ex. analises clinicas, para um futuro especialista de laboratorio ), e devem depois efetuar um internato de 4 anos em laboratorio, e candidatar-se a exames da especialidade ao colegio de biologia humana e saude da ordem dos biologos. Se fores aprovada nos exames, passas a ser especialista em analises clinicas e és obrigado a revalidar a especialidade a cada 5 anos ( demonstrando cumprir os requisitos minimos ).

De uma forma "geral" podemos dizer que por cada Especialista de Laboratório trabalham 3-7 TSDT, pois os especialistas têm atividade de gestao e liderança em setores, implementação de metodos novos e procedimentos. Enquanto que um TSDT é um executor do laboratório, no entanto, os profissionais de CBL podem muito bem passar a Especialistas com mestrados e formação adequada.

Esta seria a principal diferença entre saidas nos laboratorios/saude entre CBL e Bioquimica. De referir que já nao há concursos publicos para TSS ( anteriormente tecnicos superiores de saude de cursos como bioquimica ) e os TSDT ( licenciaturas de CBL ) estão a ganhar "terreno" nestas vagas e faz sentido que assim o seja - o sindicato dos TSDT tem conseguido o descongelamento das carreiras e aumentos salariais para estes profissionais
Nota : Os novos "TSS" ( o nome ja nao se aplica ) sao todos contratados com contrato individual de trabalho e é a especialidade das respetivas ordens profissionais que serve agora para estes profissionais ( farmaceutica, psicologos, nutricionistas, biologos... ).

De resto a segunda grande saída seria área da investigação e aqui o percurso mais natural seria mestrado e doutoramento e qualquer dos cursos consegue seguir essa área ( bioquimica mais focada na área da investigação desde a licenciatura ). Em bioquimica tens ainda possibilidade de trabalhar em I&D na industria alimentar, por exemplo, ou outras vertentes para além da saúde.

Tem em conta que com Bioquimica não consegues seguir uma carreira como TSDT ( quanto muito conseguias como especialista de analises clinicas ), mas com CBL podes seguir uma carreira como TSDT ou em investigação, no entanto, bioquimica sendo um curso mais geral pode abrir portas para outras áreas fora da saúde.

O curso de CBL também é reconhecido lá fora, por isso, consegues trabalhar no Reino Unido na área de analises clinicas ( e não só ), por exemplo( como uma amiga minha o fez ) entrando em contacto com a HCPC.

Compara bem os planos curriculares e vê o que gostarias de fazer. Preferes ter um curso mais geral como Bioquimica com possibilidade de trabalhar nas áreas da alimentação ou ambiental/biorremediação? Ou é saúde que queres?
Muito obrigada pelo teu esclarecimento!
Respondendo à pergunta, o que realmente me interessa são as áreas forenses, ligadas à investigação, daí eu mais tarde, possivelmente, tirar mestrado em ciências forenses na fmup. No entanto, por ser um curso bastante específico e com baixa empregabilidade (em Portugal), eu preferia tirar uma licenciatura mais abrangente, que não envolva apenas investigação (até porque eu também gosto bastante de genética, imunologia e oncologia, daí a bioquímica). Quanto aos planos curriculares, chamam-me muito mais à atenção os que são relativos a ciências biomédicas laboratoriais, mas o meu medo é que mesmo eu tirando o mestrado em forense, não arranje emprego devido ao facto de cbl não ser tão abrangente como bioquímica (pelo menos é a ideia que eu tenho, corrige-me se estiver errada, por favor).
Obrigada!
 

Rafael.

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Curso
Biologia
Instituição
Universidade de Aveiro
Muito obrigada pelo teu esclarecimento!
Respondendo à pergunta, o que realmente me interessa são as áreas forenses, ligadas à investigação, daí eu mais tarde, possivelmente, tirar mestrado em ciências forenses na fmup. No entanto, por ser um curso bastante específico e com baixa empregabilidade (em Portugal), eu preferia tirar uma licenciatura mais abrangente, que não envolva apenas investigação (até porque eu também gosto bastante de genética, imunologia e oncologia, daí a bioquímica). Quanto aos planos curriculares, chamam-me muito mais à atenção os que são relativos a ciências biomédicas laboratoriais, mas o meu medo é que mesmo eu tirando o mestrado em forense, não arranje emprego devido ao facto de cbl não ser tão abrangente como bioquímica (pelo menos é a ideia que eu tenho, corrige-me se estiver errada, por favor).
Obrigada!
Algumas competências adquiridas em CBL são transferiveis para Bioquímica e vice-versa e é comum ver unidades curriculares relacionadas com Ciências Forenses nas licenciaturas em CBL. Podes muito bem seguir essas áreas de genética, imunologia ou oncologia tanto em CBL como Bioquímica, mas certamente que alunos do curso de CBL te conseguem ajudar nessa questão
Uma das "garantias" que CBL te pode dar quando comparado a cursos como Biologia ou Bioquimica ( para além da investigação ) é o acesso á carreira como TSDT ( que pode ser um aspecto positivo ).

Tanto CBL como Bioquimica permitem o acesso a esse mestrado e às diversas especialidades que o mesmo fornece ( como ciências laboratoriais forenses ) e se pretendes algo que te dê oportunidades fora da investigação/ciências forenses ( se o emprego na área forense estiver complicado) acho que CBL pode ser uma opção a ter em conta pois tens a possibilidade de exercer noutras áreas da saúde.

Relativamente à baixa empregabilidade de CBL não te consigo mesmo falar como estão as coisas até porque o curso só abriu em 2014 ( creio eu ) e, tendo em conta os 4 anos desta licenciatura, só em 2018 é que os licenciados começaram a entrar no mercado de trabalho, por isso, acho cedo dizer que as coisas estão "mal" no curso de CBL.

Acho que o @Rúben Marcelo Simão Nunes pode tentar esclarecer melhor essa questão das oportunidades em CBL :)
 

biap_

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Algumas competências adquiridas em CBL são transferiveis para Bioquímica e vice-versa e é comum ver unidades curriculares relacionadas com Ciências Forenses nas licenciaturas em CBL. Podes muito bem seguir essas áreas de genética, imunologia ou oncologia tanto em CBL como Bioquímica, mas certamente que alunos do curso de CBL te conseguem ajudar nessa questão
Uma das "garantias" que CBL te pode dar quando comparado a cursos como Biologia ou Bioquimica ( para além da investigação ) é o acesso á carreira como TSDT ( que pode ser um aspecto positivo ).

Tanto CBL como Bioquimica permitem o acesso a esse mestrado e às diversas especialidades que o mesmo fornece ( como ciências laboratoriais forenses ) e se pretendes algo que te dê oportunidades fora da investigação/ciências forenses ( se o emprego na área forense estiver complicado) acho que CBL pode ser uma opção a ter em conta pois tens a possibilidade de exercer noutras áreas da saúde.

Relativamente à baixa empregabilidade de CBL não te consigo mesmo falar como estão as coisas até porque o curso só abriu em 2014 ( creio eu ) e, tendo em conta os 4 anos desta licenciatura, só em 2018 é que os licenciados começaram a entrar no mercado de trabalho, por isso, acho cedo dizer que as coisas estão "mal" no curso de CBL.

Acho que o @Rúben Marcelo Simão Nunes pode tentar esclarecer melhor essa questão das oportunidades em CBL :)
Obrigada!! :)
Pois, sendo assim tens razão. @Rúben Marcelo Simão Nunes será que podias esclarecer?
 

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Não sei a que especialistas se referem. As especialidades apenas podem ser conferidas pelas Ordens Profissionais, não sendo acessíveis aos TSDT. Tanto quanto sei as diferentes categorias na carreira dos TSDT são agrupadas com base em anos de experiência, não existindo uma formação "formal". Na prática, além do técnico responsável, as funções são praticamente as mesmas. Alguns "recusam-se" a fazer colheitas, por exemplo.

Os concursos TSS área farmácia continuam a existir. O internato farmacêutico não foi implementado. Contrariamente aos médicos, os farmacêuticos podem exercer no laboratório sem especialidade (com funções diferentes de um analista naturalmente). Por enquanto o acesso à mesma depende de experiência prévia em valências core e não da nota de uma prova. Em bom português, para os farmacêuticos, está tudo em águas de bacalhau...

Em análises, CBL será sempre mais abrangente que bioquímica ou biologia. Estes dois últimos requerem formação extra ao passo que CBL tende a ser profissionalizante, permitindo trabalhar em clínica, bromatologia, hidrologia e toxicologia após o término da licenciatura. Um dado que infelizmente tende a ser esquecido é que CBL, à semelhança de medicina e farmácia, é um curso de saúde e que já existe há décadas (antiga licenciatura/bacharelato em análises+anatomia patológica). Exercer em laboratórios constitui a sua principal saída profissional e desde o segundo ano do curso que entram em contacto com o quotidiano de um laboratório real (ou entravam; desconheço o plano actual). Os médicos e farmacêuticos apenas têm essa prática a nível de mestrado/especialidade/estágio autoproposto. Estou a falar de experiência profissional; não estou a contar com os laboratórios de virologia, imuno, hemato...
Os biológos entraram no laboratório para suprir a falta de profissionais que se verificou a certa altura. Atendendo às suas competências em determinadas áreas (embriologia, genética) acabaram por ocupar um nicho, alargando mais tarde o seu potencial. Enquanto que os TSDT são mais versáteis e estão aptos a trabalhar em qualquer valência e a interagir com os doentes, os biológos executam técnicas mais específicas (despite de malformações congénitas, por exemplo) e tendem especializar-se áreas "mais gerais" como segurança e higiene do trabalho, auditorias, controlo de qualidade. O facto de estarem sob alçada de uma Ordem também abona muito em seu favor.

EDIT: Referi que CBL tende a ser profissionalizante. Contudo, esta área está tão saturadíssima que raros são os concursos que não exigem habilitações superiores à licenciatura. Os técnicos que eu conheci tinham na sua maioria mestrado e eram sobrequalificados para o trabalho que executavam.
 
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Não sei a que especialistas se referem. As especialidades apenas podem ser conferidas pelas Ordens Profissionais, não sendo acessíveis aos TSDT. Tanto quanto sei as diferentes categorias na carreira dos TSDT são agrupadas com base em anos de experiência, não existindo uma formação "formal". Na prática, além do técnico responsável, as funções são praticamente as mesmas. Alguns "recusam-se" a fazer colheitas, por exemplo.

Os concursos TSS área farmácia continuam a existir. O internato farmacêutico não foi implementado. Contrariamente aos médicos, os farmacêuticos podem exercer no laboratório sem especialidade (com funções diferentes de um analista naturalmente). Por enquanto o acesso à mesma depende de experiência prévia em valências core e não da nota de uma prova. Em bom português, para os farmacêuticos, está tudo em águas de bacalhau...

Em análises, CBL será sempre mais abrangente que bioquímica ou biologia. Estes dois últimos requerem formação extra ao passo que CBL tende a ser profissionalizante, permitindo trabalhar em clínica, bromatologia, hidrologia e toxicologia após o término da licenciatura. Um dado que infelizmente tende a ser esquecido é que CBL, à semelhança de medicina e farmácia, é um curso de saúde e que já existe há décadas (antiga licenciatura/bacharelato em análises+anatomia patológica). Exercer em laboratórios constitui a sua principal saída profissional e desde o segundo ano do curso que entram em contacto com o quotidiano de um laboratório real (ou entravam; desconheço o plano actual). Os médicos e farmacêuticos apenas têm essa prática a nível de mestrado/especialidade/estágio autoproposto. Estou a falar de experiência profissional; não estou a contar com os laboratórios de virologia, imuno, hemato...
Os biológos entraram no laboratório para suprir a falta de profissionais que se verificou a certa altura. Atendendo às suas competências em determinadas áreas (embriologia, genética) acabaram por ocupar um nicho, alargando mais tarde o seu potencial. Enquanto que os TSDT são mais versáteis e estão aptos a trabalhar em qualquer valência e a interagir com os doentes, os biológos executam técnicas mais específicas (despite de malformações congénitas, por exemplo) e tendem especializar-se áreas "mais gerais" como segurança e higiene do trabalho, auditorias, controlo de qualidade. O facto de estarem sob alçada de uma Ordem também abona muito em seu favor.

EDIT: Referi que CBL tende a ser profissionalizante. Contudo, esta área está tão saturadíssima que raros são os concursos que não exigem habilitações superiores à licenciatura. Os técnicos que eu conheci tinham na sua maioria mestrado e eram sobrequalificados para o trabalho que executavam.
Estava a referir-me às especialidades do CBHS :) Quando referi a "novidade" do curso de CBL, falo precisamente da junção desses 2 cursos ( maior abrangência que, infelizmente, não parece ter alterado a empregabilidade na área ).

Exato, serve agora a ordem dos biólogos para essas especialidades ( genética, por exemplo ) com trabalhos mais focados na implementação, auditoria, gestão de qualidade, etc

Concursos para TSS em farmácia desconheço a realidade, mas depois de uma conversa com o Jorge Pinheiro ( atual coordenador da especialidade em análises clínicas da CBHS ) essas vagas têm sido ocupadas pelos TSDT e deixou de haver concursos para os anteriores "TSS" nessas áreas. Muitos colegas meus ( agora em mestrados analises clinicas ) desconheciam essa realidade dos concursos para "TSS" e vêm obrigados ( se pretendem continuar a trabalhar na área ) a realizar o internato de 4 anos numa especialidade, no entanto, os próprios TSDT desejam ser Especialistas de Laboratório como os Biologos ou Farmaceuticos e, por isso, fazem os mestrados em análises clínicas ( pelo menos querem alterar isso )
 
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Há pressão para seguir formação pós-graduada, mas os TSDT não ganham mais competências por isso. A questão é essa. E a especialidade para biólogos/bioquímicos, praticamente obrigatória dadas as lacunas naturais na sua formação, não confere as mesmas competências que a da OF (analista) e OM (patologista). Para tal, os requisitos legais e a própria directiva que define a formação pre e pós graduada de um "químico clínico" teriam de ser alterados. Em tempos assisti à delegação de funções de DT a um não farmacêutico, não médico, não técnico de CBL, não biólogo, mas sim a um técnico de ciências de saúde, por isso, no que toca a análises, já não ponho as mãos no fogo...O pessoal que se intitulava de técnico de análises clínicas também não tinha nem 1 ano de bacharelato. Penso que a regulamentação e as inspeções já sejam mais rigorosas desde então.

Julgo que a carreira dos biólogos no público não tenha sofrido alterações. Ainda há 2 meses tomei conhecimento de concurso para uma unidade de um hospital, mas não é algo que acompanho atentamente, de facto. Tanto quanto sei o acesso à especialidade da OB continua a depender do número de horas em laboratório, pelo que, se querem manter estes profissionais nesta área, estes concursos não podem ser extintos.
Os concursos para TSTD são e sempre foram independentes dos de TSS.

A novidade aqui será a carreira farmacêutica, que ganhou finalmente a sua independência. Está prevista a integração de farmacêuticos na área das análises clínicas (genética humana e farmácia hospitalar) através da realização obrigatória de um internato/residência de 4 anos, sendo que o acesso a este passa a estar condicionado pela aprovação numa prova de seriação nacional e não de experiência profissional prévia. Até à elaboração dos novos programas, os concursos públicos para não especialistas farmacêuticos continuarão a existir.

Se a OB quer instituir internato para biólogos ou modificar o ingresso na especialidade, desconheço.
 
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