ULisboa Ciências da Linguagem ou Estudos Portugueses na FLUL

 
Matrícula
13 Julho 2022
Mensagens
13
Boa tarde,
para me candidatar ao concurso nacional deste ano, encontro-me focado em Ciências da Linguagem, devido às suas diversas saídas, juntamente com os mestrados que é possível tirar na FLUL.

Ao ter percebido melhor a definição de major e minor, apercebi-me da grande vantagem única que os Estudos Portugueses poderiam me fornecer, por isso ando indeciso nestes dois cursos.
Eu gostaria muito de obter um mestrado em Ciência Cognitiva, mas no caso do curso de Estudos Portugueses, certas unidades curriculares que estão viradas para esse mestrado não aparecem no minor de Estudos Filosóficos, como por exemplo filosofia da mente e da ciência, ou como também estava interessado no minor de tradução para tirar um possível mestrado, verifiquei que as unidades curriculares Linguística Computacional e Tratamento Estatístico de Dados Linguísticos não aparecem como possível opção, por isso lá está, se me especializar nesses minores, irei ter uma menor oportunidade por certas unidades curriculares não estarem incluídas no minor?

E no caso de Estudos Portugueses, como os mestrados que aparento possuir um maior interesse são Ciências da Documentação e Informação, juntamente com Ciência Cognitiva, e pelo que observei nas unidades curriculares destas, esses dois estão focados na Ciência da Linguística, como o curso de Estudos Portugueses tem como obrigatório unidades curriculares ligados à história e à cultura Portuguesa, tal como Arte contemporânea, Estudos Camonianos, Estudos Pessoanos, Estudos Camilianos e História Contemporânea, este curso acaba por ser menos indicado em comparação com Ciências da Linguagem?
Eu tenho o pressentimento que o curso de Estudos Portugueses é mais direcionado para alunos que queiram ser professores de português, devido às suas características literárias, e também pessoas interessadas na parte cultural e de certa forma a tradução.

Por fim, como os mestrados com que mais me identifico estão ligadas às ciências, e se entrar num curso de Estudos Portugueses, o major de Língua Portuguesa apenas me iria conceder 10 unidades curriculares, será que é melhor para mim o curso de Ciências da Linguagem? No caso de Estudos Portugueses, considero que é um benefício poder-me especializar em várias áreas, mas sinto que existem mais disciplinas que posso aceder se perseguir Ciências da Linguagem, apesar de apenas ter 9 disciplinas livres. E caso alguém pertença a esses cursos ou conheça alguém, poderiam me indicar os aspetos positivos e negativos? Se os professores e os colegas são acessíveis? Como é que a matéria é dada na FLUL? Se a maioria dos professores prefere trabalhos de grupo do que testes? Eu ainda me irei informar melhor nas redes sociais com pessoas que frequentam esses cursos, mas qualquer esclarecimento sobre estes cursos ou até sobre o funcionamento da FLUL, em termos do modo de avaliação e da acessibilidade dos professores e dos mestrados, seria muito útil para estar mais descansado em relação às minhas escolhas quando o concurso nacional começar.
 
  • Like
Reactions: casodafruta
 
 
Olá, @AlexandreSilva03! Sou aluno de Ciências da Linguagem, prestes a entrar no 2º ano na FLUL.

De acordo com as tuas pretensões, e não querendo, de todo, enviesar a tua escolha com a minha opção académica, creio que faça mais sentido ingressares em Ciências da Linguagem - mas claro, tendo em atenção de que não tens uma grande opções livres por ser um curso bastante mais específico e restritivo, acaba por te limitar nesse sentido. No entanto, se estás mais inclinado para Ciência Cognitiva, creio que terás melhor sorte se escolheres, por base, o curso de Ciências da Linguagem.

Quanto à experiência em si, tem sido maioritariamente positiva, exceptuando um caso ou outro pontual. Os professores dedicados à Linguística são, por norma, bastante profissionais e justos, sendo que quanto a avaliações passei por um misto de critérios: uns preferem avaliações por testes, outros com trabalhos de grupo. Mesmo assim, e pelo feedback que obtive dos alunos de 2º ano, por onde passas por um maior leque de cadeiras de Linguística, as avaliações tendem a ser mais individuais. Quanto a professores existem aqueles que compreendem perfeitamente as situações dos calendários dos diversos elementos da cadeira, arranjando a melhor solução em comum, e outros que são mais rígidos e menos atenciosos quanto a esse quesito (talvez por más experiências passadas?). Irás encontrar um pouco de tudo - e será um curso que te irá dar muito trabalho, porque exige bastante estudo, especialmente em cadeiras mais específicas.

Embora seja mais velho do que a maioria dos meus colegas, posso dizer que me senti devidamente integrado, sendo que, como o curso é mais pequeno, conhecemo-nos um pouco melhor uns aos outros, o que confere um espírito de comunidade mais coeso e íntimo. Apesar da positividade e entreajuda entre colegas, a FLUL tem um grave problemas de infraestrutura, quer a nível de instalações, quer a nível de serviços académicos/administrativos - pelo que é veiculado, por falta de meios e verbas. Mesmo com estes problemas estruturais, não troco a Clássica por nada deste Mundo, tendo ido ao encontro das minhas expectativas (também já tinha feito um grande estudo no terreno antes de ingressar, para ser honesto!).

Alguma dúvida adicional, não deixes de a esclarecer! Espero que, independentemente da tua decisão final, gostes da FLUL tanto quanto nós gostamos!
 
  • Like
Reactions: AlexandreSilva03
   
Muito obrigada pela teu feedback🥰. Fico agradecido pela tua disponibilidade em me teres respondido!
Entretanto eu tenho outras dúvidas sobre o curso e a própria faculdade, e agradeceria muito se pudesses partilhar o teu conhecimento sobre estas questões.

Um aspecto que eu reparei nas informações estatísticas sobre o curso de Ciências da Linguagem, fornecidas pela Direção-Geral de Estatísticas da Educação e Ciência na edição de 2022, que saiu recentemente foi que, as classificações de quase metade dos diplomados do curso desceram de uma média de 13 para 12, por isso gostaria de saber em que cadeiras sentiste uma maior dificuldade, só para me preparar melhor. E quando dizes que o curso irá dar muito trabalho, estás te a referir ao estudo das matérias, dos trabalhos finais e dos testes certo? Ou um elemento de avaliação em concreto? Desculpa estar a fazer tantas perguntas específicas, é só porque eu passei este último ano a fazer um curso num politécnico em que tínhamos que realizar trabalhos e apresentações semanais, o que levava a que não tivesse muito tempo para estudar, até porque tinha aulas de 4 horas em que não dávamos muita matéria, apenas se ocorriam debates, e senti uma falta de direção especifica nos trabalhos finais, devido a uma matéria pouco aprofundada que, muitas vezes não servia como base em trabalhos finais. Por isso queria perceber melhor se sentiste que os professores, e eventualmente, as matérias dadas nas unidades curriculares, vos preparavam bem para os trabalhos finais e testes, ou se sentiste muitas vezes uma falta de suporte? E, só por curiosidade, qual foi a língua estrangeira que escolheste no primeiro ano? E gostaste dessa língua ou preferias outra? É que existem tantas que despertam o meu interesse, que não faço ideia o que escolher. Qual é que achas que é mais útil para esta área?

E sentiste que a gramática que foi aprendida no secundário preparou-te melhor para este curso? Ou é outro mundo totalmente diferente? E como é que funcionam as aulas mais gramaticais, tipo sintaxe, fonologia, morfologia ou pragmática? Analisam muitos documentos, realizam muitos exercícios ou continua a ser algo muito teórico?

Outra pergunta sobre o curso de Ciências da Linguagem é que, como eu ando indeciso entre dois mestrados, Ciência Cognitiva e Ciências da Documentação e Informação, achas que se ao direcionar as opções livres para esses dois mestrados, acaba por não ser aconselhado? Se diminui as chances de poder entrar num desses mestrados? É só porque eu gosto da ideia de ter as opções livres direcionadas para mais do que uma saída, caso não entre numa dessas opções, mas lá está, não sei se iria estar a complicar esse processo na admissão da minha candidatura, pois pode não ser aconselhado devido às poucas opções livres que se tem. O que aconselhas? Também no primeiro ano irei perceber melhor as minhas preferências, até porque existem várias saídas profissionais que o curso possibilita, por isso se entrar, espero que, após finalizar o primeiro ano, já tenha uma melhor noção do caminho que mais me interessa percorrer.

Passando a outro tópico, uma outra opção que estava a pensar colocar na minha candidatura online era Estudos Clássicos, porque tinha unidades curriculares que, a meu ver, eram muito interessantes, mas com as recentes informações estatísticas de 10% de desempregabilidade, juntamente com o facto de ser um curso recente, e ter lido no fórum de uniarea que as pessoas, após a completação da licenciatura, têm tido dificuldade em encontrar emprego, ando receoso em colocar o curso em uma das minhas opções. Por acaso tens conhecimento sobre este curso? Se sim, sabes se os alunos desse curso estão a gostar das unidades curriculares? E que tipo de mestrado é que poderia percorrer com tal licenciatura, especialmente na FLUL? E, qual seria a saída mais provável, se fizesse uma licenciatura nesse curso?

E por fim, eu estava a pensar colocar Estudos Portugueses como segunda opção, até porque a desempregabilidade era uma das mais baixas na FLUL, o que despertou o meu interesse, mas com a edição de 2022 sobre a estatística do curso, tal aspecto duplicou de 1,9 para 4,5, e sinceramente ainda não percebi que tipo de saídas é que esse curso fornece, para além da cultura, tipo com minor em edição e tradução, ainda não percebi que outras possíveis saídas fora da cultura é que poderia percorrer. Eu achava uma grande vantagem ter um major e minor nesse curso, juntamente com a vasta diversidade de unidades curriculares, pois pensava que era uma excelente segunda opção, mas com a duplicação da desempregabilidade, e o facto de não conseguir perceber se existe uma saída específica ao realizar x minor e x major, não sei se é um curso que vale a pena arriscar. Conheces alguém que faça parte desse curso? Sabes se eles estão a gostar da estrutura de major e minor, ou acaba por ser um aspeto complicado?

Desculpa a extensão destas perguntas😅, acho que coloquei todas as dúvidas que estavam na minha cabeça nestes últimos meses! É só porque quero me certificar que irei estar satisfeito de todas as opções que colocar na candidatura deste ano, pois não me quero arrepender outra vez. Quanto mais informação poderes fornecer, melhor! Agradecia-te muito🙏
 
   
Olá! Sei que as perguntas não eram de todo direccionadas para mim, mas visto frequentar a FLUL há uns anos (vai fazer 5, na verdade 👵 ), acho que posso responder-te a algumas questões, com base nos conhecimentos que fui obtendo quer da minha própria experiência, quer de companheiros de percurso (e ter trabalhado com os Serviços Académicos 😅 ). O @casodafruta que me perdoe a resposta a algumas das questões, mas tudo o que disser é apenas o meu próprio conhecimento e em momento algum pretende replicar o que serão as opiniões dele. Tudo o que ele tiver a acrescentar será mais do que bem-vindo e espero que possa esclarecer-te 🤗

Outra pergunta sobre o curso de Ciências da Linguagem é que, como eu ando indeciso entre dois mestrados, Ciência Cognitiva e Ciências da Documentação e Informação, achas que se ao direcionar as opções livres para esses dois mestrados, acaba por não ser aconselhado? Se diminui as chances de poder entrar num desses mestrados? É só porque eu gosto da ideia de ter as opções livres direcionadas para mais do que uma saída, caso não entre numa dessas opções, mas lá está, não sei se iria estar a complicar esse processo na admissão da minha candidatura, pois pode não ser aconselhado devido às poucas opções livres que se tem. O que aconselhas? Também no primeiro ano irei perceber melhor as minhas preferências, até porque existem várias saídas profissionais que o curso possibilita, por isso se entrar, espero que, após finalizar o primeiro ano, já tenha uma melhor noção do caminho que mais me interessa percorrer.
Sou aluna de Mestrado e acompanhei alguns processos de admissão a mestrados ao longo do último ano. O que a minha experiência me diz, relativamente à FLUL e sobretudo a esta instituição, é que as licenciaturas são bastante encaradas como uma formação inicial dentro de algumas áreas científicas. Com isto, eu diria que não perdes nada em orientar as tuas opções livres para as duas áreas se assim o entenderes. Na admissão a mestrado, os professores que avaliam a candidatura consideram sobretudo a média da tua licenciatura e a tua carta de motivação (às vezes acompanhada de uma entrevista). A minha experiência diz-me que várias vezes entram em mestrado alunos que não têm imeeeensa formação numa determinada área, nem isso é exigido - o que comprova sobretudo bons candidatos é também muitas vezes a capacidade de terem conhecimentos interdisciplinares e na carta de motivação demonstrarem a coerência da sua escolha por aquele mestrado; em que medida contribui para a formação do candidato, podes até especificar áreas de interesse que tenhas e referir que ter x cadeira ou y cadeira motivou-te a escolheres essa formação. Por isso, o meu conselho é que escolhas essas opções de acordo com o que mais te motiva e achas que complementaria o teu currículo. Não acho, de todo, que não escolheres todas as opções livres orientadas para a área x será um factor de exclusão na tua admissão ao mestrado - mas, como bem dizes, depois do primeiro ano terás uma maior percepção dos teus interesses.
E por fim, eu estava a pensar colocar Estudos Portugueses como segunda opção, até porque a desempregabilidade era uma das mais baixas na FLUL, o que despertou o meu interesse, mas com a edição de 2022 sobre a estatística do curso, tal aspecto duplicou de 1,9 para 4,5, e sinceramente ainda não percebi que tipo de saídas é que esse curso fornece, para além da cultura, tipo com minor em edição e tradução, ainda não percebi que outras possíveis saídas fora da cultura é que poderia percorrer. Eu achava uma grande vantagem ter um major e minor nesse curso, juntamente com a vasta diversidade de unidades curriculares, pois pensava que era uma excelente segunda opção, mas com a duplicação da desempregabilidade, e o facto de não conseguir perceber se existe uma saída específica ao realizar x minor e x major, não sei se é um curso que vale a pena arriscar. Conheces alguém que faça parte desse curso? Sabes se eles estão a gostar da estrutura de major e minor,
Outro conselho que te dou é a teres algum cuidado na avaliação das taxas de empregabilidade dos cursos e das estatísticas. É verdade que são feitas com dados factuais, mas não são de uma leitura tão simplificada quanto podemos pensar. Estas estatísticas são um pouco enviesadas e não reflectem a verdadeira empregabilidade dos cursos, de um modo muito geral porque:
1) não avaliam se os alunos que estão empregados estão a trabalhar na área de formação;
2) apenas avaliam os números dos alunos que estão inscritos como desempregados no centro de emprego - há alunos que nunca se registam como desempregados, por exemplo, então nunca devemos olhar para um curso como "aparece 0% de desemprego, então de certeza que isto vai garantir-me um emprego". Não é assim tão simples. Por outro lado, há uma boa notícia nisto:
3) há alunos que estão registados como "desempregados" que podem estar a trabalhar na área. Como é que isto se explica? Nos últimos anos, são cada vez mais populares os estágios do IEFP. Muitos deles são de determinadas áreas (na minha por exemplo, há vários estágios para produção em companhias de teatro). A questão aqui é que para as pessoas se candidatarem a esses estágios IEFP (em que um licenciado ganha à volta dos 900 euros, são valores tabelados) têm de se inscrever no centro de emprego como desempregados. E o que é que vem nas estatísticas? Que os alunos estão desempregados, quando na verdade estão a fazer um estágio profissional remunerado. Por exemplo, para quem é de Estudos Portugueses, alguns desses alunos fazem estágios desses em centros de explicações, a dar aulas de disciplinas como Português.

Quanto às saídas profissionais de Estudos Portugueses, vão depender bastante da orientação do currículo de disciplinas que o aluno escolhe, mas é um curso bastante indicado para quem pretende ser professor de Português, por exemplo. A maior parte das licenciaturas não têm saídas profissionais muito específicas porque cada vez mais o mercado de trabalho não só procura pessoas com formações interdisciplinares e capacidade de flexibilização de conhecimentos, como é tendência que o nível de escolarização esteja a subir, então as licenciaturas estão cada vez mais orientadas para que os alunos a seguir façam um mestrado.

Conheço alguns alunos deste curso e se tiveres dúvidas específicas posso perguntar-lhes. As pessoas que conheço gostam/gostaram do curso, a única queixa é algo transversal aos cursos com opções livres que é o facto de estarmos sempre sujeitos ao número de vagas disponíveis na altura das inscrições e isso por vezes não correr assim tão bem e os alunos terem de optar por outras cadeiras. Mas essa é a experiência geral dos alunos da FLUL, fora quem esteja em cursos com praticamente tudo obrigatórias.

Passando a outro tópico, uma outra opção que estava a pensar colocar na minha candidatura online era Estudos Clássicos, porque tinha unidades curriculares que, a meu ver, eram muito interessantes, mas com as recentes informações estatísticas de 10% de desempregabilidade, juntamente com o facto de ser um curso recente, e ter lido no fórum de uniarea que as pessoas, após a completação da licenciatura, têm tido dificuldade em encontrar emprego, ando receoso em colocar o curso em uma das minhas opções. Por acaso tens conhecimento sobre este curso? Se sim, sabes se os alunos desse curso estão a gostar das unidades curriculares? E que tipo de mestrado é que poderia percorrer com tal licenciatura, especialmente na FLUL? E, qual seria a saída mais provável, se fizesse uma licenciatura nesse curso?
Alguém perguntou-me sobre este curso recentemente por mensagem e vou transcrever o que disse sobre o curso (tem em conta que foi em resposta a outra pessoa, então vai ter vááárias informações). Alguma pergunta que tenhas, podes sempre fazê-la 🤗

"Certamente que a minha opinião tem algum bias porque eu estudei e continuo a estudar na FLUL - fiz lá a minha licenciatura e estou a fazer o meu mestrado lá, então nunca andei numa outra instituição para poder dar a perspectiva de como são as outras; não obstante, por partilha com outros colegas acabei por ter acesso a feedback de outros lugares e quando comparo as respostas, sinto-me tentada a afirmar que a Faculdade de Letras é das instituições que possui melhor ambiente, sobretudo dentro da ULisboa. Temos 17 licenciaturas e um número considerável de alunos, as cadeiras são comuns a vários cursos então não acabas tanto por ter uma turma completamente fixa e consegues conhecer facilmente alunos de vários cursos e de forma bastante acessível. A FLUL é um lugar super LGBTQ+ friendly e muito diversificado, então existem pessoas de todos os estilos, maneiras de ser e visões políticas; no geral, considero que o ambiente é bastante agradável e sinto-me confortável nos espaços da faculdade - é verdade sim que algumas salas têm condições menos boas (por exemplo, as salas mais pequenas das caves são muito quentes) e tínhamos um pavilhão com amianto em funcionamento até há pouco tempo. Porém, acredito que as condições da faculdade vão ser melhoradas nos próximos anos, porque esse pavilhão já foi encerrado, vai ser demolido e construído um totalmente novo. Existem algumas infiltrações de água em alguns corredores, mas pessoalmente nunca me senti muito afectada por essas situações porque não são assim tão graves, a mais grave era mesmo esse pavilhão que já fecharam. A Biblioteca da faculdade é excepcionalmente boa e um lugar de estudo com as melhores condições de Lisboa - tens imensos lugares disponíveis, a biblioteca é bem iluminada e tens também gabinetes individuais e de grupo para poderes requisitar e estudar que são quase soundproof.

Quanto à qualidade de ensino, eu considero que é muito boa porque os docentes são maioritariamente pessoas com muita experiência académica e bons investigadores, na sua grande maioria. Muitos professores são acessíveis e importam-se que os alunos gostem do que aprendam e que tirem bons resultados - claro, existem algumas excepções, mas a generalidade dos profs é efectivamente competente. Só posso dizer isto da minha experiência, mas a verdade é que conheço bastante bem a licenciatura em Estudos Clássicos porque o meu namorado é dessa licenciatura. Na verdade, não lhe fiz perguntas agora porque ele está a trabalhar até tarde hoje, mas alguma dúvida específica podes sempre vir perguntar-me que eu falo com ele! Quanto a Estudos Clássicos, tenho a certeza que a qualidade de ensino deste curso é bastante boa - não sei se é melhor ou não do que em Coimbra (que têm lá o prof Frederico Lourenço, por exemplo, um dos maiores tradutores e classicistas), mas os professores de Clássicos em Lisboa são muito bons e esforçados. Desde o director de curso, a outros profs que conheço (como o André Simões, o Luís Cerqueira e a Sofia Frade), todos eles são professores altamente qualificados, que gostam de ensinar e que recompensam bem nas notas de quem se esforça e trabalha. Fiz uma cadeira com o Luís Cerqueira e outra com a Sofia Frade e gostei bastante de ambas e acabei com resultados muito bons. Particularmente, com a Sofia Frade, adorei as aulas dela ❤️

Como Estudos Clássicos é o curso mais pequeno da FLUL, com menos alunos, a relação com os profs acaba por ser bastante próxima porque os profs sabem quem são os alunos de Estudos Clássicos, ainda que o curso tenha perfis diferentes. Sobre os perfis, não sei se já tens interesse em algum em específico, mas o meu namorado é do perfil de Tradução. Não tens que definir já o perfil que queres, na inscrição escolhes um e depois podes facilmente alterar até ao 2º ano do curso, dependendo dos teus gostos e interesses. Ele seguiu o de Tradução porque se interesse em investigação e por norma os investigadores dessa área fazem tradução de obras - este perfil tem mais essa vertente, não é particularmente útil para quem tenha mais interesse em trabalhar em museus (aí seria mais interessante o perfil de Património Clássico da União Europeia), por exemplo ou ser professor de Português e Latim porque para seres prof tens de aceder a um mestrado em Ensino e este perfil não te permite ter os requisitos para prof (mas o perfil de Estudos Clássicos e Portugueses orienta para esse mestrado).

Este perfil de Tradução é o que conheço melhor, mas tenho a certeza que o meu namorado conhece pessoas dos outros perfis e que podem falar-te melhor neles. No de Tradução sei que tens o curso sobretudo orientado para aprenderes bastante de Latim e Grego - fazes 6 níveis de cada uma dessas línguas, o que significa que em todos os semestres vais estar a aprender Grego e Latim. Depois tens algumas opcionais que podes complementar com cadeiras de outros cursos e dos outros perfis de Clássicos, mas o core do curso é sobretudo traduzires estas línguas e leres literatura Grega e Latina. Pessoalmente, acho uma vertente muito interessante porque depois nas línguas o que se trabalha é aprender a ler obras nessas línguas e a traduzi-las. Como são línguas mortas e que praticamente nenhum aluno teve contacto anterior com as mesmas (salvo algumas excepções), a esmagadora maioria dos alunos nunca aprendeu uma língua totalmente do 0 e muito menos uma língua morta. Acho que essa é a situação padrão dos alunos e os profs esperam isso, por isso as aulas são muito orientadas com fichas de trabalho para que desenvolvas os teus conhecimentos e eles são muito bons em indicarem-te que materiais deves usar (por exemplo, considera que neste curso vais ter de utilizar dicionários de Grego e de Latim; os de Grego são um pouco caros btw). Acho que o facto de vires de uma área diferente não te vai impedir de adquirir bons conhecimentos nesta licenciatura, onde podes aprender línguas e tens cadeiras de história, cultura e literatura. Pela qualidade dos profs, eu diria que esta é uma das licenciaturas mais sólidas da FLUL, mas tens de ter muita atenção no tipo de saídas profissionais e se realmente te interessam.

Sobre aprenderes estas línguas: o prof André Simões tem alguns vídeos disponibilizados no youtube com lições de Latim. Se estás curiosa com aprender estas línguas, podias experimentar ver essas lições e estudar um pouco por ti própria. Além destes materiais, podes comprar a Nova Gramática do Latim do Frederico Lourenço, que é um material utilizado nas aulas e útil. Se quiseres estudar por ti própria nestas férias, comprar a Gramática + o livro Latim do Zero seria uma boa introdução à língua. O Grego é uma língua mais desafiante, mas com muita coisa em comum com o Latim - mas prepara-te que o feedback em geral é que é a língua que exige mais trabalho. Deixo o link dos vídeos do prof André:


(este professor também faz tiktoks e é divertido)

O director de curso, o professor Rodrigo Furtado é um grande entusiasta do curso e tem um vídeo de apresentação que podes ver aqui:


Além disso, tens também a Lia Alves - uma aluna que vai agora para o 2º ano do curso. Ela também é do perfil de tradução, tem um studygram e um vídeo sobre o curso:


Se quiseres falar com ela, tenho a certeza que ela gostaria muito de falar do seu curso.

Espero que tudo isto ajude um pouco!

Boa sorte 🤗"

Ah e só uma pequena correcção: Estudos Clássicos não é de todo uma licenciatura recente. É mesmo dos cursos mais antigos da FLUL, apenas evoluiu no nome (tal como Estudos Portugueses, que era o antigo curso de Filologia Românica): Filologia Clássica. Os cursos mudaram de nome porque a designação concentrava-se demasiado nas línguas, quando na verdade a aprendizagem é transversal a outras áreas como a história, a cultura, as artes. Espero que ajude 💞
 
  • Like
Reactions: AlexandreSilva03
   
Um aspecto que eu reparei nas informações estatísticas sobre o curso de Ciências da Linguagem, fornecidas pela Direção-Geral de Estatísticas da Educação e Ciência na edição de 2022, que saiu recentemente foi que, as classificações de quase metade dos diplomados do curso desceram de uma média de 13 para 12, por isso gostaria de saber em que cadeiras sentiste uma maior dificuldade, só para me preparar melhor. E quando dizes que o curso irá dar muito trabalho, estás te a referir ao estudo das matérias, dos trabalhos finais e dos testes certo?
Como aluno de primeiro ano, senti mais dificuldade em inteirar-me dos materiais de Léxico, especialmente desadequados para o tipo de avaliação que foi feita (já agora, com a professora Alina Villalva). Compreensão do Português Escrito também foi desafiante, não sabendo mesmo o que esperar... Felizmente acabou por correr bastante bem (neste caso, com a professora Ana Isabel Mata da Silva). Como poderás constatar, são cadeiras mais focadas em Linguística, pois algumas outras são transversais a outros cursos, nomeadamente ao curso de Estudos Portugueses, como O Estudo da Linguagem Humana ou até Produção do Português Escrito.
Sim, a praticamente tudo. E terás que compreender que muito do que aprenderás nas primeiras cadeiras serão grande trunfo para a frente - se senti isto do 1º para o 2º semestre, imagino como será no 2º ano, quando o curso realmente se especializa em Linguística "pura e dura".

Por isso queria perceber melhor se sentiste que os professores, e eventualmente, as matérias dadas nas unidades curriculares, vos preparavam bem para os trabalhos finais e testes, ou se sentiste muitas vezes uma falta de suporte? E, só por curiosidade, qual foi a língua estrangeira que escolheste no primeiro ano? E gostaste dessa língua ou preferias outra? É que existem tantas que despertam o meu interesse, que não faço ideia o que escolher. Qual é que achas que é mais útil para esta área?
Na generalidade, sim, senti que as matérias dadas preparavam bem para os testes finais. Quanto aos trabalhos, especialmente em grupo, aí já dependeria muito da motivação interna do grupo, bem como dos elementos do mesmo para, efectivamente, trabalhar - é um mal dos trabalhos de grupo, não sendo grande apreciador, para ser honesto.
Quanto a Língua Estrangeira, decidi tornar-me Proficiente em Inglês, mas em vista de começar a dar as minhas passadas em Alemão como opção livre - note-se que, no primeiro ano, é obrigatório um nível de uma língua estrangeira. No meu caso, que comecei em Inglês B2.2 (tendo feito um teste de colocação previamente), tive que continuar até ao nível C1.1. Admito que me arrependo um pouco da minha escolha, mas também admito que não foi em vão, tendo vir a ser muito útil para análise de textos mais técnicos e/ou literários em língua inglesa, bem como numa melhor redacção de essays.
Dependerá muito do que pretendes em final de curso. Não há uma resposta linear para a tua pergunta, porque dependerá do que realmente queiras fazer no futuro, e com que língua pretendes também trabalhar (isto é relevante).

E sentiste que a gramática que foi aprendida no secundário preparou-te melhor para este curso? Ou é outro mundo totalmente diferente? E como é que funcionam as aulas mais gramaticais, tipo sintaxe, fonologia, morfologia ou pragmática? Analisam muitos documentos, realizam muitos exercícios ou continua a ser algo muito teórico?
É sempre uma ajuda, mas a verdade é que esmiuçamos a Linguística de uma forma que no Secundário não é analisada - aliás, acaba, por vezes, contradizer um pouco do que acabaste por aprender ao longo da tua vida estudantil. Gostava imenso de dar-te melhor feedback sobre o funcionamento das cadeiras que mencionaste, mas elas fazem parte do plano curricular do 2º ano do curso, pelo que só posso garantir fiabilidade de experiência quando passar por elas - até agora, só por relatos dos meus colegas de curso, o que, nesta altura, não será produtivo. Realizamos exercícios práticos, sim - lembro-me bastante bem de analisarmos discurso em computador em Recursos para a Análise Linguística, bem como fazermos transcrições fonéticas de poemas em Compreensão e Produção do Português Oral (recomendo a professora Maria João Freitas, já agora). Contudo, também há bastante teoria e leitura a ser feita - e até em cadeiras que, a meu ver, nada têm que ver com o nosso curso, como é o caso de Sociologia da Comunicação.

Outra pergunta sobre o curso de Ciências da Linguagem é que, como eu ando indeciso entre dois mestrados, Ciência Cognitiva e Ciências da Documentação e Informação, achas que se ao direcionar as opções livres para esses dois mestrados, acaba por não ser aconselhado? Se diminui as chances de poder entrar num desses mestrados? É só porque eu gosto da ideia de ter as opções livres direcionadas para mais do que uma saída, caso não entre numa dessas opções, mas lá está, não sei se iria estar a complicar esse processo na admissão da minha candidatura, pois pode não ser aconselhado devido às poucas opções livres que se tem. O que aconselhas? Também no primeiro ano irei perceber melhor as minhas preferências, até porque existem várias saídas profissionais que o curso possibilita, por isso se entrar, espero que, após finalizar o primeiro ano, já tenha uma melhor noção do caminho que mais me interessa percorrer.
A @Ariana_ respondeu bastante bem a esta questão, especialmente com a sua experiência de Mestrado e Serviços Académicos. Só reiteraria o facto de ter alguma base consolidada para o Mestrado em questão, se possível. As opções livres, neste quesito, podem ser valiosas ou perniciosas consoante as nossas escolhas mais ou menos erradas. Falo por mim, que me arrependi imenso de ter escolhido uma Opção Livre que poderia, obviamente, ser melhor aproveitada - mas isto acontece frequentemente, já que a nossa escolha nem sempre reflecte o que dela esperamos.

E por fim, eu estava a pensar colocar Estudos Portugueses como segunda opção, até porque a desempregabilidade era uma das mais baixas na FLUL, o que despertou o meu interesse, mas com a edição de 2022 sobre a estatística do curso, tal aspecto duplicou de 1,9 para 4,5, e sinceramente ainda não percebi que tipo de saídas é que esse curso fornece, para além da cultura, tipo com minor em edição e tradução, ainda não percebi que outras possíveis saídas fora da cultura é que poderia percorrer. Eu achava uma grande vantagem ter um major e minor nesse curso, juntamente com a vasta diversidade de unidades curriculares, pois pensava que era uma excelente segunda opção, mas com a duplicação da desempregabilidade, e o facto de não conseguir perceber se existe uma saída específica ao realizar x minor e x major, não sei se é um curso que vale a pena arriscar. Conheces alguém que faça parte desse curso? Sabes se eles estão a gostar da estrutura de major e minor, ou acaba por ser um aspeto complicado?
Conheço pessoas que fazem parte do curso de Estudos Portugueses, muito derivado ao facto de termos tido cadeiras em comum. O que eles confirmam é que a estrutura do major e do minor faz sentido, embora haja o típico de desabafo de que Estudos Camonianos ou Recursos para a Análise Literária serem de arrancar cabelo. Mesmo assim, seria uma questão de informar-me junto desses mesmos colegas e levantar algum feedback da sua própria experiência, já que não falávamos muito sobre o assunto.

Se tiveres mais alguma questão, tentarei responder da melhor forma.
Boa sorte!
 
Última edição:
   
Olá! Sei que as perguntas não eram de todo direccionadas para mim, mas visto frequentar a FLUL há uns anos (vai fazer 5, na verdade 👵 ), acho que posso responder-te a algumas questões, com base nos conhecimentos que fui obtendo quer da minha própria experiência, quer de companheiros de percurso (e ter trabalhado com os Serviços Académicos 😅 ). O @casodafruta que me perdoe a resposta a algumas das questões, mas tudo o que disser é apenas o meu próprio conhecimento e em momento algum pretende replicar o que serão as opiniões dele. Tudo o que ele tiver a acrescentar será mais do que bem-vindo e espero que possa esclarecer-te 🤗


Sou aluna de Mestrado e acompanhei alguns processos de admissão a mestrados ao longo do último ano. O que a minha experiência me diz, relativamente à FLUL e sobretudo a esta instituição, é que as licenciaturas são bastante encaradas como uma formação inicial dentro de algumas áreas científicas. Com isto, eu diria que não perdes nada em orientar as tuas opções livres para as duas áreas se assim o entenderes. Na admissão a mestrado, os professores que avaliam a candidatura consideram sobretudo a média da tua licenciatura e a tua carta de motivação (às vezes acompanhada de uma entrevista). A minha experiência diz-me que várias vezes entram em mestrado alunos que não têm imeeeensa formação numa determinada área, nem isso é exigido - o que comprova sobretudo bons candidatos é também muitas vezes a capacidade de terem conhecimentos interdisciplinares e na carta de motivação demonstrarem a coerência da sua escolha por aquele mestrado; em que medida contribui para a formação do candidato, podes até especificar áreas de interesse que tenhas e referir que ter x cadeira ou y cadeira motivou-te a escolheres essa formação. Por isso, o meu conselho é que escolhas essas opções de acordo com o que mais te motiva e achas que complementaria o teu currículo. Não acho, de todo, que não escolheres todas as opções livres orientadas para a área x será um factor de exclusão na tua admissão ao mestrado - mas, como bem dizes, depois do primeiro ano terás uma maior percepção dos teus interesses.

Outro conselho que te dou é a teres algum cuidado na avaliação das taxas de empregabilidade dos cursos e das estatísticas. É verdade que são feitas com dados factuais, mas não são de uma leitura tão simplificada quanto podemos pensar. Estas estatísticas são um pouco enviesadas e não reflectem a verdadeira empregabilidade dos cursos, de um modo muito geral porque:
1) não avaliam se os alunos que estão empregados estão a trabalhar na área de formação;
2) apenas avaliam os números dos alunos que estão inscritos como desempregados no centro de emprego - há alunos que nunca se registam como desempregados, por exemplo, então nunca devemos olhar para um curso como "aparece 0% de desemprego, então de certeza que isto vai garantir-me um emprego". Não é assim tão simples. Por outro lado, há uma boa notícia nisto:
3) há alunos que estão registados como "desempregados" que podem estar a trabalhar na área. Como é que isto se explica? Nos últimos anos, são cada vez mais populares os estágios do IEFP. Muitos deles são de determinadas áreas (na minha por exemplo, há vários estágios para produção em companhias de teatro). A questão aqui é que para as pessoas se candidatarem a esses estágios IEFP (em que um licenciado ganha à volta dos 900 euros, são valores tabelados) têm de se inscrever no centro de emprego como desempregados. E o que é que vem nas estatísticas? Que os alunos estão desempregados, quando na verdade estão a fazer um estágio profissional remunerado. Por exemplo, para quem é de Estudos Portugueses, alguns desses alunos fazem estágios desses em centros de explicações, a dar aulas de disciplinas como Português.

Quanto às saídas profissionais de Estudos Portugueses, vão depender bastante da orientação do currículo de disciplinas que o aluno escolhe, mas é um curso bastante indicado para quem pretende ser professor de Português, por exemplo. A maior parte das licenciaturas não têm saídas profissionais muito específicas porque cada vez mais o mercado de trabalho não só procura pessoas com formações interdisciplinares e capacidade de flexibilização de conhecimentos, como é tendência que o nível de escolarização esteja a subir, então as licenciaturas estão cada vez mais orientadas para que os alunos a seguir façam um mestrado.

Conheço alguns alunos deste curso e se tiveres dúvidas específicas posso perguntar-lhes. As pessoas que conheço gostam/gostaram do curso, a única queixa é algo transversal aos cursos com opções livres que é o facto de estarmos sempre sujeitos ao número de vagas disponíveis na altura das inscrições e isso por vezes não correr assim tão bem e os alunos terem de optar por outras cadeiras. Mas essa é a experiência geral dos alunos da FLUL, fora quem esteja em cursos com praticamente tudo obrigatórias.


Alguém perguntou-me sobre este curso recentemente por mensagem e vou transcrever o que disse sobre o curso (tem em conta que foi em resposta a outra pessoa, então vai ter vááárias informações). Alguma pergunta que tenhas, podes sempre fazê-la 🤗

"Certamente que a minha opinião tem algum bias porque eu estudei e continuo a estudar na FLUL - fiz lá a minha licenciatura e estou a fazer o meu mestrado lá, então nunca andei numa outra instituição para poder dar a perspectiva de como são as outras; não obstante, por partilha com outros colegas acabei por ter acesso a feedback de outros lugares e quando comparo as respostas, sinto-me tentada a afirmar que a Faculdade de Letras é das instituições que possui melhor ambiente, sobretudo dentro da ULisboa. Temos 17 licenciaturas e um número considerável de alunos, as cadeiras são comuns a vários cursos então não acabas tanto por ter uma turma completamente fixa e consegues conhecer facilmente alunos de vários cursos e de forma bastante acessível. A FLUL é um lugar super LGBTQ+ friendly e muito diversificado, então existem pessoas de todos os estilos, maneiras de ser e visões políticas; no geral, considero que o ambiente é bastante agradável e sinto-me confortável nos espaços da faculdade - é verdade sim que algumas salas têm condições menos boas (por exemplo, as salas mais pequenas das caves são muito quentes) e tínhamos um pavilhão com amianto em funcionamento até há pouco tempo. Porém, acredito que as condições da faculdade vão ser melhoradas nos próximos anos, porque esse pavilhão já foi encerrado, vai ser demolido e construído um totalmente novo. Existem algumas infiltrações de água em alguns corredores, mas pessoalmente nunca me senti muito afectada por essas situações porque não são assim tão graves, a mais grave era mesmo esse pavilhão que já fecharam. A Biblioteca da faculdade é excepcionalmente boa e um lugar de estudo com as melhores condições de Lisboa - tens imensos lugares disponíveis, a biblioteca é bem iluminada e tens também gabinetes individuais e de grupo para poderes requisitar e estudar que são quase soundproof.

Quanto à qualidade de ensino, eu considero que é muito boa porque os docentes são maioritariamente pessoas com muita experiência académica e bons investigadores, na sua grande maioria. Muitos professores são acessíveis e importam-se que os alunos gostem do que aprendam e que tirem bons resultados - claro, existem algumas excepções, mas a generalidade dos profs é efectivamente competente. Só posso dizer isto da minha experiência, mas a verdade é que conheço bastante bem a licenciatura em Estudos Clássicos porque o meu namorado é dessa licenciatura. Na verdade, não lhe fiz perguntas agora porque ele está a trabalhar até tarde hoje, mas alguma dúvida específica podes sempre vir perguntar-me que eu falo com ele! Quanto a Estudos Clássicos, tenho a certeza que a qualidade de ensino deste curso é bastante boa - não sei se é melhor ou não do que em Coimbra (que têm lá o prof Frederico Lourenço, por exemplo, um dos maiores tradutores e classicistas), mas os professores de Clássicos em Lisboa são muito bons e esforçados. Desde o director de curso, a outros profs que conheço (como o André Simões, o Luís Cerqueira e a Sofia Frade), todos eles são professores altamente qualificados, que gostam de ensinar e que recompensam bem nas notas de quem se esforça e trabalha. Fiz uma cadeira com o Luís Cerqueira e outra com a Sofia Frade e gostei bastante de ambas e acabei com resultados muito bons. Particularmente, com a Sofia Frade, adorei as aulas dela ❤️

Como Estudos Clássicos é o curso mais pequeno da FLUL, com menos alunos, a relação com os profs acaba por ser bastante próxima porque os profs sabem quem são os alunos de Estudos Clássicos, ainda que o curso tenha perfis diferentes. Sobre os perfis, não sei se já tens interesse em algum em específico, mas o meu namorado é do perfil de Tradução. Não tens que definir já o perfil que queres, na inscrição escolhes um e depois podes facilmente alterar até ao 2º ano do curso, dependendo dos teus gostos e interesses. Ele seguiu o de Tradução porque se interesse em investigação e por norma os investigadores dessa área fazem tradução de obras - este perfil tem mais essa vertente, não é particularmente útil para quem tenha mais interesse em trabalhar em museus (aí seria mais interessante o perfil de Património Clássico da União Europeia), por exemplo ou ser professor de Português e Latim porque para seres prof tens de aceder a um mestrado em Ensino e este perfil não te permite ter os requisitos para prof (mas o perfil de Estudos Clássicos e Portugueses orienta para esse mestrado).

Este perfil de Tradução é o que conheço melhor, mas tenho a certeza que o meu namorado conhece pessoas dos outros perfis e que podem falar-te melhor neles. No de Tradução sei que tens o curso sobretudo orientado para aprenderes bastante de Latim e Grego - fazes 6 níveis de cada uma dessas línguas, o que significa que em todos os semestres vais estar a aprender Grego e Latim. Depois tens algumas opcionais que podes complementar com cadeiras de outros cursos e dos outros perfis de Clássicos, mas o core do curso é sobretudo traduzires estas línguas e leres literatura Grega e Latina. Pessoalmente, acho uma vertente muito interessante porque depois nas línguas o que se trabalha é aprender a ler obras nessas línguas e a traduzi-las. Como são línguas mortas e que praticamente nenhum aluno teve contacto anterior com as mesmas (salvo algumas excepções), a esmagadora maioria dos alunos nunca aprendeu uma língua totalmente do 0 e muito menos uma língua morta. Acho que essa é a situação padrão dos alunos e os profs esperam isso, por isso as aulas são muito orientadas com fichas de trabalho para que desenvolvas os teus conhecimentos e eles são muito bons em indicarem-te que materiais deves usar (por exemplo, considera que neste curso vais ter de utilizar dicionários de Grego e de Latim; os de Grego são um pouco caros btw). Acho que o facto de vires de uma área diferente não te vai impedir de adquirir bons conhecimentos nesta licenciatura, onde podes aprender línguas e tens cadeiras de história, cultura e literatura. Pela qualidade dos profs, eu diria que esta é uma das licenciaturas mais sólidas da FLUL, mas tens de ter muita atenção no tipo de saídas profissionais e se realmente te interessam.

Sobre aprenderes estas línguas: o prof André Simões tem alguns vídeos disponibilizados no youtube com lições de Latim. Se estás curiosa com aprender estas línguas, podias experimentar ver essas lições e estudar um pouco por ti própria. Além destes materiais, podes comprar a Nova Gramática do Latim do Frederico Lourenço, que é um material utilizado nas aulas e útil. Se quiseres estudar por ti própria nestas férias, comprar a Gramática + o livro Latim do Zero seria uma boa introdução à língua. O Grego é uma língua mais desafiante, mas com muita coisa em comum com o Latim - mas prepara-te que o feedback em geral é que é a língua que exige mais trabalho. Deixo o link dos vídeos do prof André:


(este professor também faz tiktoks e é divertido)

O director de curso, o professor Rodrigo Furtado é um grande entusiasta do curso e tem um vídeo de apresentação que podes ver aqui:


Além disso, tens também a Lia Alves - uma aluna que vai agora para o 2º ano do curso. Ela também é do perfil de tradução, tem um studygram e um vídeo sobre o curso:


Se quiseres falar com ela, tenho a certeza que ela gostaria muito de falar do seu curso.

Espero que tudo isto ajude um pouco!

Boa sorte 🤗"

Ah e só uma pequena correcção: Estudos Clássicos não é de todo uma licenciatura recente. É mesmo dos cursos mais antigos da FLUL, apenas evoluiu no nome (tal como Estudos Portugueses, que era o antigo curso de Filologia Românica): Filologia Clássica. Os cursos mudaram de nome porque a designação concentrava-se demasiado nas línguas, quando na verdade a aprendizagem é transversal a outras áreas como a história, a cultura, as artes. Espero que ajude 💞
Muito obrigada pelo esclarecimento!❤️ Entretanto surgiram-me outras dúvidas, e gostaria muito se tivesses disponibilidade em informar-me. Disseste que para seguir tradução, o caminho mais indicado seria Perfil Tradução das Línguas Clássicas, para trabalhar em museus, seria o Perfil Património Clássico da Cultura Europeia, e no caso de querer ser professor de Português e Latim e aceder a um mestrado de Ensino, teria que seguir o Perfil de Estudos Clássicos Portugueses. Sabes quais seriam os perfis que teria que seguir, caso quisesse trabalhar em gestão cultural, o meio editorial, a imprensa, o mercado livreiro ou as bibliotecas? É só porque estas são as saídas profissionais do curso são indicadas no site, e gostaria de ter uma maior noção desses caminhos se faz favor.
E por fim, disseste que estudos portugueses é um curso bastante indicado para quem pretende ser professor de Português, mas caso eu pretenda tirar, por exemplo, um major em História e outro em Arte e Património, eu com esse curso, poderia realizar mestrados que não tivessem muito a ver com a língua portuguesa, tipo na área da história e da cultura? Agradecia o esclarecimento destas dúvidas.😊
 
   
Muito obrigada pelo esclarecimento!❤️ Entretanto surgiram-me outras dúvidas, e gostaria muito se tivesses disponibilidade em informar-me. Disseste que para seguir tradução, o caminho mais indicado seria Perfil Tradução das Línguas Clássicas, para trabalhar em museus, seria o Perfil Património Clássico da Cultura Europeia, e no caso de querer ser professor de Português e Latim e aceder a um mestrado de Ensino, teria que seguir o Perfil de Estudos Clássicos Portugueses. Sabes quais seriam os perfis que teria que seguir, caso quisesse trabalhar em gestão cultural, o meio editorial, a imprensa, o mercado livreiro ou as bibliotecas? É só porque estas são as saídas profissionais do curso são indicadas no site, e gostaria de ter uma maior noção desses caminhos se faz favor.
E por fim, disseste que estudos portugueses é um curso bastante indicado para quem pretende ser professor de Português, mas caso eu pretenda tirar, por exemplo, um major em História e outro em Arte e Património, eu com esse curso, poderia realizar mestrados que não tivessem muito a ver com a língua portuguesa, tipo na área da história e da cultura? Agradecia o esclarecimento destas dúvidas.😊
Olá novamente, Alexandre!

Gestão Cultural seria mais indicado que seguisses o perfil de Património Clássico da Cultura Europeia, as restantes saídas são mais transversais aos 3 perfis do curso, visto que todos têm na mesma grupos de condicionadas que te permitem direccionar o plano curricular para áreas como a edição ou mesmo alguma disciplina mais ligada às ciências da informação, que seja particularmente útil para trabalhar na biblioteca - isso são boas oportunidades de escolha para as opções livres que cada perfil tem. Sei que há alunos de Estudos Clássicos a estagiarem na Rede de Bibliotecas Escolares e não foi preciso seguirem um perfil específico para isso.

Sim, podes fazer isso - como disse anteriormente, a maior parte dos mestrados na área das Letras são flexíveis quanto ao percurso que podes fazer entre a licenciatura e o mestrado, dado que levam em consideração bastante as classificações dos candidatos e as cartas de motivação/entrevistas.
 
  • Like
Reactions: AlexandreSilva03
   
Como aluno de primeiro ano, senti mais dificuldade em inteirar-me dos materiais de Léxico, especialmente desadequados para o tipo de avaliação que foi feita (já agora, com a professora Alina Villalva). Compreensão do Português Escrito também foi desafiante, não sabendo mesmo o que esperar... Felizmente acabou por correr bastante bem (neste caso, com a professora Ana Isabel Mata da Silva). Como poderás constatar, são cadeiras mais focadas em Linguística, pois algumas outras são transversais a outros cursos, nomeadamente ao curso de Estudos Portugueses, como O Estudo da Linguagem Humana ou até Produção do Português Escrito.
Sim, a praticamente tudo. E terás que compreender que muito do que aprenderás nas primeiras cadeiras serão grande trunfo para a frente - se senti isto do 1º para o 2º semestre, imagino como será no 2º ano, quando o curso realmente se especializa em Linguística "pura e dura".


Na generalidade, sim, senti que as matérias dadas preparavam bem para os testes finais. Quanto aos trabalhos, especialmente em grupo, aí já dependeria muito da motivação interna do grupo, bem como dos elementos do mesmo para, efectivamente, trabalhar - é um mal dos trabalhos de grupo, não sendo grande apreciador, para ser honesto.
Quanto a Língua Estrangeira, decidi tornar-me Proficiente em Inglês, mas em vista de começar a dar as minhas passadas em Alemão como opção livre - note-se que, no primeiro ano, é obrigatório um nível de uma língua estrangeira. No meu caso, que comecei em Inglês B2.2 (tendo feito um teste de colocação previamente), tive que continuar até ao nível C1.1. Admito que me arrependo um pouco da minha escolha, mas também admito que não foi em vão, tendo vir a ser muito útil para análise de textos mais técnicos e/ou literários em língua inglesa, bem como numa melhor redacção de essays.
Dependerá muito do que pretendes em final de curso. Não há uma resposta linear para a tua pergunta, porque dependerá do que realmente queiras fazer no futuro, e com que língua pretendes também trabalhar (isto é relevante).


É sempre uma ajuda, mas a verdade é que esmiuçamos a Linguística de uma forma que no Secundário não é analisada - aliás, acaba, por vezes, contradizer um pouco do que acabaste por aprender ao longo da tua vida estudantil. Gostava imenso de dar-te melhor feedback sobre o funcionamento das cadeiras que mencionaste, mas elas fazem parte do plano curricular do 2º ano do curso, pelo que só posso garantir fiabilidade de experiência quando passar por elas - até agora, só por relatos dos meus colegas de curso, o que, nesta altura, não será produtivo. Realizamos exercícios práticos, sim - lembro-me bastante bem de analisarmos discurso em computador em Recursos para a Análise Linguística, bem como fazermos transcrições fonéticas de poemas em Compreensão e Produção do Português Oral (recomendo a professora Maria João Freitas, já agora). Contudo, também há bastante teoria e leitura a ser feita - e até em cadeiras que, a meu ver, nada têm que ver com o nosso curso, como é o caso de Sociologia da Comunicação.


A @Ariana_ respondeu bastante bem a esta questão, especialmente com a sua experiência de Mestrado e Serviços Académicos. Só reiteraria o facto de ter alguma base consolidada para o Mestrado em questão, se possível. As opções livres, neste quesito, podem ser valiosas ou perniciosas consoante as nossas escolhas mais ou menos erradas. Falo por mim, que me arrependi imenso de ter escolhido uma Opção Livre que poderia, obviamente, ser melhor aproveitada - mas isto acontece frequentemente, já que a nossa escolha nem sempre reflecte o que dela esperamos.


Conheço pessoas que fazem parte do curso de Estudos Portugueses, muito derivado ao facto de termos tido cadeiras em comum. O que eles confirmam é que a estrutura do major e do minor faz sentido, embora haja o típico de desabafo de que Estudos Camonianos ou Recursos para a Análise Literária serem de arrancar cabelo. Mesmo assim, seria uma questão de informar-me junto desses mesmos colegas e levantar algum feedback da sua própria experiência, já que não falávamos muito sobre o assunto.

Se tiveres mais alguma questão, tentarei responder da melhor forma.
Boa sorte!
Bom dia, antes de mais peço desculpa pelo incómodo! Ao investigar melhor os sumários das unidades curriculares de Ciências da Linguagem, e o facto de ter contactado indivíduos que fizeram o curso e andam a realizar um mestrado na faculdade, surgiram-me grandes dúvidas, que agradecia muito se me pudesses esclarecer se faz favor! Informaram-me que como se faz dois testes por cada unidade curricular, e um trabalho de grupo ao longo do semestre, gostaria de saber se ficaste satisfeito em relação à forma como foram realizados os trabalhos, visto que para nos candidatarmos a mestrado temos que apresentar trabalhos publicados, e no curso não se realiza a mesma quantidade de trabalhos que testes e isso preocupa-me um bocadinho🥵. Por isso, como eu estou mais virado em trabalhar na área da administração, para colaborar com terapeutas, com neurociência e até inteligência artificial, e pelo que me disseram é um curso pouco procurado e pouco falado.

Visto que eu não gosto nada da possibilidade de ser professor ou explicador, pelo que me apercebi essa saída é o mais provável, ou seja, dar aulas em centros de estudos e dar aulas de português a estrangeiros, pela experiência de ex-colegas das pessoas que estão a tirar mestrado verificaram.

Por fim, como me disseram que devido às poucas saídas profissionais dentro da área, eu preciso de ter a certeza que é isso que eu quero, e enfim o facto de os cursos da FLUL estarem muito apegados a mestrado preocupa-me um bocado, porque tecnicamente no site, diz que as saídas da licenciatura dá-se na edição de textos, na ciência cognitiva, direito (linguística forense), saúde e direito, e enfim para essas saídas provavelmente necessito de um mestrado, e se não ser aceite por não ter grandes notas, acabo por ser professor/explicador, sendo que essa saída assusta-me muito porque eu apenas queria ir para a área de investigação, mas se eu não amo totalmente as saídas profissionais que o curso irá me dar, sendo que a que menos gosto é mais provável que a que gosto, sinceramente se calhar é melhor não arriscar😔, pois infelizmente informaram-me que não existe tanta procura na parte da investigação cognitiva em Portugal.

Enfim, qualquer conhecimento que possas partilhar sobre a área e sobre as possibilidades de atuar nas áreas de investigação com apenas a licenciatura (caso não entre em mestrado), agradecia muito para estar mais confiante com as escolhas que fizer❤️.
Post automatically merged:

Olá novamente, Alexandre!

Gestão Cultural seria mais indicado que seguisses o perfil de Património Clássico da Cultura Europeia, as restantes saídas são mais transversais aos 3 perfis do curso, visto que todos têm na mesma grupos de condicionadas que te permitem direcionar o plano curricular para áreas como a edição ou mesmo alguma disciplina mais ligada às ciências da informação, que seja particularmente útil para trabalhar na biblioteca - isso são boas oportunidades de escolha para as opções livres que cada perfil tem. Sei que há alunos de Estudos Clássicos a estagiarem na Rede de Bibliotecas Escolares e não foi preciso seguirem um perfil específico para isso.

Sim, podes fazer isso - como disse anteriormente, a maior parte dos mestrados na área das Letras são flexíveis quanto ao percurso que podes fazer entre a licenciatura e o mestrado, dado que levam em consideração bastante as classificações dos candidatos e as cartas de motivação/entrevistas.
Boa tarde, peço desculpa, outra vez, pelo incómodo!😳 Visto que na FLUL, recorre-se a dois testes obrigatórios nas diversas unidades curriculares, fiquei um bocado confuso sobre a pouca quantidade de trabalhos que parecem ser desenvolvidos, em comparação com os testes.
Sendo que para entrar em mestrado necessito de apresentar trabalhos publicados, e como disseste que eles ligam mais á média do que à própria estrutura do curso, e às unidades curriculares realizadas, gostaria de saber melhor a importância dos trabalhos publicados para mestrado, sendo que informaram-me que devemos realizar pelo menos um ao longo do semestre, tenho receio que a pouca quantidade e a falta de prática em trabalhos complexos, e de natureza coletiva, se possa, de um certo modo, refletir em trabalhos não tão aprofundados e desenvolvidos para apresentar na minha candidatura a mestrado.
Para além de perceber melhor a dimensão desses trabalhos a desenvolver nos cursos da FLUL, e a natureza de trabalhos "publicados" (se basta apresentar na aula, ou se deve publicar em formato online numa certa plataforma, ou basta entregar aos professores?), qual é a média mínima que já verificaste nos indivíduos que se candidatam a mestrado? Só para perceber melhor as notas que terei que alcançar para poder entrar.
Mesmo que esse valor não seja dos cursos em que estou interessado, qualquer informação sobre esse processo irá me ajudar melhor em relação às perspectivas que criar👍. Agradecia muito o teu esclarecimento e espero que tenhas o resto de um bom dia😘
 
Última edição:
   
Bom dia, antes de mais peço desculpa pelo incómodo! Ao investigar melhor os sumários das unidades curriculares de Ciências da Linguagem, e o facto de ter contactado indivíduos que fizeram o curso e andam a realizar um mestrado na faculdade, surgiram-me grandes dúvidas, que agradecia muito se me pudesses esclarecer se faz favor! Informaram-me que como se faz dois testes por cada unidade curricular, e um trabalho de grupo ao longo do semestre, gostaria de saber se ficaste satisfeito em relação à forma como foram realizados os trabalhos, visto que para nos candidatarmos a mestrado temos que apresentar trabalhos publicados, e no curso não se realiza a mesma quantidade de trabalhos que testes e isso preocupa-me um bocadinho🥵. Por isso, como eu estou mais virado em trabalhar na área da administração, para colaborar com terapeutas, com neurociência e até inteligência artificial, e pelo que me disseram é um curso pouco procurado e pouco falado.

Visto que eu não gosto nada da possibilidade de ser professor ou explicador, pelo que me apercebi essa saída é o mais provável, ou seja, dar aulas em centros de estudos e dar aulas de português a estrangeiros, pela experiência de ex-colegas das pessoas que estão a tirar mestrado verificaram.

Por fim, como me disseram que devido às poucas saídas profissionais dentro da área, eu preciso de ter a certeza que é isso que eu quero, e enfim o facto de os cursos da FLUL estarem muito apegados a mestrado preocupa-me um bocado, porque tecnicamente no site, diz que as saídas da licenciatura dá-se na edição de textos, na ciência cognitiva, direito (linguística forense), saúde e direito, e enfim para essas saídas provavelmente necessito de um mestrado, e se não ser aceite por não ter grandes notas, acabo por ser professor/explicador, sendo que essa saída assusta-me muito porque eu apenas queria ir para a área de investigação, mas se eu não amo totalmente as saídas profissionais que o curso irá me dar, sendo que a que menos gosto é mais provável que a que gosto, sinceramente se calhar é melhor não arriscar😔, pois infelizmente informaram-me que não existe tanta procura na parte da investigação cognitiva em Portugal.

Enfim, qualquer conhecimento que possas partilhar sobre a área e sobre as possibilidades de atuar nas áreas de investigação com apenas a licenciatura (caso não entre em mestrado), agradecia muito para estar mais confiante com as escolhas que fizer❤️.
Post automatically merged:


Boa tarde, peço desculpa, outra vez, pelo incómodo!😳 Visto que na FLUL, recorre-se a dois testes obrigatórios nas diversas unidades curriculares, fiquei um bocado confuso sobre a pouca quantidade de trabalhos que parecem ser desenvolvidos, em comparação com os testes.
Sendo que para entrar em mestrado necessito de apresentar trabalhos publicados, e como disseste que eles ligam mais á média do que à própria estrutura do curso, e às unidades curriculares realizadas, gostaria de saber melhor a importância dos trabalhos publicados para mestrado, sendo que informaram-me que devemos realizar pelo menos um ao longo do semestre, tenho receio que a pouca quantidade e a falta de prática em trabalhos complexos, e de natureza coletiva, se possa, de um certo modo, refletir em trabalhos não tão aprofundados e desenvolvidos para apresentar na minha candidatura a mestrado.
Para além de perceber melhor a dimensão desses trabalhos a desenvolver nos cursos da FLUL, e a natureza de trabalhos "publicados" (se basta apresentar na aula, ou se deve publicar em formato online numa certa plataforma, ou basta entregar aos professores?), qual é a média mínima que já verificaste nos indivíduos que se candidatam a mestrado? Só para perceber melhor as notas que terei que alcançar para poder entrar.
Mesmo que esse valor não seja dos cursos em que estou interessado, qualquer informação sobre esse processo irá me ajudar melhor em relação às perspectivas que criar👍. Agradecia muito o teu esclarecimento e espero que tenhas o resto de um bom dia😘
Olá, Alexandre! Fiquei um pouco confusa com a tua pergunta, porque não é esperado de todo que os alunos tenham publicações quando chegam ao mestrado, então não vais ter de apresentar trabalhos feitos durante a licenciatura em si (mas será ideal e super bom se tiveres experiência de voluntariado no CLUL, alguma bolsa de iniciação à investigação e por exemplo ajuda na organização de conferências e colóquios). É um pouco raro alunos da licenciatura terem já publicações, especialmente em nome próprio e sem serem co-autores. Isso é o que se espera de alunos que vão para o doutoramento, então não tens de te preocupar. A prática dos papers é algo que vais praticar inicialmente em licenciatura, mas vai ser sobretudo durante o mestrado que vais amadurecer esse trabalho, se alguém te disse que tens de no mínimo publicar um trabalho por semestre, acho que não te estão a dar as perspectivas mais realistas, até porque é normal ter papers rejeitados e isso não quer dizer que sejas mau investigador, às vezes há limites do n° de papers que uma revista científica pode comportar e o mesmo acontece em conferências. Porém, é uma questão de se tentar até o sim aparecer - é disso que vive a academia. Quanto às revistas e locais de publicação, vais conhecer ao longo do teu percurso e recomendo que peças sugestões aos profs :)


Relativamente a médias, no site da flul tens informação de alguns admitidos a mestrado e das suas notas. Conheci pessoas que entraram em Mestrado em Linguística e tinha média de 12. Depende muito dos mestrados e dos concorrentes, mas é muito comum alunos da flul não terem muitas dificuldades em entrar em mestrados lá, quem o faz fora é normalmente por escolha. Acho que andares milimetricamente a calcular um objectivo de média pode ser pouco saudável, dá tempo ao tempo à tua adaptação e procura sempre reflectir se os resultados que alcanças são o que achas justo para ti. Só assim se trabalha numa boa média, acredita, ou vais facilmente cair num caos de ansiedade sempre que achares que alguma nota te vai baixar a média. Aproveita a licenciatura ao máximo e é normal melhorares ao longo do tempo até - tive notas entre o 14 e o 20 e terminei a minha licenciatura com uma média de 18, acho um objectivo alcançável e tu pareces ser um aluno trabalhador (embora essas médias não se encontrem aos pontapés, não são impossíveis). Boa sorte!!!
 
  • Like
Reactions: AlexandreSilva03
   
Olá, Alexandre! Fiquei um pouco confusa com a tua pergunta, porque não é esperado de todo que os alunos tenham publicações quando chegam ao mestrado, então não vais ter de apresentar trabalhos feitos durante a licenciatura em si (mas será ideal e super bom se tiveres experiência de voluntariado no CLUL, alguma bolsa de iniciação à investigação e por exemplo ajuda na organização de conferências e colóquios). É um pouco raro alunos da licenciatura terem já publicações, especialmente em nome próprio e sem serem co-autores. Isso é o que se espera de alunos que vão para o doutoramento, então não tens de te preocupar. A prática dos papers é algo que vais praticar inicialmente em licenciatura, mas vai ser sobretudo durante o mestrado que vais amadurecer esse trabalho, se alguém te disse que tens de no mínimo publicar um trabalho por semestre, acho que não te estão a dar as perspectivas mais realistas, até porque é normal ter papers rejeitados e isso não quer dizer que sejas mau investigador, às vezes há limites do n° de papers que uma revista científica pode comportar e o mesmo acontece em conferências. Porém, é uma questão de se tentar até o sim aparecer - é disso que vive a academia. Quanto às revistas e locais de publicação, vais conhecer ao longo do teu percurso e recomendo que peças sugestões aos profs :)


Relativamente a médias, no site da flul tens informação de alguns admitidos a mestrado e das suas notas. Conheci pessoas que entraram em Mestrado em Linguística e tinha média de 12. Depende muito dos mestrados e dos concorrentes, mas é muito comum alunos da flul não terem muitas dificuldades em entrar em mestrados lá, quem o faz fora é normalmente por escolha. Acho que andares milimetricamente a calcular um objectivo de média pode ser pouco saudável, dá tempo ao tempo à tua adaptação e procura sempre reflectir se os resultados que alcanças são o que achas justo para ti. Só assim se trabalha numa boa média, acredita, ou vais facilmente cair num caos de ansiedade sempre que achares que alguma nota te vai baixar a média. Aproveita a licenciatura ao máximo e é normal melhorares ao longo do tempo até - tive notas entre o 14 e o 20 e terminei a minha licenciatura com uma média de 18, acho um objectivo alcançável e tu pareces ser um aluno trabalhador (embora essas médias não se encontrem aos pontapés, não são impossíveis). Boa sorte!!!
Muito obrigada pelo esclarecimento!
Em relação à publicação dos trabalhos, eu apenas coloquei em questão esse aspeto pois no site afirma que os documentos para candidatura a mestrado, dentro do Curriculum Vitae, incluía trabalhos publicados, diplomas ou certidões, mas suponho que tal seja opcional!
Obrigada, mais uma vez, pela resposta.
 

Attachments

  • IMG-7619.jpg
    IMG-7619.jpg
    298.8 KB · Visitas: 5
   
Muito obrigada pelo esclarecimento!
Em relação à publicação dos trabalhos, eu apenas coloquei em questão esse aspeto pois no site afirma que os documentos para candidatura a mestrado, dentro do Curriculum Vitae, incluía trabalhos publicados, diplomas ou certidões, mas suponho que tal seja opcional!
Obrigada, mais uma vez, pela resposta.
Sim, porque há alunos que podem já ter publicações e podem ter feito formações ou participado em conferências que lhes tenham dado diplomas e certidões, porém, tal como dizes isso não é obrigatório apresentares, o que deves sim apresentar na candidatura é o teu CV - caso tenhas alguma das 3 situações que eles mencionam o que eles querem dizer é que deves incluir essas coisas no CV - quando analisam a candidatura de um aluno e sabem que acabou de sair da licenciatura, não é esperado que tenhas um CV cheio dessas coisas, particularmente dos trabalhos publicados. Porém, eu recomendaria que durante a licenciatura tentasses ir assistir a conferências, fazer voluntariado no CLUL e outras actividades que podem valorizar o teu currículo.
 
  • Like
Reactions: AlexandreSilva03