Críticas ao atual sistema de ensino e sugestões para eventuais reformas

Como classificas a estrutura do sistema de ensino?

  • 1 (mudava toda a estrutura, praticamente nada se aproveita)

  • 2 (mudava a maioria da estrutura -quanto à avaliação, por exemplo- mas não a alterava por completo)

  • 3 (sofrível, merecendo a estrutura uma remodelação de 40% a 60%, havendo rutura ou não de sistema)

  • 4 (tem algumas imperfeições, mas não a alterava substancialmente; os seus erros são suportáveis)

  • 5 (por ser perfeito, não mudava rigorosamente nada - podendo remodelar um ou outro aspeto)


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LBlackMoon

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davis

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O @davis partilhou há uns tempos um artigo interessante que vai ao encontro disto: Críticas ao atual sistema de ensino e sugestões para eventuais reformas
Pegando nisto, parece que cá andam com ideias inspiradas por aí, ou pelo menos a ideia de criar estratégias para eliminar as reprovações:
Anos divididos em semestres e escolas 100% autónomas. Governo prepara mudanças já para o próximo ano letivo

Completamente de acordo com maior autonomia para as escolas, dar-lhes espaço para experimentarem métodos e estratégias de organização próprios, e a passagem a semestres em vez dos 3 atuais períodos, que são sempre desiguais de ano para ano.
 
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Alfa

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Completamente de acordo com maior autonomia para as escolas, dar-lhes espaço para experimentarem métodos e estratégias de organização próprios

Depende. Isto da flexibilização, especialmente curricular, tem muito que se lhe diga. O William Schmidt esteve em Portugal para uma conferência sobre educação e currículo e referiu que, nos EUA, houve uma experiência com flexibilização curricular que correu muito mal em termos de resultados. Ele diz mais coisas interessantes, vale a pena assistir:

Num assunto diferente, mas relacionado: Uma das mensagens mais interessantes dessa conferência é a relação entre o treino matemático formal/teórico, a aprendizagem matemática "em contexto real" e os resultados do PISA. O PISA é um teste internacional cujos problemas se focam mais em situações reais, aplicação de conhecimentos matemáticos a situações em contexto, etc. No entanto:
  • quanto mais matemática teórica se aprende, maior é o sucesso no PISA;
  • a aprendizagem de ferramentas matemáticas em contexto real não é necessariamente conducente a um maior sucesso no PISA; de facto, a partir de certo ponto, até está correlacionada com piores resultados.
O que isto significa é que aqueles slogans muito bonitos na teoria de "aprender em contexto", adquirir competências de aplicação da matemática ao mundo real, etc, não se traduzem em melhores resultados e mais sucesso; mesmo para aprender a resolver problemas matemáticos em contexto real, o melhor preditor de sucesso é a aprendizagem da matemática a um nível mais teórico.
 

davis

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Alfa

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Partilhei esta entrevista no Facebook, mas deixo-a aqui também. Tem vários pontos interessantes para reflexão, a começar pela desmistificação do sistema educativo finlandês.


Para salientar alguns pontos:
  • Sobre avaliação como parte integrante do processo de aprendizagem: "Devíamos usar muito mais avaliação no dia a dia, não para dar notas aos alunos, mas para perceber se eles perceberam as ideias e dominaram o conhecimento."
  • Sobre compreensão e memorização: "Mas repare: nós também queremos que elas memorizem e que se lembrem das coisas. Na Estónia, onde se diz que existe um currículo baseado em competências, é esperado que as crianças memorizem as tabelas da multiplicação, tal como em Xangai, e elas memorizam-nas antes ainda de as entenderem. Porque é necessário tê-las memorizadas para fazer trabalho que ajuda a perceber a multiplicação."
  • Sobre os bons resultados de Portugal no PISA: "Acho que a introdução das provas nacionais levantou as expectativas dos professores e esses testes mais formais permitiram aos professores saber que crianças percebiam e não percebiam a matéria. Isso foi importante. A introdução de bons manuais escolares também foi importante e sei que foi dada alguma atenção à qualidade do material pelo anterior governo. Há evidências internacionais que mostram que isso foi muito importante."
  • Ainda sobre Portugal: "Enfatizava estas coisas: relaxar o currículo nacional e relaxar a avaliação nunca são boas ideias."
 

davis

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Partilhei esta entrevista no Facebook, mas deixo-a aqui também. Tem vários pontos interessantes para reflexão, a começar pela desmistificação do sistema educativo finlandês.


Para salientar alguns pontos:
  • Sobre avaliação como parte integrante do processo de aprendizagem: "Devíamos usar muito mais avaliação no dia a dia, não para dar notas aos alunos, mas para perceber se eles perceberam as ideias e dominaram o conhecimento."
  • Sobre compreensão e memorização: "Mas repare: nós também queremos que elas memorizem e que se lembrem das coisas. Na Estónia, onde se diz que existe um currículo baseado em competências, é esperado que as crianças memorizem as tabelas da multiplicação, tal como em Xangai, e elas memorizam-nas antes ainda de as entenderem. Porque é necessário tê-las memorizadas para fazer trabalho que ajuda a perceber a multiplicação."
  • Sobre os bons resultados de Portugal no PISA: "Acho que a introdução das provas nacionais levantou as expectativas dos professores e esses testes mais formais permitiram aos professores saber que crianças percebiam e não percebiam a matéria. Isso foi importante. A introdução de bons manuais escolares também foi importante e sei que foi dada alguma atenção à qualidade do material pelo anterior governo. Há evidências internacionais que mostram que isso foi muito importante."
  • Ainda sobre Portugal: "Enfatizava estas coisas: relaxar o currículo nacional e relaxar a avaliação nunca são boas ideias."
Sem dúvida interessante. Gostei desta parte:

Tem alguns conselhos para o Governo português nesta matéria?
Não, até haver investigação feita sobre o tipo de criança que está a ficar retida.

Por cá vão-se fazendo alterações sem justificar com que informação de base é feita, ou no máximo recorrendo a pareceres grupos de trabalho cuja composição é muitas das vezes discutível.
 

Alfa

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Sem dúvida interessante. Gostei desta parte:



Por cá vão-se fazendo alterações sem justificar com que informação de base é feita, ou no máximo recorrendo a pareceres grupos de trabalho cuja composição é muitas das vezes discutível.

Também notei essa resposta e pensei exactamente o mesmo.
 
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davis

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Uma medida que a avançar muda muito o funcionamento das coisas:

A publicação no Facebook já se transformou numa guerra campal. Para quem quiser acompanhar:


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Blasty

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Uma medida que a avançar muda muito o funcionamento das coisas:

A publicação no Facebook já se transformou numa guerra campal. Para quem quiser acompanhar:


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Ridículo... 🙄
(Mas estou a adorar ler esses bifes nos comentários. 🤭)
 

braaaaaas

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Uma medida que a avançar muda muito o funcionamento das coisas:

A publicação no Facebook já se transformou numa guerra campal. Para quem quiser acompanhar:


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Sabes, este é daqueles temas curiosos que ainda há pouco tempo debati com o meu grupo de amigos. É um tema com múltiplas formas de análise. Tive um colega meu que referiu até que seria benéfico, aquando os alunos ingressassem em certo curso profissional, terem a possibilidade de escolher certa disciplina para realizar exame, para que, em altura de candidatura para o ensino superior pudessem de forma justa candidatar-se, tendo, como qualquer aluno do ensino regular, realizado o exame. Mas isso implicaria uma mudança extrema da forma organizacional do sistema de ensino português.
 
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davis

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Sabes, este é daqueles temas curiosos que ainda há pouco tempo debati com o meu grupo de amigos. É um tema com múltiplas formas de análise. Tive um colega meu que referiu até que seria benéfico, aquando os alunos ingressassem em certo curso profissional, terem a possibilidade de escolher certa disciplina para realizar exame, para que, em altura de candidatura para o ensino superior pudessem de forma justa candidatar-se, tendo, como qualquer aluno do ensino regular, realizado o exame. Mas isso implicaria uma mudança extrema da forma organizacional do sistema de ensino português.
Alguma coisa tinha efetivamente de mudar. Ou:
1) Mudava-se a forma como os cursos profissionais são organizados de forma a que não se tornassem quase proibitivos de aceder ao superior (ajustar currículos, ajustar calendários de aulas/estágios/paps, etc.), ou
2) Mudava-se a forma como estes alunos entram no ensino superior.

O governo foi pelo caminho mais fácil. Pelo caminho perdeu-se uma oportunidade para ter uma discussão profunda e séria sobre o acesso ao ensino superior de forma generalizada.
 

braaaaaas

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Alguma coisa tinha efetivamente de mudar. Ou:
1) Mudava-se a forma como os cursos profissionais são organizados de forma a que não se tornassem quase proibitivos de aceder ao superior (ajustar currículos, ajustar calendários de aulas/estágios/paps, etc.), ou
2) Mudava-se a forma como estes alunos entram no ensino superior.

O governo foi pelo caminho mais fácil. Pelo caminho perdeu-se uma oportunidade para ter uma discussão profunda e séria sobre o acesso ao ensino superior de forma generalizada.
Infelizmente ainda estamos presentes numa época em que o caminho mais fácil é, supostamente, o mais correto. Se existisse de facto uma reflexão referente a uma mudança drástica relativamente a alguns aspetos do sistema de ensino atual talvez este tipo de problemáticas deixasse de existir.
Muitos dos alunos do ensino profissional queixam-se, e com razão, de terem de realiar provas de ingresso à qual nunca tiveram em três anos de curso. Tenho colegas que em três anos de curso (dentro da área da informática), nunca tiveram matemática A, tendo ainda de realizar o exame da mesma para se poderem candidatar para Engenharia Informática. Faltam algumas bases teóricas ao ensino profissional, por outro lado, as bases práticas abundam.
 
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Jinx

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Se num curso profissional de informatica não existe uma disciplina com bases mais avançadas do que a matemática leccionada no 3º ciclo, está alguma coisa errada. As provas de ingresso ainda são a unica coisa que é igual para todos na candidatura ao ensino superior e, na minha opinião, deveria ser mantida. Isto a ir para a frente não vai passar apenas de um esquema dos politecnicos atrairem mais clientes para os cursos que ninguém quer.
 

davis

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Se num curso profissional de informatica não existe uma disciplina com bases mais avançadas do que a matemática leccionada no 3º ciclo, está alguma coisa errada. As provas de ingresso ainda são a unica coisa que é igual para todos na candidatura ao ensino superior e, na minha opinião, deveria ser mantida. Isto a ir para a frente não vai passar apenas de um esquema dos politecnicos atrairem mais clientes para os cursos que ninguém quer.
Para todos excepto os concursos especiais que já existem. Este será mais um. E concordo contigo que os principais beneficiados serão os politécnicos, que irão buscar muitos alunos por este concurso, tal como algumas escolas fazem uso dos maiores de 23.
 

Alfa

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Portanto, vamos lá ver: o facto de ser exigido um exame de Matemática do ensino secundário aos candidatos a professor do primeiro ciclo desencoraja os mesmos de se candidatarem. A solução é deixar de exigir o dito exame. É surreal. Já agora deixem de exigir o exame de Português, vão ver que há mais candidatos ainda.

Mas que excelente forma de garantir a qualidade do ensino no primeiro ciclo e a valorização da profissão de professor.

Sem surpresa nenhuma, a Associação de Professores de Matemática é responsável pela proposta.
 

LBlackMoon

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Portanto, vamos lá ver: o facto de ser exigido um exame de Matemática do ensino secundário aos candidatos a professor do primeiro ciclo desencoraja os mesmos de se candidatarem. A solução é deixar de exigir o dito exame. É surreal. Já agora deixem de exigir o exame de Português, vão ver que há mais candidatos ainda.

Mas que excelente forma de garantir a qualidade do ensino no primeiro ciclo e a valorização da profissão de professor.

Sem surpresa nenhuma, a Associação de Professores de Matemática é responsável pela proposta.
Soa a puro facilitismo. Quem aspira a ensinar deve ser aquele que tiver mais provas dadas sobre o seu conhecimento e proficiência na área; mas parece que ser quer inverter a lógica.
 
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Alfa

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Soa a puro facilitismo. Quem aspira a ensinar deve ser aquele que tiver mais provas dadas sobre o seu conhecimento e proficiência na área; mas parece que ser quer inverter a lógica.

É semelhante ao que se fez imediatamente após a expulsão dos jesuítas pelo Marquês de Pombal. O vazio na educação deixado por esse evento fez com que a necessidade de professores fosse de tal ordem que os critérios de selecção baixaram a ponto de haver pessoas quase analfabetas a ensinar crianças a ler e escrever. A escala pode ser diferente, mas o espírito é semelhante.
 
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Uma das coisas que mais me irrita no sistema atual, muito por causa da minha situação pessoal, é a impossibilidade de usar a 2ª fase dos exames de 11º como provas de ingresso na 1ª fase de candidatura à universidade. Não vejo mesmo a lógica.
 

LBlackMoon

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É semelhante ao que se fez imediatamente após a expulsão dos jesuítas pelo Marquês de Pombal. O vazio na educação deixado por esse evento fez com que a necessidade de professores fosse de tal ordem que os critérios de selecção baixaram a ponto de haver pessoas quase analfabetas a ensinar crianças a ler e escrever. A escala pode ser diferente, mas o espírito é semelhante.
Os Mestres de Ler, escrever e contar. Mas é exatamente o que dizes: se há necessidade de professores, e se se baixa a exigência da entrada na carreira, sem dúvida que no futuro viremos a ter professores piores. A exigência não é só um imperativo de rigor científico; é também uma garantia de qualidade.
 
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Alfa

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Os Mestres de Ler, escrever e contar. Mas é exatamente o que dizes: se há necessidade de professores, e se se baixa a exigência da entrada na carreira, sem dúvida que no futuro viremos a ter professores piores. A exigência não é só um imperativo de rigor científico; é também uma garantia de qualidade.

Dezenas de estudos apontam para o conhecimento dos professores do conteúdo da sua área de leccionação como um dos factores determinantes para o sucesso escolar dos alunos. A Associação de Professores de Matemática sabe disso. Infelizmente, este tipo de proposta não é apenas fruto de inépcia; põe-se deliberadamente interesses duvidosos à frente da qualidade do ensino.
 
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