Críticas ao atual sistema de ensino e sugestões para eventuais reformas

Como classificas a estrutura do sistema de ensino?

  • 1 (mudava toda a estrutura, praticamente nada se aproveita)

  • 2 (mudava a maioria da estrutura -quanto à avaliação, por exemplo- mas não a alterava por completo)

  • 3 (sofrível, merecendo a estrutura uma remodelação de 40% a 60%, havendo rutura ou não de sistema)

  • 4 (tem algumas imperfeições, mas não a alterava substancialmente; os seus erros são suportáveis)

  • 5 (por ser perfeito, não mudava rigorosamente nada - podendo remodelar um ou outro aspeto)


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LBlackMoon

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Dezenas de estudos apontam para o conhecimento dos professores do conteúdo da sua área de leccionação como um dos factores determinantes para o sucesso escolar dos alunos. A Associação de Professores de Matemática sabe disso. Infelizmente, este tipo de proposta não é apenas fruto de inépcia; põe-se deliberadamente interesses duvidosos à frente da qualidade do ensino.
É claro. Pedagogicamente a proposta é tão ridícula, que tem mesmo que haver outro interesse por trás dessa proposta. Resta saber se a associação tem que ver sobretudo com a criação de uma opinião pedagógica sobre o ensino da Matemática, ou se serve de sindicato encapotado de um setor de docentes, ou que vise prosseguir todo o tipo de interesses que os mesmos possam ter em comum.
 

sтαяℓιgнт cяιsιs

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Temo ser um pouco elitista ao dizer isto, mas acho que a nota mínima para os cursos de educação devia ser mais alta. É preocupante que sejam as pessoas com notas mais baixas a ingressar nesses cursos. A área da educação é da maior importância. Sem querer ser polémico, não creio que uma pessoa que acabe o Ensino Secundário com 11 esteja em condições de ter a seu cargo a educação de crianças e jovens, tratando-se estes de alunos que, ainda por cima, não têm autonomia e são completamente dependentes.
 

LBlackMoon

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Temo ser um pouco elitista ou extremista ao dizer isto, mas acho que a nota mínima para os cursos de educação devia ser mais alta. É preocupante que sejam as pessoas com notas mais baixas a ingressar nesses cursos. A área da educação é da maior importância. Sem querer ser polémico, não creio que uma pessoa que acabe o Ensino Secundário com 11 esteja em condições de ter a seu cargo a educação de crianças e jovens, tratando-se estes de alunos que, ainda por cima, não têm autonomia e são completamente dependentes.
Entendo o que dizes, e concordo parcialmente (muito embora também me identifique com o @Alfa , quando ele diz que a média não indica tudo..). A média, porém, é apenas um resultado da lei do mercado: ela não é tabelada administrativamente, mas resulta da procura que tens para um determinado número de vagas. Não é que não haja bons alunos a querer ser professores; a questão é que a maioria, de facto, tem apenas classificações que se enquadram no "suficiente".
Também acho que os professores deveriam dar mais cartas enquanto alunos. Mas a pouca procura da profissão ( e consequente menor "qualidade académica" dos candidatos) tem que ver, também, com as condições de carreira que são oferecidas aos profissionais. Um dos meus pais é professor, e com as chatices que tem (e para o que lhe pagam), nem por sombras eu quereria ser professor de ensino básico.
 

LBlackMoon

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Bons dias, pessoal

Gostava de reanimar um pouco este tópico com algo que me ocorreu quando respondia a um outro caso..


O nosso sistema de cursos do ensino secundário está profundamente desatualizado. Os nossos políticos ainda não entenderam que os ramos de conhecimento estão todos interligados e que, doravante, LH e CT já não são coisas diferentes, antes complementares.

Não faz, por isso, sentido algum que se não possa ter Matemática A e História A, ou misturar História da Arte com Geografia. Faz sentido uma base currícular transversal a todos (PT, EF, uma língua estrangeira, uma cadeira de cidadania....), mas o resto deveria ser passível de ser livremente escolhido; sem barreiras. Por outro lado, o ensino secundário ficaria feito quando terminassem o número de disciplinas necessárias para tal.


Será que um sistema de ensino destes não permitia uma maior adaptação ao mundo de hoje, assim como permitir corresponder a um leque mais amplo de escolhas pelos estudantes?
 

davis

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Olá @LBlackMoon
Gostava de reanimar um pouco este tópico com algo que me ocorreu quando respondia a um outro caso..


O nosso sistema de cursos do ensino secundário está profundamente desatualizado. Os nossos políticos ainda não entenderam que os ramos de conhecimento estão todos interligados e que, doravante, LH e CT já não são coisas diferentes, antes complementares.

Não faz, por isso, sentido algum que se não possa ter Matemática A e História A, ou misturar História da Arte com Geografia. Faz sentido uma base currícular transversal a todos (PT, EF, uma língua estrangeira, uma cadeira de cidadania....), mas o resto deveria ser passível de ser livremente escolhido; sem barreiras. Por outro lado, o ensino secundário ficaria feito quando terminassem o número de disciplinas necessárias para tal.


Será que um sistema de ensino destes não permitia uma maior adaptação ao mundo de hoje, assim como permitir corresponder a um leque mais amplo de escolhas pelos estudantes?
Concordo plenamente, e era nessa direcção que pensava que estávamos a caminhar quando foi anunciado isto:

Mas do que sei está tudo na mesma. 😅

Teria alguns problemas logísticos de gestão de horários dos professores, mas era algo exequível com algumas limitações. Se quisermos levar isto a um nível acima, muitas licenciaturas poderiam ter algo similar dentro de certas áreas de estudo.
 
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LBlackMoon

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Olá @LBlackMoon

Concordo plenamente, e era nessa direcção que pensava que estávamos a caminhar quando foi anunciado isto:

Mas do que sei está tudo na mesma. 😅

Teria alguns problemas logísticos de gestão de horários dos professores, mas era algo exequível com algumas limitações. Se quisermos levar isto a um nível acima, muitas licenciaturas poderiam ter algo similar dentro de certas áreas de estudo.
... à semelhança do que já acontece noutros países. Mais: podíamos criar licenciaturas transversais a várias áreas: por exemplo, em Oxford, há uma que é Philosophy, Politics and Economics (que monstro de curso!!). É uma excelente ideia levar a cabo uma "personalização" das áreas. Hoje, importa muito mais aquilo que se sabe realmente, e de forma abrangente, do que apenas uma área de conhecimento em regime intensivo e rígido.
 

Edgar H

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Bons dias, pessoal

Gostava de reanimar um pouco este tópico com algo que me ocorreu quando respondia a um outro caso..


O nosso sistema de cursos do ensino secundário está profundamente desatualizado. Os nossos políticos ainda não entenderam que os ramos de conhecimento estão todos interligados e que, doravante, LH e CT já não são coisas diferentes, antes complementares.

Não faz, por isso, sentido algum que se não possa ter Matemática A e História A, ou misturar História da Arte com Geografia. Faz sentido uma base currícular transversal a todos (PT, EF, uma língua estrangeira, uma cadeira de cidadania....), mas o resto deveria ser passível de ser livremente escolhido; sem barreiras. Por outro lado, o ensino secundário ficaria feito quando terminassem o número de disciplinas necessárias para tal.


Será que um sistema de ensino destes não permitia uma maior adaptação ao mundo de hoje, assim como permitir corresponder a um leque mais amplo de escolhas pelos estudantes?
Concordo contigo, mas numa primeira fase teria de ser como, teoricamente, está descrito na notícia que o @davis partilhou e que já funciona no privado. O modelo: 2 bienais e 1 trienal, o que impossibilitava a possibilidade de ter, por exemplo, Mat. A e Hist. A. De resto, não encontro nenhum argumento contra, já que é o que para os tempos de hoje faz mais sentido. E, à exceção de alguma dificuldade nos horários(teria de ser como nos Estados Unidos), não havia mais nenhuma mudança que precisaria de ser feita. Para o ensino superior, o que interessa é as PI e a média seria feita da mesma maneira.
 
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Concordo contigo, mas numa primeira fase teria de ser como, teoricamente, está descrito na notícia que o @davis partilhou e que já funciona no privado. O modelo: 2 bienais e 1 trienal, o que impossibilitava a possibilidade de ter, por exemplo, Mat. A e Hist. A. De resto, não encontro nenhum argumento contra, já que é o que para os tempos de hoje faz mais sentido. E, à exceção de alguma dificuldade nos horários(teria de ser como nos Estados Unidos), não havia mais nenhuma mudança que precisaria de ser feita. Para o ensino superior, o que interessa é as PI e a média seria feita da mesma maneira.
Já não seria um mau princípio. Não deixo de achar, no entanto, que a longo prazo o currículo totalmente livre (tirando as disciplinas nucleares obrigatórias) seria um bom objetivo a atingir. As escolas também poderiam ganhar mais autonomia, e oferecer um currículo com algumas adaptações definidas nos trâmites da Lei (para garantir que todos pudessem fazer as mesmas provas de ingresso, continuando com o modelo dos exames nacionais).

Já agora.. Em relação aos exames, não sinto, de facto, que seja um mau sistema de ingresso no ensino superior. Creio que assegura os princípios do mérito e da justiça. No entanto, que acham da ideia de serem as universidades a fazer as provas (mais ou menos o modelo norte-americano)? Gostaria de ouvir alguns argumentos sobre isto. Noutro dia li opiniões em ambos os sentidos, mas não fiquei esclarecido.
 

davis

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... à semelhança do que já acontece noutros países. Mais: podíamos criar licenciaturas transversais a várias áreas: por exemplo, em Oxford, há uma que é Philosophy, Politics and Economics (que monstro de curso!!). É uma excelente ideia levar a cabo uma "personalização" das áreas. Hoje, importa muito mais aquilo que se sabe realmente, e de forma abrangente, do que apenas uma área de conhecimento em regime intensivo e rígido.
Exacto. O mais perto que tivemos cá foi a criação da licenciatura em Estudos Gerais, que tem a mesma premissa. Se tiveres curiosidade do processo de criação, e dos obstáculos enfrentados, sugiro que leias isto:
 
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Exacto. O mais perto que tivemos cá foi a criação da licenciatura em Estudos Gerais, que tem a mesma premissa. Se tiveres curiosidade do processo de criação, e dos obstáculos enfrentados, sugiro que leias isto:
Já li!
É muito interessante quando eles mencionam que houve obstáculos de natureza ideológica e cultural. Há imensa resistência à mudança, no ambiente académico.
 
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Já li!
É muito interessante quando eles mencionam que houve obstáculos de natureza ideológica e cultural. Há imensa resistência à mudança, no ambiente académico.
É mesmo. O facto de ninguém ter sequer replicado o mesmo curso com os mesmos moldes (facilitaria a acreditação pela A3ES, imagino) já mostra isso, quanto mais fazer novos cursos com a mesma premissa.
 

Edgar H

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Já não seria um mau princípio. Não deixo de achar, no entanto, que a longo prazo o currículo totalmente livre (tirando as disciplinas nucleares obrigatórias) seria um bom objetivo a atingir. As escolas também poderiam ganhar mais autonomia, e oferecer um currículo com algumas adaptações definidas nos trâmites da Lei (para garantir que todos pudessem fazer as mesmas provas de ingresso, continuando com o modelo dos exames nacionais).
Para um currículo mais livre, teria de se fazer mudanças muito radicais, que demorariam ainda uns bons anos, como a mudança total de programas que não poderia ser feita assim de uma só vez. Anyway, uma das coisas que me "inquieta" mais na tua opinião é a liberdade de poder escolher livremente as disciplinas que se quer(exceto, sim, as obrigatórias, que toda a gente tem como, já disseste, Port., EF, Inglês, Filosofia(com um programa diferente acho que desenvolve o pensamento e a opinião)). Como é que se dava a equivalência, por exemplo, se escolhesses duas trianuais, não tinhas duas anuais no 12ºano, só uma. Gostava de saber a tua opinião sobre isso.
Já agora.. Em relação aos exames, não sinto, de facto, que seja um mau sistema de ingresso no ensino superior. Creio que assegura os princípios do mérito e da justiça. No entanto, que acham da ideia de serem as universidades a fazer as provas (mais ou menos o modelo norte-americano)? Gostaria de ouvir alguns argumentos sobre isto. Noutro dia li opiniões em ambos os sentidos, mas não fiquei esclarecido.


Em relação os exames, tenho a mesma opinião, só acho que as faculdades não tem, atualmente, capacidade para serem elas a fazerem a seriação em cursos como medicina, com muitos candidatos. O bom dos exames nacionais é serem os professores que estão a dar a disciplina a corrigirem. Para serem as faculdades teriam de "pedir" professores emprestados ou abrir vagas sazonais para corretores. Também teria de haver um regime de equivalências entre universidades, eu para me candidatar a um curso, não tinha de andar a ir a cada universidade com esse curso fazer exames.
 

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A experiência de anos recentes indica o contrário.
Sim, esquece essa parte, é preferível mudar de uma só fez, do que andar a mudar disciplina a disciplina ao longo do tempo. O que eu queria dizer era que teria uns anos de transição, porque na minha perspetiva tinha de se alterar os objetivos e o próprio currículo substancialmente, para acompanhar as novas inovações e descobertas, o que torna a matéria mais apelativa. Por exemplo, é ridículo a última atualização de biologia e geologia ter sido feita à 17/18 anos, nem que seja a indicação às editoras da introdução de exemplos atuais, os livros são reciclados aos anos.
 
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É mesmo. O facto de ninguém ter sequer replicado o mesmo curso com os mesmos moldes (facilitaria a acreditação pela A3ES, imagino) já mostra isso, quanto mais fazer novos cursos com a mesma premissa.
Na UP, há vários cursos que inovam (só um bocadinho) nesse sentido: deixam que x número de ECTS curriculares sejam preenchidos por uma cadeira de opção livre. P.ex: um aluno de História pode escolher fazer uma cadeira de Mecânica Clássica integrada, a dada altura, no seu plano de estudos; em regime de opção livre.
Isto é bom. Só peca por não ser generalizado a todos os cursos.. o meu, por exemplo, só tem optativas no último ano e são exclusivamente jurídicas (o que é um pouco deprimente, para quem gostaria de alargar horizontes). Um primeiro passo poderia ser passar por essa generalização. O seguinte, e mais decisivo, é fazer cursos a abranger mais áreas; ou mesmo permitir cursos muito personalizados pelo estudante.

Para um currículo mais livre, teria de se fazer mudanças muito radicais, que demorariam ainda uns bons anos, como a mudança total de programas que não poderia ser feita assim de uma só vez. Anyway, uma das coisas que me "inquieta" mais na tua opinião é a liberdade de poder escolher livremente as disciplinas que se quer(exceto, sim, as obrigatórias, que toda a gente tem como, já disseste, Port., EF, Inglês, Filosofia(com um programa diferente acho que desenvolve o pensamento e a opinião)). Como é que se dava a equivalência, por exemplo, se escolhesses duas trianuais, não tinhas duas anuais no 12ºano, só uma. Gostava de saber a tua opinião sobre isso.
Os teus receios são legítimos, mas não vejo o porquê de temer essa possibilidade. O Governo poderia, facilmente, atribuir uma espécie de "créditos" para gastares da maneira que tencionas (até para conseguir conciliar melhor as coisas, logisticamente). Mas não acharia demasiado esquisito que pudesses optar, por exemplo, por ocupar duas das cadeiras de 12º com uma só (e que poderia ser prova de ingresso).
O Governo poderia frustrar a minha ideia, se desejasse mesmo que os estudantes tivessem duas disciplinas anuais de 12º para efeitos de aprofundamento. Mas a não ser por aí, não vejo outro obstáculo a tu seres o senhor do teu currículo. É que mesmo ainda sendo muito jovem, como podes fazer escolhas transversais a mais áreas podes, inclusive, mitigar o risco (grande) que atualmente existe de ingressares num curso e depois não gostares, e teres que refazer anos. Assim, se alguém quer ser arquiteto aos 14 e escolheu GD (e que, em simultâneo, optou por História A), pode seguir, mais tarde, uma licenciatura em Antropologia.
Neste caso, parece-me que mais liberdade pode conduzir mesmo a melhores resultados e melhor transversalidade. Mas admito que posso não estar a ter em conta determinados pormenores logísticos que são muito importantes para a exequibilidade do projeto.
 
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Na UP, há vários cursos que inovam (só um bocadinho) nesse sentido: deixam que x número de ECTS curriculares sejam preenchidos por uma cadeira de opção livre. P.ex: um aluno de História pode escolher fazer uma cadeira de Mecânica Clássica integrada, a dada altura, no seu plano de estudos; em regime de opção livre.
Só uma cadeira parece-me pouco, mas é melhor que nada. 😅
 

Edgar H

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Na UP, há vários cursos que inovam (só um bocadinho) nesse sentido: deixam que x número de ECTS curriculares sejam preenchidos por uma cadeira de opção livre. P.ex: um aluno de História pode escolher fazer uma cadeira de Mecânica Clássica integrada, a dada altura, no seu plano de estudos; em regime de opção livre.
Isto é bom. Só peca por não ser generalizado a todos os cursos.. o meu, por exemplo, só tem optativas no último ano e são exclusivamente jurídicas (o que é um pouco deprimente, para quem gostaria de alargar horizontes). Um primeiro passo poderia ser passar por essa generalização. O seguinte, e mais decisivo, é fazer cursos a abranger mais áreas; ou mesmo permitir cursos muito personalizados pelo estudante.


Os teus receios são legítimos, mas não vejo o porquê de temer essa possibilidade. O Governo poderia, facilmente, atribuir uma espécie de "créditos" para gastares da maneira que tencionas (até para conseguir conciliar melhor as coisas, logisticamente). Mas não acharia demasiado esquisito que pudesses optar, por exemplo, por ocupar duas das cadeiras de 12º com uma só (e que poderia ser prova de ingresso).
O Governo poderia frustrar a minha ideia, se desejasse mesmo que os estudantes tivessem duas disciplinas anuais de 12º para efeitos de aprofundamento. Mas a não ser por aí, não vejo outro obstáculo a tu seres o senhor do teu currículo. É que mesmo ainda sendo muito jovem, como podes fazer escolhas transversais a mais áreas podes, inclusive, mitigar o risco (grande) que atualmente existe de ingressares num curso e depois não gostares, e teres que refazer anos. Assim, se alguém quer ser arquiteto aos 14 e escolheu GD (e que, em simultâneo, optou por História A), pode seguir, mais tarde, uma licenciatura em Antropologia.
Neste caso, parece-me que mais liberdade pode conduzir mesmo a melhores resultados e melhor transversalidade. Mas admito que posso não estar a ter em conta determinados pormenores logísticos que são muito importantes para a exequibilidade do projeto.
Sim, os créditos podiam ser, pegando no exemplo que eu dei, "blocos" de disciplinas, ou seja, por exemplo, tens as disciplinas obrigatórias e depois tens três blocos anuais. Em que as regras, podiam ser, a obrigatoriedade de escolheres uma disciplina trienal e outra bienal, de resto podias ocupar o currículo com outra bienal e duas anuais no 12º ano, ou com uma trienal e uma anual no 12º ano. Nos restantes cursos, teria de se adaptar, porque nos cursos profissionais, por exemplo, como são cursos mais virados para o mercado de trabalho, poderia de se ter de acrescentar que a flexibilidade só se aplicaria para determinadas disciplinas, o que até podia ser interessante, certas empresas podiam procurar por alunos com determinadas escolhas.
Claro que isto é um exemplo que eu inventei agora, mas acho que vai de encontro ao que tu disseste. E metendo-me na conversa sobre a transversalidade no superior, se esta acontecer no secundário, pode impulsionar a mudança no ensino superior, porque se vai enraizar esse modo de ensino. Os alunos vão para o superior com a mentalidade mais abrangente e conhecimentos mais amplos, o que pode "obrigar" o sistema a ter de mudar.
 
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Sim, os créditos podiam ser, pegando no exemplo que eu dei, "blocos" de disciplinas, ou seja, por exemplo, tens as disciplinas obrigatórias e depois tens três blocos anuais. Em que as regras, podiam ser, a obrigatoriedade de escolheres uma disciplina trienal e outra bienal, de resto podias ocupar o currículo com outra bienal e duas anuais no 12º ano, ou com uma trienal e uma anual no 12º ano. Nos restantes cursos, teria de se adaptar, porque nos cursos profissionais, por exemplo, como são cursos mais virados para o mercado de trabalho, poderia de se ter de acrescentar que a flexibilidade só se aplicaria para determinadas disciplinas, o que até podia ser interessante, certas empresas podiam procurar por alunos com determinadas escolhas.
Claro que isto é um exemplo que eu inventei agora, mas acho que vai de encontro ao que tu disseste. E metendo-me na conversa sobre a transversalidade no superior, se está acontecer no secundário, pode impulsionar a mudança no ensino superior, porque se vai enraizar esse modo de ensino. Os alunos vão para o superior com a mentalidade mais abrangentes e conhecimentos mais amplos, o que pode "obrigar" o sistema a ter de mudar.
Ora aí está. Os efeitos podem ainda ser mais abrangentes e levar a uma mudança maior e mais útil ainda.
 
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No entanto, que acham da ideia de serem as universidades a fazer as provas (mais ou menos o modelo norte-americano)? Gostaria de ouvir alguns argumentos sobre isto. Noutro dia li opiniões em ambos os sentidos, mas não fiquei esclarecido.

Depende da forma como se implemente. Tenho a mesma preocupação que o @Edgar H; como é que se impede os candidatos de andarem a saltar de faculdade em faculdade para efectuarem todas as provas exigidas pelas faculdades do seu interesse? Há países nos quais este sistema existe e obriga efectivamente os candidatos a fazerem muitas provas.
 

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Depende da forma como se implemente. Tenho a mesma preocupação que o @Edgar H; como é que se impede os candidatos de andarem a saltar de faculdade em faculdade para efectuarem todas as provas exigidas pelas faculdades do seu interesse? Há países nos quais este sistema existe e obriga efectivamente os candidatos a fazerem muitas provas.
Teria mesmo de haver um regime de equivalências de provas prestadas, como nos dos pré-requisitos. Haveria um acordo entre as universidades e o ministério, sobre os conteúdos que seriam avaliados e o nível de dificuldade. Até sou mais ambicioso, tal como acontece com os exames nacionais no Iave, teria de acontecer para cada curso, ou seja, só uma prova decidida entres as universidades. Claro que isto obrigaria a contratação de muito mais recursos humanos, pelo menos, sazonalmente. Mas o que é impraticável, é ter de "passear" pelo país inteiro, ninguém no ramo da educação teria férias.