Dúvidas - Licenciatura em Regime Pós Laboral

_André_

Membro
Matrícula
4 Março 2021
Mensagens
16
Boa tarde a todos,
Desde já, peço imensas desculpas se não estou a colocar este tópico na área correta, tentei procurar uma área em específico, mas não sei se acertei!

É o seguinte, eu estou neste momento a frequentar o último ano de um CTESP e o politécnico onde estou dá-me equivalências do mesmo para poder acessar diretamente para o 2º ano de uma das licenciaturas.

A questão é que o politécnico é privado e digamos que os preços da licenciatura, mesmo eu vindo de um CTESP e ter desconto na mensalidade, não são tão acessíveis quanto isso, especialmente nesta altura... Então pensei, bem não trabalho, não quero estar a sujeitar mais os meus pais, das duas uma, ou deixar por completo o pensamento de querer seguir a licenciatura e focar-me em procurar um trabalho, que não sei se seria a melhor opção ou porque não arranjar um emprego em part-time (não sei ao certo a +/- quanto se recebe, mas espero eu que dê para pagar uma mensalidade) e tentar a minha sorte em pós laboral?

E é aqui que entram as minhas questões para quem está a tirar em pós laboral é assim tão difícil conseguir conciliar as duas coisas? Existe sequer algum tempo para poder estudar? Não sei, mas na minha cabeça fico a pensar que quem está em pós-laboral é tudo pessoal muito mais velho e com um estado de espirito diferente, digamos assim, dos jovens que frequentam o curso diário.

Para além disto, imaginando que perderia o emprego que me pagava a mensalidade, honestamente não sei de tudo o que poderia fazer (claro que procurar-ia outro), mas eu ficava "suspenso" da aulas, ia tudo por água abaixo? Porque encontrar um emprego não é assim tão fácil quanto parece nos dias de hoje, não sei se estou a fazer-me entender.

Obrigado e desculpem se fui um bocado confuso nisto tudo :)
 

Teresa P.

👑 Membro Honorário
Apoiante Uniarea
Matrícula
14 Agosto 2019
Mensagens
189
Curso
Serviço Social
Apesar de ter sido estudante nos anos 90, acho que posso falar um pouco da minha experiência como estudante-trabalhadora. Muito cedo percebi que se quisesse seguir um curso superior teria que ser eu a pagar, pois acesso a bolsa era muito mais difícil do que atualmente e os meus pais tinham 3 filhos para criar e pouco dinheiro disponível (se bem que o mais novo teve o curso pago por eles, mas enfim... eu não era a mais nova).

Comecei a trabalhar com 16 anos no verão e com 17 em part time. A partir dos 18 passei a trabalhar a tempo inteiro (45 horas por semana na altura). Estive um ano sem estudar - o tal gap year que agora chamam - e ingressei no ensino superior com 20 anos. Como tinha que trabalhar para pagar o curso, tive que concorrer para uma escola particular. Por acaso o curso que escolhi também não existia em mais lado nenhum naquela ocasião. Naquela época uma licenciatura tinha a duração de 4 ou 5 anos - no caso do meu curso foram 5 anos. Eu sabia que não podia dar-me ao luxo de ficar com alguma cadeira para trás, pois isso implicava mais dinheiro a sair do meu bolso.

Para complicar a coisa, com 21 anos iniciei vida marital com aquele que, meses mais tarde, viria a ser o meu marido (ainda é). Agora vê, tinha três vertentes para gerir: casamento, curso e trabalho a tempo inteiro. Não vou dizer que foi fácil, porque não foi. Claro que o meu marido ficou um pouco para trás, ainda para mais porque ele trabalhava por turnos e ficávamos por vezes vários dias sem nos vermos.

Eu aproveitava todos os momentos livres para estudar. Já agora, esclareço que tirei o curso de Serviço Social que implicava muitas leituras. Como viajava de transportes, lia muito nas viagens entre casa-trabalho-faculdade. A meio do curso, no 3º ano, tive a sorte de trabalhar por turnos. Facilitou um pouco no que diz respeito ao estágio que tinha que fazer (20 horas semanais). Claro que raramente consegui fazer as 20 horas, mas tinha uma supervisora de estágio muito compreensiva. Mas nos restantes anos o meu horário era rígido. Mais uma vez, acho que o facto de trabalhar na administração pública foi uma sorte / vantagem, pois os meus direitos como trabalhadora-estudante eram preservados. Tinha direito a 5 horas semanais para frequentar aulas e estágio, sem perda de rendimento ou regalias. Obviamente não sabia o que eram fins de semana e férias do Natal e da Páscoa, sendo que também dormia muito menos do que devia. Lembro-me de, no último ano a poucos dias do prazo para entregar a tese de licenciatura, dormir tão pouco (em três dias dormi um total de 5 horas) que um dia aproveitei uma reta em que ia a caminhar para fechar os olhos enquanto andava - estava literalmente um zombie. Mas entreguei a tese atempadamente.

Não há nada que com empenho não se faça. É de facto muito trabalhoso e difícil fazer um curso enquanto se trabalha, mas não é impossível e, acredita, darás muito mais valor ao que conseguires. Lembro-me de colegas minhas que eram apenas estudantes e ainda pediam adiamentos aos professores (de testes ou entregas de trabalhos) para poderem ir a festas ou outros eventos. Eu ficava fula com essas situações e expressava sempre o meu desacordo em relação a esses adiamentos. Uma pessoa minimamente organizada consegue fazer tudo e ter positiva nas cadeiras todas. Nunca fui uma aluna excecional e terminei a minha licenciatura com média de 13 valores. Mas para mim esse resultado equivale a 18 valores, pelo esforço que apliquei para conseguir fazer o curso no tempo "regulamentar". Tive colegas que apenas estudavam que não conseguiram terminar o curso em 5 anos e acabaram com uma média inferior.

De facto, hoje está um pouco mais difícil de encontrar trabalho e mantê-lo, mas se pensares que não vais conseguir então não fazes nada na vida. Tens que arriscar um pouco - conheço muitas pessoas que, mesmo nestes tempos difíceis, mudam de trabalho com muita facilidade porque não desistem enquanto não encontram alguma coisa. Tens que ser persistente e dares o teu melhor no trabalho que conseguires obter.

Desculpa o testamento, mas foi só para demonstrar que é possível e podes seguir a tua vontade de tirar um curso em regime noturno e trabalhar durante o dia. Só para terminar - no meu curso, a malta da noite era a mais fixe e tínhamos alunos de todas as idades, dos 18 aos 60 anos. É sempre bom conviver com colegas mais velhos e experientes.

Boa sorte!!! 🤗
 

_André_

Membro
Matrícula
4 Março 2021
Mensagens
16
Apesar de ter sido estudante nos anos 90, acho que posso falar um pouco da minha experiência como estudante-trabalhadora. Muito cedo percebi que se quisesse seguir um curso superior teria que ser eu a pagar, pois acesso a bolsa era muito mais difícil do que atualmente e os meus pais tinham 3 filhos para criar e pouco dinheiro disponível (se bem que o mais novo teve o curso pago por eles, mas enfim... eu não era a mais nova).

Comecei a trabalhar com 16 anos no verão e com 17 em part time. A partir dos 18 passei a trabalhar a tempo inteiro (45 horas por semana na altura). Estive um ano sem estudar - o tal gap year que agora chamam - e ingressei no ensino superior com 20 anos. Como tinha que trabalhar para pagar o curso, tive que concorrer para uma escola particular. Por acaso o curso que escolhi também não existia em mais lado nenhum naquela ocasião. Naquela época uma licenciatura tinha a duração de 4 ou 5 anos - no caso do meu curso foram 5 anos. Eu sabia que não podia dar-me ao luxo de ficar com alguma cadeira para trás, pois isso implicava mais dinheiro a sair do meu bolso.

Para complicar a coisa, com 21 anos iniciei vida marital com aquele que, meses mais tarde, viria a ser o meu marido (ainda é). Agora vê, tinha três vertentes para gerir: casamento, curso e trabalho a tempo inteiro. Não vou dizer que foi fácil, porque não foi. Claro que o meu marido ficou um pouco para trás, ainda para mais porque ele trabalhava por turnos e ficávamos por vezes vários dias sem nos vermos.

Eu aproveitava todos os momentos livres para estudar. Já agora, esclareço que tirei o curso de Serviço Social que implicava muitas leituras. Como viajava de transportes, lia muito nas viagens entre casa-trabalho-faculdade. A meio do curso, no 3º ano, tive a sorte de trabalhar por turnos. Facilitou um pouco no que diz respeito ao estágio que tinha que fazer (20 horas semanais). Claro que raramente consegui fazer as 20 horas, mas tinha uma supervisora de estágio muito compreensiva. Mas nos restantes anos o meu horário era rígido. Mais uma vez, acho que o facto de trabalhar na administração pública foi uma sorte / vantagem, pois os meus direitos como trabalhadora-estudante eram preservados. Tinha direito a 5 horas semanais para frequentar aulas e estágio, sem perda de rendimento ou regalias. Obviamente não sabia o que eram fins de semana e férias do Natal e da Páscoa, sendo que também dormia muito menos do que devia. Lembro-me de, no último ano a poucos dias do prazo para entregar a tese de licenciatura, dormir tão pouco (em três dias dormi um total de 5 horas) que um dia aproveitei uma reta em que ia a caminhar para fechar os olhos enquanto andava - estava literalmente um zombie. Mas entreguei a tese atempadamente.

Não há nada que com empenho não se faça. É de facto muito trabalhoso e difícil fazer um curso enquanto se trabalha, mas não é impossível e, acredita, darás muito mais valor ao que conseguires. Lembro-me de colegas minhas que eram apenas estudantes e ainda pediam adiamentos aos professores (de testes ou entregas de trabalhos) para poderem ir a festas ou outros eventos. Eu ficava fula com essas situações e expressava sempre o meu desacordo em relação a esses adiamentos. Uma pessoa minimamente organizada consegue fazer tudo e ter positiva nas cadeiras todas. Nunca fui uma aluna excecional e terminei a minha licenciatura com média de 13 valores. Mas para mim esse resultado equivale a 18 valores, pelo esforço que apliquei para conseguir fazer o curso no tempo "regulamentar". Tive colegas que apenas estudavam que não conseguiram terminar o curso em 5 anos e acabaram com uma média inferior.

De facto, hoje está um pouco mais difícil de encontrar trabalho e mantê-lo, mas se pensares que não vais conseguir então não fazes nada na vida. Tens que arriscar um pouco - conheço muitas pessoas que, mesmo nestes tempos difíceis, mudam de trabalho com muita facilidade porque não desistem enquanto não encontram alguma coisa. Tens que ser persistente e dares o teu melhor no trabalho que conseguires obter.

Desculpa o testamento, mas foi só para demonstrar que é possível e podes seguir a tua vontade de tirar um curso em regime noturno e trabalhar durante o dia. Só para terminar - no meu curso, a malta da noite era a mais fixe e tínhamos alunos de todas as idades, dos 18 aos 60 anos. É sempre bom conviver com colegas mais velhos e experientes.

Boa sorte!!! 🤗
Muito obrigado pela resposta e desde já os meus parabéns por ter conseguido alcançar o que desejou!
É de facto nestas situações que se vê o quão sortudos são muitos dos alunos que não trabalham e conseguem prosseguir estudos em comparação com quem tem que trabalhar para poder pagar os seus, não só trás cargas horárias muito altas como um desgaste psicológico e emocional, mas acredito que sim, tal como disse, saber que os sacrifícios feitos foram para uma boa causa e que essa mesma foi concluida com sucesso, trás um sabor especial na altura da vitória!

Com muito empenho e disciplina, sacrifícios e uma gestão do tempo boa também acredito que seja possível alcançar o mesmo!

Obrigado por partilhar a sua história!
 
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