Diário do Estudante 2017/2018

 
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Por um lado, creio que a forma como o sistema de ensino está estruturada centra-se demasiadamente na verificação da aquisição do conhecimento e não nessa aquisição em si mesma; a matéria é dada porque faz parte do programa, porque tem de sair no teste/exame, porque foi superior e supremamente determinado que teria de ser leccionada, e não porque... é conhecimento e, por isso mesmo, é algo digno de ser aprendido.

Concordo que isto é um problema. Mas acho que os exames são apenas um bode expiatório conveniente. O problema não está tanto neles como no fenómeno mais generalizado de os intervenientes no processo (especialmente alunos e encarregados de educação) estarem mais focados nos resultados numéricos das avaliações do que no processo de aprendizagem. Os exames acrescentam mais achas para a fogueira que inflama este fenómeno? Sim, mas não é claro para mim que a sua eliminação resolvesse o problema.

Por outro lado, dada a natureza do ser e do conhecimento humanos, não me parece que o objectivo de efectuar uma avaliação imparcial seja propriamente atingível. É certo que poderemos tentar aproximar-nos disso (assimptoticamente?), mas sou um daqueles (não) seres infelizes para quem o imperfeito é indesejável, e, nesse sentido, sou levado a dizer que, para fazermos ma1 feito, mais vale não o fazermos...

A questão é que uma avaliação não tem de ser imparcial. Uma seriação tem. Há uma diferença entre as duas, mas o facto de os exames servirem duplamente como instrumento de avaliação e seriação esbate seriamente esta distinção. É possível ter um instrumento de avaliação relativamente fiável (talvez não no formato de exame) e é possível ter um instrumento de seriação totalmente imparcial. Não é fácil conjugar os dois num só instrumento e os exames nacionais desempenham, a meu ver, a tarefa tão bem quando possível, dentro das suas limitações.

Quanto a "para fazermos mal feito, mais vale não o fazermos", o problema é quando é necessário fazer algo, bem ou mal. Mais vale imperfeito que mau.
 
A minha professora de Português enviou um e-mail a perguntar como é que tinha corrido o exame e por esse motivo acabei por escrever tudo aquilo que comentei acerca dele ao longo do dia. O texto acabou por ficar pouco cuidado e bastante longo - aliás, como o exame:

Em primeiro lugar, penso que a prova era excessivamente longa, o que não me permitiu rever qualquer item, ou ter tempo para planificar o texto do Grupo III - sei que alguns colegas meus não o chegaram mesmo a acabar. É interessante como uma prova que é (sem qualquer dúvida) significativamente mais longa que as anteriores tem duração idêntica a estas. É difícil perceber o que se pretende avaliar com uma prova de Português muito longa - a rapidez me parece ser propriamente um fator muito importante na interpretação ou construção de um texto escrito; obrigar os alunos a escrever a contrarrelógio em vez de terem tempo para pensar é uma decisão pedagogicamente questionável.

Em segundo (isto claramente é uma apreciação da qual muitos discordarão), não gostei da escolha do texto da Parte A. A literatura portuguesa é tão rica e variada, porquê dar tanta importância a um livro foi propaganda paga pelo Estado Novo e que está carregada de referências ocultistas e rosa-crucianas que tornam os poemas muitas vezes obscuros e de difícil compreensão e interessam muito pouco a qualquer pessoa sã? É certo que Mensagem inclui vários poemas de execução excepcional ("Ulisses", "O Mostrengo", "Mar Português", "D. Sebastião, Rei de Portugal"), mas o poema escolhido parece mais um momento em que Fernando Pessoa se exalta a si mesmo como um "super-Camões" profético, com um sonho mal-definido de grandeza saudosista de um "Quinto Império" e um mito sebastianista bolorento e que no século XXI já só dá vontade de vomitar.

Em terceiro, alguns itens em particular suscitam-me várias dúvidas, nomeadamente:

  • A formulação do item 4 parece muito confusa e ambígua. O que são "características do discurso lírico de Mensagem"? O discurso (a palavra usada parece logo pouco usual no contexto - a única definição que encontro e que se adequa de algum modo, mas nem assim inteiramente, é "conjunto ordenado de frases escritas", segundo o Dicionário Priberam) é predominante lírico, em Mensagem - portanto são características do discurso [que é] lírico? As características podem ser temáticas, estruturais, etc... Alguns alunos interpretaram como características líricas em Mensagem, em oposição ao carácter épico d'Os Lusíadas, por exemplo. No entanto, não é isso que se pergunta; quando muito, tal seriam "características líricas do discurso de Mensagem"; na ordem das palavras da questão afirma-se que o discurso é lírico, e pede-se duas características, de uma forma vaga e indefinida. Olhando para os critérios, continua a não ser nada evidente aquilo que era pedido, ou porque é que só determinadas características são aceites... A questão parece-me confusa e, em suma, bastante infeliz, mas talvez seja só incapacidade de compreensão minha...

  • A questão 7, a (inesperada) parte C parece ser mais acessível a alunos que estudaram a intertextualidade entre as duas obras, ou seja do antigo programa, o que a torna algo injusta, privilegiando uns alunos em detrimento de outros -de acordo com as informações disponíveis, por exemplo, para Matemática A, houve um cuidado de modo a elaborar a prova de modo a que isso não acontecesse; quem elaborou a de Português não parece ter tido essa preocupação.

  • A atribuição de 8 pontos a cada questão do Grupo II parece algo excessiva e muito penalizadora também, embora este grupo não tenha sido muito difícil, talvez com excepção do item 6, que não era muito óbvio.

  • É de assinalar, na questão 7., que seja atribuída apenas metade da cotação (!) a todos os que não responderam exatamente "(Oração) Subordinada Substantiva Completiva", quando tal nunca tinha acontecido em nenhum exame. Os critérios mudam, sem qualquer aviso prévio, e respostas inequívocas de alunos que identificaram corretamente a oração são consideradas apenas parcialmente certas e muito desvalorizadas.

  • O tema do Grupo III já enjoa, mas era vago o suficiente para serem muitos os exemplos a dar e elevada a liberdade no seu desenvolvimento, mas se tiver de contar as vezes que me foi pedido para elaborar um texto parecido, vou ter de recorrer aos dedos dos pés...

Por último, não há justificação para não ser disponibilizada informação sobre o exame para além dos esclarecimentos incrivelmente vagos sobre os temas a avaliar no domínio da Educação Literária, sem se referir que se iriam proceder a alterações estruturais significativas. Claro que não têm de ser totalmente explícitas, mas espera-se que o processo seja algo transparente, de modo ao aluno poder preparar-se adequadamente. E, neste caso (veja-se a questão 7 do Grupo II), os exames dos anos anteriores nem parecem ser material de estudo inteiramente adequado ao exame!

O exame não era assim tão difícil, de facto, mas não gostei de o fazer. Estou algo pessimista em relação à classificação que vou obter, mas penso que pelo menos o Grupo II acertei integralmente. Ainda que tenha a nota que me permita manter a CIF, no entanto, provavelmente vou ficar irritado quando me lembrar dele, pelo que só tenho vontade de o esquecer.
 
Concordo que isto é um problema. Mas acho que os exames são apenas um bode expiatório conveniente. O problema não está tanto neles como no fenómeno mais generalizado de os intervenientes no processo (especialmente alunos e encarregados de educação) estarem mais focados nos resultados numéricos das avaliações do que no processo de aprendizagem. Os exames acrescentam mais achas para a fogueira que inflama este fenómeno? Sim, mas não é claro para mim que a sua eliminação resolvesse o problema.

Como disse, sei bem que os exames não são... o "verdadeiro inimigo". São, apenas, um dos fantoches detrás dos quais ele se esconde, e através dos quais se deixa entrever, se me permites o vago lirismo. No entanto, não creio que os devamos perdoar incondicionalmente por isso...

A questão é que uma avaliação não tem de ser imparcial. Uma seriação tem. Há uma diferença entre as duas, mas o facto de os exames servirem duplamente como instrumento de avaliação e seriação esbate seriamente esta distinção. É possível ter um instrumento de avaliação relativamente fiável (talvez não no formato de exame) e é possível ter um instrumento de seriação totalmente imparcial. Não é fácil conjugar os dois num só instrumento e os exames nacionais desempenham, a meu ver, a tarefa tão bem quando possível, dentro das suas limitações.

E isto arrasta-nos para a espinhosa questão de até que ponto essa seriação deva ser necessária, que, em última análise, é equivalente a perguntar se deveríamos ter níveis de ensino distintos...

Relativamente ao facto de a avaliação não ter de ser imparcial, creio que, no âmbito daquilo que hoje em dia existe, acaba por ser injusto que não o seja...

Quanto a "para fazermos mal feito, mais vale não o fazermos", o problema é quando é necessário fazer algo, bem ou mal. Mais vale imperfeito que mau.

Não pretendo entrar (pelo menos, a estas horas) no debate ideológico que isto pediria, mas creio sempre que se poderia fazer melhor do que o que agora se faz.

pelo que só tenho vontade de o esquecer

Nenhuma de o contestar? :rolleyes: (antigo)


E agora, caros uniareanos, se mo permitirem, irei reflectir sobre as multifacetadas plenitudes da inconsciência inexistente. Até amanhã, se o amanhã ainda houver... :sleepy::sleeping:
 
Não bastará perguntar ao @LordKelvin? Ou ao @davis?
Quando alguém te inclui numa conversa em que já perdeste o fio à meada e não queres ir ler as últimas 10 páginas.

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-- // --

Sobre os exames nacionais, concordo que dentro das soluções possíveis, é a menos má. As alternativas seriam, no seguimento do que o @Alfa colocou:
  • Entrada só com a média secundário: os alunos das privadas iriam facilmente ultrapassar os alunos das públicas, se fosse simplesmente isto. Possível solução: introdução de uma correcção das médias ou até uma conversão num rank based system (exemplo: A para os melhores 20%, B para os seguintes 20%, C para os 20% do meio, D, seguintes 20% e E/F para os últimos 20%). Problema: um "mau aluno" de uma "boa escola" pode ser um melhor aluno que um "aluno médio" de uma "má escola", mas segundo este sistema o segundo passa à frente. O desafio seria como fazer essa correcção.
  • O sistema francês: é interessante para os alunos poderem experimentar um determinado curso antes de efetivamente decidirem se querem ficar nele. Problemas: provavelmente levaria a um maior abandono nas instituições do interior; muitas faculdades não têm capacidade para receber 2x, 3x ou 5x o número de alunos que já recebem no primeiro ano; no seguimento do anterior, como se decidiria quem poderia entrar para experimentar um determinado curso e quem ficaria de fora? O problema está lá na mesma.
  • Entrevistas: não me levem a mal, mas é o pior sistema para um país como o nosso. O português sempre arranja forma, o desenrascanço misturado com chico-espertismo levaria a muitas entradas suspeitas. Basta olhar para os concursos públicos na administração pública.
  • Provas nas próprias faculdades: para mim, seria a solução ideal. Problema: toda a logística de alunos que têm de fazer exames em 3, 4, 5 ou mais universidades em diferentes pontos do país. Seria como funciona atualmente os concursos especiais para licenciados em medicina basicamente, cada faculdade tinha as suas provas em datas próprias com conteúdos definidos pelas mesmas. Como é que os alunos geriam essa preparação em paralelo com acabar o secundário é que seria o verdadeiro desafio.
@Alfa quando falaste no teste local realizado não estarás a falar da prova de matemática que o IST realizou durante alguns anos (não sei se ainda fazem) mas que servia apenas para testar as bases dos alunos à entrada. A média costumava ser negativa e tipicamente ninguém conseguia acertar a todas as perguntas. Não que isso não seja um reflexo do que lhes vai acontecer a cálculo anyway. :tearsofjoy:Foi uma iniciativa interessante, que teria sido curioso ter sido replicado noutras faculdades.
 
Provas nas próprias faculdades: para mim, seria a solução ideal. Problema: toda a logística de alunos que têm de fazer exames em 3, 4, 5 ou mais universidades em diferentes pontos do país. Seria como funciona atualmente os concursos especiais para licenciados em medicina basicamente, cada faculdade tinha as suas provas em datas próprias com conteúdos definidos pelas mesmas. Como é que os alunos geriam essa preparação em paralelo com acabar o secundário é que seria o verdadeiro desafio.

Concordo, esta seria a alternativa mais interessante.Eis o problema: quem financia essas provas? Neste momento temos um sistema de acesso ao ensino superior que não tem custo algum para as instituições de ensino superior. Os alunos chegam-lhes avaliados, seriados e colocados. Não estou a ver as instituições de ensino superior a alocar fundos (existirão, sequer?) para organizar uma coisa destas.

O sistema no Japão, se não estou em erro, é algo deste género, com provas específicas organizadas pelas instituições. O problema é que os alunos não conseguem fazer provas em todas as instituições nas quais pretendem ingressar, pelo que acabam por "apostar" em algumas. Isto tem, sem dúvida, algumas dificuldades logísticas.

@Alfa quando falaste no teste local realizado não estarás a falar da prova de matemática que o IST realizou durante alguns anos (não sei se ainda fazem) mas que servia apenas para testar as bases dos alunos à entrada. A média costumava ser negativa e tipicamente ninguém conseguia acertar a todas as perguntas. Não que isso não seja um reflexo do que lhes vai acontecer a cálculo anyway. :tearsofjoy:Foi uma iniciativa interessante, que teria sido curioso ter sido replicado noutras faculdades.

Parece-me que, quando ouvi isto, se estavam a referir a umas provas específicas feitas pelas instituições, antes da existência de exames nacionais. A experiência correu mal em muitos locais, tanto quanto sei.

Sobre essa prova do IST, tenho conhecimento dela, sim. Li há uns anos um artigo do professor Jorge Buescu (actual presidente da SPM e, na altura, professor no IST) sobre os resultados dessas provas.A prova não era, tanto quanto depreendo do dito artigo, difícil. Citando o artigo: "Os dois primeiros grupos continham perguntas extraordinariamente elementares, nomeadamente operações sobre fracções, a regra dos expoentes, ou factos elementares de cálculo algébrico. (...) 34 por cento dos alunos erraram pelo menos duas perguntas do grupo 2 e 65% dos alunos erraram pelo menos duas perguntas no conjunto dos grupos 1 e 2"
 
Quando alguém te inclui numa conversa em que já perdeste o fio à meada e não queres ir ler as últimas 10 páginas.

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Sobre os exames nacionais, concordo que dentro das soluções possíveis, é a menos má. As alternativas seriam, no seguimento do que o @Alfa colocou:
  • Entrada só com a média secundário: os alunos das privadas iriam facilmente ultrapassar os alunos das públicas, se fosse simplesmente isto. Possível solução: introdução de uma correcção das médias ou até uma conversão num rank based system (exemplo: A para os melhores 20%, B para os seguintes 20%, C para os 20% do meio, D, seguintes 20% e E/F para os últimos 20%). Problema: um "mau aluno" de uma "boa escola" pode ser um melhor aluno que um "aluno médio" de uma "má escola", mas segundo este sistema o segundo passa à frente. O desafio seria como fazer essa correcção.
  • O sistema francês: é interessante para os alunos poderem experimentar um determinado curso antes de efetivamente decidirem se querem ficar nele. Problemas: provavelmente levaria a um maior abandono nas instituições do interior; muitas faculdades não têm capacidade para receber 2x, 3x ou 5x o número de alunos que já recebem no primeiro ano; no seguimento do anterior, como se decidiria quem poderia entrar para experimentar um determinado curso e quem ficaria de fora? O problema está lá na mesma.
  • Entrevistas: não me levem a mal, mas é o pior sistema para um país como o nosso. O português sempre arranja forma, o desenrascanço misturado com chico-espertismo levaria a muitas entradas suspeitas. Basta olhar para os concursos públicos na administração pública.
  • Provas nas próprias faculdades: para mim, seria a solução ideal. Problema: toda a logística de alunos que têm de fazer exames em 3, 4, 5 ou mais universidades em diferentes pontos do país. Seria como funciona atualmente os concursos especiais para licenciados em medicina basicamente, cada faculdade tinha as suas provas em datas próprias com conteúdos definidos pelas mesmas. Como é que os alunos geriam essa preparação em paralelo com acabar o secundário é que seria o verdadeiro desafio.
@Alfa quando falaste no teste local realizado não estarás a falar da prova de matemática que o IST realizou durante alguns anos (não sei se ainda fazem) mas que servia apenas para testar as bases dos alunos à entrada. A média costumava ser negativa e tipicamente ninguém conseguia acertar a todas as perguntas. Não que isso não seja um reflexo do que lhes vai acontecer a cálculo anyway. :tearsofjoy:Foi uma iniciativa interessante, que teria sido curioso ter sido replicado noutras faculdades.

Sei que na EPFL, na Suíça, um mise-a-niveau no primeiro ano é um bocado penalizador para vários alunos. Ficam, em média, 40% dos alunos, pois os professores são pressionados a avaliarem os alunos tendo em conta esse teto. Os alunos que não conseguirem, poderão voltar a tentar essas mesmas disciplinas, não podendo prosseguir com os estudos no ano seguinte. Caso não consigam novamente, não poderão entrar mais na EPFL, nem nas escolas de categoria similar (como a ETH Zurich).

Em Delft, na Holanda, existe um sistema similar, mas em que os alunos têm de obter aprovação a todas as disciplinas com um certo aproveitamento para poderem continuar na faculdade. Esta é uma faculdade de primeira categoria na Holanda. Em caso contrário, descem de categoria e só poderão candidatar-se a faculdades da categoria inferior.
 
Um teste de escolha múltipla a Matemática? @Alfa diz-me que eu não li isto.
O que é que se há-de fazer...

Não sou um fã de perguntas de escolha múltipla, seja em Matemática, seja noutra coisa qualquer.

Sei que foi um teste de estatística, do que conseguimos dar, porque não tenho a certeza se demos tudo sequer... Só sei que foi numa que a stora estava a fazer muitas fichas e 'testes' e assim, mais do que o previsto, e tungas...
Eu, até ao 9º, nem achava a escolha múltipla má... Só a odiava nos testes de Português... Mas assim que cheguei ao secundário, comecei a detestar a maior dos exercícios que envolviam escolha múltipla :') Foi do estilo "Está tudo acabado entre nós!!".
lmao, por vezes fico a pensar! os professores querem protestar contra o Ministério da Educação da forma mais estúpida
podiam é contribuir para mais fugas de informação e em vez de estarem a vigiar as provas, deixarem os alunos falarem (apesar de saber que existe um secretariado de exames controlado pela IAVE), mas talvez fosse melhor forma de boicotar o MinE assim
Bem... Eu nem sei... Epá... Estas coisas na altura dos exames... Não sei...
200:8=25.

E se eles puserem 25 perguntas de escolha múltipla a valer 8 pontos no exame de Biologia e cortarem totalmente as perguntas de desenvolvimento? :fearscream:
Não sei se gosto da conversa, não sei não...
Basta olharem para aquilo que se faz noutros países para terem uma noção de quais podem ser as alternativas. Alguns exemplos (perdoem-me eventuais imprecisões):
  • Em França toda a gente entra na universidade, no primeiro ano; só é feita uma selecção no final. Isto resulta num primeiro ano de aprendizagem sem qualquer qualidade, durante o qual anfiteatros com mil alunos não são incomuns. Há uma pressão enorme sobre os alunos e a maioria acaba por desistir antes do fim do primeiro ano.
  • Em alguns países (a França seguiu este sistema no passado, não sei como está agora) parte do processo de acesso ao ensino superior passa por um sorteio. Sim, um sorteio.
  • No Japão há exames de admissão às universidades elaborados pelas próprias instituições. Os alunos passam ali um mês a fazer imensos exames tendo em conta as universidades a que se querem candidatar. Em Portugal já houve em tempos idos uma instância de uma prova de admissão feita pelas universidades que correu estrondosamente mal (num grupo de examinandos com média 15 de secundário a média da prova foi 7).
  • Em vários países (como os EUA), a admissão às universidades passa por entrevistas aos candidatos. Ainda recentemente têm vindo a lume casos de discriminação no acesso a universidades americanas de topo, como Harvard.
Portanto, exames nacionais no modelo em que temos é uma alternativa que a mim me parece comparativamente boa.

É sempre muito fácil, especialmente durante as épocas de exames nas quais há alguma frustração e nervosismo, dizer que os exames são maus e deviam acabar. Mais difícil é apresentar uma alternativa viável que seja pelo menos tão justa e equitativa.
E uma diminuição do peso dos exames, quer na nota final da disciplina quer no acesso ao ensino superior? Acho sensato essa proposta.

Este debate fez-me lembrar quando estive a falar disso, algures, neste ano letivo, com o pessoal, e que, bem, eu na minha opinião, não, não acho que o problema seja exatamente os exames nacionais, porque, por muito que eu me possa embirrar com eles e tudo mais, acho que seria desequilibrado caso, por exemplo, entrássemos para a faculdade atendendo somente as médias internas... Só acho que talvez poderia haver uma alteração no peso dos exames (acho que tínhamos falado numa provável diminuição, ou algo do género...).
Algo que também já pensámos, mas que talvez se refira mais mais na questão de quem tem intenção de seguir para a universidade ou não era, por exemplo, quem quisesse é que optaria por se inscrever nos exames que pretendesse como prova de ingresso - e acho que mesmo quem quisesse fazer o exame por outros motivos podia, mas falo num sentido mais opcional... Mas claro que não sei se isso seria benéfico ou nem por isso, portanto... Até porque acho que há quem precise de fazer o exame para terminar uma dada disciplina, como externo, portanto... Eh, não sei, estou a abrandar no raciocínio... Tenho que ir dormir...

Para além disto tudo que referi, sempre quis saber se seria melhor ou não se, em vez de cursos, podíamos escolher as disciplinas como bem entendêssemos, mantendo a estrutura da formação geral... Só que depois não sei, às vezes penso que ainda fazemos combinações que não lembram nem ao Pai Natal, ou que o plano que os cursos têm será mais orientador...? E também: será que seria mais eficiente? Porque depois a escola a organizar-se a fazer as turmas... Bem, se calhar algumas até conseguem, né, mas outras que não sei...
Apenas pensei nisto porque já vi pessoal de uma área a fazer exame como externo de uma disciplina que corresponde a um curso diferente do seu, idk, I'm just a person with some doubts and random thoughts...
Sim, por um lado. Por outro, isso dá azo a que as escolas que sistematicamente atribuem notas internas acima da média nacional não passem por um mecanismo de avaliação externa com peso suficiente para minimizar essa desigualdade.
John Rawls, o que podemos fazer?
É para veres como é que me senti com o exame de Filosofia... :expressionless: É que estes exames são muito imprevisíveis, mais do que os das específicas...
...por isso é que só fiz as contas para ver o que tinha na lógica e na escolha múltipla... Porque de resto fiz numa de ver o que poderia ter na pior das hipóteses e na melhor :tearsofjoy:
Em relação ao debate de fazermos exames! eu não concordo é com os testes que fazemos!
A minha mãe tinha uma professora que fazia teste no fim de cada módulo, em vez de misturarem matérias! (muitas delas n nos vão servir para nada Coff*Filosofia*Coff )
Han? Como assim?
Filosofia nem sempre é uma disciplina bem leccionada, infelizmente.
Confirmo... Infelizmente... </3
No entanto, quando o é, considero-a bastante útil.
Confirmo... Felizmente... <3
Reflectir de forma sistemática sobre assuntos não triviais é o género de exercício que estimula o pensamento crítico. Isto é importante e certamente não inútil.
<3333333333
Eu na vida, eu a tentar dormir nestes dias
por exemplo, eu sou de humanidades e interesso-me MTO mais por ciências!
Stora de Filosofia is that you?? Eu sou mesmo o contrário xD
Desculpa - é que a minha stora já mostrou muito interesse em ciências... E ela já nos chegou a dizer que já quis ser médica... Mas adepois explicou tudo...
Juro que me apetecia colocar isto no twitter. Todos os anos põe textos a enumerar as "supostas" desvantagens dos Exames.
Queria ver depois as respostas lá :tearsofjoy::tearsofjoy::tearsofjoy: Adoraria se fizesses isso!!
É o problema da crítica fácil, todos conseguem apontar o dedo, a dizer que deviam acabar com os exames, mas darem propostas e soluções está quieto.
Pois, isso é verdade.
uma conversão num rank based system (exemplo: A para os melhores 20%, B para os seguintes 20%, C para os 20% do meio, D, seguintes 20% e E/F para os últimos 20%). Problema: um "mau aluno" de uma "boa escola" pode ser um melhor aluno que um "aluno médio" de uma "má escola", mas segundo este sistema o segundo passa à frente. O desafio seria como fazer essa correcção.
Espera, como assim? Fiquei confusa...
Provas nas próprias faculdades: para mim, seria a solução ideal. Problema: toda a logística de alunos que têm de fazer exames em 3, 4, 5 ou mais universidades em diferentes pontos do país. Seria como funciona atualmente os concursos especiais para licenciados em medicina basicamente, cada faculdade tinha as suas provas em datas próprias com conteúdos definidos pelas mesmas. Como é que os alunos geriam essa preparação em paralelo com acabar o secundário é que seria o verdadeiro desafio.
Se não fosse pelos exames nacionais, sim, talvez optaria por esta opção.
 
Última edição:
Sei que foi um teste de estatística, do que conseguimos dar, porque não tenho a certeza se demos tudo sequer... Só sei que foi numa que a stora estava a fazer muitas fichas e 'testes' e assim, mais do que o previsto, e tungas...
Eu, até ao 9º, nem achava a escolha múltipla má... Só a odiava nos testes de Português... Mas assim que cheguei ao secundário, comecei a detestar a maior dos exercícios que envolviam escolha múltipla :') Foi do estilo "Está tudo acabado entre nós!!".

Bem... Eu nem sei... Epá... Estas coisas na altura dos exames... Não sei...

Não sei se gosto da conversa, não sei não...



Este debate fez-me lembrar quando estive a falar disso, algures, neste ano letivo, com o pessoal, e que, bem, eu na minha opinião, não, não acho que o problema seja exatamente os exames nacionais, porque, por muito que eu me possa embirrar com eles e tudo mais, acho que seria desequilibrado caso, por exemplo, entrássemos para a faculdade atendendo somente as médias internas... Só acho que talvez poderia haver uma alteração no peso dos exames (acho que tínhamos falado numa provável diminuição, ou algo do género...).
Algo que também já pensámos, mas que talvez se refira mais mais na questão de quem tem intenção de seguir para a universidade ou não era, por exemplo, quem quisesse é que optaria por se inscrever nos exames que pretendesse como prova de ingresso - e acho que mesmo quem quisesse fazer o exame por outros motivos podia, mas falo num sentido mais opcional... Mas claro que não sei se isso seria benéfico ou nem por isso, portanto... Até porque acho que há quem precise de fazer o exame para terminar uma dada disciplina, como externo, portanto... Eh, não sei, estou a abrandar no raciocínio... Tenho que ir dormir...

Para além disto tudo que referi, sempre quis saber se seria melhor ou não se, em vez de cursos, podíamos escolher as disciplinas como bem entendêssemos, mantendo a estrutura da formação geral... Só que depois não sei, às vezes penso que ainda fazemos combinações que não lembram nem ao Pai Natal, ou que o plano que os cursos têm será mais orientador...? E também: será que seria mais eficiente? Porque depois a escola a organizar-se a fazer as turmas... Bem, se calhar algumas até conseguem, né, mas outras que não sei...
Apenas pensei nisto porque já vi pessoal de uma área a fazer exame como externo de uma disciplina que corresponde a um curso diferente do seu, idk, I'm just a person with some doubts and random thoughts...

John Rawls, o que podemos fazer?

...por isso é que só fiz as contas para ver o que tinha na lógica e na escolha múltipla... Porque de resto fiz numa de ver o que poderia ter na pior das hipóteses e na melhor :tearsofjoy:

Han? Como assim?

Confirmo... Infelizmente... </3

Confirmo... Felizmente... <3

<3333333333

Eu na vida, eu a tentar dormir nestes dias

Stora de Filosofia is that you??
Desculpa - é que a minha stora já mostrou muito interesse em ciências... E ela já nos chegou a dizer que já quis ser médica... Mas adepois explicou tudo...

Queria ver depois as respostas lá :tearsofjoy::tearsofjoy::tearsofjoy: Adoraria se fizesses isso!!

Pois, isso é verdade.

Espera, como assim? Fiquei confusa...

Se não fosse pelos exames nacionais, sim, talvez optaria por esta opção.

Supostamente a partir dos próximos anos os alunos poderão escolher as disciplinas que querem mas acho que terão na mesma um conjunto de disciplinas comuns

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Estava a tentar fazer o download do livro de preparação para colocar aqui nos apontamentos e ele desapareceu? Só aparece o índice? What?

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Bom dia para todos já agora. Amanhã é o exame de Física-Química.

*panics*

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Supostamente a partir dos próximos anos os alunos poderão escolher as disciplinas que querem mas acho que terão na mesma um conjunto de disciplinas comuns

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Estava a tentar fazer o download do livro de preparação para colocar aqui nos apontamentos e ele desapareceu? Só aparece o índice? What?

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Bom dia para todos já agora. Amanhã é o exame de Física-Química.

*panics*

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Boa sorte :D Eu só tenho de Matemática A para fazer agora...
 
Quando alguém te inclui numa conversa em que já perdeste o fio à meada e não queres ir ler as últimas 10 páginas.

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:innocent:

(não sei se ainda fazem)

A julgar pelos dados experimentais a que tenho acesso, creio que não. Por outro lado, pelos dados experimentais a que tenho acesso, suspeito que a ideia seja afastar o mínimo número possível de incautos, para que mais facilmente os possam ter lá para lhes sugar a alma efectuar experiências esquisitas e muito ilegais ensinar Álgebra Linear...

Sobre os exames nacionais, concordo que dentro das soluções possíveis, é a menos má. As alternativas seriam, no seguimento do que o @Alfa colocou:
  • Entrada só com a média secundário: os alunos das privadas iriam facilmente ultrapassar os alunos das públicas, se fosse simplesmente isto. Possível solução: introdução de uma correcção das médias ou até uma conversão num rank based system (exemplo: A para os melhores 20%, B para os seguintes 20%, C para os 20% do meio, D, seguintes 20% e E/F para os últimos 20%). Problema: um "mau aluno" de uma "boa escola" pode ser um melhor aluno que um "aluno médio" de uma "má escola", mas segundo este sistema o segundo passa à frente. O desafio seria como fazer essa correcção.
  • O sistema francês: é interessante para os alunos poderem experimentar um determinado curso antes de efetivamente decidirem se querem ficar nele. Problemas: provavelmente levaria a um maior abandono nas instituições do interior; muitas faculdades não têm capacidade para receber 2x, 3x ou 5x o número de alunos que já recebem no primeiro ano; no seguimento do anterior, como se decidiria quem poderia entrar para experimentar um determinado curso e quem ficaria de fora? O problema está lá na mesma.
  • Entrevistas: não me levem a mal, mas é o pior sistema para um país como o nosso. O português sempre arranja forma, o desenrascanço misturado com chico-espertismo levaria a muitas entradas suspeitas. Basta olhar para os concursos públicos na administração pública.
  • Provas nas próprias faculdades: para mim, seria a solução ideal. Problema: toda a logística de alunos que têm de fazer exames em 3, 4, 5 ou mais universidades em diferentes pontos do país. Seria como funciona atualmente os concursos especiais para licenciados em medicina basicamente, cada faculdade tinha as suas provas em datas próprias com conteúdos definidos pelas mesmas. Como é que os alunos geriam essa preparação em paralelo com acabar o secundário é que seria o verdadeiro desafio.

Mas, lá está, todos esses processos pressupõem a existência e a desejabilidade de uma seriação dos candidatos ao ensino superior. É certo que, da forma como as coisas estão actualmente, e pelos omnipresentes problemas de financiamento, disponibilidade de espaço e demais dramas logísticos, não será possível, nem a curto, nem a médio prazo, exigir que as instituições recebam todos os alunos qualificados para frequentar o curso (querendo eu com isto designar aqueles que aprenderam as matérias e/ou tiveram as disciplinas que se considera serem fundamentais para esse curso: não fará muito sentido ir para medecina sempre Medicina sem nunca se ter aprendido uns fundamentos de Biologia, por exemplo), mas não creio que o sistema de numeri clausi se deva manter. Fazendo um paralelo ligeiramente forçado, não estranhamos que não haja qualquer tipo de seriação para os alunos entrarem no ensino secundário, pois não? E, no fundo, parece-me que a única coisa que separa os conhecimentos leccionados no secundário dos conhecimentos leccionados no superior é a tradição e o costume de ver estes últimos como pertencentes a um "nível mais elevado" (deixando de parte, claro, as diferenças lectivas decorrentes das filosofias e abordagens distintas do acto de ensinar)...

Este debate fez-me lembrar quando estive a falar disso, algures, neste ano letivo, com o pessoal, e que, bem, eu na minha opinião, não, não acho que o problema seja exatamente os exames nacionais, porque, por muito que eu me possa embirrar com eles e tudo mais, acho que seria desequilibrado caso, por exemplo, entrássemos para a faculdade atendendo somente as médias internas... Só acho que talvez poderia haver uma alteração no peso dos exames (acho que tínhamos falado numa provável diminuição, ou algo do género...).
Algo que também já pensámos, mas que talvez se refira mais mais na questão de quem tem intenção de seguir para a universidade ou não era, por exemplo, quem quisesse é que optaria por se inscrever nos exames que pretendesse como prova de ingresso - e acho que mesmo quem quisesse fazer o exame por outros motivos podia, mas falo num sentido mais opcional... Mas claro que não sei se isso seria benéfico ou nem por isso, portanto... Até porque acho que há quem precise de fazer o exame para terminar uma dada disciplina, como externo, portanto... Eh, não sei, estou a abrandar no raciocínio... Tenho que ir dormir...

Para além disto tudo que referi, sempre quis saber se seria melhor ou não se, em vez de cursos, podíamos escolher as disciplinas como bem entendêssemos, mantendo a estrutura da formação geral... Só que depois não sei, às vezes penso que ainda fazemos combinações que não lembram nem ao Pai Natal, ou que o plano que os cursos têm será mais orientador...? E também: será que seria mais eficiente? Porque depois a escola a organizar-se a fazer as turmas... Bem, se calhar algumas até conseguem, né, mas outras que não sei...
Apenas pensei nisto porque já vi pessoal de uma área a fazer exame como externo de uma disciplina que corresponde a um curso diferente do seu, idk, I'm just a person with some doubts and random thoughts...

A flexibilização é, sem dúvida, o caminho a percorrer. O elevado custo logístico que traz consigo é um dos principais problemas, mas possivelmente a gestão de salas e professores de um modo um pouco mais automatizado (isto é, recorrendo a programinhas que pudessem calcular a compatibilidade de horários) pudesse ajudar a resolvê-lo.

Em todo o caso, creio que seria pouco menos do que indispensável para garantir que o ensino é capaz de responder às necessidades, aptidões e interesses naturais de todos os alunos sem provocar o grau de sofrimento (acho que é a palavra mais apropriada) e de enfado que, de uma maneira ou de outra, acaba por provocar hoje em dia; da minha perspectiva, isso deverá ser feito não tanto por aquela via que parece ser mais ou menos difundida no seio dos habituais opositores do sistema de ensino, que é a de uma visão naturalista e holística, de o aluno interagir por si mesmo com as coisas, e trabalhos de grupo, e cidadania, e sociabilização, e outro tipo de tarefas que seriam muito giras se não fossem exteriormente prescritas e forçadas, mas antes de um aumento bastante significativo na liberdade de escolha dos conhecimentos a aprender, e da forma como esses conhecimentos se poderão estruturar ao longo do tempo, sem forçar ou impor qualquer visão do mundo em específico (a não ser, claro, que o conhecimento existe e serve para ser adquirido, e que essa aquisição não poderá ser senão de livre acesso a todos os que tenham a capacidade e/ou os fundamentos necessários para a efectuar).

Perdoa a minha cabeça um pouco tonta, mas ainda não tinha tido este tipo de conversa para contigo, pois não?
 
:innocent:



A julgar pelos dados experimentais a que tenho acesso, creio que não. Por outro lado, pelos dados experimentais a que tenho acesso, suspeito que a ideia seja afastar o mínimo número possível de incautos, para que mais facilmente os possam ter lá para lhes sugar a alma efectuar experiências esquisitas e muito ilegais ensinar Álgebra Linear...



Mas, lá está, todos esses processos pressupõem a existência e a desejabilidade de uma seriação dos candidatos ao ensino superior. É certo que, da forma como as coisas estão actualmente, e pelos omnipresentes problemas de financiamento, disponibilidade de espaço e demais dramas logísticos, não será possível, nem a curto, nem a médio prazo, exigir que as instituições recebam todos os alunos qualificados para frequentar o curso (querendo eu com isto designar aqueles que aprenderam as matérias e/ou tiveram as disciplinas que se considera serem fundamentais para esse curso: não fará muito sentido ir para medecina sempre Medicina sem nunca se ter aprendido uns fundamentos de Biologia, por exemplo), mas não creio que o sistema de numeri clausi se deva manter. Fazendo um paralelo ligeiramente forçado, não estranhamos que não haja qualquer tipo de seriação para os alunos entrarem no ensino secundário, pois não? E, no fundo, parece-me que a única coisa que separa os conhecimentos leccionados no secundário dos conhecimentos leccionados no superior é a tradição e o costume de ver estes últimos como pertencentes a um "nível mais elevado" (deixando de parte, claro, as diferenças lectivas decorrentes das filosofias e abordagens distintas do acto de ensinar)...



A flexibilização é, sem dúvida, o caminho a percorrer. O elevado custo logístico que traz consigo é um dos principais problemas, mas possivelmente a gestão de salas e professores de um modo um pouco mais automatizado (isto é, recorrendo a programinhas que pudessem calcular a compatibilidade de horários) pudesse ajudar a resolvê-lo.

Em todo o caso, creio que seria pouco menos do que indispensável para garantir que o ensino é capaz de responder às necessidades, aptidões e interesses naturais de todos os alunos sem provocar o grau de sofrimento (acho que é a palavra mais apropriada) e de enfado que, de uma maneira ou de outra, acaba por provocar hoje em dia; da minha perspectiva, isso deverá ser feito não tanto por aquela via que parece ser mais ou menos difundida no seio dos habituais opositores do sistema de ensino, que é a de uma visão naturalista e holística, de o aluno interagir por si mesmo com as coisas, e trabalhos de grupo, e cidadania, e sociabilização, e outro tipo de tarefas que seriam muito giras se não fossem exteriormente prescritas e forçadas, mas antes de um aumento bastante significativo na liberdade de escolha dos conhecimentos a aprender, e da forma como esses conhecimentos se poderão estruturar ao longo do tempo, sem forçar ou impor qualquer visão do mundo em específico (a não ser, claro, que o conhecimento existe e serve para ser adquirido, e que essa aquisição não poderá ser senão de livre acesso a todos os que tenham a capacidade e/ou os fundamentos necessários para a efectuar).

Perdoa a minha cabeça um pouco tonta, mas ainda não tinha tido este tipo de conversa para contigo, pois não?

Aqui pelo Conselho Pedagógico do IST, do qual sou vice-presidente, esse tipo de admissão traz exatamente esses problemas logísticos. Outro problema, como já foi referido, alguns alunos poderão ter de fazer múltiplos testes de admissão. O sistema todo teria de mudar para que algo desse género fosse implementado. Os alunos teriam de estar mais informados desde muito mais cedo de forma a fazerem decisões conscientes com menos de 17 anos, em alguns casos.
 
O sistema todo teria de mudar para que algo desse género fosse implementado.

No fundo, acaba por ser precisamente essa a minha intenção...

Os alunos teriam de estar mais informados desde muito mais cedo de forma a fazerem decisões conscientes com menos de 17 anos, em alguns casos.

É uma questão bastante pertinente, mas, da minha perspectiva, isto poderia (e deveria) ser minorado se as consequências de uma decisão ma1 tomada fossem reduzidas ou praticamente nulas. No âmbito do actual sistema de ensino, torna-se pouco exequível, mas sou da opinião de que a sua organização deveria ser total e completamente reformulada, de tal forma que fosse possível subdividir as diversas áreas do conhecimento humano nos seus mínimos pedaços constituintes (chego a chamar-lhes "átomos de matéria", mesmo que com prejuízo da Física Sub-Atómica...), que poderiam ser frequentados de forma mais ou menos independente, respeitando unicamente a sequência lógica das matérias. Posto que as coisas estariam estruturadas de forma a que cada um desses "átomos" fosse leccionado ao longo de um período de tempo bastante curto (qualquer coisa da ordem das duas semanas, proporia eu), cada má decisão apenas acarretaria a perda dessas horas de vida, o que acaba por permitir ao aluno, por eventual tentativa e erro, descobrir que área do conhecimento mais lhe agrada, sem a perda de tempo que repetir todo um ano acarretaria. Isto, claro, é uma simplificação da minha proposta, mas não pretendo estar a maçar-te com isso (para já...).

Em última análise, o que proponho é um desacoplamento das grandes associações de conhecimento que os anos lectivos e os semestres representam, evitando que haja uma grande quantidade de matéria indissociável, que tem de ser adquirida no seu todo e (no caso de retenções) reaprendida na íntegra, o que não corresponde (diria que na maioria dos casos) ao que se passa: na verdade, haverá porções da matéria que o aluno adquiriu e outras que poderá não ter adquirido, e, na minha lógica, faria sentido dar-lhe a oportunidade de repetir apenas essas sem o obrigar a ouvir de novo o que já tinha aprendido. Claro que implementar isto acarreta alguns problemas, e exige também algumas mudanças estruturais um pouco mais profundas, mas acho que o esforço, dada a importância que o ensino tem nas vidas de todos e também na própria sociedade, é bem capaz de valer a pena...
 
Ora bolas! Só reparei no que fizeste quando inseri a tua citação :grimacing:
Em primeiro lugar, penso que a prova era excessivamente longa
Eu achei aquilo tão pequeno que ver as pessoas a queixarem-se disso deixa-me bastante preocupada em relação as minhas respostas :fearful:

Mas tendo em conta os testes infinitos que a minha professora fazia... eh.
A questão 7, a (inesperada) parte C parece ser mais acessível a alunos que estudaram a intertextualidade entre as duas obras, ou seja do antigo programa, o que a torna algo injusta, privilegiando uns alunos em detrimento de outros
Como eu não fiz qualquer exame para praticar para este, não tive essa surpresa da estrutura... :sweatsmile: em relação à pergunta, com o pouco que me lembrava do 9º ano consegui meter lá uma quantidade decente de (Alfa não leias isto) palha. :innocent:
É porque fazes parte da trindade uniarense aka 3 pessoas com mais likes.
 
Ora bolas! Só reparei no que fizeste quando inseri a tua citação :grimacing:

Eu achei aquilo tão pequeno que ver as pessoas a queixarem-se disso deixa-me bastante preocupada em relação as minhas respostas :fearful:

Mas tendo em conta os testes infinitos que a minha professora fazia... eh.

Como eu não fiz qualquer exame para praticar para este, não tive essa surpresa da estrutura... :sweatsmile: em relação à pergunta, com o pouco que me lembrava do 9º ano consegui meter lá uma quantidade decente de (Alfa não leias isto) palha. :innocent:

É porque fazes parte da trindade uniarense aka 3 pessoas com mais likes.
Tbm n resolvi exames mas a estrutura dos testes smp foi texto A/B/Grupo II/Grupo III. Achava que tinha tempo suficiente com esta estrutura da caca n respondi tanto quanto gostaria de ter feito :v vamos lá rezar por corretores meiguiiiiinhos
 
Tbm n resolvi exames mas a estrutura dos testes smp foi texto A/B/Grupo II/Grupo III. Achava que tinha tempo suficiente com esta estrutura da caca n respondi tanto quanto gostaria de ter feito :v vamos lá rezar por corretores meiguiiiiinhos
Eu consegui fazer tudo a tempo e até deu para rever tudo, ainda bem :D Mas fiquei espantada com a parte C também...
 
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Eu consegui fazer tudo a tempo e até deu para rever tudo, ainda bem :D Mas fiquei espantada com a parte C também...
Eu escrevo demasiado xD mas pronto vamos lá ver como corre :3
 
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