Diário do Estudante 2018/2019

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Rarael

👽
Colaborador Editorial
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14 Fevereiro 2016
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Curso
LRI
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U. Porto
Olá a todos, como estão?

Tive hoje uma reunião na faculdade e voltei estourado ahah

Como dia 10 foi o dia mundial da prevenção do suicídio, não podia passar por aqui sem falar sobre o recente suicídio de Lara Crespo. Lara era uma ativista lgbt que fundou a Transexual Portugal e toda a vida teve de lutar contra a sociedade e contra a própria família. Apesar de não estar 100% de acordo com a maneira que fazia o seu ativismo, a verdade é que era um ícone para toda a comunidade portuguesa e espero que, como Gisberta, a sua memória viva connosco para sempre.
Caso alguém necessite de ajuda, as minhas DMs estão sempre abertas e existem linhas de apoio ao suicídio gerais e específicas sobre certos assuntos. Há ajuda para toda a gente, pois estamos todos juntos neste mundo.

Stay safe 🥰
 

MoonChild

Membro Veterano
Matrícula
29 Setembro 2018
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Medicina
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Lazuli

Aspie Lunática
Colaborador Editorial
Matrícula
24 Maio 2017
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História da Arte
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E agora eu pergunto: porque é que as actividades de integração dos caloiros não podem antes seguir um molde mais semelhante ao que descrevi acima, por exemplo? Não permitir aos caloiros que olhem nos olhos dos alunos mais velhos é essencial para a construção de uma identidade de pertença a um grupo? Toda a narrativa em torno da hierarquia na praxe é absolutamente necessária para haver integração? Honestamente, não acho.
Normalmente estas conversas começam em volta da "integração" e é isso que sinto que falha. Pode-se dizer que existem praxes (nome agora usualmente dado às actividades que se sabem de gozo ao Caloiro que não é tudo na Praxe) com praxistas que têm esses objectivos (e por agora não sei discutir o porquê de praxar e que efeito ser praxado tem em cada um porque isso é bué subjectivo*), mas a Praxe não surgiu como uma 'festa de boas vindas', nem o que acontece agora foi criado de raiz para ser assim - é literalmente uma cena criada por costumes de séculos que, claro, tem vindo a evoluir com mudanças e abolições de práticas** esse tempo todo. Praxe é uma palavra que pode significar normas de conduta e a Praxe Académica é simplesmente um protocolo que os estudantes que entende estar em Praxe seguem, quer no uso do traje ou hierarquia.

Todas as discussões entre "integração" e "abuso" são muito estranhas porque parecem vir de extremos. Uma das grandes falhas quer de praxistas quer da comunicação social é a falta de perspectiva histórica dada às pessoas e futuros doutores ("Ah, e tal, é assim porque está no código. O que interessa é saber o código" - mas o que é praxe não nasce com códigos, pode é ser codificado - e (alem de invenções porque sejamos honestos, há coisas que não fazem qualquer sentido) há coisas que vieram de algum lugar, coisas essas que não nos são ensinadas).

É a falta de perspectiva histórica sobre como se desenvolveu a praxe e como as práticas têm vindo a mudar (ou a ser abolidas) que compromete a acção de como muitos praxistas as praticam, chegando a existir Códigos de Praxe em certas instituições que sejamos honestos, são algum código de Coimbra passado em várias camadas do google tradutor que a formam como uma desculpa para fazerem o que bem entendem por ser "tradição" sem que nada saibam da tradição (AO PONTO DE PROIBIR OS CALOIROS DE USAR TRAJE, WTF) - e por isso as coisas não evoluem. E isto irrita-me, mesmo não tendo eu grandes leituras (porque já encomendei livros mas ainda não chegaram e há outros que quero comprar mas i'm broke).

Eu sei que tinha mais uma conclusão para escrever - entretanto esqueci-me mas não quero desperdiçar o que escrevi até agora.

Notas:
* Num destes dias ouvi de alguém que já foi caloiro noutro lugar um testemunho positivo de uma pratica que não posso nomear (mas que digamos que envolve vómito e outras coisas que saem do corpo + comida podre) e o quão divertido isso foi. Fiquei horrorizada, jamais participaria numa cena dessas (até porque jamais seria permitido em Coimbra mas mesmo que fosse não iria) mas apparently foi fixe para a pessoa e para criar laços com os colegas and honestly as long as there is consent I don't really care

** Exemplo:
(Blog: Penedo da Saudade) O canelão foi uma praxe muito activa no Séc. XIX, mas que viria já, pelo menos, da primeira metade do Séc. XVII. A seu propósito diz a Enciclopédia Portuguesa e Brasileira que consistia em obrigar os alunos do primeiro ano, no primeiro dia em que se dirigiam às aulas, a atravessar o túnel que é a célebre Porta Férrea, entre alas de camaradas mais velhos que os agrediam, o mais fortemente possível, com pontapés nas canelas, só escapando a lesões dolorosas e às vezes graves os que se fiavam à sua agilidade e rapidez, galgando aquelas dezenas de metros em pulos esgotantes.
Desta praxe só se livravam os caloiros ou novatos que fizessem a travessia protegidos debaixo da pasta dum quintanista. Para além desses, poucos escapavam. Escapou o célebre Saraiva das Forças, por razões que facilmente se adivinham! Escapou o filho do poeta João de Deus, porque seu pai era um ídolo da Academia e esta entendeu homenageá-lo desta forma. Escapou António Nobre, em atenção à sua condição de poeta. Escapou Homem Cristo Filho, quando entrou na universidade com 15 anos apenas, porque era teso como um raio e passou a Porta Férrea com as mãos nos bolsos, segurando duas pistolas em riste bem visíveis por dentro da roupa, depois de ter anunciado que queimaria os miolos de quem se atrevesse a tocar-lhe.
O simples facto de os livros registarem com admiração os nomes de alguns dos que conseguiram escapar a esta prova de fogo mostra bem a brutalidade e a selvajaria de uma praxe que o Reitor da Universidade apenas conseguiu abolir em 1898, enviando archeiros para a Porta Férrea.

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Acrescento para os futuros Caloiros (por agora, pelo menos em Coimbra, "Paraquedistas"): Quem participa nas praxes não é uma maioria. Não participar nelas não vos vai deixar excluídos e se vos excluírem por isso é de forma a filtrar más influencias, querem dar-se com os vossos colegas vão a cafés ou cinemas ou passeiem ou façam os vossos jogos ou conversem.


Paro o meu rant por aqui que amanhã tenho de ir trajada e com o estandarte de História da Arte ver os futuros caloros nas matriculas E AINDA NÃO ME DEPILEI (Coisas que gostava que mudassem no que é Praxe quanto ao traje: SOU MULHER E QUERO USAR CALÇAS PLZ).
 
Última edição:

Gonçalo Santos Silva

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scapou Homem Cristo Filho, quando entrou na universidade com 15 anos apenas, porque era teso como um raio e passou a Porta Férrea com as mãos nos bolsos, segurando duas pistolas em riste bem visíveis por dentro da roupa, depois de ter anunciado que queimaria os miolos de quem se atrevesse a tocar-lhe.
Savage xD
 

Ana Noronha

👸 das Citações
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