Discussões político-sócio-económicas

 

Em quem votarás nas eleições legislativas 2022?

  • PS - Partido Socialista

    Votes: 7 13.7%
  • PPD/PSD - Partido Social Democrata

    Votes: 5 9.8%
  • PCP-PEV - Coligação Democrática Unitária

    Votes: 6 11.8%
  • BE - Bloco de Esquerda

    Votes: 9 17.6%
  • CDS-PP - Partido Popular

    Votes: 0 0.0%
  • PAN - Pessoas–Animais–Natureza

    Votes: 2 3.9%
  • IL - Iniciativa Liberal

    Votes: 11 21.6%
  • NC - Nós, Cidadãos!

    Votes: 0 0.0%
  • PCTP/MRPP - Partido Comunista dos Trabalhadores Portugueses

    Votes: 0 0.0%
  • PTP - Partido Trabalhista Português

    Votes: 0 0.0%
  • E - Ergue-te (ex-PNR - Partido Nacional Renovador)

    Votes: 0 0.0%
  • PDR - Partido Democrático Republicano

    Votes: 0 0.0%
  • MPT - Partido da Terra

    Votes: 0 0.0%
  • PURP - Partido Unido dos Reformados e Pensionistas

    Votes: 0 0.0%
  • L - LIVRE

    Votes: 4 7.8%
  • MAS - Movimento Alternativa Socialista

    Votes: 0 0.0%
  • PPM - Partido Popular Monárquico

    Votes: 1 2.0%
  • JPP - Juntos pelo Povo

    Votes: 0 0.0%
  • A - Aliança

    Votes: 0 0.0%
  • CH - Chega

    Votes: 6 11.8%
  • R.I.R. - Reagir Incluir Reciclar

    Votes: 0 0.0%
  • VP - Volt Portugal

    Votes: 0 0.0%

  • Total voters
    51
Só é impensável pôr as mãos nas calças de um colega sem o consentimento deste. No exemplo do calor, o factor decisivo é o facto de se estar em público; não é uma situação comparável, por razões de atentado ao pudor (sobre isto haveria mais a dizer). No caso do hospital, o mesmo se aplicaria; se eu estiver num quarto sozinho e não me importar de ter os genitais expostos (pode estar calor...), não há probema -- mais uma vez, entra aqui a questão do consentimento.

Nenhum desses exemplos refuta o que disse porque em todos eles há factores fundamentalmente diferentes daquilo que é essencial no que disse: estou a falar de actos privados (no sentido de não serem feitos em públicos; não fiz antes a ressalva e faço agora) acompanhados de consentimento.
E porque é que o consentimento deste é mais difícil de obter do que o consentimento de um toque no ombro? E num hospital (mas um daqueles que se preocupam com as questões humanistas, volto a ressalvar), não é mesmo por atentado ao pudor, é mesmo para o próprio não se sentir exposto. fartos de ver essas coisas estão os profissionais de saúde xD (acredita em mim, que vi muitas vezes terem estes cuidados quando o doente está no pré e pós-operatório para cirurgias feitas por via... vaginal!).
o meu ponto, do género "at least you have to give me that!" é: genitais são uma zona especial do corpo. se para ti isso não tem consequências nesta questão da prostituição, okay; mas para outras pessoas tem - e acho que por estares a recusar esta premissa (que para mim também é mais do que evidente) é que nem consegues entender alguns dos argumentos daqui. Claro que, a partir de certa altura, são apenas convicções e deixa de haver pouco mais a fazer do que concordar em discordar. Mas acho que é depois deste ponto, daí estar a teimar tanto :p

Eu nunca disse que ser adulto e consciente dos seus actos é condição suficiente para praticar todas as acções e mais algumas. No caso em questão, é condição necessária. Não vou comentar os exemplos porque as diferenças entre eles e a prostituição deverão ser, na minha opinião, mais que evidentes.
Claro. Mas fica para futuros debates :p

@asofias acabei por te responder ao responder aqui :p
 
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E porque é que o consentimento deste é mais difícil de obter do que o consentimento de um toque no ombro?

Porque os genitais são associados ao sexo, que é visto de forma especial pela maioria da sociedade, como referi. Continua a ser necessário consentimento. Eu detesto que me toquem no cabelo; pode perfeitamente, em algumas situações, ser mais difícil obter o meu consentimento para me tocarem no cabelo que nos genitais.

E num hospital (mas um daqueles que se preocupam com as questões humanistas, volto a ressalvar), não é mesmo por atentado ao pudor, é mesmo para o próprio não se sentir exposto.

Não disse que era apenas por isso, também referi o consentimento, que está implicitamente envolvido no que disseste agora.

o meu ponto, do género "at least you have to give me that!" é: genitais são uma zona especial do corpo. se para ti isso não tem consequências nesta questão da prostituição, okay; mas para outras pessoas tem - e acho que por estares a recusar esta premissa (que para mim também é mais do que evidente) é que nem consegues entender alguns dos argumentos daqui.

Não estou a recusar que os genitais sejam uma zona especial do corpo. Estou a recusar que isso possa servir de argumento quando o que está em causa é uma actividade privada com consentimento.

Estive a reler esta discussão e ainda não vi respondida aquela que é, a meu ver, uma questão central no que diz respeito aos argumentos aqui apresentados. Disse-se que a regulamentação da prostituição levaria à banalização da mesma e lhe daria uma maior legitimidade junto da sociedade. Concordo. Só não percebo porque é que isto é mau. Só é mau se se vir a prostituição como algo de errado ou imoral.

Daí a questão central que faço (como já fiz, pelo menos três vezes) a quem tem defendido que a prostituição não deveria ser regulamentada/legal/vista como um trabalho como outro qualquer: porque é que a prostituição é, a vosso ver, imoral?

Sendo mais específico (como já fui, pelo menos duas vezes): porque é que é imoral ou errado duas pessoas se envolverem, com consentimento e em privado, numa actividade que envolve a prática de relações sexuais a troco de dinheiro?

Pago a quem me der uma resposta minimamente articulada e coerente e sem se limitar a substituir esta pergunta por outra pergunta ou substituir este conceito por outro conceito. A menos, claro, que essa pessoa considere tal transacção imoral. :p
 
genitais são uma zona especial do corpo. se para ti isso não tem consequências nesta questão da prostituição, okay; mas para outras pessoas tem - e acho que por estares a recusar esta premissa (que para mim também é mais do que evidente) é que nem consegues entender alguns dos argumentos daqui.
Mas não é por eu não me sentir confortável a expôr certas partes do meu corpo que outras pessoas sentem o mesmo em relação a si próprias.
Eu não gostaria de fazer parte do mundo da prostituição (em qualquer uma das duas partes), mas, se outros o desejam, não sou ninguém para dizer que não o podem fazer. Desde que seja consentido, como já foi dito várias vezes aqui... :p
 
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Não tenho a certeza se esta questão já foi colocada, mas aqui vai: o que têm a dizer sobre os indivíduos portadores de deficiência, que graças a esta, se vêm limitados da/na sua vida sexual? Assim, não será correto regulamentar a prostituição, levando a que estes tenham relações com um indivíduo que, de livre vontade, se dispõe a ter relações sexuais?
Desde já, peço imensa desculpa se me estiver a desviar do ponto central da questão, mas espero ter conseguido expressar-me corretamente.
 
Não tenho a certeza se esta questão já foi colocada, mas aqui vai: o que têm a dizer sobre os indivíduos portadores de deficiência, que graças a esta, se vêm limitados da/na sua vida sexual? Assim, não será correto regulamentar a prostituição, levando a que estes tenham relações com um indivíduo que, de livre vontade, se dispõe a ter relações sexuais?
Desde já, peço imensa desculpa se me estiver a desviar do ponto central da questão, mas espero ter conseguido expressar-me corretamente.
Ponto interessante
 
Mas não é por eu não me sentir confortável a expôr certas partes do meu corpo que outras pessoas sentem o mesmo em relação a si próprias.
Eu não gostaria de fazer parte do mundo da prostituição (em qualquer uma das duas partes), mas, se outros o desejam, não sou ninguém para dizer que não o podem fazer. Desde que seja consentido, como já foi dito várias vezes aqui... :p
sim. mas volto ao meu "pé atrás" inicial: não acho que seja um trabalho como os outros (porque o "instrumento de trabalho", para mim, não é igual aos outros, como já tentei explicar montes de vezes xD), não é um trabalho que a maior parte das pessoas conseguiria fazer, e só deve mesmo ser feito por quem o escolhe fazer. como é que isto se reflete numa regulamentação (que, tal como também já disse, concordo com muitos dos pontos a favor) é um bocadinho difícil - talvez com avaliações psicológicas, para se ter a certeza de que as pessoas não estão lá coagidas, e estão conscientes do que fazem? pode parecer radical mas é uma coisa que se vai fazendo em outros empregos bem mais banais.
@Alfa não te respondo à questão porque, de facto, se pensar para lá da minha primeira reação instintiva, não tenho grandes razões (fora a borderline da mercantilização do corpo) para achar que 2 adultos, totalmente conscientes do que estão a fazer (e, já agora, desde que eventuais respetivos companheiros "oficiais" também estejam conscientes ahah) é imoral. no fim de contas não estou contra; estou numa área algo cinzenta. ;)
Não tenho a certeza se esta questão já foi colocada, mas aqui vai: o que têm a dizer sobre os indivíduos portadores de deficiência, que graças a esta, se vêm limitados da/na sua vida sexual? Assim, não será correto regulamentar a prostituição, levando a que estes tenham relações com um indivíduo que, de livre vontade, se dispõe a ter relações sexuais?
Desde já, peço imensa desculpa se me estiver a desviar do ponto central da questão, mas espero ter conseguido expressar-me corretamente.
não acho que faça sentido ir por aí, porque quem tem uma deficiência deve ter direito a viver uma sexualidade em pleno - limitada apenas e só diretamente pela deficiência física. É quase dizer "regulamentem a prostituição é para ver se eles assim finalmente arranjam alguém com quem ter relações sexuais!", para mim é quase insultuoso para essas pessoas.
 
É quase dizer "regulamentem a prostituição é para ver se eles assim finalmente arranjam alguém com quem ter relações sexuais!", para mim é quase insultuoso para essas pessoas.
é mesmo isto! concordo plenamente
Epah peixinha também não é assim x) Mas é um facto de que muitos deficientes recorrem a prostituição para se satisfazerem sexualmente porque não têm companheiros
 
Epah peixinha também não é assim x) Mas é um facto de que muitos deficientes recorrem a prostituição para se satisfazerem sexualmente porque não têm companheiros
mas acho que o facto de não terem companheiros não deve ser motivo para justificar a prostituição
 
mas acho que o facto de não terem companheiros não deve ser motivo para justificar a prostituição
Nem eu acho que seja uma justificação a priori. Mas que é uma consequência positiva para a vida dessas pessoas - sim, é
 
Nem eu acho que seja uma justificação a priori. Mas que é uma consequência positiva para a vida dessas pessoas - sim, é
apenas satisfazem as suas necessidades, no fundo têm consciência de que a pessoa com quem estão a ter relações sexuais não os desejam realmente, apenas o fazem por dinheiro
 
apenas satisfazem as suas necessidades, no fundo têm consciência de que a pessoa com quem estão a ter relações sexuais não os desejam realmente, apenas o fazem por dinheiro
Isso é óbvio.. Não vão para colmatar necessidades emocionais de serem amados ou desejados, vão para colmatar necessidades sexuais
 
não acho que seja um trabalho como os outros (porque o "instrumento de trabalho", para mim, não é igual aos outros, como já tentei explicar montes de vezes xD)

Eu percebo o que queres dizer. É um facto que não é um trabalho como os outros. Só tenho estado a tentar salientar que ser diferente e ser errado são coisas muito diferentes. Percebo o que dizes, posso até concordar que, em aspectos importantes, os genitais são órgãos do corpo que temos de tratar de modo diferente, posso ainda concordar que o sexo tem especificidades que o tornam numa actividade humana diferente das outras. Não acho que estas considerações permitam concluir que a prostituição seja errada, por todas as razões que enunciei.

não é um trabalho que a maior parte das pessoas conseguiria fazer, e só deve mesmo ser feito por quem o escolhe fazer

Isto não pode ser dito acerca de tantas outras profissões, incluindo a tua e a minha?
--- Post atualizado ---
Isso é óbvio.. Não vão para colmatar necessidades emocionais de serem amados ou desejados, vão para colmatar necessidades sexuais

Isto é um ponto importante. Há sexo sem amor. Há necessidades físicas e necessidades emocionais. O sexo pode servir para preencher ambas, mas isso não é sempre assim.
 
Esta afirmação é absolutamente hipócrita, mas evitarei os juízos de valor
raw
--- Post atualizado ---
Ah lembrei-me de outra coisa:

O pessoal que acha que regulamentar a prostituição significa incitar a prática da mesma, também acha que quando se distribuem preservativos na Queima, festivais de música e centros de saúde também acha que é a incitar as pessoas a fazer sexo? xD
 
Eu percebo o que queres dizer. É um facto que não é um trabalho como os outros. Só tenho estado a tentar salientar que ser diferente e ser errado são coisas muito diferentes. Percebo o que dizes, posso até concordar que, em aspectos importantes, os genitais são órgãos do corpo que temos de tratar de modo diferente, posso ainda concordar que o sexo tem especificidades que o tornam numa actividade humana diferente das outras. Não acho que estas considerações permitam concluir que a prostituição seja errada, por todas as razões que enunciei.
Estamos perto da sintonia :)

Isto não pode ser dito acerca de tantas outras profissões, incluindo a tua e a minha?
pode, mas acho que as consequências não são as mesmas. estares um ano em Medicina não te traumatizou, penso eu. Nem é o melhor dos exemplos porque foi uma escolha - simplesmente uma que depois consideraste não ser a melhor:tearsofjoy: imaginemos então alguém que foi para Med por pressão de outrem. acho que estar um ano a trabalhar na prostituição contra a sua vontade, por pressão externa, deixaria marcas bem mais fortes.
e, com um toque de tristeza irónica, para muita gente ser matemático à força designa-se "Ensino Básico" :(
e por acaso também se queixam de traumas (mas acho que ainda assim não se pode comparar aos da prostituição :P)
 
estares um ano em Medicina não te traumatizou, penso eu.

Hmm. Olha que não sei. Ainda hoje não consigo olhar para coisas muito cor de rosa sem o stress pós traumático de Histologia me atacar.

acho que estar um ano a trabalhar na prostituição contra a sua vontade, por pressão externa, deixaria marcas bem mais fortes.

Mas não estamos a falar de trabalhar em prostituição contra vontade, a regulamentação vai também no sentido de combater essa situação.
 
Hmm. Olha que não sei. Ainda hoje não consigo olhar para coisas muito cor de rosa sem o stress pós traumático de Histologia me atacar.
uma vez tinha o meu livro de Histologia na sala e a minha mãe (que não é desta área) pega no livro e começa a folheá-lo. "[a fish], o teu livro não está estragado? as cores estão estranhas, está tudo cor de rosa! :s"
um dia hei de pôr isto no "Ouvido na Consulta", a quem conhecer o grupo ahah :P
Mas não estamos a falar de trabalhar em prostituição contra vontade, a regulamentação vai também no sentido de combater essa situação.
E combate como? :)
 
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E combate como? :)

Peço desculpa, fiz aqui uma má interpretação. O texto da moção não faz alusão exactamente ao que disseste. O que lá é dito é que se rejeita que "ninguém escolhe livremente o trabalho sexual por se tratar, na sua essência, de uma forma de violência e uma forma de opressão". O que se propõe é melhorar as condições de trabalho de quem o pratica.
 
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