Discussões político-sócio-económicas

 

Em quem votarás nas eleições legislativas 2022?

  • PS - Partido Socialista

    Votes: 7 13.7%
  • PPD/PSD - Partido Social Democrata

    Votes: 5 9.8%
  • PCP-PEV - Coligação Democrática Unitária

    Votes: 6 11.8%
  • BE - Bloco de Esquerda

    Votes: 9 17.6%
  • CDS-PP - Partido Popular

    Votes: 0 0.0%
  • PAN - Pessoas–Animais–Natureza

    Votes: 2 3.9%
  • IL - Iniciativa Liberal

    Votes: 11 21.6%
  • NC - Nós, Cidadãos!

    Votes: 0 0.0%
  • PCTP/MRPP - Partido Comunista dos Trabalhadores Portugueses

    Votes: 0 0.0%
  • PTP - Partido Trabalhista Português

    Votes: 0 0.0%
  • E - Ergue-te (ex-PNR - Partido Nacional Renovador)

    Votes: 0 0.0%
  • PDR - Partido Democrático Republicano

    Votes: 0 0.0%
  • MPT - Partido da Terra

    Votes: 0 0.0%
  • PURP - Partido Unido dos Reformados e Pensionistas

    Votes: 0 0.0%
  • L - LIVRE

    Votes: 4 7.8%
  • MAS - Movimento Alternativa Socialista

    Votes: 0 0.0%
  • PPM - Partido Popular Monárquico

    Votes: 1 2.0%
  • JPP - Juntos pelo Povo

    Votes: 0 0.0%
  • A - Aliança

    Votes: 0 0.0%
  • CH - Chega

    Votes: 6 11.8%
  • R.I.R. - Reagir Incluir Reciclar

    Votes: 0 0.0%
  • VP - Volt Portugal

    Votes: 0 0.0%

  • Total voters
    51
O problema da prostituição não é o facto de existir mas sim de como existe. Se o entrave para a legalização desta prática for só o provável aumento da procura, eu acho que nao se devem preocupar muito. A maior parte dos "não clientes", são "não clientes" não porque é ilegal, mas porque, para esses, é imoral. A legalidade não vai mudar a moralidade. Quem acha imoral nao vai, quem não acha imoral e quer ir vai. Mas que seja uma escolha dum cidadão civilizado, responsável e livre. E que se decidir fazer não seja sobre regra nenhuma, como é actualmente. Isto é daquelas coisas que mexe muito com a cabeça das pessoas.
 
Esta afirmação é absolutamente hipócrita, mas evitarei os juízos de valor
"Evitarei". Como (certamente) percebes, estava a referir-me ao que ia dizer a seguir.
Não estou a recusar que os genitais sejam uma zona especial do corpo. Estou a recusar que isso possa servir de argumento quando o que está em causa é uma actividade privada com consentimento.

Estive a reler esta discussão e ainda não vi respondida aquela que é, a meu ver, uma questão central no que diz respeito aos argumentos aqui apresentados. Disse-se que a regulamentação da prostituição levaria à banalização da mesma e lhe daria uma maior legitimidade junto da sociedade. Concordo. Só não percebo porque é que isto é mau. Só é mau se se vir a prostituição como algo de errado ou imoral.

Daí a questão central que faço (como já fiz, pelo menos três vezes) a quem tem defendido que a prostituição não deveria ser regulamentada/legal/vista como um trabalho como outro qualquer: porque é que a prostituição é, a vosso ver, imoral?

Sendo mais específico (como já fui, pelo menos duas vezes): porque é que é imoral ou errado duas pessoas se envolverem, com consentimento e em privado, numa actividade que envolve a prática de relações sexuais a troco de dinheiro?

Pago a quem me der uma resposta minimamente articulada e coerente e sem se limitar a substituir esta pergunta por outra pergunta ou substituir este conceito por outro conceito. A menos, claro, que essa pessoa considere tal transacção imoral. :p
Fundamentalmente, por questões culturais. @Alfa, é mais que óbvio que todos os argumentos estão do teu lado, mas nunca seria capaz de colocar a prostituição ao mesmo nível que outras profissões precisamente pelo seu instrumento de trabalho. Não me parece que relação sexual e amor estejam desligados um do outro (e é, tecnicamente, essa a visão cultural), pelo que realizar o ato com vista a satisfazer meramente os desejos sexuais parece-me um bocado animalesco (não há, no mundo dos animais irracionais, dinheiro, mas, na prostituição, a falta de amor é evidente). Obviamente que me irás responder: "Mas a relação sexual não tem que estar relacionada com o amor". Pois não, mas deve estar, na minha opinião. É aí que entra a moralidade.

Ainda relacionado com isto, @Alfa, aceitarias uma alteração da lei que permitisse que as barrigas de aluguer pudessem ser pagas pelo serviço?
 
Fundamentalmente, por questões culturais. @Alfa, é mais que óbvio que todos os argumentos estão do teu lado, mas nunca seria capaz de colocar a prostituição ao mesmo nível que outras profissões precisamente pelo seu instrumento de trabalho.

Mas na formação de opiniões e, especialmente, na criação de políticas, devemos ter em conta precisamente de que lado estão os argumentos e não aquilo que nos é incutido culturalmente.

Obviamente que me irás responder: "Mas a relação sexual não tem que estar relacionada com o amor". Pois não, mas deve estar, na minha opinião. É aí que entra a moralidade.

Porquê?

Ainda relacionado com isto, @Alfa, aceitarias uma alteração da lei que permitisse que as barrigas de aluguer pudessem ser pagas pelo serviço?

Teria de reflectir sobre o assunto. A minha primeira resposta, ainda pouco amadurecida, é "sim".
 
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Esta afirmação é absolutamente hipócrita, mas evitarei os juízos de valor

Sabes algum podre do Kelvinzito, é isso?

Dá para chantagem?

Sorte a tua!
 
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Não me parece que relação sexual e amor estejam desligados um do outro (e é, tecnicamente, essa a visão cultural), pelo que realizar o ato com vista a satisfazer meramente os desejos sexuais parece-me um bocado animalesco (não há, no mundo dos animais irracionais, dinheiro, mas, na prostituição, a falta de amor é evidente). Obviamente que me irás responder: "Mas a relação sexual não tem que estar relacionada com o amor". Pois não, mas deve estar, na minha opinião. É aí que entra a moralidade.

Há pouco dei uma resposta mais concisa porque não tinha disponibilidade para mais, mas, relendo isto, penso que é pertinente acrescentar mais alguma coisa.

Em primeiro lugar, quero fazer uma ou duas observações muito gerais. Os nossos valores morais são fortemente influenciados por factores como a nossa sociedade, cultura, educação, religião, etc. No entanto, eu penso que as nossas convicções morais deveriam ser fundamentadas com razões. Dizer que "é socialmente aceite/não aceite", "é o que acredito com base na minha educação", "a minha religião ensina que isto é certo/errado" não são, a meu ver, razões aceitáveis. Não há qualquer justificação racional, apenas uma justificação baseada, na maioria dos casos, na autoridade. O facto de uma dada sociedade aceitar a escravatura como prática corrente não a torna, por si só, numa prática moralmente aceitável; o facto de um livro sagrado condenar uma dada prática não a torna, por si só, numa prática moralmente inaceitável.

Não é fácil pôr de parte os valores morais que se encontram fortemente enraizados em nós por influência dos factores que mencionei. Essa é precisamente uma razão para os examinarmos com mais cuidado; podem estar errados, do ponto de vista ético, ou, no pior dos casos, podem ser nocivos para nós e para os que nos rodeiam.

O sexo sempre foi um assunto delicado, por diversas razões. Eu acho que o sexo, sendo diferente de muitas outras actividades humanas, está sujeito a uma regra básica na qual baseio uma boa parte da minha conduta moral: não há qualquer razão para condenação moral de uma actividade humana que não interfira com a liberdade dos envolvidos ou a limite. (Tentei formular isto da forma mais consensual possível; é possível que haja aqui alguma necessidade de algumas adendas, pelo que estou aberto a correcções.) Apesar de todas as diferenças que foram aqui apontadas entre o sexo e outras actividades, não vejo qualquer razão para que esta regra precise de alterações no que respeita ao sexo.

No que toca ao sexo, o respeito pela liberdade manifesta-se essencialmente no respeito pelo consentimento das partes envolvidas. Esta é a razão essencial pela qual o sexo com crianças é moralmente condenável: as crianças não têm ainda, por diversas razões que se prendem com o seu desenvolvimento psicológico, a capacidade total de dar consentimento na sua plenitude. É a mesma razão pela qual o sexo com animais é moralmente condenável.

Eu não vejo uma razão suficientemente forte para ver o sexo como estando necessariamente ligado ao amor ou a qualquer vínculo emocional. Vou atrever-me a dizer que a maioria das pessoas que vêem esse vínculo fazem-no por influência da sua educação, religião, etc. Não são, como disse atrás, razões suficientes. Podem ser linhas de conduta pessoais (nada há de imoral nisso), mas não podem ser estendidas a toda uma sociedade e não podem ajudar a moldar políticas. @LordKelvin, se conseguires justificar a tua posição de que o sexo deve estar ligado ao amor usando argumentos mais sólidos que estes, terei o maior interesse em saber quais são. De contrário, poderás afirmar com honestidade que a tua posição não é meramente um instinto que te foi incutido e que tens dificuldade em pôr de lado?

O argumento de que é "animalesco" satisfazer necessidades sexuais sem que haja uma ligação emocional é um mau argumento. São maus argumentos todos os que tentem usar a conduta dos animais irracionais como exemplo a seguir ou a evitar no caso dos humanos; não são criaturas comparáveis em muitos aspectos. (Não deixa de ser interessante notar como o argumento é usado num sentido ou noutro conforme dá mais jeito: quem se apresenta contra o sexo sem amor pode dizer que isso é um comportamento próprio dos animais; quem se apresenta, por exemplo, contra a homossexualidade diz muitas vezes que esse comportamento não é natural por não ocorrer no resto do reino animal.)
 
Última edição:
Então uma pessoa que vá sair à noite em busca de um one night stand está a cometer uma ação imoral, visto que está só a procurar ter relações sexuais sem a parte emocional?
Não será uma pessoa que procura a prostituição uma pessoa com as mesmas necessidades que a anterior mas que não pretende ter esse esforço de conseguir "engatar"? Talvez não tenha tempo, talvez não tenha os social skills necessários, talvez já tenha tentado antes e não tenha sido capaz.

Uma analogia, ainda que não seja excelente, seria uma pessoa que gasta o seu tempo a cozinhar enquanto outra liga à Telepizza e manda vir uma pizza. A primeira teve de se esforçar e gastar dinheiro nos ingredientes, enquanto que a segunda apenas gastou o dinheiro da chamada e da pizza.
Por outro lado, a pessoa que foi sair à noite gastou dinheiro na roupa bonita, no gel para o cabelo e nos perfumes, enquanto que a segunda pagou então apenas pelo serviço, ambas tendo conseguido o mesmo fim.

Será assim tão imoral a prostituição?

E quanto ao "instrumento de trabalho", se utilizar a boca ou as mãos já não há problema então?

Podíamos considerar imoral sermos fumador, usar drogas, beber álcool, pois bem vistas as coisas estamos a gastar dinheiro e a usar um serviço e estamos de facto a prejudicar outros, principalmente a nós próprios, embora isto seja uma discussão completamente diferente.

Quanto às barrigas de aluguer, se um casal, ou uma pessoa solteira, quiser ter filho(s) com uma parte da sua identidade genética, quer consiga ou não tê-los por si próprios, se há uma mulher disposta a ter esse filho, qual o problema?
 
Então uma pessoa que vá sair à noite em busca de um one night stand está a cometer uma ação imoral, visto que está só a procurar ter relações sexuais sem a parte emocional?
Não será uma pessoa que procura a prostituição uma pessoa com as mesmas necessidades que a anterior mas que não pretende ter esse esforço de conseguir "engatar"? Talvez não tenha tempo, talvez não tenha os social skills necessários, talvez já tenha tentado antes e não tenha sido capaz.

Uma analogia, ainda que não seja excelente, seria uma pessoa que gasta o seu tempo a cozinhar enquanto outra liga à Telepizza e manda vir uma pizza. A primeira teve de se esforçar e gastar dinheiro nos ingredientes, enquanto que a segunda apenas gastou o dinheiro da chamada e da pizza.
Por outro lado, a pessoa que foi sair à noite gastou dinheiro na roupa bonita, no gel para o cabelo e nos perfumes, enquanto que a segunda pagou então apenas pelo serviço, ambas tendo conseguido o mesmo fim.

Será assim tão imoral a prostituição?

E quanto ao "instrumento de trabalho", se utilizar a boca ou as mãos já não há problema então?

Podíamos considerar imoral sermos fumador, usar drogas, beber álcool, pois bem vistas as coisas estamos a gastar dinheiro e a usar um serviço e estamos de facto a prejudicar outros, principalmente a nós próprios, embora isto seja uma discussão completamente diferente.

Quanto às barrigas de aluguer, se um casal, ou uma pessoa solteira, quiser ter filho(s) com uma parte da sua identidade genética, quer consiga ou não tê-los por si próprios, se há uma mulher disposta a ter esse filho, qual o problema?
Como é que beber álcool prejudica outras pessoas para além da mesma?
 
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Como é que beber álcool prejudica outras pessoas para além da mesma?
This. ^^^

Culpar o álcool pela violência doméstica, pelas violações sexuais, pelos atropelamentos, ..., é, no mínimo, ridículo e covarde.
 
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QUOTE="Nerd, post: 185050, member: 8748"]This. ^^^

Culpar o álcool pela violência doméstica, pelas violações sexuais, pelos atropelamentos, ..., é, no mínimo, ridículo e covarde.[/QUOTE]
Eu estou a assumir que por "beber alcool" ele queria referir-se a um consumo normal, não abusivo
 
Uma analogia, ainda que não seja excelente, seria uma pessoa que gasta o seu tempo a cozinhar enquanto outra liga à Telepizza e manda vir uma pizza. A primeira teve de se esforçar e gastar dinheiro nos ingredientes, enquanto que a segunda apenas gastou o dinheiro da chamada e da pizza.
Por outro lado, a pessoa que foi sair à noite gastou dinheiro na roupa bonita, no gel para o cabelo e nos perfumes, enquanto que a segunda pagou então apenas pelo serviço, ambas tendo conseguido o mesmo fim.

Será assim tão imoral a prostituição?

E quanto ao "instrumento de trabalho", se utilizar a boca ou as mãos já não há problema então?

Podíamos considerar imoral sermos fumador, usar drogas, beber álcool, pois bem vistas as coisas estamos a gastar dinheiro e a usar um serviço e estamos de facto a prejudicar outros, principalmente a nós próprios, embora isto seja uma discussão completamente diferente.

Quanto às barrigas de aluguer, se um casal, ou uma pessoa solteira, quiser ter filho(s) com uma parte da sua identidade genética, quer consiga ou não tê-los por si próprios, se há uma mulher disposta a ter esse filho, qual o problema?
É uma analogia bastante má, acho eu. A prostituição eventualmente (passar a) ser como encomendar uma pizza parece-me ser um bom argumento contra a prostituição, não a favor xD
Fogo, a Telepizza tem promoções de 3x1 e tudo, quer dizer............

mas que saudades da Telepizza, btw :(

Se usar só as mãos é massagista, ou similar. Uma mão e um pénis não têm a mesma conotação, o mesmo simbolismo, a mesma privacidade, o mesmo valor. Tanto esforço para fazer passar pelo mesmo aquilo que todos nós, de tantas formas, sabermos ser diferente! Mas pronto, pelo menos são mais parecidos do que uma pizza e um ser humano ;)

acho que aqui a questão das barrigas de aluguer referia-se ao pagamento ou não (ser apenas numa base de voluntariado - que há, por exemplo, em doar um rim em vida).
 
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Uma mão e um pénis não têm a mesma conotação, o mesmo simbolismo, a mesma privacidade, o mesmo valor. Tanto esforço para fazer passar pelo mesmo aquilo que todos nós, de tantas formas, sabermos ser diferente!

Uma vez mais, a questão não é serem semelhantes ou diferentes. A questão é se essas semelhanças ou diferenças são relevantes para a questão em causa.

Vou tentar esclarecer isto com alguns exemplos:
  • As diferenças entre as mãos e os genitais (ou entre outras partes do corpo e os genitais) tornam legítimo (até certo ponto), que as pessoas possam, na nossa sociedade, andar na rua de mãos descobertas mas não andem na rua de genitais expostos. A questão aqui é mais de natureza social do que ética, mas ainda assim podemos argumentar que pessoas mais sensíveis possam ficar incomodadas com a exposição de genitais; de modo a salvaguardar a sensibilidade dessas pessoas, cobrimos os nossos genitais. (Confesso que talvez não esteja a fazer um argumento tão bom quanto possível a favor de andarmos vestidos, talvez porque estas matérias de convenção social me passam um pouco ao lado.)
  • As diferenças entre os genitais e outros órgãos ou partes do corpo não tornam legítimo que as especialidades médicas dedicadas aos genitais sejam tratadas de forma diferente das outras. Continua a haver ginecologistas e urologistas nos hospitais e estes são tratados exactamente da mesma forma que os médicos de outras especialidades.
Ou seja, as diferenças entre os genitais e outras partes do corpo não tornam automaticamente morais ou imorais as práticas que os envolvam. Temos de justificar essas posições morais de formas que não sejam simplesmente um apelo a este facto.

Na questão em discussão, é preciso saber se as diferenças entre os genitais e outras partes do corpo legitimam um tratamento ético diferenciado da prostituição em relação a outras profissões. Dito de outro modo, será que a prostituição "não é um trabalho como os outros" do ponto de vista moral, simplesmente porque quem tem esse trabalho usa os genitais e não as mãos, ou os pés, ou o cérebro, ou os olhos.

A minha posição, como já se viu, é a de que a resposta a esta interrogação é "não". Porquê? Porque considero que a liberdade individual é mais importante nesta questão do que as alegadas diferenças entre os genitais e outros órgãos. Não estou a tentar negar o óbvio ou a tentar tratar de modo igual "aquilo que todos nós, de tantas formas, sabemos ser diferente". Estou simplesmente a questionar a relevância dessa diferença para a situação em discussão.
 
A minha posição, como já se viu, é a de que a resposta a esta interrogação é "não". Porquê? Porque considero que a liberdade individual é mais importante nesta questão do que as alegadas diferenças entre os genitais e outros órgãos. Não estou a tentar negar o óbvio ou a tentar tratar de modo igual "aquilo que todos nós, de tantas formas, sabemos ser diferente". Estou simplesmente a questionar a relevância dessa diferença para a situação em discussão.
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Uma vez mais, a questão não é serem semelhantes ou diferentes. A questão é se essas semelhanças ou diferenças são relevantes para a questão em causa.

Vou tentar esclarecer isto com alguns exemplos:
  • As diferenças entre as mãos e os genitais (ou entre outras partes do corpo e os genitais) tornam legítimo (até certo ponto), que as pessoas possam, na nossa sociedade, andar na rua de mãos descobertas mas não andem na rua de genitais expostos. A questão aqui é mais de natureza social do que ética, mas ainda assim podemos argumentar que pessoas mais sensíveis possam ficar incomodadas com a exposição de genitais; de modo a salvaguardar a sensibilidade dessas pessoas, cobrimos os nossos genitais. (Confesso que talvez não esteja a fazer um argumento tão bom quanto possível a favor de andarmos vestidos, talvez porque estas matérias de convenção social me passam um pouco ao lado.)
  • As diferenças entre os genitais e outros órgãos ou partes do corpo não tornam legítimo que as especialidades médicas dedicadas aos genitais sejam tratadas de forma diferente das outras. Continua a haver ginecologistas e urologistas nos hospitais e estes são tratados exactamente da mesma forma que os médicos de outras especialidades.
Ou seja, as diferenças entre os genitais e outras partes do corpo não tornam automaticamente morais ou imorais as práticas que os envolvam. Temos de justificar essas posições morais de formas que não sejam simplesmente um apelo a este facto.

Na questão em discussão, é preciso saber se as diferenças entre os genitais e outras partes do corpo legitimam um tratamento ético diferenciado da prostituição em relação a outras profissões. Dito de outro modo, será que a prostituição "não é um trabalho como os outros" do ponto de vista moral, simplesmente porque quem tem esse trabalho usa os genitais e não as mãos, ou os pés, ou o cérebro, ou os olhos.

A minha posição, como já se viu, é a de que a resposta a esta interrogação é "não". Porquê? Porque considero que a liberdade individual é mais importante nesta questão do que as alegadas diferenças entre os genitais e outros órgãos. Não estou a tentar negar o óbvio ou a tentar tratar de modo igual "aquilo que todos nós, de tantas formas, sabemos ser diferente". Estou simplesmente a questionar a relevância dessa diferença para a situação em discussão.
Para a mim a diferença é relevante. Se é decisiva ou não, tenho dúvidas; relevante é.

Já agora, não nos vestimos para proteger pessoas sensíveis. Vestimo-nos por isso, por motivos de ajustamento à temperatura, por questões de limpeza (se não usássemos roupa interior, tínhamos de lavar calças e afins com bem maior frequência xD), e, exatamente, porque a generalidade das pessoas não gosta de se expor. em casa, no verão, a generalidade das pessoas anda nua por sistema? não, e não me parece que seja (só) por ter medo de eventuais secreções deixarem manchas no sofá x) Quanto ao exemplo dos ginecologistas/urologistas, óbvio que têm de existir e ser respeitados como quaisquer outros médicos - cuidam, tratam e previnem alterações patológicas (e fisiológicas) da respetiva área. é um plano um pouco diferente daquele que estamos a falar aqui, de que é alugar (?, já que não é vender) o uso de uma parte do corpo a troco de dinheiro (que, voltando ao início - eu até já estou farta de me ouvir, a sério!- para ti é irrelevante tratarem-se dos genitais, para outras pessoas não é irrelevante).
 
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Para a mim a diferença é relevante. Se é decisiva ou não, tenho dúvidas; relevante é.

Já agora, não nos vestimos para proteger pessoas sensíveis. Vestimo-nos por isso, por motivos de ajustamento à temperatura, por questões de limpeza (se não usássemos roupa interior, tínhamos de lavar calças e afins com bem maior frequência xD), e, exatamente, porque a generalidade das pessoas não gosta de se expor. em casa, no verão, a generalidade das pessoas anda nua por sistema? não, e não me parece que seja (só) por ter medo de eventuais secreções deixarem manchas no sofá x) Quanto ao exemplo dos ginecologistas/urologistas, óbvio que têm de existir e ser respeitados como quaisquer outros médicos - cuidam, tratam e previnem alterações patológicas (e fisiológicas) da respetiva área. é um plano um pouco diferente daquele que estamos a falar aqui, de que é alugar (?, já que não é vender) o uso de uma parte do corpo a troco de dinheiro (que, voltando ao início - eu até já estou farta de me ouvir, a sério!- para ti é irrelevante tratarem-se dos genitais, para outras pessoas não é irrelevante).

Não estava a falar das razões que nos levam a vestir, mas das razões que nos levam a não andar nus, o que é subtilmente diferente. Dei um exemplo de uma situação em que os genitais são tratados de modo diferente. É claro que as pessoas que não gostam de se expor não o fazem; estava a tentar argumentar sobre as razões que impedem as pessoas que não se importam de se expor de o fazer.

Quanto aos urologistas e ginecologistas, é claro que é uma situação diferente. Tal como a situação de nos cobrirmos na rua. A minha intenção era apenas a de dar exemplos de situações que envolvem os genitais e nas quais isso tem ou não tem relevância moral.

Aceito que para ti seja relevante. Mas porquê? É que isso é que tem de ser esmiuçado. Se estás farta de te ouvir é porque, a meu ver, não estás a responder à pergunta relevante que permitiria justificar realmente a tua posição: é relevante em que medida? Porque é que a diferença entre os genitais e outras partes do corpo, entre o sexo e outras actividades, acarreta a necessidade de tratar a prostituição de modo moralmente diferente?

É que, se não tiveres resposta a dar a isso, não acho descabido pôr a hipótese de a tua posição estar a ser influenciada pelo tipo de factores que já mencionei e que têm de ser postos de parte numa análise ética.
 
E a Alt-right portuguesa, hã? A Nova Portugalidade apoiada pelos grunhos do PNR: não tenhamos cuidado e daqui a uns tempos têm assento parlamentar.
 
E a Alt-right portuguesa, hã? A Nova Portugalidade apoiada pelos grunhos do PNR: não tenhamos cuidado e daqui a uns tempos têm assento parlamentar.

A Nova Portugalidade, a mesma que faz vénias tanto a Salazar, como a Fidel Castro, Thomas Sankara ou Hugo Chavéz?
 
A Nova Portugalidade, a mesma que faz vénias tanto a Salazar, como a Fidel Castro, Thomas Sankara ou Hugo Chavéz?
A Nova Portugalidade que dá Salazar como exemplo a seguir, glorifica Trump e o Brexit, tem no seu dirigente mais conhecido um membro da JP e que é apoiada por todo o tipo de saudosistas do fascismo.
 
A Nova Portugalidade que dá Salazar como exemplo a seguir, glorifica Trump e o Brexit, tem no seu dirigente mais conhecido um membro da JP e que é apoiada por todo o tipo de saudosistas do fascismo.

Dá o exemplo do Professor Salazar, mas também o dá de Thomas Sankara e de Fidel Castro. Em que ficamos?

Só se forem saudosistas do Nacional Sindicalismo de Rolão Preto, suprimido em 1934 por Salazar, porque de resto não existiu nenhum movimento fascista organizado em Portugal. Os principais referenciais ideológicos de Salazar eram Charles Maurras, a doutrina social da ICAR e o Integralismo Lusitano e nenhum dos três era Fascista, além de considerar o Fascismo, como uma "adoração pagã pelo Estado", uma frase cunhada pelo Papa Pio XI na encíclica Non abbiamo bisogno.