Discussões político-sócio-económicas

Ariana_

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mas não tenho o direito a acabar com a vida de alguém
Mas a eutanásia também não é isso. As pessoas que efectivamente tomam a decisão de acabar com a vida de alguém são as próprias pessoas e um conjunto de pessoas que pertencem a um grupo especializado em lidar com questões de vida e morte. Não há uma separação entre o eu e a minha vontade e o conjunto de pessoas que profissionalmente são formadas para intervir, logo, a decisão não parte unicamente do "direito de acabar com a vida".

Alargando ligeiramente a questão, então e o suicídio é o quê? Ao fim e ao cabo, é justamente uma expressão do direito sobre a vida.

toda a vida é igual e preciosa
De acordo.
 

Gajodobeem

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Estas duas situações não são iguais. Há uma diferença que torna esta ilação pouco sustentada.
Só disse que o axioma (vida) é comum. Mas gostava que apontasse essa diferença (por genuína curiosidade)
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Não há uma separação entre o eu e a minha vontade e o conjunto de pessoas que profissionalmente são formadas para intervir,
Certo, mas não achas que esses profissionais e toda a sociedade antes de dar um salto tão grande devia intensificar os cuidados paliativos? Afinal a ciência médica serve principalmente para suprimir o sofrimento físico e, no limite, psíquico. Admito que não tenho muitos dados sobre os cuidados paliativos em Portugal, mas não creio que sejam os melhores
Alargando ligeiramente a questão, então e o suicídio é o quê? Ao fim e ao cabo, é justamente uma expressão do direito sobre a vida.
O suicídio é ilícito, e quem o incentive tem devido castigo
 
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Alfa

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Só disse que o axioma (vida) é comum. Mas gostava que apontasse essa diferença (por genuína curiosidade)
Entre matar uma pessoa (sem que esta o queira, claro) e suicidar-me (ou ser auxiliado nessa tarefa, como no caso da eutanásia)? O desejo, consentimento e respeito pela liberdade de decisão da pessoa que morre, naturalmente. São situações moralmente diferentes. Podes até argumentar que essa diferença moral não é suficiente para condenar uma e aprovar outra, mas isso requer mais sustentação do que simplesmente dizer "uma é errada, logo a outra também".
 

Gajodobeem

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Entre matar uma pessoa (sem que esta o queira, claro) e suicidar-me (ou ser auxiliado nessa tarefa, como no caso da eutanásia)? O desejo, consentimento e respeito pela liberdade de decisão da pessoa que morre, naturalmente. São situações moralmente diferentes. Podes até argumentar que essa diferença moral não é suficiente para condenar uma e aprovar outra, mas isso requer mais sustentação do que simplesmente dizer "uma é errada, logo a outra também
Sim, esses três vocábulos que indicas são a diferença, mas uma pessoa perfeitamente saudável pode desejar morrer e dar o seu consentimento para tal. Como aconteceu com um homem na Alemanha que (creio eu) escreveu um documento particular a dar o consentimento a um outro homem para que este o matasse e de seguida o consumisse (já arranjo o link, mas deves conhecer) não foi por isso que o outro não foi para a cadeia.
Creio que não é possível calcular o quantum de sofrimento justificativo da morte, sendo questionável o grau de consciência de quem pretenda sofrer eutanásia.
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não podes usar o lápis do João, logo o João não pode usar o próprio lápis.
Lê o último parágrafo da minha resposta acima, como és de medicina talvez me conseguisses esclarecer melhor essa dúvida
 

Ariana_

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Certo, mas não achas que esses profissionais e toda a sociedade antes de dar um salto tão grande devia intensificar os cuidados paliativos?
E não têm existido esforços nesse âmbito? Têm e o que se tem vindo a colocar é que não respondem suficientemente bem a todos os casos. Legalizar a eutanásia não é do nada todos os doentes terminais irem recorrer à morte medicamente assistida. Eu não me coloco num espectro em que a eutanásia é solução para tudo, mas considero que a posição mais abrangente passa justamente por aprovar a legalização. Quem não quer, tem precisamente o direito de exercer essa vontade. Continuar ilegal só trará riscos, a meu ver.

O suicídio é ilícito, e quem o incentive tem devido castigo
Certo, mas não podes penalizar alguém já morto. A pessoa infligiu algo sobre si mesma, que é uma das consequências do livre-arbítrio. Obviamente que incentivar é um crime, nunca foi isso que esteve em causa, de todo. Legalizar a eutanásia não é incentivar a eutanásia.
 

Alfa

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Como aconteceu com um homem na Alemanha que (creio eu) escreveu um documento particular a dar o consentimento a um outro homem para que este o matasse e de seguida o consumisse (já arranjo o link, mas deves conhecer) não foi por isso que o outro não foi para a cadeia.
Eu conheço essa situação e ela difere em muitos aspectos relevantes desta. O assassino (e, provavelmente, o assassinado) não estava em condições mentais propícias a praticar um acto desses de modo que possa ser aprovado eticamente. Fazer uma comparação disso com a eutanásia não é intelecualmente honesto.

Creio que não é possível calcular o quantum de sofrimento justificativo da morte, sendo questionável o grau de consciência de quem pretenda sofrer eutanásia.
E precisamente por isso é a pessoa quem deve avaliar, sendo capaz disso, se o seu sofrimento diminui a sua qualidade de vida e dignidade o suficiente para tomar a decisão de morrer. Não é o médico, por exemplo, que vai dizer "esta pessoa está a sofrer muito, matemo-la".
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Legalizar a eutanásia não é incentivar a eutanásia.
E o que está em questão não é a legalização, é a despenalização.

EDIT: Estive a ver e não estou seguro de que haja uma diferença entre estas coisas no quadro penal português. Talvez alguém de direito possa esclarecer isto melhor.
 

Brooklyn

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Certo, mas não achas que esses profissionais e toda a sociedade antes de dar um salto tão grande devia intensificar os cuidados paliativos? Afinal a ciência médica serve principalmente para suprimir o sofrimento físico e, no limite, psíquico. Admito que não tenho muitos dados sobre os cuidados paliativos em Portugal, mas não creio que sejam os melhores
Mas porque é que uma coisa vai impedir a outra?
Devem ser dadas as melhores condições para que as pessoas tenham um fim de vida digno, aqui também estou a incluir a possibilidade de escolher terminar a sua vida sem sofrimento.
Consideras que sofrimento é só a dor física?
 

Andreia C.

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Há certos direitos, ditos fundamentais, aos quais não podes renunciar. A vida é um deles. Temos direito à vida, não sobre a vida.
Diz-me uma coisa: e o direito à vida digna, à qualidade de vida? E o direito de viver? (que não é igual ao direito de vida)

Tens razão, não é sinónimo de eutanásia, mas não tenho o direito a acabar com a vida de alguém, logo não tenho direito a acabar com a minha, toda a vida é igual e preciosa
Não é isso que se propõe.... A vida é definida de muitas maneiras diferentes. Tu acabas com a capacidade do coração bater, a vida para muitas pessoas em situação de hipotética eutanásia e mesmo em paliativos é a de não viverem. (Elaboro sobre os paliativos em baixo)

Certo, mas não achas que esses profissionais e toda a sociedade antes de dar um salto tão grande devia intensificar os cuidados paliativos? Afinal a ciência médica serve principalmente para suprimir o sofrimento físico e, no limite, psíquico. Admito que não tenho muitos dados sobre os cuidados paliativos em Portugal, mas não creio que sejam os melhores
1. Paliativos é diferente de eutanásia e servem diferentes populações. Estás ciente disso? Não está em cuidados paliativos só "quem está para morrer". Ponto um que deve estar bem definido.
2. Os cuidados paliativos estão limitados por aquilo que é possível fazer. Ou seja, uma pessoa tem dor, eu dou-lhe Fentanilo (um opioide), a dor não se resolve - porque hey, há dor tão grave que analgésicos fortes não resolvem -, passamos a morfina, a pessoa continua com sinais de dor que não são verbalizados porque a dose que foi necessária para reduzir um pouco a dor - não eliminá-la - foi tão grande que agora a pessoa está adormecida. A dor continua a ser tão grande que preciso de lhe dar Fentanilo e Morfina. A pessoa já não fala, a pessoa já não se mexe, a pessoa continua a viver?
3. Os cuidados paliativos em Portugal são bastante bons, tendo em conta o que temos disponível. As pessoas acham que não porque só olham para o que está àa frente, porque o que é possível fazer para os seus familiares é o que a medicina - e Portugal - nos consegue oferecer (e não, não temos todo o equipamento necessário, mas com o que temos, fazemos um grande trabalho na maioria das vezes).
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Mas porque é que uma coisa vai impedir a outra?
Devem ser dadas as melhores condições para que as pessoas tenham um fim de vida digno, aqui também estou a incluir a possibilidade de escolher terminar a sua vida sem sofrimento.
Consideras que sofrimento é só a dor física?
Acrescento: (para o GajoDoBem) Achas que a morte é um processo isolado de dor física?
(Eu só peço ao meu corpo que, quando for para morrer, se for de razões patológicas, que seja rápido.)
 
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Júlio Ribeiro

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Desculpem só responder agora, mas tenho estado pouco presente. Sobre a Joacine Katar Moreira eu disse basicamente aquilo que achava e mantenho a opinião. Queria só dizer uma coisa em relação a este comentário:

O discurso do André Ventura, em algumas questões, nomeadamente da segurança, reflete questões pertinentes que preocupam e devem preocupar a população portuguesa, e alimenta-se de sentimentos que me parecem razoáveis e compreensíveis. Os meus pais são médicos e ambos trabalham em hospitais públicos, e já foram, várias vezes, ameaçados (quase sempre por indivíduos de etnia cigana). A questão é também cultural; a mesma pessoa que estava quase a ameaçar matar o meu pai por não ser atendido logo estava pouco tempo depois quase a pedir desculpa de joelhos muito pouco tempo depois. Há, no entanto, inúmeras situações de violência nos hospitais (nomeadamente, de agressões a profissionais de saúde) que não são de todo inaceitáveis, e a segurança é manifestamente insuficiente, e deve ser reforçada de modo a garantir que não se repetem.

Eu percebo a revolta das pessoas com uma perceção de insegurança e de impunidade, mesmo num país que é, apesar de tudo, bastante seguro. Faz-me, por exemplo, alguma confusão estar com amigos no Rossio e em duzentos metros oferecerem-nos umas três vezes haxixe, que provavelmente até é louro, mas que não deixa de ser um bocado inacreditável num local que é bastante policiado.

Isto não torna legítimo um discurso xenófobo e racista que aliás não resolve nada. Ou que haja um número preocupante de polícias da PSP racistas, e um historial de conflitos entre a polícia de segurança pública e o público e bairros mais problemáticos, e escalar essas tensões não me parece ter um efeito benéfico. E, na verdade, eu até tenho alguma esperança no André Ventura, que não tenho no CHEGA. O André Ventura parece estar a surfar uma onda de populismo, e a dizer as coisas que lhe devem dar mais votos, mas acredito que é mais um comentador de futebol que um fascista convicto, como penso que se viu com toda a história do programa político retirado do site.

O CHEGA é um partido com militantes que fazem a saudação nazi ao som do hino nacional, cujo programa político é de um partido fascista, que é inteiramente oposto a vários princípios fundamentais da democracia portuguesa, para o qual não pode haver lugar.

Eu tenho uma teoria ingénua para explicar porque é que a extrema-direita não tem ou não teve até agora representação em Portugal: além de, obviamente, estar bem viva na memória coletiva a ditadura fascista do Estado Novo, nunca houve um candidato que pudesse ser levado a sério, a quem dar tempo de antena não resultasse em que qualquer pessoa razoável que o ouvisse decidisse que não ia votar nele. A usar de forma inteligente a comunicação social, o André Ventura foi o primeiro candidato sério, e foi eleito.

Acho que é mais ou menos inevitável que o CHEGA alargue a sua representação parlamentar nas próximas eleições, mas acho que não é preciso ser muito optimista para duvidar que chegue a ter uma representação relevante, e que o crescimento nas sondagens não estagne rapidamente. Em primeiro lugar, porque os partidos que têm hipótese de formar governo, que são, realisticamente, o PSD e o PS, não vão contar com o CHEGA para formar governo, até porque têm para isso o CDS e o BE/CDU, respetivamente. Em segundo, eu não sei até que ponto é que a ascensão do CHEGA não é à custa de uma queda do CDS. Em terceiro, Portugal é uma democracia desenhada para impedir que isso aconteça, e eu tenho alguma fé que a maior parte das pessoas prestou atenção suficiente nas aulas de história, ou as viveu o suficiente para entender que as ideias que defendem só têm e só podem ter espaço no passado. E eu devia estar a estudar.
Eu não disse que o discurso de André Ventura seria legítimo aos meus olhos, pelo contrário. O que eu disse é que, apesar de que não o deveria ser, a uma parte da população esse discurso é legítimo - e dará votos acredito eu, olhando até para as sondagens.

Achas que o PSD não pactará com o Chega para formar governo? Se for o Rui Rio acredito que não, mas se o líder do PSD for Pedro Passos Coelho ou Luís Montenegro, não meteria as minhas mãos no fogo por causa disso. Eram bem capazes de ficar escaldadas.

Quanto ao CHEGA, eu acho que é capaz de roubar votos ao CDS, mas não só. À Iniciativa Liberal, ao PSD ou mesmo ao PCP acredito que algum eleitorado possa ser atingido e seduzido pelo discurso fácil e populista de André Ventura. Mas sim, acho que o CHEGA engolirá o CDS.

De resto, totalmente de acordo. Aliás, as minhas poucas discordâncias aqui apresentadas são pormenores face ao texto escrito, como creio que consegues compreender.

Só um ponto: acho que Portugal é mesmo um país inseguro, no geral, e só não parece mais porque felizmente os terroristas não chegam ao nosso território para cometer atos bárbaros. Mas isto pode justificar que talvez seja preciso mais polícias ou uma melhor reestruturação das polícias (sinceramente, um tópico que não quero discutir por desconhecimentos na área), não um discurso como o do André Ventura que quer uma polícia ao nível do Estado Novo.
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Quanto á Eutanásia, costuma ter uma posição que, quem é fervorosamente contra a Eutanásia diz que é uma porta de abertura e quem é a favor acha que é o igual a nada.

Neste momento, face aos 5 projetos de lei apresentados, votaria contra. Do meu ponto de vista, e daquilo que acredito que possa ser a eutanásia/suicídio assistido, os projetos não são suficientemente garantistas no meu ponto de vista por algumas razões (é demasiado subjetivo o conceito de lesão incurável e definitiva, e um sofrimento atroz, que juridicamente poderá levar à rampa deslizante no futuro, alguns projetos falam em sofrimento físico ou psíquico - se não estou em erro é o do PAN e do BE, e acho que o psíquico nunca deveria entrar) e gostaria que fosse mais preciso nalguns questões, como por exemplo o tempo de duração do processo que não está presente em todos os projetos (para garantir que é uma vontade reiterada).

Outra coisa que me preocupa, e que na minha opinião devia ser obrigatório antes de se exercer a eutanásia, era a passagem pela rede dos cuidados paliativos (na verdade, acho que primeiro se devia reforçar em capacidade e meios para chegar a toda a população que dela necessite antes de se partir para a eutanásia) e uma substancial melhoria das redes de lares para idosos. Não em todos, infelizmente, como a @Andreia C. muito bem explicou, mas em muitos casos a eutanásia consegue ter a capacidade de eliminar a dor insuportável (e confesso que já vi enfermeiros a dizerem que os cuidados paliativos eliminam a dor e outros que não) e, provavelmente, muitas pessoas que pedem a eutanásia não a pediriam se tivessem os cuidados paliativos e o amor e carinho necessários da família para a sua doença. Como vi escrito num artigo de opinião (ontem ou hoje), e do qual concordo neste ponto, a eutanásia sem a existência de cuidados paliativos é "coagir uma pessoa a uma escolha enviesada e capciosa" (palavras de Miguel Oliveira da Silva, obstetra e professor de Ética Médica).

Não achando que seja uma liberdade individual (e creio que a maior prova disso é que não chega pedir para morrer mas é necessário cumprir um conjunto de requisitos), concordo com o princípio de que uma pessoa, de forma informada, livre (e já expliquei porque acho que neste momento a escolha não seria livre) e consciente (me pergunto como alguns projetos são capazes de conferir isto sem se consultar um especialista em psiquiatria?), que esteja num sofrimento de tal ordem que é insuportável, atroz, que caminhe a passos largos para o fim da vida e que já não sairá mais daquele sofrimento ou pior até ao fim dos seus dias (mas gostava que houvesse critérios mais objetivos, que sei que é difícil, para evitar a rampa deslizante) e que tenha a capacidade e queira pôr termo à sua vida deverá poder fazê-lo.

A eutanásia / suicídio assistido (acho que o segundo era preferível) deve ser uma exceção para casos muito pontuais e não a regra, na minha opinião.

Já agora, só mais 3 notas:
-» Acho que se deveria pensar numa solução à Suíça, em eventualmente aprovar o suicídio assistido em vez da eutanásia, que para mim não é uma questão de pormenor. Penso que todos aqui sabem quais são as diferenças, por isso não vou escrever aqui;
-» Não vi ninguém falar sobre o referendo. Se ele existir, irei dar a minha opinião, mas acho um tema demasiado complexo e com demasiadas nuances para ser debatido num referendo, aliás, nem imagino uma pergunta sobre o tema sequer. Já agora, também não percebo a pressa de ser aprovado já o tema e quererem que ele já esteja ativo no Verão, acho que poderia ser um tema mais falado em campanhas eleitorais, comícios, palestras, debates, etc antes de uma decisão final nos 230 representantes;
-» Preocupa-me muito que desde da Ordem dos Médicos aos pareceres da Comissão Nacional de Ética para as Ciências da Vida dêem todos, em uníssono, pareceres negativos sobre os projetos lei apresentados em cima da mesa.

Estou pronto para que me dêem na cabeça dos dois lados 😂

Uma última preocupação: 6 médicos admitiram ter praticado eutanásia sem a lei eventualmente estar aprovada. Como é que olham para este caso os alunos de Medicina/Enfermagem?
 
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Andreia C.

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Quanto á Eutanásia, costuma ter uma posição que, quem é fervorosamente contra a Eutanásia diz que é uma porta de abertura e quem é a favor acha que é o igual a nada.

Neste momento, face aos 5 projetos de lei apresentados, votaria contra. Do meu ponto de vista, e daquilo que acredito que possa ser a eutanásia/suicídio assistido, os projetos não são suficientemente garantistas no meu ponto de vista por algumas razões (é demasiado subjetivo o conceito de lesão incurável e definitiva, e um sofrimento atroz, que juridicamente poderá levar à rampa deslizante no futuro, alguns projetos falam em sofrimento físico ou psíquico - se não estou em erro é o do PAN e do BE, e acho que o psíquico nunca deveria entrar) e gostaria que fosse mais preciso nalguns questões, como por exemplo o tempo de duração do processo que não está presente em todos os projetos (para garantir que é uma vontade reiterada).

Outra coisa que me preocupa, e que na minha opinião devia ser obrigatório antes de se exercer a eutanásia, era a passagem pela rede dos cuidados paliativos (na verdade, acho que primeiro se devia reforçar em capacidade e meios para chegar a toda a população que dela necessite antes de se partir para a eutanásia) e uma substancial melhoria das redes de lares para idosos. Não em todos, infelizmente, como a @Andreia C. muito bem explicou, mas em muitos casos a eutanásia consegue ter a capacidade de eliminar a dor insuportável (e confesso que já vi enfermeiros a dizerem que os cuidados paliativos eliminam a dor e outros que não) e, provavelmente, muitas pessoas que pedem a eutanásia não a pediriam se tivessem os cuidados paliativos e o amor e carinho necessários da família para a sua doença. Como vi escrito num artigo de opinião (ontem ou hoje), e do qual concordo neste ponto, a eutanásia sem a existência de cuidados paliativos é "coagir uma pessoa a uma escolha enviesada e capciosa" (palavras de Miguel Oliveira da Silva, obstetra e professor de Ética Médica).

Não achando que seja uma liberdade individual (e creio que a maior prova disso é que não chega pedir para morrer mas é necessário cumprir um conjunto de requisitos), concordo com o princípio de que uma pessoa, de forma informada, livre (e já expliquei porque acho que neste momento a escolha não seria livre) e consciente (me pergunto como alguns projetos são capazes de conferir isto sem se consultar um especialista em psiquiatria?), que esteja num sofrimento de tal ordem que é insuportável, atroz, que caminhe a passos largos para o fim da vida e que já não sairá mais daquele sofrimento ou pior até ao fim dos seus dias (mas gostava que houvesse critérios mais objetivos, que sei que é difícil, para evitar a rampa deslizante) e que tenha a capacidade e queira pôr termo à sua vida deverá poder fazê-lo.

A eutanásia / suicídio assistido (acho que o segundo era preferível) deve ser uma exceção para casos muito pontuais e não a regra, na minha opinião.

Já agora, só mais 3 notas:
-» Acho que se deveria pensar numa solução à Suíça, em eventualmente aprovar o suicídio assistido em vez da eutanásia, que para mim não é uma questão de pormenor. Penso que todos aqui sabem quais são as diferenças, por isso não vou escrever aqui;
-» Não vi ninguém falar sobre o referendo. Se ele existir, irei dar a minha opinião, mas acho um tema demasiado complexo e com demasiadas nuances para ser debatido num referendo, aliás, nem imagino uma pergunta sobre o tema sequer. Já agora, também não percebo a pressa de ser aprovado já o tema e quererem que ele já esteja ativo no Verão, acho que poderia ser um tema mais falado em campanhas eleitorais, comícios, palestras, debates, etc antes de uma decisão final nos 230 representantes;
-» Preocupa-me muito que desde da Ordem dos Médicos aos pareceres da Comissão Nacional de Ética para as Ciências da Vida dêem todos, em uníssono, pareceres negativos sobre os projetos lei apresentados em cima da mesa.

Estou pronto para que me dêem na cabeça dos dois lados 😂

Uma última preocupação: 6 médicos admitiram ter praticado eutanásia sem a lei eventualmente estar aprovada. Como é que olham para este caso os alunos de Medicina/Enfermagem?
"e quem é a favor acha que é o igual a nada." Gostava de saber com que bases dizes isto. Não me parece, de todo, sustentado por quem tem opinião a favor. Se é assim que o interpretas, tudo bem, mas continuo a discordar fervorosamente.

"é demasiado subjetivo o conceito de lesão incurável e definitiva, e um sofrimento atroz, que juridicamente poderá levar à rampa deslizante no futuro, alguns projetos falam em sofrimento físico ou psíquico - se não estou em erro é o do PAN e do BE, e acho que o psíquico nunca deveria entrar" porquê?? As propostas falam de avaliação psiquiátrica. Das propostas estão excluídas as pessoas com distúrbio da saúde mental (seja depressão ou algo que faça com que a pessoa não tenha capacidade de tomar decisões).

"gostaria que fosse mais preciso nalguns questões, como por exemplo o tempo de duração do processo que não está presente em todos os projetos (para garantir que é uma vontade reiterada)." Isso é muito bonito até teres uma pessoa que não tem muito tempo de vida. Quanto tempo estimavas? Quanto tempo davas a alguém que não consegues controlar a dor - porque PODE ser psicológica e PODE não ser depressão e PODE ser irreversível.

"Outra coisa que me preocupa, e que na minha opinião devia ser obrigatório antes de se exercer a eutanásia, era a passagem pela rede dos cuidados paliativos" Ninguém diz que isso não poderá acontecer. Mas partilho a minha experiência: nem toda a "gente que está para morrer" está em cuidados paliativos propriamente ditos; atenção, Cuidados Paliativos é diferente de Unidades de Cuidados Paliativos. TODA A GENTE que está em fim de vida tem cuidados paliativos.

"na verdade, acho que primeiro se devia reforçar em capacidade e meios para chegar a toda a população que dela necessite antes de se partir para a eutanásia" Não acho que tenha obrigatoriamente de se antes, isso tem de acontecer INDEPENDENTEMENTE da discussão da eutanásia, só acho graça que a discussão"cuidados paliativos antes da eutanásia" só aconteça quando se fala da eutanásia... "engarçado"...

"substancial melhoria das redes de lares para idosos"... não entendi.

"mas em muitos casos a eutanásia consegue ter a capacidade de eliminar a dor insuportável", verdade, mas acho que querias dizer paliativos... E não, não em muitos casos. Depende da situação da pessoa. Depende até se são cuidados à pessoa em fase terminal ou não.

"muitas pessoas que pedem a eutanásia não a pediriam se tivessem os cuidados paliativos e o amor e carinho necessários da família para a sua doença" discordo, de experiência.

"A eutanásia / suicídio assistido (acho que o segundo era preferível) deve ser uma exceção para casos muito pontuais e não a regra, na minha opinião." Acho que toda a gente concorda.

Concordo que haja uma pressa demasiada, o que leva a propostas apressadas e com demasiados erros.

"Uma última preocupação: 6 médicos admitiram ter praticado eutanásia sem a lei eventualmente estar aprovada. Como é que olham para este caso os alunos de Medicina/Enfermagem?"
Pergunta ingrata e mais não digo.
 
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Júlio Ribeiro

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"e quem é a favor acha que é o igual a nada." Gostava de saber com que bases dizes isto. Não me parece, de todo, sustentado por quem tem opinião a favor. Se é assim que o interpretas, tudo bem, mas continuo a discordar fervorosamente.

"é demasiado subjetivo o conceito de lesão incurável e definitiva, e um sofrimento atroz, que juridicamente poderá levar à rampa deslizante no futuro, alguns projetos falam em sofrimento físico ou psíquico - se não estou em erro é o do PAN e do BE, e acho que o psíquico nunca deveria entrar" porquê?? As propostas falam de avaliação psiquiátrica. Das propostas estão excluídas as pessoas com distúrbio da saúde mental (seja depressão ou algo que faça com que a pessoa não tenha capacidade de tomar decisões).

"gostaria que fosse mais preciso nalguns questões, como por exemplo o tempo de duração do processo que não está presente em todos os projetos (para garantir que é uma vontade reiterada)." Isso é muito bonito até teres uma pessoa que não tem muito tempo de vida. Quanto tempo estimavas? Quanto tempo davas a alguém que não consegues controlar a dor - porque PODE ser psicológica e PODE não ser depressão e PODE ser irreversível.

"Outra coisa que me preocupa, e que na minha opinião devia ser obrigatório antes de se exercer a eutanásia, era a passagem pela rede dos cuidados paliativos" Ninguém diz que isso não poderá acontecer. Mas partilho a minha experiência: nem toda a "gente que está para morrer" está em cuidados paliativos propriamente ditos; atenção, Cuidados Paliativos é diferente de Unidades de Cuidados Paliativos. TODA A GENTE que está em fim de vida tem cuidados paliativos.

"na verdade, acho que primeiro se devia reforçar em capacidade e meios para chegar a toda a população que dela necessite antes de se partir para a eutanásia" Não acho que tenha obrigatoriamente de se antes, isso tem de acontecer INDEPENDENTEMENTE da discussão da eutanásia, só acho graça que a discussão"cuidados paliativos antes da eutanásia" só aconteça quando se fala da eutanásia... "engarçado"...

"substancial melhoria das redes de lares para idosos"... não entendi.

"mas em muitos casos a eutanásia consegue ter a capacidade de eliminar a dor insuportável", verdade, mas acho que querias dizer paliativos... E não, não em muitos casos. Depende da situação da pessoa. Depende até se são cuidados à pessoa em fase terminal ou não.

"muitas pessoas que pedem a eutanásia não a pediriam se tivessem os cuidados paliativos e o amor e carinho necessários da família para a sua doença" discordo, de experiência.

"A eutanásia / suicídio assistido (acho que o segundo era preferível) deve ser uma exceção para casos muito pontuais e não a regra, na minha opinião." Acho que toda a gente concorda.

Concordo que haja uma pressa demasiada, o que leva a propostas apressadas e com demasiados erros.

"Uma última preocupação: 6 médicos admitiram ter praticado eutanásia sem a lei eventualmente estar aprovada. Como é que olham para este caso os alunos de Medicina/Enfermagem?"
Pergunta ingrata e mais não digo.
2) Eu acho que deve ser taxativamente deixado de lado qualquer pessoa que tenha um historial de depressão ou de maus-tratos por parte da família: saberás, melhor que eu, que uma pessoa com problemas depressivos tem tendência de suicídio ou de querer acabar com a sua vida e, essa situação é algo que deve ser tratada pelos devidos especialistas. Por isso me intriga pela negativa que haja projetos de lei (sei que o PAN tem mas acho que há mais algum) que tem textos que, na minha opinião, poderão permitir juridicamente que pessoas nestas situações possam requerer a eutanásia (a rampa deslizante é a coisa que mais me preocupa, além da liberdade de escolha).

3) Eu sei que é uma situação chata. Mas é preciso garantir, na minha opinião, a segurança de todo o processo e que esta não é uma ideia circunstancial ou temporária mas uma ideia que é reiterada no tempo. Concordo que a pessoa tenha de repetir várias vezes a sua vontade de morrer (creio que são 7 no caso da IL), mas a questão é quanto tempo dista entre essa vontade expressa.

4) Eu não digo que isso não poderá vir a acontecer. O que digo é que isso deveria vir a montante da eutanásia/suicídio assistido e não a jusante, o reforço da rede de cuidados paliativos e de Unidades de Cuidados Paliativos. E sim, acredito que são dados, o melhor que se sabe e que é cientificamente possível com os recursos disponíveis (escassos), os cuidados médicos e de enfermagem que são passíveis de serem exercidos. No entanto, penso que as Unidades de Cuidados Paliativos tem um outro nível de cuidados que é possível de prestar pela sua própria especialidade, e este deveria ser disponibilizado a todos os portugueses.

5) Eu sou sempre defensor de mais investimento de Cuidados Paliativos independentemente do tema da eutanásia estar ou não em discussão. Mas percebo a tua crítica, e que tem fundamento para alguns partidos / ordens religiosas.

6) Quanto á substancial melhoria de redes de lares para idosos. A oferta que temos é de péssima qualidade (e todos sabem como, infelizmente, muitos dos nossos mais idosos são tratados nos lares portugueses) e muito limitada (por vezes, a espera é enorme) e, como tal, é preciso lares (em maior quantidade, porque quero acreditar que existem) em que os idosos sejam tratados com o respeito e a dignidade que merecem. Com todo o amor e todo o carinho a que devem ter direito.

7) Queria dizer paliativos, sim. Sobre aqui, já ouvi várias opiniões, divergentes. Alguns dizem que os cuidados paliativos não conseguem solucionar a dor insuportável, outros dizem que sim (ainda na segunda-feira no prós e contras uma pessoa se orgulhou de ter tomado conta de 2500 idosos numa Unidade de Cuidados Paliativos e nem um ter um sofrimento e dor insuportável) e outros que consegue minimizar a dor na maioria das situações.

8) É uma opinião minha que muita gente quer morrer porque não tem o apoio, o carinho e os tratamentos necessários nesta fase tão delicada da vida. Acredito que muita gente continuasse a querer a eutanásia/morte assistida, mas também acredito que muita gente desistisse.

9) Quanto à pressa, estou de acordo. Não estou a favor do referendo, como já disse, porque questões destas não se referendam (e acho que não estarás também, devido ao caráter técnico e específico da matéria, porque duvido que mais de metade da população portuguesa saiba distinguir eutanásia de morte assistida e distanásia), e acho que muitos que hoje defendem o referendo apenas o fazem porque acham que a proposta irá passar como já aconteceu no passado para outros temas, com outros partidos, noutras matérias e noutras posições: ou seja, acho que funciona muitas vezes como tentar obter respaldo de algo que não se tem maioria no Parlamento do que uma vontade intrínseca e primeira de dar a palavra ao povo.

10) Quanto à questão dos 6 médicos que já praticaram eutanásia, é ingrato, sem dúvida. Mas acho que é uma questão da maior importância, porque acho que afeta a imagem de confiança dos profissionais de saúde.

(os números de resposta estão de acordo com as tuas frases)
 
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Andreia C.

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2) Eu acho que deve ser taxativamente deixado de lado qualquer pessoa que tenha um historial de depressão ou de maus-tratos por parte da família: saberás, melhor que eu, que uma pessoa com problemas depressivos tem tendência de suicídio ou de querer acabar com a sua vida e, essa situação é algo que deve ser tratada pelos devidos especialistas. Por isso me intriga pela negativa que haja projetos de lei (sei que o PAN tem mas acho que há mais algum) que tem textos que, na minha opinião, poderão permitir juridicamente que pessoas nestas situações possam requerer a eutanásia (a rampa deslizante é a coisa que mais me preocupa, além da liberdade de escolha).

3) Eu sei que é uma situação chata. Mas é preciso garantir, na minha opinião, a segurança de todo o processo e que esta não é uma ideia circunstancial ou temporária mas uma ideia que é reiterada no tempo. Concordo que a pessoa tenha de repetir várias vezes a sua vontade de morrer (creio que são 7 no caso da IL), mas a questão é quanto tempo dista entre essa vontade expressa.

4) Eu não digo que isso não poderá vir a acontecer. O que digo é que isso deveria vir a montante da eutanásia/suicídio assistido e não a jusante, o reforço da rede de cuidados paliativos e de Unidades de Cuidados Paliativos. E sim, acredito que são dados, o melhor que se sabe e que é cientificamente possível com os recursos disponíveis (escassos), os cuidados médicos e de enfermagem que são passíveis de serem exercidos. No entanto, penso que as Unidades de Cuidados Paliativos tem um outro nível de cuidados que é possível de prestar pela sua própria especialidade, e este deveria ser disponibilizado a todos os portugueses.

5) Eu sou sempre defensor de mais investimento de Cuidados Paliativos independentemente do tema da eutanásia estar ou não em discussão. Mas percebo a tua crítica, e que tem fundamento para alguns partidos / ordens religiosas.

6) Quanto á substancial melhoria de redes de lares para idosos. A oferta que temos é de péssima qualidade (e todos sabem como, infelizmente, muitos dos nossos mais idosos são tratados nos lares portugueses) e muito limitada (por vezes, a espera é enorme) e, como tal, é preciso lares (em maior quantidade, porque quero acreditar que existem) em que os idosos sejam tratados com o respeito e a dignidade que merecem. Com todo o amor e todo o carinho a que devem ter direito.

7) Queria dizer paliativos, sim. Sobre aqui, já ouvi várias opiniões, divergentes. Alguns dizem que os cuidados paliativos não conseguem solucionar a dor insuportável, outros dizem que sim (ainda na segunda-feira no prós e contras uma pessoa se orgulhou de ter tomado conta de 2500 idosos numa Unidade de Cuidados Paliativos e nem um ter um sofrimento e dor insuportável) e outros que consegue minimizar a dor na maioria das situações.

8) É uma opinião minha que muita gente quer morrer porque não tem o apoio, o carinho e os tratamentos necessários nesta fase tão delicada da vida. Acredito que muita gente continuasse a querer a eutanásia/morte assistida, mas também acredito que muita gente desistisse.

9) Quanto à pressa, estou de acordo. Não estou a favor do referendo, como já disse, porque questões destas não se referendam (e acho que não estarás também, devido ao caráter técnico e específico da matéria, porque duvido que mais de metade da população portuguesa saiba distinguir eutanásia de morte assistida e distanásia), e acho que muitos que hoje defendem o referendo apenas o fazem porque acham que a proposta irá passar como já aconteceu no passado para outros temas, com outros partidos, noutras matérias e noutras posições: ou seja, acho que funciona muitas vezes como tentar obter respaldo de algo que não se tem maioria no Parlamento do que uma vontade intrínseca e primeira de dar a palavra ao povo.

10) Quanto à questão dos 6 médicos que já praticaram eutanásia, é ingrato, sem dúvida. Mas acho que é uma questão da maior importância, porque acho que afeta a imagem de confiança dos profissionais de saúde.

(os números de resposta estão de acordo com as tuas frases)
2) Discordo. Uma pessoa com depressão ou vítima de "maus tratos" tem tanta probabilidade de estar em fim de vida e sofrer quanto outra. E não é a depressão anterior ou outro ponto anterior que, se for feita uma boa avaliação, vai por o que quer que seja em causa.

3) Eu, enquanto futura profissional, não te consigo definir uma janela em que a pessoa tenha de continuar a sofrer e a pedir para morrer.

4) Discordo, discordo, discordo. E tenho dito. Edit: atenção, eu defendo os cuidados paliativos, discordo apenas do que dizes relativamente ao facto de que toda a gente deveria passar por uma unidade de paliativos. Não acho que deva ser assim, por diversas razões.

5) Não falemos em ordens religiosas, por favor.

6)Lares são privados. Lares não implicam redução de sofrimento. Foi por isso que não percebi a pertinência do teu comentário e continuo sem perceber.

7) Ok. Eu no que vivi e duvido muito, mas ok. Continuo com a minha opinião.

8) Discordo. Muita gente que quer morrer tem uma rede de apoio que talvez tu ou eu não tenhamos. O que acontece é que a família nao consegue deixar a pessoa ir.

10) É uma questão que pode por a vida profissional ou a futura vida profissional do profissional ou aluno em causa. É por isso que é ingrata.
 
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Alfa

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Espero que sim.

No entanto, não deixa de ser tristemente revelador do que é este país que tenha sido necessário ocorrer uma coisa destas a um jogador de futebol para falarmos nisto desta maneira. Não é que nos faltassem exemplos de situações (algumas muito recentes) que nos poderiam encorajar a discutir seriamente o racismo. Nem sequer nos faltam exemplos de situações envolvendo atletas. Mas pronto, era preciso chegar ao futebol para prestarmos atenção.

(Desculpem o rant. É claro que acho que é preferível que se encare o racismo de frente do que não, seja o motivo o futebol ou não.)
 

Tiago89

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Espero que sim.

No entanto, não deixa de ser tristemente revelador do que é este país que tenha sido necessário ocorrer uma coisa destas a um jogador de futebol para falarmos nisto desta maneira. Não é que nos faltassem exemplos de situações (algumas muito recentes) que nos poderiam encorajar a discutir seriamente o racismo. Nem sequer nos faltam exemplos de situações envolvendo atletas. Mas pronto, era preciso chegar ao futebol para prestarmos atenção.

(Desculpem o rant. É claro que acho que é preferível que se encare o racismo de frente do que não, seja o motivo o futebol ou não.)
Isto é recorrente no futebol, nesse jogo o que foi inédito em Portugal foi o jogador ter abandonado o relvado.
 

disruptedmind

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Hmm. Eu não gosto de política mas como não sei nada de política, em especial de política portuguesa fiquei surpreendido ao ver que ainda há partidos de extrema direita e de extrema esquerda. Compreendo que seja "livre expressão" e tal mas não seria melhor haver um BAN desse tipo de partidos? Não acho que extremismos são produtivos de maneira alguma, especialmente para satisfazer as necessidades de mais de 10 milhões de pessoas que são todas diferentes.
 

Alfa

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Hmm. Eu não gosto de política mas como não sei nada de política, em especial de política portuguesa fiquei surpreendido ao ver que ainda há partidos de extrema direita e de extrema esquerda. Compreendo que seja "livre expressão" e tal mas não seria melhor haver um BAN desse tipo de partidos? Não acho que extremismos são produtivos de maneira alguma, especialmente para satisfazer as necessidades de mais de 10 milhões de pessoas que são todas diferentes.
Eu não colocaria os dois no mesmo saco.
 
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