Discussões político-sócio-económicas

Em quem votarás nas eleições legislativas 2022?

  • PS - Partido Socialista

    Votes: 7 13.7%
  • PPD/PSD - Partido Social Democrata

    Votes: 5 9.8%
  • PCP-PEV - Coligação Democrática Unitária

    Votes: 6 11.8%
  • BE - Bloco de Esquerda

    Votes: 9 17.6%
  • CDS-PP - Partido Popular

    Votes: 0 0.0%
  • PAN - Pessoas–Animais–Natureza

    Votes: 2 3.9%
  • IL - Iniciativa Liberal

    Votes: 11 21.6%
  • NC - Nós, Cidadãos!

    Votes: 0 0.0%
  • PCTP/MRPP - Partido Comunista dos Trabalhadores Portugueses

    Votes: 0 0.0%
  • PTP - Partido Trabalhista Português

    Votes: 0 0.0%
  • E - Ergue-te (ex-PNR - Partido Nacional Renovador)

    Votes: 0 0.0%
  • PDR - Partido Democrático Republicano

    Votes: 0 0.0%
  • MPT - Partido da Terra

    Votes: 0 0.0%
  • PURP - Partido Unido dos Reformados e Pensionistas

    Votes: 0 0.0%
  • L - LIVRE

    Votes: 4 7.8%
  • MAS - Movimento Alternativa Socialista

    Votes: 0 0.0%
  • PPM - Partido Popular Monárquico

    Votes: 1 2.0%
  • JPP - Juntos pelo Povo

    Votes: 0 0.0%
  • A - Aliança

    Votes: 0 0.0%
  • CH - Chega

    Votes: 6 11.8%
  • R.I.R. - Reagir Incluir Reciclar

    Votes: 0 0.0%
  • VP - Volt Portugal

    Votes: 0 0.0%

  • Total voters
    51
a comunicação social toda contra o AV
O facto de que os apoiantes do AV apontam logo o dedo para as mil e umas estratégias demónicas da comunicação social, de organizações e de outras campanhas políticas é hilariante já que se esquecem de olhar para as técnicas manipulativas usadas pela própria campanha do AV.

Vamos ser sinceros, esta técnica de herói/mártir usada pela campanha é genial. Quaisquer bons resultados que o CHEGA ou o AV obtenham são exacerbados imediatamente pelos militantes porque são resultados obtidos com todos contra eles. Quaisquer maus resultados têm logo o bode expiatório pronto. O que é triste é que é uma técnica usada há, literalmente, milhares de anos e, ainda assim, parece que a política deixou de interessar em favor deste tipo de retóricas um bocado estúpidas e sem significado nenhum.

Inclusive, os apoiantes do AV não tiveram problemas nenhuns em partilhar e defender uma sondagem do Observador, partilhada aqui, com métodos dúbios e uma notícia desenhada para dizer que "Quase metade dos portugueses concorda com AV em relação à prisão perpétua" quando, na verdade, menos de 1/3 dos inquiridos respondeu que concordava. Esta mesma sondagem foi mencionada pelo AV durante um dos debates políticos. Como esta notícia temos muitas outras que vocês tanto partilham enquanto, ao mesmo tempo, dizem que a comunicação social está contra vocês e contra o vosso partido.

Se não achas correto os portugueses serem manipulados pela comunicação social, como sugeres que são, sugiro-te partilhares dos mesmos princípios no que toca ao teu partido.

Já agora, se queres falar de lábios vermelhos de pessoas sugiro-te criares um tópico de Moda e Maquilhagem aqui no fórum em vez de num tópico chamado "Discussões político-sócio-económicas".
 
O facto de que os apoiantes do AV apontam logo o dedo para as mil e umas estratégias demónicas da comunicação social, de organizações e de outras campanhas políticas é hilariante já que se esquecem de olhar para as técnicas manipulativas usadas pela própria campanha do AV.

Vamos ser sinceros, esta técnica de herói/mártir usada pela campanha é genial. Quaisquer bons resultados que o CHEGA ou o AV obtenham são exacerbados imediatamente pelos militantes porque são resultados obtidos com todos contra eles. Quaisquer maus resultados têm logo o bode expiatório pronto. O que é triste é que é uma técnica usada há, literalmente, milhares de anos e, ainda assim, parece que a política deixou de interessar em favor deste tipo de retóricas um bocado estúpidas e sem significado nenhum.

Inclusive, os apoiantes do AV não tiveram problemas nenhuns em partilhar e defender uma sondagem do Observador, partilhada aqui, com métodos dúbios e uma notícia desenhada para dizer que "Quase metade dos portugueses concorda com AV em relação à prisão perpétua" quando, na verdade, menos de 1/3 dos inquiridos respondeu que concordava. Esta mesma sondagem foi mencionada pelo AV durante um dos debates políticos. Como esta notícia temos muitas outras que vocês tanto partilham enquanto, ao mesmo tempo, dizem que a comunicação social está contra vocês e contra o vosso partido.

Se não achas correto os portugueses serem manipulados pela comunicação social, como sugeres que são, sugiro-te partilhares dos mesmos princípios no que toca ao teu partido.

Acho que estás a justapor dois conceitos completamente diferentes, o da comunicação social, cujo dever de imparcialidade e rigor é exigido pelo código deontológico que assiste ao trabalho de um jornalista, com o da comunicação político-partidária, que como é natural não está sujeita a esse escrutínio. Não isenta, como é óbvio, a comunicação do CHEGA e do candidato André Ventura de erros, que obviamente existiram e seria estranho não existirem numa máquina partidária com pouco mais de um ano.

O que é factual é que a campanha anti-Ventura abunda na comunicação social, com reportagens feitas em momentos estratégicos, caso da reportagem da SIC A Grande Ilusão, ou caso deste artigo, publicado um dia antes das eleições presidenciais, bem como a hostilidade de diversos entrevistadores na condução das entrevistas que fizeram ao AV, caso do João Adelino Faria da RTP, Bento Rodrigues na SIC ou o Manuel Luís Goucha na TVI. São poucos casos dentro da avalanche de episódios onde a hostilidade com o André Ventura foi lugar comum por parte de "profissionais" que deontologicamente deveriam pautar a sua conduta pela imparcialidade e rigor.

É essencialmente a contestação dos burgueses de esquerda, urbanos e alheados da realidade, do género do Diogo Faro e João Quadros, que não enxergam que esse tipo de hostilidade só dá mais força ao CHEGA e ao André Ventura, porque as pessoas sentem-se identificadas com o discurso do André Ventura e com o apontar dos problemas do País que os políticos profissionais se recusam sequer a considerar como problemas. Enquanto não perceberem isso, continuarem a tomar os apoiantes do CHEGA como intelectualmente diminuídos e enquanto as elites que circulam no eixo Príncipe Real-Chiado não entenderem essa necessidade de moralizar a vida pública que o André Ventura enfatiza, apontando o dedo às faces corruptas do regime e às benesses principescas que usufruem, bem como à disparidade de regalias entre os Portugueses que trabalham e levam para a frente este País enquanto outros vivem da subsídio-dependência e trabalho alheio, nada fará parar a explosão eleitoral do CHEGA e o esmagamento da esquerda.

Já agora, se queres falar de lábios vermelhos de pessoas sugiro-te criares um tópico de Moda e Maquilhagem aqui no fórum em vez de num tópico chamado "Discussões político-sócio-económicas".

É suposto quê? Ter piada? Ofender?
 
Última edição:
Eu acho que o segundo lugar de Ventura no Alentejo é facilmente explicável. A etnia cigana é mais predominante nesta região e as pessoas convivem diariamente com determinados problemas que mais ninguém fala. Basta irem a Évora e irem a um supermercado e vão ser logo importunados, desde pedidos de moedas a colocarem-se junto às pessoas quase que a intimidarem, isto dura há décadas. Quem convive com isto diariamente vive num clima de receio e não vê "apoio" ou alguém que toque neste tema e que o tente resolver. É aqui que o Ventura pega nestes problemas e os usa como bandeira, não é por acaso que ele apostou forte nos distritos de Évora e Portalegre ( curiosamente onde dominou). Por isso, acho que está na altura dos demais partidos começarem a analisar este tipo de problemas que efetivamente existem, isto, se não quisermos ter daqui por 2 anos um forte crescimento da extrema direita em Portugal. Quando ele não tiver estes temas populistas para falar, perde o seu "escudo". Meter os problemas para debaixo do tapete e fingir que não existem, é condenar a democracia em Portugal.
Sim, o Chega tem a aprovação que tem no Alentejo também por isso, não duvido. Eu próprio já tive vários problemas com a comunidade cigana envolvendo violência física por parte deles e já perdi a conta às vezes que vi acontecer com outras pessoas. Como já disse e repito: subscrevo na totalidade o que o José Manuel Fernandes disse no vídeo que eu postei anteriormente, os partidos não querem saber disso e o Chega pegou nesse assunto. Muita gente fica chocada quando eu digo isto dos ciganos, meus caros só quem está muito longe deles em bares da moda e cafés chiques (como disse o José Manuel Fernandes) é que diz que este discurso é racismo.
 
Última edição:
Eu não esperava por isto...just kidding

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É possível que ele tenha a ascensão que tem no Alentejo por isso, é muito bem possível. Eu próprio já tive vários problemas com a comunidade cigana envolvendo violência física por parte deles e já perdi a conta às vezes que vi acontecer com outras pessoas. Como já disse e repito: subscrevo na totalidade o que o José Manuel Fernandes disse no vídeo que eu postei anteriormente, os partidos não querem saber disso e o Chega pegou nesse assunto. Muita gente fica chocada quando eu digo isto dos ciganos, meus caros só quem está muito longe deles em bares da moda e cafés chiques (como disse o José Manuel Fernandes) é que diz que este discurso é racismo.
Ok, mas achas a atitude/posição do André Ventura correta quando diz que não irá ser presidente desses portugueses (portugueses de mal como ele diz)?
O problema resolve-se ignorando e isolando esses portugueses e cortando as mãos aos que roubam ou resolve-se educando-os?
 
Ok, mas achas a atitude/posição do André Ventura correta quando diz que não irá ser presidente desses portugueses (portugueses de mal como ele diz)?
O problema resolve-se ignorando e isolando esses portugueses e cortando as mãos aos que roubam ou resolve-se educando-os?
Não concordo com o que ele disse, mas isso parece-me tudo conversa, essa de cortar as mãos a quem rouba então nem se fala, o seu amigo pessoal Luís Filipe Vieira foi condenado por roubo de viatura e ele defende-o sempre. Tudo conversa e hipocrisia.
 
Só espero que nas próximas apareçam candidatos, no geral, melhores, se não o cenário dele ganhar pode mesmo verificar-se derivado da revolta da população.
Podes especificar em que sentido é que queres dizer com "candidatos, no geral, melhores"? Eu acho que havia candidatos com perfil para o papel a que se candidatavam, a história do "podiam ser melhores" é o que se ouve sempre e gostava de perceber o que esperam, sendo assim 🧐
Em parte concordo que a lista de candidatos poderia ter sido melhor, não pelas pessoas em si, mas pelos apoios que reuniram e os espaços vazios que deixaram. E aqui diria que há 3 partidos que ficaram mal:
- O CDS, que já diminuído antes das eleições, optou por não se fazer representar, o que só vai acelerar o seu desaparecimento e a transferência dos seus apoios, em grande parte para o Chega. Não havendo um candidato de direita com perfil conservador, e mesmo havendo quem possa não concordar com algumas das bacoradas do Chega, só aí se via representado. Vejo isso no meu Concelho de origem, onde o CDS, como em muitas zonas da Madeira, tem um grande peso (~10%), e esses votos foram transferidos em pequena parte para o Marcelo, mas em grande parte para o AV:
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- O PSD, que embora possa referir o seu candidato ganhou, vejo hoje em dia o Marcelo mais como independente do que como um candidato do seu partido. O Marcelo é o grande vencedor da noite, mas essa vitória é individual e não se "transfere" num aumento de popularidade do PSD, na minha opinião pelo contrário. Ao Marcelo ser atualmente tão camaleónico, com os sucessivos apoios ao governo PS e anterior geringonça, muitos apoiantes do PSD não identificam o Marcelo como tal, o que abriu espaço para que existisse uma transferência de votos para o candidato da Iniciativa Liberal e para o Chega. Teria sido melhor o PSD ter apresentado outro candidato? Diria que não, até pela crise de identidade e liderança que atualmente o partido tem, mas o partido pouco fez para que se associar ao Marcelo e à sua campanha, o que foi recíproco...

- O PS, que ao optar por não apoiar nenhum candidato, nem apresentar o seu próprio, acabou por deixar ao critério dos seus apoiantes essa escolha. Sim, havia Ana Gomes, mas que não poderemos comparar a um Sampaio da Nóvoa, quer pelo perfil populista com que alguns não se identificam, quer por ter reunido o apoio de uma fação do PS (que retribuiu de volta caso essa decida lutar pela liderança no futuro), o que em si constitui um tiro no pé, afastando os apoiantes que não se identificam com essa fação interna. Houve assim alguma desorientação e dispersão dos votos da esquerda que teria sido evitada se existisse uma tomada de posição clara do PS. Perde a democracia, mas ganha o atual governo, que garantiu ontem o apoio que já tinha e precisa nos próximos meses/anos.

Adoro o facto do João Ferreira e da Marisa Matias terem sido os candidatos com mais despesas e muito provavelmente vão ficar aquém dos 5% necessários para a subvenção estatal😂
Diria que pelo menos o PCP não deve estar preocupado com isso e pagará com gosto essa fatura. Além de ter fundos próprios que pagam facilmente o valor em causa, diria que a longo prazo não foi um prejuízo mas sim um ganho. O PCP é um partido que vinha em rota descendente nas várias eleições, e não são poucos os que vaticinavam o seu eventual desaparecimento em poucos anos. Embora não esteja em linha com as análises que tenho lido, diria que o PCP acaba por ter uma pequena vitória na noite eleitoral de ontem. Ou pelo menos uma menção honrosa, se considerarmos as 3 vitórias da noite (Marcelo, Ventura e Mayan). Digo isto porque vejo:
1) Um partido que supostamente está a desaparecer consegue reforçar a sua votação relativamente às últimas presidenciais, e consegue ficar em 4º lugar quando em 2016 o seu candidato ficou em 5º.
2) Posiciona um João Ferreira como potencial futuro líder do partido, num partido que está ainda muito identificado com o seu atual líder.
3) Vincou a sua agenda política, preparando já o terreno para as autárquicas e fazendo uma ultrapassagem ao Bloco de esquerda

Quanto ao Bloco, sim, acho que é mesmo um dos maiores derrotados da noite, e que terá mesmo de avaliar o que é que correu/está a correr mal, não só nestas eleições, como nas sondagens que já existem sobre as intenções de voto para as próximas legislativas.

Uma nota final para o que me pareceu ser um expressivo resultado da Iniciativa Liberal, com um total de votos superior ao que conseguiu em todas as eleições anteriores em que participou. Com um candidato que surpreendeu nos debates, mas que era dos que demonstrava estar menos preparado para o lugar na minha opinião, conseguiu facilmente cavalgar os vazios de ideias que atualmente constituem o CDS e o PSD, e que se continuarem a ser estratégicos e claros na comunicação causará certamente mossa em próximas eleições.

Não vou deixar qualquer comentário sobre o Chega porque acho que isso já foi bem analisado não só aqui como noutros meios.
 
É possível que ele tenha a ascensão que tem no Alentejo por isso, é muito bem possível. Eu próprio já tive vários problemas com a comunidade cigana envolvendo violência física por parte deles e já perdi a conta às vezes que vi acontecer com outras pessoas. Como já disse e repito: subscrevo na totalidade o que o José Manuel Fernandes disse no vídeo que eu postei anteriormente, os partidos não querem saber disso e o Chega pegou nesse assunto. Muita gente fica chocada quando eu digo isto dos ciganos, meus caros só quem está muito longe deles em bares da moda e cafés chiques (como disse o José Manuel Fernandes) é que diz que este discurso é racismo.

O único problema é que se tem criado um rodopio de retórica em torno da etnia cigana que somente os avilta ou os desvia do discurso real, sem fins concretos à resolução do que as pessoas entendem como os elementos problemáticos da comunidade cigana. Retirar-lhes os subsídios fará com que deixem de fustigar as populações que supostamente fustigam? Porquê? Porque irão trabalhar? Irão trabalhar onde? Quem dará trabalho a uma etnia vilificada, e como é que a remoção dos subsídios os fará menos incomodativos para as populações? Não fará, mesmo que os subsídios sejam removidos. Seria, no máximo, uma decisão fiscal, e não de todo uma solução para as supostas populações que se sentem mudas quanto aos problemas que supõem ver suprimidos.

Estou um pouco saturado desse discurso dos "problemas nos quais ninguém fala", quando não consigo ouvir falar de nada senão desses problemas. Um chorrilho constante de problemas num magma de informação; problemas, problemas, problemas, e pouquíssimas soluções. Estamos a quase um ano de situação pandémica e ainda se debate as afinações, especificidades, recantos e texturas do quanto a COVID-19 é de facto um problema.

Se existe um problema na etnia cigana -- e se sabemos que a remoção dos subsídios é, no máximo, uma medida cosmética que nem tem assim tanto a ver com ciganos, porque existe toda uma outra massa de pessoas em situação de dependência de subsídios -- então qual é a solução que não passe por alienar a etnia cigana e criar ainda mais divisões culturais entre grupos de cidadãos portugueses?

O problema é que agora temos um discurso que os avilta, e daqui a pouco temos propostas de comunidades específicas para ciganos, e depois trabalhos compulsivos orientados pelo Estado nessas comunidades porque ninguém lhes dará oportunidades de emprego (isto é mais uma constatação do que um julgamento), e acho que o padrão das peças já se forma de maneira clara, porque é este o discurso e caminho de todas as fricções étnicas, porque existe um número muito limitado de soluções a estas roturas. Eu até posso aquiescer que o sistema social presente pouco ou nada faz para integrar a comunidade cigana duma maneira mutuamente benéfica tanto para a própria como para a outra cultura integrante, mas este discurso de vilipêndio nada faz para resolver a situação, nada faz para a ver resolvida, e por sinal apenas assevera os sentimentos de desespero e incompreensão em todas as vertentes do discurso, algo que não podia ser mais proeminente do que agora.

E, valendo o pouco que a própria afirmação à qual redarguo vale, não venho de bares da moda e cafés chiques e também já tive experiências com pessoas da comunidade cigana. Umas positivas, outras negativas. Nem venho para te dizer que o que pensas é racismo, até porque não vejo utilidade nesses ad hominem, mas essa ideia classista de que apenas os esquerdalhas de Lisboa assumem uma posição de integração em vez de aviltação das minorias étnicas é um tanto desonesta. Quando alguém propõe uma análise quanto às dinâmicas de privilégio -- esta de larga forma socio-financeira -- existe uma forte resistência com réplicas de meritocracias e a força das gerações trabalhadoras, mas quando a lâmina vira na direção oposta, as opiniões são invalidadas precisamente por causa desse privilégio. Existe imensa gente que, como eu, não vem de origens "burguesas" e assume uma posição diferente, e eu não aprecio o pré-dissolvimento das minhas ideias com base em abstrações das pessoas que supostamente pensariam como eu. Eu não o faço, pelo menos e também por saber que é um pouco "cheapshot" e não produz grande discurso. Existe imensa gente que trabalha, como eu trabalho e trabalhei desde os 17, e que paga impostos, como também pago, que acredita que esses tributos sejam mais necessários em redes de segurança social do que em forças militares vácuas e, convenhamos, estéticas e convencionais na sua maioria. Não é por isso que aviltarei os militares, claro. Gosto muito deles e são todos uns fofos. Que fazer?

É lidarling.
 
Em parte concordo que a lista de candidatos poderia ter sido melhor, não pelas pessoas em si, mas pelos apoios que reuniram e os espaços vazios que deixaram. E aqui diria que há 3 partidos que ficaram mal:
- O CDS, que já diminuído antes das eleições, optou por não se fazer representar nestas eleições, o que só vai acelerar o seu desaparecimento e a transferência dos seus apoios, em grande parte para o Chega. Não havendo um candidato de direita com perfil conservador, e mesmo havendo quem possa não concordar com algumas das bacoradas do Chega, só aí se via representado. Vejo isso no meu Concelho de origem, onde o CDS, como em muitas zonas da Madeira, tem um grande peso (~10%), e esses votos foram transferidos em pequena parte para o Marcelo, mas em grande parte para o AV:
Ver anexo 17445

- O PSD, que embora possa referir o seu candidato ganhou, vejo hoje em dia o Marcelo mais como independente do que como um candidato do seu partido. O Marcelo é o grande vencedor da noite, mas essa vitória é individual e não se "transfere" num aumento de popularidade do PSD, na minha opinião pelo contrário. Ao Marcelo ser atualmente tão camaleónico, com os sucessivos apoios ao governo PS e anterior geringonça, muitos apoiantes do PSD não identificam o Marcelo como tal, o que abriu espaço para que existisse uma transferência de votos para o candidato da Iniciativa Liberal e para o Chega. Teria sido melhor o PSD ter apresentado outro candidato? Diria que não, até pela crise de identidade e liderança que atualmente o partido tem, mas o partido pouco fez para que se associar ao Marcelo e à sua campanha, o que foi recíproco...

- O PS, que ao optar por não apoiar nenhum candidato, nem apresentar o seu próprio, acabou por deixar ao critério dos seus apoiantes essa escolha. Sim, havia Ana Gomes, mas que não poderemos comparar a um Sampaio da Nóvoa, quer pelo perfil populista com que alguns não se identificam, quer por ter reunido o apoio de uma fação do PS (que retribuiu de volta caso essa decida lutar pela liderança no futuro), o que em si constitui um tiro no pé, afastando os apoiantes que não se identificam com essa fação interna. Houve assim alguma desorientação e dispersão dos votos da esquerda que teria sido evitada se existisse uma tomada de posição clara do PS. Perde a democracia, mas ganha o atual governo, que garantiu ontem o apoio que já tinha e precisa nos próximos meses/anos.


Diria que pelo menos o PCP não deve estar preocupado com isso e pagará com gosto essa fatura. Além de ter fundos próprios que pagam facilmente o valor em causa, diria que a longo prazo não foi um prejuízo mas sim um ganho. O PCP é um partido que vinha em rota descendente nas várias eleições, e não são poucos os que vaticinavam o seu eventual desaparecimento em poucos anos. Embora não esteja em linha com as análises que tenho lido, diria que o PCP acaba por ter uma pequena vitória na noite eleitoral de ontem. Ou pelo menos uma menção honrosa, se considerarmos as 3 vitórias da noite (Marcelo, Ventura e Mayan). Digo isto porque vejo:
1) Um partido que supostamente está a desaparecer consegue reforçar a sua votação relativamente às últimas presidenciais, e consegue ficar em 4º lugar quando em 2016 o seu candidato ficou em 5º.
2) Posiciona um João Ferreira como potencial futuro líder do partido, num partido que está ainda muito identificado com o seu atual líder.
3) Vincou a sua agenda política, preparando já o terreno para as autárquicas e fazendo uma ultrapassagem ao Bloco de esquerda

Quanto ao Bloco, sim, acho que é mesmo um dos maiores derrotados da noite, e que terá mesmo de avaliar o que é que correu/está a correr mal, não só nestas eleições, como nas sondagens que já existem sobre as intenções de voto para as próximas legislativas.

Uma nota final para o que me pareceu ser um expressivo resultado da Iniciativa Liberal, com um total de votos superior ao que conseguiu em todas as eleições anteriores em que participou. Com um candidato que surpreendeu nos debates, mas que era dos que demonstrava estar menos preparado para o lugar na minha opinião, conseguiu facilmente cavalgar os vazios de ideias que atualmente constituem o CDS e o PSD, e que se continuarem a ser estratégicos e claros na comunicação causará certamente mossa em próximas eleições.

Não vou deixar qualquer comentário sobre o Chega porque acho que isso já foi bem analisado não só aqui como noutros meios.
Só acrescentando a esta análise, outros 2 partidos que acabam por perder esta noite, por falta de comparência:
  • Livre: acho que perdeu aqui uma oportunidade de fazer um relançamento do Partido, colocar o partido e as suas ideias novamente a ser faladas, e usar esta exposição em eventuais debates para limpar a imagem associada ao caso Joacine. O resultado seria provavelmente bastante baixo, mas seria a plataforma de lançamento ideal para futuras eleições. Ter-se associado a Ana Gomes acho que não teve qualquer resultado prático.
  • PAN: acho que ficou bem representado nalgumas das ideias da Ana Gomes, no entanto, perde a oportunidade que a Iniciativa Liberal aproveitou de reforço de posição e divulgação do seu programa (que diria que ainda hoje poucas pessoas conhecem). E isso já se reflecte nas sondagens que existem.
 
- O PSD, que embora possa referir o seu candidato ganhou, vejo hoje em dia o Marcelo mais como independente do que como um candidato do seu partido. O Marcelo é o grande vencedor da noite, mas essa vitória é individual e não se "transfere" num aumento de popularidade do PSD, na minha opinião pelo contrário. Ao Marcelo ser atualmente tão camaleónico, com os sucessivos apoios ao governo PS e anterior geringonça, muitos apoiantes do PSD não identificam o Marcelo como tal, o que abriu espaço para que existisse uma transferência de votos para o candidato da Iniciativa Liberal e para o Chega. Teria sido melhor o PSD ter apresentado outro candidato? Diria que não, até pela crise de identidade e liderança que atualmente o partido tem, mas o partido pouco fez para que se associar ao Marcelo e à sua campanha, o que foi recíproco...

De acordo.

- O PS, que ao optar por não apoiar nenhum candidato, nem apresentar o seu próprio, acabou por deixar ao critério dos seus apoiantes essa escolha. Sim, havia Ana Gomes, mas que não poderemos comparar a um Sampaio da Nóvoa, quer pelo perfil populista com que alguns não se identificam, quer por ter reunido o apoio de uma fação do PS (que retribuiu de volta caso essa decida lutar pela liderança no futuro), o que em si constitui um tiro no pé, afastando os apoiantes que não se identificam com essa fação interna. Houve assim alguma desorientação e dispersão dos votos da esquerda que teria sido evitada se existisse uma tomada de posição clara do PS. Perde a democracia, mas ganha o atual governo, que garantiu ontem o apoio que já tinha e precisa nos próximos meses/anos.

Também de acordo. Acrescento que, mais do que não ter apoiado nenhum candidato, houve um apoio informal de António Costa a Marcelo Rebelo de Sousa, o que agudiza a situação que referes.

Não tenho é a certeza de que o governo tenha garantido o apoio de Marcelo para os próximos anos. Enquanto estivermos em pandemia, talvez esse apoio se mantenha por uma questão de estabilidade institucional, mas não até que ponto a postura do PR no segundo mandato será a mesma que se viu até aqui.

Livre: acho que perdeu aqui uma oportunidade de fazer um relançamento do Partido, colocar o partido e as suas ideias novamente a ser faladas, e usar esta exposição em eventuais debates para limpar a imagem associada ao caso Joacine. O resultado seria provavelmente bastante baixo, mas seria a plataforma de lançamento ideal para futuras eleições. Ter-se associado a Ana Gomes acho que não teve qualquer resultado prático.

Não gostei da postura do Livre nesta campanha. Não tanto pelo apoio a Ana Gomes, que vejo como natural e até previsível, mas pela atitude que manifestou durante toda a campanha de insistência numa necessidade de uma candidatura única à esquerda. Acabou por culpabilizar (mais ou menos subtilmente) o BE e o PCP por terem apresentado candidaturas próprias, como se fossem estes os partidos a roubar eleitorado a Ana Gomes. A estratégia de Ana Gomes deveria ter sido captar o eleitorado de Marcelo Rebelo de Sousa (e mobilizar os eleitores que usualmente se abstêm); houve alguns vislumbres nesse sentido, mas fracos e tardios.

*​

Sobre transferências de voto no Alentejo:

 
Última edição:
Não tenho é a certeza de que o governo tenha garantido o apoio de Marcelo para os próximos anos. Enquanto estivermos em pandemia, talvez esse apoio se mantenha por uma questão de estabilidade institucional, mas não até que ponto a postura do PR no segundo mandato será a mesma que se viu até aqui.
Diria que só precisa desse apoio durante este período. Mesmo que exista eventualmente uma crise algures na aprovação do próximo orçamento, ou no seguinte, o governo está atualmente numa boa posição para se demitir, ir a eleições, e ainda sair desse processo reforçando a sua posição como partido mais votado.

Não gostei da postura do Livre nesta campanha. Não tanto pelo apoio a Ana Gomes, que vejo como natural e até previsível, mas pela atitude que manifestou durante toda a campanha de insistência numa necessidade de uma candidatura única à esquerda. Acabou por culpabilizar (mais ou menos subtilmente) o BE e o PCP por terem apresentado candidaturas próprias, como se fossem estes os partidos a roubar eleitorado a Ana Gomes. A estratégia de Ana Gomes deveria ter sido captar o eleitorado de Marcelo Rebelo de Sousa (e mobilizar os eleitores que usualmente se abstêm); houve alguns vislumbres nesse sentido, mas fracos e tardios.
Concordo, e para isso basta ver que resultados o Livre colhe destas eleições. Para o cidadão comum o Livre atualmente deixou de existir. O mesmo não aconteceria aos partidos de esquerda se não tivessem candidatos, mas deixariam de ter as suas ideias representadas, e polarizariam ainda mais a eleição. Poderiam com isso aumentar a votação da Ana Gomes, mas aumentariam certamente também a do Chega.
 
Acho que estás a justapor dois conceitos completamente diferentes, o da comunicação social, cujo dever de imparcialidade e rigor é exigido pelo código deontológico que assiste ao trabalho de um jornalista, com o da comunicação político-partidária, que como é natural não está sujeita a esse escrutínio. Não isenta, como é óbvio, a comunicação do CHEGA e do candidato André Ventura de erros, que obviamente existiram e seria estranho não existirem numa máquina partidária com pouco mais de um ano.

O que é factual é que a campanha anti-Ventura abunda na comunicação social, com reportagens feitas em momentos estratégicos, caso da reportagem da SIC A Grande Ilusão, ou caso deste artigo, publicado um dia antes das eleições presidenciais, bem como a hostilidade de diversos entrevistadores na condução das entrevistas que fizeram ao AV, caso do João Adelino Faria da RTP, Bento Rodrigues na SIC ou o Manuel Luís Goucha na TVI. São poucos casos dentro da avalanche de episódios onde a hostilidade com o André Ventura foi lugar comum por parte de "profissionais" que deontologicamente deveriam pautar a sua conduta pela imparcialidade e rigor.

É essencialmente a contestação dos burgueses de esquerda, urbanos e alheados da realidade, do género do Diogo Faro e João Quadros, que não enxergam que esse tipo de hostilidade só dá mais força ao CHEGA e ao André Ventura, porque as pessoas sentem-se identificadas com o discurso do André Ventura e com o apontar dos problemas do País que os políticos profissionais se recusam sequer a considerar como problemas. Enquanto não perceberem isso, continuarem a tomar os apoiantes do CHEGA como intelectualmente diminuídos e enquanto as elites que circulam no eixo Príncipe Real-Chiado não entenderem essa necessidade de moralizar a vida pública que o André Ventura enfatiza, apontando o dedo às faces corruptas do regime e às benesses principescas que usufruem, bem como à disparidade de regalias entre os Portugueses que trabalham e levam para a frente este País enquanto outros vivem da subsídio-dependência e trabalho alheio, nada fará parar a explosão eleitoral do CHEGA e o esmagamento da esquerda.
Um comentário tardio mas só queria dizer que jornalistas não têm dever de imparcialidade nem isso é algo sequer mencionado no código deontológico dos jornalistas. Inclusive, nesse mesmo código é frisado o direito à opinião do jornalista dado que factos e opiniões sejam claramente distinguidos. O jornalismo de opinião existe e é fundamental numa democracia. Seja para criticar o AV, o governo, Marisa Matias ou qualquer outra pessoa/organização.

O facto de reportagens de investigação ou de artigos de opinião serem lançados em "momentos estratégicos" não tem nada a ver com o código deontológico mas sim dos factos e opiniões serem lançados em momentos oportunos e que aumentem o impacto dos artigos. Da mesma forma que dezenas de artigos de opinião são feitos com opiniões contra o governo em certos momentos que também deves classificar como "estratégicos" ou, até mesmo, artigos de opinião sobre o PCP e BE (e respetivos candidatos) lançados durante as presidenciais. A diferença é que o resto dos candidatos e o governo percebe o direito dos jornalistas de terem a sua opinião e o direito da imprensa de tornar pública a opinião das pessoas e jornalistas sem reclamar que o comunicação social está contra eles. Parece que um artigo a "falar mal" do AV é parte de uma campanha anti-Ventura mas todas as outras centenas de artigos sobre outros são simplesmente jornalismo aos teus olhos.

Relativamente às entrevistas, posso concordar contigo que a postura dos entrevistadores foi muito diferente quando foram entrevistas com o AV ou com outros candidatos mas nem por isso assuntos polémicos deixaram de ser abordados nas entrevistas como por exemplo a tal "adoração da Coreia do Norte" do João Ferreira ou outros. Também posso concordar com a hostilidade em algumas entrevistas mas passar de alguns entrevistadores hostis a uma campanha coordenada anti-Ventura é risório, no mínimo. Para além disso, tu mesmo disseste que é este clash de opiniões das entrevistas e artigos dão força ao CHEGA e isso só aconteceu porque a comunicação social permitiu. Não porque queriam humilhá-lo mas porque queriam tornar claro a todos os portugueses as suas posições que, felizmente, tornaram e, infelizmente, atraíram mais portugueses do que deviam.

Dito isto, é óbvio que prefiro o argumento de que o Ventura é o nosso herói que vence tudo e todos contra todas as probabilidades e que está aqui para esmagar a esquerda e retornar glória a Portugal e aos portugueses de bem.

É suposto quê? Ter piada? Ofender?
É suposto ser uma sugestão. Temos pessoas com vários interesses no fórum (e assumo que moda e maquilhagem seja um deles) mas ainda não temos nenhum tópico sobre moda e maquilhagem. Posso estar errado mas não acho que este tópico seja o lugar para se falar de maquilhagem. Também podemos usar o tópico para discutir a polémica do tan suit do Obama.