Discussões político-sócio-económicas

 
 

Em quem votarás nas eleições legislativas 2022?

  • PS - Partido Socialista

    Votes: 7 13.7%
  • PPD/PSD - Partido Social Democrata

    Votes: 5 9.8%
  • PCP-PEV - Coligação Democrática Unitária

    Votes: 6 11.8%
  • BE - Bloco de Esquerda

    Votes: 9 17.6%
  • CDS-PP - Partido Popular

    Votes: 0 0.0%
  • PAN - Pessoas–Animais–Natureza

    Votes: 2 3.9%
  • IL - Iniciativa Liberal

    Votes: 11 21.6%
  • NC - Nós, Cidadãos!

    Votes: 0 0.0%
  • PCTP/MRPP - Partido Comunista dos Trabalhadores Portugueses

    Votes: 0 0.0%
  • PTP - Partido Trabalhista Português

    Votes: 0 0.0%
  • E - Ergue-te (ex-PNR - Partido Nacional Renovador)

    Votes: 0 0.0%
  • PDR - Partido Democrático Republicano

    Votes: 0 0.0%
  • MPT - Partido da Terra

    Votes: 0 0.0%
  • PURP - Partido Unido dos Reformados e Pensionistas

    Votes: 0 0.0%
  • L - LIVRE

    Votes: 4 7.8%
  • MAS - Movimento Alternativa Socialista

    Votes: 0 0.0%
  • PPM - Partido Popular Monárquico

    Votes: 1 2.0%
  • JPP - Juntos pelo Povo

    Votes: 0 0.0%
  • A - Aliança

    Votes: 0 0.0%
  • CH - Chega

    Votes: 6 11.8%
  • R.I.R. - Reagir Incluir Reciclar

    Votes: 0 0.0%
  • VP - Volt Portugal

    Votes: 0 0.0%

  • Total voters
    51
     
         
O que nos dizem os debates: a questão do eixo esquerda-direita

Tenho assistido, sem exceção, a todos os debates para as próximas eleições legislativas e a vários dos comentários que lhes dizem respeito em diferentes canais televisivos. Já muito se disse acerca dos seus tamanho e estilo – curtos, frequentemente com temáticas soltas e pouco aprofundadas, enviesados por propostas que exigem posterior clarificação por parte das/os líderes partidárias/os e algumas vezes excessivamente centrados nas questões da governabilidade do país. Por isso, venho discutir uma outra questão que me tem feito pensar acerca da forma como se encontra estruturada a própria política – a operacionalidade do eixo esquerda-direita.

O que quero dizer com isto? Bem, atentemos no caso de três partidos, todos eles distintos entre si: Partido Social Democrata (PSD), Pessoas-Animais-Natureza (PAN) e Iniciativa Liberal (IL). O PSD, sob a égide da liderança de Rui Rio, afirma-se atualmente como um partido de centro, por vezes de centro-esquerda, quando é tantas vezes conotado de centro-direita ou mesmo de direita. Já o PAN e a IL, amiúde associados, respetivamente, ao centro-esquerda e à direita liberal, não se identificam como parte de um eixo que consideram redutor para representar as causas por que pugnam. Ora, diante destes três exemplos, podemos questionar-nos até que ponto falar de esquerda ou de direita é suficiente – portanto, operacional – para classificarmos os partidos quanto às suas posições económicas, sociais e ideológicas e, como tal, para tornarmos as discussões mais organizadas e certeiras.

É claro que muitas pessoas defendem que esta característica continua viva e marcante para o entendimento das propostas partidárias, em particular, e da política, em geral. Por exemplo, a jornalista do Expresso Ângela Silva, no Jornal da Meia-Noite da SIC Notícias, afirmou que tem existido uma certa tendência para deixar de se falar de esquerda e de direita, mas que os debates para as legislativas têm permitido ver o leque de opções que as/os eleitoras/es têm dentro desse horizonte ou esquema político-partidário, logo, fazendo o mesmo sentido. E mesmo numa lógica mais científica, como argumenta a Mestre em Ciência Política e Relações Internacionais pela Universidade Católica Portuguesa Sílvia Mangerona, “continua a existir interesse teórico na definição de esquerda e direita como elemento de medição entre ideologias e os conceitos continuam a ser utilizados na linguagem política do debate, luta e exercício do poder”. Veja-se, de resto, como prontamente partidos como o Bloco de Esquerda (BE) e o Partido Comunista Português (PCP), por um lado, e o Centro Democrático Social-Partido Popular (CDS-PP) e o Chega, por outro, se atacam mutuamente reduzindo esquerda a socialismo e comunismo e direita a neoliberalismo, confundindo ou fazendo confundir uma matriz ideológica com um conjunto bem mais amplo de matrizes, posições e reivindicações.

A utilidade da dicotomia que tenho vindo a referir equipara-se à do conceito sociológico de classe social. Também aqui há quem defenda a presença material das classes sociais e quem a distinga da sua existência social ou intelectual. Contudo, a verdade é que a postura mais profícua, tanto ao nível analítico como ao nível das vivências reais, é a conciliação das duas anteriores, dado que as classes sociais, em si mesmas, não passam de uma teorização das condições de vida dos grupos sociais, mas tal concetualização, ao nível dos rendimentos e das questões socioculturais, tem uma sobreposição na realidade que possibilita a sua validade. O mesmo acontece com a esquerda e a direita políticas, que traduzem perspetivas sobre a sociedade efetivamente existentes e com vozes próprias. Isto significa que não podemos descartar sem mais nem menos o eixo a que estamos habituadas/os a ver e a empregar nas nossas conversas e debates, ao mesmo tempo considerando que determinadas ideologias, como o ecologismo e o liberalismo, e as causas que lhe subjazem percorrem tal reta política ao ponto de encontrarem cruzamentos legítimos e viáveis para uma construção de pontes democráticas e relevantes a fim de darem resposta aos problemas sociais que nos afligem.

Leonardo Camargo Ferreira
 
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Façam o teste, não tem os partidos todos, só os que tiveram assento parlamentar nas últimas legislativas.
Deixando o alerta para a representatividade e fiabilidade destas coisas, nomeadamente:
- O enviesamento político de quem faz.
- O limitado número de perguntas, que faz com que necessariamente se esteja a ignorar vários temas relevantes, o que por si só pode enviesar os resultados.
- O questionável posicionamento de certos partidos na matriz política esquerda/direita, conservador/liberal.
- A falta de representação dos partidos que ainda não tiveram oportunidade de entrar na AR e que não deixam de ser válidos.

Ficam os meus resultados, que não estão muito longe da verdade, com uma tendência para o centro/liberal:

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Aproveito para apelar a inscrição de todos ao voto antecipado até 20 de janeiro a todos os estudantes deslocados e/ou até mesmo por precaução, não vão ter o azar de ficar em isolamento no dia das eleições. Podem acabar por faltar no dia 23 e ir vota na mesma no dia 30. Está tudo explicado aqui:


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Estou a pensar fazer um apanhado no site das medidas dos vários partidos na área da educação + ensino superior. Por agora, mesmo só contando com os 9 partidos eleitos nas últimas eleições, dá qualquer coisa como 25 páginas. Muitas das medidas são algo vazias e outras vão a áreas que o Uniarea não aborda como as creches ou a gestão escolar, pelo que a partida será feita uma triagem para uma divisão entre:
- Medidas para o Ensino Básico e Secundário
- Medidas para o Ensino Superior
- Medidas para os Exames Nacionais e o Acesso ao Ensino Superior

Se acharem que o Uniarea deveria abordar outras áreas e/ou se alguém se quiser chegar a frente e fazer o apanhado para outros temas é obviamente bem vindo, e será publicado no site e redes sociais.
 
       
Posso estar enganado, mas penso que a CDU e o PSD estão mal aí no espectro político. Deviam estar na parte do conservadorismo e não no libertarismo, mas posso estar a induzir-vos em erro sem querer.
 
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Posso estar enganado, mas penso que a CDU e o PSD estão mal aí no espectro político. Deviam estar na parte do conservadorismo e não no libertarismo, mas posso estar a induzir-vos em erro sem querer.
Diria que o PSD está atualmente na linha entre uma coisa e outra. Em termos dos costumes tem uma tendência conservadora, mas em termos económicos uma tendência liberal. Além de que juntaram aí o eixo cosmopolita/nacionalista, e por aí o PSD é mais cosmopolita do que propriamente nacionalista, e só posso ver por aí porque é que o puxaram tão acima. A CDU também concordo que colocaria abaixo da linha, mas não tão conservador como os outros senhores azuis.
 
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Nessa lista e na minha opinião, o PAN é, de longe, quem tem as propostas mais adequadas, o que não devia surpreender tendo em conta a envolvência deles na retoma da possibilidade de melhorias por exames nacionais.
 
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Nessa lista e na minha opinião, o PAN é, de longe, quem tem as propostas mais adequadas, o que não devia surpreender tendo em conta a envolvência deles na retoma da possibilidade de melhorias por exames nacionais.
Parece ser efetivamente quem tirou mais tempo para pensar no tema e para sugerir medidas concretas e algumas bastante implementáveis. Revela claramente que está por dentro, quando fala da questão da obrigatoriedade dos exames nacionais, do concurso especial para vias profissionalizantes ou até da falta de antecipação com que o governo divulga a informação sobre o acesso ao ensino superior, medida com a qual acho que todos concordamos.

Depois da leitura dos 9 programas (ou o mais perto disso que cada um tem), acho que há 3 programas que, concordando ou não com as medidas, trazem ideias verdadeiramente novas na área da Educação e que deviam ser alvo de reflexão: o do PAN, o do LIVRE e o da Iniciativa Liberal.

Ler os programas dos restantes partidos foi reviver as mesmas medidas gastas e repetidas que constam nos programas dos últimos 10/15 anos, ou então são programas sem qualquer projeto de futuro para a educação.
 
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Reactions: Edgar H
       
Medidas do sector da Educação propostas pelos partidos políticos nos programas eleitorais para as eleições legislativas de 2022, que abrangem o Ensino Básico e Secundário:


EDIT: no Instagram/Twitter há um destaque para 3 medidas de cada um dos partidos:


 
               
Prevejo a IL a ficar à frente da CDU.
Em termos percentuais nacionais é possível, mas mesmo assim a CDU pode conseguir eleger mais deputados. Mesmo que tenhas a IL a eleger mais um deputado do que a CDU em Lisboa/Porto, a CDU elege em sítios que a IL nunca vai eleger como Beja e a Setúbal, e podes ter a IL a não eleger mais ninguém fora de Lisboa/Porto.
 
               
Isto dos círculos eleitorais é injusto, o CDS teve mais votos que o PAN e Livre mas não elegeu ninguém, enquanto o PAN e Livre elegeram.
 
               
Isto dos círculos eleitorais é injusto, o CDS teve mais votos que o PAN e Livre mas não elegeu ninguém, enquanto o PAN e Livre elegeram.
Eu ia dizer algo assim há algum tempo, mas estou ainda a tentar perceber o valor destes círculos eleitorais. O que vejo é que as preferências de cada círculo contam mais do que a votação total, ou seja, com os círculos, as principais escolhas de cada distrito / arquipélago / ue / extra-ue são tidas em conta mais do que os votos dispersos em quem não é a escolha em cada lugar. Mas enquanto que em Lisboa, que tem mais deputados, o PAN e o Livre são mais relevantes que o CDS, este é mais relevante em círculos que não elegem deputados suficientes, o que leva a este resultado estranho.

Não me parece que isto seja uma boa maneira de fazer a coisa. Acho que seria melhor não haver círculos. Até porque na Constituição tem, no Art.º 152: "2. Os Deputados representam todo o país e não os círculos por que são eleitos." e eu concordo. Mas então porquê há círculos?
Constituição - Artigo 152
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Talvez seja... Mas ainda bem que o CDS não elegeu. Disse.
Porquê?