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Jinx

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Se não há consentimento por parte do utente para prestação de cuidados, estes não deverão ser prestados. O consentimento informado escrito tpicamente não obriga a que seja determinado profissional a realizar esse acto, apenas dá autorização para que este seja realizado.
Não acho que tenha dito o contrário disso em lado nenhum.

Não compreendo tal atitude e abre precedente perigoso de discriminação de género. Porque poderá ser aceitável recusar um profissional por ser do sexo contrário e não é por ter outra etnia/origem/cor? Poderei eu admitir que me recusem como Médica Assistente de alguém porque sou jovem, pequena e mulher e não um homem de 60 anos?
"Recusa" não será o termo mais adequado no exemplo de generos que foi dado. Eu tenho preferência por uma ginecologista mulher e isto não é descriminação de generos, é não me sentir tão confortavel. O respeito pela intimidade, cultura, religião, etc. pode implicar que os cuidados tenham de ser negociados com o utente de forma a serem prestados por outra pessoa, mas não necessariamente recusados.
Racismo, xenofobismo, machismo e estupidez é assunto para outro tópico.
 
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"Recusa" não será o termo mais adequado no exemplo de generos que foi dado. Eu tenho preferência por uma ginecologista mulher e isto não é descriminação de generos, é não me sentir tão confortavel. O respeito pela intimidade, cultura, religião, etc. pode implicar que os cuidados tenham de ser negociados com o utente de forma a serem prestados por outra pessoa, mas não necessariamente recusados.
Racismo, xenofobismo, machismo e estupidez é assunto para outro tópico.
Não estou a perceber o conceito de "descriminação" então. Claramente não abrange preferir cuidados de outrém, apenas por ter mais uma perna num cromossoma.
 

Jinx

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Ninguém falou de descriminação, acho eu. A discussão surgiu porque já estamos quase em 2019 e ainda há escolas que têm regulamentos da apresentação de estudantes a Ensino Clínico do tempo hermano saraiva. Todo o resto é gerido em conformidade com a lei, código deontológico e senso comum.
 
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Andreia C.

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Se não há consentimento por parte do utente para prestação de cuidados, estes não deverão ser prestados. O consentimento informado escrito tpicamente não obriga a que seja determinado profissional a realizar esse acto, apenas dá autorização para que este seja realizado.



Não compreendo tal atitude e abre precedente perigoso de discriminação de género. Porque poderá ser aceitável recusar um profissional por ser do sexo contrário e não é por ter outra etnia/origem/cor? Poderei eu admitir que me recusem como Médica Assistente de alguém porque sou jovem, pequena e mulher e não um homem de 60 anos?
Não estou a perceber o conceito de "descriminação" então. Claramente não abrange preferir cuidados de outrém, apenas por ter mais uma perna num cromossoma.
Abre precedentes, claro. E por isso é que as leis (deveriam ser) são constantemente revistas. A questão é: imagina-te numa situação em que importa expores-te a um profissional de certo e determinado género e não estás confortável a fazê-lo - num exame ginecológico, isto faz diferença, por exemplo... -, havendo recursos para te marcar consulta com um médico do sexo da tua preferência ou pedir a outro médico (digo médico como digo enfermeiro a nível de cuidados de higiene, por exemplo), não se deve deixar a pessoa mais confortável?! Eu nem estou a falar de: "ah ela é o do sexo feminino então é má profissional" porque ISSO é discriminação e porque há bons e maus profissionais de todos os géneros. Same goes para efeitos de cor de pele, de nacionalidade, de cor de cabelo, de tatuagens, etc. E como a @Jinx já disse, no início discutia-se o que as ESCOLAS, com regras de 1400 e troca o passo pedem ou se acham no direito de pedir.
"Se não tiver apta a prestar os melhores cuidados, então deverá ser ponderada a emissão de um certificado de incapacidade para o trabalho." Isto não funciona assim... Não é por uma vez ou outra não poder realizar uma tarefa que eu de repente estou incapacitada para tudo - e tanto quanto sei e ouvi falar não existem certificados para: "não poder realizar levantes", "não poder ir levar utentes a certos serviços"... Há bom senso, não? Se há uma equipa de enfermeiros em que 1 pode substituir o outro numa situação momentânea, ou mesmo num turno pedir a um colega que preste os cuidados a pessoa Y ou X, que estou incapacitada... Não é por um dia não me sentir mentalmente apta a realizar um tipo de cuidados de estou incapacitada. Não é o 8 ou 80, ok? Existem meios termos, que podem e devem ser aplicados. Mais uma vez, eu não tenho plena noção da realidade da comunidade médica, nem é dessa realidade que eu estou a falar. Tudo o que eu estou a dizer enquadra-se no código deontológico E na prática de cuidados coerentes.
"Poderei eu admitir que me recusem como Médica Assistente de alguém porque sou jovem, pequena e mulher e não um homem de 60 anos?" Mais uma vez digo isto - e porque também sou estudante e também me revejo todos os dias a ver as minhas capacidades postas à prova e a pouca confiança (então tendo passado os últimos tempos na pediatria... pão nosso, mesmo) -: As pessoas vêm-se no seu direito - porque está na lei, que confesso ser uma lei de expressão vaga, mas uma lei ainda assim e uma lei que pode abrir mão para discriminações, mas também digo: existem leis contra discriminação racial, de género/sexo, entre outras, passíveis de serem aplicadas, podendo tu apresentar um relatório e mesmo queixa formal (uma vez aberto um caso, normalmente as pessoas ficam "avisadas") - de recusar cuidados por um profissional de saúde, NO ENTANTO, tu podes E DEVES explicar a tua situação, que embora sejas estudante ou assistente ou que te valha, és competente, estás ali para aprender, estás sobre a alçada de outro alguém e que essa pessoa não vai ser pior tratada por seres tu (aliás, do que já constatei, normalmente os profissionais de saúde mais inexperientes são os que têm uma visão maior e acabam por prestar mais atenção a pequenos detalhes), todas as outras situações de descriminação que estejam previstas na lei DEVEM ser reportadas, sem mas nem outros argumentos.

Nada é preto no branco, por mais que nos digam que sim. Existem situações ingratas e injustas e vagas, como é o caso da lei -, claro que sim, por isso é que nós também temos modos de nos defender-mos.[/QUOTE]
 
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A questão é que tu preferires um profissional de um determinado género, para mim, não é diferente de preferires um profissional sem tatuagens.
Se alguém recusar a observação com base naquilo que quiser, está no seu direito. Claramente não a vou obrigar, mas não vou andar a pedir ao colega para o fazer.

Por outro lado, podes ser "selectiva" no emprego sobre que tarefas realizar? É válido chutar para o colega o que não queres fazer?
 
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Andreia C.

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A questão é que tu preferires um profissional de um determinado género, para mim, não é diferente de preferires um profissional sem tatuagens.
Se alguém recusar a observação com base naquilo que quiser, está no seu direito. Claramente não a vou obrigar, mas não vou andar a pedir ao colega para o fazer.

Por outro lado, podes ser "selectiva" no emprego sobre que tarefas realizar? É válido chutar para o colega o que não queres fazer?
Para ti não é diferente, para outras pessoas é. Aí é que está, entendes? Nem toda a gente se sente confortável com o seu corpo o suficiente para o mostrar a alguém; há pessoas a quem, relativamente a isto o sexo/género faz diferença, outras não - seja por motivos de sexualidade ou não, o Freud há-de saber explicar isto ahah. Tu não tens de "pedir". Os cuidados têm de ser prestados - claro que dependem dos recursos -, tu só tens de dizer: X pessoa não se sente confortável com que os cuidados sejam prestados por Y pessoa, como queremos proceder enquanto equipa? (mais uma vez, falo da realidade do que tenho visto); não é uma questão de "favor", o colega está ali na sua condição de profissional tanto quanto tu e noutra altura pode ser que uma mulher não queira um cuidado prestado por um homem (de caso extremo, mas vêm-me à cabeça casos pós abuso físico/sexual em que a vítima pode não querer - e isto acontece - que o cuidado seja prestado pelo "sexo abusivo" - sexo d@ abusador@).
Quanto ao profissional, não se trata de ser "seletivo" nem de "chutar" tarefas que não quero fazer porque não estou a dizer que EU NUNCA QUERO FAZER ESTA TAREFA: é o que naquele momento me é impossível fazer, não que eu não saiba, não que eu não queira mas eu não consigo fazer, mais uma vez evoco os seguintes exemplos: uma enfermeira grávida não pode entrar nem na hemodinâmica nem no serviço de radiologia, por isso pede ao colega; um enfermeiro que ache que naquele momento não consegue realizar os cuidados que tem de realizar porque seja por motivos físicos (um levante, por exemplo, um enfermeiro com uma lesão que não impede o trabalho mas impede as cargas) seja por psicológicos (uma morte de um familiar e os cuidados ao morto), pode pedir ao colega que naquele momento está mais apto; isto faz parte das responsabilidades profissionais: se tu, enquanto profissional, achas que, naquele momento (não quer dizer que não sejas capaz, não quer dizer que não saibas), a tua prestação de cuidados está a ser "perturbada" (não a palavra que queria utilizar, mas o dia vai longo e estou cansada hahah) por esse motivo, tu podes e deves pedir a tua substituição naquele momento ou pelo menos auxílio (e acredita que prestar cuidados ao morto não é fácil, muito menos quando alguém próximo a ti morreu). It's not that deep. Não és má profissional por identificares que naquele momento tens uma falha, és má profissional se souberes que a tens e prestares cuidados mesmo assim. Isto são cuidados humanos e humanizados - tanto para o utente como para o profissional -, isto é uma forma de evitar o desgaste profissional.
 

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(mandem-me ir estudar, sff)
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A minha questão é/era mais o pedir ao colega para nos substituir nalgumas tarefas, "por favor faz hoje os levantes que estou com umas dores nas costas que não posso", "por favor fica tu hoje com o doente da cama X que ontem discutimos e não me apetecia muito estar a lidar com ele outra vez", "por favor atende a D.Maria, é a mãe da minha ex-namorada, mas ela não percebe isso :sweatsmile:" e até mesmo o da grávida ir ao serviço de radiologia (mas porque é que uma grávida não pode sequer entrar num serviço de radiologia? a radiação no meio do corredor é suposto estar a um nível quase inexistente, muitíssimo abaixo do teratológico..... o que fazem as técnicas de radiologia quando engravidam?) são questões baseadas no bom-senso e no "dar um jeitinho" do colegas, e não propriamente em legislação formal.

Opá, ya, se calhar se houver muita variedade de profissionais pode ser mais confortável pôr enfermeiras a dar banho a mulheres e homens enfermeiros a homens (tipo aquelas revistas manuais dos aeroportos...), mas, mais uma vez, é só bom-senso e jeitinhos. Mas, embora até perceba que uma mulher se possa sentir mais confortável com um exame ginecológico feito por uma mulher, sentir-me-ia bastante desconfortável se um colega ginecologista homem fosse impedido de fazer um exame ginecológico por ser homem, tal como se eu fosse para Urologia sentir-me-ia muito desconfortável se os doentes com problemas envolvendo órgãos genitais masculinos me recusassem como prestadora de cuidados. Somos médicos e profissionais de saúde, o corpo humano não nos é estranho e é nossa obrigação que o facto de sermos do mesmo sexo/sexo oposto ao doente não modifique em nada a nossa postura enquanto clínicos. É o nosso dever, e seria bom se os doentes fossem capazes de reconhecer isso em vez de criarem problemas onde eles não existem.
 
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Andreia C.

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A minha questão é/era mais o pedir ao colega para nos substituir nalgumas tarefas, "por favor faz hoje os levantes que estou com umas dores nas costas que não posso", "por favor fica tu hoje com o doente da cama X que ontem discutimos e não me apetecia muito estar a lidar com ele outra vez", "por favor atende a D.Maria, é a mãe da minha ex-namorada, mas ela não percebe isso :sweatsmile:" e até mesmo o da grávida ir ao serviço de radiologia (mas porque é que uma grávida não pode sequer entrar num serviço de radiologia? a radiação no meio do corredor é suposto estar a um nível quase inexistente, muitíssimo abaixo do teratológico..... o que fazem as técnicas de radiologia quando engravidam?) são questões baseadas no bom-senso e no "dar um jeitinho" do colegas, e não propriamente em legislação formal.
Eu sei disso da radiologia, mas acho que - e não sendo de todo mãe, nos últimos meses estive foi com bastantes grávidas ahaha e vou estar com mais *benzendo-me* - as grávidas tendem a zelar pelo mais seguro. A legislação pode aplicar-se aqui, tho; pelo menos do código deontológico em que se diz que os cuidados prestados devem ter em conta o melhor interesse dos utentes e teres um profissional que não está naquele momento bem para prestar esses cuidados, secalhar não é o melhor. Mas sim, entendo o que dizes.

Opá, ya, se calhar se houver muita variedade de profissionais pode ser mais confortável pôr enfermeiras a dar banho a mulheres e homens enfermeiros a homens (tipo aquelas revistas manuais dos aeroportos...), mas, mais uma vez, é só bom-senso e jeitinhos. Mas, embora até perceba que uma mulher se possa sentir mais confortável com um exame ginecológico feito por uma mulher, sentir-me-ia bastante desconfortável se um colega ginecologista homem fosse impedido de fazer um exame ginecológico por ser homem, tal como se eu fosse para Urologia sentir-me-ia muito desconfortável se os doentes com problemas envolvendo órgãos genitais masculinos me recusassem como prestadora de cuidados. Somos médicos e profissionais de saúde, o corpo humano não nos é estranho e é nossa obrigação que o facto de sermos do mesmo sexo/sexo oposto ao doente não modifique em nada a nossa postura enquanto clínicos. É o nosso dever, e seria bom se os doentes fossem capazes de reconhecer isso em vez de criarem problemas onde eles não existem.
Concordo plenamente que os doentes têm de reconhecer! Mas também te sou a primeira a dizer que pessoalmente já tive situações em que pedi assim baixinho a quem me marca consultas, que seja uma médica ginecologista e não um médico - já me saiu o tiro pela culatra e hoje só quero que seja um@ bo@ médic@ e não um@ "bruta montes". "é só bom-senso e jeitinhos", para mim aquela lei pode ser interpretada como eu já disse, por isso discordo. Se há recursos e o utente pede, a lei pode ser interpretada de muitas maneiras, por isso joga-se pelo seguro (mas também digo que se esta lei é para ser cumprida a das discriminações também).
"o corpo humano não nos é estranho" não sei se já tiveste... observações e avaliações invasivas do teu corpo, mas dizeres isto a um utente vale de 0. Já viste muitos corpos, mas não viste o daquela pessoa, neste assunto, a maioria das pessoas - eu inclusive - tem muito a mentalidade de meninos de 3 anos: "o corpo é meu, é meu e só meu, o dos outros são diferentes, este é MEU". Eu percebo o que queres dizer: olhar para a pilinha do Sr. José ou do Sr. António não me faz diferença, são pilinhas a que tenho de prestar os cuidados necessários, mas secalhar o Sr. José não gosta que meninas de 21 anos lhe andem ali a mexer porque lhe faz impressão E SECALHAR até é um doente cardíaco e está a fazer medicamentos que aumentam o potencial de ereção então é tudo mais esquisito e ele prefere homens a prestar cuidados... ou então não enquanto profissional olhar para o corpo de uma pessoa ou para outra é-me indiferente no sentido de não estar a fazer juízos de valor nem me fazer confusão; mas enquanto utente, não gosto que me olhem e o meu corpo é meu.
 
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Eu sei disso da radiologia, mas acho que - e não sendo de todo mãe, nos últimos meses estive foi com bastantes grávidas ahaha e vou estar com mais *benzendo-me* - as grávidas tendem a zelar pelo mais seguro. A legislação pode aplicar-se aqui, tho; pelo menos do código deontológico em que se diz que os cuidados prestados devem ter em conta o melhor interesse dos utentes e teres um profissional que não está naquele momento bem para prestar esses cuidados, secalhar não é o melhor. Mas sim, entendo o que dizes.


Concordo plenamente que os doentes têm de reconhecer! Mas também te sou a primeira a dizer que pessoalmente já tive situações em que pedi assim baixinho a quem me marca consultas, que seja uma médica ginecologista e não um médico - já me saiu o tiro pela culatra e hoje só quero que seja um@ bo@ médic@ e não um@ "bruta montes". "é só bom-senso e jeitinhos", para mim aquela lei pode ser interpretada como eu já disse, por isso discordo. Se há recursos e o utente pede, a lei pode ser interpretada de muitas maneiras, por isso joga-se pelo seguro (mas também digo que se esta lei é para ser cumprida a das discriminações também).
"o corpo humano não nos é estranho" não sei se já tiveste... observações e avaliações invasivas do teu corpo, mas dizeres isto a um utente vale de 0. Já viste muitos corpos, mas não viste o daquela pessoa, neste assunto, a maioria das pessoas - eu inclusive - tem muito a mentalidade de meninos de 3 anos: "o corpo é meu, é meu e só meu, o dos outros são diferentes, este é MEU". Eu percebo o que queres dizer: olhar para a pilinha do Sr. José ou do Sr. António não me faz diferença, são pilinhas a que tenho de prestar os cuidados necessários, mas secalhar o Sr. José não gosta que meninas de 21 anos lhe andem ali a mexer porque lhe faz impressão E SECALHAR até é um doente cardíaco e está a fazer medicamentos que aumentam o potencial de ereção então é tudo mais esquisito e ele prefere homens a prestar cuidados... ou então não enquanto profissional olhar para o corpo de uma pessoa ou para outra é-me indiferente no sentido de não estar a fazer juízos de valor nem me fazer confusão; mas enquanto utente, não gosto que me olhem e o meu corpo é meu.
Claro que se há dúvidas (e possibilidades), mais vale jogar pelo seguro. Mas para mim nem sequer entrarem no serviço já se aproxima do nível parvo :p
olha que há uns sete mil portugueses que têm umas coisas a argumentar sobre o código deontológico dos enfermeiros dizer que é importante ter em conta o melhor interesse do doente... ;) .

o Sr.José e o Sr.António estão numa situação complicada, porque se, não sei, a percentagem de doentes masculinos num serviço de Cardiologia deve ser relativamente equilibrada, a esmagadora maioria do pessoal de enfermagem será mulher...
se se alguém está realmente incomodado e preocupado por ser cuidado por raparigas girinhas de 21 anos, isso também lhe diminui a probabilidade de ter uma ereção, não? :P
Óbvio que antes de sermos (futuros) profissionais de saúde somos pessoas, com as nossas inseguranças, medos e preconceitos.(também os tenho, claro. e cada vez me sinto pior a ir a consultas, tenho sempre a sensação que vai ser um teste aos meus conhecimentos, entre outras coisas desconfortáveis...) Mas, exatamente por sermos profissionais da área, temos de ultrapassar estes receios, porque, como tu própria disseste, são receios muito imaturos. Temos de tentar ser parte da solução, em vez de sermos parte do problema :p

Se ajudar, é tentar imaginar o número de vulvas que um ginecologista vê num dia. E multiplicar isso por uma média de 5 dias de semana, vezes 48 semanas (há férias), vezes o número de anos de experiência... O vosso é só mais um, chill. E é muito difícil surpreender quem já viu (e palpou, e puncionou, e até cheirou...) tanta coisa :tonguewink:
 

Blasty

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Se ajudar, é tentar imaginar o número de vulvas que um ginecologista vê num dia. E multiplicar isso por uma média de 5 dias de semana, vezes 48 semanas (há férias), vezes o número de anos de experiência... O vosso é só mais um, chill. E é muito difícil surpreender quem já viu (e palpou, e puncionou, e até cheirou...) tanta coisa :tonguewink:
Não ajuda xD
 

Andreia C.

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olha que há uns sete mil portugueses que têm umas coisas a argumentar sobre o código deontológico dos enfermeiros dizer que é importante ter em conta o melhor interesse do doente... ;) .
Relativamente à tudo o resto, já disse tudo o que tinha a dizer. Quanto a isto, os portugueses argumentam porque não sabem o que se passa, porque temos uma Ministra que em vez de ser parte para resolver o assunto é parte do problema, porque temos um social media que insiste em passar informação seletiva. Quanto a isto, quero só dizer que temos enfermeiros a trabalharem mais que as 35h semanais, a receberem 1201€ há god knows how long, em condições para as quais outras profissões são apoiadas por estas reivindicações. Isto está a ser feito também com o melhor interesse dos utentes - volto a lembrar que cirurgias urgentes, emergentes e oncológicas continuam a ser realizadas (não que as outras não sejam importantes mas toda a gente tem direito à greve, certo?) - porque profissionais com os seus direitos reinvindicados são profissionais que não vão trabalhar em exaustão porque não chega fazer 35h semanais num hospital (é preciso ir fazer mais turnos noutros sítios e muitas vezes ter apenas 1 dia de descanso por semana). Quanto a isto não me vou alongar porque quem quer perceber esta luta e quem quer perceber que ninguém está a atirar em vista com o mau interesse dos utentes, percebe e entende, quem não quer, não quer; até porque os posts nem eram sobre isto.
 

a fish

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Relativamente à tudo o resto, já disse tudo o que tinha a dizer. Quanto a isto, os portugueses argumentam porque não sabem o que se passa, porque temos uma Ministra que em vez de ser parte para resolver o assunto é parte do problema, porque temos um social media que insiste em passar informação seletiva. Quanto a isto, quero só dizer que temos enfermeiros a trabalharem mais que as 35h semanais, a receberem 1201€ há god knows how long, em condições para as quais outras profissões são apoiadas por estas reivindicações. Isto está a ser feito também com o melhor interesse dos utentes - volto a lembrar que cirurgias urgentes, emergentes e oncológicas continuam a ser realizadas (não que as outras não sejam importantes mas toda a gente tem direito à greve, certo?) - porque profissionais com os seus direitos reinvindicados são profissionais que não vão trabalhar em exaustão porque não chega fazer 35h semanais num hospital (é preciso ir fazer mais turnos noutros sítios e muitas vezes ter apenas 1 dia de descanso por semana). Quanto a isto não me vou alongar porque quem quer perceber esta luta e quem quer perceber que ninguém está a atirar em vista com o mau interesse dos utentes, percebe e entende, quem não quer, não quer; até porque os posts nem eram sobre isto.
Repara que escrevi que "têm umas coisas a argumentar", não necessariamente que tenham toda a razão ;) Porque sim, o SNS anda a viver em subfinanciamento, os enfermeiros são mal pagos (e as outras profissões da saúde também!), a ministra manda para o ar que os enfermeiros querem 2746 euros (ilíquidos) para salário de enfermeiro especialista - o que é exatamente o salário (ilíquido) de um médico especialista, que é para meter uns contra os outros (ou manda para o ar o boato de que há médicos anestesistas a receber 500 euros/hora na noite de natal, embora admita logo a seguir que "não foi possível" - claro que não foi porque isso é um valor tão estupidamente alto que nunca ninguém pagaria, lol). Agora, em última análise uma cirurgia só é feita por duas razões: para aumentar a sobrevida do doente ou para aumentar a sua qualidade de vida. As cirurgias que ameaçam a sobrevivência a curto prazo são feitas, sem dúvida alguma - mas se o assunto é aumento de sobrevida a médio/longo prazo, não sei (sinceramente) onde se escreveu a linha desta greve. E cirurgias que afetam a qualidade de vida não são feitas, mas, lá está, interferem com o bem-estar das pessoas... Para cada uma das milhares de pessoas que viram a sua cirurgia ser adiada por esta greve o melhor interesse, individualmente, seria terem sido operados; isto é indiscutível e dizer o contrário implicaria muita demagogia. O que se pode argumentar é que eventualmente a greve quer defender o melhor interesse dos doentes numa perspetiva macro, mesmo que prejudique os milhares de doentes individuais... E ouvir a Bastonária dos Enfermeiros a dizer que é impossível reprogramar nos próximos anos estas cirurgias para o SNS em tempo útil, na minha opinião não abona muito a favor da greve; sobretudo tendo em conta que foi/é uma greve que teve um modelo de financiamento não totalmente impermeável a contribuições das empresas privadas de saúde - para onde, seja com vales-cirurgia ou com dinheiro saído diretamente do seu próprio bolso, muitas das pessoas prejudicadas por esta greve acabarão por ser operadas. Os posts anteriores não eram sobre isto e por isso o comentário veio em spoiler; mas parecia-me um 'elefante na sala' andarmos aqui a discutir se "o melhor interesse dos doentes" tão explícito no código deontológico dos enfermeiros é um homem ter direito a exigir que seja um enfermeiro homem a dar-lhe banho, e não haver sequer um comentário sobre esta greve... afinal, é um exemplo de como a lei (neste caso, do direito à greve; noutros, da não discriminação) entra em conflito com o código deontológico.
 
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TigasPraz

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Olá a todos, eu queria que alguém me falasse sobre o curso de Enfermagem, o que é e o que se aprende de facto nele e também saídas profissionais pois cada vez mais ouve-se falar acerca das greves etc... e estou preocupado se devo ou não seguir este curso, e também gostaria de saber o salário médio de um enfermeiro pediátrico.
Obrigado desde já.
 
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Andreia C.

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Olá a todos, eu queria que alguém me falasse sobre o curso de Enfermagem, o que é e o que se aprende de facto nele e também saídas profissionais pois cada vez mais ouve-se falar acerca das greves etc... e estou preocupado se devo ou não seguir este curso, e também gostaria de saber o salário médio de um enfermeiro pediátrico.
Obrigado desde já.
Oi!
O curso de Enfermagem depende da Faculdade que frequentares, no entanto, as bases são parecidas, com anatomia e fisiologia humana, farmacologia, história de enfermagem e outras cadeiras específicas de enfermagem onde aprendes o aspeto técnico social da enfermagem. Tens também estágio (que não é remunerado, embora algumas pessoas pensem que sim) em contexto hospitalar, em centros de saúde (ou locais parecidos), em lares, etc.
Como funções gerais, um enfermeiro pode fazer coisas como (mas não só) punções venosas (para recolha de sangue e para inserção de vias periféricas - cateteres), algaliação, entubação naso e orogástrica (tubos inseridos no nariz ou na boca que chegam ao estômago, para alimentação), vacinação, injeções, consultas de enfermagem, preparação e administração de terapêutica, banhos e ensinos, assistimos (e realizamos) partos, etc. Enfermeiros especialistas podem realizar procedimentos mais “médicos”.
Quanto a saídas profissionais, esta greve cirúrgica não se deve às saídas profissionais, per se, mas sim à remuneração e à valorização da profissão relativamente à carreira. Um enfermeiro generalista - que trabalhe nas instituições públicas - recebe de base 1201€ (bastante menos do que um licenciado recebe noutras profissões, diga-se de passagem), os especialistas têm um “bónus” de 100€ e mais qualquer coisinha. Até há pouco tempo a progressão na carreira estava congelada (normalmente, a cada 5 anos, progrediríamos, aumentando de escalão) pelo que existiam enfermeiros com 15 ou mais anos a receber o mesmo salário de base. Ficas já com a noção que não é uma profissão que se tem porque queres muito dinheiro - a não ser que vás para fora e mesmo assim...
Relativamente à especialização, já disse que um enfermeiro especialista (onde se enquadram os enfermeiros de Saúde Infantil e Pediatria) recebem, em adição ao salário base, um bónus de 120 e poucos euros se não me engano. Neste momento, luta-se pra que recebam de base mais do que os 1201 e, para além disso, tenham uma carreira (que de momento não tem).
Quero também dizer que até agora estou a gostar do que tenho experienciado, mas é preciso gostar do que se faz - o que hoje em dia, é válido para tudo; estares numa profissão por obrigação é meio caminho andado para a infelicidade.
Espero que tenha esclarecido as tuas duvidas!
 

Filipa.ADTavares

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Eu gostava de ter informações sobre as faculdades que têm licenciatura em enfermagem. Achava que a UL tinha, mas quando consulto o sait só me aparece doutoramento em enfermagem.
 

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Eu gostava de ter informações sobre as faculdades que têm licenciatura em enfermagem. Achava que a UL tinha, mas quando consulto o sait só me aparece doutoramento em enfermagem.
Aqui tens todas as instituições que têm o curso de Enfermagem: Acesso ao Ensino Superior 2018 - Índices de Cursos (por curso e instituição)
Enfermagem é sempre uma licenciatura do ensino politécnico, mesmo que, por vezes, pareça que seja dada numa universidade/faculdade (ex: Universidade de Aveiro).
 
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BiaC

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Olá, gostaria que me esclarecessem as diferenças existentes no curso de Enfermagem na UTAD e na UMinho e fazer um breve resumo de como funciona em cada uma delas. Obrigada! 🙂
 

TigasPraz

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Olá, tenho uma dúvida: Os enfermeiros obstetras podem suturar depois do parto natural?
 
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Andreia C.

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Enfermagem
Olá, tenho uma dúvida: Os enfermeiros obstetras podem suturar depois do parto natural?
Se ocorrer laceração ou episiotomia que o justifique, sim.
Mensagem fundida automaticamente:

Olá, tenho uma dúvida: Os enfermeiros obstetras podem suturar depois do parto natural?
Aliás, o enfermeiro pode suturar, ponto final. Se souber. Não acontece porque normalmente são formações extra e normalmente há médicos presentes que o façam.
 

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