Engenharia do Ambiente

Lia Mei

Membro Caloiro
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16 Junho 2016
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Curso
Economia
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Universidade de Évora
Olá :smiley: Após uma procura intensiva ao longo de todo o ano por um curso que me cative, dei de caras com Engenharia do Ambiente na UNL-FTC. No entanto, não encontro informações nenhumas relativamente a esse curso. Será que alguém me pode falar um pouco dele e ajudar-me a descobrir que é isso que é realmente indicado para mim?! :yum:
Tenho estado um pouco reticente relativamente a essa área porque tive algumas dificuldade em acabar física e química no 11º, então será que sendo esse curso uma engenharia eu me consigo "safar" nas cadeiras relacionadas com física e química?
 

LordKelvin

O Santo
Especialista
Medicina & Saúde
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20 Julho 2015
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Curso
Medicina
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FMUL
Boa noite!
Há por aqui algum estudante de Engenharia do Ambiente? Um colega meu gostaria de ter acesso a pormenores sobre o curso, nomeadamente sobre a sua aplicação no mercado de trabalho, o plano geral de estudos, etc.
Grato pelo tempo dispensado!
 
Matrícula
31 Janeiro 2017
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Curso
Genética e Biotecnologia
Instituição
UTAD
Olá! Será que alguém me podia dar algumas informações sobre o curso de Engenharia do Ambiente? Se entrasse seria na FEUP, que é o que está mais perto aqui de casa xD Anyways, o que me podem dizer sobre empregabilidade, plano de estudos e basicamente sobre o curso em si, o que podem fazer e whatnot?
Obrigado! :)
 

1CornMarvalous

Membro Caloiro
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12 Abril 2017
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Boas!
Estou no 12ºano e ainda não tenho bem a certeza do que quero seguir exatamente na universidade, mas estive a pesquisar sobre Engenharia do Ambiente e é algo que me interessa bastante. Contudo, eu gostaria de saber mais sobre o curso e futuramente empregabilidade.
O que me aconselham?
Muito obrigado!
 
Última edição:

Isa Góis

Membro
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29 Julho 2015
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Curso
Eng. do Ambiente
Instituição
ISA - ULisboa
Boas!
Estou no 12ºano e ainda não tenho bem a certeza do que quero seguir exatamente na universidade, mas estive a pesquisar sobre Engenharia do Ambiente e é algo que me interessa bastante. Contudo, eu gostaria de saber mais sobre o curso e futuramente empregabilidade.
O que me aconselham?
Muito obrigado!
Olá! Estou no último ano de engenharia do ambiente no Instituo superior de agronomia, ando um bocado a correr mas se me quiseres fazer algumas questões específicas sobre a faculdade ou sobre o curso fica a vontade!
 

António Gomes

Membro Veterano
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4 Agosto 2016
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Curso
Engenharia de Polímeros
Instituição
UMinho
Sou Engenheiro do Ambiente formado na FEUP e com 6 anos de experiência. Relativamente à questão da empregabilidade,a resposta é simples: fujam da Engenharia do Ambiente, e já era para ontem. E considerem este o melhor conselho que vos deram até à data. Porque a não ser que tenham uma boa cunha para o setor público, se estão a pensar fazer carreira no setor privado, mudem já de curso e não gastem nem mais um tostão. É um curso difícil e trabalhoso e vão ser tratados da mesma forma, e/ou ganhar o mesmo ou menos que outros cursos mais leves. A razão é simples, há milhares de licenciados com o mesmo curso ou cursos similares. E o mercado adaptou-se, esmagando os salários e os contratos.

Neste momento a média salarial da carreira há-de andar lá para os 700 (brutos). Progressão profissional, não existe, quer sejam bons ou maus profissionais, o topo da carreira será sempre os 1000 euros. A rotatividade é elevada, contratos a prazo e troca de emprego é a norma. Dos meus colegas, à excepção dos que se meteram no Doutoramento, os restantes ou estão em trabalhos precários ou desempregados. Emigração também é difícil pois é um curso que tem muito pouca aceitação de mercado, mesmo a nível internacional. Os únicos que tiveram mais juízo foram os que foram tirando outros cursos, como por exemplo Engenharia Mecânica.

Outra coisa péssima é que se trata de um Curso que não dá para desenvolver uma atividade independente e ganhar algum extra, pois não é "dono" de nenhuma atividade exclusiva, como por exemplo são os Civis.

Quem vos disser o contrário, das 3 uma: ou está a mentir; ou entrou no tempo das vacas gordas com outro tipo de contratos; ou não conhece o mercado de trabalho.
É bom este comentário, pois o forum é frequentado por muitos jovens que vão entrar no superior, e se tiverem alguém com experiência a opinar escusam de perder tempo precioso e dinheiro aos pais, em cursos cuja saída é quase nula, pois estudar no superior, particularmente, quando fora da sua residência não fica barato. Se pretenderem esta área, escolham formações mais clássicas, como mecânica ou eletrotécnica. É preciso ter coragem, e quando o mercado não está famoso, não digo fechar o curso, mas cortar em 50% ou mais as vagas, poderia ser uma solução.
 

Luís Todo Bom

Membro Dux
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23 Agosto 2016
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Curso
Engenharia dos juros
Instituição
ISEG
É bom este comentário, pois o forum é frequentado por muitos jovens que vão entrar no superior, e se tiverem alguém com experiência a opinar escusam de perder tempo precioso e dinheiro aos pais, em cursos cuja saída é quase nula, pois estudar no superior, particularmente, quando fora da sua residência não fica barato. Se pretenderem esta área, escolham formações mais clássicas, como mecânica ou eletrotécnica. É preciso ter coragem, e quando o mercado não está famoso, não digo fechar o curso, mas cortar em 50% ou mais as vagas, poderia ser uma solução.
Nao concordadando contigo compreendo a opiniao. Acho que "as mais classicas no entanto nao sao as mais seguras. Há um emergir de engenharias que no futuro darao grandes boom´s.
 

António Gomes

Membro Veterano
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4 Agosto 2016
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Curso
Engenharia de Polímeros
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UMinho
Nao concordadando contigo compreendo a opiniao. Acho que "as mais classicas no entanto nao sao as mais seguras. Há um emergir de engenharias que no futuro darao grandes boom´s.
Tanto mecânica como eletrotécnica, são cursos de banda larga, dão formação para um leque de saídas enorme, e tanto um eng.º mecânico como eletrotécnico bom, nunca fica desempregado, são cursos onde se aprendem matérias muito diversas e que arranjam trabalho em qualquer área da indústria. Os mecânicos podem perfeitamente concorrer para trabalhos de outras áreas como materiais, EGI, metalúrgica, plásticos, é de banda larga e sempre uma escolha mais segura do que, por exemplo, ambiente. As engenharias da nova vaga, vão buscar a base às mais clássicas, e que, como têm nomes atrativos chamam muita gente, mas a base é a mesma das engenharias clássicas.
 

Luís Todo Bom

Membro Dux
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23 Agosto 2016
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Curso
Engenharia dos juros
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ISEG
Nao é hype nenhum. Ha engenharias que serão de facto boas. Algumas tambem se percebe que ha fortes razoes para no futuro estagnar.
 

António Gomes

Membro Veterano
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4 Agosto 2016
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Curso
Engenharia de Polímeros
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UMinho
Meu caro eu diria logo à cabeça que 70 a 80 % dos cursos em Portugal são uma farsa e não têm o mínimo de ligação com as necessidades do mercado de trabalho. Continuam-se a iludir os jovens, e os desgraçados dos pais, que muitas vezes se andam a esganar para dar um curso aos filhos.

Quanto a cortar vagas e cursos não se acredite nisso, o ensino é uma indústria e há muita gente a lucrar com isso - professores, diretores, administrativos, editoras, centros de cópias, ex-ministros e secretários de estado à espera da reforma dourada, etc.. São esses os verdadeiros interessados na farsa, e que continuam a vender o sonho à carneirada nos vários debates e prós e contras desta vida. A razão é simples, sem carneirada a pagar não há propinas, não há fundos do OE, e não há euros para lhes manter o tacho.

Ainda assim acho absolutamente incrível como depois de uma crise gravíssima nada se aprendeu. Continuam a haver milhares de cursos em Portugal, a maioria deles com os dados de empregabilidade aldrabados. Ainda outro dia estive a ver a lista de cursos de um politécnico da região e até fiquei doente.. A quantidade infindável de cursos que para ali iam ... Coisas como "psicologia do ambiente" ... estes tipos de facto são de uma criatividade imensa quanto toca a manter o seu emprego.



Cuidado com os Hypes. Quando entrei em Ambiente a média estava elevadíssima e o Ambiente estava na moda. Eram pazadas de artigos a vender que o ambiente era o futuro.

13 anos volvidos e o Ambiente nunca saiu da cepa torta.
Como tu foste enganado na altura de escolher o curso, muita gente o foi. É importante alertar os jovens, porque é sempre um jogo de interesses que gira à volta do ensino, para manter intactos os objetivos de alguns. Muitas vezes os números da empregabilidade estão martelados, para atrair as pessoas para um determinado curso. Não foi por acaso que disse que é necessário coragem para reduzir as vagas. Muita gente que foi para civil há uns 10 ou 15 anos atrás, passou por dificuldades na altura da crise económica, agora penso que já se está a inverter. É que se tiras um curso e depois não consegues emprego na área ou com condições dignas para a tua formação, pode trazer outros problemas, não só económicos mas de ordem emocional e de frustração, que é sempre bom tentar evitar.
 

António Gomes

Membro Veterano
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4 Agosto 2016
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Curso
Engenharia de Polímeros
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UMinho
Civil está de facto a inverter, mas é tudo muito ténue. Ainda vai demorar muito tempo a voltar ao que era, se é que algum dia vai voltar.

A maioria dos Eng. Civis que conheço não está a exercer na área, e os que exercem no principal setor (Construção) continuam com ordenados de miséria. Conheço Diretores de Obra com experiência e que levam 700-800 euros por mês.

O que os vai safando é o facto de ser um curso com muitas competências e que permite exercer noutros setores, como por exemplo a gestão.
Faz-me impressão todos aqueles alunos que entravam em civil às centenas e centenas naqueles anos, e foram com uma ilusão de ter um mercado bom, mas os eng.ºs civis que conheço, estão muito bem, mas tiveram todos de emigrar, mas ganham muito mais do que esse valor que disseste de 700€.

Deixa-me que te diga que o cenário hoje caminha em sentido oposto, se analisarmos a quantidade de colegas que saiu o ano passado (2016/2017) e conseguiu emprego, alguns deles nas próprias empresas onde desenvolveram tese. Uma coisa é analisar o teu percurso e a tua experiência, outra é extrapolá-la para todos os outros. Quando suspostamente dizes que acabaste o curso há 6 anos, nem Civil se recomendava. Lembro-te só que Civil na FEUP chegou a ter média de entrada de 10,5 há coisa de 3/4 anos e não preenchia as vagas todas. Hoje o cenário também se está a inverter para eles na procura. E, já agora, há colegas do teu ano que trabalham! A tua perspetiva poderá ser a de qualquer outro de um outro curso que esperava chegar ao fim e ter outro percurso. Poderia ouvi-la na mesma de um engenheiro químico, civil ou afins. Para meu espanto e se calhar para espanto de muitos que aqui estão, ainda este ano na feira de emprego da FEUP estava presente uma banca dos CTT que recrutava todos os engenheiros de todas as áreas e fui lá encontrar um engenheiro eletrotécnico da FEUP a testemunhar o seu percurso na empresa, dizendo que ao longo do programa Trainee que fez, trabalhou em tudo menos eletrotecnia. E não se previa que fosse exercer eletrotecnia. Por acaso ele estava satisfeito e até confessou não gostar de programar (e há disso a rodos no curso, nem percebi porque o fez....). Mas o que quero dizer com isto é que muitas vezes o mercado não recruta como nós estávamos à espera e esse problema é transversal a muitos cursos. Vais para uma empresa, fazes um programa trainee e acabas a gerir a divisão de marketing ou outra treta qualquer como provavelmente esse rapaz vai fazer. Muitas vezes, o nosso desafio para fazermos o que queremos é mexermo-nos nesse sentido. Este ano, se tivesses vindo ao Fórum, se calhar terias ouvido três testemunhos brilhantes da atuação do ambiente a nível empresarial. Um deles de um engenheiro do ambiente que se formou há bastante tempo em Aveiro, gere e impulsionou várias empresas na qualidade do ar, ruído e tráfego e é um exemplo de sucesso (Carlos Pedro Ferreira, procura...). Outro deles foi de uma ex-colega nossa que está a exercer na Penafiel Verde e olha que ela não acabou o ano passado. Também nesse mesmo dia, lançaram o desafio na Voltalia e na QART para candidaturas de emprego, se estás insatisfeito manda-te com o CV. O que faz diferença não é queixar com testemunhos vazios a longo prazo, mas tentar mudar e arriscar. O teu testemunho poderia ser o mesmo de um engenheiro civil ou químico que acabou há 6 anos (quantos não haverá assim?). E isso que dizes de não haver progressões, nem consigo acreditar que te li a dizer isso como se fosse algo exclusivo de um profissional de engenharia do ambiente. Hoje, em Portugal, o que mais há a combater é a precariedade no trabalho jovem! É mentira, por completo, a ligação adulterada que fazes porque poucos são os que saem e ganham aos 3000 euros de imediato! Haverá, sim, uns que conseguem progredir mais rápido e outros nem tanto. Mas não é geral nem num caso nem noutro. E também é mentira que a emigração, caso seja opção, seja difícil! O curso não tem difícil aceitação em mercados como o italiano, romeno, o polaco e até o americano. Prova disso existe quando não faltam estudantes estrangeiros de Erasmus a virem para cá e outros nossos a irem. Se fosse um curso de fraca aceitação, não haveria formação nestas áreas fora de Portugal...

Quanto ao curso, se procuram uma engenharia de conhecimento multifacetado, que vai desde a análise de risco ambiental, ao tratamento de águas e resíduos, às energias, ao planeamento de território, à acustica ambiental, à caracterização de emissões gasosas e ainda à gestão de recursos hídricos, a engenharia do ambiente é o curso que devem escolher, sem dúvida! E é desse curso que levam bases sólidas para trabalharem numa área que cada vez mais se promete de futuro.
Concordo com o que dizes, na medida em que não está famoso para nenhum curso, nem se ganha logo de início 3000€ em nenhum curso. Mas o facto de existir muitos cursos que podem concorrer com uma determinada formação não ajuda em nada para se ter boa saída e bom mercado de trabalho. Para termos uma ideia da saída e do mercado de trabalho, mecânica tem taxa de desemprego de 3,1% e ambiente tem taxa de 14,9% isto na FEUP, no site, infocursos.mec.pt. Volto a repetir, formações mais clássicas e mais antigas, podem ser mais seguras, uma vez que abrem um mercado mais variado, trabalham em todas as áreas da economia. Por exemplo, na minha área, um mecânico, materiais, EGI ou mesmo químico pode fazer o meu trabalho, isto se tiverem 1 ano de experiência na minha área de trabalho para aprender, podem concorrer comigo perfeitamente.
 
F

Filipe Moisés

Guest
Faz-me impressão todos aqueles alunos que entravam em civil às centenas e centenas naqueles anos, e foram com uma ilusão de ter um mercado bom, mas os eng.ºs civis que conheço, estão muito bem, mas tiveram todos de emigrar, mas ganham muito mais do que esse valor que disseste de 700€.



Concordo com o que dizes, na medida em que não está famoso para nenhum curso, nem se ganha logo de início 3000€ em nenhum curso. Mas o facto de existir muitos cursos que podem concorrer com uma determinada formação não ajuda em nada para se ter boa saída e bom mercado de trabalho. Para termos uma ideia da saída e do mercado de trabalho, mecânica tem taxa de desemprego de 3,1% e ambiente tem taxa de 14,9% isto na FEUP, no site, infocursos.mec.pt. Volto a repetir, formações mais clássicas e mais antigas, podem ser mais seguras, uma vez que abrem um mercado mais variado, trabalham em todas as áreas da economia. Por exemplo, na minha área, um mecânico, materiais, EGI ou mesmo químico pode fazer o meu trabalho, isto se tiverem 1 ano de experiência na minha área de trabalho para aprender, podem concorrer comigo perfeitamente.
António, ainda aguardo a atualização dessa taxa este ano que vai reportar os valores de 2016/2017. Contudo, apesar de ser uma fonte válida de consulta, acrescento apenas que não é bem a mesma coisa comparar a taxa de desempregados de engenharia do ambiente com engenharia mecânica. Se no primeiro há 36 vagas anuais e saem cerca de 25 ao ano, no segundo há cerca de 300 e saem 200 (isto, claro, admitindo que alguns ficam pelo caminho). Por isso, como compreenderás, o cálculo em termos de percentagens não te diz muito sobre comparação, em números, dos que estão desempregados ou não. Dois desempregados em engenharia do ambiente correspondem a uma percentagem maior do que em engenharia mecânica. No entanto, concordo quando dizes que hoje determinadas áreas podem não favorecer tanto na procura, principalmente quando competem com outras. Mas a questão sublinha-se: HOJE! E amanhã? A formação e a forma como se pensa os cursos não é estagnada no tempo. Há 80 anos atrás não se pensava o engenheiro civil se não fosse para o setor da construção (aliás, ainda hoje essa associação é imediata...). Mas os engenheiros civis têm formação para atuar na hidráulica e recursos hídricos, no planeamento urbano, na geotecnia, na acústica de edifícios, etc. Do mesmo modo, há 50 anos atrás, não se pensava o engenheiro químico como podendo atuar noutras áreas que não a de produção e a gestão de processos industriais. Hoje, os engenheiros químicos têm um papel mais multifacetado. Por exemplo, chegam a ter formação para atuar na área de energia e da biotecnologia. Há 50 anos estes temas não estavam no auge ou estavam apenas no início dos avanços científicos e era impensável ver os engenheiros químicos a atuar nisto. Isto mesmo se verifica com a engenharia do ambiente que há uns anos atrás era muito ligada exclusivamente ao tratamento de águas, aliás era quase a única área de atuação. Hoje não! Num contexto de futuro, em que cada vez é mais proposto o desafio de encontrar soluções que venham a repensar todo o papel empresarial e social sobre os problemas ambientais, o engenheiro do ambiente tem, de certeza, terreno para caminhar. E quem diz que o engenheiro do ambiente não dará lucro a uma empresa, engana-se. Mais um exemplo: sei de um colega que está para defender a tese em breve (frequentou-a no 1º semestre transato) e já tem proposta de emprego numa empresa de produção de queijos, onde estará envolvido num projeto que pretende melhorar a eficiência no consumo de água pela empresa. E este é só um belo exemplo do que descrevi: se há 20 anos se pensava o engenheiro do ambiente exclusivamente como responsável pelo tratamento de águas, hoje já se pensa como podendo atuar na optimização de processos industriais, muito particularmente na gestão de consumos. É precisamente por esta constante mudança na visão da atuação de cada profissional que, como bem dizes, qualquer um desses profissionais pode concorrer contigo para exercer na área em que trabalhas.
 
Editado por um moderador:

António Gomes

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Curso
Engenharia de Polímeros
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UMinho
António, ainda aguardo a atualização dessa taxa este ano que vai reportar os valores de 2016/2017. No entanto, concordo quando dizes que hoje determinadas áreas podem não favorecer tanto na procura, principalmente quando competem com outras. Mas a questão sublinha-se: HOJE! E amanhã? A formação e a forma como se pensa os cursos não é estagnada no tempo. Há 80 anos atrás não se pensava o engenheiro civil se não fosse para o setor da construção (aliás, ainda hoje essa associação é imediata...). Mas os engenheiros civis têm formação para atuar na hidráulica e recursos hídricos, no planeamento urbano, na geotecnia, na acústica de edifícios, etc. Do mesmo modo, há 50 anos atrás, não se pensava o engenheiro químico como podendo atuar noutras áreas que não a de produção e a gestão de processos industriais. Hoje, os engenheiros químicos têm um papel mais multifacetado. Por exemplo, chegam a ter formação para atuar na área de energia e da biotecnologia. Há 50 anos estes temas não estavam no auge ou estavam apenas no início dos avanços científicos e era impensável ver os engenheiros químicos a atuar nisto. Isto mesmo se verifica com a engenharia do ambiente que há uns anos atrás era muito ligada exclusivamente ao tratamento de águas, aliás era quase a única área de atuação. Hoje não! Num contexto de futuro, em que cada vez é mais proposto o desafio de encontrar soluções que venham a repensar todo o papel empresarial e social sobre os problemas ambientais, o engenheiro do ambiente tem, de certeza, terreno para caminhar. E quem diz que o engenheiro do ambiente não dará lucro a uma empresa, engana-se. Mais um exemplo: sei de um colega que está para defender a tese em breve (frequentou-a no 1º semestre transato) e já tem proposta de emprego numa empresa de produção de queijos, onde estará envolvido num projeto que pretende melhorar a eficiência no consumo de água pela empresa. E este é só um belo exemplo do que descrevi: se há 20 anos se pensava o engenheiro do ambiente exclusivamente como responsável pelo tratamento de águas, hoje já se pensa como podendo atuar na optimização de processos industriais, muito particularmente na gestão de consumos. É precisamente por esta constante mudança na visão da atuação de cada profissional que, como bem dizes, qualquer um desses profissionais pode concorrer contigo para exercer na área em que trabalhas.
Eu não tenho nada contra a eng.ª do ambiente nem com curso nenhum. Aliás, as pessoas escolhem o que quiserem e o que gostarem mais. Mas eu ponho-me no lugar de alguns jovens, que vão para cursos com mercado mau e com competição feroz e com muita gente desempregada, que depois ou não conseguem emprego na área ou ganham mal para as qualificações que têm, as pessoas devem estar alertadas para isso e evitar situações dessas, pois fazem-lhe mal não só em termos de situação pessoal de vida (vida pessoal adiada) mas principalmente em termos psicológicos de frustração a essas pessoas. Para além do tempo e dinheiro gasto nesses cursos, apenas isso. Que são 3 ou 5 anos mal gastos e milhares de euros dos pais em vão.
 
F

Filipe Moisés

Guest
Eu não tenho nada contra a eng.ª do ambiente nem com curso nenhum. Aliás, as pessoas escolhem o que quiserem e o que gostarem mais. Mas eu ponho-me no lugar de alguns jovens, que vão para cursos com mercado mau e com competição feroz e com muita gente desempregada, que depois ou não conseguem emprego na área ou ganham mal para as qualificações que têm, as pessoas devem estar alertadas para isso e evitar situações dessas, pois fazem-lhe mal não só em termos de situação pessoal de vida (vida pessoal adiada) mas principalmente em termos psicológicos de frustração a essas pessoas. Para além do tempo e dinheiro gasto nesses cursos, apenas isso. Que são 3 ou 5 anos mal gastos e milhares de euros dos pais em vão.

Eu percebo e não estou a dizer isso! E claro que há cursos onde isso é óbvio simplesmente porque não há sequer desafios futuros que possam trazer perspetivas profissionais nesses cursos. Basta correr as Escolas Superiores de Educação dos nossos Politécnicos para ver isso. Discordo é dessa visão nas engenharias, muito particularmente na minha. Sendo a engenharia um curso da resolução de problemas e da procura de soluções, ao congregar a ciência e a tecnologia nesse sentido, os desafios são múltiplos para se entender como intrínseco que a visão sobre o papel de atuação de uma engenharia x hoje será outro amanhã. Nós vivemos num mundo de mudanças e desafios constantes e é precisamente isso que pede a existência de uma engenharia A ou B. E a experiência que se tem tido é que as engenharias surgem ou adaptam a sua formação porque têm potencial para progredir num caminho novo que antes não se pensava sequer. No meu entender, a engenharia é das poucas formações superiores onde isto acontece.
 

António Gomes

Membro Veterano
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4 Agosto 2016
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Curso
Engenharia de Polímeros
Instituição
UMinho
Eu percebo e não estou a dizer isso! E claro que há cursos onde isso é óbvio simplesmente porque não há sequer desafios futuros que possam trazer perspetivas profissionais nesses cursos. Basta correr as Escolas Superiores de Educação dos nossos Politécnicos para ver isso. Discordo é dessa visão nas engenharias, muito particularmente na minha. Sendo a engenharia um curso da resolução de problemas e da procura de soluções, ao congregar a ciência e a tecnologia nesse sentido, os desafios são múltiplos para se entender como intrínseco que a visão sobre o papel de atuação de uma engenharia x hoje será outro amanhã. Nós vivemos num mundo de mudanças e desafios constantes e é precisamente isso que pede a existência de uma engenharia A ou B. E a experiência que se tem tido é que as engenharias surgem ou adaptam a sua formação porque têm potencial para progredir num caminho novo que antes não se pensava sequer. No meu entender, a engenharia é das poucas formações superiores onde isto acontece.
Já está tudo descoberto, já se falava de um cluster aeronáutico no Alentejo, imagina que se instalava lá umas dezenas de empresas dessa área, que não montam esses sistemas mas que produzem ou peças ou componentes, e vai abrir um curso em Beja de ciências aeronáuticas, para fornecer essas indústrias. Toda a gente diz que é o futuro e que é muito concorrido. No entanto, quando essa pessoa se formar nesse curso e vai concorrer para trabalhos nessas empresas no Alentejo, concorre com eng.º mecânicos, materiais ou EGI, uma vez que esses cursos já abordam essa temática, particularmente dos materiais compósitos da aeronáutica. Esses cursos de banda larga, já concorrem para essas vagas de trabalho e muitas vezes vai tirar o trabalho a essa pessoa. É precisamente isto que pode acontecer com cursos como esse, ambiente ou o meu, por exemplo, que concorrem comigo, desde mecânica, materiais, EGI e química. É um curso com nome diferente, mas que no fundo é igual e concorre com esses cursos todos que disse atrás, e que muitas vezes me tira trabalho.
 

António Gomes

Membro Veterano
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4 Agosto 2016
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Curso
Engenharia de Polímeros
Instituição
UMinho
Parece-me redutor pensar dessa forma! Há sempre áreas de atuação exclusivas dos cursos e há outras que se podem cruzar. Não vais pedir a um engenheiro mecânico que vá tratar águas ou reabilitar solos. Pouco vai saber ou perceber. Nem vais pedir ao engenheiro do ambiente que te faça uma peça para uma máquina x. Podes pedir a ambos que façam uma avaliação de eficiência energética de um edifício. Se calhar um vai focar-se mais em termos de equipamentos e o outro se calhar acrescentará a isso uma perspetiva de sustentabilidade que garanta resultados adicionais a longo prazo. Nunca é igual, garanto que, pela formação de cada um, haveria perspetivas diferentes na sua conceção. Um médico pode dar conselhos de alimentação a um doente, mas um nutricionista tem uma perspetiva diferente e vai dar outro acompanhamento. Eu concordo quando dizes que há concorrência nas candidaturas mas discordo quando dizes que são "no fundo cursos iguais" ou "banda larga". Não são e têm objetivos diferentes. É também por isso que hoje o desafio, mais do que a média de curso, é ter ferramentas que te fazem mostrar que tens potencial para estar no lugar em vez de outro que concorreu. E há também a carta dos direitos e deveres dos profissionais que delineia o que é ou não área de intervenção de cada um. Sinceramente, já vi mais esse problema como limitação. Hoje vejo como desafio a sermos bons no que fazemos tanto quanto pudermos ser. Parte cada vez mais de nós mostrarmos que, se preferem A porque tem as características x e y e pode exercer mais funções, nós temos acima disso as características w e z e também temos as mesmas capacidades. Penso que também é um pouco isto.
Filipe, realmente na teoria é assim que dizes e devia ser, mas na prática (onde eu trabalho todos os dias), é bem diferente, existem muitas formações que concorrem numa área e que retira trabalho, a vários cursos, incluindo o meu, ambiente e outros. Na minha área, já vi mais de uma dezena de formações de superior diferentes a fazer um trabalho que devia ser meu e de pessoas com a minha formação (e que muitas vezes não desempenham da mesma forma e qualidade), e o mesmo pode acontecer com ambiente e muitos outros. Assim não só baixa salários, porque o empresário português vai baixar o salário se tiver muitos candidatos a uma vaga, vulgo 'estaginhos' profissionais, como vamos ter uma precariedade enorme nos contratos. Isto na teoria é como dizes agora na prática e no dia-a-dia, já não funciona da mesma forma.
 

António Gomes

Membro Veterano
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Curso
Engenharia de Polímeros
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UMinho
Pela tua conversa nota-se bem que das duas uma: ou és estudante, ou acabaste de sair do curso.

Quanto ao resto, lê o meu post. Eu não falei sobre a empregabilidade da Engenharia do Ambiente, falei sim sobre as perspetivas da carreira, que são muito poucas. Conservem este fórum, e vem cá falar daqui a 7 ou 8 anos.

- Sim, existe mercado de trabalho;
- Sim, é claro que vai haver sempre recém-formados a arranjar trabalho, tal como eu arranjei e felizmente ainda tenho;
- E sim, existem e vão continuar a existir casos de sucesso, como em todo o lado.

Mas eu quando falo, refiro-me à média geral, e à tendência de contratação da maioria das empresas.

Conheço bem o mercado, conheço a maioria das grandes empresas do setor, e conheço as propostas que são feitas.

Poderás dizer o mesmo? Ou vais cingir a tua argumentação a esse paleio académico, e a um ou dois casos que conheces do forum ou da faculdade, para extrapolares para os 30 ou 40 alunos que saem todos os anos? É que é precisamente disso que se trata quando a maioria dos caloiros vem a este forum perguntar sobre as perspetivas.
Concordo contigo, não faz muito sentido falar num caso ou 2 de sucesso, interessa são a maioria dos alunos que acabam o curso, isso sim é mais importante. Importante é falar na generalidade dos alunos que saem. Porque pode até conseguir emprego, agora com que condições é esse emprego? Provavelmente com poucas ou nenhumas perspetivas de carreira. Interessa não pintar um quadro perfeito que não corresponde à realidade, é importante alertar as pessoas interessadas (futuros caloiros) para evitarem certos cursos.
 

O2000

Membro Veterano
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25 Junho 2017
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Concordo contigo, não faz muito sentido falar num caso ou 2 de sucesso, interessa são a maioria dos alunos que acabam o curso, isso sim é mais importante. Importante é falar na generalidade dos alunos que saem. Porque pode até conseguir emprego, agora com que condições é esse emprego? Provavelmente com poucas ou nenhumas perspetivas de carreira. Interessa não pintar um quadro perfeito que não corresponde à realidade, é importante alertar as pessoas interessadas (futuros caloiros) para evitarem certos cursos.
Quais achas que são os cursos de engenharias que são mais de evitar e os que são mais atrativos a nível de saídas?
 

António Gomes

Membro Veterano
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4 Agosto 2016
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Curso
Engenharia de Polímeros
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UMinho
Quais achas que são os cursos de engenharias que são mais de evitar e os que são mais atrativos a nível de saídas?
Eu evitava ambiente devido ao post anterior do KLM. Civil e química também não estão muito famosos. Eu escolhia mecânica, EGI, eletrotécnica ou informática. Biomédica desconheço como está o mercado. A questão é simples, trabalhar numa fábrica e ambiente industrial, escolhe EGI ou mecânica, novas tecnologias e programação, informática ou eletrotécnica, num ambiente mais de escritório, ao contrário ambiente industrial e de fábrica de mecânica e EGI. Eu escolhia uma dessas 4. Mas mecânica ou eletrotécnica são excelentes cursos com muitas vertentes que te podes especializar e são de banda larga, trabalham em todas as áreas industriais e da economia.

Ou então podes optar por dar uma espreitada ao meu curso (polímeros) ou materiais que também são muito bons. Para teres uma ideia, no meu tempo de estudante andava no 3.º ano, com 21 anos, e já tinha uma proposta de trabalho, aliás, as tecnologias que a empresa que me queria recrutar usava nos seus produtos, apenas aprendi nesse ano e no 4.º se fosse para lá na altura ainda nem tinha dado na universidade as tecnologias que a empresa usava, tinha de aprender tudo lá. A tua remuneração é semelhante em todos, e depende mais da tua competência enquanto futuro engenheiro do que propriamente do curso.

Para teres uma ideia, recebi uma proposta hoje para ir para a Alemanha, a ganhar muito mais (3x mais) do que aqui em Portugal e com casa e carro oferecido. O bom das engenharias é que podes seguir áreas muito diferentes, se sentires que não gostas da indústria vais para investigação, e dentro da indústria podes fazer trabalhos muito diferentes. Mas concentra-te nos exames e tira as melhores notas possíveis.