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sтαяℓιgнт cяιsιs

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Já há umas semanas que penso em criar este tópico. Foi desta! :p

Motivação
Apercebi-me de que até há um número razoável de pessoas que de vez em quando lá escrevem qualquer coisa. Sejam crónicas, poemas, ou mesmo pequenas histórias. Decidi então criar este tópico para troca de ideias relativamente à escrita. :)

Estou curioso em saber como funciona o vosso processo criativo, já que o meu carece de alguma dedicação... e fios que liguem as coisas, sobretudo! :(


Sobre o meu opúsculo
Esta tendência não é recente. Há bastante tempo (já lá vão quase 10 anos!) comecei a escrever uma pequena história. Encontrei-a agora no baú de 2007, já nem me recordava de a ter escrito. Devido ao meu mau hábito (há muito adquirido) de protelar as coisas, nunca cheguei a termo com ela. Não se deixem enganar, pois não passavam de 7 páginas — escritas em letra miudinha, é certo, mas que mesmo assim era muito pouco. Estava inserida num lore mais abrangente cuja génese se deu ao longo de vários roleplays em videojogos com outras pessoas.

A história seria em género de medieval e fantasia. As linhas gerais dela nunca se chegaram a desvanecer. Desde há 3 anos a esta parte, tenho pensado bastante nela e vou escrevendo troços, notas soltas que vão ficando perdidas em ficheiros .txt aqui pelo meu computador. Porém, tenho a história mentalmente estruturada: já sei bastante bem a mensagem que pretendo passar e as linhas gerais do enredo, a cronologia dos eventos e como estes se ligam. Mas depois... falta um não-sei-quê, um adesivo que ligue tudo, que dê alma ou essência à história. Já pensei num meio e num fim, mas falta-me o início! :(

Uma dúvida! Queria melhorar a minha escrita também no aspecto de descrição de locais. Acham que Eça de Queirós é o melhor autor para se ler sobre isto?


@NemoExNihilo @LordKelvin, I summon thee!
 
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Muito bom tópico! Talvez um dia me sinta com coragem para partilhar qualquer coisinha... ;)

(Sim, eu não escrevo só sobre Matemática...)

Uma dúvida! Queria melhorar a minha escrita também no aspecto de descrição de locais. Acham que Eça de Queirós é o melhor autor para se ler sobre isto?
Ha um site na net muito útil onde podes fazer questões, é o Writers Stack Exchange (talvez conheças Stack Exchange's de outros temas, são sites de perguntas e respostas muito bons). ;)
 

NemoExNihilo

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@sтαяℓιgнт cяιsιs, chamaste? Aqui estou... :)

Ora bem, em relação a métodos... não sou exactamente a melhor pessoa para tos delinear, porque se poderá dizer, sem fugir muito à verdade, que também sofro de uma total e completa ausência de método... No entanto, tenho, de certa forma, uma "justificação" para isto, no sentido em que a forma como vejo a Arte, aliás, como sinto a Arte, me leva a dizer que é precisamente essa ausência de método, de intenção clara e pré-definida, de pensamento, que a define. Ou seja, para mim, a Arte deve ser sentida, deve ser intuída, e não cerebralizada ou racionalizada.

Porém, reconheço que, embora isto seja muito giro para questões poéticas diversas, numa narrativa propriamente dita, não dá muito jeito ser assim; isso também me leva a afirmar que a narrativa não é Arte, mas criação de uma realidade paralela, mas isso é outra história. Ora bem, em questões narrativas, a minha experiência é um pouco menor, no sentido em que foram poucas as que acabei (já comecei várias, só acabei propriamente duas ou três), mas também já me deparei com umas quantas dificuldades. Para já, a via de acção depende muito do que pretendes fazer, mas (como só agora vi que já o dizes vou inflectir manifestamente o discurso... :p), no que toca a speculative fiction (portanto, sci-fi, fantasia, por aí), o principal ponto de partida (e também o principal ponto diferenciador entre uma boa obra e uma má obra) é o worldbuilding. Ou seja, se já tens bem construído o mundo onde se passará a história, se já me sabes dizer como é a estuturação política, a paisagem natural, a flora, a fauna, o estilo de vida das populações e por aí, já tens meio caminho andado. Depois, claro, tens a história. O que queres fazer? O que se vai passar? (Isto são perguntas retóricas, by the way) Como dizes que já sabes mais ou menos o que se vai passar, será que as personagens estão a agir in character? Por exemplo, não seria normal que um commoner tivesse grande literacia (a não ser que, no reino ou na nação em causa, a literacia fosse comum), ou seria vagamente estúpido pôr um veterano de guerra, que viveu toda a sua vida com uma espada na mão, a debater grandes teses científico-filosóficas (a não ser que o seu background o justifique). Isto será provavelmente tudo óbvio, e peço desculpa se estou a parecer demasiado descritivo, mas, pronto, quero mesmo ajudar um companheiro de escrita. ;)

Ora bem, se já tens tudo delineado, se já tens, portanto, a matéria-prima da narrativa, falta executares, de facto, a obra. Aí é que, possivelmente, estará a parte mais complicada: é que aí são as tuas capacidades, a tua inspiração, a tua força de vontade, que contam. Como disse antes, pessoalmente, sou muito intuitivo no que toca à escrita, tenho até escrito que "Eu não penso: escrevo", e isso, enfim, impede-me de dar conselhos relativamente a escrever; ainda assim, no caso de uma narrativa, e tendo em conta que aí se pretende criar um mundo consistente, diria que tem tudo muito a ver com conseguires obter uma imagem mental do que quer que se vá passar, seja vendo as coisas de fora, seja dos olhos de uma personagem, e depois tentares passar isso para o papel.

Uma dúvida! Queria melhorar a minha escrita também no aspecto de descrição de locais. Acham que Eça de Queirós é o melhor autor para se ler sobre isto?
Quanto às descrições... bem, se criares essa imagem mental, e se conseguires passar minimamente o que te vai na cabeça, o que vês, enfim, o que lá está, dentro do mundo que criaste, acho que estarás a fazer um bom trabalho. O problema é mesmo encontrar o equilíbrio certo entre a pormenorização (pois é nos pormenores que reside a verosimilhança) e o laconismo (porque pormenores a mais incorrem naquele síndroma do Eça, que tem a fama de ser chato por descrever tanto - ainda que, pessoalmente, não concorde... -, o que implica que nem sempre é bom descrever tudo, e também, para se o fazer, e para se o fazer sem nos trazer problemas, é necessária grande pesquisa e/ou contextualização histórica, no sentido de não se incorrer em anacronismos e estupidezes científicas diversas), mas, aí, serás tu, enquanto escritor, que tem a tarefa de o fazer. Autores que possas ler... sinceramente não sei. Eu, quando leio, não reparo muito na técnica dos senhores, porque estou completamente imerso, e, por isso, serei provavelmente a pior pessoa para te recomendar um bom descritor; podes sempre tentar o Eça, enfim, é famoso por isso... mas aí o @LordKelvin saberá mais que eu... ;)

Ha um site na net muito útil onde podes fazer questões, é o Writers Stack Exchange (talvez conheças Stack Exchange's de outros temas, são sites de perguntas e respostas muito bons). ;)
I second this suggestion, e diria também para visitares o Worldbuilding Stack Exchange; ajuda, para verificares a plausibilidade de um qualquer aspecto, ou para, de uma maneira geral, encontrares ajuda na construção do mundo ou das personagens.

De resto, acho que tens cá a malta do UniArea, que também te pode dar uma ajudinha, e, já agora, se levares a escrita a bom porto, avisa, que eu quero ler... :p
 

sтαяℓιgнт cяιsιs

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Ou seja, se já tens bem construído o mundo onde se passará a história, se já me sabes dizer como é a estuturação política, a paisagem natural, a flora, a fauna, o estilo de vida das populações e por aí, já tens meio caminho andado. Depois, claro, tens a história. O que queres fazer? O que se vai passar?
Já sei dizer mais ou menos a geografia, os povos e a sua disposição geográfica, mas, realmente, falta toda essa riqueza de fauna, flora e cultura. Mesmo quando a tiver, é necessário descrevê-la, daí o meu interesse por Eça. Outra coisa que noto também é que raramente há História que justifique a maneira como as coisas são no presente. Quando há, normalmente é pouco credível. Era interessante desenhar a cronologia de modo que refletisse as regras pelas quais se rege a História.

será que as personagens estão a agir in character?
Essa é precisamente uma das minhas primeiras preocupações. A coerência é fulcral, mas as pessoas são complicadas. Não sei de que modo aferir se, psicologicamente, as ações de um personagem estão a ser coerentes com uma única personalidade. Acho que isto é o mais importante — apesar de toda a riqueza a nível de escrita e da lore propriamente dita, as personagens têm um peso determinante na história. Conheço quem não goste de Senhor dos Anéis porque as ações dos personagens seguem uma filosofia demasiado kantiana e que não condiz com a verdadeira maneira de ser das pessoas; fazem o bem porque sim e mais nada. Nesse aspeto, o mesmo execrado aponta Guerra dos Tronos como sendo melhor. Apesar de gostar muito do LotR e achar que muitas personagens do GoT são excessivamente ordinárias :rolleyes:, vi-me forçado a concordar um pouco com ele.
 
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Já sei dizer mais ou menos a geografia, os povos e a sua disposição geográfica, mas, realmente, falta toda essa riqueza de fauna, flora e cultura. Mesmo quando a tiver, é necessário descrevê-la, daí o meu interesse por Eça. Outra coisa que noto também é que raramente há História que justifique a maneira como as coisas são no presente. Quando há, normalmente é pouco credível. Era interessante desenhar a cronologia de modo que refletisse as regras pelas quais se rege a História.

Essa é precisamente uma das minhas primeiras preocupações. A coerência é fulcral, mas as pessoas são complicadas. Não sei de que modo aferir se, psicologicamente, as ações de um personagem estão a ser coerentes com uma única personalidade. Acho que isto é o mais importante — apesar de toda a riqueza a nível de escrita e da lore propriamente dita, as personagens têm um peso determinante na história. Tenho um amigo que não gosta de Senhor dos Anéis porque as ações dos personagens seguem uma filosofia demasiado kantiana e que não condiz com a verdadeira maneira de ser das pessoas; fazem o bem porque sim e mais nada. Nesse aspeto, aponta a Guerra dos Tronos como sendo melhor. Apesar de gostar muito do LotR e achar que muitas personagens do GoT são excessivamente ordinárias :rolleyes:, vi-me forçado a concordar um pouco com ele.
Há um risco quando se faz muito worldbuilding, que é o de cometer o erro de incluir demasiado no produto final, isto é, a história propriamente dita. Eu acho que os leitores gostam essencialmente de personagens. Investir na construção de personagens realistas e tridimensionais é crucial. Quanto ao worldbuilding, é muito importante, sem dúvida, mas às vezes temoa de ter noção que há coisas que são para nos orientar e para tornar a história e o mundo mais realistas, e não para enfiar no produto final algures.

Por exemplo, se tiveres uma história detalhada do teu mundo até ao presente, isso pode ajudar-te a ter um contexto mais realista, mas não tens necessariamente, e às vezes nem é desejável, incluir todo esse background no produto final. Pode ficar deslocado e ser informação a mais.
 

NemoExNihilo

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Já sei dizer mais ou menos a geografia, os povos e a sua disposição geográfica, mas, realmente, falta toda essa riqueza de fauna, flora e cultura. Mesmo quando a tiver, é necessário descrevê-la, daí o meu interesse por Eça. Outra coisa que noto também é que raramente há História que justifique a maneira como as coisas são no presente. Quando há, normalmente é pouco credível. Era interessante desenhar a cronologia de modo que refletisse as regras pelas quais se rege a História.
Daí que (pessoalmente) ainda não tenha escrito tanto quanto desejava nas minhas coisas (que, entre outras, também passam por um mundo low-fantasy, mas medieval): estou precisamente a construir (lentamente...) esses aspectos mais difíceis. Claro, podes sempre recorrer a comparações com os seres existentes, portanto, a chamada evolução convergente, no sentido em que ambientes semelhantes produzem, ou tendem a produzir, características semelhantes nos seres. Na pior das hipóteses, podes sempre recorrer à estratégia (vagamente recorrente, vagamente pirosa, mas tudo bem...) de pôr lá os animais mais convencionais, sem inventar muito.

Essa é precisamente uma das minhas primeiras preocupações. A coerência é fulcral, mas as pessoas são complicadas. Não sei de que modo aferir se, psicologicamente, as ações de um personagem estão a ser coerentes com uma única personalidade. Acho que isto é o mais importante — apesar de toda a riqueza a nível de escrita e da lore propriamente dita, as personagens têm um peso determinante na história. Tenho um amigo que não gosta de Senhor dos Anéis porque as ações dos personagens seguem uma filosofia demasiado kantiana e que não condiz com a verdadeira maneira de ser das pessoas; fazem o bem porque sim e mais nada. Nesse aspeto, aponta a Guerra dos Tronos como sendo melhor. Apesar de gostar muito do LotR e achar que muitas personagens do GoT são excessivamente ordinárias :rolleyes:, vi-me forçado a concordar um pouco com ele.
Pois bem, aí está outra vez a tarefa que diferencia o escritor do comum dos mortais: há que te pores dentro da personagem, há que pensar como ela, viver por ela, respirar por ela (perdoa-me o lirismo), e, a partir daí, determinar o que raio é que ela faria a seguir e porquê. Dependendo daquilo que queres fazer, também, por vezes, podes ter a possibilidade de pura e simplesmente a pores a fazer alguma coisa, sem dizeres como nem porquê, e deixares aos pobres dos leitores a tarefa de descobrir por que raio é que ela foi agir assim... Mas, claro, se conseguires deixar sempre transparecer um bocadinho do seu interior, aí é que tens de ser mesmo coerente: se o guerreiro veterano tem um extremo interesse por informações de génese medianamente científica, tem de haver um porquê (não se pensará à partida que esse interesse seria normal, a não ser que assim o dite o worldbuilding).

Há um risco quando se faz muito worldbuilding, que é o de cometer o erro de incluir demasiado no produto final, isto é, a história propriamente dita. Eu acho que os leitores gostam essencialmente de personagens. Investir na construção de personagens realistas e tridimensionais é crucial. Quanto ao worldbuilding, é muito importante, sem dúvida, mas às vezes temoa de ter noção que há coisas que são para nos orientar e para tornar a história e o mundo mais realistas, e não para enfiar no produto final algures.

Por exemplo, se tiveres uma história detalhada do teu mundo até ao presente, isso pode ajudar-te a ter um contexto mais realista, mas não tens necessariamente, e às vezes nem é desejável, incluir todo esse background no produto final. Pode ficar deslocado e ser informação a mais.
Excelente ressalva. Fazer worldbuilding é, pois, um bocado ingrato, porque muito do que fazemos não contribui directamente para a obra, mas é precisamente o nosso detalhe, a nossa abrangência, que pode criar uma boa fanbase e assegurar que o nosso trabalho não será esquecido. E, além disso, se fores detalhado, já tens meio caminho andado para fazeres outras narrativas nesse mesmo mundo, que revelem outros aspectos do lore e tudo o mais... Vais revelando aos poucos, e isso interessa mais os leitores. Just saying. Claro, também podes fazer só um livro (e esse objectivo mais facilmente atingível até é melhor para se começar, eu é que sou megalomaníaco... ;)), e não te preocupares mais com a coisa. Your choice.

Enfim, se, no decurso disto, precisares de qualquer apoio, cá estou (a não ser que esteja muito ocupado a escrever também... :p).
 

sтαяℓιgнт cяιsιs

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A propósito, são bons a desenhar? :( Sempre fui péssimo a desenho... EVT e EV eram aquelas disciplinas que já sabia que ia ter 2 no final do período. Tive uma ideia mental para uma indumentária original, mas não sei desenhá-la e tenho medo de que se escape :persevere:
 
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Alfa

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Deixo outra recomendação. Um dos meus autores de fantasia favoritos é o Brandon Sanderson, já o mencionei noutros sítios deste fórum. Acho que ele é genial a encontrar o equilíbrio perfeito entre apresentar o mundo dele (ele é perito a criar sistemas de magia originais) e dar profundidade aos personagens. A trilogia mistborn é uma obra prima.

Para além disso, ele dá aulas de escrita criativa na universidade e agora algumas estão a ser postas no youtube. Procura o nome dele no google, vais ter ao site dele e ele tem posto links para os videos mais recentes. Ele diz coisas muito pertinentes. Ele também participa num podcast (o writing excuses) em que fala de escrever fantasia e géneros relacionados. Mais uma vez, imensos conselhos e observações pertinentes e interessantes. ;)
 

NemoExNihilo

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A propósito, são bons a desenhar? :( Sempre fui péssimo a desenho... EVT e EV eram aquelas disciplinas que já sabia que ia ter 2 no final do período. Tive uma ideia mental para uma indumentária original, mas não sei desenhá-la e tenho medo de que se escape :persevere:
Tenho problemas semelhantes, com coisas semelhantes... Sou igualmente péssimo no desenho, lamento... :(
 

Joanaarcos

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Olá! :relaxed: eu sei que o tópico não é bem para isto, mas se me pudessem ajudar agradecia.
É o seguinte: estou no 12º ano, e tal como em anos anteriores, tenho de preparar uma apresentação oral para a disciplina de português. Tenho sempre imensa dificuldade em arranjar um tema, porque primeiro arranjo, faço, chego a meio, desisto por alguma razão e depois refaço. Neste momento faltam-me as ideias. :pensive:
E como duas cabeças pensam melhor que uma, achei que me poderiam fazer umas sugestões!:relaxed:
A apresentação pode ser sobre o que quisermos! Livros, filmes, temas, etc etc. Claro que temas banais acerca das redes sociais, bullying, e esse tipo de temas que todos já conhecem, não ajuda muito, porque a partida já ninguém esta para me ouvir a falar sobre isso, e sou logo desvalorizada. :wink:
Muito obrigada pela ajuda! :kissingclosed:
 

Alexandra S.

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@sтαяℓιgнт cяιsιs, eu comecei a ter como passatempo a escrita por volta dos 11 anos. E algo que fiz desde aí até agora, em todas as histórias que escrevi (fossem originais ou fanfics) era apontar sempre os dados num caderno ou folha primeiro. E eu apontava praticamente tudo o que me lembrava e que queria incluir na história. Se fossem originais, incluía monumentos/ locais de interesse, sistemas políticos, acontecimentos relevantes, etc... No caso das fics, dado terem a história original por detrás, limitava-me a apontar os pontos principais do enredo e a forma como a história iria decorrer.

As épocas medieval e vitoriana são as minhas preferidas, pelo que quanto ao facto de tencionares escrever algo em relação à época medieval, talvez te possa aconselhar algumas obras que te possam "inspirar".
As referidas obras foram-me aconselhadas pelo meu professor de Estudo da Literatura:
A Demanda do Santo Graal;
Crónicas do Imperador Clarimundo;
Triunfos de Sagramor;


Tens também um site sobre cantigas medievais galego-portuguesas que, apesar de não serem histórias, mais uma vez talvez te possam servir de inspiração para enriqueceres mais a tua história. Basta escreveres Cantigas Medievais Galego-Portuguesas no Google, que o site aparece.

Entretanto não me lembro de mais, mas se precisares de ajuda, já sabes :wink: E se fores para a frente com isso, diz-me que tal como o Nemo, eu também quero ler :blush:
 

NemoExNihilo

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Olá! :relaxed: eu sei que o tópico não é bem para isto, mas se me pudessem ajudar agradecia.
É o seguinte: estou no 12º ano, e tal como em anos anteriores, tenho de preparar uma apresentação oral para a disciplina de português. Tenho sempre imensa dificuldade em arranjar um tema, porque primeiro arranjo, faço, chego a meio, desisto por alguma razão e depois refaço. Neste momento faltam-me as ideias. :pensive:
E como duas cabeças pensam melhor que uma, achei que me poderiam fazer umas sugestões!:relaxed:
A apresentação pode ser sobre o que quisermos! Livros, filmes, temas, etc etc. Claro que temas banais acerca das redes sociais, bullying, e esse tipo de temas que todos já conhecem, não ajuda muito, porque a partida já ninguém esta para me ouvir a falar sobre isso, e sou logo desvalorizada. :wink:
Muito obrigada pela ajuda! :kissingclosed:
Posso dar uma sugestão vagamente desafiante, e que tanto pode funcionar espectacularmente bem como mal?

Quatro palavras: actual sistema de ensino. Ou seja, fazeres uma vaga exposição sobre o que está bem e mal, sobre o que necessitaria de ser mudado, enfim, aquelas que são as tuas perspectivas enquanto aluna, e aquilo que gostarias que tivesse sido a tua experiência (e não foi).

É certo que, se o professor (ou a professora) for extremamente rígido (rígida), pode ficar zangado com as eventuais críticas, mas, por outro lado, se tiver mais tendências "liberais", até pode apreciar a coragem...

Isto, claro, foi a primeira coisa que me veio à cabeça, mas também sou conhecido, por estas bandas, por ter a contestação na ponta da língua... :p
 

Joanaarcos

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Posso dar uma sugestão vagamente desafiante, e que tanto pode funcionar espectacularmente bem como mal?

Quatro palavras: actual sistema de ensino. Ou seja, fazeres uma vaga exposição sobre o que está bem e mal, sobre o que necessitaria de ser mudado, enfim, aquelas que são as tuas perspectivas enquanto aluna, e aquilo que gostarias que tivesse sido a tua experiência (e não foi).

É certo que, se o professor (ou a professora) for extremamente rígido (rígida), pode ficar zangado com as eventuais críticas, mas, por outro lado, se tiver mais tendências "liberais", até pode apreciar a coragem...

Isto, claro, foi a primeira coisa que me veio à cabeça, mas também sou conhecido, por estas bandas, por ter a contestação na ponta da língua... :p
Desde já muito obrigada pela resposta ahahha mas um colega meu já fez uma apresentação do género! :confused: Mas por acaso é mesmo desse tipo de temas que eu ando a procura! Temas que gerem polémica! São sempre os mais originais :wink:
Caso tenhas mais algum em mente não existes em dizer :p todas as ideias são boas!
 

NemoExNihilo

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Desde já muito obrigada pela resposta ahahha mas um colega meu já fez uma apresentação do género! :confused: Mas por acaso é mesmo desse tipo de temas que eu ando a procura! Temas que gerem polémica! São sempre os mais originais :wink:
Caso tenhas mais algum em mente não existes em dizer :p todas as ideias são boas!
Oh... desculpa, então.

Bom, assim, de repente, coisas originais e polémicas... mas que se pudesse apresentar convenientemente a outrem... não me surge nada. Desculpa. :(
 
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Jorge Sena

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Boas,
Excelente iniciativa. Eu sou daquelas pessoas que gosta de escrever, mas depressa se farta, larga tudo e não volta mais.
Quem estiver interessado em melhorar a sua escrita pode dar uma vista de olhos ao site thewritepractice. Trata-se de uma plataforma completa e interativa, com dicas sobre como evoluir no processo criativo e prompts para a narração de histórias.
 

NemoExNihilo

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@sтαяℓιgнт cяιsιs, como vai essa escrita?

Já tinha ideia de to perguntar há muito tempo, mas, entretanto, fui-me esquecendo...
 

LordKelvin

O Santo
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Muito interessante. Podiam fazer tipo um concurso e mensalmente cada "poema" ía a votos (neste caso, colocar gostos). Aquele que tivesse mais gostos, vencia. A única limitação seria cada membro poder postar apenas um poema, por mês. xD
@davis
 
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Alterado

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17 Dezembro 2015
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Eng. Física Tecnológica
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Considerando o número de pessoas que gosta de escrever neste fórum, algo do género parece-me uma boa ideia! Desafios (mensais?), talvez? Ensaios, narrativas breves (ou capítulos de narrativas mais longas), contos humorísticos, elegias, sonetos, aforismos, haiku... Certamente haverá muitos que têm algo que já pensaram um dia em escrever - façam-no e partilhem-no aqui!
--- Post atualizado ---
Desafio 1. Uma narrativa breve ou composição poética curta (por exemplo, um epigrama) sobre a vida de estudante (no geral, ou num curso/instituição específico/a).
 
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NemoExNihilo

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Desafio 1. Uma narrativa breve ou composição poética curta (por exemplo, um epigrama) sobre a vida de estudante (no geral, ou num curso/instituição específico/a).
Estudo.
Não queimo pestanas,
Não posso queimar as pestanas -
Já as perdi todas no passado.

Estudo.
Empurro a toda a força,
A todo o vapor,
Mentiras que outros regurgitaram
Algures para o recanto mais profundo de mim mesmo,
Se é que ele ainda há,
Se é que ainda há um eu,
Se é que ainda deixam
Que haja um eu...

Estudo.
Iludo a minha própria sabedoria incerta
Com a certeza da ignorância de outros,
Mas que torno a minha verdade,
Como se o fosse,
Como não o é,
E que debito alegremente,
Ansiosamente,
Em pobres folhas brancas
Que nada fizeram para merecer
O tormento que exercem sobre elas,
O tormento que me fazem exercer sobre elas,
Com a mesma ausência de pensamento
Que, no fundo, gostavam que eu tivesse.

Estudo.
Tropeço em labirintos perdidos,
Em bibliotecas nunca achadas,
Em busca da saída,
De uma só saída,
Que me permita entrar
Onde quer que seja que me dizem
Que tenho de fazer,
Independentemente do que quero,
Indepententemente do que posso,
Independentemente do que seja meu dever fazer.

Estudo.
Sufoco por dentro,
Morro por dentro,
Mas estudo,
Estudo,
E não tenho tempo para mais...

(Acho que descreve genericamente a vida de estudante...)

(E, sim, pelos meus padrões, é uma composição curta.)