Estou no último ano do curso... pelo 4º ano consecutivo e 5ª dissertação de mestrado!

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lostboy

Membro Caloiro
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9 Outubro 2020
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3
[Aviso: Tópico Longo, peço desculpa por isso :p]

Estou no último ano do curso... pelo 4º ano consecutivo e 5ª dissertação de mestrado!
(Disclaimer: Este é o primeiro texto que escrevo neste fórum. Perdoem-me por isso alguma falha da minha parte.)

Olá! Decidi expor a minha história (ou melhor dizendo, novela mexicana) com o intuito de não só encontrar pessoas que possam eventualmente estar numa situação semelhante à minha mas também de ouvir opiniões construtivas, que quiçá me impulsionem no caminho certo. Porém, vou manter algum anonimato neste texto em relação à instituição de ensino, curso e identidade por uma questão de privacidade e, uma vez que já encontrei aqui alunos do mesmo curso e academia, de evitar quaisquer consequências menos felizes. De qualquer forma, aqui vai!

  • Pré-Ensino Superior: Desde pequeno que tinha muito claro o rumo que pretendia seguir. Sempre fui Quadro de Honra dos ensinos básico e do secundário, tanto em Portugal como numa escola portuguesa que frequentei no estrangeiro; recebi várias bolsas de mérito e participei em Olímpiadas e noutras competições extra-curriculares. Aluno por isso certinho, estudioso, o orgulho da família... Contudo, no meu 9º ano surge uma complicação de saúde que me impede de seguir o meu sonho. Passei os três anos seguintes em elevado estado de ansiedade e incerteza pois não sabia o que fazer - deveria procurar um outro curso mas na mesma área que pretendia seguir ou deveria afastar-me totalmente e procurar outra área? Na altura, e um pouco por influências familiares, acabei por optar ficar na mesma área. Não podia seguir o meu sonho, mas poderia vir a trabalhar naquela que era a minha paixão desde miúdo e esta perspectiva acabou por tranquilizar-me na escolha que deveria fazer. Ainda assim, não me sentia a 100%, não me sentia totalmente entusiasmado e ansioso pela colocação e início das aulas na faculdade. Disse a mim mesmo que iria ver como é que as coisas se iriam desenvolver. Acabei por submeter a candidatura na véspera do prazo terminar. Entrei em 1ª opção, 1ª fase no ano lectivo 2012/2013 num Mestrado Integrado de Engenharia (logo, 5 anos), numa cidade longe da minha área de residência.

  • Ensino superior pré-dissertação de mestrado: O ano de caloiro foi simultaneamente assustador e grande motor de crescimento pessoal. Fiz a praxe, conheci várias pessoas novas, comecei a gerir a minha vida de forma independente... o normal. As cadeiras foram mais gerais e comuns a outros cursos e que eu até gostei pois parecia que estava num secundário 2.0; algumas até repetiam matéria de disciplinas opcionais que escolhi no 12º ano. Acabou por ser um ano tranquilo. Porém, os seguintes nem tanto. À medida que ia avançando no curso, eu olhava em meu redor e percebia que os meus colegas tinham ambições muito diferentes das minhas. Eles, ao contrário de mim, já tinham a certeza que aquele era o curso que queriam desde muito cedo e tinham também um esboço das actividades e projectos que pretendiam desenvolver. Comecei a sentir-me para trás, a sentir que aquele ambiente era muito mais complexo do que eu, na minha inocência e ingenuidade, achava antes de ter entrado. Ao mesmo tempo, já várias eram as cadeiras mais específicas que tinha e estava a ter que me aborreciam, que não me diziam absolutamente nada. Porém, a possibilidade de abandonar o curso ainda no 2º/3º anos nunca me passou pela cabeça... sempre fui de terminar aquilo que começava e, depois, a pressão familiar nem sequer me dava margem para considerar essa hipótese. Além disto, acabei por recorrer ao serviço de psicologia da universidade durante um ano e decidi então continuar; fiz as cadeiras, algumas à segunda e à terceira mas terminei os 9 semestres de UCs nos 4 anos e meio previstos. Envolvi-me nas associações de estudantes, participei em competições, fiz formações extra, estágios de verão, actividades desportivas... enfim, procurei de certa forma não ficar efectivamente para trás. Chego ao último semestre, o da dissertação, com uma classificação de 15.4 (excelente para o curso que é) mas sem ainda um tema nem professor orientador definidos. E é aqui que as coisas começam a correr gravemente mal.

  • 1ª dissertação de mestrado: Apesar de ter procurado não ficar para trás durante o curso, a verdade é que fiquei. Quando chego então ao semestre final do curso já os meus colegas estavam, alguns, a trabalhar nas suas dissertações há um ano e eu focado noutras actividades. Por volta do final de Novembro de 2016, já no meu último ano do curso, procurei então o professor para orientador que melhor me identifiquei nas aulas, não só pelo método de ensino mas também pelo conteúdo que lecciona. Vou chamar-lhe Prof. 1. Conversei com ele sobre os trabalhos que poderiam ser desenvolvidos e poucas semanas depois tinha em mãos a oportunidade de ir fazer a minha dissertação para uma empresa de renome na área - um trabalho portanto prático, com um propósito claro, objectivo e com aplicação útil e real. O grande problema é que, obviamente, não iria ser pago pela empresa e, como a minha família já não estava em condições de continuar a financiar os meus estudos, acabei por ser obrigado a rejeitar tanto o trabalho como o Prof. 1, uma vez que nessa altura ele apenas orientava trabalhos com a indústria. Isto desmotivou-me bastante... percebi que não seria capaz de terminar o curso no prazo previsto e, como se não bastasse, em Agosto de 2017 fui também obrigado a abandonar a cidade onde estava a estudar e regressar à casa da família; seria isso ou seria procurar um trabalho a tempo integral para cobrir as despesas mas que me iria, garantidamente, impedir de trabalhar na dissertação. Ao voltar a casa, senti em parte que estava a regredir, que estava a abdicar da independência e liberdade que tinha conquistado nos 5 anos passados na faculdade... e isso custou-me bastante.

  • 2ª dissertação de mestrado: Setembro de 2017. Estou em casa da família há um mês, parado, sem saber muito bem o que deveria fazer. Acabo por decidir fazer uma pausa e procurei um part-time de 6 meses. Ao 5º mês sinto que era altura de regressar aos estudos e procurei então o Prof. 2 para iniciar um segundo tema. Era um tema teórico, sobre um tópico pouco explorado. E isso deu-me calafrios... reparem, eu já tinha percebido que era com um trabalho prático que iria sentir satisfação e entusiasmo. Mas, ainda assim, deixei-me ir, não podia atrasar mais o processo e não tinha, naquele momento, alternativas. Além disso, eu estava a trabalhar na tese à distância e tive que sujeitar-me. Começo então a pesquisa bibliográfica e a trabalhar num plano. Porém, e quando já tinha o primeiro capítulo (Introdução teórica e estado da arte) praticamente terminado, notei que o Prof. 2 estava cada vez mais distante, a demorar mais tempo a responder aos e-mails e às tentativas de marcações de reuniões online... Passaram-se vários meses, já estávamos no final de Julho de 2018 e decidi abordá-lo... referiu-me que o tema já não lhe interessava pois iria obrigar-lhe que aprendesse uma linguagem de programação nova e ele não tinha essa disponibilidade. Disse-me que eu poderia continuar nele se fizesse questão só que percebi no momento que se o fizesse que não iria correr bem, pois não teria a orientação que necessitaria. Lembram-se da desmotivação que senti no ponto anterior? Ora, voltei a senti-la neste momento. Comecei mesmo a considerar a possibilidade de desistir do curso... mas não o fiz, afinal já tinha trabalhado imenso para desistir assim.

  • 3ª dissertação de mestrado: Agosto de 2018. A desmotivação é grande. Passei esse mês perdido da vida. Algures para o final de Setembro de 2018 decido procurar o Prof. 3 e um 3º tema. Novamente, a história repete-se: surge um tema teórico, há entusiasmo ao início, delimitam-se os passos e o plano da tese, fazem-se reuniões, faço a pesquisa bibliográfica, escrevo o primeiro capítulo da tese, envio-o para o Prof. 3 em Janeiro de 2019 para revisão... Finalmente parecia que era desta... mas não foi desta. Fiquei meses (!!!!) à espera de feedback, a enviar e-mails a cada 15 dias, a ligar para a faculdade, a tentar marcar reuniões tanto online como presenciais e nada, absolutamente nada. No final do verão do ano passado cruzo-me com ele na rua e só aí é que me falou e me disse que tinha passado os últimos meses em conferências internacionais e com outros projectos e que não tinha tido por isso disponibilidade para me responder. Mas que já tinha lido o capítulo e estava agora livre para avançar o trabalho. Nessa altura, já eu tinha colocado a dissertação de lado e estava a trabalhar 11h por dia em dois part-times diferentes! Disse-lhe que só ira sair dos trabalhos no final de Dezembro e que só nessa altura poderia então retomar à tese. Ele compreendeu e pediu-me para o contactar então no final do ano passado. Assim o fiz e qual não foi o meu espanto quando a resposta dele foi "Nesta altura não estou a aceitar novos alunos para orientação de dissertações"... Acham isto normal? Um ano depois de lhe ter enviado um capítulo inteiro da tese e ele responde-me isto? Pah, explodi naquele momento, tentei lembrar-lhe que eu já era aluno orientado por ele mas de nada serviu. O tema foi parar o lixo, o capítulo foi parar o lixo, fiquei sem professor e totalmente perdido...

  • 4ª dissertação de mestrado: Janeiro de 2020. Continuo a lutar, afinal ano novo, vida nova, não é assim? Decidi voltar a abordar o Prof.1, a minha primeira escolha. Fui bastante bem recebido e em meados de Fevereiro já tinha uma nova oportunidade: novo tema e novamente com a indústria (numa empresa ainda melhor que a anterior!). O Prof. 1 conseguiu inclusivamente que a empresa me colocasse lá a trabalhar oficialmente num estágio profissional (e por isso remunerado), ou seja, já não tinha o problema financeiro a impedir-me. Aceitei no momento, era finalmente a oportunidade perfeita: fazer algo que me iria dar gozo, num local de topo, a ser pago e fora de casa, com a minha independência de volta! Iria terminar o curso ao mesmo tempo que iria ganhar currículo muito importante para a minha carreira futura. Estava a sentir-me em extâse, com a motivação e ânimo finalmente de volta, após tantos anos em baixo... Guess what, SARS-CoV-2 acontece e a empresa cancela imediatamente tudo o que não seja estritamente necessário, incluindo trabalhos de mestrado... Entramos em quarentena, trabalhadores são despedidos e a empresa informa o Prof. 1 que provavelmente iria demorar anos até voltarem a colaborar com as universidades. Fui-me abaixo (ainda estou bastante em baixo)...

  • 5ª dissertação de mestrado: Março de 2020. O Prof. 1 surge-me outro tema, desta vez teórico e sem a colaboração da indústria, eu aceitei-o mas não lhe peguei. Desde então que me sinto sem energias, sem forças. O tema não me interessa para nada mas já não tenho mais alternativas e, mesmo que tivesse, já se torna um absurdo estar no 5º tema e já na 9ª matrícula de um curso de 5 anos. Passo os dias muito desmotivado, bastante aborrecido e incapaz de conseguir ter um plano para o futuro a curto-médio prazo....


Estou cansado de estar constantemente a lutar por concluir um curso que já percebi não desejar. Porém, já foram tantos os recursos que a minha família e eu investimos que não faria sentido abandonar oficialmente (aliás, sei que seria uma grande desilusão para eles, estes últimos anos têm sido um desgosto enorme para eles...). Além disso, nenhuma empresa me vai dar trabalho com a "licenciatura" que já tenho (tenho logicamente mais do que os 180 créditos respectivos feitos). Não consigo acabar o curso, o ambiente em casa não é de todo o melhor para me motivar a isso (desde 2017, ano em que regressei a casa, que sinto uma necessidade tremenda de sair, de procurar novamente o meu espaço...). Estou num dilema bastante complicado. Eu quero ter forças para acabar isto de vez, mas não as tenho e não sinto que vá ter. E mesmo que as encontre, eu não sei já como fazer a tese... o meu professor mandou-me uma estrutura de tese e perguntas chave que devo fazer mas mesmo assim, fiquei na mesma... Por outro lado, também não estou preparado para abandonar oficialmente o curso, não estou preparado para lidar com o drama que seria em relação aos meus familiares e também para deitar para o lixo a média de 15.4 e os 270 em 300 ETCS que já tenho feitos. Além disso, tenho 26 anos e preferia não ficar desprotegido a nível de carreira no futuro (a minha área, na era pré-covid tinha emprego 100% garantido). Sinto mesmo que preciso de sair de casa asap só que, para o concretizar, preciso de procurar um trabalho qualquer que me sustente e isso fará com que tenha de adiar o curso... tenho algum receio que quanto mais adiar, pior será. Oficialmente, ainda posso inscrever-me em mais dois anos lectivos (além daquele que agora começou) sem entrar em regime de prescrição - na minha universidade não é possível congelar a matrícula. Já pensei também procurar eventualmente um outro curso, uma licenciatura apenas numa área que goste bastante mas honestamente falta-me a coragem, a coragem de abandonar o actual, de enfrentar a família, os amigos e colegas de curso e deixar de ser o "menino certinho orgulho da terra"... (aliás, se o fizesse não teria forma de o pagar, não sei se estaria elegível a bolsas da DGES uma vez que nos últimos anos não tive aproveitamento no curso em que estou agora - se alguém souber mais detalhes sobre isto peço que me possa informar por favor!). Sinto que os últimos 8 anos da minha vida foram um desperdício enorme de tempo, de dinheiro e de energias...


Esta é a minha história académica. Não tem sido de todo fácil. Se tiveres lido até aqui, um grande obrigado de coração!! Se tiveres alguma sugestão, partilha. Se tiveres alguma crítica construtiva, partilha. Agradeço o teu tempo e a tua disponibilidade. Obrigado também aos criadores desta enorme comunidade que nos une e tanto nos ajuda! Um abraço.

O que devo fazer?
 
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hum

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5 Setembro 2015
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264
Curso
Engenharia Electrotécnica e de Computadores
Instituição
FEUP
Sinceramente há muitas empresas que contrataram pessoal sem o curso acabado, ou so faltando uma cadeira ou outra, conheço imensos casos destes. Não te inibas de procurar trabalho so porque te falta a tese
 

estudanteuniversitaria

Membro Veterano
Matrícula
22 Abril 2020
Mensagens
273
Curso
Engenharia Física
Instituição
FCUL
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Estou no último ano do curso... pelo 4º ano consecutivo e 5ª dissertação de mestrado!
(Disclaimer: Este é o primeiro texto que escrevo neste fórum. Perdoem-me por isso alguma falha da minha parte.)

Olá! Decidi expor a minha história (ou melhor dizendo, novela mexicana) com o intuito de não só encontrar pessoas que possam eventualmente estar numa situação semelhante à minha mas também de ouvir opiniões construtivas, que quiçá me impulsionem no caminho certo. Porém, vou manter algum anonimato neste texto em relação à instituição de ensino, curso e identidade por uma questão de privacidade e, uma vez que já encontrei aqui alunos do mesmo curso e academia, de evitar quaisquer consequências menos felizes. De qualquer forma, aqui vai!

  • Pré-Ensino Superior: Desde pequeno que tinha muito claro o rumo que pretendia seguir. Sempre fui Quadro de Honra dos ensinos básico e do secundário, tanto em Portugal como numa escola portuguesa que frequentei no estrangeiro; recebi várias bolsas de mérito e participei em Olímpiadas e noutras competições extra-curriculares. Aluno por isso certinho, estudioso, o orgulho da família... Contudo, no meu 9º ano surge uma complicação de saúde que me impede de seguir o meu sonho. Passei os três anos seguintes em elevado estado de ansiedade e incerteza pois não sabia o que fazer - deveria procurar um outro curso mas na mesma área que pretendia seguir ou deveria afastar-me totalmente e procurar outra área? Na altura, e um pouco por influências familiares, acabei por optar ficar na mesma área. Não podia seguir o meu sonho, mas poderia vir a trabalhar naquela que era a minha paixão desde miúdo e esta perspectiva acabou por tranquilizar-me na escolha que deveria fazer. Ainda assim, não me sentia a 100%, não me sentia totalmente entusiasmado e ansioso pela colocação e início das aulas na faculdade. Disse a mim mesmo que iria ver como é que as coisas se iriam desenvolver. Acabei por submeter a candidatura na véspera do prazo terminar. Entrei em 1ª opção, 1ª fase no ano lectivo 2012/2013 num Mestrado Integrado de Engenharia (logo, 5 anos), numa cidade longe da minha área de residência.

  • Ensino superior pré-dissertação de mestrado: O ano de caloiro foi simultaneamente assustador e grande motor de crescimento pessoal. Fiz a praxe, conheci várias pessoas novas, comecei a gerir a minha vida de forma independente... o normal. As cadeiras foram mais gerais e comuns a outros cursos e que eu até gostei pois parecia que estava num secundário 2.0; algumas até repetiam matéria de disciplinas opcionais que escolhi no 12º ano. Acabou por ser um ano tranquilo. Porém, os seguintes nem tanto. À medida que ia avançando no curso, eu olhava em meu redor e percebia que os meus colegas tinham ambições muito diferentes das minhas. Eles, ao contrário de mim, já tinham a certeza que aquele era o curso que queriam desde muito cedo e tinham também um esboço das actividades e projectos que pretendiam desenvolver. Comecei a sentir-me para trás, a sentir que aquele ambiente era muito mais complexo do que eu, na minha inocência e ingenuidade, achava antes de ter entrado. Ao mesmo tempo, já várias eram as cadeiras mais específicas que tinha e estava a ter que me aborreciam, que não me diziam absolutamente nada. Porém, a possibilidade de abandonar o curso ainda no 2º/3º anos nunca me passou pela cabeça... sempre fui de terminar aquilo que começava e, depois, a pressão familiar nem sequer me dava margem para considerar essa hipótese. Além disto, acabei por recorrer ao serviço de psicologia da universidade durante um ano e decidi então continuar; fiz as cadeiras, algumas à segunda e à terceira mas terminei os 9 semestres de UCs nos 4 anos e meio previstos. Envolvi-me nas associações de estudantes, participei em competições, fiz formações extra, estágios de verão, actividades desportivas... enfim, procurei de certa forma não ficar efectivamente para trás. Chego ao último semestre, o da dissertação, com uma classificação de 15.4 (excelente para o curso que é) mas sem ainda um tema nem professor orientador definidos. E é aqui que as coisas começam a correr gravemente mal.

  • 1ª dissertação de mestrado: Apesar de ter procurado não ficar para trás durante o curso, a verdade é que fiquei. Quando chego então ao semestre final do curso já os meus colegas estavam, alguns, a trabalhar nas suas dissertações há um ano e eu focado noutras actividades. Por volta do final de Novembro de 2016, já no meu último ano do curso, procurei então o professor para orientador que melhor me identifiquei nas aulas, não só pelo método de ensino mas também pelo conteúdo que lecciona. Vou chamar-lhe Prof. 1. Conversei com ele sobre os trabalhos que poderiam ser desenvolvidos e poucas semanas depois tinha em mãos a oportunidade de ir fazer a minha dissertação para uma empresa de renome na área - um trabalho portanto prático, com um propósito claro, objectivo e com aplicação útil e real. O grande problema é que, obviamente, não iria ser pago pela empresa e, como a minha família já não estava em condições de continuar a financiar os meus estudos, acabei por ser obrigado a rejeitar tanto o trabalho como o Prof. 1, uma vez que nessa altura ele apenas orientava trabalhos com a indústria. Isto desmotivou-me bastante... percebi que não seria capaz de terminar o curso no prazo previsto e, como se não bastasse, em Agosto de 2017 fui também obrigado a abandonar a cidade onde estava a estudar e regressar à casa da família; seria isso ou seria procurar um trabalho a tempo integral para cobrir as despesas mas que me iria, garantidamente, impedir de trabalhar na dissertação. Ao voltar a casa, senti em parte que estava a regredir, que estava a abdicar da independência e liberdade que tinha conquistado nos 5 anos passados na faculdade... e isso custou-me bastante.

  • 2ª dissertação de mestrado: Setembro de 2017. Estou em casa da família há um mês, parado, sem saber muito bem o que deveria fazer. Acabo por decidir fazer uma pausa e procurei um part-time de 6 meses. Ao 5º mês sinto que era altura de regressar aos estudos e procurei então o Prof. 2 para iniciar um segundo tema. Era um tema teórico, sobre um tópico pouco explorado. E isso deu-me calafrios... reparem, eu já tinha percebido que era com um trabalho prático que iria sentir satisfação e entusiasmo. Mas, ainda assim, deixei-me ir, não podia atrasar mais o processo e não tinha, naquele momento, alternativas. Além disso, eu estava a trabalhar na tese à distância e tive que sujeitar-me. Começo então a pesquisa bibliográfica e a trabalhar num plano. Porém, e quando já tinha o primeiro capítulo (Introdução teórica e estado da arte) praticamente terminado, notei que o Prof. 2 estava cada vez mais distante, a demorar mais tempo a responder aos e-mails e às tentativas de marcações de reuniões online... Passaram-se vários meses, já estávamos no final de Julho de 2018 e decidi abordá-lo... referiu-me que o tema já não lhe interessava pois iria obrigar-lhe que aprendesse uma linguagem de programação nova e ele não tinha essa disponibilidade. Disse-me que eu poderia continuar nele se fizesse questão só que percebi no momento que se o fizesse que não iria correr bem, pois não teria a orientação que necessitaria. Lembram-se da desmotivação que senti no ponto anterior? Ora, voltei a senti-la neste momento. Comecei mesmo a considerar a possibilidade de desistir do curso... mas não o fiz, afinal já tinha trabalhado imenso para desistir assim.

  • 3ª dissertação de mestrado: Agosto de 2018. A desmotivação é grande. Passei esse mês perdido da vida. Algures para o final de Setembro de 2018 decido procurar o Prof. 3 e um 3º tema. Novamente, a história repete-se: surge um tema teórico, há entusiasmo ao início, delimitam-se os passos e o plano da tese, fazem-se reuniões, faço a pesquisa bibliográfica, escrevo o primeiro capítulo da tese, envio-o para o Prof. 3 em Janeiro de 2019 para revisão... Finalmente parecia que era desta... mas não foi desta. Fiquei meses (!!!!) à espera de feedback, a enviar e-mails a cada 15 dias, a ligar para a faculdade, a tentar marcar reuniões tanto online como presenciais e nada, absolutamente nada. No final do verão do ano passado cruzo-me com ele na rua e só aí é que me falou e me disse que tinha passado os últimos meses em conferências internacionais e com outros projectos e que não tinha tido por isso disponibilidade para me responder. Mas que já tinha lido o capítulo e estava agora livre para avançar o trabalho. Nessa altura, já eu tinha colocado a dissertação de lado e estava a trabalhar 11h por dia em dois part-times diferentes! Disse-lhe que só ira sair dos trabalhos no final de Dezembro e que só nessa altura poderia então retomar à tese. Ele compreendeu e pediu-me para o contactar então no final do ano passado. Assim o fiz e qual não foi o meu espanto quando a resposta dele foi "Nesta altura não estou a aceitar novos alunos para orientação de dissertações"... Acham isto normal? Um ano depois de lhe ter enviado um capítulo inteiro da tese e ele responde-me isto? Pah, explodi naquele momento, tentei lembrar-lhe que eu já era aluno orientado por ele mas de nada serviu. O tema foi parar o lixo, o capítulo foi parar o lixo, fiquei sem professor e totalmente perdido...

  • 4ª dissertação de mestrado: Janeiro de 2020. Continuo a lutar, afinal ano novo, vida nova, não é assim? Decidi voltar a abordar o Prof.1, a minha primeira escolha. Fui bastante bem recebido e em meados de Fevereiro já tinha uma nova oportunidade: novo tema e novamente com a indústria (numa empresa ainda melhor que a anterior!). O Prof. 1 conseguiu inclusivamente que a empresa me colocasse lá a trabalhar oficialmente num estágio profissional (e por isso remunerado), ou seja, já não tinha o problema financeiro a impedir-me. Aceitei no momento, era finalmente a oportunidade perfeita: fazer algo que me iria dar gozo, num local de topo, a ser pago e fora de casa, com a minha independência de volta! Iria terminar o curso ao mesmo tempo que iria ganhar currículo muito importante para a minha carreira futura. Estava a sentir-me em extâse, com a motivação e ânimo finalmente de volta, após tantos anos em baixo... Guess what, SARS-CoV-2 acontece e a empresa cancela imediatamente tudo o que não seja estritamente necessário, incluindo trabalhos de mestrado... Entramos em quarentena, trabalhadores são despedidos e a empresa informa o Prof. 1 que provavelmente iria demorar anos até voltarem a colaborar com as universidades. Fui-me abaixo (ainda estou bastante em baixo)...

  • 5ª dissertação de mestrado: Março de 2020. O Prof. 1 surge-me outro tema, desta vez teórico e sem a colaboração da indústria, eu aceitei-o mas não lhe peguei. Desde então que me sinto sem energias, sem forças. O tema não me interessa para nada mas já não tenho mais alternativas e, mesmo que tivesse, já se torna um absurdo estar no 5º tema e já na 9ª matrícula de um curso de 5 anos. Passo os dias muito desmotivado, bastante aborrecido e incapaz de conseguir ter um plano para o futuro a curto-médio prazo....


Estou cansado de estar constantemente a lutar por concluir um curso que já percebi não desejar. Porém, já foram tantos os recursos que a minha família e eu investimos que não faria sentido abandonar oficialmente (aliás, sei que seria uma grande desilusão para eles, estes últimos anos têm sido um desgosto enorme para eles...). Além disso, nenhuma empresa me vai dar trabalho com a "licenciatura" que já tenho (tenho logicamente mais do que os 180 créditos respectivos feitos). Não consigo acabar o curso, o ambiente em casa não é de todo o melhor para me motivar a isso (desde 2017, ano em que regressei a casa, que sinto uma necessidade tremenda de sair, de procurar novamente o meu espaço...). Estou num dilema bastante complicado. Eu quero ter forças para acabar isto de vez, mas não as tenho e não sinto que vá ter. E mesmo que as encontre, eu não sei já como fazer a tese... o meu professor mandou-me uma estrutura de tese e perguntas chave que devo fazer mas mesmo assim, fiquei na mesma... Por outro lado, também não estou preparado para abandonar oficialmente o curso, não estou preparado para lidar com o drama que seria em relação aos meus familiares e também para deitar para o lixo a média de 15.4 e os 270 em 300 ETCS que já tenho feitos. Além disso, tenho 26 anos e preferia não ficar desprotegido a nível de carreira no futuro (a minha área, na era pré-covid tinha emprego 100% garantido). Sinto mesmo que preciso de sair de casa asap só que, para o concretizar, preciso de procurar um trabalho qualquer que me sustente e isso fará com que tenha de adiar o curso... tenho algum receio que quanto mais adiar, pior será. Oficialmente, ainda posso inscrever-me em mais dois anos lectivos (além daquele que agora começou) sem entrar em regime de prescrição - na minha universidade não é possível congelar a matrícula. Já pensei também procurar eventualmente um outro curso, uma licenciatura apenas numa área que goste bastante mas honestamente falta-me a coragem, a coragem de abandonar o actual, de enfrentar a família, os amigos e colegas de curso e deixar de ser o "menino certinho orgulho da terra"... (aliás, se o fizesse não teria forma de o pagar, não sei se estaria elegível a bolsas da DGES uma vez que nos últimos anos não tive aproveitamento no curso em que estou agora - se alguém souber mais detalhes sobre isto peço que me possa informar por favor!). Sinto que os últimos 8 anos da minha vida foram um desperdício enorme de tempo, de dinheiro e de energias...


Esta é a minha história académica. Não tem sido de todo fácil. Se tiveres lido até aqui, um grande obrigado de coração!! Se tiveres alguma sugestão, partilha. Se tiveres alguma crítica construtiva, partilha. Agradeço o teu tempo e a tua disponibilidade. Obrigado também aos criadores desta enorme comunidade que nos une e tanto nos ajuda! Um abraço.

O que devo fazer?
Olá tudo bem? 😊
Antes de mais, obrigada por contares a tua história, pois é preciso ter imensa coragem para isso (ainda por cima escrita em bom português!).
Nem sempre o percurso universitário é algo "linear", eu comecei a sentir isso mais recentemente quando, com a quarentena, comecei a colocar outras hipóteses sobre a mesa e a querer explorar outras áreas também. Digamos que foi um período de introspecção. O Corona também me prejudicou a nível académico e deixou-me "sem chão" uma vez que me mandaram para casa e eu senti a minha produtividade a descer imenso... sentia-me um pouco inútil honestamente. Havia muita coisa que eu dava como garantida depois da quarentena, que entretanto, deixou de existir.
Essas bifurcações, essas dúvidas e inquietações costumam surgir mais perto do fim do curso.
Acho que no percurso universitário, há sempre pontos de viragem, ou seja, formas da vida nos testar para saber se é aquilo que realmente queremos. Nós, ao contrário da pressão da sociedade, não temos de fazer as coisas a correr (até porque a pressa é a inimiga da perfeição, não é verdade?). Nós não estamos atrasados, apenas estamos a ir ao nosso próprio ritmo.
Embora tenhas tido um percurso atribulado, sempre aprendeste e te desenvolveste a nível pessoal e académico. Talvez, sabes melhor o que não queres do que o que queres, o que já é um ótimo ponto de partida. Eu gosto de ver as coisas de forma positiva, embora às vezes as minhas lentes estejam embaciadas.
Não penses no que os outros querem: no que a tua família quer, no que os teus amigos/namoradx quer, no que os teus conhecidos possam pensar... a única questão que te deves colocar neste momento é: "O que é que eu quero? Como me imagino daqui a uns anos? É a engenharia que me faz feliz? O que me levou a não desistir até agora, passado estes anos todos?". Tenta te abstrair da opinião alheia, porque no fim do dia, o que conta é o que foi feito e o que não foi feito e seremos sempre nós a lidar com as consequências a curto ou a longo prazo.
Se o que realmente queres é fazer a dissertação, independentemente da opinião dos outros e tens condições financeiras para tal, nunca é tarde demais para se tentar mais uma vez. No meio de tantos "não", de certeza que vais encontrar um "sim" algures. Como a minha mãe me costuma dizer: "Até um pontapé no rabo nos empurra para a frente".
Além do mais, esses "não" muitos nem foram por falta de esforço da tua parte... a culpa não é tua. Tu também não irias querer ter um orientador que estivesse muito ausente, ou que nem sequer te corrigisse os capítulos... Também, na minha opinião, fazer a dissertação só por fazer, sem se gostar do tema não faz muito sentido, porque tens de te sentir completo e tens de gostar do que fazes. Tens de ter aquele "brilho nos olhos" quando falas no tema da tua tese, porque é essa a motivação que nos empurra para a frente.
Eu acho que estás agora numa fase de "excesso de informação". Estás a tentar analisar todas as variáveis como um engenheiro, mas esqueceste que o que de melhor fazem os engenheiros é simplificar... logo tens de ver as coisas por partes e ponderar bem, para conseguires ter a ideia do todo. E acima de tudo colocares a tua saúde em primeiro lugar (sobretudo a mental, porque engenharia faz perder parafusos, de vez em quando).
Eu quando me sinto mais desmotivada, tento pegar numa folha de papel ou no bloco de notas e colocar uma lista de pequenos objetivos que me poderão levar ao objetivo maior e tento traçar prazos realistas para atingir cada um deles, porque assim vejo as coisas de modo mais simplificado.
Posto isto (e não querendo ser responsável das tuas decisões, porque isso é um grande peso), se realmente estás focado em fazer a tese, deves apenas investir no tema e no orientador certo. Às vezes o tema pode não parecer 100% interessante no início, mas uma tese também se torna "engraçada" quando discutes algumas questões com o teu orientador ou quando vais obtendo resultados, mesmo que a conta-gotas. Mas, o mais relevante é que deves fazer as coisas por ti próprio, porque tu queres e te imaginas assim num futuro!
Tens de te questionar: "Estou a fazer a tese porque eu quero fazer e me daria gosto ou apenas por estar a tentar não desiludir outras pessoas?"
Todas estas perguntas te dirão que rumo seguir, embora ainda és jovem, tens 26 anos, ainda tens dois anos para tentares a tese, caso seja isso que queres. Não desistas de tentar seguir o que queres por teres tido más experiências, porque um bom músico desafina algumas notas, antes de tocar tudo certo!
Caso queiras falar sobre dissertação (uma vez que me encontro nesta situação), ou trocar mais alguma opinião, estou disponível por mensagem privada e sempre ajudarei na medida do que conseguir, nem que seja numa palavra amiga.
Boa sorte e não desistas dos teus sonhos! 🍀
 

davis

Administrador
Equipa Uniarea
Moderador
Matrícula
13 Outubro 2014
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Curso
MEAer + MEGIE
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Técnico - ULisboa
Sinceramente há muitas empresas que contrataram pessoal sem o curso acabado, ou so faltando uma cadeira ou outra, conheço imensos casos destes. Não te inibas de procurar trabalho so porque te falta a tese
^Isto. Não sei qual é a tua área da engenharia, mas em aeroespacial conheço vários casos. Muitos começam a trabalhar no semestre da tese, acabam por não conseguir conciliar, e ou vão tentando durante vários semestres ou acabam por nunca entregar.

De resto, de quem também abandonou um mestrado integrado há uns anos porque o interesse já não estava claramente ali, acho que te faria bem afastares-te disso durante 1/2 anos, para poderes pensar se ainda faz sentido acabares isso. Na altura também já começava a ter resultados cada vez mais baixos, porque o interesse em ir estudando aquela área ia diminuindo, e encontrei interesse em projetos fora da faculdade.

Já com algum distanciamento, percebi que não tinha qualquer interesse em fazer uma tese de mestrado em aeroespacial (bem como as cadeiras de mestrado que ainda me faltavam), e voltei agora para um mestrado noutra área, que está a correr muito melhor do que o anterior.
 

Alexandra S.

Moderador
Equipa Uniarea
Moderador
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Matrícula
10 Março 2015
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Curso
Mestrado CCTI
Instituição
Iscte
Olá, @lostboy! Sê bem-vindo ☺

Em primeiro lugar, os meus parabéns por teres tido a coragem de deixar aqui o teu testemunho. Nunca fui aluna de Engenharia, mas também estou no último ano do Mestrado e compreendo a "pressão" que existe para concluirmos este ciclo, principalmente com bons resultados e com um tema que nos cative.
A nossa idade não tem que ditar o nosso profissionalismo. Eu entrei para o Ensino Superior mais tarde mas, como tenho referido várias vezes ao longo destes 5 anos no Uniarea, muito a tempo. Os conselhos que te posso dar são:

1) Tira um tempo para ti - talvez aches ridículo tirares tempo quando já andas há anos a adiar isso, mas a verdade é que não estou a sugerir esqueceres-te do mundo, mas sim em procurares tirar algum tempo (1 semana, 1 mês, o que for) só para ti. Pensa no que queres, no que gostas de trabalhar e no que te daria gozo fazer nessa dissertação. Pede ajuda a amigos, a colegas. Fala sobre o assunto e procura evitar cair num estado depressivo.

2) Procura o que te faz feliz - se chegares à conclusão de que vais terminar essa dissertação, então força. Procura algo que te inspire - se não for esse tema e esse professor, então muda. Mais vale perderes mais um ano do que toda uma vida. Caso decidas que afinal o melhor é ires para outras paragens e não pensares mais no assunto, então vai sem medos. Não é porque não foste bem-sucedido numa Engenharia que isso signifique que serás mal-sucedido na vida.

3) Lembra-te: a idade é só um número - com 26 anos, tens uma vida inteira pela frente. Vais falhar, vais cair mas também vais ter os teus momentos de glória. Os 26 anos são tão bons para terminar um curso como os 21 ou os 40. Entretanto, procura investir em formações ou trabalhos que te preencham.

Espero ter ajudado. Desejo-te a maior das sortes e aqui vai um abraço apertado de uma finalista de Mestrado para um finalista de Mestrado. Boa sorte! 🤗
 

lostboy

Membro Caloiro
Matrícula
9 Outubro 2020
Mensagens
3
Sinceramente há muitas empresas que contrataram pessoal sem o curso acabado, ou so faltando uma cadeira ou outra, conheço imensos casos destes. Não te inibas de procurar trabalho so porque te falta a tese
Olá! Obrigado pelo teu feedback! :)

Infelizmente na minha área é praticamente impossível arranjar trabalho sem o mestrado. Tenho andado atento às oportunidades que vão saindo e conversando com vários colegas que já estão a trabalhar e a opinião é unânime nesse sentido. O que poderia eventualmente conseguir seria um estágio profissional, que depois não teria continuidade.
Mensagem fundida automaticamente:

Olá tudo bem? 😊
Antes de mais, obrigada por contares a tua história, pois é preciso ter imensa coragem para isso (ainda por cima escrita em bom português!).
Nem sempre o percurso universitário é algo "linear", eu comecei a sentir isso mais recentemente quando, com a quarentena, comecei a colocar outras hipóteses sobre a mesa e a querer explorar outras áreas também. Digamos que foi um período de introspecção. O Corona também me prejudicou a nível académico e deixou-me "sem chão" uma vez que me mandaram para casa e eu senti a minha produtividade a descer imenso... sentia-me um pouco inútil honestamente. Havia muita coisa que eu dava como garantida depois da quarentena, que entretanto, deixou de existir.
Essas bifurcações, essas dúvidas e inquietações costumam surgir mais perto do fim do curso.
Acho que no percurso universitário, há sempre pontos de viragem, ou seja, formas da vida nos testar para saber se é aquilo que realmente queremos. Nós, ao contrário da pressão da sociedade, não temos de fazer as coisas a correr (até porque a pressa é a inimiga da perfeição, não é verdade?). Nós não estamos atrasados, apenas estamos a ir ao nosso próprio ritmo.
Embora tenhas tido um percurso atribulado, sempre aprendeste e te desenvolveste a nível pessoal e académico. Talvez, sabes melhor o que não queres do que o que queres, o que já é um ótimo ponto de partida. Eu gosto de ver as coisas de forma positiva, embora às vezes as minhas lentes estejam embaciadas.
Não penses no que os outros querem: no que a tua família quer, no que os teus amigos/namoradx quer, no que os teus conhecidos possam pensar... a única questão que te deves colocar neste momento é: "O que é que eu quero? Como me imagino daqui a uns anos? É a engenharia que me faz feliz? O que me levou a não desistir até agora, passado estes anos todos?". Tenta te abstrair da opinião alheia, porque no fim do dia, o que conta é o que foi feito e o que não foi feito e seremos sempre nós a lidar com as consequências a curto ou a longo prazo.
Se o que realmente queres é fazer a dissertação, independentemente da opinião dos outros e tens condições financeiras para tal, nunca é tarde demais para se tentar mais uma vez. No meio de tantos "não", de certeza que vais encontrar um "sim" algures. Como a minha mãe me costuma dizer: "Até um pontapé no rabo nos empurra para a frente".
Além do mais, esses "não" muitos nem foram por falta de esforço da tua parte... a culpa não é tua. Tu também não irias querer ter um orientador que estivesse muito ausente, ou que nem sequer te corrigisse os capítulos... Também, na minha opinião, fazer a dissertação só por fazer, sem se gostar do tema não faz muito sentido, porque tens de te sentir completo e tens de gostar do que fazes. Tens de ter aquele "brilho nos olhos" quando falas no tema da tua tese, porque é essa a motivação que nos empurra para a frente.
Eu acho que estás agora numa fase de "excesso de informação". Estás a tentar analisar todas as variáveis como um engenheiro, mas esqueceste que o que de melhor fazem os engenheiros é simplificar... logo tens de ver as coisas por partes e ponderar bem, para conseguires ter a ideia do todo. E acima de tudo colocares a tua saúde em primeiro lugar (sobretudo a mental, porque engenharia faz perder parafusos, de vez em quando).
Eu quando me sinto mais desmotivada, tento pegar numa folha de papel ou no bloco de notas e colocar uma lista de pequenos objetivos que me poderão levar ao objetivo maior e tento traçar prazos realistas para atingir cada um deles, porque assim vejo as coisas de modo mais simplificado.
Posto isto (e não querendo ser responsável das tuas decisões, porque isso é um grande peso), se realmente estás focado em fazer a tese, deves apenas investir no tema e no orientador certo. Às vezes o tema pode não parecer 100% interessante no início, mas uma tese também se torna "engraçada" quando discutes algumas questões com o teu orientador ou quando vais obtendo resultados, mesmo que a conta-gotas. Mas, o mais relevante é que deves fazer as coisas por ti próprio, porque tu queres e te imaginas assim num futuro!
Tens de te questionar: "Estou a fazer a tese porque eu quero fazer e me daria gosto ou apenas por estar a tentar não desiludir outras pessoas?"
Todas estas perguntas te dirão que rumo seguir, embora ainda és jovem, tens 26 anos, ainda tens dois anos para tentares a tese, caso seja isso que queres. Não desistas de tentar seguir o que queres por teres tido más experiências, porque um bom músico desafina algumas notas, antes de tocar tudo certo!
Caso queiras falar sobre dissertação (uma vez que me encontro nesta situação), ou trocar mais alguma opinião, estou disponível por mensagem privada e sempre ajudarei na medida do que conseguir, nem que seja numa palavra amiga.
Boa sorte e não desistas dos teus sonhos! 🍀
Olá estudanteuniversitária! Muito obrigado por teres lido o meu texto e estares a partilhar a tua perspectiva. Não esperava reacções tão rápidas e tampouco elaboradas construtivamente, sinceramente. Estou de coração cheio! Lamento também as dificuldades que encontraste com a pandemia, compreendo muito a forma como te sentiste.

Sobre o que referiste:

Eu sinto mesmo que não sei efectivamente o que quero, apesar de ao longo do curso ter procurado outras actividades e projectos mas fi-lo não com o intuito de a longo prazo chegar ao sítio x e à posição y mas sim porque, no momento em que as fiz, senti curiosidade e desejo em concretizá-los. Depois do problema de saúde que tive e de ter sido impossibilitado de lutar pelo meu sonho, eu senti um grande abalo, eu não tinha (e continuo a não ter) um plano b. Conheço gente que estava indecisa entre várias opções no momento da candidatura, por gostar de todas elas e eu, na candidatura que fiz, só coloquei uma opção; gente que tem há muito tempo o seu caminho bem definido e comigo não é o caso... Não tenho objectivos a longo prazo do género: ser CEO de uma empresa qualquer ou ser responsável por um projecto de engenharia novo que seja inovador, entendes? Os meus objectivos, neste momento, e depois de tantos planos falhados, são mais térreos, são mais de ir vivendo um dia de cada vez... prefiro não ter grandes expectativas para que tudo o que venha seja um bónus.

Eu não consigo não pensar naquilo que as pessoas em meu redor sentem e esperam de mim. Sei que não devia, mas não o consigo fazer, especialmente quando a família já investiu tanto (a nível financeiro e emocional) na minha formação e foi um investimento que lhes custou bastante... e julgo que devo ter isso em consideração. É aliás esse o principal motivo porque ainda não desisti, só me faltam 30 créditos para acabar o curso e desistir agora seria uma facada para eles, não iriam de todo reagir bem e, conhecendo-os como conheço, muito provavelmente iria ser um assunto fracturante entre nós... repara, são pessoas muito tradicionalmente exigentes. Aliando a isto, não desisti ainda do curso por causa da questão da protecção futura. Mesmo que eventualmente não venha a trabalhar na minha área (não quero sequer pensar nisso agora, porque seria mais um dilema a pesar), gostaria de ter o mestrado concluído... e sinto que quanto mais o adiar, pior será. Porém, ao mesmo tempo, sempre que tento dedicar-me a ele ou não encontro a motivação e a disciplina de estudo necessários ou encontro barreiras grandes fora do meu controlo...

Honestamente, "daqui a uns anos" eu gostava de ter esse assunto resolvido, gostava de ter o mestrado concluído, ter a minha vida estabilizada, independentemente de estar ou não na área. Só queria livrar-me deste peso, nem sequer sinto necessidade de ter uma dissertação para 20 (se eventualmente tiver 10 na dissertação, a média final mantém-se nos 15 pelo que estou tranquilo; se tiver 17 ou mais a média sobe para 16... a diferença não é assim tão grande). Não imagino nada específico para o meu futuro; eu começo a perceber que para mim é mais importante as pessoas que tenho em redor que propriamente ter uma carreira de sucesso, então os objectivos estão num nível mais baixo.

Gostei bastante da expressão que a tua mãe usa (vou começar a usar!!!!!!), de facto é verdade. Também gostei da analogia que fizeste à forma de trabalho de um engenheiro (só li verdades :p). De facto, eu já fiz várias listagens de prós e contras. Já estudei vários cenários diferentes e não consigo concluir, não consigo eliminar possibilidades. Chego a um estado de impasse, de grande indecisão. Também sinto em parte que sinto-me assim porque tive de abandonar o ambiente académico em 2017 e isso pode ter contribuído bastante para a minha desmotivação. Já considerei a possibilidade de tentar regressar à cidade da universidade para tentar recuperar essa "pressão". Porém, todos os colegas com quem me dava e habitualmente estudava já se foram embora há muito, uns já formaram família, outros estão a dar aulas, outros a acabar doutoramentos e outros a trabalhar no estrangeiro... e eu aqui, parado no tempo x)

Sobre o tema, uma vez que já percorri vários professores e temas diferentes, eu honestamente sinto que qualquer que seja o orientador ou tema nesta altura do campeonato que será indiferente, sinto que vou continuar a sentir alguma aversão ao trabalho e que me faltará o "brilho" que mencionas... Aliás, até começo a duvidar que os professores queiram já algo comigo... o departamento é pequeno, são 6 ou 7 professores... então não quero arriscar-me a procurar outro professor novamente e depois nenhum me aceitar. O problema não está neles, está em mim, está na minha falta de motivação, de disciplina de estudo, de incerteza e até de ambição...

Não sei, sinto que me estou a repetir já... algumas pessoas poderão dizer que estou a dramatizar e a complicar, mas enfim, that's the way I am. Can't really do much, can I?

Muito obrigado por teres-te disponibilizado para conversar em privado. Terei todo o gosto (mas também não quero estar a chatear :p)!
Mensagem fundida automaticamente:

^Isto. Não sei qual é a tua área da engenharia, mas em aeroespacial conheço vários casos. Muitos começam a trabalhar no semestre da tese, acabam por não conseguir conciliar, e ou vão tentando durante vários semestres ou acabam por nunca entregar.

De resto, de quem também abandonou um mestrado integrado há uns anos porque o interesse já não estava claramente ali, acho que te faria bem afastares-te disso durante 1/2 anos, para poderes pensar se ainda faz sentido acabares isso. Na altura também já começava a ter resultados cada vez mais baixos, porque o interesse em ir estudando aquela área ia diminuindo, e encontrei interesse em projetos fora da faculdade.

Já com algum distanciamento, percebi que não tinha qualquer interesse em fazer uma tese de mestrado em aeroespacial (bem como as cadeiras de mestrado que ainda me faltavam), e voltei agora para um mestrado noutra área, que está a correr muito melhor do que o anterior.
Olá Davis, muito obrigado pelo teu comentário e pela partilha do teu percurso! Obrigado também pela existência deste fórum :)

Posso enviar-te uma mensagem em privado?
 
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Wraak

Membro Dux
Matrícula
5 Dezembro 2015
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Curso
Computer Science
Instituição
Algures na Europa
Olá! Obrigado pelo teu feedback! :)

Infelizmente na minha área é praticamente impossível arranjar trabalho sem o mestrado. Tenho andado atento às oportunidades que vão saindo e conversando com vários colegas que já estão a trabalhar e a opinião é unânime nesse sentido. O que poderia eventualmente conseguir seria um estágio profissional, que depois não teria continuidade.
Na tua área, talvez, mas se procurares em geral (consultadoria) as empresas estão a pegar em tudo o que é aluno de Engenharia e a oferecer salários na ordem dos 900/1000€ para licenciados e/ou a concluir mestrado. Tenho amigos de biológica, química, eletrotécnica, materiais, ... a trabalhar em consultadoria por isso não sei bem que engenharia é que tens que precisas mesmo mesmo de ter mestrado. Outra solução, se tiveste alguma cadeira de programação e gostaste, há imensas empresas também a pegar em alunos de outras engenharias para programar. Se quiseres mesmo trabalhar na tua área de curso, aí pode ser mais difícil sem mestrado mas, de qualquer forma, se queres trabalhar na área do teu curso deves conseguir encontrar uma tese na indústria que te satisfaça.

Acho que já te deram muitas sugestões a nível pessoal do que podes fazer e concordo completamente com tudo, tens de perceber o que é que se passa na tua cabeça para isto estar a acontecer porque podes estar num ciclo em que, independentemente do professor e do tema, não o vais conseguir quebrar. Não esperes ter um tema, ficar cheio de motivação e fazer a cena de uma vez. Fazer a tese é extremamente CHATO e em muitos dias vais passar o dia inteiro a ler papers e (quase) a chorar num canto (eu nestes últimos dias lmao).

Para te dar algumas sugestões mais práticas, SE QUISERES MESMO MESMO MESMO FAZER A TESE:
  • Tira uns meses para trabalhar e juntar dinheiro: se for possível, trabalha em qualquer lado (lojas, supermercados, etc) e poupa dinheiro para conseguires estudar 1 ano fora de casa. Se trabalhares a full-time numa loja consegues dinheiro suficiente para viver em Lisboa em 4/5 meses se fores bem poupado (e viveres bué longe do centro de Lisboa haha). Durante a tese podes também trabalhar como part-time aos fins-de-semana e garantir a tua sobrevivência, pelo menos.
  • Procura o professor perfeito no tópico perfeito: escreve uma lista das coisas que mais te interessam na tua área e o que mais gostaste de fazer no teu curso. Procura professores que façam investigação nessas áreas e dá uma olhadela aos últimos papers deles. Lê os papers e se não estiveres aborrecido de morte, pode ser algo para ti. Contacta o professor e pergunta se têm alguma coisa relacionada a X paper que te interessou e diz logo de INÍCIO aquilo específico que gostavas de fazer com a tese.
  • Faz uma tese numa empresa: procura diretamente empresas (como se estivesses à procura de trabalho) e pergunta se têm projetos que aceitem tese. Normalmente em empresas são coisas muito mais dinâmicas e com muito menos "research" per se, acaba por ser mais um projeto o que torna-se muito mais prático e fácil de ser feito. Posso dar-te dicas de empresas em algumas áreas (informática, eletro, química) na zona de Lisboa. Tenho vários amigos que foram pagos pela empresa por isso é também encontrares a empresa certa. Normalmente a empresa já vai ter contactos na tua universidade ou tens de ser tu a encontrar um professor.
  • Escolhe tu a tese que queres fazer: decide o que queres fazer e procura um professor que aceite. Não é incomum serem os alunos a criarem propostas de projeto e a acertarem os detalhes com os professores.
  • Tens uma boa chance de ter um orientador de m*, deal with it and move on: tenho vários colegas que tiveram orientadores que não respondiam durante meses e eu (acho que) estou a passar por uma situação similar, procura outras pessoas para te apoiarem na tese e explica a situação, normalmente vais arranjar sempre alguém que te possa ajudar (nem que sejam researchers dos papers que estás a basear-te!). Se não estiver a correr bem, tenta pegar no tópico e passar para outro professor interessado e que faça research parecida. Isto torna tudo 100x mais difícil mas a tua motivação para fazer a tese não deve estar no teu orientador e sim em ti.
  • Erasmus+, teses lá fora, etc: tens imensos recursos para tirar a tese fora (com projetos da Universidade ou não) por isso é uma questão também de procurares diretamente pessoas e laboratórios que te interessem. Eu para encontrar a minha tese basicamente andei a enviar emails a "estranhos" de vários países para encontrar um tópico que estivesse interessado alinhado com os meus objetivos.
Boa sorte! Espero ter-te ajudado pelo menos com passos práticos se estiveres interessado mas acho que devias focar-te agora em perceber a parte psicológica porque não pareces estar muito motivado em fazer a tese. É normal teres "short bursts" de motivação mas tens de perceber se é uma motivação a sério ou uma que te vai levar a burnout em 5 dias.
 

lostboy

Membro Caloiro
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9 Outubro 2020
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Olá, @lostboy! Sê bem-vindo ☺

Em primeiro lugar, os meus parabéns por teres tido a coragem de deixar aqui o teu testemunho. Nunca fui aluna de Engenharia, mas também estou no último ano do Mestrado e compreendo a "pressão" que existe para concluirmos este ciclo, principalmente com bons resultados e com um tema que nos cative.
A nossa idade não tem que ditar o nosso profissionalismo. Eu entrei para o Ensino Superior mais tarde mas, como tenho referido várias vezes ao longo destes 5 anos no Uniarea, muito a tempo. Os conselhos que te posso dar são:

1) Tira um tempo para ti - talvez aches ridículo tirares tempo quando já andas há anos a adiar isso, mas a verdade é que não estou a sugerir esqueceres-te do mundo, mas sim em procurares tirar algum tempo (1 semana, 1 mês, o que for) só para ti. Pensa no que queres, no que gostas de trabalhar e no que te daria gozo fazer nessa dissertação. Pede ajuda a amigos, a colegas. Fala sobre o assunto e procura evitar cair num estado depressivo.

2) Procura o que te faz feliz - se chegares à conclusão de que vais terminar essa dissertação, então força. Procura algo que te inspire - se não for esse tema e esse professor, então muda. Mais vale perderes mais um ano do que toda uma vida. Caso decidas que afinal o melhor é ires para outras paragens e não pensares mais no assunto, então vai sem medos. Não é porque não foste bem-sucedido numa Engenharia que isso signifique que serás mal-sucedido na vida.

3) Lembra-te: a idade é só um número - com 26 anos, tens uma vida inteira pela frente. Vais falhar, vais cair mas também vais ter os teus momentos de glória. Os 26 anos são tão bons para terminar um curso como os 21 ou os 40. Entretanto, procura investir em formações ou trabalhos que te preencham.

Espero ter ajudado. Desejo-te a maior das sortes e aqui vai um abraço apertado de uma finalista de Mestrado para um finalista de Mestrado. Boa sorte! 🤗
Olá Alexandra! Muito obrigado por teres lido a minha publicação e teres partilhado os teus conselhos.

1) Eu penso constantemente no assunto e não consigo chegar a uma resposta: eu não sei o que gostaria de trabalhar. Tenho algumas áreas de interesse a nível pessoal (cultura, pessoas, turismo, por aí) mas não sei até que ponto seriam áreas que iria sentir-me realizado a nível profissional. Deverei arriscar, desistir do actual mestrado e procurar outra área? Se o fizer, vou conseguir emprego? Vou sentir-me bem? Eu não sei. Juro, ando num estado em que nem sei sequer o que quero comer ao jantar x)

2) Sim, tens razão, claro que sim. É de facto preferível perder mais um ou dois anos do que passar o resto da vida a fazer algo que não me dá gozo.

3) Eu entendo que seja "só um número", mas ambos sabemos que para a sociedade não é só um número. Nem quero entrar na questão judicial e no facto de serem actualmente necessários 40 anos de descontos para depois obter a reforma... a verdade é que as pessoas ao nosso redor, quando todas elas já estão num estado muito mais avançado que tu e com a mesma idade (tenho uma amiga que já está casada, outra que tem dois mestrados feitos e está no doutoramento... tenho muitos exemplos assim), tu acabas por sentir essa pressão... e depois tenho a pressão familiar, não há semana que eu não ouça o habitual "sermão" do "Então, demora muito? Olha que já tens a idade que tens e já devias estar com isso feito... Olha que a tua irmã já acabou o curso e começou depois de ti...!". Eu sei que podia simplesmente desligar-me disso, mas não consigo, para mim essas opiniões têm relevância então acabo por absorver essa pressão :/

De resto, muito obrigado pelas tuas palavras e desejo-te também toda a sorte e um bom trabalho. Espero que consigas ter sucesso no teu trabalho e no teu mestrado!
Mensagem fundida automaticamente:

Na tua área, talvez, mas se procurares em geral (consultadoria) as empresas estão a pegar em tudo o que é aluno de Engenharia e a oferecer salários na ordem dos 900/1000€ para licenciados e/ou a concluir mestrado. Tenho amigos de biológica, química, eletrotécnica, materiais, ... a trabalhar em consultadoria por isso não sei bem que engenharia é que tens que precisas mesmo mesmo de ter mestrado. Outra solução, se tiveste alguma cadeira de programação e gostaste, há imensas empresas também a pegar em alunos de outras engenharias para programar. Se quiseres mesmo trabalhar na tua área de curso, aí pode ser mais difícil sem mestrado mas, de qualquer forma, se queres trabalhar na área do teu curso deves conseguir encontrar uma tese na indústria que te satisfaça.

Acho que já te deram muitas sugestões a nível pessoal do que podes fazer e concordo completamente com tudo, tens de perceber o que é que se passa na tua cabeça para isto estar a acontecer porque podes estar num ciclo em que, independentemente do professor e do tema, não o vais conseguir quebrar. Não esperes ter um tema, ficar cheio de motivação e fazer a cena de uma vez. Fazer a tese é extremamente CHATO e em muitos dias vais passar o dia inteiro a ler papers e (quase) a chorar num canto (eu nestes últimos dias lmao).

Para te dar algumas sugestões mais práticas, SE QUISERES MESMO MESMO MESMO FAZER A TESE:
  • Tira uns meses para trabalhar e juntar dinheiro: se for possível, trabalha em qualquer lado (lojas, supermercados, etc) e poupa dinheiro para conseguires estudar 1 ano fora de casa. Se trabalhares a full-time numa loja consegues dinheiro suficiente para viver em Lisboa em 4/5 meses se fores bem poupado (e viveres bué longe do centro de Lisboa haha). Durante a tese podes também trabalhar como part-time aos fins-de-semana e garantir a tua sobrevivência, pelo menos.
  • Procura o professor perfeito no tópico perfeito: escreve uma lista das coisas que mais te interessam na tua área e o que mais gostaste de fazer no teu curso. Procura professores que façam investigação nessas áreas e dá uma olhadela aos últimos papers deles. Lê os papers e se não estiveres aborrecido de morte, pode ser algo para ti. Contacta o professor e pergunta se têm alguma coisa relacionada a X paper que te interessou e diz logo de INÍCIO aquilo específico que gostavas de fazer com a tese.
  • Faz uma tese numa empresa: procura diretamente empresas (como se estivesses à procura de trabalho) e pergunta se têm projetos que aceitem tese. Normalmente em empresas são coisas muito mais dinâmicas e com muito menos "research" per se, acaba por ser mais um projeto o que torna-se muito mais prático e fácil de ser feito. Posso dar-te dicas de empresas em algumas áreas (informática, eletro, química) na zona de Lisboa. Tenho vários amigos que foram pagos pela empresa por isso é também encontrares a empresa certa. Normalmente a empresa já vai ter contactos na tua universidade ou tens de ser tu a encontrar um professor.
  • Escolhe tu a tese que queres fazer: decide o que queres fazer e procura um professor que aceite. Não é incomum serem os alunos a criarem propostas de projeto e a acertarem os detalhes com os professores.
  • Tens uma boa chance de ter um orientador de m*, deal with it and move on: tenho vários colegas que tiveram orientadores que não respondiam durante meses e eu (acho que) estou a passar por uma situação similar, procura outras pessoas para te apoiarem na tese e explica a situação, normalmente vais arranjar sempre alguém que te possa ajudar (nem que sejam researchers dos papers que estás a basear-te!). Se não estiver a correr bem, tenta pegar no tópico e passar para outro professor interessado e que faça research parecida. Isto torna tudo 100x mais difícil mas a tua motivação para fazer a tese não deve estar no teu orientador e sim em ti.
  • Erasmus+, teses lá fora, etc: tens imensos recursos para tirar a tese fora (com projetos da Universidade ou não) por isso é uma questão também de procurares diretamente pessoas e laboratórios que te interessem. Eu para encontrar a minha tese basicamente andei a enviar emails a "estranhos" de vários países para encontrar um tópico que estivesse interessado alinhado com os meus objetivos.
Boa sorte! Espero ter-te ajudado pelo menos com passos práticos se estiveres interessado mas acho que devias focar-te agora em perceber a parte psicológica porque não pareces estar muito motivado em fazer a tese. É normal teres "short bursts" de motivação mas tens de perceber se é uma motivação a sério ou uma que te vai levar a burnout em 5 dias.
Olá! Muito obrigado por teres lido a minha publicação e teres respondido com sugestões práticas!
Sobre o que referiste:

1) Não sei sobre a questão da consultadoria. Não pensei sobre o assunto, teria que fazer essa pesquisa. Sei sobre ofertas de trabalho para pessoas que tenham especificamente o meu curso e nessas ofertas eles pedem geralmente o mestrado concluído ou, no limite, que esteja no último ano do curso e tenha a capacidade de o terminar nesse ano. Não preciso de ter efectivamente o mestrado terminado, mas preciso de ter a garantia que o vou terminar nesse intervalo de tempo e essa garantia eu não a tenho, de todo. Então acabo por descartar essa possibilidade, não quero estar a comprometer-me com uma identidade patronal e depois falhar dessa forma.

2) Eu já trabalhei, como indiquei na minha publicação. Inclusivamente, há duas semanas foi-me oferecido um part-time de supermercado em Lisboa (eu sou do centro do país) e a intenção até era essa. Ia para Lisboa, que é onde estão mais empresas da minha área e onde o meu professor e outros amigos moram, trabalhava em part-time para ir ajudando nas despesas e poder então tentar pegar na tese no restante tempo mas a verdade é que só um part-time não ira chegar e teria que estar dependente da ajuda financeira dos familiares... cheguei até a falar com eles sobre o assunto, eles disponibilizaram-se para dar essa ajuda durante seis meses mas depois, ao final desse tempo, teria que ser eu, teria que passar para full-time ou sair de Lisboa, regressar a casa. Ou seja, teria 6 meses para começar e acabar uma tese... não seria suficiente. E corria o risco de estar a comprometer-me mais e a perder mais tempo. Então acabei por rejeitar essa oferta de trabalho. Neste momento estou a considerar procurar uma cidade mais barata, que consiga cobrir as despesas com metade de um ordenado e efectivamente juntar a outra metade para daqui a 1 ou 2 anos fazer essa mudança para Lisboa e retomar a tese nessa altura. Ou, então, continuar em casa da família e trabalhar. Financeiramente falando, esta segunda hipótese seria muito mais vantajosa, mas a nível psicológico estar em casa da minha família é cada vez mais terrível para mim, sinto-me muito preso e pressionado aqui. Não sei bem o que fazer (ando a enviar CVs para supermercados, comércio e afins mas não tenho obtido respostas favoráveis).

3) No meu departamento não é habitual serem os alunos sugerirem os temas... geralmente são os professores que têm uma listagem e os alunos escolhem. Entendes? Também não quero estar constantemente a achar que pode haver um tema melhor pois sinto mesmo que o problema está maioritariamente em mim, nesta altura. Sobre a sugestão de procurar tema directamente com a empresa, estou estupefacto. Essa possibilidade ainda não me tinha passado pela cabeça :/ Achava que nem era possível, que eram os professores que tinham já esses contactos e não nós que os podíamos procurar. Vou procurar saber mais sobre esse caminho, obrigado!

4) De facto é o lado psicológico que mais me tem afectado. Sinto-me esgotado, sinto-me incapaz de colocar em prática o quer que seja. Tenho dores de cabeça regulares, sinto desmotivação, o meu sono é péssimo (é irregular e sonho bastante, sendo que acordo muitas vezes a sentir-me mais cansado do que aquilo que sentia antes de adormecer), passo os dias a fazer absolutamente nada e ando cada vez mais isolado a nível social. Sinto que o problema está aqui, mas não o sei resolver ou se é sequer possível resolvê-lo.

Agradeço uma vez mais as tuas palavras e disponibilizo um ombro amigo na medida do possível para o que precisares. Espero que consigas finalizar o teu mestrado! Abraço :)
 
Última edição:
Matrícula
9 Maio 2016
Mensagens
66
Curso
Ciências e Tecnologias
Bem eu ainda não entrei para a faculdade mas identifiquei-me muito com a tua história.
Resumindo bastante o que aconteceu até ao 9º ano não era uma excelente aluna mas era bastante boa. A partir do 7º já tinha decidido que queria ser psicóloga ou psiquiatra então quando foi para escolher Ciências nem tive dúvidas. Comecei o 10º ano bem e confiante mas houve uma altura em que fiquei doente, faltei uns dias quando cheguei tinha teste de Matemática e não estava minimamente preparada, tive 7. Nunca, mas nunca mais consegui recuperar a matemática o que é uma mágoa que levo até hoje, pois era a minha disciplina preferida e a única coisa a que era realmente boa na área das ciências.
O meu 10º ano foi muito complicado por diversos motivos e eu andava muito mal, quando estava no 11º foi-me diagnosticado uma doença crónica que até hoje não aceitei e que atrasou muito a conclusão do meu secundário.
Demorou 6 anos até que este ano conclui o secundário com o exame de matemática na 2ª fase, foi muito à rasca mas consegui.
Estes 6 anos foram muito custosos a passar ver as minhas colegas a acabar a licenciatura agora e eu ainda não comecei, tentei ter apoio psicológico mas saí pior do que entrei e o meu médico de família não me pode mandar para outro lado, o ambiente em casa é complicado para além que tenho uma bebé em casa bastante irrequieta, a minha condição financeira é uma miséria então há várias discussões por causa disso, a preguiça é enorme e é uma preguiça difícil de explicar, não era procrastinação era medo de falhar mais ainda, muito cansanço psicológico e frustração por não ter concluído o secundário em 3 anos, a única coisa em que era boa ter-me tornado numa falhada sem falar que a minha doença afeta a minha memória então troco muitas coisas ou esqueço. Acontecia fazer exercícios e no dia seguinte não me lembrar de rigorosamente nada do que tinha feito então se era para isso não valia mais valia não fazer.
Já estava exausta do secundário mas a vontade de ir para a faculdade era enorme, dizem para não termos expetativas mas as minhas estão bem altas e tenho esperança que a faculdade seja diferente do secundário, não sei bem como, sou exatamente a mesma, só vou para outro sítio.
Porém houve umas quantas coisas que aprendi e espero que ajude:
- Não sei qual o teu problema de saúde, mas o meu é um bocado incerto. Não vou morrer, mas vou sofrer bastante nesta vida, sei que há várias pessoas que trabalham e estudam com o mesmo problema que eu, só que o exemplo que tenho em casa, a minha mãe, não consegue trabalhar há anos. Isto fez-me reflectir muito e cheguei à conclusão que devemos estar onde somos felizes, para se algo me impedir de continuar poder olhar para trás e dizer "Não consigo continuar, mas até aqui fui feliz e sinto-me realizada". Ou seja, eu fui para Ciências para atingir o fim de psicologia ou parecido, mas ciências por si só não me deixava lá muito realizada. Já és adulto e tens contas para pagar, tens outras prioridades, só que não sabemos o que vai acontecer amanhã ainda para mais com problemas de saúde. Pára e pensa, olhando para trás, mesmo com todas as complicações sentes que foste realizado profissionalmente?
- Há muitos anos a minha prima estava a 3 meses ou 6 de acabar o bacharelato em Artes, ela desistiu. A minha mãe sempre achou um absurdo ela desistir faltando tão pouco e não faço ideia porque desistiu. Ela hoje trabalha na Fnac, há já uns 15 anos para aí e ela é bastante feliz lá. Tem gostos caros, o salário é à justa, ela tem um pai com dinheiro mas gosta de ser independente e nunca pede emprestado. Claro que há alturas complicadas mas profissionalmente ela é realizada e nunca a ouvi dizer que se arrependia de ter desistido da faculdade. Desistir da faculdade pode significar dares a ti mesmo uma nova chance
- Isto é uma coisa que se alguém me perguntar eu vou dizer mas não consigo levar para a minha vida "Cada um leva o seu tempo". É verdade, mas doia-me horrores ver toda a gente na faculdade e eu cada vez mais para trás, ver os maus alunos que copiavam por mim entrar na faculdade e eu nem o secundário conseguia terminar. A minha irmã mais nova já vai para o 2º filho e eu que desde que tinha 5 anos queria ser mãe, nem tenho o primeiro. Mas não adianta fazer comparações, da tua vida só sabes tu e o que cada coisa te custa. Colegas teus já tem filhos? Bom para eles. Uns já estão a dar aulas? Muito sucesso para eles. Cada um tem o seu percurso, o seu aprendizado e as suas prioridades e as tuas no momento são descobrir o que queres fazer, não é constituir família, é o que me parece. Sem falar que há mais pessoas em situações parecidas com a tua, não é só sucesso, um dia também chegarás lá.
- Saber fazer o "luto" por quem eras. Lamento informar, mas já não és o "aluno certinho orgulho da terra" que sabia exatamente o que queria fazer, essa pessoa já era. Não é uma coisa má, pessoas mudam e tem dúvidas, o que uma pessoa gosta aos 18 não é necessariamente o que gosta aos 26 em relação a tudo, porque com a profissão seria diferente? Cresces-te, amadureces-te, mudas-te e tudo bem, agora bola para a frente continuar para ser feliz
- Eu mal consiga quero sair de casa, amo demasiado a minha família mas sei que aqui não estou bem. Parece-me que contigo é o mesmo, imagino que para ti seja complicado devido ao dinheiro e sem bolsa é puxado mas se conseguires ir para casa de outros familiares ou amigos nem que seja uma temporada, mudar de ares só te faria bem
- Por falar em família, a pior coisa a fazer é comparar irmãos. Que bom que a tua irmã acabou o curso, mas tu não és ela e pessoalmente acho uma sacanagem desvalorizarem o teu percurso académico só porque ainda não terminas-te. Sem ser grosso devias "dar um murro na mesa" e dar um basta nisso, precisas de apoio não de julgamentos
- A questão do dinheiro é complicada, recebo o RSI e sei como é, mas se quiseres desistir do curso pensa que estás a poupar a tua família de pagar mais um ano, se quiseres continuar pensa que é um último investimento e no futuro terás retorno seja nessa área ou noutra. Em princípio com o mestrado irás receber mais, digo eu.
- Procura terapia. Mesmo que não consigas de graça porque demora milénios ir pelo centro de saúde e nas faculdades normalmente estão lá poucas horas, acho que seria um investimento que valeria a pena. Podem vir mil pessoas dar conselhos mas nada como um especialista, ainda para mais se tens problemas de ansiedade.
- Eu há anos que leio coisas sobre a faculdade, esqueço 3/4 e o 1/4 que sobra troco tudo, mas se a tua faculdade não dá para anular matrícula não há a hipótese de ires para outra e pedires equivalência do que tens? Não percebo nada de mestrados mas poderia ser uma hipótese
- Por fim, este provavelmente é a dica mais tosca mas dou-a com muito carinho, sem julgamentos OK? Eu sou a doida dos signos e do tarot, acredito muito nisso, há que saber onde pesquisar, como e é preciso saber interpretar mas para além da fé que eu ponho de que realmente acerte o meu futuro, quer eu gosto do que eu leia ou não, acalma a minha ansiedade de uma maneira que nenhuma meditação iria fazer. Por exemplo, estou ansiosa com um exame e vou ver o que o tarot diz. Se diz que vai correr bem, não deixo de estudar, continuo a estudar, mas muito mais tranquila porque vai correr bem. Se diz que vai correr mal, continuo a estudar para não ter uma nota péssima, mas vou mais calma porque qualquer coisa as expetativas são baixas e já previa que ia ser mau. Prefiro saber que vai correr mal do que não saber nada. Como sou pobre vejo os signos no sapo, o tarot no site da Maria Helena, gosto das runas do somos todos um mas eu não tenho jeito para interpretar aquilo e quando tenho dúvidas grandes que não param de rondar a cabeça "procuro" tarologas que façam uma leitura grátis no facebook. Aliás, no ano passado não sabia se iria tentar mais uma vez o ensino regular ou recorrente e uma taróloga que era portuguesa mas morava em Inglaterra, não sabia explicar-me muito bem o que fazer pois não conhecia o nosso sistema de ensino, mas falou que devia fazer um curso e eu aí percebi logo que devia fazer o recorrente e foi o melhor que fiz.
Falei no tarot, porque é aquilo em que acredito, mas a fé religioso anima e acalma muita gente seja qual religião for e nada disto invalida uma terapia. Sempre que precisarem de ajuda, procurem seja um psicólogo, psiquiatra ou psicoterapeuta.
A maioria das dicas são baseadas na minha experiência e vale o que vale, não vou ditar regras na vida de ninguém e cada um sabe da sua vida. Espero ter ajudado nalguma coisa e lamento o textão
 
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