Estudantes e saúde mental

asdfgg

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Voltei à universidade após os 30 e confesso, a re-adaptação não está a ser nada fácil. Estou bastante deprimida, não tenho vontade de estudar nem de ir às aulas. Estou ainda à espera de equivalências, que já me disseram que vão ser bastante demoradas, então estou a assistir a cadeiras que já fiz e que, por valerem 1 ECTS a mais cada, não tenho a certeza se me darão equivalência ou não, apesar de serem leccionadas com o meu antigo curso. Não me consigo identificar com os meus colegas de 18/19 anos e como entrei na segunda fase ainda está a ser mais difícil porque já todos têm os seus grupinhos. No meu tempo todos falávamos com todos, agora somos praticamente excluídos. E não me consigo concentrar mais do que uma hora e sinto que estou a ficar para trás. Ao menos tenho a família por perto, senão já tinha desistido.

Se bem que desistir ainda está em cima da mesa queria dar mais uma oportunidade, até porque já desisti de um mestrado antes. Mas passo os dias a chorar e não sei se consigo lidar com isto. Como lidam com estes momentos piores da vida académica?
 
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ManuelCorreia

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Estudos Asiáticos
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Olha eu passei pelo semelhante e tenho 21, acredita é horrível como tu disseste e muito bem é assim o mundo universitário, os "colegas" são falsos, só querem saber de ti para apontamentos e mais nada, de resto nem sabem nem querem saber como tu és.

E deprimida e a chorar, isso é tão normal, aliás eu na universidade, mesmo após ter sido abusado, pois eu fui abusado por um professor lá, eu nem se quer queria por os pés lá, e para mim ir para lá era um martírio.

Houve eu sei que podemos ter 9 anos de diferença mas faz o seguinte não forces o inevitável, na verdade eu passei o mesmo que passaste e pior numa cadeira tive nada, ouviste bem, nada nem 1 nem 3 nada, tudo por causa da minha "participação" que era quase nula mas sinceramente eu já tinha mesma vontade que tu e só me queria ir embora.

Faz o seguinte, conselho de uma pessoa que passou o mesmo que tu, não percas o teu tempo, vai te embora da universidade, não serve para nada e sinceramente só estás a perder o teu tempo, não forces o inevitável, mais vale desistires e dares um passo atrás do que continuares neste ciclo de auto-tortura.

Olha, as frequências que dêm um passeio, é melhor desistires e dares um passo atrás do que continuares a dar uma oportunidade a algo que não vale a pena.

A escolha é tua mas agora faz o que quiseres, eu sou só apenas uma almofada conselheira.
 
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Alexandra S.

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Voltei à universidade após os 30 e confesso, a re-adaptação não está a ser nada fácil. Estou bastante deprimida, não tenho vontade de estudar nem de ir às aulas. Estou ainda à espera de equivalências, que já me disseram que vão ser bastante demoradas, então estou a assistir a cadeiras que já fiz e que, por valerem 1 ECTS a menos cada, não tenho a certeza se me darão equivalência ou não, apesar de serem leccionadas com o meu antigo curso. Não me consigo identificar com os meus colegas de 18/19 anos e como entrei na segunda fase ainda está a ser mais difícil porque já todos têm os seus grupinhos. No meu tempo todos falávamos com todos, agora somos praticamente excluídos. E não me consigo concentrar mais do que uma hora e sinto que estou a ficar para trás. Ao menos tenho a família por perto, senão já tinha desistido.

Se bem que desistir ainda está em cima da mesa queria dar mais uma oportunidade, até porque já desisti de um mestrado antes. Mas passo os dias a chorar e não sei se consigo lidar com isto. Como lidam com estes momentos piores da vida académica?
Olá! Eu tinha 24 anos quando iniciei a minha licenciatura e, tal como tu, também senti muito um choque de mentalidades. Em primeiro lugar, não acho que tenhas que te sentir culpada pelo que estás a sentir - independentemente da idade, nem sempre é fácil a adaptação a um novo ambiente/ nova realidade e há pessoas que demoram mais tempo que outras.
Nunca dei importância a grupinhos, portanto isso nunca foi algo que me tivesse incomodado. É verdade que sentimos uma ligação maior com pessoas mais próximas da nossa faixa etária, mas também é verdade que a idade não é tudo. Já tentaste abrir-te um pouco mais com alguns dos teus colegas? Tentar estabelecer uma conversa sobre um qualquer tema pode ser um bom primeiro passo. Lembra-te que muitas vezes tens estudantes deslocados e que não conhecem nada nem ninguém. Podes tentar estabelecer conversa com eles e mesmo encontrarem interesses em comum - apesar da diferença de idades, fiz amigos na Universidade e ainda hoje falamos.

Isto não é nenhuma receita mágica para o sucesso, mas espero ter ajudado um pouco. Boa sorte 🥰 🌈
 

Ariana_

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Estudos de Teatro
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Voltei à universidade após os 30 e confesso, a re-adaptação não está a ser nada fácil. Estou bastante deprimida, não tenho vontade de estudar nem de ir às aulas. Estou ainda à espera de equivalências, que já me disseram que vão ser bastante demoradas, então estou a assistir a cadeiras que já fiz e que, por valerem 1 ECTS a menos cada, não tenho a certeza se me darão equivalência ou não, apesar de serem leccionadas com o meu antigo curso. Não me consigo identificar com os meus colegas de 18/19 anos e como entrei na segunda fase ainda está a ser mais difícil porque já todos têm os seus grupinhos. No meu tempo todos falávamos com todos, agora somos praticamente excluídos. E não me consigo concentrar mais do que uma hora e sinto que estou a ficar para trás. Ao menos tenho a família por perto, senão já tinha desistido.

Se bem que desistir ainda está em cima da mesa queria dar mais uma oportunidade, até porque já desisti de um mestrado antes. Mas passo os dias a chorar e não sei se consigo lidar com isto. Como lidam com estes momentos piores da vida académica?
Olá, em princípio as equivalências não deverão apresentar problemas porque tu fizeste ECTS a mais e não a menos, por norma só torcem mais o nariz quando os ECTS são menos, porque seria uma carga menor de trabalho, em teoria. Espero que isto te reconforte um pouco, mas tenta usar as aulas como forma de rever esses conteúdos que já deste antes, tentando ter uma postura mais relaxada.

Não acho que estejas a adiar uma inevitabilidade por quereres dar mais uma oportunidade ao curso. Apesar das tuas dificuldades de concentração, sentes que gostas dos conteúdos ou não gostas de todo do curso? Acho que deves considerar isso, porque quando somos um pouco mais velhos e já passámos por outras experiências, não temos tanta vontade de comprometer-nos com algo que não gostamos; mas se gostas, aconselho seriamente a tentares o possível para não desistires - tenta falar com alguns colegas e se te sentes deprimida aconselho profundamente o acompanhamento psicológico. Acho que se não fosse acompanhada, teria desistido de imensa coisa ou não teria tido coragem de tomar algumas decisões.

No meu mestrado tenho o problema inverso do que relatas, sou a mais nova e mesmo os colegas com pouca diferença são pouco mais do que conhecidos. Na licenciatura não fiz propriamente amigos no meu curso e as pessoas que melhor se davam comigo eram sempre mais velhas. Mas encontrei amigos fora do meu curso e a fazer actividades (teatro, jornal, etc). Se tiveres algum tempo, tenta ver que actividades há nos campi da UAlg, podem ser formas de conheceres pessoas de outras idades, outros cursos e talvez com algumas coisas em comum contigo. Sei que pode parecer dramático sentir-nos sozinhos num curso (e sinto mais agora do que na licenciatura, porque somos muito menos em mestrado e a minha existência ocorre à parte dos meus colegas), mas arranjar círculos de amigos fora do curso também pode ajudar e até mesmo percebermos que não somos casos únicos e nem toda a gente fez grandes amigos no curso. Sobretudo, tenta manter relações cordiais com os colegas e desabafa com os amigos que fores fazendo.

Compreendo bem a sensação de não termos motivação e estou neste momento a lidar com isso (o que me levou a anular um seminário opcional que farei antes no 2° semestre, fazendo mais seminários), mas acho que no final do dia o que me deixa mais descansada é poder fazer escolhas e ter pessoas com quem dialogar sobre as minhas decisões (e a psicóloga ajudou milhões em conseguir fazer coisas como desistir e arranjar alternativas). Não te sintas pressionada para não desistir só porque achas que deves aguentar, mas creio que não estás errada em tentar recuperar-te. Lembra-te que entraste em 2a fase e ainda passou pouco tempo, estás mais do que a tempo para poderes conseguir estabelecer objectivos e tentares cumprir, mesmo que não seja na totalidade. Tens outras opções: tempo parcial, fazendo menos ECTS ou outras, dependendo do que pretendes fazer.

Ninguém melhora em dias e dificilmente melhora em semanas, especialmente se estiveres deprimida... Uns meses vão correr melhor que outros, mas tenta pensar sempre nas pequenas vitórias do que consegues fazer. Muita força e tudo a correr bem!
 
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Bem, desde já agradeço a toda a gente que me respondeu, muito obrigada!! Eu prometo voltar cá com mais cabeça para responder a todos.

Olá, em princípio as equivalências não deverão apresentar problemas porque tu fizeste ECTS a mais e não a menos, por norma só torcem mais o nariz quando os ECTS são menos, porque seria uma carga menor de trabalho, em teoria. Espero que isto te reconforte um pouco, mas tenta usar as aulas como forma de rever esses conteúdos que já deste antes, tentando ter uma postura mais relaxada.

O meu problema é mesmo o contrário, os ECTS que fiz foram menos dos actuais, já corrigi no texto (fiz quando cada cadeira valia 5 e agora valem 6), por isso estou mesmo triste com esse facto, porque pensei que já tinha uma grande parte do curso feita quando se calhar nem me dão equivalências. Só isso, e o facto das decisões demorarem muito tempo, ajudam para me deixar neste estado. Depois, esta falta de rotina de estudo, de não poder "desligar-me" porque há sempre qualquer coisa para estudar, para ler... já estou a faltar a aulas não obrigatórias porque não estou a conseguir lidar com isto.

De resto, eu acho que vim para o curso mais como um "escape" porque não conseguia arranjar um emprego estável e em CF acho que pelo menos emprego teria. Mas agora também penso, mais 5 anos disto... não sei, já chorei muito, já falei com os meus pais, irmãos, um ou dois amigos... e ainda não cheguei a nenhuma resposta. No fundo o que eu queria mesmo era ter um emprego minimamente estável e que não me desse cabo da saúde mental.

Mais uma vez obrigada, eu depois respondo a toda a gente com calma.
 
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Bem, desde já agradeço a toda a gente que me respondeu, muito obrigada!! Eu prometo voltar cá com mais cabeça para responder a todos.



O meu problema é mesmo o contrário, os ECTS que fiz foram menos dos actuais, já corrigi no texto (fiz quando cada cadeira valia 5 e agora valem 6), por isso estou mesmo triste com esse facto, porque pensei que já tinha uma grande parte do curso feita quando se calhar nem me dão equivalências. Só isso, e o facto das decisões demorarem muito tempo, ajudam para me deixar neste estado. Depois, esta falta de rotina de estudo, de não poder "desligar-me" porque há sempre qualquer coisa para estudar, para ler... já estou a faltar a aulas não obrigatórias porque não estou a conseguir lidar com isto.

De resto, eu acho que vim para o curso mais como um "escape" porque não conseguia arranjar um emprego estável e em CF acho que pelo menos emprego teria. Mas agora também penso, mais 5 anos disto... não sei, já chorei muito, já falei com os meus pais, irmãos, um ou dois amigos... e ainda não cheguei a nenhuma resposta. No fundo o que eu queria mesmo era ter um emprego minimamente estável e que não me desse cabo da saúde mental.

Mais uma vez obrigada, eu depois respondo a toda a gente com calma.
Vou dar um conselho que pode não dar em grandes respostas, mas o responsável pela atribuição de creditações é o director de curso. Acho sinceramente que valia a pena tentares falar com ele (não sei se é teu prof ou não) de uma forma menos formal (conversando com ele após uma aula ou enviando um email) e lhe falasses sobre a demora do processo de atribuição estar a afectar um pouco a forma como te sentes no curso e se ele tem alguma ideia das probabilidades de seres creditada, porque fizeste cadeiras mas com o plano de estudos antigo. Talvez ele consiga perceber o quanto isto pode afectar-te, visto que é um número significativo de cadeiras e mesmo não te dando garantias, poderá tranquilizar um pouco se ele acabar por dar uma ideia do que costuma ser feito com esses processos (o plano de estudos mudou e de certeza que tiveram casos de alunos do antigo plano que ficaram ainda no curso quando mudou de plano, então ele deve saber como procederam nesses casos).

Acho que faltares a aulas que não são obrigatórias não é necessariamente prejudicial, sobretudo se essas aulas não estiverem a acrescentar grande coisa ao teu estudo. Por vezes, mais vale tirar esse tempo para fazermos as nossas coisas e estudar de forma mais autónoma. Talvez possa ajudar-te desconstruires um pouco o que tens para estudar: quando olhamos de um modo geral, parece-nos imensa coisa e que estamos sempre com coisas por fazer, mas se conseguires separar tarefas, talvez consigas priorizar o que é mais importante do que é menos. Ninguém vive num curso a estudar 24/7, então a ideia é só definires um plano de trabalho para cada disciplina e tentar equilibrar o que fazes quando tens tempo para estudar. Não sei que infraestruturas tens por aí, mas se estás habituada a estudar em casa e não está a resultar muito bem, procura bibliotecas ou outros espaços calmos onde possas trabalhar/estudar. Sinto que mais vale termos essas 1 ou 2h de concentração em que, mesmo que se sinta que é "pouco" é um bocado do "grão a grão enche a galinha o papo". É fácil ficarmos overwhelmed com o trabalho todo que temos a fazer, mas se separares tarefas e fores fazendo aos poucos, vais ver que no final do semestre até vais concluir que fizeste bastantes coisas. E pausas, pausas, pausas no estudo - se tens dificuldades em concentrar, não te forces a sessões muito longas de estudo e vai alternando com outras actividades.

Quanto ao curso ser um "escape", tens de avaliar se é um escape que vale a pena para ti ou não; porque de resto, parece-me completamente razoável que alguém escolha um curso por essas motivações - querer um determinado tipo de emprego e não a mera narrativa de que só estaremos bem num curso que seja a nossa maior paixão. Muitas pessoas não pertencem a esse caso e mostraram ser possível concluírem os seus percursos, é só considerares o que achas melhor para ti, porque um curso não é uma garantia mas é certamente uma maneira de obtermos oportunidades. Isto de embirrarem por 1 ECT também não é uma regra fixa, é só algo que pode acontecer, mas também pode ser caso de aceitarem isso, tenta falar com o prof e acho que depois disso fizeste tudo o que podias fazer a respeito desse processo.

Espero que venhas a ter melhores dias e boa sorte!
 
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sтαяℓιgнт cяιsιs

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14 Abril 2015
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(...) Apesar das tuas dificuldades de concentração, sentes que gostas dos conteúdos ou não gostas de todo do curso? Acho que deves considerar isso, porque quando somos um pouco mais velhos e já passámos por outras experiências, não temos tanta vontade de comprometer-nos com algo que não gostamos (...)
Ia perguntar isto. No Ensino Secundário, as turmas que tive foram horribiles, mas, ainda hoje, recordo com saudade esses tempos, porque adorava o que estudava. Na faculdade, tive duas pessoas mais próximas, mas uma deixou os estudos e a outra concluiu o curso e lá foi à sua vida. Com elas, as coisas levavam-se muito bem e até conseguia encontrar gosto na informática (área que escolhi). Senti imensa falta dessa companhia quando fiquei sem elas. Isto para dizer que entendo a necessidade de ter um grupo em que estamos inseridos; embora, no meu caso, no Secundário, os estudos acabassem por ser um refúgio.

Também concordo com a ideia de que a idade não tem de ser uma barreira para estabelecer relações com os outros.

(...) querer um determinado tipo de emprego e não a mera narrativa de que só estaremos bem num curso que seja a nossa maior paixão. Muitas pessoas não pertencem a esse caso e mostraram ser possível concluírem os seus percursos (...)
Such as... me 🥴
 
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29 Maio 2021
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olá! eu reingressei aos 25 e fiz os 26 pouco depois, e também sinto uma diferença enorme de como as pessoas interagiam quando entrei primeiramente (aos 17). nessa altura era eu que comunicava pouco com os outros, não saía da zona de conforto e partia do pressuposto que não me ia dar bem com os outros, hoje, sinceramente, a minha cabeça/vida é muito diferente dos meus colegas mais novos. não é uma crítica, é só a minha realidade, e está tudo bem. entretanto, foi-me muito mais fácil fazer amigos de outros cursos e acho que esse pode ser um caminho para ti. não vou dizer que não há diferenças gigantes entre alguém que já trabalhou, já não vive com os pais e não depende do dinheiro deles, paga as próprias contas, etc...seja o que for, é claro que estamos em estágios diferentes. mas é possível encontrar também muitos pontos em comum. talvez não venham a ser amizades tão profundas porque não te vais sentir à vontade para dissecar experiências pelas quais a outra pessoa ainda não passou, mas às vezes é bom ter relações cordiais, alguém com quem beber um café de vez em quando, sem ser super profundo.

eu gosto muito da minha própria companhia e sinto-me muito à vontade comigo mesma, então não ligo muito para grupos e afins. pode parecer estúpido, mas tenta trabalhar essa parte de estares à vontade sozinha e gostares de passar tempo contigo mesma. também me ajuda o facto de que eu estou sempre focada no quanto eu quero sair da área de trabalho em que estava, do quanto eu esperei e desejei voltar a estudar e das oportunidades que estudar me pode abrir. o resto acaba por me parecer pequeno em comparação, porque estou constantemente a lembrar-me do porquê de eu estar ali, ainda que às vezes a carga de trabalho seja elevada e surjam dúvidas.

é frustrante pensar no tempo que ainda falta, na idade que já temos, nos sítios onde já queríamos estar, mas se dividires mentalmente por etapas torna-se mais fácil. concentra-te neste semestre e o resto há-de chegar. se colocares as coisas em perspetiva, cinco anos não são quase nada em comparação com o resto da tua vida que poderia ser passada a trabalhar em algo que não gostas.

sobre o estudo, o que eu fiz foi deixar furos no meu horário, porque sei que não posso ir para casa (vivo longe) e também fico sem nada para fazer a não ser estudar. isso ajudou-me a conseguir adiantar a matéria para não sentir que me cai tudo em cima ao mesmo tempo. se tiveres a possibilidade de conseguir uma ou duas horas para estudar na manhã, antes da primeira aula, recomendo-te. se os teus professores disponibilizarem textos e matéria para estudares antes das aulas/como um extra, faz isso, tem-me ajudado imenso a acompanhar as aulas e completar com auto-estudo.

desejo-te muita sorte e não estás sozinha na situação, nem nos sentimentos. é difícil, mas vamos conseguir e sair daqui num instante, com um leque novo de oportunidades! força (:
 
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28 Outubro 2022
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Olá! Eu tinha 24 anos quando iniciei a minha licenciatura e, tal como tu, também senti muito um choque de mentalidades. Em primeiro lugar, não acho que tenhas que te sentir culpada pelo que estás a sentir - independentemente da idade, nem sempre é fácil a adaptação a um novo ambiente/ nova realidade e há pessoas que demoram mais tempo que outras.
Nunca dei importância a grupinhos, portanto isso nunca foi algo que me tivesse incomodado. É verdade que sentimos uma ligação maior com pessoas mais próximas da nossa faixa etária, mas também é verdade que a idade não é tudo. Já tentaste abrir-te um pouco mais com alguns dos teus colegas? Tentar estabelecer uma conversa sobre um qualquer tema pode ser um bom primeiro passo. Lembra-te que muitas vezes tens estudantes deslocados e que não conhecem nada nem ninguém. Podes tentar estabelecer conversa com eles e mesmo encontrarem interesses em comum - apesar da diferença de idades, fiz amigos na Universidade e ainda hoje falamos.

Isto não é nenhuma receita mágica para o sucesso, mas espero ter ajudado um pouco. Boa sorte 🥰 🌈
Eu estou na licenciatura em eng física , falta me uma UC para terminar. Se não conseguir neste ano irei desistir e ir para área de gestão comercial, contabilidade ou finanças. Irei entrar com 23 anos a fazer 24.
Tenho umas perguntas para te fazer Alexandra. Se não te importares
Alexandra acabaste o teu curso com que idade? Já agora qual? Nunca te sentiste mal pela diferença de idades?
Dos 18 aos 24 andaste como eu perdida em vários cursos?
Não notaste que a tua memória com 24 anos já não é a mesma com 18?
Obrigado!
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Olá! Eu tinha 24 anos quando iniciei a minha licenciatura e, tal como tu, também senti muito um choque de mentalidades. Em primeiro lugar, não acho que tenhas que te sentir culpada pelo que estás a sentir - independentemente da idade, nem sempre é fácil a adaptação a um novo ambiente/ nova realidade e há pessoas que demoram mais tempo que outras.
Nunca dei importância a grupinhos, portanto isso nunca foi algo que me tivesse incomodado. É verdade que sentimos uma ligação maior com pessoas mais próximas da nossa faixa etária, mas também é verdade que a idade não é tudo. Já tentaste abrir-te um pouco mais com alguns dos teus colegas? Tentar estabelecer uma conversa sobre um qualquer tema pode ser um bom primeiro passo. Lembra-te que muitas vezes tens estudantes deslocados e que não conhecem nada nem ninguém. Podes tentar estabelecer conversa com eles e mesmo encontrarem interesses em comum - apesar da diferença de idades, fiz amigos na Universidade e ainda hoje falamos.

Isto não é nenhuma receita mágica para o sucesso, mas espero ter ajudado um pouco. Boa sorte 🥰 🌈
Eu estou na licenciatura em eng física , falta me uma UC para terminar. Se não conseguir neste ano irei desistir e ir para área de gestão comercial, contabilidade ou finanças. Irei entrar com 23 anos a fazer 24.
Tenho umas perguntas para te fazer Alexandra. Se não te importares
Alexandra acabaste o teu curso com que idade? Já agora qual? Nunca te sentiste mal pela diferença de idades?
Dos 18 aos 24 andaste como eu perdida em vários cursos?
Não notaste que a tua memória com 24 anos já não é a mesma com 18?
Obrigado!
 

Alexandra S.

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Eu estou na licenciatura em eng física , falta me uma UC para terminar. Se não conseguir neste ano irei desistir e ir para área de gestão comercial, contabilidade ou finanças. Irei entrar com 23 anos a fazer 24.
Tenho umas perguntas para te fazer Alexandra. Se não te importares
Alexandra acabaste o teu curso com que idade? Já agora qual? Nunca te sentiste mal pela diferença de idades?
Dos 18 aos 24 andaste como eu perdida em vários cursos?
Não notaste que a tua memória com 24 anos já não é a mesma com 18?
Obrigado!
Olá! Não há problema, podes perguntar à vontade.
Eu fiz a licenciatura e depois segui para mestrado. Portanto, terminei a licenciatura com 26 anos (no ano em que fiz 27) e o mestrado com 29 (feitos nesse ano). No meu caso, foi uma licenciatura em línguas, literaturas e culturas e um mestrado em comunicação, cultura e tecnologias da informação.
Nunca me senti mal pela diferença de idades, apesar de haver inegavelmente esse choque.
Não andei perdida: os 24 anos foram mesmo a minha primeira vez no Ensino Superior. Dos 18 aos 19 fiquei a fazer melhorias no Secundário. Aos 20 comecei a trabalhar e aos 24 decidi continuar a estudar. Honestamente não me arrependo e se voltasse atrás faria tudo de novo. Eu não sabia o que queria fazer aos 18/19 anos. Sinto que ter começado a trabalhar me deu as ferramentas para conseguir enfrentar muitas das coisas que se seguiram em anos futuros. Não foi fácil: eu via os meus amigos (da minha idade) a serem praxados, a trajarem, a adorarem a vida universitária e eu ali... a trabalhar. E ouvi comentários muito maldosos - trabalhei em supermercado - comentários como: "Então e estudar que é bom? Isso é que nada!" e "A menina devia era estar a estudar"... E acho que isso influenciou muito a minha forma de gerir comentários. Eu optei por ir trabalhar porque não queria que os meus pais gastassem dinheiro comigo quando eu não sabia que curso queria tirar. Apesar da imaturidade que tinha na altura, acredito que foi das decisões mais acertadas e maduras que fiz.
A nível de memória não notei diferenças. Gosto de quebra-cabeças, então não sei se isso influencia ou não. Notei diferenças, sim, e muitas quando fiz mestrado, mas esteve a ver com a questão do cansaço mental pelo esforço que é necessário para concluir um mestrado com boas notas - não necessariamente a nível de memória.

Não sei se esclareci as tuas dúvidas mas se houver mais alguma coisa que queiras perguntar, fica à vontade para me contactares, seja por aqui ou por MP. Boa sorte!
 
Matrícula
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Olá! Não há problema, podes perguntar à vontade.
Eu fiz a licenciatura e depois segui para mestrado. Portanto, terminei a licenciatura com 26 anos (no ano em que fiz 27) e o mestrado com 29 (feitos nesse ano). No meu caso, foi uma licenciatura em línguas, literaturas e culturas e um mestrado em comunicação, cultura e tecnologias da informação.
Nunca me senti mal pela diferença de idades, apesar de haver inegavelmente esse choque.
Não andei perdida: os 24 anos foram mesmo a minha primeira vez no Ensino Superior. Dos 18 aos 19 fiquei a fazer melhorias no Secundário. Aos 20 comecei a trabalhar e aos 24 decidi continuar a estudar. Honestamente não me arrependo e se voltasse atrás faria tudo de novo. Eu não sabia o que queria fazer aos 18/19 anos. Sinto que ter começado a trabalhar me deu as ferramentas para conseguir enfrentar muitas das coisas que se seguiram em anos futuros. Não foi fácil: eu via os meus amigos (da minha idade) a serem praxados, a trajarem, a adorarem a vida universitária e eu ali... a trabalhar. E ouvi comentários muito maldosos - trabalhei em supermercado - comentários como: "Então e estudar que é bom? Isso é que nada!" e "A menina devia era estar a estudar"... E acho que isso influenciou muito a minha forma de gerir comentários. Eu optei por ir trabalhar porque não queria que os meus pais gastassem dinheiro comigo quando eu não sabia que curso queria tirar. Apesar da imaturidade que tinha na altura, acredito que foi das decisões mais acertadas e maduras que fiz.
A nível de memória não notei diferenças. Gosto de quebra-cabeças, então não sei se isso influencia ou não. Notei diferenças, sim, e muitas quando fiz mestrado, mas esteve a ver com a questão do cansaço mental pelo esforço que é necessário para concluir um mestrado com boas notas - não necessariamente a nível de memória.

Não sei se esclareci as tuas dúvidas mas se houver mais alguma coisa que queiras perguntar, fica à vontade para me contactares, seja por aqui ou por MP. Boa sorte!
Como te contacto por MP? Se tens perfil privado. Gostava de falar cntg sobre este assunto privadamente

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Alexandra S.

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Audácia777

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Eu estou na licenciatura em eng física , falta me uma UC para terminar. Se não conseguir neste ano irei desistir e ir para área de gestão comercial, contabilidade ou finanças. Irei entrar com 23 anos a fazer 24.
Tenho umas perguntas para te fazer Alexandra. Se não te importares
Alexandra acabaste o teu curso com que idade? Já agora qual? Nunca te sentiste mal pela diferença de idades?
Dos 18 aos 24 andaste como eu perdida em vários cursos?
Não notaste que a tua memória com 24 anos já não é a mesma com 18?
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Eu estou na licenciatura em eng física , falta me uma UC para terminar. Se não conseguir neste ano irei desistir e ir para área de gestão comercial, contabilidade ou finanças. Irei entrar com 23 anos a fazer 24.
Tenho umas perguntas para te fazer Alexandra. Se não te importares
Alexandra acabaste o teu curso com que idade? Já agora qual? Nunca te sentiste mal pela diferença de idades?
Dos 18 aos 24 andaste como eu perdida em vários cursos?
Não notaste que a tua memória com 24 anos já não é a mesma com 18?
Obrigado!
Olá, eu entrei na faculdade pela primeira vez com 22 anos. Estou de momento em computação, no meu 3ºano. Nunca reprovei. Não, não me sinto mal com a diferença de idades, até porque há colegas no meu curso que são bem mais velhos do que eu, que até podiam ser nossos pais. É normal isso acontecer, e ninguém dá fé disso. Ninguém se importa, todos são recebidos e o pessoal interage. É um não-problema, mas o pessoal é um bocado fechado ,pelo menos, no meu curso posso dizer. Conheço um colega que tem 19 anos,acho eu. E já interagi com ele. Costuma dar-se com colegas bem mais velhos do que eu, mas também é muito calado. A integração foi-me um bocado difícil, mas vou sobrevivendo. O que importa é que goste, no fundo. Penso que é isto que me tem feito aguentar com mais ou menos dificuldade.
Sobre a questão mental, bem, já não tenho aquela genica toda dos 18. Mas não me tem afetado a minha motivação para continuar a estudar.
Resumindo: a idade não é um fator impeditivo de frequentar o ensino superior. Segue o que gostas.
Se tiveres alguma coisa que querias falar podes mandar DM.
 
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Olá pessoal!
Agradeço imenso todos os conselhos que me deram, foram realmente uma mais valia para resolver a minha situação. Agradeço especialmente à @Ariana_ , a @caat e a @Alexandra S. (sem esquecer as outras pessoas!). A sério, o meu muito obrigada!

Decidi continuar no curso. Conversei com os meus pais e alguns familiares mais chegados, tomei calmantes naturais (e cházinho de camomila), respirei fundo e até fui a uma consulta de psicologia, o que me ajudou a perceber o que estava a sentir e alguns porquês do que estava a sentir, e de momento sinto-me muito melhor.

Falei também com a directora do curso por email que me disse que, apesar das equivalências não estarem a chegar a horas (devido ao muito trabalho que ela tem de momento), praticamente me confirmou que eu iria ter equivalência a três cadeiras deste semestre, e muito provavelmente a todas que são leccionadas com Bioquímica + MICF. Isto aliviou-me imenso o horário (ainda não é oficial mas assim já não preciso de ir às aulas), e sinto-me mais confiante em entrar no ritmo para quando tiver os semestres cheios. Tal como disseste @Ariana_ , os 5 ECTS não são impeditivos, até porque eu também tive creditação quando o curso mudou o plano. Agora é esperar para ver o resto das cadeiras.

De resto, até agora está tudo a melhorar. Não tenham medo de falar, seja com amigos, familiares ou profissionais de saúde.