Exame Nacional de Português 639 2020

voidlessmind

Simp da Uniarea
Matrícula
6 Junho 2019
Mensagens
3,353
Curso
Ciência Política
Isto é uma falha do sistema de ensino, que infelizmente tem andado formatado para que muitas pessoas (professores e, consequentemente, os próprios alunos) perpetuem uma mentalidade muito negativa em torno dos exames nacionais. Há uma aura muito solene, muito pesada e muito stressante em torno de um conjunto de provas que deveriam estar perfeitamente ao alcance dos alunos.

Pois... e não há uma "uniformidade" quanto ao ensino. Por exemplo, quem teve geografia o ano passado, NINGUÉM da minha turma ou da outra acertou a parte das "isolinhas" porque ninguém se lembrou. Se pássamos por essa parte da matéria foi tipo uma nota de rodapé ou algo assim... em contraste com outras pessoas de outras escolas que diziam "a minha professora não se calava com isto" ou algo do género.
 
  • Like
Reactions: Diana Valença

Ariana_

Mod Bolinhos
Equipa Uniarea
Moderador
Apoiante Uniarea
Matrícula
26 Junho 2017
Mensagens
11,859
Curso
Estudos de Teatro
Instituição
FLUL
não há uma "uniformidade" quanto ao ensino.
Isso é difícil de concretizar. Mais que não seja pelos próprios professores - nenhum dá as coisas da mesma forma. Isso e outras clivagens como público/privado. Não é por aí que quero discutir. Isso pode genuinamente acontecer e os alunos e professores esquecerem-se de algum conteúdo que o exame acaba por avaliar. O problema que estava a falar era da seriedade com que se encaram os exames nacionais, dando-lhes uma aura muito mais assustadora do que o que deveria, o que, por sua vez, estigmatiza o próprio conceito de exames e os alunos já vão para lá com uma ideia péssima sobre a prova ou sobre os seus próprios conhecimentos...
 

voidlessmind

Simp da Uniarea
Matrícula
6 Junho 2019
Mensagens
3,353
Curso
Ciência Política
Isso é difícil de concretizar. Mais que não seja pelos próprios professores - nenhum dá as coisas da mesma forma. Isso e outras clivagens como público/privado. Não é por aí que quero discutir. Isso pode genuinamente acontecer e os alunos e professores esquecerem-se de algum conteúdo que o exame acaba por avaliar. O problema que estava a falar era da seriedade com que se encaram os exames nacionais, dando-lhes uma aura muito mais assustadora do que o que deveria, o que, por sua vez, estigmatiza o próprio conceito de exames e os alunos já vão para lá com uma ideia péssima sobre a prova ou sobre os seus próprios conhecimentos...

Eu entendi o que querias dizer. Quando eu disse "uniformidade" não me referia à maneira que os professores ensinam mas por exemplo, haver diferenças de obras que se estudam. Essas diferenças só existem porque alguns agrupamentos acham que é melhor estudar uma coisa do que outra o que não faz lá grande sentido. Da mesma maneira que há coisas que são mais destacadas numa escola do que noutra.
 

Ariana_

Mod Bolinhos
Equipa Uniarea
Moderador
Apoiante Uniarea
Matrícula
26 Junho 2017
Mensagens
11,859
Curso
Estudos de Teatro
Instituição
FLUL
Eu entendi o que querias dizer. Quando eu disse "uniformidade" não me referia à maneira que os professores ensinam mas por exemplo, haver diferenças de obras que se estudam. Essas diferenças só existem porque alguns agrupamentos acham que é melhor estudar uma coisa do que outra o que não faz lá grande sentido. Da mesma maneira que há coisas que são mais destacadas numa escola do que noutra.
Mas essa variação é perfeitamente permitida e cabe aos professores filtrarem o que acham melhor e pensarem na melhor abordagem. No caso das matérias opcionais, discordo: não é preciso que todos os alunos conheçam a mesma obra de Eça de Queiroz, de Gil Vicente ou o que seja. O que importa nessas obras não são as obras em si; de pouco servirá perguntar a um aluno em que capítulo é consumado o incesto com a Maria Eduarda ou em que parte da Farsa a Inês começa a trair o marido.
Há um significado por detrás dessas obras que é muito mais "intemporal" e muito mais transversal aos autores e que é esse o objecto de avaliação. A decadência de Portugal, a ociosidade, a presunção, o desejo de ascensão social - tudo isto são temáticas perfeitamente legítimas, contextualizadas e que se encontram fora da literatura portuguesa. Como tal, faz sentido que uma escola possa escolher obras opcionais, quando tal lhes é dado a escolher.
 
D

Deleted member 30121

Guest
(se a discussão se prolongar podemos continua-la noutro tópico)
Ao longo de três anos todas as semanas havia algum professor que usava o exame como uma desculpa para algo ou para dizer "ah mas quando forem fazer os exames..."
Grande parte da cultura do ensino secundário cultiva-se em torno dos exames. Apesar de triste, é um fenómeno muito interessante. Muitas vezes isto deixa o ganhar de competências para segundo plano porque o que interessa é 'dar a matéria' (aka saber características principais sobre autor / obra) a tempo do exame (Not even kidding, a stora de pt fez-nos ler um resumo de uma página de uma obra e ficou dada). Este ano devem haver muitos professores a choramingar por terem treinado os alunos para exames a que não foram. Pergunto-me se muitos não teriam um ensino mais acessível se vissem o futuro. Também me pergunto se não é benéfico para o ensino haverem perguntas opcionais mais vezes (isto já não tenho tanta a certeza pr causa das PI).

Outra coisa: A realização de exames de anos anteriores devia de servir para treinar timmings, não ver naquilo um guia para o que sairá. Acho que muitos não apanham isso.
 

Carlota Dias Lourenço

Membro Caloiro
Matrícula
7 Julho 2020
Mensagens
1
Precisava de alguns Institutos privados com cursos técnico profissional alguém sabe?
 

Attachments

  • Pintados-m-o-Arte-Da-Parede-Pintura-Decorativa-Pintura-Abstrata-das-Belas-Handmade-Nu-Anjo-Men...jpg
    Pintados-m-o-Arte-Da-Parede-Pintura-Decorativa-Pintura-Abstrata-das-Belas-Handmade-Nu-Anjo-Men...jpg
    390 KB · Visitas: 4

pancakes

Membro Veterano
Matrícula
26 Julho 2017
Mensagens
249
Curso
Direito
Instituição
FDUC
Antes de mais, desculpa citar a tua mensagem, mas vi este artigo a ser partilhado, seja aqui, seja noutras redes sociais. Senti necessidade de vos escrever uma pequena mensagem ☺

Bom Senso e Bom Gosto (uma óbvia referência) – Sobre o Exame Nacional de Português

No passado dia 6 de Julho, foram vários os alunos que saíram das suas casas para realizar a prova 639 – Português. Por mais discutível que um exame possa ser, seja pelo formato, seja pela pedagogia que está associada a este modelo, parece-me que todos os anos surge algum artigo a criticar a dita prova, provavelmente no rescaldo do momento e com pouca avaliação criteriosa sobre o assunto. A avaliação do mesmo está logo toldada pelo facto da autora ter feito o mesmo exame e de não ter saído do mesmo satisfeita.

Parece-me claro que quanto mais próximos estamos da dita prova, no caso de correr mal, mais próximos estamos de reclamar sobre ela. Que não me levem a mal – não sou contra a liberdade de expressão, mas peço-vos que me poupem a avaliações feitas poucas horas depois de sair de um exame. Não preciso falar-vos na minha idade, no curso que frequento ou coisa que o valha – não sou nem quero ser uma autoridade a falar-vos. Como muito bem diz a autora, quero ser sucinta e falar de bom senso.

  • Será bom senso começar por dizer que o exame sempre lhe pareceu “despropositado”, pelo simples facto de gostar mais de uns autores do que de outros? É bom senso que o programa seja uma selecção do que gostamos e do que nos fascina e o que não gostarmos é simplesmente retirado? Não queria ser eu a estragar-vos a festa, mas se acham que vão gostar de tudo o que estudam, mesmo que sejam coisas do vosso gosto pessoal – más notícias…. Avaliar o programa de uma disciplina pelo nosso gosto pessoal é dúbio.
  • Será bom senso questionar os excertos colocados, quando nunca existiu uma obrigatoriedade em colocar textos integralmente conhecidos pelos alunos? O que dirão os pobres que fizeram o exame com um poema que provavelmente nunca leram da Sophia de Mello Breyner…?
  • No seguimento disto, qual é o propósito de questionar os excertos, sendo que eram de duas obras opcionais, ou seja, os alunos que foram a exame terão dado e conhecido uma das obras? A verdade é que não tinham de conhecer as duas, o exame não era sobre as duas obras do Eça de Queirós – era sobre dois excertos colocados para os alunos interpretarem de acordo com temáticas que deram nas aulas de Português e que são transversais ao autor.
  • Será bom senso questionar a opção de formato do Grupo III diferente do habitual? Em momento algum na matriz de exame há qualquer referência sobre a tipologia de texto. Nas Aprendizagens Essenciais, que orientam actualmente a concepção destas provas, são vários os tipos de texto que um aluno, ao terminar a disciplina, deverá conseguir conceber. Isto inclui, claro, a apreciação crítica. O enunciado explicava o que pretendia com esta mesma apreciação. Dava orientações sobre o que o texto deveria incluir. Cabe ao aluno interpretar essas orientações e formular o texto, que consistiu na análise de um cartoon (exercício que se encontra em diversos manuais de Português, curiosamente). Portanto, será bom senso criticar uma prova desconhecendo o programa da disciplina?
  • Um pequeno aparte: o texto de opinião não é o único tipo de texto que vos será útil produzir nas vossas licenciaturas nas áreas da comunicação, artes, literatura, humanidades ou ciências sociais. Por coincidência, até estudo numa dessas áreas e confirmo também com experiência de colegas de outros cursos que a recensão crítica de uma obra é um trabalho algo comum. Portanto, a apreciação crítica é um exercício perfeitamente plausível e é tão legítimo como qualquer outro.
  • Será bom senso questionar a legitimidade de um conjunto de perguntas apenas pelo facto de serem diferentes do que a autora esperava? Em 2018, os alunos também não esperavam uma parte C, por exemplo (aliás, nesse ano, nem foram facultadas orientações sobre o número de questões ou as cotações, sendo uma completa incógnita). O exame não tem de corresponder ao que as pessoas pensam que vai sair. Isso tem tudo para correr mal e ficarem revoltados, fazendo uma análise pouco correcta do mesmo. Os alunos estiveram a aprender Português durante três anos, ficando com capacidades de interpretação, escrita, etc. etc. suficientes para conseguirem resolver uma prova que avalia esses mesmos conhecimentos ou os alunos estiveram três anos a aprender um exame de Português?
  • Por último, será bom senso fazer um artigo como guerreiros da saúde mental dos jovens, quando o exame nada pode fazer quanto a isso? Como disse acima, o exame nunca teve de ser o que as pessoas acham que vai aparecer lá. Aliás, muitos alunos não ficaram assim tão surpreendidos, apesar do formato diferente. Saíram perguntas na parte A (que costumavam ser dedicadas ao 12º ano) sobre duas obras de um autor que todos deram e o objectivo era a interpretação e relação desses mesmos excertos. Não das obras integrais, mas dos excertos e das temáticas faladas, que não eram da ignorância dos estudantes. Na parte B saiu Ricardo Reis – heteronímia pessoana, bastante comum nos exames e nada surpreendente.
Basta que o exame mude de formato numa ou noutra questão e a revolta instala-se, como se o objectivo da disciplina fosse a preparação de um arquétipo de exame. Se assim o entendem, então o sistema está claramente a falhar no seu propósito. E que não me interpretem mal nesta avaliação, mas pensemos razoavelmente quando queremos rotular uma prova de “despropositada” ou desadequada. Todos entendemos a surpresa com que possam ter recebido esta prova. Todos entendemos o stress, a ansiedade, a mágoa com que possamos ficar quando as coisas não correm como pretendíamos. No entanto, jamais deixemos toldar os nossos juízos pela sombra da falta de reflexão, da reflexão que nos sai no momento e parece-nos absolutamente razoável, porque estamos angustiados e procuramos identificação. Se queremos avaliar a legitimidade de um exame, façamo-lo com calma e introspecção ou com bom senso e bom gosto, como defenderia um certo senhor da Geração de 70. Acima de tudo, lembrem-se que os resultados não vos definem enquanto pessoas e terão tantas oportunidades quanto conseguirem criar. Boa sorte a todos! 🤗
👏👏
Concordo plenamente com tudo o que escreveste!
Fiz o exame e confesso que o achei em parte um pouco ''aleatório'', pois nunca havia saído Eça de Queiroz em contexto de exame nacional, e penso que apreciação crítica face a um cartoon também não. No entanto, considero que muitas das críticas que estão a ser feitas são totalmente despropositadas e fruto daquela que, provavelmente, não foi a melhor preparação para um exame nacional. As aprendizagens essenciais contemplam o que deve ser lecionado, a informação prova alude às mesmas como documento a seguir relativamente ao que é objeto de avaliação, não compreendo o espanto com as obras que apareceram.
''AH! Mas saíram duas obras de Eça e nós só temos de dar uma'' foi um dos comentários que mais ouvi, depreendo que quem diz isto não estudou o autor devidamente, os excertos eram facílimos de interpretar, bastava conhecer bem as linhas temáticas associadas ao autor, a questão da crítica social, e os excertos ''abriam-se''. Quanto à apreciação, embora também tenha ficado em parte surpreendida, a verdade é que nós falamos da apreciação crítica ao longo do secundário, não acho que seja alvo de crítica que a mesma tenha saído em exame. Para além disso, o cartoon, no meu entender, era excelente, dava-nos margem para sermos criativos e interpretarmos da forma que nos parecesse mais correta.
No geral, acho que muitos dos comentários depreciativos que estão a ser feitos em relação ao exame são feitos de cabeça quente, ou porque o exame não correu bem, ou porque nao gostavam dos conteúdos em questão. E claro que todos temos direito a uma opinião, mas convém que a mesma seja minimamente fundamentada e não apenas porque ''ah mas nunca foi assim, porque é que este ano foi?''. Bom, os exames são sempre diferentes e às vezes há mudanças, tal como referiste a questão da parte C em 2018, mas este ano não acho que tenha havido uma mudança propriamente dita, simplesmente avaliaram conteúdos que nunca tinham avaliado, mas em que momento algum podiam ter sido tomados como conteúdos que não pudessem sair.
 

Valentina Guedes

Membro Veterano
Matrícula
8 Março 2017
Mensagens
301
Curso
Comunicação e Media
Instituição
IPLeiria - ESECS
Agora lembrei-me de uma coisa, estava tudo muito bem na minha composição mas ao início eu escrevi assim: A imagem ilustra, a meu ver, ... era para tomar a nossa visão como a visão verdadeira da imagem (não sei se me percebem xd), certo? E não como havendo subjetividade. Tenho medo que o "a meu ver" me prejudique
 

Mafalda_

Membro
Matrícula
5 Junho 2019
Mensagens
53
Curso
Direito
Instituição
FDUC
Agora lembrei-me de uma coisa, estava tudo muito bem na minha composição mas ao início eu escrevi assim: A imagem ilustra, a meu ver, ... era para tomar a nossa visão como a visão verdadeira da imagem (não sei se me percebem xd), certo? E não como havendo subjetividade. Tenho medo que o "a meu ver" me prejudique
Posso estar errada, mas penso que o que fizeste está bem. A apreciação crítica também é um texto subjetivo que apela ao nosso juízo crítico e à forma de como interpretamos o cartoon. Por isso, podemos utilizar expressões que mostrem isso mesmo, a nossa perspectiva.
 
  • Love
Reactions: Valentina Guedes

Valentina Guedes

Membro Veterano
Matrícula
8 Março 2017
Mensagens
301
Curso
Comunicação e Media
Instituição
IPLeiria - ESECS
Posso estar errada, mas penso que o que fizeste está bem. A apreciação crítica também é um texto subjetivo que apela ao nosso juízo crítico e à forma de como interpretamos o cartoon. Por isso, podemos utilizar expressões que mostrem isso mesmo, a nossa perspectiva.
Ufa! Vamos ver se a escrita dá para o 10 que a escolha múltipla e tabelas foram para esquecer. Rumo à segunda fase que até contei mal os parágrafos na escolha múltipla ahahhahahahah
 
Matrícula
17 Maio 2020
Mensagens
38
Uma dúvida sincera em relação à gramática na 1ª fase de Português. Na palavra ARENA para AREIA como e porque é que o processo fonológico é síncope se a palavra continua a ter o mesmo número de letras e não cortou nenhuma? Não faria mais sentido ser vocalização?
 

pancakes

Membro Veterano
Matrícula
26 Julho 2017
Mensagens
249
Curso
Direito
Instituição
FDUC
Uma dúvida sincera em relação à gramática na 1ª fase de Português. Na palavra ARENA para AREIA como e porque é que o processo fonológico é síncope se a palavra continua a ter o mesmo número de letras e não cortou nenhuma? Não faria mais sentido ser vocalização?
A palavra passou por varios processos, tal como diz no exercício, sendo um deles a síncope,
pois cai uma letra no meio, o “n”. De todas as opções, esse era o único processo que podia ser pois os outros não fazem parte dos processos pelos quais a palavra passou
 

davis

Administrador
Equipa Uniarea
Moderador
Matrícula
13 Outubro 2014
Mensagens
23,950
Curso
MEAer + MEGIE
Instituição
Técnico - ULisboa
  • Like
Reactions: davmat

JMPL

Membro
Matrícula
8 Novembro 2019
Mensagens
23
Oi, pessoal,
Já tenho as minhas notas do Curso Profissional. Por favor, alguém avalizado me pode dizer se a Educação Física entra ou não para o cálculo da média final do Curso?
Cada um diz de sua maneira...
Bgd
Post automatically merged:

Tive a sorte de acertar as escolhas múltiplas por mero acaso. Quando é que vão sair as notas?

As notas saem a 3 de Agosto
 
  • Like
Reactions: davmat

Diana Valença

Membro Veterano
Matrícula
9 Maio 2016
Mensagens
322
Curso
Estudos Gerais
Instituição
FLUL
Antes de mais, desculpa citar a tua mensagem, mas vi este artigo a ser partilhado, seja aqui, seja noutras redes sociais. Senti necessidade de vos escrever uma pequena mensagem ☺

Bom Senso e Bom Gosto (uma óbvia referência) – Sobre o Exame Nacional de Português

No passado dia 6 de Julho, foram vários os alunos que saíram das suas casas para realizar a prova 639 – Português. Por mais discutível que um exame possa ser, seja pelo formato, seja pela pedagogia que está associada a este modelo, parece-me que todos os anos surge algum artigo a criticar a dita prova, provavelmente no rescaldo do momento e com pouca avaliação criteriosa sobre o assunto. A avaliação do mesmo está logo toldada pelo facto da autora ter feito o mesmo exame e de não ter saído do mesmo satisfeita.

Parece-me claro que quanto mais próximos estamos da dita prova, no caso de correr mal, mais próximos estamos de reclamar sobre ela. Que não me levem a mal – não sou contra a liberdade de expressão, mas peço-vos que me poupem a avaliações feitas poucas horas depois de sair de um exame. Não preciso falar-vos na minha idade, no curso que frequento ou coisa que o valha – não sou nem quero ser uma autoridade a falar-vos. Como muito bem diz a autora, quero ser sucinta e falar de bom senso.

  • Será bom senso começar por dizer que o exame sempre lhe pareceu “despropositado”, pelo simples facto de gostar mais de uns autores do que de outros? É bom senso que o programa seja uma selecção do que gostamos e do que nos fascina e o que não gostarmos é simplesmente retirado? Não queria ser eu a estragar-vos a festa, mas se acham que vão gostar de tudo o que estudam, mesmo que sejam coisas do vosso gosto pessoal – más notícias…. Avaliar o programa de uma disciplina pelo nosso gosto pessoal é dúbio.
  • Será bom senso questionar os excertos colocados, quando nunca existiu uma obrigatoriedade em colocar textos integralmente conhecidos pelos alunos? O que dirão os pobres que fizeram o exame com um poema que provavelmente nunca leram da Sophia de Mello Breyner…?
  • No seguimento disto, qual é o propósito de questionar os excertos, sendo que eram de duas obras opcionais, ou seja, os alunos que foram a exame terão dado e conhecido uma das obras? A verdade é que não tinham de conhecer as duas, o exame não era sobre as duas obras do Eça de Queirós – era sobre dois excertos colocados para os alunos interpretarem de acordo com temáticas que deram nas aulas de Português e que são transversais ao autor.
  • Será bom senso questionar a opção de formato do Grupo III diferente do habitual? Em momento algum na matriz de exame há qualquer referência sobre a tipologia de texto. Nas Aprendizagens Essenciais, que orientam actualmente a concepção destas provas, são vários os tipos de texto que um aluno, ao terminar a disciplina, deverá conseguir conceber. Isto inclui, claro, a apreciação crítica. O enunciado explicava o que pretendia com esta mesma apreciação. Dava orientações sobre o que o texto deveria incluir. Cabe ao aluno interpretar essas orientações e formular o texto, que consistiu na análise de um cartoon (exercício que se encontra em diversos manuais de Português, curiosamente). Portanto, será bom senso criticar uma prova desconhecendo o programa da disciplina?
  • Um pequeno aparte: o texto de opinião não é o único tipo de texto que vos será útil produzir nas vossas licenciaturas nas áreas da comunicação, artes, literatura, humanidades ou ciências sociais. Por coincidência, até estudo numa dessas áreas e confirmo também com experiência de colegas de outros cursos que a recensão crítica de uma obra é um trabalho algo comum. Portanto, a apreciação crítica é um exercício perfeitamente plausível e é tão legítimo como qualquer outro.
  • Será bom senso questionar a legitimidade de um conjunto de perguntas apenas pelo facto de serem diferentes do que a autora esperava? Em 2018, os alunos também não esperavam uma parte C, por exemplo (aliás, nesse ano, nem foram facultadas orientações sobre o número de questões ou as cotações, sendo uma completa incógnita). O exame não tem de corresponder ao que as pessoas pensam que vai sair. Isso tem tudo para correr mal e ficarem revoltados, fazendo uma análise pouco correcta do mesmo. Os alunos estiveram a aprender Português durante três anos, ficando com capacidades de interpretação, escrita, etc. etc. suficientes para conseguirem resolver uma prova que avalia esses mesmos conhecimentos ou os alunos estiveram três anos a aprender um exame de Português?
  • Por último, será bom senso fazer um artigo como guerreiros da saúde mental dos jovens, quando o exame nada pode fazer quanto a isso? Como disse acima, o exame nunca teve de ser o que as pessoas acham que vai aparecer lá. Aliás, muitos alunos não ficaram assim tão surpreendidos, apesar do formato diferente. Saíram perguntas na parte A (que costumavam ser dedicadas ao 12º ano) sobre duas obras de um autor que todos deram e o objectivo era a interpretação e relação desses mesmos excertos. Não das obras integrais, mas dos excertos e das temáticas faladas, que não eram da ignorância dos estudantes. Na parte B saiu Ricardo Reis – heteronímia pessoana, bastante comum nos exames e nada surpreendente.
Basta que o exame mude de formato numa ou noutra questão e a revolta instala-se, como se o objectivo da disciplina fosse a preparação de um arquétipo de exame. Se assim o entendem, então o sistema está claramente a falhar no seu propósito. E que não me interpretem mal nesta avaliação, mas pensemos razoavelmente quando queremos rotular uma prova de “despropositada” ou desadequada. Todos entendemos a surpresa com que possam ter recebido esta prova. Todos entendemos o stress, a ansiedade, a mágoa com que possamos ficar quando as coisas não correm como pretendíamos. No entanto, jamais deixemos toldar os nossos juízos pela sombra da falta de reflexão, da reflexão que nos sai no momento e parece-nos absolutamente razoável, porque estamos angustiados e procuramos identificação. Se queremos avaliar a legitimidade de um exame, façamo-lo com calma e introspecção ou com bom senso e bom gosto, como defenderia um certo senhor da Geração de 70. Acima de tudo, lembrem-se que os resultados não vos definem enquanto pessoas e terão tantas oportunidades quanto conseguirem criar. Boa sorte a todos! 🤗
Eu fiquei muito mais chocada quando do nada apareceu a parte C do que com este exame. Eu não li nenhuma obra do Eça e achei que foi bastante simples pois era unicamente interpretação, um excerto tinha o apoio do outro
 

Valentina Guedes

Membro Veterano
Matrícula
8 Março 2017
Mensagens
301
Curso
Comunicação e Media
Instituição
IPLeiria - ESECS
Oi, pessoal,
Já tenho as minhas notas do Curso Profissional. Por favor, alguém avalizado me pode dizer se a Educação Física entra ou não para o cálculo da média final do Curso?
Cada um diz de sua maneira...
Bgd
Post automatically merged:



As notas saem a 3 de Agosto
Também sou do profissional, contam todas as disciplinas
 

Valentina Guedes

Membro Veterano
Matrícula
8 Março 2017
Mensagens
301
Curso
Comunicação e Media
Instituição
IPLeiria - ESECS
Oi, olha que a Educação fisica se terminas o 12º este ano não conta para a media final do curso
Post automatically merged:

Só se estiveres no 11º é que contam todas as disciplinas
Mas os cursos profissionais funcionam por módulos e contam todos os módulos de todas as disciplinas. As minhas UFCDS é que contaram, surpreendentemente, para a média do estágio. Ou seja, a média do estágio foram as UFCDS + estágio do ano passado + estágio deste ano que foi substituído por um trabalho tipo PAP, no meu caso
Post automatically merged:

Oi, olha que a Educação fisica se terminas o 12º este ano não conta para a media final do curso
Post automatically merged:

Só se estiveres no 11º é que contam todas as disciplinas
deves estar a confundir com o regular, é que já recebi a minha média final