Excerto do jornal público sobre os nossos queridos exames nacionais.As disciplinas que têm revelado maior insucesso são Física e Química e Biologia

marina c

Membro Dux
Apoiante Uniarea
Matrícula
19 Maio 2018
Mensagens
526
Curso
Enfermagem
As disciplinas que têm revelado maior insucesso são Física e Química e Biologia e Geologia, sendo frequentemente as disciplinas com piores médias e maiores taxas de reprovação nos exames, mas todas as disciplinas revelam um panorama preocupante de insucesso. De salientar que em 2013, todas as disciplinas apresentaram taxas de reprovação superiores a 40%.
No caso específico da disciplina de Biologia e Geologia (área que estudamos), o pior ano foi 2013, em que a taxa de reprovação atingiu os 64,4%, o que significa que dos 76.501 alunos e alunas que realizaram exame, 49.235 reprovaram. O melhor ano foi 2016, sendo a taxa de reprovação de 44,9%, ou seja, dos 71.616 exames realizados, 32.179 foram negativos, números que mostram bem a dimensão do problema.
Vários estudos mostram que os professores têm vindo a modificar as suas práticas pedagógicas e avaliativas no sentido de adaptação dos alunos ao que é pedido no exame, para que estes tenham sucesso, trabalhando nas aulas questões de exame, realizando as suas próprias fichas de avaliação com questões semelhantes às dos exames e utilizando os mesmos critérios de classificação. Os alunos têm acesso aos exames dos anos anteriores, das várias fases, para poderem conhecer o tipo de prova e até “treinar”. Então os resultados não deveriam estar a melhorar?
Além disso, estudos internacionais de avaliação, como o PISA (Programme for International Student Assessment), que procura comparar os resultados de alunos, escolas e países [1], nos domínios da literacia em leitura, matemática e ciências, em estudantes de 15 anos, revelam que os nossos alunos têm vindo a melhorar consistentemente.
PUB

Sempre que se olha para os resultados dos alunos no exame, põem-se em causa as competências e as aprendizagens dos alunos e a competência profissional dos professores. Não estará na altura de pôr em causa a prova em si, como instrumento de avaliação?
São milhares de alunos que veem as suas vidas interrompidas pelos exames nacionais. São milhares de alunos que, tendo sucesso no secundário, não continuam os estudos no ensino superior. São milhares de alunos que, por terem reprovado num exame, não podem concorrer ao curso pretendido. O exame apresenta-se como um obstáculo difícil de transpor.
Estudos recentes sobre as causas de insucesso na avaliação externa de Física e Química [2] [3] e Biologia e Geologia [4] apontam razões como o grau de dificuldade da prova, a extensão dos programas, os critérios de correção muito rígidos e penalizadores e um grande distanciamento entre o exame e a realidade da sala de aula.
É de extrema importância tomar medidas para mitigar este cenário de insucesso: a redução dos programas, realização de exames com questões de vários níveis cognitivos e não apenas virados para a resolução de problemas, a diversificação do tipo de perguntas no exame, a escolha mais cuidada e mais adequada à maturidade dos alunos das fontes de informação (textos, imagens, gráficos, entre outras) utilizadas nos exames e a diminuição de alunos por turma.
Estando Portugal na cauda dos países da UE28 relativamente aos adultos (30 a 34 anos) com o ensino superior, é imprescindível uma reflexão profunda sobre o insucesso na avaliação externa que se afigura como um desafio iminente para que possamos apostar num paradigma de promoção do sucesso, investindo no futuro, não só dos alunos, mas do País. É urgente uma maior atenção dos investigadores, do ministério e dos professores a este cenário de reprovações e insucesso, tornando-se ainda mais premente agora que o ensino secundário está integrado no ensino obrigatório.
 

Tópicos Semelhantes