Fuga de Informação Exame de Português

Alfa

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Gostaria de pedir às pessoas que neste tópico defendem a anulação do exame de Português como procederiam, caso tivessem a autoridade para determinar o curso dos acontecimentos. Anulariam o exame, claro está, mas gostaria de saber se têm um plano específico delineado: quando seria o exame, será que seria possível corrigi-lo "entre fases", em que pé ficaria o exame já realizado, ... ... ...

Em especial, ocorrem-me algumas questões importantes:
  • O que aconteceria caso um aluno tivesse na repetição do exame uma nota inferior à que teve no exame original? Ficava com esta nota mais baixa? Não será isso injusto caso o aluno em questão não tenha tido acesso à informação da fuga e se tenha preparado para o exame na sua data oficial? Ficava com a melhor das duas notas? Isso não beneficiará quem teve acesso à informação da fuga?
  • Como é que se garante que não há fugas de informação na repetição do exame? É que, caso haja, teremos de repetir o exame ad infinitum, para garantir a justiça do mesmo.
É claro que concordo que é uma injustiça a existência de alunos que tenham tido acesso ao conteúdo do exame antes do mesmo; isto é evidente. No entanto, nenhuma situação é absolutamente clara. É fácil clamar por justiça e por uma anulação do exame; é muito difícil apresentar um plano de acção para esta situação que não afecte o normal funcionamento da época de exames e do concurso nacional de acesso ao ensino superior e que não acabe por incomodar e prejudicar muito mais alunos do que a fuga em si.

Percebam que estou tão indignado como vocês. Mas estou a tentar ver a situação de um ponto de vista mais objectivo. Daí que faça estas questões: para mostrar que a questão não é assim tão simples e para saber como lidariam com ela de forma correcta e justa para todos.
 

LBlackMoon

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27 Fevereiro 2016
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Gostaria de pedir às pessoas que neste tópico defendem a anulação do exame de Português como procederiam, caso tivessem a autoridade para determinar o curso dos acontecimentos. Anulariam o exame, claro está, mas gostaria de saber se têm um plano específico delineado: quando seria o exame, será que seria possível corrigi-lo "entre fases", em que pé ficaria o exame já realizado, ... ... ...

Em especial, ocorrem-me algumas questões importantes:
  • O que aconteceria caso um aluno tivesse na repetição do exame uma nota inferior à que teve no exame original? Ficava com esta nota mais baixa? Não será isso injusto caso o aluno em questão não tenha tido acesso à informação da fuga e se tenha preparado para o exame na sua data oficial? Ficava com a melhor das duas notas? Isso não beneficiará quem teve acesso à informação da fuga?
  • Como é que se garante que não há fugas de informação na repetição do exame? É que, caso haja, teremos de repetir o exame ad infinitum, para garantir a justiça do mesmo.
É claro que concordo que é uma injustiça a existência de alunos que tenham tido acesso ao conteúdo do exame antes do mesmo; isto é evidente. No entanto, nenhuma situação é absolutamente clara. É fácil clamar por justiça e por uma anulação do exame; é muito difícil apresentar um plano de acção para esta situação que não afecte o normal funcionamento da época de exames e do concurso nacional de acesso ao ensino superior e que não acabe por incomodar e prejudicar muito mais alunos do que a fuga em si.

Percebam que estou tão indignado como vocês. Mas estou a tentar ver a situação de um ponto de vista mais objectivo. Daí que faça estas questões: para mostrar que a questão não é assim tão simples e para saber como lidariam com ela de forma correcta e justa para todos.
Regresso apenas para dizer que não poderia concordar mais. É muito simples clamar por injustiça, mas será que a adoção daquilo que é tido por justo é mais justo que a injustiça presente? Não creio. No meu primeiro post procurei explicitar precisamente isso.
Como poderíamos dizer a quantos trabalharam e de nada souberam desta lamentável fuga de informação que a anulação do seu exame era justa? Simplesmente não o era. Assim, acho que não podemos tomar o conceito de justiça como sendo tão absoluto neste caso.
 

Hedwig

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8 Junho 2017
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O que eu vejo é que grande parte dos(as) estudantes se está a marimbar relativamente à fuga de informação.
Houve violação de sigilo, obrigatoriamente isso teria que levar à anulação e repetição do exame. Para além disso,
o caso deveria ser investigado a fundo para evitar comportamentos semelhantes.
Se os próprios alunos não se manifestam, quem o fará? O IAVE? O Costa? Não me parece.
Mas a malta quer é curtir e ir de férias...

É surreal. Parece que a maioria dos alunos se manifestariam era contra a anulação! Surreal.

Para mim é incompreensível. Está claro que vivemos numa sociedade cada vez mais individualista e egocêntrica.

O que, aparentemente, ninguém entende.

Gostaria de pedir às pessoas que neste tópico defendem a anulação do exame de Português como procederiam, caso tivessem a autoridade para determinar o curso dos acontecimentos. Anulariam o exame, claro está, mas gostaria de saber se têm um plano específico delineado: quando seria o exame, será que seria possível corrigi-lo "entre fases", em que pé ficaria o exame já realizado, ... ... ...

Em especial, ocorrem-me algumas questões importantes:
  • O que aconteceria caso um aluno tivesse na repetição do exame uma nota inferior à que teve no exame original? Ficava com esta nota mais baixa? Não será isso injusto caso o aluno em questão não tenha tido acesso à informação da fuga e se tenha preparado para o exame na sua data oficial? Ficava com a melhor das duas notas? Isso não beneficiará quem teve acesso à informação da fuga?
  • Como é que se garante que não há fugas de informação na repetição do exame? É que, caso haja, teremos de repetir o exame ad infinitum, para garantir a justiça do mesmo.
É claro que concordo que é uma injustiça a existência de alunos que tenham tido acesso ao conteúdo do exame antes do mesmo; isto é evidente. No entanto, nenhuma situação é absolutamente clara. É fácil clamar por justiça e por uma anulação do exame; é muito difícil apresentar um plano de acção para esta situação que não afecte o normal funcionamento da época de exames e do concurso nacional de acesso ao ensino superior e que não acabe por incomodar e prejudicar muito mais alunos do que a fuga em si.

Percebam que estou tão indignado como vocês. Mas estou a tentar ver a situação de um ponto de vista mais objectivo. Daí que faça estas questões: para mostrar que a questão não é assim tão simples e para saber como lidariam com ela de forma correcta e justa para todos.

Primeiro que tudo, havendo anulação, ninguém saberia as notas que teve. As correções paravam e recomeçava-se os preparativos.

Se, neste momento, cancelasse os exames, marcaria o exame de português para algures na semana de 3-7 de julho. Os últimos exames são no dia 27 de junho. Dava, no mínimo 6 dias para rever tudo (e marrar de novo) e possivelmente ter algum apoio extra. Os responsáveis, como forma de penalização por terem deixado sair uma fuga desta, teriam uma semana para realizar 2 exames e escolher aleatoriamente e sem conhecimento (como normalmente acontece) 1 deles. Imprimir tudo e mandar para as devidas estações da polícia. Com todo este trabalho, se tudo corresse sem grandes problemas, deveria estar pronto, no máximo das possibilidades, na quarta feira, dia 5. O exame seria aplicado dia 6 ou 7. Quem não estivesse pudesse estar presente, por ser um caso excecional, teria de ter a seu favor a abertura de uma exceçao, quer passasse por ter transportes pagos, ou ter mesmo de realizar numa escola diferente, nem que seja estrangeira.
Feitos os exames, distribuem-se pelos professores corretores, cumprindo com as regularidades, e atrasaria para dia 20-21 a afixação das notas, e a 2a fase seria uma semana depois do previsto. (Não sei como ocorrem os prazos e burocracia acerca das matrículas da 2a fase, mas caso nao fosse possível proceder a prazos normais, exceções, de novo, teriam de ser abertas).

Atenção que este foi um plano traçado em cima do joelho, praticamente a pensá-lo enquanto escrevia, e sem conhecimento de mais condicionantes acerca de todo o processo dos exames, portanto, algumas críticas podem ser ilegítimas.

Acho que, num caso extraordinário como este, é o melhor que, pelo menos a meu ver, é possível obter, minimizando "constrangimentos".

Relativamente aos problemas em que a causa é estudar de novo, ter stress de novo, etc, o IAVE não pode ter em causa os casos particulares, isso é de cada um, não afeta o caso geral, que foi a fuga. Peço desculpa se estou a ser bruto, mas é que eu nem com os exames me enervo, é tudo uma questão de aprender a ter calma e a controlar o "overload".
 
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MónicaS

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10 Setembro 2016
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Regressando aqui ao tópico... Como já referi antes, qualquer que seja a escolha tomada pelo IAVE será injusta. Muito sinceramente, seja para que lado o IAVE se escolha virar vai enterrar-se à mesma.
Estive a pensar e a ler os diversos pontos de vista e muito sinceramente entendo perfeitamente todos, há pessoas que já marcaram férias, outros que estão cansados de fazer exame ou que não são tão bons a português e este por acaso até lhes correu bem, assim como há alunos que querem que seja anulado e acham que seja o mais justo. De momento estou dividia entre a anulação e a não anulação... Não sei que nota terei neste exame e tenho medo que caso haja anulação o próximo me corra pior, mas por outro lado, é chato saber que existem pessoas que terão melhor nota por possuírem informações privilegiadas. Está claro que isso acontece todos os anos e que este ano por acaso veio a público, no entanto o IAVE parece não querer tomar decisão nenhuma e simplesmente abafar o assunto...
O mais provável é que nem façam nada. Acho que já ficaria satisfeita se o professor(a) responsável pela fuga de informações fosse punido(a), mas já nem sei se isso irá acontecer.
Agora o que me chateia realmente no meio das opiniões todas é quando alguém vem simplesmente reclamar a dizer que não quer saber do exame de português para nada e não lhe apetece repetir o exame (estes casos li mais pelo facebook, reddit e afins)... Até entendo isso, mas podemos pensar um bocadinho antes de falar? O que aconteceu não é brincadeira, Portugal aparenta já ser perito em casos de corrupção e parece que mesmo assim desvalorizam quando acontece.
 

Alfa

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2 Agosto 2015
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Primeiro que tudo, havendo anulação, ninguém saberia as notas que teve.

Não haver divulgação das notas que os alunos tiveram no exame original não elimina a injustiça nos casos hipotéticos que apontei, simplesmente faz com que os alunos não tenham uma forma objectiva de saber se foram ou não injustiçados. Isto é ainda pior que serem simplesmente injustiçados, na minha opinião.

Os responsáveis, como forma de penalização por terem deixado sair uma fuga desta, teriam uma semana para realizar 2 exames e escolher aleatoriamente e sem conhecimento (como normalmente acontece) 1 deles. Imprimir tudo e mandar para as devidas estações da polícia.

Em primeiro lugar, isto exigiria que os responsáveis estivessem determinados. Não é o IAVE que apura responsabilidades, até porque o caso já foi entregue às autoridades competentes. Obrigá-las a apurar responsabilidades até dia 3-7 de Julho serviria apenas para prejudicar o bom funcionamento da investigação.

Em segundo lugar, um exame feito em uma semana serviria apenas para prejudicar os alunos. Repara que fazer um exame é muito mais que escrever as perguntas. É necessário construir os critérios, verificar se as questões estão de acordo com o programa, verificar se o exame tem um grau de dificuldade coerente, entre outras coisas. É um processo moroso e delicado que não se consegue fazer numa semana, a menos que se queira um exame injusto e mal feito.

Quem não estivesse pudesse estar presente, por ser um caso excecional, teria de ter a seu favor a abertura de uma exceçao, quer passasse por ter transportes pagos, ou ter mesmo de realizar numa escola diferente, nem que seja estrangeira.

Então e seria aberta uma excepção para cada pessoa que não pudesse estar presente? Nesse caso, quantos exames adicionais teriam de ser concebidos, para serem aplicados em todas as excepções? Quem os conceberia, e aos respectivos critérios? Como se asseguraria que os exames excepcionais teriam o mesmo grau de dificuldade que o exame de repetição geral?

Percebes a dificuldade em assegurar um processo justo?

Feitos os exames, distribuem-se pelos professores corretores, cumprindo com as regularidades, e atrasaria para dia 20-21 a afixação das notas, e a 2a fase seria uma semana depois do previsto.

Portanto, ainda por cima teríamos de alterar uma data que já está definida há um ano (corrijam-me se estiver enganado), perturbando o funcionamento da 2.ª fase para mais umas tantas pessoas. Para não falar nas possíveis repercussões a nível do concurso nacional de acesso ao ensino superior.

Acho que, num caso extraordinário como este, é o melhor que, pelo menos a meu ver, é possível obter, minimizando "constrangimentos".

Tendo em conta os problemas que apontei acima, eu nem quero imaginar o que seria se não estivesses a tentar minimizar constrangimentos!

Eu espero que percebas que anular o exame e ter de pensar todo um novo processo extraordinário que seja justo para todos é, como disse, muito, muito, muito difícil. A emenda é pior que o soneto. O processo que sugeres introduz constrangimentos e injustiças de tal ordem que se sentirão prejudicados mais alunos do que os que já se sentem. O mesmo poderia ser dito, acredito, acerca de qualquer outro processo, ainda que mais bem pensado (continuo aberto a que mostrem que estou enganado).
 

LuísaF

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15 Fevereiro 2017
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No caso de anulação, o IAVE tem que elaborar plano de ação o mais eficiente possível. Constrangimentos? É assim a vida em socied
Gostaria de pedir às pessoas que neste tópico defendem a anulação do exame de Português como procederiam, caso tivessem a autoridade para determinar o curso dos acontecimentos. Anulariam o exame, claro está, mas gostaria de saber se têm um plano específico delineado: quando seria o exame, será que seria possível corrigi-lo "entre fases", em que pé ficaria o exame já realizado, ... ... ...

Em especial, ocorrem-me algumas questões importantes:
  • O que aconteceria caso um aluno tivesse na repetição do exame uma nota inferior à que teve no exame original? Ficava com esta nota mais baixa? Não será isso injusto caso o aluno em questão não tenha tido acesso à informação da fuga e se tenha preparado para o exame na sua data oficial? Ficava com a melhor das duas notas? Isso não beneficiará quem teve acesso à informação da fuga?
  • Como é que se garante que não há fugas de informação na repetição do exame? É que, caso haja, teremos de repetir o exame ad infinitum, para garantir a justiça do mesmo.
É claro que concordo que é uma injustiça a existência de alunos que tenham tido acesso ao conteúdo do exame antes do mesmo; isto é evidente. No entanto, nenhuma situação é absolutamente clara. É fácil clamar por justiça e por uma anulação do exame; é muito difícil apresentar um plano de acção para esta situação que não afecte o normal funcionamento da época de exames e do concurso nacional de acesso ao ensino superior e que não acabe por incomodar e prejudicar muito mais alunos do que a fuga em si.

Percebam que estou tão indignado como vocês. Mas estou a tentar ver a situação de um ponto de vista mais objectivo. Daí que faça estas questões: para mostrar que a questão não é assim tão simples e para saber como lidariam com ela de forma correcta e justa para todos.

1. Um aluno ter hipoteticamente uma nota mais baixa do que teria no exame anulado não significa nada. O exame novo cumpriria os mesmos parâmetros, logo a nota seria igualmente justa. Todos os alunos estão sempre sujeitos a variantes. E não percebo tanta questão hipotética. Exame anulado é como se não existisse. O repetido equivale a um exame de 1ª fase, e logo terias 2ª fase. Tudo a que tens direito. Não exageremos. Qualquer dia querem escolher individualmente a matéria.

2. A única coisa garantida é que se não há anulação de exame, continuam a haver fugas.

3. Que é necessária uma anulação em caso de fuga é completamente claro. Quanto a planos de ação, é o IAVE que tem que os definir. Eu não tenho nem conhecimentos nem ferramentas para o fazer. Constrangimentos? Pois claro, até o plano mais eficiente os teria. Faz parte da vida em sociedade.
 

Alfa

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2 Agosto 2015
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1. Um aluno ter hipoteticamente uma nota mais baixa do que teria no exame anulado não significa nada. O exame novo cumpriria os mesmos parâmetros, logo a nota seria igualmente justa. Todos os alunos estão sempre sujeitos a variantes. E não percebo tanta questão hipotética. Exame anulado é como se não existisse. O repetido equivale a um exame de 1ª fase, e logo terias 2ª fase. Tudo a que tens direito. Não exageremos. Qualquer dia querem escolher individualmente a matéria.

Foi definida, com grande antecedência, uma data de exame, enquadrada na época normal de exames nacionais e no calendário de exames e acesso ao ensino superior. O momento de avaliação que se realizou no dia 19 de Junho foi o momento oficial de realização do exame de Português. Os alunos têm direito a uma época de exames como programado.

Não sei o que entendes por "cumprir os mesmos parâmetros". O exame seria diferente, teria um grau de dificuldade diferente, avaliaria matéria diferente (nos detalhes específicos). Ainda que fosse um exame bem construído e justo, haveria discrepâncias nas notas. É legítimo que um aluno que o fizesse e tivesse uma nota inferior argumentasse: "Preparei-me para o exame como deve ser, fiz o exame na data que tinha sido apontada, não tive qualquer conhecimento de fugas de informação e tive a nota X que me satisfez. Agora fui obrigado a repetir o exame, o meu exame anterior foi anulado (invalidando o trabalho que fiz nesse exame) e no exame repetido já fora da calendarização prevista tive a nota Y, inferior. Isto não é justo." O que há de errado nesta argumentação?

E não percebo tanta questão hipotética.

As questões hipotéticas estão de acordo com o processo segundo o qual os exames, os respectivos critérios de classificação e as respectivas normas de aplicação são feitos. Servem para tentar cobrir o maior número possível de situações e tornar todo o processo mais fiável e justo.

2. A única coisa garantida é que se não há anulação de exame, continuam a haver fugas.

Então e o que é que a anulação faz para as impedir?

3. Que é necessária uma anulação em caso de fuga é completamente claro. Quanto a planos de ação, é o IAVE que tem que os definir. Eu não tenho nem conhecimentos nem ferramentas para o fazer. Constrangimentos? Pois claro, até o plano mais eficiente os teria. Faz parte da vida em sociedade.

Tentei apenas chamar a atenção para os problemas inerentes a uma anulação e repetição do exame. Tentei argumentar que esse curso de acção tem o potencial para criar situações de injustiça mais sérias do que as criadas pela fuga de informação que lhe dá origem.

Reconheço que as inconveniências e os constrangimentos fazem parte da vida em sociedade. Mas também acredito que faz parte da vida em sociedade discutirmos os assuntos de forma razoável e sensata de modo a podermos ultrapassar, em sociedade, esses mesmos constrangimentos e aperfeiçoarmos os processos de modo a que sejam mínimos.

Não acho completamente claro que devamos desvalorizar os sérios constrangimentos e injustiças provocados por uma anulação do exame enquanto empolamos os causados pela fuga de informação. É isso que estou a tentar discutir aqui.
 
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LuísaF

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Foi definida, com grande antecedência, uma data de exame, enquadrada na época normal de exames nacionais e no calendário de exames e acesso ao ensino superior. O momento de avaliação que se realizou no dia 19 de Junho foi o momento oficial de realização do exame de Português. Os alunos têm direito a uma época de exames como programado.

A partir do momento que é anulado... é anulado. Foi o momento oficial até que deixou de ser, porque o exame não era legítimo. Nem sequer tem que ser corrigido. Têm direito a uma época de exames como programado? É uma questão de prioridades. A anulação garante aos alunos um exame realizado em condições de igualdade. Não lhes interessa? Renegam esse direito porque acham mais importante o direito a uma época de exames programado? Parecem-me ter as prioridades trocadas. Será que um dia que sintam mais diretamente na pele as consequências de uma irregularidade semelhante, mudam de prioridades?

Não sei o que entendes por "cumprir os mesmos parâmetros". O exame seria diferente, teria um grau de dificuldade diferente, avaliaria matéria diferente (nos detalhes específicos). Ainda que fosse um exame bem construído e justo, haveria discrepâncias nas notas. É legítimo que um aluno que o fizesse e tivesse uma nota inferior argumentasse: "Preparei-me para o exame como deve ser, fiz o exame na data que tinha sido apontada, não tive qualquer conhecimento de fugas de informação e tive a nota X que me satisfez. Agora fui obrigado a repetir o exame, o meu exame anterior foi anulado (invalidando o trabalho que fiz nesse exame) e no exame repetido já fora da calendarização prevista tive a nota Y, inferior. Isto não é justo." O que há de errado nesta argumentação?

O exame é diferente, mas equivalente. Os exames daqueles que têm que ir a épocas especiais, por exemplo, também são diferentes, mas são equivalentes. A matéria pode ser outra, mas continua a ser matéria que faz parte do programa. O grau de dificuldade pode variar ligeiramente mas insere-se sempre num espectro definido.

As questões hipotéticas estão de acordo com o processo segundo o qual os exames, os respectivos critérios de classificação e as respectivas normas de aplicação são feitos. Servem para tentar cobrir o maior número possível de situações e tornar todo o processo mais fiável e justo.

Falo especificamente da questão das notas. Processo, critérios de classificação, normas de aplicação - seriam os mesmos que noutro ano qualquer.

Então e o que é que a anulação faz para as impedir?

O mesmo que qualquer responsabilização de pessoas ou entidades que cometam irregularidades. O IAVE cometeu uma irregularidade. Fizeram merda no processo de realização do exame, têm que se responsabilizar. Alguém acredita que o IAVE gosta de anular exames?

Tentei apenas chamar a atenção para os problemas inerentes a uma anulação e repetição do exame. Tentei argumentar que esse curso de acção tem o potencial para criar situações de injustiça mais sérias do que as criadas pela fuga de informação que lhe dá origem.


(Não precisas de justificar as razões porque dizes o que dizes, és livre de dizer o que quiseres ;-) )

Reconheço que as inconveniências e os constrangimentos fazem parte da vida em sociedade. Mas também acredito que faz parte da vida em sociedade discutirmos os assuntos de forma razoável e sensata de modo a podermos ultrapassar, em sociedade, esses mesmos constrangimentos e aperfeiçoarmos os processos de modo a que sejam mínimos.


Há um limite para as nossas discussões. Eu sei reconhecer até onde tenho conhecimentos, capacidade, ferramentas para opinar sobre algo. Não sei delinear um plano para uma anulação de exame, da mesma forma que não saberia delinear um plano no caso de fraude eleitoral, por exemplo. Também não sei delinear um plano de ordenamento florestal. Posso tentar informar-me com especialistas e ter uma opinião mais sustentada, mas não é o caso. Não vou estar aqui a discutir detalhes e detalhes porque não estou a oferecer nada à discussão...

Não acho completamente claro que devamos desvalorizar os sérios constrangimentos e injustiças provocados por uma anulação do exame enquanto empolamos os causados pela fuga de informação. É isso que estou a tentar discutir aqui.

Não estou a desvalorizar os constrangimentos. Mas constrangimentos hipotéticos não se sobrepõem a uma injustiça já comprovada. Se algo é ilegítimo, é ilegítimo. Não podes escolher que seja ou não seja, só porque a ilegitimidade implica constrangimentos.
 
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Alfa

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A partir do momento que é anulado... é anulado. Foi o momento oficial até que deixou de ser, porque o exame não era legítimo. Nem sequer tem que ser corrigido. Têm direito a uma época de exames como programado? É uma questão de prioridades. A anulação garante aos alunos um exame realizado em condições de igualdade. Não lhes interessa? Renegam esse direito porque acham mais importante o direito a uma época de exames programado? Parecem-me ter as prioridades trocadas.

A anulação não garante aos alunos um exame realizado em condições de igualdade. Não há qualquer garantia de que não haja fugas de informação: os responsáveis pela primeira fuga não foram encontrados ou responsabilizados; o que garante que não façam o mesmo?

O exame é diferente, mas equivalente. Os exames daqueles que têm que ir a épocas especiais, por exemplo, também são diferentes, mas são equivalentes. A matéria pode ser outra, mas continua a ser matéria que faz parte do programa. O grau de dificuldade pode variar ligeiramente mas insere-se sempre num espectro definido.

Isso não responde à questão que coloquei. Como responderias a um aluno na situação que referi?

O mesmo que qualquer responsabilização de pessoas ou entidades que cometam irregularidades. O IAVE cometeu uma irregularidade. Fizeram merda no processo de realização do exame, têm que se responsabilizar. Alguém acredita que o IAVE gosta de anular exames?

Uma vez mais, anular o exame anterior e realizar outro não faz nada para impedir que haja fugas de informação. Uma coisa é punir os responsáveis, outra é anular o exame.

Eu sei reconhecer até onde tenho conhecimentos, capacidade, ferramentas para opinar sobre algo. Não sei delinear um plano para uma anulação de exame, da mesma forma que não saberia delinear um plano no caso de fraude eleitoral, por exemplo. Também não sei delinear um plano de ordenamento florestal. Posso tentar informar-me com especialistas e ter uma opinião mais sustentada, mas não é o caso. Não vou estar aqui a discutir detalhes e detalhes porque não estou a oferecer nada à discussão...

Precisamente. Tudo o que estou a dizer é que a situação é demasiado complexa para poderes dizer categoricamente "é isto que se deve fazer", especialmente se reconheces as tuas limitações para oferecer uma opinião. Repara que ainda não me vista dizer "não se deve anular o exame"; apesar de ser esta a posição para a qual me inclino, apenas chamei a atenção para as desvantagens de uma anulação.

Não estou a desvalorizar os constrangimentos. Mas constrangimentos hipotéticos não se sobrepõem a uma injustiça já comprovada. Se algo é ilegítimo, é ilegítimo. Não podes escolher que seja ou não seja, só porque a ilegitimidade implica constrangimentos.

Não acho que sejam meramente hipotéticos. Não quero estar a repetir-me, vou voltar a dizer isto pela última vez: anular o exame e realizar outro acarreta situações de injustiça e constrangimentos em relação a todo o processo de acesso ao ensino superior que não podem ser ignorados e que não é claro que sejam menos importantes que a injustiça causada pela fuga de informação.
 
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LuísaF

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A anulação não garante aos alunos um exame realizado em condições de igualdade. Não há qualquer garantia de que não haja fugas de informação: os responsáveis pela primeira fuga não foram encontrados ou responsabilizados; o que garante que não façam o mesmo?



Isso não responde à questão que coloquei. Como responderias a um aluno na situação que referi?



Uma vez mais, anular o exame anterior e realizar outro não faz nada para impedir que haja fugas de informação. Uma coisa é punir os responsáveis, outra é anular o exame.



Precisamente. Tudo o que estou a dizer é que a situação é demasiado complexa para poderes dizer categoricamente "é isto que se deve fazer", especialmente se reconheces as tuas limitações para oferecer uma opinião. Repara que ainda não me vista dizer "não se deve anular o exame"; apesar de ser esta a posição para a qual me inclino, apenas chamei a atenção para as desvantagens de uma anulação.



Não acho que sejam meramente hipotéticos. Não quero estar a repetir-me, vou voltar a dizer isto pela última vez: anular o exame e realizar outro acarreta situações de injustiça e constrangimentos em relação a todo o processo de acesso ao ensino superior que não podem ser ignorados e que não é claro que sejam menos importantes que a injustiça causada pela fuga de informação.


Responderia ao aluno exatamente com o que escrevi. A nota no novo exame seria tão justa como a que hipoteticamente teria no anterior, porque os exames são equivalentes, têm o mesmo valor de avaliação. As notas não são mais ou menos justas consoante a satisfação que dão.

Quanto aos responsáveis - o responsável é o IAVE. É a irregularidade por parte do IAVE que torna o exame ilegítimo. A punição das pessoas específicas dentro do IAVE é outra coisa, nem sequer é o IAVE que decide. Anulação e punição não se tratam de alternativas, mas de coisas complementares.

Quanto às minhas limitações no que toca a dar uma opinião em relação a uma anulação - a anulação está prevista nos regulamentos. Não é apenas a minha opinião desinformada.

Quando digo que os constrangimentos são hipotéticos, refiro-me ao facto de serem posteriores à irregularidade. Se um exame é ilegítimo, não se pode, digamos, anular essa ilegitimidade. Não se pode dizer: "o exame é ilegítimo mas vamos considerá-lo legítimo porque a sua ilegitimidade pode trazer muitos constrangimentos." Quando ao plano, o IAVE teria a responsabilidade de definir um o mais eficiente possível e minimizar ao máximo os constrangimentos. Têm que saber responder a essa situação.
 
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Responderia ao aluno exatamente com o que escrevi. A nota no novo exame seria tão justa como a que hipoteticamente teria no anterior, porque os exames são equivalentes, têm o mesmo valor de avaliação. As notas não são mais ou menos justas consoante a satisfação que dão.

Não foi nada disso que disse. O problema não é o aluno deixar de estar satisfeito, o problema é ser eliminada uma nota que resultou do trabalho do aluno no exame que fez e com a qual o aluno estava mais satisfeito. Se os exames têm o mesmo valor, porquê prejudicar um aluno nestas circunstâncias? Se o aluno não se sente insatisfeito com a situação do primeiro exame e com a sua nota, com que direito lhe dizemos que não contou e que o que vai contar é uma nota possivelmente inferior de um exame com o qual o aluno não estava a contar?

Quanto aos responsáveis - o responsável é o IAVE. É a irregularidade por parte do IAVE que torna o exame ilegítimo. A punição das pessoas específicas dentro do IAVE é outra coisa, nem sequer é o IAVE que decide. Anulação e punição não se tratam de alternativas, mas de coisas complementares.

E distintas. Precisamente o que disse.

Quanto às minhas limitações no que toca a dar uma opinião em relação a uma anulação - a anulação está prevista nos regulamentos. Não é apenas a minha opinião desinformada.

Gostaria de ver isso. Não estou a duvidar, agora que mencionaste esse ponto fiquei curioso para saber como está isso previsto.
 

LuísaF

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O exame anulado não era válido. Não se torna válido só porque lhe correu bem. Um aluno não consegue compreender isto?

Distintas, mas não alternativas. Anulação e punição não tem que ter os mesmos propósitos. A anulação não tem que dar garantias da mesma forma que a punição. A anulação é o reconhecimento da ilegitimidade do exame. Que é uma forma de garantia também.

Quanto a estar nos regulamentos, penso que quase todas as notícias incluem essa informação.
 

Alfa

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O exame anulado não era válido. Não se torna válido só porque lhe correu bem. Um aluno não consegue compreender isto?

Não achas, portanto, que seja injusto anular o exame a quem, não tendo conhecimento da fuga, trabalhou para ter uma boa nota no exame e esteve no exame durante a duração do mesmo a dar o seu melhor? Isso é uma total desvalorização do trabalho de alguém que não tem qualquer responsabilidade neste assunto. Vamos anular o trabalho dessa pessoa e obrigá-la a fazer outro exame? Isso não pode estar certo.
--- Post atualizado ---
Quanto a estar nos regulamentos, penso que quase todas as notícias incluem essa informação.

Não acho que se deva confiar acriticamente nos meios de comunicação social. Se alguém puder apontar-me o que está escrito a este respeito nos documentos oficiais, agradecia!
 
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12 Junho 2016
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Eu entendo que a anulação de um exame em caso de fuga de informação esteja presente nos regulamentos do IAVE.
No entanto, muita gente (incluindo eu) fez o exame de forma honesta e trabalhou dia e noite para aquele exame. No meu caso, correu-me bem, o que não estava mesmo a espera, e ainda achei o exame bastante acessível.
Caso houvesse repetição, não haveria dúvidas que o exame seria muito mais difícil.
Eu acho que o IAVE, antes de proceder a uma decisão, tem que ter em conta que há pessoas que já tem as suas férias planeadas, que não implicam estar em Portugal! Eu vou de férias para o Canada durante um mês e tal nesta terça feira e só volto a meio de Agosto, sendo que esta viagem já está marcada desde Fevereiro.
O que acontece a essa gente que não está presente no país na data atribuída para a repetição do exame?
Vai comprar um bilhete novo para voltar para o país, só porque alguns chique espertos decidiram divulgar informação do exame para o público?
Isto da anulação tem muita coisa que se deve ter em conta... muita mesmo.
Quem se sentir injusticado, que repita o exame na segunda fase, que, para este caso extraordinário, poderia contar como primeira fase para quem quisesse. Mas agora, obrigar 74.000 alunos a repetir exames no meio das suas férias e alterar as suas viagens, gastando dinheiro a mais para voltar para Portugal, é bastante complicado.​
 
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Alfa

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2 Agosto 2015
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Quem se sentir injusticado, que repita o exame na segunda fase, que, para este caso extraordinário, poderia contar como primeira fase para quem quisesse.

Isto seria eventualmente mais razoável, mas não resolve o problema: os alunos que beneficiaram da fuga de informação não iriam, à partida, usar o exame extraordinário. Continuariam a ter uma nota beneficiada pela informação que tinham.

Esta questão é muito delicada. Não podemos simplesmente apresentar propostas levianas sem planos coerentes...
 
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Azami

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6 Outubro 2015
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Vocês estão certíssimos. O meu argumento é apenas o seguinte: anular seria alargar a injustiça a níveis muito mais altos.
Mas isso não vai acontecer. Os exames, por esta altura, já estão a ser corrigidos.
Certamente que sim. Injustiça haverá sempre...

Só acho que a anulação é dispensável, por respeito a todos os alunos que fizeram o exame de forma honesta.
Concordo contigo, é necessário combater a raiz do problema. Mas a anulação terá vantagens? Por uma pequena quantidade de alunos vais sujeitar 79.000 alunos a um exame?
Já mostrei anteriormente como as suas desvantagens se sobrepõem às vantagens.
Não, trabalhar muito e perceber que, por causa de uns casozinhos isolados, tem de voltar a sujeitar-se a um exame ao qual já se sujeitou.
Exatamente uma questão de que algumas pessoas se estão a esquecer.
Na passada 2a feira, também eu me dirigi à minha escola secundária para realizar o meu exame final nacional de Português.
Não tinha qualquer conhecimento dessa fuga de informação. Por aqui apenas corriam boatos de Memorial e CV...
Naquelas horas empenhei-me ao máximo na resolução de todo o exame, porque queria fazer jus àquilo que tinha aprendido durante 3 anos.
Quando tomei conhecimento desta fuga obviamente que me senti injustiçada como aluna! E a essa conclusão já todos chegámos! Houve e há de facto uma enorme injustiça.
Mas o que concluo com o debate que se acende por aqui é que ninguém se lembra que o exame pode ter corrido realmente bem a muitos alunos (campo onde me insiro), e que voltar a repetir também seria injusto. Quem me diz a mim que não tiraria pior nota? "Ah mas se possuis realmente conhecimentos vais ter sempre sucesso" , dizem as alminhas iluminadas... O que não é verdade porque eu até posso apreciar mais a matéria que foi abordada no exame, do qualquer outra que poderia ter sido alvo de avaliação...
Como já foi referido "somos rápidos a apontar o dedo" e nem sempre tomamos em consideração a situação dos demais.

Em especial, ocorrem-me algumas questões importantes:
  • O que aconteceria caso um aluno tivesse na repetição do exame uma nota inferior à que teve no exame original? Ficava com esta nota mais baixa? Não será isso injusto caso o aluno em questão não tenha tido acesso à informação da fuga e se tenha preparado para o exame na sua data oficial? Ficava com a melhor das duas notas? Isso não beneficiará quem teve acesso à informação da fuga?
  • Como é que se garante que não há fugas de informação na repetição do exame? É que, caso haja, teremos de repetir o exame ad infinitum, para garantir a justiça do mesmo.
Dúvidas que também coloco...
Primeiro que tudo, havendo anulação, ninguém saberia as notas que teve. As correções paravam e recomeçava-se os preparativos.

Se, neste momento, cancelasse os exames, marcaria o exame de português para algures na semana de 3-7 de julho. Os últimos exames são no dia 27 de junho. Dava, no mínimo 6 dias para rever tudo (e marrar de novo) e possivelmente ter algum apoio extra. Os responsáveis, como forma de penalização por terem deixado sair uma fuga desta, teriam uma semana para realizar 2 exames e escolher aleatoriamente e sem conhecimento (como normalmente acontece) 1 deles. Imprimir tudo e mandar para as devidas estações da polícia. Com todo este trabalho, se tudo corresse sem grandes problemas, deveria estar pronto, no máximo das possibilidades, na quarta feira, dia 5. O exame seria aplicado dia 6 ou 7. Quem não estivesse pudesse estar presente, por ser um caso excecional, teria de ter a seu favor a abertura de uma exceçao, quer passasse por ter transportes pagos, ou ter mesmo de realizar numa escola diferente, nem que seja estrangeira.
Feitos os exames, distribuem-se pelos professores corretores, cumprindo com as regularidades, e atrasaria para dia 20-21 a afixação das notas, e a 2a fase seria uma semana depois do previsto. (Não sei como ocorrem os prazos e burocracia acerca das matrículas da 2a fase, mas caso nao fosse possível proceder a prazos normais, exceções, de novo, teriam de ser abertas).

1) Defender a justiça com este argumento parece-me irónico. Tal já aconteceu no passado e os alunos ficaram num dilema de repetir ou não o exame e posso assegurar que muitos tiveram piores resultados por arriscar repetir. Sentir-me-ia mais injustiçada com tal medida.
2) O exame teria que se realizar exatamente no mesmo dia a nível nacional , mas nessa semana existem feriados da cidade em alguns pontos do país o que condicionaria toda a mobilização dos principais interessados.
3) Gostava sinceramente de abordar a preparação para um exame nacional por esse prisma.
4) Tenho quase a certeza de que não conheces a realidade de que falas... Os professores corretores também são professores (e por isso, lecionaram durante os últimos meses...), para além disso têm a sua vida pessoal... É muito fácil obrigar esses profissionais (que nem têm responsabilidade nenhuma pelo sucedido) a corrigir mais meia centena de exames durante um período que estaria dedicado a outras tarefas. Porque sendo a responsabilidade do IAVE não é o nosso querido IAVE que vai ter a maioria do "trabalho".
A construção de um exame também não deve ser algo feito dessa forma porque a probabilidade de se incorrer em falhas seria grande.
Para além de que irias atrasar todo um processo que por si só já é moroso.
Finalizando, as autoridades competentes já estão a investigar o caso (não é que acredite muito em resultados promissores, mas...)...

Só uma outra conclusão: Não é que os estudantes não se sintam lesados com a situação em causa, mas suprir as injustiças é utópico. Fugas haverá sempre. E se tivesse saído Memorial ou CV? O número de alunos a favor da anulação seria o mesmo?
E outra questão: eu já tive a oportunidade de ouvir a gravação na rádio e na minha opinião a divulgação de que sairia Alberto Caeiro não favorece tão radicalmente os alunos, eu pessoalmente não iria ler na véspera as dezenas de versos do Guardador de Rebanhos... E vamos ser sinceros, é das temáticas mais acessíveis de 12º. Como também não penso que constitua uma ajuda relevante saber que sairia escritores do sec XX (não sei se foi bem esta a expressão utilizada, desculpem) porque é bastante abstrato. Atenção que não estou a ignorar os factos, mas observando de uma forma pragamática o caso é isto que constato.
 

lmcdoss

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13 Junho 2017
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como assim2ª fase contar como a primeira e quem vai estudar para fora? fica impossibilitado de candidatar-se na primeira fase pk eles nao vão adiar por causa de portugal ne... se anularem saimos com desvantagem face a outros alunos que ja morem nessa país ou que venham de outro país...

Claro que me sinto injustiçado face aos que souberam da fuga de informação mas sentiria-me ainda mais injustiçado de ficar impossibilitado de me candidatar na 1ª fase...
 

NemoExNihilo

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5 Agosto 2015
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Toda e Qualquer Injustiça
os exames têm de ser a avaliação mais justa e equalitária de todo o nosso secundário, já que o objetivo dos mesmos é avaliar o conhecimento adquirido em 2/3 anos por todos os alunos, através de uma prova comum a todos. Isto, claro, para tentar fugir a inflações (para cima ou para baixo) verificadas nas escolas. Por exemplo, se um aluno teve a matéria "facilitada" numa disciplina, fazendo que com que tenha melhor nota interna, vai sair-se pior num exame, pois não está tao bem preparado. Pelo contrário, alguém que tenha um professor exigente no ensino e na avaliação, sair-se-á melhor no exame. Deste forma, a nota da disciplina é equilibrada para todos. Havendo fugas, que NÃO DEVERIAM EXISTIR DE TODO, acaba-se esse contrabalanceamento das notas.

Não necessariamente... Não sei que exames fizeste, mas, como já antes referi, há casos em que os critérios não são propriamente a coisa mais óbvia e intuitiva do Mundo (exemplo mais imediato: Biologia e Geologia), há casos em que os professores não cumprem o programa, há casos em que os alunos de uma dada turma, ou de uma dada escola, não tiveram aulas durante um certo período de tempo e, como tal, foram prejudicados nas aprendizagens (podem ter tido aulas extra e tudo isso, mas, convenhamos, não creio que estejam exactamente em igualdade de condições relativamente àqueles que aprenderam tudo a tempo e horas...), há (ou, no mínimo, há rumores de que há...) casos em que os alunos, mesmo sem fugas prévias, conseguem ter... "iluminações fantásticas" durante a realização do exame, enfim, há todo um conjunto de situações e factores que colocam os alunos, a priori, numa situação de desigualdade uns relativamente aos outros, e, em grande medida, sem terem culpa disso, prejudicando-os, portanto, de uma forma que só se me pode afigurar como injusta.

(E isto, claro, é para não falar de uma questão ligeiramente mais espinhosa, que é a possibilidade de, naquele dia em particular, por uma conjugação pouco favorável da imensidão de factores que afectam o comportamento dos seres humanos, o aluno fazer asneiras diversas, mesmo sabendo aquilo que está a fazer...)

Relativamente à parte final, concordo mais do que plenamente contigo, o nosso sistema educacional, para além de nao responder às necessidades da nossa sociedade, não é o melhor no que diz respeito às avaliações em si. Sendo minha mãe professora, é normal haver discussoes acerca deste tema entre nós. Mas para mim, sem mexer no assunto do que nós aprendemos realmente na escola, acho que uma avaliação mais justa passa por haver exames todos os anos (por exemplo, uma performance melhor num ano, é equilibrada por uma melhor no outro, havendo assim mais avaliações externas, nao ficando 30% da nota final dependente de um exame so). Por outro lado, acho que a retirada de testes intermédios foi errada, por se tratar, outra vez, de ser uma prova comum a todos os alunos do país.

Quanto aos conteúdos de cada área, se eu pusesse as mãos no ensino português, reformava-o na totalidade, desde o 1º ano até ao 12º.

Pela minha parte, diria que o problema das avaliações é o eu próprio conceito, e não tanto a sua falta (ou o seu excesso); como já tenho vindo a dizer, creio que não reflectem adequadamente o nível de conhecimento dos alunos, e, tratando-se de provas a nível nacional, pior ainda... Quanto a programas e conteúdos... é melhor nem dizer nada.



O que eu vejo é que grande parte dos(as) estudantes se está a marimbar relativamente à fuga de informação.
Houve violação de sigilo, obrigatoriamente isso teria que levar à anulação e repetição do exame. Para além disso,
o caso deveria ser investigado a fundo para evitar comportamentos semelhantes.
Se os próprios alunos não se manifestam, quem o fará? O IAVE? O Costa? Não me parece.
Mas a malta quer é curtir e ir de férias...

É surreal. Parece que a maioria dos alunos se manifestariam era contra a anulação! Surreal.

Para mim é incompreensível. Está claro que vivemos numa sociedade cada vez mais individualista e egocêntrica.

A anulação garante aos alunos um exame realizado em condições de igualdade.

Eu, pela minha parte (e já não tendo feito exames este ano, pelo que não poderei estar a ser movido especificamente por egoísmo, egocentrismo ou individualismo), não sou a favor da anulação deste exame e subsequente repetição, sou, sim, a favor da anulação de todos os exames... E, isso à parte, afigura-se-me como vagamente egoísta também a perspectiva de se apoiar a repetição pela possibilidade de se ser prejudicado no acesso ao ensino superior pela entrada de outros, potencialmente beneficiados...