Fuga de Informação Exame de Português

Finalmente tiraram a paywall do artigo:

Vou citar uma parte:
"Mas se não anular a prova, o Ministério arrisca-se a ter de enfrentar processos em tribunal por parte de estudantes que venham a sentir-se lesados. O problema é que não está apenas em causa a conclusão do ensino secundário, mas sobretudo o acesso ao ensino superior. O exame de Português é um dos mais requeridos pelas universidades como prova de ingresso. E uma décima pode ser o suficiente para se ficar de fora."

O jornal considerou que o Ministério pode levar com processos de alunos que se sentem prejudicados se não anular o teste.
Então e se anular? 74 mil alunos cujo teste será adiado e cuja data da entrega das notas pode vir a sair depois da data da 1ª fase da inscrição para o ensino superior? Quantos mais processos receberia o Ministério?

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Ah, e quanto á questão de se o Iave falou sobre anulação no que toca á fuga, tenho seguido o assunto desde a primeira noticia e não encontrei nenhuma citação direta do Iave quanto ao assunto, apenas adiçôes e especulações dos jornais. Por exemplo, a notícia do Sol "Exame pode ser anulado esta semana", o Sol explica:

"...o IAVE não adianta quando será tomada uma decisão dizendo apenas que «só no início da próxima semana» haverá mais informação sobre o futuro da prova."

E depois escreve as suas próprias palavras sem qualquer citação de ninguém:
"Caso seja comprovada a fuga de informação antes da realização do exame, de acordo com o regulamento em vigor, a prova deverá ser anulada".

Então a notícia acaba por dizer "eles não dizem nada por agora, mas talvez anulem o exame. Não afirmaram mas também não desmentiram, por isso podemos dizer o que achamos que eles diriam".
 
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Quanto ao ponto nos regulamentos, refere-se a "qualquer prova" e não há nada a explicitamente a afirmar que se refere apenas a fraudes de alunos. Não está presente a expressão "alunos" (como noutros), nem faz referência a pontos anteriores (como outros fazem).

Fraudes

1 - Ao professor vigilante compete suspender imediatamente as provas dos alunos e de eventuais cúmplices que no decurso da realização da prova cometam ou tentem cometer inequivocamente qualquer fraude, não podendo esses alunos abandonar a sala até ao fim do tempo de duração da prova.

2 - A situação referida no número anterior deve ser imediatamente comunicada ao diretor de escola, a quem compete a anulação da prova, mediante relatório devidamente fundamentado, a enviar ao JNE para conhecimento, ficando em arquivo na escola a prova anulada, bem como outros elementos de comprovação da fraude, para eventuais averiguações.

3 - A suspeita de fraude que venha a verificar-se posteriormente à realização de qualquer prova implica a suspensão da eventual eficácia dos documentos entretanto emitidos, após a elaboração de relatório fundamentado e na sequência das diligências consideradas necessárias, em ordem à possível anulação da prova.

4 - A anulação da prova referida no número anterior é da competência do Presidente do JNE.

5 - A ocorrência de fraude ou tentativa de fraude durante a realização das provas finais, exames finais nacionais e das provas de
equivalência à frequência da 1.ª fase impede os alunos de aceder à 2.ª fase dessa prova no mesmo ano escolar.

6 - A anulação de prova referida no presente artigo pode dar lugar à aplicação de medidas disciplinares, de acordo com Estatuto do Aluno e Ética Escolar, aprovado pela Lei n.º 51/2012, de 5 de setembro, sem prejuízo de ulterior comunicação ao Ministério Público."

Não estou a dizer que se tenha necessariamente que interpretar isto como "anulação prevista nos regulamentos", mas é legítimo que um jornalista, ou seja quem for, dê a si próprio a liberdade de o interpretar assim. Aliás, até me parece correto - é um regulamento, o que diz literalmente é o que é. E é, sem dúvida legítimo que assumam que IAVE está a ponderar hipótese, não tem porque ser sensacionalismo.
(e se IAVE não está a ponderar anulação, de que decisão se trata que justifique deixar o pessoal todo em stand-by?)


--- Post atualizado ---

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Há, no entanto, para mim, em relação à anulação, um problema em qual não tinha pensado antes, que é o facto de o exame servir tanto para conclusão de ensino secundário e obrigatório (em que não se põe a questão da desigualdade), como para acesso a ensino superior (em que se põe a questão da desigualdade).

Portanto, por mim parecia-me justo: a haver anulação, estaria tudo automaticamente passado para efeitos de conclusão de ensino obrigatório (não me parece diferente do exemplo de um erro na prova e atribuição de todos os pontos, como o que se falou sobre o poema de Caeiro), e a repetição de prova seria aberta a todos, mas obrigatória apenas para efeito de acesso ao ensino superior.

Quando ao risco no acesso à 1ª fase do ensino superior, devido a notas tardias, por isso é que o IAVE se devia enxergar, em vez de andar a empolar.

Posso estar completamente errada, mas penso que independentemente de ser prova de ingresso ou não, a igualdade/desigualdade presente seria a mesma. A questão que creio estares a referir é o facto de contar mais para aqueles que a necessitam como prova de ingresso. Mas também conta para quem não a necessita como prova de ingresso, visto contar como parte da nota da disciplina de português, a qual também influencia a nota de entrada em universidades que não requeiram esta como prova de ingresso.
De qualquer modo, na minha opinião, seria justo anular as provas de quem soube o que ia sair, mas não de todos. Se isso seria possível? Não sei, mas parece-me ser o mais justo.
 
Posso estar completamente errada, mas penso que independentemente de ser prova de ingresso ou não, a igualdade/desigualdade presente seria a mesma. A questão que creio estares a referir é o facto de contar mais para aqueles que a necessitam como prova de ingresso. Mas também conta para quem não a necessita como prova de ingresso, visto contar como parte da nota da disciplina de português, a qual também influencia a nota de entrada em universidades que não requeiram esta como prova de ingresso.
De qualquer modo, na minha opinião, seria justo anular as provas de quem soube o que ia sair, mas não de todos. Se isso seria possível? Não sei, mas parece-me ser o mais justo.

Não tem a ver com ser prova de ingresso. Fazer a prova para "efeitos de acesso ao ensino superior" significa que a nota do exame contaria para a média "geral", depois cada aluno usa como prova de ingresso a que precisasse. Claro que isto são só filmes :)

Não se pode saber quem teve acesso à informação, mas mesmo que se soubesse, a culpa não é deles...
 
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E os outros deviam? Porquê?

Acho que não o deviam ter feito. Existem consequências legais (como sabemos) face a fugas de informação. Não estou a desculpar o responsável da fuga, simplesmente acho que quando tomaram conhecimento deviam ter comunicado aos organismos oficiais.
 
Acho que não o deviam ter feito. Existem consequências legais (como sabemos) face a fugas de informação. Não estou a desculpar o responsável da fuga, simplesmente acho que quando tomaram conhecimento deviam ter comunicado aos organismos oficiais.

Todos os anos há rumores, especulações e teorias sobre o conteúdo dos exames, especialmente sobre o de Português, visto ser o mais propenso a especulação. Estás a dizer que um aluno que toma conhecimento de algo que, tanto quanto se sabe, não passa de um rumor, deve comunicá-lo aos organismos oficiais? Todos os anos os organismos oficiais ficariam entupidos de denúncias que raramente se materializariam.

Só este ano houve duas alegadas "fugas de informação" sobre o exame de Português e uma delas era falsa. Os alunos não são propriamente capazes de distinguir entre uma fuga legítima e uma falsa sem ir fazer o exame primeiro.

Mesmo a autora da gravação se tenta proteger, não contra a possibilidade de aquilo ser uma fuga legítima, mas contra a possibilidade de se revelar falsa, dizendo, no fim da gravação "se isto não sair eu não tenho nada a ver com isto". Só para termos noção de que nem a autora da gravação, aparentemente, tinha consciência da veracidade da informação.

Quem aqui deve ser penalizado é quem deixou sair a informação do IAVE. Não os alunos, ainda que tenham tomado conhecimento da informação.
 
Todos os anos há rumores, especulações e teorias sobre o conteúdo dos exames, especialmente sobre o de Português, visto ser o mais propenso a especulação. Estás a dizer que um aluno que toma conhecimento de algo que, tanto quanto se sabe, não passa de um rumor, deve comunicá-lo aos organismos oficiais? Todos os anos os organismos oficiais ficariam entupidos de denúncias que raramente se materializariam.

Só este ano houve duas alegadas "fugas de informação" sobre o exame de Português e uma delas era falsa. Os alunos não são propriamente capazes de distinguir entre uma fuga legítima e uma falsa sem ir fazer o exame primeiro.

Mesmo a autora da gravação se tenta proteger, não contra a possibilidade de aquilo ser uma fuga legítima, mas contra a possibilidade de se revelar falsa, dizendo, no fim da gravação "se isto não sair eu não tenho nada a ver com isto". Só para termos noção de que nem a autora da gravação, aparentemente, tinha consciência da veracidade da informação.

Quem aqui deve ser penalizado é quem deixou sair a informação do IAVE. Não os alunos, ainda que tenham tomado conhecimento da informação.

Não discordo totalmente contigo, mas tendo em conta que foi a dirigente do sindicato que disse o que ia sair, acho que seria óbvio que não ia dizer algo errado, prejudicando o aluno em questão.
Eu ouvi a gravação sim, mas não sabemos muito. Estamos todos a especular.
 
Não discordo totalmente contigo, mas tendo em conta que foi a dirigente do sindicato que disse o que ia sair, acho que seria óbvio que não ia dizer algo errado, prejudicando o aluno em questão.
Eu ouvi a gravação sim, mas não sabemos muito. Estamos todos a especular.

Não sei se foi ou não. Tanto quanto quem ouviu a gravação sabia, o amigo ou amiga da pessoa que fez a gravação até pode ter dito que a explicadora dele era dirigente de um sindicato para acrescentar credibilidade à informação. Não sabemos. O meu ponto é precisamente esse: antes do exame ninguém tem garantias de credibilidade das alegadas "fugas".
 
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Não sei se foi ou não. Tanto quanto quem ouviu a gravação sabia, o amigo ou amiga da pessoa que fez a gravação até pode ter dito que a explicadora dele era dirigente de um sindicato para acrescentar credibilidade à informação. Não sabemos. O meu ponto é precisamente esse: antes do exame ninguém tem garantias de credibilidade das alegadas "fugas".

E a suposta dirigente do sindicato nem é do IAVE... nem que fosse. É tudo "diz-que-disse"
 
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Pfft, apaguei um post inteiro.

Pensando melhor no assunto, por mim, no caso de anulação, para efeitos de conclusão de ensino secundário (em que não se põe questão de igualdade) estariam todos passados automaticamente, e repetição seria obrigatória apenas para efeitos de acesso ao ensino superior (em que se põe a questão da igualdade). Parecia-me justo para todos.

Quanto ao IAVE, se não está ponderar anulação, porque tem o país todo em stand-by?
--- Post atualizado ---
Para quem estava em dúvida do que dizia nos regulamentos do iave que leia o parágrafo número 13: Inspeção investiga nos Salesianos de Lisboa fuga no exame de Português

É um ponto ambíguo porque não explicita a que fraude se refere, se apenas alunos ou a qualquer tipo de fraude.

Às tantas no IAVE estão agora a cismar com os próprios regulamentos lol
 
Para quem estava em dúvida do que dizia nos regulamentos do iave que leia o parágrafo número 13: Inspeção investiga nos Salesianos de Lisboa fuga no exame de Português

O excerto do regulamento a que esse parágrafo se refere já foi aqui partilhado. Continua a não ser evidente para mim que esse ponto se aplique nesta situação.

Pensando melhor no assunto, por mim, no caso de anulação, para efeitos de conclusão de ensino secundário (em que não se põe questão de igualdade) estariam todos passados automaticamente, e repetição seria obrigatória apenas para efeitos de acesso ao ensino superior (em que se põe a questão da igualdade). Parecia-me justo para todos.

Estariam todos passados automaticamente com que classificação? Para além disso, a classificação para efeitos de nota interna também se reflecte no acesso ao ensino superior...
 
Para quem estava em dúvida do que dizia nos regulamentos do iave que leia o parágrafo número 13: Inspeção investiga nos Salesianos de Lisboa fuga no exame de Português

É um ponto ambíguo porque não explicita a que fraude se refere, se apenas alunos ou a qualquer tipo de
O excerto do regulamento a que esse parágrafo se refere já foi aqui partilhado. Continua a não ser evidente para mim que esse ponto se aplique nesta situação.



Estariam todos passados automaticamente com que classificação? Para além disso, a classificação para efeitos de nota interna também se reflecte no acesso ao ensino superior...

Sim, e a nota da repetição seria que contava para efeitos de nota interna que se usaria para acesso a ensino superior. Os que não fossem, sei lá, 10, não contava para acesso a ensino superior. Para acesso, tinhas que fazer repetição. Mas sendo aberta a todos.
 
Sim, e a nota da repetição seria que contava para efeitos de nota interna que se usaria para acesso a ensino superior. Os que não fossem, sei lá, 10, não contava para acesso a ensino superior. Para acesso, tinhas que fazer repetição. Mas sendo aberta a todos.

Com 10??? Conta para efeitos de acesso, sempre, porque influencia a nota interna que também é contabilizada para a média de acesso? Essa sugestão não pode ser séria. Mais uma vez, um aluno que fez trabalho para 19 no exame ficava com 10? Isso ainda é pior que obrigá-lo a repetir!
 
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O ministério da educação está perante uma situação supostamente inedita em 21 anos de Exames Finais Nacionais... Necessitam ponderar todos os cenários possíveis... Se o exame não for anulado pode ser processado por alunos que se sintam lesados, no entanto o mesmo se aplica se for anulado, portanto não é fácil!
Não acredito que o ministério anule a prova a 74000 alunos, isso implicaria uma serie de questões... a primeira fase de candidaturas ao ensino superior ficaria arruínada! Ainda para mais, seria necessário a redistribuição de novos exames. Sei que existem Exames de substituição para este tipo de situações contudo, seria fazer gastos não planeados (tendo em conta que a distribuição de exames é a maior operação de segurança anualmente realizada em Portugal, mobilizando grande parte do efetivo da PSP e da GNR.) isso influenciaria as contas do Estado, até pode não ser muito, mas é um gasto considerável e o governo neste momento não está em posição de comprometer os valores do défice. Portanto, acredito que haja influência politica nesta decisão!
 
Com 10??? Conta para efeitos de acesso, sempre, porque influencia a nota interna que também é contabilizada para a média de acesso? Essa sugestão não pode ser séria. Mais uma vez, um aluno que fez trabalho para 19 no exame ficava com 10? Isso ainda é pior que obrigá-lo a repetir!

Não ficava com 10. Ficava com 10 garantido quem não quisesse repetir o exame.
 
Não ficava com 10. Ficava com 10 garantido quem não quisesse repetir o exame.

Já discuti isto. Essa proposta é tremendamente injusta. Vamos limitar-nos a esperar e ver o que acontece.
 
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Injusto, como? Tem 19, vai à repetição, tira a nota que merece.

Eu não sei se ria ou chore. Então mas a nota que merece é o 19 que tirou!
 
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Eu não sei se ria ou chore. Então mas a nota que merece é o 19 que tirou!

Que 19? Se exame foi anulado, não tirou nenhuma nota. Se te referes a nota hipotética, não acredito nisso. Um exame é um exame. Fazendo um exame de repetição, tira a nota que merece.

--- Post atualizado ---
Ri, @Alfa, ri. Rir faz bem à saúde.

Se estou a dizer uma coisa que te parece estúpida, é porque estou a fazer uma cedência, porque continuo a defender a anulação de todos os exames. O direito à igualdade de oportunidades é mais importante do que as férias seja de quem for. E sinceramente, embora consiga perceber os constrangimentos de uma anulação para quem apenas quer concluir o secundário, faz-me confusão que a alunos que se candidatam ao ensino superior não lhes incomode uma fuga.
 
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