Fui Piloto Militar (AFA) durante 18 anos - perguntem o que quiserem

Margarida Félix Madeira

Membro Caloiro
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1 Março 2021
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Bom dia,

como surgem com frequência perguntas sobre a AFA, e eu sei que os "boatos" e "mitos" que ouvi na minha altura sobre o que era a AFA e a FAP eram na sua maioria... mitos, estou disponível para responder às dúvidas de quem esteja a pensar em concorrer. Estive quase 18 anos na Força Aérea (já não estou, sou civil) e conheço bem os cantos à casa, da qual só posso dizer (muito, mas mesmo muito) bem.

Acerca de mim:
Entrei para a AFA em 1996 (sim, tenho 41 anos de idade), para o curso de PILAV, acabei em 2001/2.
Voei na minha carreira: Cessna 152, Chipmunk, Epsilon, Alpha Jet, Alouette 3, SA330 Puma e EH101.

Se tiverem perguntas sobre os testes de ingresso, como é estudar na AFA, como é a progressão na carreira (ótima!), como é o dia a dia após acabarem o curso, etc: perguntem, que eu respondo o melhor que saiba.

Só para não haver dúvidas, não tenho qualquer afiliação atual com a Força Aérea, nem posso falar pela Força Aérea Portuguesa, só posso dar a minha opinião pessoal (muito positiva sobre a AFA e a FAP) e tirar dúvidas que tenham, para vos ajudar.

Perguntem à vontade.
Apesar de ver que já foi dito algumas vezes, muito obrigada mais uma vez por este trabalho, para alguns de nós é muito importante.
Desde sempre quis ser militar e, desde que compreendo melhor as minhas opções, tenho estado indecisa entre a AM e a AFA (CM-Cavalaria/PILAV). Apesar de sentir que iria ser muito feliz na FAP, tenho medo que, em termos de academia, a AFA me "roube" aquela questão das ciências militares, e do treino militar em si, das missões, etc, pois na realidade, antes de saber sequer o que era uma faculdade, já sabia que queria era ser militar. No entanto, o que sinto pelos aviões faz com que, neste momento, a AFA seja a minha primeira opção. Visto que já só faltam alguns meses, e em todas as fontes de informação sobre a academia dão sempre muito ênfase nos aviões e nos voos, não consigo bem perceber no que consiste a parte militar ou mesmo física. Será que me pode esclarecer sobre isso?
 

pinho.FAP

Membro
Matrícula
26 Abril 2020
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Boa noite, sou aluno de engenharia mecânica e acontece que a minha situação parece um turbilhão enorme mas Vou tentar resumir para Não ficar muito extenso e chegar a questão que quero colocar. Desde pequeno que me fascino por tudo o que e maquina (seja ela do tipo que for), velocidade e adrenalina. Eu entrei numa faculdade que não era a minha primeira opção e estava a ser super dificil aguentar as despesas, entao, decidi vir embora e subir durante um ano a média para entrar mais perto de casa. (Durante o tempo que subi média considerei candidatar-me à academia da força aerea), na categoria de piloto aviador e sempre foi algo que me chamou bastante, especialmente a vida militar. Bem, com muito esforco e dedicação consegui tirar 19,5 no exame nacional de matematica A e no final acabei por me candidatar na mesma a faculdade que eu pretendia entrar perto de casa e entrei. O problema é que eu não estou a experienciar a faculdade com uma postura muito agradada e sinto que de certa forma não pertenço ali, que a minha vocação esta noutro lado e surge constantemente a ideia do piloto aviador. Tenho um amigo meu que se candidatou, chamaram no e reprovou nos testes psicotécnicos e ele disse que era bastante exigente. Qual sera a melhor forma de me preparar para os mesmos? Eu sinto mesmo que deveria candidatar me porque e algo que me chama imenso, é algo que eu sinto (embora talvez deixasse os meus pais atónitos comno facto de eu querer largar a faculdade pela força aerea) Quais serão as maiores adversidades que terei de superar para a entrada no curso de PILAV? Qual a melhor forma de aumentar a minha chance de entrar mesmo na academia no curso pretendido?
Obrigado pela atenção e aguardo resposta.
(Peço desculpa pela mensagem longa apenas queria tentar contextualizar as perguntas)
Bom dia,
os testes psicotécnicos que eu fiz eram "exigentes" devido ao que eu acho ser uma estratégia propositada: são demasiado extensos para que ninguém consiga acabar tudo a tempo. Nem o Einstein. É uma forma de injetar stress nos candidatos, porque lidar com stress é ESSENCIAL para ser piloto aviador. Parecem dificeis, mas na realidade são é muito extensos.
Se tivesse que me preparar para entrar de novo, sabendo o que sei agora:
- fazer testes psicotécnicos "genéricos", na amazon deves encontrar livros com exemplos para treinares: raciocinio lógico, rapidez de resposta, etc
- preparar as provas fisicas, fazer corrida, algum ginásio, natação
Os exames médicos são uma lotaria. São muito completos. Se tens um mini desvio na coluna, que não te afeta a vida em nada, é razão para chumbar. O que eu vejo como a maior barreira são mesmo os exames médicos, e sobre isso... nada a fazer. Genética e alguma sorte. Ser genericamente saudável não é suficiente, tens que ter mesmo saúde muito boa. Boa sorte!
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Boa noite,

Desde já, muito obrigada por ter criado esta thread. Vejo que já esclareceu bastantes dúvidas. A minha tem mais a ver com o dia-a-dia dentro da academia. Uma vez que os cadetes já tenham frequentado todas as aulas de um certo dia e já tenham cumprido com qualquer outra tarefa estipulada, é-lhes possível saír da academia por algumas horas? Ou só podem mesmo saír para fim-de-semana?
Em 1996: alunos do 1º ano só saíam ao fim de semana. Restantes alunos, de semana podiam sair, com hora limite de entrada. Eu vinha muitas vezes a Lisboa jantar, beber um copo com amigos. Não sei como é agora, mas deve ser parecido.
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Boa noite,
Desde já queria lhe agradecer pela sua resposta muito completa ao meu comentário que foi muito esclarecedor, mas uma coisa que vai sempre na minha cabeça e que me desanima é a questão dos olhos, sempre me disseram que tínhamos que ter uma visão completamente perfeita, e nos mês passado depois de uma consulta de rotina disseram me que tinha 0,25 dioptrias no olhos direito desde então não consigo parar de passar que o estudo e dedicação foi todo em vão, será que é mesmo preciso termos ambos os olhos com 0 dioptrias?
Já foi respondido atrás: sobre os exames médicos não consigo dar esse tipo de respostas porque não é a minha área. Eu nunca usei óculos, e com 42 anos ainda tenho uma visão muito boa, mas houve colegas meus a começar a usar óculos antes de acabarem o curso. Só concorrendo, não te consigo ajudar...
Mensagem fundida automaticamente:

Apesar de ver que já foi dito algumas vezes, muito obrigada mais uma vez por este trabalho, para alguns de nós é muito importante.
Desde sempre quis ser militar e, desde que compreendo melhor as minhas opções, tenho estado indecisa entre a AM e a AFA (CM-Cavalaria/PILAV). Apesar de sentir que iria ser muito feliz na FAP, tenho medo que, em termos de academia, a AFA me "roube" aquela questão das ciências militares, e do treino militar em si, das missões, etc, pois na realidade, antes de saber sequer o que era uma faculdade, já sabia que queria era ser militar. No entanto, o que sinto pelos aviões faz com que, neste momento, a AFA seja a minha primeira opção. Visto que já só faltam alguns meses, e em todas as fontes de informação sobre a academia dão sempre muito ênfase nos aviões e nos voos, não consigo bem perceber no que consiste a parte militar ou mesmo física. Será que me pode esclarecer sobre isso?
"tenho medo que, em termos de academia, a AFA me "roube" aquela questão das ciências militares, e do treino militar em si, das missões, etc,"
Estás a confundir a palavra "militar" com "exército". :)
O que me parece que tu entendes por "militar" é uma versão mais "tradicional" de "combate", regras rigidas, "pé na lama" e disciplina. Isso faz parte da cultura militar, mas é mais vincada nas forças terrestes, porque a própria forma de emprego da força "transpira" para a cultura da organização.
Há uma frase famosa de um teórico militar americano que diz: "Flexibility is the key to Airpower". A FAP é diferente do Exército.
A componente militar na AFA consiste naquilo que será a tua carreira como militar da Força Aérea. Para tal, terás o treino básico que qualquer militar tem, mas lembra-te que a tua missão é operar um meio aéreo. Para isso, não precisas de ser especialista em tática de infantaria. O que a AFA te vai dar também são as ferramentas para mais tarde, aprenderes o emprego dos meios aéreos.
Mas, se achas que os PILAV são uns "fraquinhos" e que a coisa é "soft", todos os tripulantes da FAP são obrigados a passar um curso de sobrevivência em combate atrás de linhas inimigas, algo que em Portugal apenas é feito por nós, Pilotos da Marinha e Exército, Paraquedistas (apenas alguns) e Operações Especiais. Ponto alto do curso? Resistência a técnicas "agressivas" de interrogatório. Uma experiência no minimo... interessante! Ir ao "fuga e evasão", o antigo nome do curso, é um dos rituais de passagem dos Aviadores portugueses. Uma semana e meia largados no mato, a "fugir" por montes e vales, com a Policia Aérea atrás de nós. Se gostas de bota na lama, tens muitas oportunidades para o fazer na FAP! Menos do que no Exército, mas muitas.
As missões da FAP não são andar no terreno, mas andar SOBRE o terreno, o teu treino militar será adequado para o fazeres da forma mais eficaz para o emprego do Poder Aéreo. E a forma mais eficaz de o fazer não é a noção tradicional de "combate no terreno", é mais especifico. Mas dificil na mesma, simplesmente de outra forma. Vais disparar metralhadoras na mesma, vais lançar granadas, fazer topográficas com uma mochila de 20 kg às costas. Mas chega uma altura em que começas a transitar para outra forma de pensar: como tirar o máximo rendimento da minha aeronave em combate. É isso que um piloto militar faz.

Espero que o que escrevi acima não seja confuso. Tens muito treino militar na AFA e na FAP. :)
 
Última edição:

Carlos Guerreiro

Membro Caloiro
Matrícula
31 Março 2021
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Olá boa tarde, espero ainda vir a tempo de conseguir algumas respostas! Antes de mais, muito mas muito obrigado pela disponibilidade e por todo o tempo em que esteve a servir o país. Eu tenho 25 anos, sou licenciado em Design (más escolhas de adolescência) e gostava de entrar na Força Aérea. Eu vi o recrutamento para oficial, porém também vi que em regime de contrato estarei lá o máximo de uns 6 anos e depois "mandam-me embora" e volto ao mercado de trabalho civil - por favor corrija-me se estiver errado. Ora, para PILAV não posso ir devido à minha idade então dei de caras com o estágio técnico-militar. Estou a considerar tirar uma licenciatura em psicologia para poder entrar nesse estagio na AFA e, posteriormente, nos quadros da Força Aérea. A minha pergunta é:

- Depois desse estágio, que tipo de progressão de carreira terei com um background de psicologia?



Eles na página de recrutamento informam: "
Concluído o Estágio Técnico-Militar na Academia da Força Aérea dá-se o ingresso nos Quadros Permanentes (QP) e inicia-se a carreira como Oficial da Força Aérea Portuguesa, sendo promovido aos vários postos da Força Aérea, de acordo com o Estatuto dos Militares das Forças Armadas (EMFAR).

Todos os Oficiais dos Quadros Permanentes exercem funções de âmbito militar e da respetiva especialidade em unidades, órgãos ou serviços da FAP em território nacional ou quando destacados em missões internacionais. Podem colaborar e desenvolver projetos de investigação autónomos ou em cooperação com entidades nacionais ou estrangeiras, bem como, em casos específicos, prosseguir estudos especializados de pós-graduação e docência.

Ao longo da sua carreira exercem funções de comando, chefia ou de direção de unidades, órgãos ou serviços da FAP. Podem, ainda, desempenhar cargos de natureza militar ou diplomática em organizações internacionais ou junto de embaixadas no estrangeiro."
 
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