UC Ir estudar para Coimbra? [Ajuda!]

PedroRic

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18 Junho 2017
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11
Boas! Podem chamar-me Ricardo! :smile:

Antes de mais, para aqueles que estudem em
Coimbra, eu vou estar em aí no Sábado e adorava, se possível, encontrar-me com alguém, por exemplo para assistir o jogo às 7 (ou outro plano), e antes/depois fazer algumas perguntas sobre como é estudar em Coimbra. Se alguém quiser deixem um comentário ou adicionem no WhatsApp (911042201), ficaria muito agradecido. :blush:

Bio:
Acho que é importante falar um pouco sobre mim antes das perguntas. Ora bem, tenho 22 anos e desde o 7º ano que odeio o sistema educativo, e é na área de inovação educacional que quero mais trabalhar (quero começar a minha própria associação). Entrei na uni a teste, Gestão de Marketing no ISCTE, e foi o que estava à espera, não gostei do ensino. Desisti no segundo ano. O último ano andei a fazer intercâmbios juvenis pela europa, e nada mais. Não cheguei a fazer amigos no ISCTE e já não me dou com nenhum dos meus amigos de Ourém (de onde sou). Agora sinto-me extremamente perdido, sem saber o que fazer.
Para quem conhece, no teste de personalidade NERIS sou INTP-T (89%, 80%, 69%, 59%, 56%). Sou introvertido e também um pouco envergonhado (dantes era mais, os intercâmbios ajudaram). Tenho dificuldade em conectar com os outros. Vivo muito na minha cabeça, a fazer debates de ideais lá dentro, ás vezes chega a ser exaustivo. Tenho imensos planos mas depois não concretizo nada. E muitos planos nem consigo fazer porque são tantas as opções que não consigo escolher, tomar decisões é muito difícil para mim, fico paralizado. Estou sempre a questionar tudo, adoro perguntar porquê, e sou também extremamente curioso, quase tudo me fascina e não consigo escolher só uma coisa porque na minha mente tudo é importante e está interligado. Embora às vezes fique obcecado com um tema, até durante semanas, eventualmente outro me distraí e facilmente perco o foco. Preciso de desenvolver motivação e disciplina.
Interesso-me muito por ideias, a área que mais me interessa é a das ciências sociais. Gosto de psicologia, filosofia e ética, sociologia, ciência política e direito, linguística, inteligência artificial, semiotics, arquitetura, cinema, estudos religiosos (e mitologia, simbolismo....), economia e história. Sou fascinado por sistemas e pela interconectividade de tudo, sejam estes sistemas psicológicos, sociológicos, económicos, políticos, linguísticos...
Uma das hipóteses que estou a considerar seria ir estudar para Coimbra, como solução temporária, não necessariamente a pensar em acabar o curso. Isto porque o meu foco agora é mesmo a vida social, porque se não resolver isso, o meu futuro será infeliz e pouco produtivo. A ideia ao ir estudar para Coimbra é que, mesmo à partida não fazendo conta de acabar o curso, melhoraria a minha vida social, terias oportunidades de networking para início de projetos em colaboração, e maior acesso a pessoas com interesses similares, para explorar as variadas matérias que me interessam, com a hipótese de puder assistir a aulas e falar com os professores.
Outra hipótese, na qual já comecei o processo de candidaturas, é de ir estudar para a Holanda, para Groningen ou Maastricht, o curso de Liberal Arts and Sciences. No entanto a Holanda teria um custo de 40 a 45 mil euros pelos 3 anos. Coimbra teria um custo de cerca de 20 mil euros se por acaso quisesse fazer os 3 anos, só para comparação. Estes valores incluem todas as despesas, não só alojamento/comida/transportes/saídas, mas também seguro de saúde, telecomunicações, roupa, ginásio, compras de tecnologia, etc. A ideia de ir estudar para a Holanda deve-se sobretudo ao diferente sistema de ensino lá presente, sobretudo em Maastricht onde usam o Problem-Based Learning. Mas também outros fatores como a grande percentagem de alunos internacionais, a qualidade de vida no país, no caso de Groningen ser uma cidade pequena com grande % de estudantes, e onde dá para andar de bicicleta para todo lado, e o facto de ter este curso (Liberal Arts and Sciences), não existente em Portugal da mesma forma.
O custo é uma das minhas reticências, mas não é a única. Em relação ao custo, eu teria de pedir um empréstimo estudantil, porque mesmo a trabalhar part time durante o 2º e 3º ano, mais os verões inteiros, iria ganhar no máximo 18 mil euros, e praticamente não ter tempo para vida social/projetos pessoais/viagens. O estado dá um apoio de 400-500 euros mensais a quem está a estudar e trabalhar ao mesmo tempo, mas todo o montante recebido transforma-se numa dívida se o aluno não acabar o curso.

Outra hipótese, que pouco estou a considerar, seria a de ir estudar para a Dinamarca, curso de Ciência Cognitiva. Na Dinamarca o estado dá um apoio de 700 euros mensais a trabalhadores-estudantes, que pelo que sei nunca se pode transformar em dívida, e não se pagam propinas (na Holanda pagaria 4000 por ano).

Estou ainda a pôr a hipótese de não ir para o ensino superior e na vez disso focar-me em projetos pessoais, nomeadamente a associação que quero criar, e algumas ideias de negócio, e tentar sustentar-me assim. Poderia optar por viver nalguma cidade portuguesa, ou ir para fora temporariamente, talvez Holanda ou Polónia. Ou ainda de fazer um gap year, que já tantas vezes planeie e viajar por cidades da europa e sudeste asiático, e viver durante um mês ou mais em alguns sítios (na Europa, e talvez também Nova Zelândia). Poderia fazer work exchange (trabalho em troca de alojamento, normalmente em hosteis ou quintas) para poupar dinheiro em sítios caros, poderia fazê-lo nos Alpes suíços, nos EUA, no Japão ou no Canadá. Poderia também fazer programas de mobilidade para voluntariado. Poderia fazer mais intercâmbios juvenis e até escrever o meu, que é um objetivo que tenho há algum tempo. Poderia tirar tempo para ler livros e fazer cursos online. Poderia fazer voluntariado com a CISV Portugal. Isto parece ideal em termos de desenvolvimento pessoal, iria ganhar auto-confiança, disciplina, descobriria melhor o que quero, seria melhor em situações sociais, aprenderia muito, etc. O problema é de facto ir para a frente com tal, porque são tantas as opções que acabo paralisado. E não resolveria o problema da falta de círculo de amigos, porque iria estar sempre a andar de um lado para o outro.

Tenho algumas dúvidas às quais ficaria muito grato se alguém me pudesse ajudar.

Perguntas:

1. Aquilo que me desperta mais curiosidade é perceber melhor o apelo de estudar em Coimbra. Ontem passei horas a fio a ler textos sobre estudar em Coimbra no blog do Uniarea, e falam da experiência como sendo quase indescritível. Tendo estudado em Lisboa e não tido nem de perto a experiência que vejo tantas vezes relatada, será que alguém me consegue explicar?

1.2. Muito sexo? :sweatsmile: Pergunto isto porque vejo muitas referências a uma vida boémia, que tem como uma das suas características, o conceito de free love, normalmente associado à promiscuidade e sexo casual. Há ainda muitas referências viver Coimbra ao máximo e "sentir tudo de todas as formas".

1.2.2. Até que ponto é que este artigo sobre sexo na UC é verdade?
Há um artigo no SAPO, de 2015, em que se lê este excerto: "Catarina Martins, professora da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, Catarina Martins. “São cada vez mais intensas, com grande consumo de álcool, o que aumenta a agressividade das práticas e reduz a capacidade dos caloiros dizerem não”, defende. A investigadora do Centro de Estudos Sociais confirma que também em Coimbra há cada vez mais praxes de cariz sexual. “Muitos casos são de verdadeira agressão sexual”, diz a investigadora, recordando que há uma “regra de praxe não inscrita nos códigos” em que um caloiro não é verdadeiramente um estudante se não tiver relações sexuais com outro até à queima das fitas, que se celebra em maio."

1.3. Como é uma semana normal em Coimbra? O pessoal vai a casa uns dos outros? Saídas todos os dias ou ao fim de semana? Grupos de estudo?

2. O quão fácil é a integração? No ISCTE não me integrei, no entanto foi devido a várias razões, nomeadamente: na altura era mais envergonhado, não fui á praxe, entrei na segunda fase, estava infeliz com a uni então só queria era ir para casa a seguir às aulas, não me envolvi na comunidade académica ao juntar-me a qualquer tipo de associação, não ia sair à noite com a turma ou às festas porque não me agrada a ideia (que parecia ser predominante) de ir sair só para ficar bêbado(e também por ser envergonhado).

2.2. E a integração para alguém mais velho? Sendo que já tenho 22 anos este é outro dos receios que eu tenho, se seria visto como igual pelos demais colegas de 17 e 18. Sinto que estou a ficar velho.

3. Como é a praxe?
Eu tenho uma relação de amor/ódio com a ideia da praxe, porque por um lado adoro simbolismo e rituais, e por isso acho que a praxe pode ser incrível, se bem implementada, e criar momentos inesquecíveis, vínculos fortes, um sentido de pertença, etc. Mas, por exemplo, "gozar" entre amigos é feito com bom coração, na brincadeira, e é feito com base nas características únicas de cada individuo, por exemplo eu sou muito distraído e às vezes brincam com isso, ou eu gozo comigo próprio. Isto é diferente da humilhação que se passa nalgumas praxes, que reduzem cada individuo a só mais um, como se não valesse nada, e em que domina a conformidade e obediência, exatamente aquilo que o nosso sistema educativo promove, e que por isso o odeio. Já ouvi muitos relatos, inclusive durante o meu tempo no ISCTE, de atividades do género: humilhar os caloiros ao mandar-lhes cantar músicas em que insultam as suas próprias mães, atividades de cariz sexual, e atividades em que é obrigatório o consumo de álcool, por exemplo o "rally", em que em cada paragem de metro se bebe uma cerveja, até estar tudo bêbado. No caso de Coimbra, li por exemplo que uma miúda foi pedida no dia de matrícula, mal lá chegou, para gritar o nome do seu curso. Isto não é algo que me pareça muito problemático, mas não é inclusivo às diferentes personalidades dos alunos, porque metade da população é mais introvertida, e tem uma barreira maior para ganhar confiança com estranhos, para além de puderem ser envergonhados para fazerem algo assim em público, por exemplo a ansiedade social é uma condição médica, não é um capricho da pessoa.

3.2. Se não quiser fazer uma certa "atividade" da praxe, sou expulso da praxe? Eu li um pouco do código da praxe, e diz lá "Todo aquele que exerce a praxe deve sempre ter em conta que cada pessoa tem limites e conceções próprias, e que o que para um não é ofensivo, poderá ser para outro. Quando isto não é respeitado, os princípios e regras da praxe não estão a ser respeitados."

3.3. Se, por alguma razão, não quisesse participar na praxe, o quão difícil seria a integração? Visto que a praxe parece ser o pilar sobre o qual toda a vida académica de Coimbra está construída.

3.4. Para alguém que entrar na segunda fase, como é a integração? Li que na primeira semana conhece-se muita gente e há muitos jantares e saídas à noite e se começam a formar amizades. Se eu entrasse, seria por mudança par instituição/curso, e só poderia ser na segunda fase. Não me importaria de ir mais cedo para Coimbra, mas não sei se seria aceite pelos demais colegas, na praxe por exemplo, ainda não tendo a confirmação.

3.5. O consumo de álcool é obrigatório na praxe? E se não é obrigatório, é essencial? Ou seja, se não bebendo álcool, mesmo não sendo expulso da praxe, a pessoa acaba ficando excluída de grande parte das atividades? Não tenho nada contra beber álcool, desde que seja em moderação. Às vezes bebo, até mesmo sozinho, mas não acho piada nenhuma à ideia de propositadamente ficar bêbado, que acaba sempre por o ser, supondo que a pessoa tem um mínimo de bom senso e não foi enganada nas %s, mesmo que não conheça bem ainda os seus limites, pode sempre ir devagar.

4. Como é o ensino? Já ouvi dizer que o sistema de ensino é pior que o ISCTE, por isso de momento estou a assumir que não gostaria do ensino em Coimbra, mas gostaria de saber mais.
4.2. A experiência é muito diferente de escola para escola, dentro da UC?

4.3. Como é a avaliação? Por exemplo, no ISCTE podia-se faltar às aulas e fazer todas as cadeiras por exame, podia-se ir sempre à segunda fase também.

5. Como é a noite de Coimbra? Quais os tipos de estabelecimentos onde os grupos de estudantes normalmente vão. Se alguém conseguir comparar a Lisboa melhor ainda.

6. Disseram-me que Coimbra, a universidade, e os estudantes, são predominantemente de esquerda em termos políticos/filosóficos. É verdade?
6.2. E o quão varia entre departamentos?
Por exemplo entre a Faculdade de Letras e de Economia, ou Psicologia e Direito.


Para finalizar, tenho um receio que é o de não ser capaz de me entregar "de corpo e alma", inteiramente, por completo, se fosse para Coimbra, e assim não me conseguir integrar.
A entrega emocional é algo muito difícil para mim. Ainda para mais se não estivesse a fazer conta de acabar o curso (porque não gosto do sistema de ensino), mas sim como uma forma de desenvolvimento pessoal/social durante o próximo ano, comparado a tar fechado em casa. Não estando a fazer conta de acabar o curso tudo se complica ainda mais, porque quando estiverem por exemplo a falar de "quando fores tu doutor", eu vou tar a imaginar, mas eu não vou continuar cá... e o mesmo em relação a fazer amigos, até certa medida. O que quero aqui explicar é um pouco o "nihilism", o "mas para quê?"/"what's the point?...", e é um sentimento que eu já tinha antes, mesmo quando estava apenas a considerar a Holanda, porque pensava: vou para lá e vou (espero eu) fazer amizades incríveis e até algum relacionamento amoroso, mas, e depois? Depois nunca mais vejo a grande maioria daquelas pessoas (mesmo que ficasse lá a viver, muitos são alunos internacionais), e mesmo os que voltar a ver, será raramente.



Peço desculpa pela extensão deste post, de facto estou completamente perdido, para além de já ter uma grande dificuldade de síntese, visto tudo me parecer importante.
De qualquer modo fico muito grato a quem tenha tirado o seu tempo para o ler e me puder ajudar, porque eu preciso mesmo! :smile:
 

BeatrizMendes

Membro
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16 Julho 2017
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51
Boas! Podem chamar-me Ricardo!:smile:

Antes de mais, para aqueles que estudem em Coimbra, eu vou estar em aí no Sábado e adorava, se possível, encontrar-me com alguém, por exemplo para assistir o jogo às 7 (ou outro plano), e antes/depois fazer algumas perguntas sobre como é estudar em Coimbra. Se alguém quiser deixem um comentário ou adicionem no WhatsApp (911042201), ficaria muito agradecido. :blush:

Bio:
Acho que é importante falar um pouco sobre mim antes das perguntas. Ora bem, tenho 22 anos e desde o 7º ano que odeio o sistema educativo, e é na área de inovação educacional que quero mais trabalhar (quero começar a minha própria associação). Entrei na uni a teste, Gestão de Marketing no ISCTE, e foi o que estava à espera, não gostei do ensino. Desisti no segundo ano. O último ano andei a fazer intercâmbios juvenis pela europa, e nada mais. Não cheguei a fazer amigos no ISCTE e já não me dou com nenhum dos meus amigos de Ourém (de onde sou). Agora sinto-me extremamente perdido, sem saber o que fazer.
Para quem conhece, no teste de personalidade NERIS sou INTP-T (89%, 80%, 69%, 59%, 56%). Sou introvertido e também um pouco envergonhado (dantes era mais, os intercâmbios ajudaram). Tenho dificuldade em conectar com os outros. Vivo muito na minha cabeça, a fazer debates de ideais lá dentro, ás vezes chega a ser exaustivo. Tenho imensos planos mas depois não concretizo nada. E muitos planos nem consigo fazer porque são tantas as opções que não consigo escolher, tomar decisões é muito difícil para mim, fico paralizado. Estou sempre a questionar tudo, adoro perguntar porquê, e sou também extremamente curioso, quase tudo me fascina e não consigo escolher só uma coisa porque na minha mente tudo é importante e está interligado. Embora às vezes fique obcecado com um tema, até durante semanas, eventualmente outro me distraí e facilmente perco o foco. Preciso de desenvolver motivação e disciplina.
Interesso-me muito por ideias, a área que mais me interessa é a das ciências sociais. Gosto de psicologia, filosofia e ética, sociologia, ciência política e direito, linguística, inteligência artificial, semiotics, arquitetura, cinema, estudos religiosos (e mitologia, simbolismo....), economia e história. Sou fascinado por sistemas e pela interconectividade de tudo, sejam estes sistemas psicológicos, sociológicos, económicos, políticos, linguísticos...
Uma das hipóteses que estou a considerar seria ir estudar para Coimbra, como solução temporária, não necessariamente a pensar em acabar o curso. Isto porque o meu foco agora é mesmo a vida social, porque se não resolver isso, o meu futuro será infeliz e pouco produtivo. A ideia ao ir estudar para Coimbra é que, mesmo à partida não fazendo conta de acabar o curso, melhoraria a minha vida social, terias oportunidades de networking para início de projetos em colaboração, e maior acesso a pessoas com interesses similares, para explorar as variadas matérias que me interessam, com a hipótese de puder assistir a aulas e falar com os professores.
Outra hipótese, na qual já comecei o processo de candidaturas, é de ir estudar para a Holanda, para Groningen ou Maastricht, o curso de Liberal Arts and Sciences. No entanto a Holanda teria um custo de 40 a 45 mil euros pelos 3 anos. Coimbra teria um custo de cerca de 20 mil euros se por acaso quisesse fazer os 3 anos, só para comparação. Estes valores incluem todas as despesas, não só alojamento/comida/transportes/saídas, mas também seguro de saúde, telecomunicações, roupa, ginásio, compras de tecnologia, etc. A ideia de ir estudar para a Holanda deve-se sobretudo ao diferente sistema de ensino lá presente, sobretudo em Maastricht onde usam o Problem-Based Learning. Mas também outros fatores como a grande percentagem de alunos internacionais, a qualidade de vida no país, no caso de Groningen ser uma cidade pequena com grande % de estudantes, e onde dá para andar de bicicleta para todo lado, e o facto de ter este curso (Liberal Arts and Sciences), não existente em Portugal da mesma forma.
O custo é uma das minhas reticências, mas não é a única. Em relação ao custo, eu teria de pedir um empréstimo estudantil, porque mesmo a trabalhar part time durante o 2º e 3º ano, mais os verões inteiros, iria ganhar no máximo 18 mil euros, e praticamente não ter tempo para vida social/projetos pessoais/viagens. O estado dá um apoio de 400-500 euros mensais a quem está a estudar e trabalhar ao mesmo tempo, mas todo o montante recebido transforma-se numa dívida se o aluno não acabar o curso.

Outra hipótese, que pouco estou a considerar, seria a de ir estudar para a Dinamarca, curso de Ciência Cognitiva. Na Dinamarca o estado dá um apoio de 700 euros mensais a trabalhadores-estudantes, que pelo que sei nunca se pode transformar em dívida, e não se pagam propinas (na Holanda pagaria 4000 por ano).

Estou ainda a pôr a hipótese de não ir para o ensino superior e na vez disso focar-me em projetos pessoais, nomeadamente a associação que quero criar, e algumas ideias de negócio, e tentar sustentar-me assim. Poderia optar por viver nalguma cidade portuguesa, ou ir para fora temporariamente, talvez Holanda ou Polónia. Ou ainda de fazer um gap year, que já tantas vezes planeie e viajar por cidades da europa e sudeste asiático, e viver durante um mês ou mais em alguns sítios (na Europa, e talvez também Nova Zelândia). Poderia fazer work exchange (trabalho em troca de alojamento, normalmente em hosteis ou quintas) para poupar dinheiro em sítios caros, poderia fazê-lo nos Alpes suíços, nos EUA, no Japão ou no Canadá. Poderia também fazer programas de mobilidade para voluntariado. Poderia fazer mais intercâmbios juvenis e até escrever o meu, que é um objetivo que tenho há algum tempo. Poderia tirar tempo para ler livros e fazer cursos online. Poderia fazer voluntariado com a CISV Portugal. Isto parece ideal em termos de desenvolvimento pessoal, iria ganhar auto-confiança, disciplina, descobriria melhor o que quero, seria melhor em situações sociais, aprenderia muito, etc. O problema é de facto ir para a frente com tal, porque são tantas as opções que acabo paralisado. E não resolveria o problema da falta de círculo de amigos, porque iria estar sempre a andar de um lado para o outro.

Tenho algumas dúvidas às quais ficaria muito grato se alguém me pudesse ajudar.

Perguntas:

1. Aquilo que me desperta mais curiosidade é perceber melhor o apelo de estudar em Coimbra. Ontem passei horas a fio a ler textos sobre estudar em Coimbra no blog do Uniarea, e falam da experiência como sendo quase indescritível. Tendo estudado em Lisboa e não tido nem de perto a experiência que vejo tantas vezes relatada, será que alguém me consegue explicar?

1.2. Muito sexo?:sweatsmile: Pergunto isto porque vejo muitas referências a uma vida boémia, que tem como uma das suas características, o conceito de free love, normalmente associado à promiscuidade e sexo casual. Há ainda muitas referências viver Coimbra ao máximo e "sentir tudo de todas as formas".

1.2.2. Até que ponto é que este artigo sobre sexo na UC é verdade?
Há um artigo no SAPO, de 2015, em que se lê este excerto: "Catarina Martins, professora da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, Catarina Martins. “São cada vez mais intensas, com grande consumo de álcool, o que aumenta a agressividade das práticas e reduz a capacidade dos caloiros dizerem não”, defende. A investigadora do Centro de Estudos Sociais confirma que também em Coimbra há cada vez mais praxes de cariz sexual. “Muitos casos são de verdadeira agressão sexual”, diz a investigadora, recordando que há uma “regra de praxe não inscrita nos códigos” em que um caloiro não é verdadeiramente um estudante se não tiver relações sexuais com outro até à queima das fitas, que se celebra em maio."

1.3. Como é uma semana normal em Coimbra? O pessoal vai a casa uns dos outros? Saídas todos os dias ou ao fim de semana? Grupos de estudo?

2. O quão fácil é a integração? No ISCTE não me integrei, no entanto foi devido a várias razões, nomeadamente: na altura era mais envergonhado, não fui á praxe, entrei na segunda fase, estava infeliz com a uni então só queria era ir para casa a seguir às aulas, não me envolvi na comunidade académica ao juntar-me a qualquer tipo de associação, não ia sair à noite com a turma ou às festas porque não me agrada a ideia (que parecia ser predominante) de ir sair só para ficar bêbado(e também por ser envergonhado).

2.2. E a integração para alguém mais velho? Sendo que já tenho 22 anos este é outro dos receios que eu tenho, se seria visto como igual pelos demais colegas de 17 e 18. Sinto que estou a ficar velho.

3. Como é a praxe?
Eu tenho uma relação de amor/ódio com a ideia da praxe, porque por um lado adoro simbolismo e rituais, e por isso acho que a praxe pode ser incrível, se bem implementada, e criar momentos inesquecíveis, vínculos fortes, um sentido de pertença, etc. Mas, por exemplo, "gozar" entre amigos é feito com bom coração, na brincadeira, e é feito com base nas características únicas de cada individuo, por exemplo eu sou muito distraído e às vezes brincam com isso, ou eu gozo comigo próprio. Isto é diferente da humilhação que se passa nalgumas praxes, que reduzem cada individuo a só mais um, como se não valesse nada, e em que domina a conformidade e obediência, exatamente aquilo que o nosso sistema educativo promove, e que por isso o odeio. Já ouvi muitos relatos, inclusive durante o meu tempo no ISCTE, de atividades do género: humilhar os caloiros ao mandar-lhes cantar músicas em que insultam as suas próprias mães, atividades de cariz sexual, e atividades em que é obrigatório o consumo de álcool, por exemplo o "rally", em que em cada paragem de metro se bebe uma cerveja, até estar tudo bêbado. No caso de Coimbra, li por exemplo que uma miúda foi pedida no dia de matrícula, mal lá chegou, para gritar o nome do seu curso. Isto não é algo que me pareça muito problemático, mas não é inclusivo às diferentes personalidades dos alunos, porque metade da população é mais introvertida, e tem uma barreira maior para ganhar confiança com estranhos, para além de puderem ser envergonhados para fazerem algo assim em público, por exemplo a ansiedade social é uma condição médica, não é um capricho da pessoa.

3.2. Se não quiser fazer uma certa "atividade" da praxe, sou expulso da praxe? Eu li um pouco do código da praxe, e diz lá "Todo aquele que exerce a praxe deve sempre ter em conta que cada pessoa tem limites e conceções próprias, e que o que para um não é ofensivo, poderá ser para outro. Quando isto não é respeitado, os princípios e regras da praxe não estão a ser respeitados."

3.3. Se, por alguma razão, não quisesse participar na praxe, o quão difícil seria a integração? Visto que a praxe parece ser o pilar sobre o qual toda a vida académica de Coimbra está construída.

3.4. Para alguém que entrar na segunda fase, como é a integração? Li que na primeira semana conhece-se muita gente e há muitos jantares e saídas à noite e se começam a formar amizades. Se eu entrasse, seria por mudança par instituição/curso, e só poderia ser na segunda fase. Não me importaria de ir mais cedo para Coimbra, mas não sei se seria aceite pelos demais colegas, na praxe por exemplo, ainda não tendo a confirmação.

3.5. O consumo de álcool é obrigatório na praxe? E se não é obrigatório, é essencial? Ou seja, se não bebendo álcool, mesmo não sendo expulso da praxe, a pessoa acaba ficando excluída de grande parte das atividades? Não tenho nada contra beber álcool, desde que seja em moderação. Às vezes bebo, até mesmo sozinho, mas não acho piada nenhuma à ideia de propositadamente ficar bêbado, que acaba sempre por o ser, supondo que a pessoa tem um mínimo de bom senso e não foi enganada nas %s, mesmo que não conheça bem ainda os seus limites, pode sempre ir devagar.

4. Como é o ensino? Já ouvi dizer que o sistema de ensino é pior que o ISCTE, por isso de momento estou a assumir que não gostaria do ensino em Coimbra, mas gostaria de saber mais.
4.2. A experiência é muito diferente de escola para escola, dentro da UC?

4.3. Como é a avaliação? Por exemplo, no ISCTE podia-se faltar às aulas e fazer todas as cadeiras por exame, podia-se ir sempre à segunda fase também.

5. Como é a noite de Coimbra? Quais os tipos de estabelecimentos onde os grupos de estudantes normalmente vão. Se alguém conseguir comparar a Lisboa melhor ainda.

6. Disseram-me que Coimbra, a universidade, e os estudantes, são predominantemente de esquerda em termos políticos/filosóficos. É verdade?
6.2. E o quão varia entre departamentos?
Por exemplo entre a Faculdade de Letras e de Economia, ou Psicologia e Direito.


Para finalizar, tenho um receio que é o de não ser capaz de me entregar "de corpo e alma", inteiramente, por completo, se fosse para Coimbra, e assim não me conseguir integrar.
A entrega emocional é algo muito difícil para mim. Ainda para mais se não estivesse a fazer conta de acabar o curso (porque não gosto do sistema de ensino), mas sim como uma forma de desenvolvimento pessoal/social durante o próximo ano, comparado a tar fechado em casa. Não estando a fazer conta de acabar o curso tudo se complica ainda mais, porque quando estiverem por exemplo a falar de "quando fores tu doutor", eu vou tar a imaginar, mas eu não vou continuar cá... e o mesmo em relação a fazer amigos, até certa medida. O que quero aqui explicar é um pouco o "nihilism", o "mas para quê?"/"what's the point?...", e é um sentimento que eu já tinha antes, mesmo quando estava apenas a considerar a Holanda, porque pensava: vou para lá e vou (espero eu) fazer amizades incríveis e até algum relacionamento amoroso, mas, e depois? Depois nunca mais vejo a grande maioria daquelas pessoas (mesmo que ficasse lá a viver, muitos são alunos internacionais), e mesmo os que voltar a ver, será raramente.



Peço desculpa pela extensão deste post, de facto estou completamente perdido, para além de já ter uma grande dificuldade de síntese, visto tudo me parecer importante.
De qualquer modo fico muito grato a quem tenha tirado o seu tempo para o ler e me puder ajudar, porque eu preciso mesmo! :smile:

Olá ricardo!!
Sou de coimbra e estudo em coimbra, portanto vou te tentar responder a algumas perguntas que fizeste (sendo que algumas são de facto estranhas)

1. Coimbra não só tem prestígio em algumas áreas de ensino (algo que não te interessa muito) como é uma das melhores cidades para sair à noite (ou até para tomar um cafezinho durante o dia) em tempo de aulas. Sexo? Acho que há em qualquer lado desde que duas pessoas estejam dispostas a isso. E infelizmente cada vez mais se ouve falar desse sexo ocasional. Quanto aomais artigo, as praxes são encaradas de diversas formas. Mas minhas e nas que ouço falar não há nada disso do "cariz sexual".

2. A integração é mesmo bastante facil, tenhas a idade que tiveres. Vais encontrar pessoas de várias cidades, com várias personalidades e todas prontas a arranjar novos amigos. Acho mesmo que vais gostar.

3. Falando mais ao pormenor sobre a praxe. Ela difere de curso para curso, tal como difere consoante as pessoas que apanhas a praxar. Mas há regras a seguir, não serás obrigado a beber, podem insistir contigo mas não te obrigam nem te excluem. Caso Nao queiras participar em alguma atividade (desde que des motivos obvios) simplesmente não fazes essa mas podes ir a futuras praxes (só fui a meia dúzia delas). Quanto à integração, quer seja por entrares na segunda fase ou por não participares na praxe, vais encontrar sempre pessoas que te irao integrar (os meu amigos da faculdade não foram feitos na praxe).

4. O ensino está um bocado "velho". Mas quanto as avaliaçoes tens cadeiras por frequências e tens outras por exame. Tens sempre recursos. As aulas teóricas quase nunca são obrigatorias e as práticas normalmente têm no máximo 50 ou 75% presenças obrigatórias.

5. A noite em coimbra? Ahaha aconselho te a descobrir sozinho. Tens imensos bares/cafes/discotecas para explorar.

Termino por aqui. Espero ter ajudado em alguma coisa.
E espero que gostes muito desta cidade!!
 
M

Membro eliminado 38325

Guest
Olá. Alguém aqui sabe dizer qual a percentagem que a UC atribui aos exames e qual atribui à média do aluno no curso de Relações Internacionais? Obrigado.
 

The Other Side

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Antes de mais, para aqueles que estudem em Coimbra, eu vou estar em aí no Sábado e adorava, se possível, encontrar-me com alguém, por exemplo para assistir o jogo às 7 (ou outro plano), e antes/depois fazer algumas perguntas sobre como é estudar em Coimbra. Se alguém quiser deixem um comentário ou adicionem no WhatsApp (911042201), ficaria muito agradecido. :blush:

Bio:
Acho que é importante falar um pouco sobre mim antes das perguntas. Ora bem, tenho 22 anos e desde o 7º ano que odeio o sistema educativo, e é na área de inovação educacional que quero mais trabalhar (quero começar a minha própria associação). Entrei na uni a teste, Gestão de Marketing no ISCTE, e foi o que estava à espera, não gostei do ensino. Desisti no segundo ano. O último ano andei a fazer intercâmbios juvenis pela europa, e nada mais. Não cheguei a fazer amigos no ISCTE e já não me dou com nenhum dos meus amigos de Ourém (de onde sou). Agora sinto-me extremamente perdido, sem saber o que fazer.
Para quem conhece, no teste de personalidade NERIS sou INTP-T (89%, 80%, 69%, 59%, 56%). Sou introvertido e também um pouco envergonhado (dantes era mais, os intercâmbios ajudaram). Tenho dificuldade em conectar com os outros. Vivo muito na minha cabeça, a fazer debates de ideais lá dentro, ás vezes chega a ser exaustivo. Tenho imensos planos mas depois não concretizo nada. E muitos planos nem consigo fazer porque são tantas as opções que não consigo escolher, tomar decisões é muito difícil para mim, fico paralizado. Estou sempre a questionar tudo, adoro perguntar porquê, e sou também extremamente curioso, quase tudo me fascina e não consigo escolher só uma coisa porque na minha mente tudo é importante e está interligado. Embora às vezes fique obcecado com um tema, até durante semanas, eventualmente outro me distraí e facilmente perco o foco. Preciso de desenvolver motivação e disciplina.
Interesso-me muito por ideias, a área que mais me interessa é a das ciências sociais. Gosto de psicologia, filosofia e ética, sociologia, ciência política e direito, linguística, inteligência artificial, semiotics, arquitetura, cinema, estudos religiosos (e mitologia, simbolismo....), economia e história. Sou fascinado por sistemas e pela interconectividade de tudo, sejam estes sistemas psicológicos, sociológicos, económicos, políticos, linguísticos...
Uma das hipóteses que estou a considerar seria ir estudar para Coimbra, como solução temporária, não necessariamente a pensar em acabar o curso. Isto porque o meu foco agora é mesmo a vida social, porque se não resolver isso, o meu futuro será infeliz e pouco produtivo. A ideia ao ir estudar para Coimbra é que, mesmo à partida não fazendo conta de acabar o curso, melhoraria a minha vida social, terias oportunidades de networking para início de projetos em colaboração, e maior acesso a pessoas com interesses similares, para explorar as variadas matérias que me interessam, com a hipótese de puder assistir a aulas e falar com os professores.
Outra hipótese, na qual já comecei o processo de candidaturas, é de ir estudar para a Holanda, para Groningen ou Maastricht, o curso de Liberal Arts and Sciences. No entanto a Holanda teria um custo de 40 a 45 mil euros pelos 3 anos. Coimbra teria um custo de cerca de 20 mil euros se por acaso quisesse fazer os 3 anos, só para comparação. Estes valores incluem todas as despesas, não só alojamento/comida/transportes/saídas, mas também seguro de saúde, telecomunicações, roupa, ginásio, compras de tecnologia, etc. A ideia de ir estudar para a Holanda deve-se sobretudo ao diferente sistema de ensino lá presente, sobretudo em Maastricht onde usam o Problem-Based Learning. Mas também outros fatores como a grande percentagem de alunos internacionais, a qualidade de vida no país, no caso de Groningen ser uma cidade pequena com grande % de estudantes, e onde dá para andar de bicicleta para todo lado, e o facto de ter este curso (Liberal Arts and Sciences), não existente em Portugal da mesma forma.
O custo é uma das minhas reticências, mas não é a única. Em relação ao custo, eu teria de pedir um empréstimo estudantil, porque mesmo a trabalhar part time durante o 2º e 3º ano, mais os verões inteiros, iria ganhar no máximo 18 mil euros, e praticamente não ter tempo para vida social/projetos pessoais/viagens. O estado dá um apoio de 400-500 euros mensais a quem está a estudar e trabalhar ao mesmo tempo, mas todo o montante recebido transforma-se numa dívida se o aluno não acabar o curso.

Outra hipótese, que pouco estou a considerar, seria a de ir estudar para a Dinamarca, curso de Ciência Cognitiva. Na Dinamarca o estado dá um apoio de 700 euros mensais a trabalhadores-estudantes, que pelo que sei nunca se pode transformar em dívida, e não se pagam propinas (na Holanda pagaria 4000 por ano).

Estou ainda a pôr a hipótese de não ir para o ensino superior e na vez disso focar-me em projetos pessoais, nomeadamente a associação que quero criar, e algumas ideias de negócio, e tentar sustentar-me assim. Poderia optar por viver nalguma cidade portuguesa, ou ir para fora temporariamente, talvez Holanda ou Polónia. Ou ainda de fazer um gap year, que já tantas vezes planeie e viajar por cidades da europa e sudeste asiático, e viver durante um mês ou mais em alguns sítios (na Europa, e talvez também Nova Zelândia). Poderia fazer work exchange (trabalho em troca de alojamento, normalmente em hosteis ou quintas) para poupar dinheiro em sítios caros, poderia fazê-lo nos Alpes suíços, nos EUA, no Japão ou no Canadá. Poderia também fazer programas de mobilidade para voluntariado. Poderia fazer mais intercâmbios juvenis e até escrever o meu, que é um objetivo que tenho há algum tempo. Poderia tirar tempo para ler livros e fazer cursos online. Poderia fazer voluntariado com a CISV Portugal. Isto parece ideal em termos de desenvolvimento pessoal, iria ganhar auto-confiança, disciplina, descobriria melhor o que quero, seria melhor em situações sociais, aprenderia muito, etc. O problema é de facto ir para a frente com tal, porque são tantas as opções que acabo paralisado. E não resolveria o problema da falta de círculo de amigos, porque iria estar sempre a andar de um lado para o outro.

Tenho algumas dúvidas às quais ficaria muito grato se alguém me pudesse ajudar.

Perguntas:

1. Aquilo que me desperta mais curiosidade é perceber melhor o apelo de estudar em Coimbra. Ontem passei horas a fio a ler textos sobre estudar em Coimbra no blog do Uniarea, e falam da experiência como sendo quase indescritível. Tendo estudado em Lisboa e não tido nem de perto a experiência que vejo tantas vezes relatada, será que alguém me consegue explicar?

1.2. Muito sexo?:sweatsmile: Pergunto isto porque vejo muitas referências a uma vida boémia, que tem como uma das suas características, o conceito de free love, normalmente associado à promiscuidade e sexo casual. Há ainda muitas referências viver Coimbra ao máximo e "sentir tudo de todas as formas".

1.2.2. Até que ponto é que este artigo sobre sexo na UC é verdade?
Há um artigo no SAPO, de 2015, em que se lê este excerto: "Catarina Martins, professora da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, Catarina Martins. “São cada vez mais intensas, com grande consumo de álcool, o que aumenta a agressividade das práticas e reduz a capacidade dos caloiros dizerem não”, defende. A investigadora do Centro de Estudos Sociais confirma que também em Coimbra há cada vez mais praxes de cariz sexual. “Muitos casos são de verdadeira agressão sexual”, diz a investigadora, recordando que há uma “regra de praxe não inscrita nos códigos” em que um caloiro não é verdadeiramente um estudante se não tiver relações sexuais com outro até à queima das fitas, que se celebra em maio."

1.3. Como é uma semana normal em Coimbra? O pessoal vai a casa uns dos outros? Saídas todos os dias ou ao fim de semana? Grupos de estudo?

2. O quão fácil é a integração? No ISCTE não me integrei, no entanto foi devido a várias razões, nomeadamente: na altura era mais envergonhado, não fui á praxe, entrei na segunda fase, estava infeliz com a uni então só queria era ir para casa a seguir às aulas, não me envolvi na comunidade académica ao juntar-me a qualquer tipo de associação, não ia sair à noite com a turma ou às festas porque não me agrada a ideia (que parecia ser predominante) de ir sair só para ficar bêbado(e também por ser envergonhado).

2.2. E a integração para alguém mais velho? Sendo que já tenho 22 anos este é outro dos receios que eu tenho, se seria visto como igual pelos demais colegas de 17 e 18. Sinto que estou a ficar velho.

3. Como é a praxe?
Eu tenho uma relação de amor/ódio com a ideia da praxe, porque por um lado adoro simbolismo e rituais, e por isso acho que a praxe pode ser incrível, se bem implementada, e criar momentos inesquecíveis, vínculos fortes, um sentido de pertença, etc. Mas, por exemplo, "gozar" entre amigos é feito com bom coração, na brincadeira, e é feito com base nas características únicas de cada individuo, por exemplo eu sou muito distraído e às vezes brincam com isso, ou eu gozo comigo próprio. Isto é diferente da humilhação que se passa nalgumas praxes, que reduzem cada individuo a só mais um, como se não valesse nada, e em que domina a conformidade e obediência, exatamente aquilo que o nosso sistema educativo promove, e que por isso o odeio. Já ouvi muitos relatos, inclusive durante o meu tempo no ISCTE, de atividades do género: humilhar os caloiros ao mandar-lhes cantar músicas em que insultam as suas próprias mães, atividades de cariz sexual, e atividades em que é obrigatório o consumo de álcool, por exemplo o "rally", em que em cada paragem de metro se bebe uma cerveja, até estar tudo bêbado. No caso de Coimbra, li por exemplo que uma miúda foi pedida no dia de matrícula, mal lá chegou, para gritar o nome do seu curso. Isto não é algo que me pareça muito problemático, mas não é inclusivo às diferentes personalidades dos alunos, porque metade da população é mais introvertida, e tem uma barreira maior para ganhar confiança com estranhos, para além de puderem ser envergonhados para fazerem algo assim em público, por exemplo a ansiedade social é uma condição médica, não é um capricho da pessoa.

3.2. Se não quiser fazer uma certa "atividade" da praxe, sou expulso da praxe? Eu li um pouco do código da praxe, e diz lá "Todo aquele que exerce a praxe deve sempre ter em conta que cada pessoa tem limites e conceções próprias, e que o que para um não é ofensivo, poderá ser para outro. Quando isto não é respeitado, os princípios e regras da praxe não estão a ser respeitados."

3.3. Se, por alguma razão, não quisesse participar na praxe, o quão difícil seria a integração? Visto que a praxe parece ser o pilar sobre o qual toda a vida académica de Coimbra está construída.

3.4. Para alguém que entrar na segunda fase, como é a integração? Li que na primeira semana conhece-se muita gente e há muitos jantares e saídas à noite e se começam a formar amizades. Se eu entrasse, seria por mudança par instituição/curso, e só poderia ser na segunda fase. Não me importaria de ir mais cedo para Coimbra, mas não sei se seria aceite pelos demais colegas, na praxe por exemplo, ainda não tendo a confirmação.

3.5. O consumo de álcool é obrigatório na praxe? E se não é obrigatório, é essencial? Ou seja, se não bebendo álcool, mesmo não sendo expulso da praxe, a pessoa acaba ficando excluída de grande parte das atividades? Não tenho nada contra beber álcool, desde que seja em moderação. Às vezes bebo, até mesmo sozinho, mas não acho piada nenhuma à ideia de propositadamente ficar bêbado, que acaba sempre por o ser, supondo que a pessoa tem um mínimo de bom senso e não foi enganada nas %s, mesmo que não conheça bem ainda os seus limites, pode sempre ir devagar.

4. Como é o ensino? Já ouvi dizer que o sistema de ensino é pior que o ISCTE, por isso de momento estou a assumir que não gostaria do ensino em Coimbra, mas gostaria de saber mais.
4.2. A experiência é muito diferente de escola para escola, dentro da UC?

4.3. Como é a avaliação? Por exemplo, no ISCTE podia-se faltar às aulas e fazer todas as cadeiras por exame, podia-se ir sempre à segunda fase também.

5. Como é a noite de Coimbra? Quais os tipos de estabelecimentos onde os grupos de estudantes normalmente vão. Se alguém conseguir comparar a Lisboa melhor ainda.

6. Disseram-me que Coimbra, a universidade, e os estudantes, são predominantemente de esquerda em termos políticos/filosóficos. É verdade?
6.2. E o quão varia entre departamentos?
Por exemplo entre a Faculdade de Letras e de Economia, ou Psicologia e Direito.


Para finalizar, tenho um receio que é o de não ser capaz de me entregar "de corpo e alma", inteiramente, por completo, se fosse para Coimbra, e assim não me conseguir integrar.
A entrega emocional é algo muito difícil para mim. Ainda para mais se não estivesse a fazer conta de acabar o curso (porque não gosto do sistema de ensino), mas sim como uma forma de desenvolvimento pessoal/social durante o próximo ano, comparado a tar fechado em casa. Não estando a fazer conta de acabar o curso tudo se complica ainda mais, porque quando estiverem por exemplo a falar de "quando fores tu doutor", eu vou tar a imaginar, mas eu não vou continuar cá... e o mesmo em relação a fazer amigos, até certa medida. O que quero aqui explicar é um pouco o "nihilism", o "mas para quê?"/"what's the point?...", e é um sentimento que eu já tinha antes, mesmo quando estava apenas a considerar a Holanda, porque pensava: vou para lá e vou (espero eu) fazer amizades incríveis e até algum relacionamento amoroso, mas, e depois? Depois nunca mais vejo a grande maioria daquelas pessoas (mesmo que ficasse lá a viver, muitos são alunos internacionais), e mesmo os que voltar a ver, será raramente.



Peço desculpa pela extensão deste post, de facto estou completamente perdido, para além de já ter uma grande dificuldade de síntese, visto tudo me parecer importante.
De qualquer modo fico muito grato a quem tenha tirado o seu tempo para o ler e me puder ajudar, porque eu preciso mesmo! :smile:
Olá ricardo! Se queres trabalhar em inovação educacional, acho q a licenciatura em ciências da educação na fpceuc seria uma opção.
 
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Olá a todos!

Ricardo, depois de ler o teu post (que achei realmente interessante e invulgar 😂), fiquei realmente curiosa em relação ao que decidiste fazer.

Mudaste-te para Coimbra? Passado um ano, qual é a tua opinião relativamente à cidade?

PS: Concordo plenamente com o facto de que o sistema de ensino deve ser remodelado com urgência… Junto-me a esta causa!