Música Erudita

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Olá, eu sinceramente não gosto nada que tenhas chamado Música Erudita a este tópico. Com esse nome, parece que esta música é só para um tipo de pessoas e a música é para todos. Porque é que pessoas não "eruditas" não podem ouvir Mozart também por exemplo? É só a minha opinião, mas acho que não podemos dividir a música por classes. Música é música.
Certo. Eu pensei nisso e já me arrependi de ter dado este título ao tópico, mas não vejo nenhuma boa alternativa. O termo "erudito" tem essa conotação elitista, definitivamente, mas é aquele que melhor designa a tradição musical artística europeia. Acho que tens toda a razão quando dizes que "música é música" - só por passar na rádio (não na Antena 2), uma canção não é menos arte que uma sinfonia de Mahler. Toda a gente tem o direito (ou privilégio) de ouvir Mozart. Aliás, Mozart definitivamente não escreveu só para "eruditos" - uma das suas obras mais importantes (e repleta de simbolismos), a ópera "A Flauta Mágica" estreou num teatro cujo público era muito distante disso.

Agora, não me parece descabido "dividir a música por classes". (Qualquer classificação será arbitrária, se entrarmos por caminhos muito filosóficos, parafraseando Borges, pela razão muito simples de não compreendermos o Universo, mas isto não vem a propósito). Há várias características da "música erudita" que a distinguem: a notação e a sofisticação estilística, por exemplo - uma fuga, um concerto, uma sonata ou uma ópera têm uma estrutura mais complexa do que a estrófica de uma música pop ou rock. Isto não significa que seja melhor - de todo! - mas certamente não terás dificuldade em distinguir uma área de ópera de Verdi de uma música dos AC/DC; isto é, podemos "dividir a música por classes", mas não de forma hierárquica, ou afirmar que umas são superiores a outras.

O @Alterado vai dar-te de certeza uma resposta melhor e mais fundamentada que a minha, mas parece-me que a expressão "música erudita" é mais correcta que a versão popular "música clássica", uma vez que música clássica, estritamente falando, é apenas a que corresponde ao período clássico.

Concordo que o termo "erudita" pode parecer um pouco elitista, mas o título do tópico não tem intenção de ter qualquer carga subjectiva desse género.
Exato, acho que há pouco que eu possa acrescentar.O período clássico na música é compreendido entre ~1730 e 1820, entre os períodos Barroco e Romântico, principalmente em Viena, cujas figuras maiores são Mozart, Haydn, Clementi... e tem Beethoven e Schubert como figuras de transição (para o Romantismo). É talvez um bocado preciosista insistir que o termo música clássica só se pode referir a este período, mas não é completamente parvo reservar o termo para este período (podemos falar de um período clássico na literatura, por exemplo, e ninguém ou pouca gente usa o termo "literatura clássica" para se referir àquilo que também não tem propriamente um nome ou uma definição mas a que vou chamar cânone literário ocidental).

Eu até gosto do termo "música clássica" visto que o período clássico foi o auge deste tipo de música e até faz algum sentido ter este ano. Também é só um nome, o que importa mesmo é a música.
O termo "música clássica" apareceu somente no século XIX, para designar e numa tentativa de "canonizar" o período compreendido entre Bach e Beethoven como uma idade de ouro da música ocidental. Há muita música interessante antes de Bach (Monteverdi, Purcell, Lully, Telleman, Corelli, Pachelbel, Charpentier) e depois de Beethoven (Mussorgsky, Tchaikovsky, Grieg, Rimsky-Korsakov, Puccini, Fauré, Mahler, Rachmaninov, Schoenberg, Ravel, Bartók, Stravinsky, Prokofiev, Schostakovic, Messiaen, Britten...) que faz parte do cânone da música erudita.

E, desde Bach a Mahler, estamos a falar essencialmente de música tonal, que explora apenas uma parte do que o sistema musical teórico prevê; aliás, na na minha escola de música, Análise e Técnicas de Composição é uma disciplina de três anos (que, infelizmente, ainda nunca tive): o primeiro é dedicado ao estudo do tonalismo (até ao século ~XIX), e os dois seguintes para tudo o que aconteceu na música "erudita" desde o século XX (a música "horrível" de quem ninguém gosta :P )

Além disso, o adjetivo "clássica" dá uma ideia de estagnação, de que é algo que pertence ao passado, e não penso que seja esse, de alguma forma, o caso. Usar expressões como "música artística de tradição ocidental" é ainda mais pretensioso, excessivamente longo e tem ainda outros problemas; escrever sempre música "clássica" (com as aspas) é cansativo e parvo. Portanto, à falta de melhor palavra, e imaginando o olhar desapontado de alguns professores de Formação Musical que tive se tomasse outra decisão, optei por "erudita".

O nome, como dizes, importa pouco. Já agora, vou deixar uma peça que, me parece, cumpre todos os requisitos para ser considerada música erudita (usa um coro e orquestra de câmara, partituras, cita um concerto para piano e orquestra de Tchaikovsky), apesar de ter influências de outros géneros musicais (mas Gerswhin e Prokofiev também foram influenciados pelo jazz) e que: foi composta no século XXI, é tocada hoje em dia em performances que usam lasers coloridos e incorporam atuação e chama-se Godzilla Eats Las Vegas - dificilmente acho que lhe poderia chamar uma peça "música clássica", por outro lado. Até podes discordar da minha classificação, o que só mostra que nenhum dos termos é demasiado claramente definido.

 

tiagopaiva

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Certo. Eu pensei nisso e já me arrependi de ter dado este título ao tópico, mas não vejo nenhuma boa alternativa. O termo "erudito" tem essa conotação elitista, definitivamente, mas é aquele que melhor designa a tradição musical artística europeia. Acho que tens toda a razão quando dizes que "música é música" - só por passar na rádio (não na Antena 2), uma canção não é menos arte que uma sinfonia de Mahler. Toda a gente tem o direito (ou privilégio) de ouvir Mozart. Aliás, Mozart definitivamente não escreveu só para "eruditos" - uma das suas obras mais importantes (e repleta de simbolismos), a ópera "A Flauta Mágica" estreou num teatro cujo público era muito distante disso.

Agora, não me parece descabido "dividir a música por classes". (Qualquer classificação será arbitrária, se entrarmos por caminhos muito filosóficos, parafraseando Borges, pela razão muito simples de não compreendermos o Universo, mas isto não vem a propósito). Há várias características da "música erudita" que a distinguem: a notação e a sofisticação estilística, por exemplo - uma fuga, um concerto, uma sonata ou uma ópera têm uma estrutura mais complexa do que a estrófica de uma música pop ou rock. Isto não significa que seja melhor - de todo! - mas certamente não terás dificuldade em distinguir uma área de ópera de Verdi de uma música dos AC/DC; isto é, podemos "dividir a música por classes", mas não de forma hierárquica, ou afirmar que umas são superiores a outras.



Exato, acho que há pouco que eu possa acrescentar.O período clássico na música é compreendido entre ~1730 e 1820, entre os períodos Barroco e Romântico, principalmente em Viena, cujas figuras maiores são Mozart, Haydn, Clementi... e tem Beethoven e Schubert como figuras de transição (para o Romantismo). É talvez um bocado preciosista insistir que o termo música clássica só se pode referir a este período, mas não é completamente parvo reservar o termo para este período (podemos falar de um período clássico na literatura, por exemplo, e ninguém ou pouca gente usa o termo "literatura clássica" para se referir àquilo que também não tem propriamente um nome ou uma definição mas a que vou chamar cânone literário ocidental).



O termo "música clássica" apareceu somente no século XIX, para designar e numa tentativa de "canonizar" o período compreendido entre Bach e Beethoven como uma idade de ouro da música ocidental. Há muita música interessante antes de Bach (Monteverdi, Purcell, Lully, Telleman, Corelli, Pachelbel, Charpentier) e depois de Beethoven (Mussorgsky, Tchaikovsky, Grieg, Rimsky-Korsakov, Puccini, Fauré, Mahler, Rachmaninov, Schoenberg, Ravel, Bartók, Stravinsky, Prokofiev, Schostakovic, Messiaen, Britten...) que faz parte do cânone da música erudita.

E, desde Bach a Mahler, estamos a falar essencialmente de música tonal, que explora apenas uma parte do que o sistema musical teórico prevê; aliás, na na minha escola de música, Análise e Técnicas de Composição é uma disciplina de três anos (que, infelizmente, ainda nunca tive): o primeiro é dedicado ao estudo do tonalismo (até ao século ~XIX), e os dois seguintes para tudo o que aconteceu na música "erudita" desde o século XX (a música "horrível" de quem ninguém gosta :p )

Além disso, o adjetivo "clássica" dá uma ideia de estagnação, de que é algo que pertence ao passado, e não penso que seja esse, de alguma forma, o caso. Usar expressões como "música artística de tradição ocidental" é ainda mais pretensioso, excessivamente longo e tem ainda outros problemas; escrever sempre música "clássica" (com as aspas) é cansativo e parvo. Portanto, à falta de melhor palavra, e imaginando o olhar desapontado de alguns professores de Formação Musical que tive se tomasse outra decisão, optei por "erudita".

O nome, como dizes, importa pouco. Já agora, vou deixar uma peça que, me parece, cumpre todos os requisitos para ser considerada música erudita (usa um coro e orquestra de câmara, partituras, cita um concerto para piano e orquestra de Tchaikovsky), apesar de ter influências de outros géneros musicais (mas Gerswhin e Prokofiev também foram influenciados pelo jazz) e que: foi composta no século XXI, é tocada hoje em dia em performances que usam lasers coloridos e incorporam atuação e chama-se Godzilla Eats Las Vegas - dificilmente acho que lhe poderia chamar uma peça "música clássica", por outro lado. Até podes discordar da minha classificação, o que só mostra que nenhum dos termos é demasiado claramente definido.

Concordo com o que disseste. É sempre bom aprender com os outros, até porque sou um instrumentista de orquestra e infelizmente como nunca andei no conservatório acabo por não saber muitos detalhes da história da música :P
 
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António Pinho Vargas é um dos compositores portugueses vivos mais célebres, e um bom exemplo de que a música "clássica" não é um mundo diferente e separado dos restantes estilos musicais. Atualmente professor na Escola Superior de Música de Lisboa, tornou-se conhecido como pianista/compositor de jazz e as suas obras mais recentes estão dentro da esfera da música erudita contemporânea.

As primeiras duas, que muito provavelmente terão já ouvido, pertencem sem dúvida à fase do jazz. A segunda é definitivamente a peça mais emblemática deste compositor - e a única coisa que torna o serviço de apoio ao cliente da NOS uma experiência não completamente infernal.

As duas seguintes são certamente diferentes - o início do Magnificat é bastante original e como um comentador do YouTube nota, num mau jogo de palavras, de uma obra, toda ela, magnífica. O concerto para violino é dedicado ao violinista e maestro Gareguin Aroutiounian; um dos comentadores do vídeo, Sérgio Azevedo, é ele também professor na ESML e um dos mais conceituados compositores portugueses - quase um terço do vídeo são aplausos, o que é sempre um bom sinal.




 

LBlackMoon

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Boas pessoal!

Hoje, gostava de fazer uma pequena partilha convosco.

Evocando as vossas memórias do Memorial do Convento, certamente se lembrarão de (Domenico) Scarlatti. Aquela personagem interessante que ensinou cravo à filha do rei e tocou esse belíssimo instrumento na abegoaria onde se construía a Passarola. É uma personagem verídica, cuja família estava também ligada à música. Sem grande dificuldade, encontramos peças do seu pai: Alessandro Scarlatti.
Desconhecendo eu completamente este nome até à leitura da obra saramaguiana, teve a nossa professora a brilhante iniciativa de nos colocar a ouvir uma das suas peças em cravo; o que não só agudizou o meu interesse no instrumento como me levou a pesquisar mais obras do seu reportório.

Algumas das suas obras foram influenciadas por elementos culturais ibéricos, como o Fandango; cujo contacto resultou do trabalho desempenhado nas cortes portuguesa e espanhola.

Mas, ao longo da minha digressão pela obra desta grande pérola do período clássico, acabei por descobrir que tinha também reportório no âmbito da música sacra (talvez a minha grande predilecção musical). Apresento-vos aqui mais duas obras que considero muito interessantes nesse âmbito.

Uma é um Cibavit eos.
A outra, é um Salve Regina.
 

jcsousa

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Parabéns pelo tópico :) fico feliz em ver alguém a sugerir Durufle. Toda a gente conhece um ou dois excertos dos grandes compositores, mas esta jóia de compositor passa sempre ao lado.
 

LBlackMoon

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Parabéns pelo tópico :) fico feliz em ver alguém a sugerir Durufle. Toda a gente conhece um ou dois excertos dos grandes compositores, mas esta jóia de compositor passa sempre ao lado.
É verdade. Não é muito comum ouvir falar dele. Tanto que fiquei a conhecê-lo apenas à muito pouco tempo, quando ouvi o Ubi charitas et amor na Antena 2.
 

LBlackMoon

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No respeitante a Requiem, recomendo vivamente o de Mozart. Uma das minhas obras predilectas. Nesta interpretação:


A playlist começa no Introit e no Kyrie e segue até terminar no Lux aeterna. :)
 
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jcsousa

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No respeitante a Requiem, recomendo vivamente o de Mozart. Uma das minhas obras predilectas. Nesta interpretação:


A playlist começa no Introit e no Kyrie e segue até terminar no Lux aeterna.:)
Sim :) também gosto, mas ainda assim prefiro o de Fauré e Durufle. Gosto bastante de música francesa.
Não sei se sabes, mas Mozart não escreveu grande parte do requiem.
 
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LBlackMoon

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Sim :) também gosto, mas ainda assim prefiro o de Fauré e Durufle. Gosto bastante de música francesa.
Não sei se sabes, mas Mozart não escreveu grande parte do requiem.
Sei. Julgo terá escrito apenas as primeiras duas ou três partes (não se se tanto). O resto foi concluído pelo discípulo. Ficou muito bom na mesma!
 

jcsousa

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Sei. Julgo terá escrito apenas as primeiras duas ou três partes (não se se tanto). O resto foi concluído pelo discípulo. Ficou muito bom na mesma!
Se gostas de mozart, recomendo que ouças o segundo andamento do concerto para flauta e harpa. Devo dizer que não é dos meus compositores preferidos, mas tanto o requiem como este concerto são fantásticos.
 
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Ana Noronha

👸 das Citações
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Alterado

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A vida são dois dias e o Carnaval são três, dois mais três é cinco e hoje é dia treze, treze menos cinco é oito, oito mais um é nove, por isso hoje vou partilhar aqui nove peças de algum modo alusivas ao Carnaval.


Uma das obras mais populares de Saint-Saëns, foi estreada em privado e escrita como um divertimento para amigos - pediu para que não fosse publicada em vida, porque receava que estragasse a sua reputação 'séria'! Cada um dos 14 movimentos representa um animal diferente, incluindo um leão, um burro, um elefante, fósseis, um aquário, galos e galinhas e... pianistas (hey!).

As cordas imitam os rugidos do leão no primeira andamento, depois de um tema com arpejos no piano. A velocidade dos asnos tibetanos no terceiro movimento é representada pelas escalas num presto furioso em que os dois pianos se lançam se nunca se alcançarem. Em Tartarugas, há uma paródia lenta do "Can Can" do Orfeu no Inferno de Offenbach, e no andamento seguinte, o Elefante, de As Sílfides (grande valsa brilhante op. 18) de Chopin com uma alusão ao scherzo da ópera Sonho de uma Noite de Verão de Mendelsshon.

Em Cangurus, os pianistas saltitam, hesitam e param; em Aquário, que se segue, as flautas o piano e a celesta imitam o som das ondas, de gotas de água, de nadar... O clarinete é o instrumento escolhido para o Cuco e a flauta chilreia como os pássaros. Os pianistas, inspirados em principiantes que incomodavam Saint-Saëns, "verdadeiros animais, e não dos menos barulhentos" são representados com escalas alternadamente simples e em terceiras com notas erradas, até que as cordas se enervam e interrompem o duo.

Os fósseis são uma série de citações de peças célebres encadeadas, incluindo o leitmotiv da Danse Macabre (que alguém já partilhou neste tópico) do próprio Saint-Saëns. O cisne, um violoncelo acompanhado por dois pianos, que adormece no final, é um dos andamentos mais populares da obra e foi o único que este publicou em final. O final é um desfile dos temas de todos os animais.


A abertura de concerto de Dvorák é a segunda parte ("Vida") da trilogia de aberturas "Natureza, Vida e Amor" deste compositor romântico.


Um total de 22 peças, viajando por diversas tonalidades, aparecendo em todas uma série de notas que, aparentemente, soletra em alemão o nome da cidade onde a sua namorada nasceu.


O Carnaval de Veneza surge a partir da tradição do século XVI, onde a nobreza se disfarçava para sair e misturar-se com o povo. Desde então as máscaras são o elemento mais importante deste carnaval. Paganini escreve 20 variações sobre o tema do Carnaval de Veneza.

e... as variações de Liszt:

... e de Chopin:


A nona das rapsódias húngaras de Liszt, Pester Carneval, o Carnaval de Budapeste - é uma das minhas favoritas, e das poucas a que Liszt deu um nome. Liszt usa melodias populares húngaras e improvisa sobre elas, invocando a atmosfera da cidade onde esteve várias vezes, resultando num espetáculo de fogo de artifício virtuosístico deslumbrante.


A Masquerade de Khatchaturian foi escrita para uma produção do teatro do escritor russo Mikhail Lermontov do mesmo nome, na qual a personagem principal afirma "Quão bela é esta nova valsa! ... alguma coisa entre a mágoa e a alegria agarrou o meu coração". Khatchaturian diz ter tido uma enorme dificuldade em encontrar um tema adequado a estas palavras, mas esta valsa sem dúvida pode ser descrita pelas palavras citadas.


da sinfonia no.2, "A Era da Ansiedade", nome de um longo poema de W. H. Auden, um solo rápido de piano acompanhado por ritmos sincopados em vários instrumentos de percussão.

Se gostas de mozart, recomendo que ouças o segundo andamento do concerto para flauta e harpa. Devo dizer que não é dos meus compositores preferidos, mas tanto o requiem como este concerto são fantásticos.
O meu último trabalho de casa de Formação Musical foi um ditado polifónico do início desse andamento desse concerto (ou seja, os primeiros 43 segundos desse vídeo, exatamente :p).

Vá, meti uma cunha e para a próxima já podes adicionar o dobro. :p

Isso ou podes criar playlists no Spotify e partilhar com a malta. :innocent:
Vês, @davis, desta vez usei o poder especial que me deste! :tonguewink: Ainda não te tinha agradecido devidamente, mas vou tentar playlists no Spotify - assim que perceber como é que funciona (não, a maior parte dos estudantes de música "clássica" usa o Spotify - eu é que tenho um telemóvel pedra e por isso nunca experimentei... :sweatsmile: mas parece-me melhor do que pedir a pessoas que vão clicando em vídeos, que, todos juntos, devem ultrapassar as três horas de música
 
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LBlackMoon

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Dia 14 de Setembro. Este ano, o dia dos namorados coincide com (no calendário litúrgico católico) a Quarta-Feira de Cinzas. Este dia marca o início do tempo da Quaresma (os quarenta dias que antecedem o Domingo de Páscoa). Durante este tempo, os fiéis entram num ambiente especial de revisão de consciência, com a finalidade de, reparando algumas das suas faltas, se aproximarem mais de Deus, preparando a festa da Ressurreição de Cristo.

A liturgia adapta-se a essas circunstâncias. Não será raro ouvirmos salmos penitenciais (em que o salmista pede o perdão de Deus, ao reconhecer a sua condição pecadora, genericamente). Um dos mais conhecidos é um que aqui já foi apresentado pelo nosso caríssimo @LordKelvin , é o Salmo 51 (vulgarmente conhecido como Miserere). Aqui está uma interpretação (um bocadinho longa) mas magistral da peça em Acapella que Allegri dele compôs:


A reconciliação atinge-se, muitas vezes, através do pedido de perdão. É nisso que consiste a oração litúrgica do Kyrie, rezada no original grego no Missal aprovado pelo Concílio de Trento (Missa de Pio V) e que vigorou até cerca do início da segunda metade do século passado, passando, depois, a ser recitada nas línguas nacionais mas, não raramente, utilizada na sua forma original. Foi esta pequena oração responsorial alvo de muitos compositores, que dela fizeram as mais maravilhosas peças.

Apresento, para terminar, dois exemplares saídos da magistral mão de Mozart (que pertencem, no entanto, a composições diferentes):

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" frameborder="0" allow="autoplay; encrypted-media" allowfullscreen></iframe>

Se descobrir mais algo, partilho convosco. :)
 

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Dia 14 de Setembro. Este ano, o dia dos namorados coincide com (no calendário litúrgico católico) a Quarta-Feira de Cinzas. Este dia marca o início do tempo da Quaresma (os quarenta dias que antecedem o Domingo de Páscoa). Durante este tempo, os fiéis entram num ambiente especial de revisão de consciência, com a finalidade de, reparando algumas das suas faltas, se aproximarem mais de Deus, preparando a festa da Ressurreição de Cristo.

A liturgia adapta-se a essas circunstâncias. Não será raro ouvirmos salmos penitenciais (em que o salmista pede o perdão de Deus, ao reconhecer a sua condição pecadora, genericamente). Um dos mais conhecidos é um que aqui já foi apresentado pelo nosso caríssimo @LordKelvin , é o Salmo 51 (vulgarmente conhecido como Miserere). Aqui está uma interpretação (um bocadinho longa) mas magistral da peça em Acapella que Allegri dele compôs:

A reconciliação atinge-se, muitas vezes, através do pedido de perdão. É nisso que consiste a oração litúrgica do Kyrie, rezada no original grego no Missal aprovado pelo Concílio de Trento (Missa de Pio V) e que vigorou até cerca do início da segunda metade do século passado, passando, depois, a ser recitada nas línguas nacionais mas, não raramente, utilizada na sua forma original. Foi esta pequena oração responsorial alvo de muitos compositores, que dela fizeram as mais maravilhosas peças.

Apresento, para terminar, dois exemplares saídos da magistral mão de Mozart (que pertencem, no entanto, a composições diferentes):[/SPOILER]

Se descobrir mais algo, partilho convosco. :)
Então, vou ficar eu com a tarefa de celebrar o Dia de S. Valentim :p - talvez seja um bocado tarde, mas estive ocupado até agora (em casa, de pijama, a maior parte). (Uma nota irrelevante: não é claro se o Kyrie se deve cantar ou não na Quarta-Feira de Cinzas, uma vez que determinadas partes da missa são omitidas, descobri enquanto tentava confirmar outra coisa).

O amor é um dos temas mais ubíquos na literatura ocidental, e não surpreendentemente, também na tradição musical erudita, particularmente no Romantismo (quem diria?). Imensas peças imortalizam de forma brilhante aspetos deste sentimento (se não é uma designação demasiado redutora) a que este dia é dedicado e, de uma lista infindável de possibilidades, sabendo que teria de deixar sempre obras decidi escolher, sem grande critério, desde emblemáticas a relativamente desconhecidas, as seguintes:

Edward Elgar, Salut d'Amour



Franz Lizst, Liebestraum No. 3 em Lá bemol Maior


Henry Purcell, I Press Her Hand Gently de The Fairy Queen


I press her Hand gently, look Languishing down,
And by Passionate Silence I make my Love known.
But oh! I'm Blest when so kind she does prove,
By some willing mistake to discover her Love.
When in striving to hide, she reveals all her Flame,
And our Eyes tell each other, what neither dares Name.


A única peça da lista que não é do período romântico - da ópera barroca The Fairy Queen. Purcell era realmente genial, e conheço mesmo muito pouco da sua obra; fico sempre com vontade de ouvir mais.

Pyotr I. Tchaikovsky, Chocolate de O Quebra Nozes


especialmente dedicado a todos os que passaram o dia dos namorados em casa a comer chocolate, que é uma boa maneira de passar qualquer dia, na minha humilde opinião :tonguewink:
 

LBlackMoon

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É verdade que o Kyrie não é utilizado na Quarta-Feira de Cinzas! ;) Isto porque, na liturgia de hoje, suprime-se sempre o acto penitencial (do qual o Kyrie faz parte) dado que ele é substituído pela imposição das cinzas. No entanto, nos restantes dias do ano ele é recitado/cantado. Incluí-o na lista devido à perfeita compatibilidade entre o espírito da antífona e o espírito quaresmal. :D

E aqui está uma brilhante selecção de peças que apelam ao coração.. O teu está dedicado ao chocolate, e o meu às bolachas; já que não há uma bela rosa para o ocupar. :P
 

LBlackMoon

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Ora boas!

As minhas últimas partilhas neste tópico têm incidido, sobretudo, em obras de autoria estrangeira. Hoje, porém, trago um pouco de uma das maiores jóias da música portuguesa. Marcos Portugal, talento extraordinário, foi apresentado nos mais altos palcos nacionais e europeus. Ficou conhecido não só por belas óperas, mas também por sonatas em piano, entre outros.

Curiosidade muito interessante é a de que compôs o primeiro hino nacional português, o Hymno Patriótico que veio a ser apresentado ao príncipe regente D. João (futuro João VI de Portugal) no ano de 1808. É uma bela composição em piano. A sua letra foi, durante a Guerra Peninsular, entoada corajosamente pelas nossas hostes, facto esse que mereceu particular anotação de um dos acompanhantes do alto comando Britânico presente no nosso país, aliado contra as ofensivas francesas.


Parece-me igualmente digna de nota, pela sua beleza e sonoridade extremamente cativante a seguinte sonata. Talvez já não vos seja estranha. Quando a ouvi pela primeira vez com este nome hoje, fiquei com a sensação de já a ter ouvido antes.


Mais um motivo para ter enorme orgulho na história cultural da nossa nação.
 

Ana Noronha

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Achei interessante o que encontrei, a respeito desta faceta do conhecido filósofo alemão, Friedrich Wilhelm Nietzsche. Encontrei mais, mas quis apenas partilhar um que me ficou em mente. :)
 
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Há muito que não escrevo um post neste tópico porque tenho andado bastante ocupado, mas não vou deixar escapar a oportunidade de lembrar os Dias da Música no CCB (Centro Cultural de Belém), que já começaram, mas ainda não chegaram ao fim, por isso ainda creio que vou a tempo.

Eu prometo que o CCB não me paga para fazer publicidade, mas, lisboetas, vão aos dias da música!

O programa este ano tem uma estrutura tripartida a partir de um quadro de Hieronymus Bosch. Hoje o mote é o painel esquerdo, "O Inferno e os Castigos", amanhã o central, "Pecados e Tentações Terrenas" e domingo o da direita "As Graças Divinas e a Reconquista do Paraíso". Os concertos não são gratuitos, mas os bilhetes não são muito caros e existem descontos para menores de 25 anos.

Além da música há teatro, eventos literários e ligados às artes. Há vários concertos muito bons; tenho pena de não conseguir ir a todos, mas recomendava sábado: A Morte e a Donzela, de Schubert, La Piccola Morte - Madrigais Eróticos, pelo Grupo Vocal Olisipo e a Sinfonia Fantástica de Berlioz, transcrita para piano for Liszt, tocada por Artur Pizzaro domingo: a Sinfonia Dante, de Liszt, o Requiem, de Fauré e Liszt pelo pianista António Rosado.

Ouvir música no computador, ou no telemóvel, ou mesmo com colunas de boa qualidade... é fantástico, mas não é a mesma coisa que assistir a um espetáculo ao vivo. Uma gravação pode ser extraordinária, mas um espetáculo é um espetáculo. É diferente. Vale a pena.

E além disso, partilhá-lo com alguém pode ser um momento íntimo, e não é má ideia para um date... ;)

Se vão jantar com uma pessoa do sexo oposto que não tem assim tanto interesse em música renascentista e a um concerto na Gulbekian a seguir... não fiquem muito surpreendido(as) se ela interpretar isso como um sinal de que estão interessados romanticamente nela - e talvez não seja muito boa ideia se lhe querem dar a entender que não.


Achei interessante o que encontrei, a respeito desta faceta do conhecido filósofo alemão, Friedrich Wilhelm Nietzsche. Encontrei mais, mas quis apenas partilhar um que me ficou em mente. :)
Nietzsche aparentemente terá conhecido Lizst (que partilhava com ele ter um nome que nunca consigo escrever corretamente) e Wagner, que criticou bastante a sua obra musical. O pianista Hans von Bülow também terá afirmado que uma das suas peças era "o mais desagradável e anti-musical rascunho sobre uma pauta com que [se] tinha deparado há muito tempo". Eu sabia que Nietzsche tinha composto música, mas descobri isto hoje num artigo da muito pop da classical.fm, que não é necessariamente a fonte mais fiável, no entanto... acho que ouvindo a peça não restam grandes dúvidas de que Nietzsche foi um muito melhor filósofo que compositor.