Praxe: experiência

Joana 0019

Membro Caloiro
Matrícula
25 Setembro 2019
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3
Com certeza que quem entrou, ou vai entrar, para o ensino superior, se questiona sobre a praxe.
Eu entrei este ano e o que mais pensava era realmente sobre a praxe, se devia ou não ir experimentar; havia um motivo que me fazia querer ir experimentar: se não fosse praxada não poderia trajar, algo que eu desejava muito. Após algumas conversas entre familiares e amigos decidi ir, dar uma oportunidade e ver o que acontecia, se não gostasse, desistia.
O dia aproximava-se e eu estava cada vez mais nervosa, pois ouvia tanto sobre a praxe; disseram-me que na praxe não podia haver unhas pintadas/de gel, não se podia usar qualquer tipo de maquilhagem, não se podia usar acessório, tinha que se cortar as etiquetas das roupas e que a roupa interior tinha que ser preta, mas isso era o que menos me importava; o que realmente estava no meu pensamento era o quão suja ia ficar e se ia alinhar em todas as "brincadeiras", mas decidi que não ia formar uma opinião precipitada e lá fui eu, experimentar a praxe.
Quando lá cheguei vi que estava presente quase toda a gente do meu curso, o que me fez pensar que tinha tomado uma boa decisão. As trajadas mandaram-nos fazer uma fila para adquirirmos o nosso kit do caloiro que, exageradamente, custou 10 euros( trazia uma t-shirt, uma garrafa de água pequena, 1 preservativo e o manual de sobrevivência); já estavamos há 1 hora na fila, sempre em pé, e ao sol, mas já estava quase a ser a vez do nosso curso, quando os senhores trajados se lembram que tinhamos que preencher antes uma declaração em como participavamos na praxe de livre vontade, então tivemos que sair todos da fila, ir preencher o papel, e voltar para o final da fila, ou seja, mais 1 hora na fila.
Quando finalmente já tinhamos o nosso kit, vestimos as t-shirts e fomos aprender as músicas do curso, o que até foi divertido, tirando a parte que as trajadas só diziam que éramos uma merda.
Entretanto, chegou a hora de almoço, almoçámos todos juntos, no chão, e quando já tínhamos acabado, as trajadas decidiram começar a pintar-nos a cara com batom e rímel( achei engraçado); sem querer, uma colega nossa, olhou nos olhos uma trajada, pelo que essa não gostou e mandou a nossa colega fazer uma "granada", algo que, sinceramente, nunca tinha ouvido falar e, por isso, não sabia como se fazia; a nossa colega tentou fazer, mas pelos vistos fez mal, e foi obrigada a repetir umas 12x, até já ter as mãos marcadas pelo alcatrão.
O dia foi passando, e fez-se diversos jogos e brincadeiras super divertidos, gostei imenso, e aí criei novas amizades, nesses jogos; estava a começar a pensar que afinal tinha sido boa ideia ir e que iria o resto dos dias, até que chegou o momento de fazermos o "autocarro", basicamente consiste em fazer-se 2 filas em que estamos sentados, muito coladinhos uns aos outros e temos que tapar a cara e as orelhas, para quê? Para os senhores trajados e trajadas nos poderem atirar com tudo o que lhes apetecesse( note-se que já tínhamos levado com leite, mostarda e soja, anteriormente), incluindo: água das salsichas, leite, maionaise estragada, mostarda, ketchup, ovos, cerveja, molho de soja, farinha, polpa de tomate e vinagre, tudo isto sem intervalos... chegou a uma altura em que tinha líquidos, ou melhor, mistura de líquidos, a escorrer-me pelos olhos e pelo peito, um cheiro insuportável, e nós, que tínhamos a cara dentro das nossas t-shirts mal conseguíamos respirar; a esse ponto eu levantei-me e saí do "autocarro". Mas a brincadeira não acabou por aí... de seguida mandaram-nos deitar na terra( note-se que estávamos imundos e a terra estava molhada) ao lado uns dos outros, para quê? Para rebolarmos uns sobre os outros, sim,isso mesmo! Nós, do nosso curso, éramos 60 pessoas, 60 pessoas a passar em cima de mim, naquela situação...
Quando isso terminou, fomos todos para casa, e não foi preciso muito para eu chegar à conclusão que não iria mais à praxe; gostei muito da maior parte do dia, mas o final conseguiu arruinar tudo.
Não sou anti-praxe, mas acho que tudo tem os seus limites e eles ultrapassaram-nos.
 

Bruno97

Membro Veterano
Matrícula
27 Agosto 2018
Mensagens
103
Com certeza que quem entrou, ou vai entrar, para o ensino superior, se questiona sobre a praxe.
Eu entrei este ano e o que mais pensava era realmente sobre a praxe, se devia ou não ir experimentar; havia um motivo que me fazia querer ir experimentar: se não fosse praxada não poderia trajar, algo que eu desejava muito. Após algumas conversas entre familiares e amigos decidi ir, dar uma oportunidade e ver o que acontecia, se não gostasse, desistia.
O dia aproximava-se e eu estava cada vez mais nervosa, pois ouvia tanto sobre a praxe; disseram-me que na praxe não podia haver unhas pintadas/de gel, não se podia usar qualquer tipo de maquilhagem, não se podia usar acessório, tinha que se cortar as etiquetas das roupas e que a roupa interior tinha que ser preta, mas isso era o que menos me importava; o que realmente estava no meu pensamento era o quão suja ia ficar e se ia alinhar em todas as "brincadeiras", mas decidi que não ia formar uma opinião precipitada e lá fui eu, experimentar a praxe.
Quando lá cheguei vi que estava presente quase toda a gente do meu curso, o que me fez pensar que tinha tomado uma boa decisão. As trajadas mandaram-nos fazer uma fila para adquirirmos o nosso kit do caloiro que, exageradamente, custou 10 euros( trazia uma t-shirt, uma garrafa de água pequena, 1 preservativo e o manual de sobrevivência); já estavamos há 1 hora na fila, sempre em pé, e ao sol, mas já estava quase a ser a vez do nosso curso, quando os senhores trajados se lembram que tinhamos que preencher antes uma declaração em como participavamos na praxe de livre vontade, então tivemos que sair todos da fila, ir preencher o papel, e voltar para o final da fila, ou seja, mais 1 hora na fila.
Quando finalmente já tinhamos o nosso kit, vestimos as t-shirts e fomos aprender as músicas do curso, o que até foi divertido, tirando a parte que as trajadas só diziam que éramos uma merda.
Entretanto, chegou a hora de almoço, almoçámos todos juntos, no chão, e quando já tínhamos acabado, as trajadas decidiram começar a pintar-nos a cara com batom e rímel( achei engraçado); sem querer, uma colega nossa, olhou nos olhos uma trajada, pelo que essa não gostou e mandou a nossa colega fazer uma "granada", algo que, sinceramente, nunca tinha ouvido falar e, por isso, não sabia como se fazia; a nossa colega tentou fazer, mas pelos vistos fez mal, e foi obrigada a repetir umas 12x, até já ter as mãos marcadas pelo alcatrão.
O dia foi passando, e fez-se diversos jogos e brincadeiras super divertidos, gostei imenso, e aí criei novas amizades, nesses jogos; estava a começar a pensar que afinal tinha sido boa ideia ir e que iria o resto dos dias, até que chegou o momento de fazermos o "autocarro", basicamente consiste em fazer-se 2 filas em que estamos sentados, muito coladinhos uns aos outros e temos que tapar a cara e as orelhas, para quê? Para os senhores trajados e trajadas nos poderem atirar com tudo o que lhes apetecesse( note-se que já tínhamos levado com leite, mostarda e soja, anteriormente), incluindo: água das salsichas, leite, maionaise estragada, mostarda, ketchup, ovos, cerveja, molho de soja, farinha, polpa de tomate e vinagre, tudo isto sem intervalos... chegou a uma altura em que tinha líquidos, ou melhor, mistura de líquidos, a escorrer-me pelos olhos e pelo peito, um cheiro insuportável, e nós, que tínhamos a cara dentro das nossas t-shirts mal conseguíamos respirar; a esse ponto eu levantei-me e saí do "autocarro". Mas a brincadeira não acabou por aí... de seguida mandaram-nos deitar na terra( note-se que estávamos imundos e a terra estava molhada) ao lado uns dos outros, para quê? Para rebolarmos uns sobre os outros, sim,isso mesmo! Nós, do nosso curso, éramos 60 pessoas, 60 pessoas a passar em cima de mim, naquela situação...
Quando isso terminou, fomos todos para casa, e não foi preciso muito para eu chegar à conclusão que não iria mais à praxe; gostei muito da maior parte do dia, mas o final conseguiu arruinar tudo.
Não sou anti-praxe, mas acho que tudo tem os seus limites e eles ultrapassaram-nos.
Boa noite, pelo que eu estive a ler, passaste por uma experiência desagradável. E ainda há gente que diz que a praxe integra, e que acha normal que os mais velhos chamem nomes insultuosos, que rebolar na lama e atirar bens alimentares é digno, onde já se viu tal coisa?
Pelos teus relatos, só vi opressão e humilhação. Fizeste bem em sair.
As pessoas pensam que quando vão à praxe vai ser um conto de fadas, mas só quem está lá é que sabe. Eles nem sempre referem o processo da praxe, mas apenas uma amostra. A tua escolha também deve ser tomada com base na experiência dos outros. Lembra-te, às vezes é melhor não dar o próximo passo. Até porque nem sempre experimentar para saber o resultado é boa ideia, imagina que te acontecia algo pior.
Já agora em que faculdade é que isso ocorreu?
 

Edgar H

Moderador
Equipa Uniarea
Moderador
Matrícula
1 Outubro 2018
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1,175
Boa noite, pelo que eu estive a ler, passaste por uma experiência desagradável. E ainda há gente que diz que a praxe integra, e que acha normal que os mais velhos chamem nomes insultuosos, que rebolar na lama e atirar bens alimentares é digno, onde já se viu tal coisa?
Pelos teus relatos, só vi opressão e humilhação. Fizeste bem em sair.
As pessoas pensam que quando vão à praxe vai ser um conto de fadas, mas só quem está lá é que sabe. Eles nem sempre referem o processo da praxe, mas apenas uma amostra. A tua escolha também deve ser tomada com base na experiência dos outros. Lembra-te, às vezes é melhor não dar o próximo passo. Até porque nem sempre experimentar para saber o resultado é boa ideia, imagina que te acontecia algo pior.
Já agora em que faculdade é que isso ocorreu?
Só a experimentar é que tu vês se gostas ou não. Uma coisa é não quereres experimentar de todo, outra coisa é não experimentares, porque alguém não gostou ou teve uma má experiência. O mais importante é, se não gostares ou te sentires desconfortável, podes sempre sair ( ou recusares-te a fazer tal atividade) e ninguém te pode discriminar por isso. Seja na primeira atividade do 1º dia, seja no último dia de praxe. NÃO TE PODEM OBRIGAR A NADA.
 

Joana 0019

Membro Caloiro
Matrícula
25 Setembro 2019
Mensagens
3
Boa noite, pelo que eu estive a ler, passaste por uma experiência desagradável. E ainda há gente que diz que a praxe integra, e que acha normal que os mais velhos chamem nomes insultuosos, que rebolar na lama e atirar bens alimentares é digno, onde já se viu tal coisa?
Pelos teus relatos, só vi opressão e humilhação. Fizeste bem em sair.
As pessoas pensam que quando vão à praxe vai ser um conto de fadas, mas só quem está lá é que sabe. Eles nem sempre referem o processo da praxe, mas apenas uma amostra. A tua escolha também deve ser tomada com base na experiência dos outros. Lembra-te, às vezes é melhor não dar o próximo passo. Até porque nem sempre experimentar para saber o resultado é boa ideia, imagina que te acontecia algo pior.
Já agora em que faculdade é que isso ocorreu?
No IPS-ESCE
 

N&M

Membro
Matrícula
14 Setembro 2015
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42
Entretanto vim a saber que posso trajar, mas apenas em representação da universidade, mas obrigada na mesma!
Era o que mais faltava.
Pode trajar quando quiser. Não sei quem foram os ignorantes que lhe disseram isso, mas não percebem patavina de tradição académica.