Praxe: SIM ou NÃO

Mimi3

Membro Caloiro
Matrícula
7 Julho 2020
Mensagens
4
Curso
Fisioterapia
Instituição
ESS IPS
Fui para uma faculdade onde não conhecia ninguém. As minhas amigas, que foram fazer a matrícula mais cedo que eu, começaram logo a ser praxadas. Contaram que naquele dia só conheceram alguns trajados e que cantaram músicas, mas que depois já lhes tinham dito que iam ter que encher e até se iam sujar. E eu completamente perdida. Praxe?

Quando fui fazer a minha matrícula ao IPS, vi logo imensos trajados. Pensei que já estava "marcada", mas nada disso. Estavam ali para dinamizar e ajudar no processo de matriculas.
Na ESS existe um programa de integração organizado pelo Conselho Pedagógico da escola onde fazemos várias atividades para conhecermos o Campus do IPS e até mesmo Setúbal. Fui conhecendo colegas do mesmo curso que eu e todos falavam sobre o que já tinham ouvido da praxe: seria uma semana (a semana de acolhimento) e algumas Quintas-Feiras Negras durante o ano e que não podíamos lavar a blusa do Caloiro. O meu conhecimento sobre a Praxe limitava-se àquilo que via sempre que passava na Cidade Universitária e do pouco que me lembrava sobre o acidente do Meco.
Chegou a semana de acolhimento. Explicaram-nos que ninguém era obrigado a estar ali e depois as ditas formalidades: olhos sempre no chão, teríamos que saber o nome deles, etc. Explicaram-nos também que existem regras e que, por exemplo, só podemos ser praxados pelos trajados da nossa escola (na ESS fazemos a praxe todos juntos - Fisioterapia, Enfermagem, Acupuntura e TF - e não por cursos) e ninguém nos pode mandar fazer nada de cariz sexual.
A semana passou rápido. Não digo que tenha sido assim para todos. Mas a verdade é que quem quis, desistiu. Fizemos muitos jogos, provas, enchemos muito muito muito, cantámos até ficarmos roucos, dançamos, gritaram connosco, etc. O truque é pensar que nada é pessoal e levar tudo na desportiva. Não é todos os dias que podem dar com um ovo na cabeça de alguém ou que fazemos um desfile por Setúbal.
A Praxe fez com que saísse mais rapidamente da minha zona de conforto e me adaptasse à Faculdade. Conheci pessoas, fiz amigos, diverti-me, faltei a algumas aulas (optei por ir a Anatomia- não que tenha sido útil, mas nem aí se opuseram a que saísse da Praxe), percebi o valor do Traje e ganhei aquilo que se chama de "amor à camisola".

Quero muito praxar. Mas a verdade é que dava tudo para voltar ao princípio do ano, para viver tudo outra vez. Tenho pena, muita mesmo, que este ano tenha acabado em Fevereiro. Tenho mesmo pena que só tenha havido 2 Quintas... Tenho mesmo pena que não tenha havido Tribunal de Praxe.

Resumindo, a Praxe não é um bicho de sete cabeças. A Praxe não é igual em todas as faculdades. Não há como saber se gostamos ou não sem ir. Apareçam, de mente aberta, e divirtam-se. São memórias que ficam para o resto da vida. E a blusa mal cheirosa? Depois de congelada e ao sol, já não está tão mal cheirosa.
 

voidlessmind

Simp da Uniarea
Matrícula
6 Junho 2019
Mensagens
3,300
Curso
Ciência Política
Instituição
ISCTE
Fui para uma faculdade onde não conhecia ninguém. As minhas amigas, que foram fazer a matrícula mais cedo que eu, começaram logo a ser praxadas. Contaram que naquele dia só conheceram alguns trajados e que cantaram músicas, mas que depois já lhes tinham dito que iam ter que encher e até se iam sujar. E eu completamente perdida. Praxe?

Quando fui fazer a minha matrícula ao IPS, vi logo imensos trajados. Pensei que já estava "marcada", mas nada disso. Estavam ali para dinamizar e ajudar no processo de matriculas.
Na ESS existe um programa de integração organizado pelo Conselho Pedagógico da escola onde fazemos várias atividades para conhecermos o Campus do IPS e até mesmo Setúbal. Fui conhecendo colegas do mesmo curso que eu e todos falavam sobre o que já tinham ouvido da praxe: seria uma semana (a semana de acolhimento) e algumas Quintas-Feiras Negras durante o ano e que não podíamos lavar a blusa do Caloiro. O meu conhecimento sobre a Praxe limitava-se àquilo que via sempre que passava na Cidade Universitária e do pouco que me lembrava sobre o acidente do Meco.
Chegou a semana de acolhimento. Explicaram-nos que ninguém era obrigado a estar ali e depois as ditas formalidades: olhos sempre no chão, teríamos que saber o nome deles, etc. Explicaram-nos também que existem regras e que, por exemplo, só podemos ser praxados pelos trajados da nossa escola (na ESS fazemos a praxe todos juntos - Fisioterapia, Enfermagem, Acupuntura e TF - e não por cursos) e ninguém nos pode mandar fazer nada de cariz sexual.
A semana passou rápido. Não digo que tenha sido assim para todos. Mas a verdade é que quem quis, desistiu. Fizemos muitos jogos, provas, enchemos muito muito muito, cantámos até ficarmos roucos, dançamos, gritaram connosco, etc. O truque é pensar que nada é pessoal e levar tudo na desportiva. Não é todos os dias que podem dar com um ovo na cabeça de alguém ou que fazemos um desfile por Setúbal.
A Praxe fez com que saísse mais rapidamente da minha zona de conforto e me adaptasse à Faculdade. Conheci pessoas, fiz amigos, diverti-me, faltei a algumas aulas (optei por ir a Anatomia- não que tenha sido útil, mas nem aí se opuseram a que saísse da Praxe), percebi o valor do Traje e ganhei aquilo que se chama de "amor à camisola".

Quero muito praxar. Mas a verdade é que dava tudo para voltar ao princípio do ano, para viver tudo outra vez. Tenho pena, muita mesmo, que este ano tenha acabado em Fevereiro. Tenho mesmo pena que só tenha havido 2 Quintas... Tenho mesmo pena que não tenha havido Tribunal de Praxe.

Resumindo, a Praxe não é um bicho de sete cabeças. A Praxe não é igual em todas as faculdades. Não há como saber se gostamos ou não sem ir. Apareçam, de mente aberta, e divirtam-se. São memórias que ficam para o resto da vida. E a blusa mal cheirosa? Depois de congelada e ao sol, já não está tão mal cheirosa.

Eu acho que depende de cada um e o que cada um acha aceitável ou não. Sei que eu, por exemplo, nunca ia levar na desportiva que gritassem comigo. Odeio gritos e que gritem comigo, deixa-me furioso. Também não gosto de ser o fantoche de alguém... mesmo que seja só uma brincadeira odeio estar a mercê de outros. Há muita gente que tem experiências positivas com a praxe e também há muita gente que tem experiências negativas. Não acho que vale a pena incentivar alguém a ser ou a não se praxado.
 
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Mimi3

Membro Caloiro
Matrícula
7 Julho 2020
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4
Curso
Fisioterapia
Instituição
ESS IPS
Eu acho que depende de cada um e o que cada um acha aceitável ou não. Sei que eu, por exemplo, nunca ia levar na desportiva que gritassem comigo. Odeio gritos e que gritem comigo, deixa-me furioso. Também não gosto de ser o fantoche de alguém... mesmo que seja só uma brincadeira odeio estar a mercê de outros. Há muita gente que tem experiências positivas com a praxe e também há muita gente que tem experiências negativas. Não acho que vale a pena incentivar alguém a ser ou a não se praxado.

Tens razão, no entanto acho que sempre li mais informação negativa que positiva em relação à Praxe. Acho que li poucas vezes o "vai e experimenta". Na minha praxe também fomos limpar praias, tivemos oportunidade de participar no Rally, torneios desportivos e etc. Mas percebo completamente o que dizes :)
 

Gonçalo Santos Silva

Politécnicos Advocate
Matrícula
4 Junho 2016
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Curso
Farmácia
Instituição
ESS-IPP
Tens razão, no entanto acho que sempre li mais informação negativa que positiva em relação à Praxe. Acho que li poucas vezes o "vai e experimenta". Na minha praxe também fomos limpar praias, tivemos oportunidade de participar no Rally, torneios desportivos e etc. Mas percebo completamente o que dizes :)

Eu sou a favor do "vai e experimenta" ainda que tenha deixado a minha praxe ao final de 1 semana.
 

Alexandra S.

Moderador
Equipa Uniarea
Moderador
Colaborador Editorial
Matrícula
10 Março 2015
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4,204
Curso
Mestrado CCTI
Instituição
Iscte
Fui para uma faculdade onde não conhecia ninguém. As minhas amigas, que foram fazer a matrícula mais cedo que eu, começaram logo a ser praxadas. Contaram que naquele dia só conheceram alguns trajados e que cantaram músicas, mas que depois já lhes tinham dito que iam ter que encher e até se iam sujar. E eu completamente perdida. Praxe?

Quando fui fazer a minha matrícula ao IPS, vi logo imensos trajados. Pensei que já estava "marcada", mas nada disso. Estavam ali para dinamizar e ajudar no processo de matriculas.
Na ESS existe um programa de integração organizado pelo Conselho Pedagógico da escola onde fazemos várias atividades para conhecermos o Campus do IPS e até mesmo Setúbal. Fui conhecendo colegas do mesmo curso que eu e todos falavam sobre o que já tinham ouvido da praxe: seria uma semana (a semana de acolhimento) e algumas Quintas-Feiras Negras durante o ano e que não podíamos lavar a blusa do Caloiro. O meu conhecimento sobre a Praxe limitava-se àquilo que via sempre que passava na Cidade Universitária e do pouco que me lembrava sobre o acidente do Meco.
Chegou a semana de acolhimento. Explicaram-nos que ninguém era obrigado a estar ali e depois as ditas formalidades: olhos sempre no chão, teríamos que saber o nome deles, etc. Explicaram-nos também que existem regras e que, por exemplo, só podemos ser praxados pelos trajados da nossa escola (na ESS fazemos a praxe todos juntos - Fisioterapia, Enfermagem, Acupuntura e TF - e não por cursos) e ninguém nos pode mandar fazer nada de cariz sexual.
A semana passou rápido. Não digo que tenha sido assim para todos. Mas a verdade é que quem quis, desistiu. Fizemos muitos jogos, provas, enchemos muito muito muito, cantámos até ficarmos roucos, dançamos, gritaram connosco, etc. O truque é pensar que nada é pessoal e levar tudo na desportiva. Não é todos os dias que podem dar com um ovo na cabeça de alguém ou que fazemos um desfile por Setúbal.
A Praxe fez com que saísse mais rapidamente da minha zona de conforto e me adaptasse à Faculdade. Conheci pessoas, fiz amigos, diverti-me, faltei a algumas aulas (optei por ir a Anatomia- não que tenha sido útil, mas nem aí se opuseram a que saísse da Praxe), percebi o valor do Traje e ganhei aquilo que se chama de "amor à camisola".

Quero muito praxar. Mas a verdade é que dava tudo para voltar ao princípio do ano, para viver tudo outra vez. Tenho pena, muita mesmo, que este ano tenha acabado em Fevereiro. Tenho mesmo pena que só tenha havido 2 Quintas... Tenho mesmo pena que não tenha havido Tribunal de Praxe.

Resumindo, a Praxe não é um bicho de sete cabeças. A Praxe não é igual em todas as faculdades. Não há como saber se gostamos ou não sem ir. Apareçam, de mente aberta, e divirtam-se. São memórias que ficam para o resto da vida. E a blusa mal cheirosa? Depois de congelada e ao sol, já não está tão mal cheirosa.
Estou completamente de acordo. Fiz parte da Comissão de Praxe durante a minha Licenciatura e não estou nada arrependida. Como em muitas outras coisas na vida, há sempre o lado menos bom mas com o passar dos anos, vejo que cada vez mais, as pessoas se concentram nas coisas "más" do que nas boas da Praxe.

Adorei ser caloira - arrisco dizer que gostei mais de ser caloira do que de ser doutora. Adorei as atividades que fizémos, as peças de teatro, os despiques, o peddy-paper... é impossível não ficar com uma certa melancolia de algo que foi tão bom. O importante é cada um conhecer os seus limites e ir com mente aberta. A Praxe é opcional mas acredito que vale sempre a pena dar-lhe uma oportunidade, nem que seja para nós próprios tirarmos as nossas próprias conclusões.
 

Mimi3

Membro Caloiro
Matrícula
7 Julho 2020
Mensagens
4
Curso
Fisioterapia
Instituição
ESS IPS
Olá! Alguém sabe como vão funcionar as praxes este ano? Se vai ou não haver? E se sim, com que condições?

Olá! Penso que nalgumas faculdades já se põe a hipotese de haver praxe. No entanto, na minha não. O que pude ler nas notícias é que as normas de segurança da DGS têm que ser cumpridas.

 

Bruno97

Membro Veterano
Matrícula
27 Agosto 2018
Mensagens
334
Olá! Penso que nalgumas faculdades já se põe a hipotese de haver praxe. No entanto, na minha não. O que pude ler nas notícias é que as normas de segurança da DGS têm que ser cumpridas.


Em relação à praxe, acho que não vai haver no UPorto. Já viste a lógica de se fazer praxe com máscara? O contato físico é quase inevitável.
Para quem tinha medo da praxe acho que pode ficar mais tranquilo, os morcegos não vão vos chatear na matrícula, penso.

E concordo que a praxe deveria ser na aposta de atividades de solidariedade, pois promovem o espírito de entreajuda e o civismo, isso sim é uma boa praxe, mas os mais velhos também deveriam dar o exemplo e também eles fazerem essas atividades junto com os caloiros. Isso aprovo, e se for esse o tipo de praxe que virmos, então não vejo porque não fazer.
 
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