Tópico de tudo que é nada

Ariana_

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LBlackMoon

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Mas quem faz Portugal são as pessoas todas.
Sem dúvida.
Especialmente de Lisboa para baixo 🌝
Sim, mas isso foi resultado de uma conquista que se processou de cima para baixo. Antes de o território (mais ou menos como está hoje) ser reconquistado, as pessoas não falavam português, mais ou menos abaixo do Mondego. Depois tudo se consolidou.
 

Ariana_

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Sem dúvida.

Sim, mas isso foi resultado de uma conquista que se processou de cima para baixo. Antes de o território (mais ou menos como está hoje) ser reconquistado, as pessoas não falavam português, mais ou menos abaixo do Mondego. Depois tudo se consolidou.
Pshiu que os califados eram bonites 🤪 🤪 🤪 agora de forma mais séria, a região interior do Alentejo tem um importante legado mouro. Não só o património material, mas também todas as lendas e histórias. E também, claro, toda a arquitetura vinda da Reconquista, especialmente as fortificações onde consegues ver basicamente até à fronteira de Espanha.
 

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Pshiu que os califados eram bonites 🤪 🤪 🤪 agora de forma mais séria, a região interior do Alentejo tem um importante legado mouro. Não só o património material, mas também todas as lendas e histórias. E também, claro, toda a arquitetura vinda da Reconquista, especialmente as fortificações onde consegues ver basicamente até à fronteira de Espanha.
Sem dúvida. Mas essa diversidade é um dos pontos que faz o país maravilhoso. Cá em cima, a arquitetura é tipicamente nortenha. Se fores à Galiza, verás coisas bastante semelhantes ao Norte de Portugal; embora não exatamente idênticas. Os núcleos das cidades medievais estão maravilhosamente preservados. Veja-se Guimarães (ao ponto de ser Património Mundial) e Braga, que têm características medievais perfeitamente preservadas. São sítios lindíssimos.
Mas como não gostar do Alentejo? É uma região que conheço mal (conheci sobretudo o alto e o central), mas adorei o que vi. E de um dos sítios onde fiquei, também dava para ver uma floresta que já era território castelhano.
 

Ariana_

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Sem dúvida. Mas essa diversidade é um dos pontos que faz o país maravilhoso. Cá em cima, a arquitetura é tipicamente nortenha. Se fores à Galiza, verás coisas bastante semelhantes ao Norte de Portugal; embora não exatamente idênticas. Os núcleos das cidades medievais estão maravilhosamente preservados. Veja-se Guimarães (ao ponto de ser Património Mundial) e Braga, que têm características medievais perfeitamente preservadas. São sítios lindíssimos.
Mas como não gostar do Alentejo? É uma região que conheço mal (conheci sobretudo o alto e o central), mas adorei o que vi. E de um dos sítios onde fiquei, também dava para ver uma floresta que já era território castelhano.
É semelhante à relação com o sul de Portugal e o sul de Espanha, especialmente nos territórios fronteiriços. Sou exatamente a situação inversa, conheço pouco do que está para Norte e do pouco que vi, achei muito diferente. Até mesmo as pessoas e a forma como convivem [acho particularmente interessante a questão da religião].
O campo de visão das fortificações/toda a zona mais elevada destas vastas planícies é absolutamente espetacular. Repito várias vezes a subida à muralha e ainda me surpreende muito todo o raio de visão até ao território que não nos pertence. No entanto, a reconquista da cidade de Serpa foi feita várias vezes, os mouros gostavam disto e ver ao longe não chegou 😛
 

LBlackMoon

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É semelhante à relação com o sul de Portugal e o sul de Espanha, especialmente nos territórios fronteiriços. Sou exatamente a situação inversa, conheço pouco do que está para Norte e do pouco que vi, achei muito diferente. Até mesmo as pessoas e a forma como convivem [acho particularmente interessante a questão da religião].
O campo de visão das fortificações/toda a zona mais elevada destas vastas planícies é absolutamente espetacular. Repito várias vezes a subida à muralha e ainda me surpreende muito todo o raio de visão até ao território que não nos pertence. No entanto, a reconquista da cidade de Serpa foi feita várias vezes, os mouros gostavam disto e ver ao longe não chegou 😛
Creio que até Santarém, bem mais a norte do que Serpa, chegou a ser reconquistada pelos Mouros..
Cá em cima as pessoas são indubitavelmente mais próximas umas das outras. Quanto à religião, sem dúvida: as pessoas são mais religiosas a norte, do que a sul. O Minho é a região mais religiosa do país, tem imensa tradição e muita presença religiosa no espaço público.
 

Ariana_

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Creio que até Santarém, bem mais a norte do que Serpa, chegou a ser reconquistada pelos Mouros..
Cá em cima as pessoas são indubitavelmente mais próximas umas das outras. Quanto à religião, sem dúvida: as pessoas são mais religiosas a norte, do que a sul. O Minho é a região mais religiosa do país, tem imensa tradição e muita presença religiosa no espaço público.
Sim, tens razão, várias cidades voltaram a ser tomadas pelos Mouros. Eram persistentes, digamos 😛 Santarém não foi das cidades mais interessantes que conheci, mas Tomar é lindíssimo em termos históricos [e os doces conventuais são ótimos ☆☆☆☆☆]
As pessoas a sul são próximas, mas acho que há uma distinção muito forte naquilo que liga as pessoas. Por exemplo, nesta zona sul do Alentejo, as pessoas dizem bom dia e boa tarde, mesmo que não te conheçam, passam na rua e falam. Por uma questão de cordialidade e porque são espaços pequenos, as pessoas criam um laço de companheirismo porque se vive num sítio onde não há nada e tens que conhecer as pessoas que te cercam. Acho até que é quase um reflexo para contrariar os efeitos do isolamento.
Na questão da religião, também acho que se convive de forma diferente. A Norte penso que isso se passa mais de geração em geração e vejo muita gente jovem muito religiosa. A sul é mesmo muito escasso, a religiosidade perde-se entre a geração dos nossos pais e a nossa. E já na dos pais é muito tremido. Por isso, religião aqui é associado a duas ou três coisas: escuteiros, pessoas idosas ou a festas religiosas que reúnem as pessoas. Obviamente que não se reúnem pela religiosidade, mas porque há festa.

Há um estudo muito interessante sobre isolamento e suicídio e que relaciona o facto do Alentejo ser menos religioso que as zonas a norte para explicar uma alta taxa de suicídios, comparativamente com o Norte.
 

LBlackMoon

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Sim, tens razão, várias cidades voltaram a ser tomadas pelos Mouros. Eram persistentes, digamos 😛 Santarém não foi das cidades mais interessantes que conheci, mas Tomar é lindíssimo em termos históricos [e os doces conventuais são ótimos ☆☆☆☆☆]
As pessoas a sul são próximas, mas acho que há uma distinção muito forte naquilo que liga as pessoas. Por exemplo, nesta zona sul do Alentejo, as pessoas dizem bom dia e boa tarde, mesmo que não te conheçam, passam na rua e falam. Por uma questão de cordialidade e porque são espaços pequenos, as pessoas criam um laço de companheirismo porque se vive num sítio onde não há nada e tens que conhecer as pessoas que te cercam. Acho até que é quase um reflexo para contrariar os efeitos do isolamento.
Na questão da religião, também acho que se convive de forma diferente. A Norte penso que isso se passa mais de geração em geração e vejo muita gente jovem muito religiosa. A sul é mesmo muito escasso, a religiosidade perde-se entre a geração dos nossos pais e a nossa. E já na dos pais é muito tremido. Por isso, religião aqui é associado a duas ou três coisas: escuteiros, pessoas idosas ou a festas religiosas que reúnem as pessoas. Obviamente que não se reúnem pela religiosidade, mas porque há festa.

Há um estudo muito interessante sobre isolamento e suicídio e que relaciona o facto do Alentejo ser menos religioso que as zonas a norte para explicar uma alta taxa de suicídios, comparativamente com o Norte.
Santarém é um sítio muito interessante, em meu ver. Não se pode comparar com a riqueza histórico-cultural de Tomar (sítio maravilhoso, e um nome com que faço sempre uma graçola que aqui omitirei :P ), mas é muito bonito.
No Norte, depende. Sabemos que a religiosidade está, em geral, a cair. Também se nota aqui, mas sem dúvida que há uma presença maior da religião no espaço público, e na vida das pessoas. E no Centro isso também se nota..
Quanto a saudar em espaços pequenos, aqui é igual, e deve ser assim em mais ou menos todo o lado. Claro que na cidade passas por centenas ou milhares de pessoas todos os dias.. Mas nos sítios mais pequenos as pessoas têm uma relação mais próxima ou, pelo menos, essas cordialidades são mais frequentes. O que acho algo verdadeiramente bonito.
 

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Santarém é um sítio muito interessante, em meu ver. Não se pode comparar com a riqueza histórico-cultural de Tomar (sítio maravilhoso, e um nome com que faço sempre uma graçola que aqui omitirei :P ), mas é muito bonito.
No Norte, depende. Sabemos que a religiosidade está, em geral, a cair. Também se nota aqui, mas sem dúvida que há uma presença maior da religião no espaço público, e na vida das pessoas. E no Centro isso também se nota..
Quanto a saudar em espaços pequenos, aqui é igual, e deve ser assim em mais ou menos todo o lado. Claro que na cidade passas por centenas ou milhares de pessoas todos os dias.. Mas nos sítios mais pequenos as pessoas têm uma relação mais próxima ou, pelo menos, essas cordialidades são mais frequentes. O que acho algo verdadeiramente bonito.
"Quem vai a Abrantes deixa Tomar atrás." 🌝
O lado menos interessante da cordialidade é os mexericos porque as pessoas por vezes pensam que realmente conhecem as pessoas. A cordialidade não nos faz conhecer melhor os outros
 

LBlackMoon

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"Quem vai a Abrantes deixa Tomar atrás." 🌝
O lado menos interessante da cordialidade é os mexericos porque as pessoas por vezes pensam que realmente conhecem as pessoas. A cordialidade não nos faz conhecer melhor os outros
Mas mexeriquice há em todo o lado.
 

sтαяℓιgнт cяιsιs

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Com circunflexo no e (a tua segunda opção). Mas como te lembraste de mim e dessa minha saída agora? 😂
Não teve nenhuma razão xD. De vez em quando lembro-me de coisas aleatórias e tinha andado a remoer no soletrar do ideário coevo.

Há um estudo muito interessante sobre isolamento e suicídio e que relaciona o facto do Alentejo ser menos religioso que as zonas a norte para explicar uma alta taxa de suicídios, comparativamente com o Norte.
Whaa adoro isto. Onde é que viste este estudo?
 

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Não teve nenhuma razão xD. De vez em quando lembro-me de coisas aleatórias e tinha andado a remoer na soletração do ideário coevo.


Whaa adoro isto. Onde é que viste este estudo?
Foi-me mostrado pelo meu prof de Literatura quando entrei para o secundário. Tenho que andar à procura ou até mesmo perguntar ao prof 😂 nunca me esqueci dessa informação, achei muito interessante e ele costumava falar nesses temas em aula
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Foi-me mostrado pelo meu prof de Literatura quando entrei para o secundário. Tenho que andar à procura ou até mesmo perguntar ao prof 😂 nunca me esqueci dessa informação, achei muito interessante e ele costumava falar nesses temas em aula
Na verdade, pesquisando um pouco há n artigos sobre este assunto.
Deixo um exemplo: Ausência de práticas religiosas pode estar a potenciar suicídio no Alentejo

Basicamente, basta pesquisar por suícidio alentejo religiosidade
 

LBlackMoon

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Foi-me mostrado pelo meu prof de Literatura quando entrei para o secundário. Tenho que andar à procura ou até mesmo perguntar ao prof 😂 nunca me esqueci dessa informação, achei muito interessante e ele costumava falar nesses temas em aula
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Na verdade, pesquisando um pouco há n artigos sobre este assunto.
Deixo um exemplo: Ausência de práticas religiosas pode estar a potenciar suicídio no Alentejo

Basicamente, basta pesquisar por suícidio alentejo religiosidade
Lembro me que li, há um tempo, uma reportagem sobre a frequência do suicídio do Alentejo. A impressão que tenho é que o clima, o relevo e o ambiente humano é favorável a uma postura depressiva, adicionado ao facto de a depressão ser, também, uma característica nacional dos portugueses. Ouvi falar de casos de pessoas que tiveram simplesmente uma discussão com um familiar, ou algo semelhante, e acabaram enforacando-se.
É bastante perturbador.
 

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Lembro me que li, há um tempo, uma reportagem sobre a frequência do suicídio do Alentejo. A impressão que tenho é que o clima, o relevo e o ambiente humano é favorável a uma postura depressiva, adicionado ao facto de a depressão ser, também, uma característica nacional dos portugueses. Ouvi falar de casos de pessoas que tiveram simplesmente uma discussão com um familiar, ou algo semelhante, e acabaram enforacando-se.
É bastante perturbador.
Sim, e mesmo a própria demografia da região. Muitos velhotes acabam sozinhos e, na ausência da família acabam por enforcar-se, atirar-se a um poço ou dar um tiro.
 

LBlackMoon

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Sim, e mesmo a própria demografia da região. Muitos velhotes acabam sozinhos e, na ausência da família acabam por enforcar-se, atirar-se a um poço ou dar um tiro.
Uma das causas políticas que mais me entusiasma como português (e também que mais me frustra, porque vejo sempre tão pouc gente, especialmente da nossa idade, interessado) é o desenvolvimento destas regiões. Eu não sou do Alentejo, mas sou da Beira Alta: sei quais são os problemas da interioridade, mas também sei do seu potencial; nomeadamente o natural.
E sei que, se quiséssemos e nos interessássemos, Portugal poderia ser um país com muitas mais condições de vida e de trabalho.
Mas ainda vou explorar muito o Alentejo, especialmente o Baixo. A última vez que estive foi nas cidades mais emblemáticas. Agora, quero ir aos sítios mais pequenos e periféricos.. Sentir o que as pessoas que lá vivem sentem.
 

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Uma das causas políticas que mais me entusiasma como português (e também que mais me frustra, porque vejo sempre tão pouc gente, especialmente da nossa idade, interessado) é o desenvolvimento destas regiões. Eu não sou do Alentejo, mas sou da Beira Alta: sei quais são os problemas da interioridade, mas também sei do seu potencial; nomeadamente o natural.
E sei que, se quiséssemos e nos interessássemos, Portugal poderia ser um país com muitas mais condições de vida e de trabalho.
Mas ainda vou explorar muito o Alentejo, especialmente o Baixo. A última vez que estive foi nas cidades mais emblemáticas. Agora, quero ir aos sítios mais pequenos e periféricos.. Sentir o que as pessoas que lá vivem sentem.
Foi um dos temas há uns anos no Parlamento dos Jovens e o debate foi interessante. O problema é que passado pouco tempo, as pessoas esquecem e acabam por ir embora sem nada fazer... É particularmente grave a fuga de jovens daqui, da qual, feliz ou infelizmente faço parte. Fazes bem em explorar
Aconselho especialmente a visitar a Aldeia da Luz. Fui lá há muitos anos, mas na altura as pessoas pareceram-me disponíveis para falar.
 

LBlackMoon

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Foi um dos temas há uns anos no Parlamento dos Jovens e o debate foi interessante. O problema é que passado pouco tempo, as pessoas esquecem e acabam por ir embora sem nada fazer... É particularmente grave a fuga de jovens daqui, da qual, feliz ou infelizmente faço parte. Fazes bem em explorar
Aconselho especialmente a visitar a Aldeia da Luz. Fui lá há muitos anos, mas na altura as pessoas pareceram-me disponíveis para falar.
Nem eu vivo no sítio de onde sou. Em todos os tempos, e até nos países mais desenvolvidos da Europa, se notam fenómenos de diversificação. Na Alemanha, também haverá pessoas com mais aspirações que procuram realizá-las na cidade. Isso é normal e nada tem de negativo. A questão é que nem todas as pessoas têm tão elevadas aspirações.. Acredito que muitas pessoas haverá que não sairiam do sítio onde nasceram e onde naturalmente quereriam permanecer, se tivessem hipótese de emprego digno, de qualidade de vida e de acesso ao que os moradores dos maiores centros urbanos têm.

E se queremos valorizar o interior, temos mesmo que pegar nisso. Temos que deixar de tratar as pessoas que lá moram de forma exatamente igual às pessoas que moram em Lisboa. Repara: não terei grandes dúvidas que em Lisboa e Porto serão onde se pagam os salários mais elevados. No interior, sei por conhecimento que se vive melhor com salários mais baixos, porque as coisas também são mais baratas (desde o arrendamento, à comida..). Se nós conseguirmos criar um estatuto fiscal que faça as pessoas no interior enriquecer, sem dúvida que tanto pessoas como empresas vão ver aqueles territórios como atrativos, e se vão instalar neles. Agora, precisamos de tratar diferente o que é diferente. Não podemos continuar a cobrar os mesmos impostos de Lisboa a quem vive em Freixo de Espada à Cinta. Se as pessoas não enriquecerem, ou não tiverem hipótese de ganhar algo com instalar-se em territórios atualmente desfavorecidos, não o farão.

E creio que se mais gente se instalar, o desenvolvimento desses territórios impulsionar-se-á. Vai aparecer o emprego, e a melhoria das infraestruturas. Aumentará também a natalidade e a criação de riqueza... E quem beneficia é todo o Portugal.

Só que quem devia decidir, é sempre a mesma coisa... Dizem coisas para o ar, especialmente em tempo eleitoral; e nunca se vê nada conretizado em tempo útil.

EDIT: Sobre o suicídio no Alentejo, e a propósito de um livro sobre o assunto (que fiquei com vontade de ler): Porque é que no Alentejo o suicídio é natural?
 
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Nem eu vivo no sítio de onde sou. Em todos os tempos, e até nos países mais desenvolvidos da Europa, se notam fenómenos de diversificação. Na Alemanha, também haverá pessoas com mais aspirações que procuram realizá-las na cidade. Isso é normal e nada tem de negativo. A questão é que nem todas as pessoas têm tão elevadas aspirações.. Acredito que muitas pessoas haverá que não sairiam do sítio onde nasceram e onde naturalmente quereriam permanecer, se tivessem hipótese de emprego digno, de qualidade de vida e de acesso ao que os moradores dos maiores centros urbanos têm.

E se queremos valorizar o interior, temos mesmo que pegar nisso. Temos que deixar de tratar as pessoas que lá moram de forma exatamente igual às pessoas que moram em Lisboa. Repara: não terei grandes dúvidas que em Lisboa e Porto serão onde se pagam os salários mais elevados. No interior, sei por conhecimento que se vive melhor com salários mais baixos, porque as coisas também são mais baratas (desde o arrendamento, à comida..). Se nós conseguirmos criar um estatuto fiscal que faça as pessoas no interior enriquecer, sem dúvida que tanto pessoas como empresas vão ver aqueles territórios como atrativos, e se vão instalar neles. Agora, precisamos de tratar diferente o que é diferente. Não podemos continuar a cobrar os mesmos impostos de Lisboa a quem vive em Freixo de Espada à Cinta. Se as pessoas não enriquecerem, ou não tiverem hipótese de ganhar algo com instalar-se em territórios atualmente desfavorecidos, não o farão.

E creio que se mais gente se instalar, o desenvolvimento desses territórios impulsionar-se-á. Vai aparecer o emprego, e a melhoria das infraestruturas. Aumentará também a natalidade e a criação de riqueza... E quem beneficia é todo o Portugal.

Só que quem devia decidir, é sempre a mesma coisa... Dizem coisas para o ar, especialmente em tempo eleitoral; e nunca se vê nada conretizado em tempo útil.

EDIT: Sobre o suicídio no Alentejo, e a propósito de um livro sobre o assunto (que fiquei com vontade de ler): Porque é que no Alentejo o suicídio é natural?
É exatamente isso. No entanto, não deixa de ser curioso que em debate nos confrontamos com a questão de não querer transformar isto em "grandes" cidades. Porque a cidade não é um paraíso e porque felizmente há diversidade e opção de escolha para todos os gostos e necessidades. Nesse aspeto, creio que se deva apostar na sustentabilidade das regiões interiores. Não peço um grande desenvolvimento e acho que isso retiraria algo característico destas zonas que nada tem de negativo. O que é negativo é sim a falta de serviços e de oportunidades suficientes. Porque não nego o facto de algumas áreas terem sempre uma tendência para funcionar melhor em cidades - insiro mesmo a minha área, tirando talvez community theatre que há nesta zona.

Quanto ao artigo, irei ler quando tiver um pouco mais de tempo 🧐
 

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É exatamente isso. No entanto, não deixa de ser curioso que em debate nos confrontamos com a questão de não querer transformar isto em "grandes" cidades. Porque a cidade não é um paraíso e porque felizmente há diversidade e opção de escolha para todos os gostos e necessidades. Nesse aspeto, creio que se deva apostar na sustentabilidade das regiões interiores. Não peço um grande desenvolvimento e acho que isso retiraria algo característico destas zonas que nada tem de negativo. O que é negativo é sim a falta de serviços e de oportunidades suficientes. Porque não nego o facto de algumas áreas terem sempre uma tendência para funcionar melhor em cidades - insiro mesmo a minha área, tirando talvez community theatre que há nesta zona.

Quanto ao artigo, irei ler quando tiver um pouco mais de tempo 🧐
A questão não é transformar o interior em cidades. Deus nos livre. Mas é dar a quem lá vive a oportunidade de povoar esse território e de ter uma boa qualidade de vida, com acesso aos bens e serviços necessários a tal. Criação de emprego e de riqueza só beneficiam tanto as regiões como a Nação: cresceremos todos mais e viveremos todos melhor.

Depois de ler esse artigo comprei o livro do sujeito ahah