UniClube de Leitura - Ciclo de Leitura #2 - "Ensaio Sobre a Cegueira"

Alfa

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📖 UniClube de Leitura - Ciclo de Leitura #1 📖
Discussão

Vamos iniciar em breve a discussão do primeiro livro do UniClube de Leitura: "1984", de George Orwell.

📚 Quando vai começar?

No dia 20 de Dezembro, sexta-feira, a partir das 21 horas (para dar aos últimos leitores tempo de terminarem o livro na viagem de regresso a casa, por exemplo...).

📚 Como funcionará a discussão?

A partir do momento em que a discussão é aberta, os participantes no UniClube de Leitura poderão deixar neste tópico a sua opinião e comentários sobre o livro. A discussão não seguirá um formato rígido: a ideia é podermos conversar sobre o livro escolhido e partilhar as nossas opiniões e experiências de leitura.

📚 Isso significa que já vamos poder deixar spoilers?

Sim. A partir do momento em que a discussão é aberta, é permitido aos participantes do tópico escrever o que quiserem sobre o livro, incluindo revelações sobre o enredo. Quem quiser participar na discussão, mas ainda não tenha acabado o livro, pode ainda ler durante o período de discussão, mas deve manter-se afastado deste tópico caso queira evitar spoilers!

📚 E se não tiver nada a dizer?

Terás certamente algo a dizer, nem que seja "gostei" ou "não gostei" e porquê. Isso já é um ponto de partida!

📚 Quem pode participar?

Qualquer pessoa que tenha lido o "1984", mesmo que não tenha sido durante as últimas semanas. Assim, alguém que já tenha o livro anteriormente pode participar, mesmo que não o tenha relido.


Boas leituras!
📖
 

Alfa

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Bom dia a todos! Ontem não tive tempo de aparecer aqui (hoje e amanhã também será complicado) mas estejam à vontade para iniciar a discussão! Quem leu o "1984", o que achou? 🤓
 
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Blasty

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Bom dia a todos! Ontem não tive tempo de aparecer aqui (hoje e amanhã também será complicado) mas estejam à vontade para iniciar a discussão! Quem leu o "1984", o que achou? 🤓
Eu já tinha lido o livro há uns anos e ainda me lembrava de bastantes coisas, mas foi bom relembrar outros pormenores esquecidos. 😁
Não sei bem o que dizer, tirando o facto de que é assustador. 😢 Para além disso, enquanto lia, anotei duas frases que me chamaram a atenção:
  • "A sanidade mental não é questão de estatística."
  • "Morrer a odiá-los, eis a liberdade."
 
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Lazuli

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Ok, vamos lá.

A minha parte favorita foi certamente aquela onde explicaram todo o sistema de como funciona o mundo e tal. Tenho um fascínio pelas formas que levam o mundo a tornar-se distópico, idk. Por acaso hoje sonhei que vivia num mundo assim tipo THT mas não me lembro de nada alem de começar tudo numa faculdade, assinarmos um contrato e depois começávamos a sofrer e sei lá 🤣 a culpa é deste tópico.

Achei bué interessante como está tudo escrito para nos livrar de qualquer gota de esperança, especialmente quando se torna claro que o planeta todo está lixado (sounds familiar).
O tempo todo o gajo (sou péssima com nomes, sei lá como se chama o PERSONAGEM PRINCIPAL e não tenho paciência de ir ver) pensa que a esperança está na população maioritária e no final aquilo que ele via como a esperança foi o seu fim, uau. E a cena de não só os espiarem para ver se cometem crimes mas fazerem por isso com a venda das cenas ilegais 🧐
Também achei bué fixe eles quererem converter as pessoas antes de as matar para não existirem mártires. Smart.
 

CFab

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Bem, por onde começar? 😂
Dizer primeiro que todo o ambiente em que a escrtia nos envolve é quase claustrofóbico. Somos sempre lembrados que não podemos fazer nada que vá contra o que querem que façamos (nem sequer pensar nisso). O telecrã vigiava tudo, mesmo o que quase não era feito. Toda a ideia da novilíngua, o patofalar... Gostei do tom irónico de algumas coisas, como o "Ministério da Paz, que se ocupava da guerra". Destaco ainda o slogan do partido
"Guerra é paz
Liberdade é escravidão
Ignorância é força" que é no mínimo assustador...
Sem dúvida alguma, um livro que nos faz pensar e muito.
 

davis

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"Morrer a odiá-los, eis a liberdade."
^Basicamente a descrição do funcionamento das caixas de comentários dos jornais.

-- // --

Algumas frases que ficaram, e que resumem bem o que se passa no livro. É algo que também diz muito sobre a realidade atual de alguns países em que os governos tentam controlar e impingir a sua versão da História:
  • “Who controls the past controls the future. Who controls the present controls the past.”
  • “One does not establish a dictatorship in order to safeguard a revolution; one makes the revolution in order to establish the dictatorship.”
  • “The masses never revolt of their own accord, and they never revolt merely because they are oppressed. Indeed, so long as they are not permitted to have standards of comparison, they never even become aware that they are oppressed.”
 

Blasty

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Estes vídeos apareceram-me nas sugestões e só conseguia pensar no 1984 enquanto via. 😅
 
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Lazuli

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No artigo que mencionei anteriormente vê-se esta citação e ela lembrou-me do gajo que era bué pró-regime e foi à mesma evaporado porque compreendia demasiado bem o que é que se estava a tentar fazer com o Duckspeak.

2019-12-28 14.36.21 www.academia.edu ab08f856ae57.png
 

Maga70

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Este livro é de facto um bocadinho assustador porque a ausência da liberdade humana é algo preocupante. Quando é afirmado pela personagem no final que ama o Grande Irmão percebe se a tortura mental que ele passou. Bom livro!
 
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Wraak

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Algures na Europa
Heyhey,

Infelizmente não consegui terminar o livro devido a uma terrível gestão de tempo mas gostaria de pelo menos trazer à luz um tópico que é muito relacionado com 1984 e que afeta todos nós: privacidade digital.

Nas últimas 2 décadas a forma como comunicamos mudou imenso com as redes sociais e isso despoletou uma partilha cada vez maior das nossas vidas online. Quando criamos uma conta em redes sociais temos (alguma) noção de que estamos a abdicar de ter segredos, tudo o que fazemos numa aplicação é registado: quanto tempo passamos numa página, quantos cliques fazemos e onde, com quem falamos, o que pesquisamos, o que gostamos ou partilhamos, etc. A resposta mais comum para isto é: "Epa, quero lá saber se o Google sabe tudo o que eu faço, não tenho nada para esconder" e acredito que seja a opinião de muitas pessoas que talvez leiam este post, este pensamento é perigoso e mostra inocência na forma como compreendemos a nossa presença online. Dada esta introdução que pouco diz, deixo aqui alguns materiais interessantes para quem estiver minimamente interessad@ em saber mais:

ou alternativa privada: Glenn Greenwald: Why privacy matters

ou alternativa privada: Citizenfour Official Trailer 1 (2014) - Edward Snowden Documentary HD

ou alternativa privada: The Great Hack | Official Trailer | Netflix

Para quem estiver interessado em aspetos técnicos de como o Google localiza indivíduos através das Google Fonts (que são usadas em grande parte da internet): How assholes track you online: fingerprinting

Decidi partilhar vídeos porque são mais interativos e talvez possam interessar mais a quem não é de áreas técnicas e nem sequer está consciente da realidade digital que vivemos. Se alguém estiver interessado em tornar-se mais privado, aqui está um website espetacular: PrivacyTools - Encryption Against Global Mass Surveillance.

Finalmente, pessoalmente, a mim o que mais me assusta sobre a venda/partilha da minha informação a centenas de empresas (muitas delas que quase ninguém sabe o nome) é que a partir do momento em que eu sou identificável como eu, com os meus gostos e crenças, as plataformas que acesso podem decidir que conteúdo me é apresentado e podem usar esta informação para ocultar conteúdos que possam interessar-me e desafiar as minhas ideias atuais (eleições de 2016 nos EUA são o melhor exemplo disto, The Great Hack para quem quiser saber mais). Todos devíamos estar interessados em uma internet livre, em que toda a informação está imediatamente disponível da mesma forma a todos e não filtrada por algoritmos que têm em conta o que gostamos ou não.

Se quiserem ver a forma como o Google vos identifica para anúncios e outros, chequem esta página no website oficial: adssettings.google.com.
 
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Alfa

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Bem, finalmente tenho um tempinho para escrever aqui.

Já tinha lido o "1984" há alguns anos, quando estava no início do secundário. É claro que relê-lo ao fim de mais de dez anos dá uma perspectiva diferente e houve muitos detalhes que notei e reflexões que fiz aquando desta leitura que não ocorreram na anterior.

Uma das primeiras coisas que me "incomodou", logo nas primeiras páginas, é a forma como o protagonista/narrador encara como normais e pouco dignas de nota as patrulhas de helicóptero para ver o que se passa dentro da casa das pessoas. Leva-nos a pensar no quão terrível pode ser um mundo e uma sociedade na qual este tipo de coisa pode ser encarado como normal. E faz-nos também reflectir sobre as coisas terríveis que ocorrem em sociedades actuais e que são normalizadas e interiorizadas como habituais.

A @Blasty mencionou a frase "morrer a odiá-los, eis a liberdade". A sensação opressiva com que se fica no final da leitura está muito relacionada, pelo menos para mim, com o facto de nem essa vitória mínima e simbólica ser permitida ao protagonista. Muito cedo nos apercebemos de que o livro não poderá propriamente ter um "final feliz". Mas todas as réstias de esperança que se vão acendendo (talvez não sejam apanhados; talvez sejam apanhados, mas não confessem; talvez confessem, mas não se "traiam", no sentido que Winston refere no livro; talvez tudo isto aconteça, mas Winston mantenha um fragmento de si mesmo que lhe permita odiá-los no fim...) são destruídas. Não há qualquer espécie de vitória, social, individual, mental, que seja permitida neste livro. Do início ao fim, somos confrontados com a sensação de completa indestrutibilidade deste modelo de sociedade.

(Como tinha dito antes, temos de ver se escolhemos uma coisa mais animada para a próxima...)

Uma das coisas que achei mais fascinantes (e aterrorizantes) foi a novilíngua. A minha edição do livro tinha um apêndice final sobre esta, que li, apesar de muito do seu conteúdo estar já explicado ao longo do livro. A ideia de eliminar da linguagem os termos que permitam exprimir pensamentos fora da ortodoxia, a dominação total do pensamento através deste mecanismo, é extremamente interessante (num sentido muito assustador). (No entanto, este tipo de ideia pode não funcionar na prática; a novilíngua de Orwell tem alguma ligação com a chamada hipótese de Sapir-Whorf, que não tem grande validação empírica, segundo sei.)
 

Lazuli

Aspie Lunática
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Heyhey,

Infelizmente não consegui terminar o livro devido a uma terrível gestão de tempo mas gostaria de pelo menos trazer à luz um tópico que é muito relacionado com 1984 e que afeta todos nós: privacidade digital.

Nas últimas 2 décadas a forma como comunicamos mudou imenso com as redes sociais e isso despoletou uma partilha cada vez maior das nossas vidas online. Quando criamos uma conta em redes sociais temos (alguma) noção de que estamos a abdicar de ter segredos, tudo o que fazemos numa aplicação é registado: quanto tempo passamos numa página, quantos cliques fazemos e onde, com quem falamos, o que pesquisamos, o que gostamos ou partilhamos, etc. A resposta mais comum para isto é: "Epa, quero lá saber se o Google sabe tudo o que eu faço, não tenho nada para esconder" e acredito que seja a opinião de muitas pessoas que talvez leiam este post, este pensamento é perigoso e mostra inocência na forma como compreendemos a nossa presença online. Dada esta introdução que pouco diz, deixo aqui alguns materiais interessantes para quem estiver minimamente interessad@ em saber mais:

ou alternativa privada: Glenn Greenwald: Why privacy matters

ou alternativa privada: Citizenfour Official Trailer 1 (2014) - Edward Snowden Documentary HD

ou alternativa privada: The Great Hack | Official Trailer | Netflix

Para quem estiver interessado em aspetos técnicos de como o Google localiza indivíduos através das Google Fonts (que são usadas em grande parte da internet): How assholes track you online: fingerprinting

Decidi partilhar vídeos porque são mais interativos e talvez possam interessar mais a quem não é de áreas técnicas e nem sequer está consciente da realidade digital que vivemos. Se alguém estiver interessado em tornar-se mais privado, aqui está um website espetacular: PrivacyTools - Encryption Against Global Mass Surveillance.

Finalmente, pessoalmente, a mim o que mais me assusta sobre a venda/partilha da minha informação a centenas de empresas (muitas delas que quase ninguém sabe o nome) é que a partir do momento em que eu sou identificável como eu, com os meus gostos e crenças, as plataformas que acesso podem decidir que conteúdo me é apresentado e podem usar esta informação para ocultar conteúdos que possam interessar-me e desafiar as minhas ideias atuais (eleições de 2016 nos EUA são o melhor exemplo disto, The Great Hack para quem quiser saber mais). Todos devíamos estar interessados em uma internet livre, em que toda a informação está imediatamente disponível da mesma forma a todos e não filtrada por algoritmos que têm em conta o que gostamos ou não.

Se quiserem ver a forma como o Google vos identifica para anúncios e outros, chequem esta página no website oficial: adssettings.google.com.
Há uns dias a televisão estava num canal chinês e estava a dar uma publicidade qualquer sobre software e identificação de pessoas. Já não me lembro do conteúdo em si mas lembro-me de o achar bué "wt*", especialmente porque estava tudo a ser apresentado com caras felizes e musica inspiradora.
 
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Alfa

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Olá a todos!

(1) Há algumas pessoas que ainda estão a terminar o 1984. Essas pessoas poderão participar na discussão na mesma, que, na prática, ficará aberta indefinidamente; qualquer pessoa pode comentar o livro neste tópico em qualquer momento.

(2) Está na altura de começarmos a pensar no próximo livro! Dêem as vossas sugestões neste tópico! O que gostariam de ler a seguir? Vamos tentar reunir três opções que serão posteriormente votadas.
 

Alexandra S.

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Olá a todos!

(1) Há algumas pessoas que ainda estão a terminar o 1984. Essas pessoas poderão participar na discussão na mesma, que, na prática, ficará aberta indefinidamente; qualquer pessoa pode comentar o livro neste tópico em qualquer momento.

(2) Está na altura de começarmos a pensar no próximo livro! Dêem as vossas sugestões neste tópico! O que gostariam de ler a seguir? Vamos tentar reunir três opções que serão posteriormente votadas.
Cada pessoa pode sugerir mais que um livro?
 
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Alfa

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Cada pessoa pode sugerir mais que um livro?
Claro, quanto mais variedade melhor! Mesmo que as sugestões dadas não sejam aproveitadas para o próximo ciclo de leitura, ficam sempre "arquivadas" e podem vir a surgir mais tarde. 😉
 
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Alexandra S.

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Claro, quanto mais variedade melhor! Mesmo que as sugestões dadas não sejam aproveitadas para o próximo ciclo de leitura, ficam sempre "arquivadas" e podem vir a surgir mais tarde. 😉
Nesse caso, as minhas sugestões são:
1) A Guerra dos Mundos, de H.G. Wells - falamos muito deste livro nas aulas de CCTI e acho que os amantes de ficção científica vão gostar muito. É o próximo na minha lista a (re)ler, portanto fica a sugestão se alguém quiser.
2) Ensaio Sobre a Cegueira, de José Saramago - quão irónico vir a sugerir este livro (@Alfa ). Detestei o Memorial, o que é quase um sacrilégio, vivendo eu onde vivo - mas adorei o Ensaio e acho que é uma boa segunda oportunidade se existirem aqui leitores que, como eu, também não tenham apreciado o Memorial do Convento.
 

Alfa

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Nesse caso, as minhas sugestões são:
1) A Guerra dos Mundos, de H.G. Wells - falamos muito deste livro nas aulas de CCTI e acho que os amantes de ficção científica vão gostar muito. É o próximo na minha lista a (re)ler, portanto fica a sugestão se alguém quiser.
2) Ensaio Sobre a Cegueira, de José Saramago - quão irónico vir a sugerir este livro (@Alfa ). Detestei o Memorial, o que é quase um sacrilégio, vivendo eu onde vivo - mas adorei o Ensaio e acho que é uma boa segunda oportunidade se existirem aqui leitores que, como eu, também não tenham apreciado o Memorial do Convento.
Adoro as sugestões! Obrigado!
 
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Rodrigo Martins

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(2) Está na altura de começarmos a pensar no próximo livro! Dêem as vossas sugestões neste tópico! O que gostariam de ler a seguir? Vamos tentar reunir três opções que serão posteriormente votadas.
(em português, o título é "Viagens")
 

Ariana_

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Tinha prometido que ia terminar o livro durante a minha pausa e lá consegui concluir o objectivo 🥺
Sinto que vou estar a repetir as vossas impressões de leitura, mas uma parte minha continua a achar que devo escrever este post.

Em primeiro lugar, este livro tem um significado relativamente importante para o meu percurso, uma vez que foi com um texto sobre este livro que fui seleccionada para a fase nacional do CNL. O facto curioso é que eu nunca tinha lido o livro na altura, o tema de escrita só seria revelado no momento da prova e apresentavam-nos um excerto de uma recensão sobre o livro com a pergunta "Quem é o Grande Irmão?". Escrevi qualquer coisa sobre isso:

Tiago Matos interroga-nos ao longo do seu texto - Quem é o Grande Irmão? - O Grande Irmão é uma representação da globalização, é um efeito da mesma. Não surgiu nos dias de hoje - a globalização é um processo que começou com os Portugueses, na gloriosa época dos Descobrimentos. Prolonga-se até aos nossos dias e, por isso, estava também presente quando George Orwell escreveu "1984". E quando nasceu o Grande Irmão?

A obra é uma distopia, uma vez que apresenta uma realidade pior que a época em que a obra foi escrita. Assim, quando foi publicada, em 1949, Orwell imaginava "1984" como um mundo contrário ao ato de idealizar. É certo que, dado o contexto histórico da Guerra Fria e da consequente rivalidade entre o bloco soviético e o bloco americano, surgiram organismos de informação (por exemplo, a CIA e a KGB), polícias secretas e especializadas em espionagem. Era o Grande Irmão que nascia, antes invisível e pobre em instrumentos, que tomava uma dimensão física, que nascia do útero da tecnologia, dos organismos políticos e das polícias secretas. Tinha agora os instrumentos necessários à sua omnipresença. Não surpreendem, portanto, todas as teorias da conspiração que surgiram na época, alimentando a desconfiança no mundo em redor e potencializadas pelos meios de comunicação, pela própria tecnologia.

O Grande Irmão é o resultado da globalização e permanece connosco, intemporalmente. Não tem cara - não interessa ter forma material. O desenvolvimento das redes sociais e a ausência de controlo da privacidade dos internautas (bem como o desenvolvimento da tecnologia, de câmaras, tal como o texto refere), fazem com que o Grande Irmão ganhe cada vez mais importância, saindo dum mundo distópico, como "1984", para uma realidade assustadoramente concreta.

Pode ser o vizinho do lado. Podemos ser nós mesmos. Todos são o Grande Irmão e, por isso, é imortal. Somos nós próprios instrumentos do Grande Irmão. No entanto, damos especial gravidade à dimensão política. Sabemos que organismos políticos têm interesse em retirar informações, têm interesse em controlar e em manipular as massas - ideia nascida da teoria marxista. Sempre haverá interesse em controlar outros, é uma garantia do nosso sucesso, é uma forma de averiguar, de entrar sorrateiramente no espaço de outros. É o pão para a boca de quem tem sede de poder. Não teremos todos? Já uma famosa canção dos anos 80 enunciava - "Everybody wants to rule the world.". Eis a resposta - todos queremos dominar o mundo e tal instrumentaliza-se através das grandes potências, que exercem influência em variados domínios, incluindo, obviamente, a referência cultural que fiz a uma música britânica.

Assim, por estas razões, este conceito de "Big Brother" (e não nos referimos a um qualquer programa de tv) permanece uma preocupação e um desafio para o mundo contemporâneo. É ele que permite a manipulação, a alienação, é ele que permite afirmar "Guerra é paz" (imaginem o ridículo!). Torna-se crucial, como já tem sido feito, rever políticas de privacidade, uma vez que poderemos estar a ser vigiados, sem saber quem está "do outro lado". Não sejamos nós o mundo em que Winston Smith viveu!

Spoiler alert: Não tenho um enorme orgulho no que escrevi, mas continua a ser um dos textos seleccionados, por motivos que ainda hoje me interrogo, mas que reconheço a capacidade com que me esquivei de grandes referências a um livro que ainda não tinha lido, mas sabia muitos dos temas abordados, em especial, o contexto histórico. Após a leitura do livro, a minha opinião não se alterou. 1984 não é um testamento político de Orwell, mas é um importante aviso sobre os perigos do totalitarismo. Ler este livro não pretende ser uma experiência agradável e as últimas páginas foram, honestamente, dolorosas porque o livro constrói uma empatia grande do leitor-Winston e chegar ao fim é sempre amargo para quem lê. Não esquecendo, ironicamente, que o autor está a construir camadas de empatia em relação a algo completamente ficcional, mas que, ainda assim, nos afecta. Acho particularmente perturbador o comportamento das crianças dos Parsons, por exemplo. Ugh, acabei de ler o livro há pouco mais de 1 hora e ainda sinto um desconforto enorme. Também tenho pensado bastante sobre a construção de identidades no livro, em particular, o protagonista, por me parecer ser o caso mais complexo, mas a sensação de desconforto que ainda tenho estrangula-me um bocado o que possa pensar sobre o livro. Acho que vou chorar um bocado e talvez regresse um dia a este (dis)tópico 🥴
 

CFab

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Claro, quanto mais variedade melhor! Mesmo que as sugestões dadas não sejam aproveitadas para o próximo ciclo de leitura, ficam sempre "arquivadas" e podem vir a surgir mais tarde. 😉
Bem, já foi sugerido acima um livro que me marcou muito: "Ensaio sobre a cegueira", de Saramago. Mas vou ainda sugerir:
- "E não sobrou nenhum", de Agatha Christie;
- "A criança que não queria falar", de Torey Hayden.