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Sou exatamente como tu. Tenho pais que me adoram sem me entenderem, tenho irmãos com quem luto incansavelmente, tenho amigos que não me conhecem, conhecidos que não me interessam e, tal como tu, já tive de fazer escolhas difíceis.

Para mim, a mais demorada e desgastante ocorreu o ano passado. Demorada porque ainda persiste. Desgastante porque não me vejo livre dela. Falo claro na escolha do curso  que agora frequento.

Entrei em Arquitetura na Universidade do Porto, cidade onde nasci e cresci. É um curso difícil de explicar: somos artistas, mas não fazemos artes, somos mestres sem nos especializarmos, somos aquela malta estranha que tem por paixão casinhas. Ou melhor, eles são.



E digo isto porque a um mês de acabar o ano ainda não me vejo a fazer isto da vida. Porque se o melhor da faculdade são os amigos o pior écom certeza a incerteza avassaladora. Porque de repente não somos mais crianças. As escolhas que fazemos nãooo facilmente irreversíveis e com o futuroo perto da ponta dos dedos falta-nos o ar. Instala-se o pânico e revivemos todas as nossas escolhas certos de que fizemos a errada.

E depois tentamos racionalmente encontrar soluções, outras vias que possamos tomar… e não as vemos. E o pânico instala-se… outra vez. Estás perdido e para piorar a situação achas que és o único. Os teus amigos queixam-se do curso, das cadeiras dos professores mas tu, que estas de fora, vês o puto do brilhozinho nos olhos e sabes que encontraram a vocação. E tu ficas para trás. Deixas-te te estar onde estas porque não sabes para onde te hás de virar. Tens medo de ser um fardo e então ficas calado a sofrer.

Mas a verdade é que não há nada de errado em não saber o que se quer fazer. Ter o futuro sempre presente no horizonte é uma merda, e acho que isso foi a coisa mais importante que aprendi este ano.

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Este texto faz parte de uma nova série de textos de opinião de alunos do ensino secundário e superior sobre a sua visão do ensino e da educação.

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