A 25 de março, um estudante da Universidade de Coimbra começou uma greve para reivindicar uma reforma radical no ensino português. Agora, não está sozinho.

Já são seis os estudantes que todos os dias úteis se sentam em frente à Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra (FLUC). Os alunos têm um manifesto, no qual defendem “um novo rumo para educação” que “reflita os ideais democráticos”, contra a mercantilização do ensino.



Segundo o Público, os estudantes não vão às aulas, não fazem avaliações e não pagam as propinas. Dali só saírão quando atingirem os objetivos, garantem.

Ao jornal, o estudante que deu início ao protesto explica que, “quando vou às aulas, ao meu lado, faltam muitas pessoas. Conheço muitos que gostavam de estar aqui e não têm condições económicas”, afirma.

Por esse motivo, considera que o sistema de avaliação está distorcido. “Eu ia acabar o curso este ano. No final, ia poder dizer que me custou milhares de euros e alguns cêntimos. Mas a nota do diploma não está correta”, refere.

O estudante sublinha a desigualdade económica sentida no sistema de ensino e realça o valor da propina, que tem subido nas últimas décadas, tendo conhecido uma diminuição nesta legislatura. “Tenho colegas que não têm condições para pagar 100 euros de propina. Desceram a propina de 1000 para 800 euros e estão a bater palmas? Parece que é uma brincadeira.”

“Quando começarmos a encarar a educação como um direito e não como um negócio, nem um euro de propina é aceitável. É só cumprir a constituição, não é nada novo”, afirmou outro estudante em protesto.

O aluno da Universidade de Coimbra reitera que não há igualdade, nomeadamente no processo de candidatura ao ensino superior. “Para aceder, contam as notas do secundário. E quem vem do ensino privado parte de patamares diferentes nessa corrida”, sublinha, realçando outro aspeto que os estudantes criticam no ensino: o peso “do individualismo e da competição”.

Perante estas condições, o estudante admite não ter outra possibilidade. “É inevitável eu fazer esta greve. Tenho de ter condições para voltar para ali para dentro”, diz.