A Universidade de Coimbra foi a única instituição portuguesa a melhorar o seu desempenho na edição de 2027 do prestigiado ranking da consultora Quacquarelli Symonds (QS). A Universidade de Lisboa continua a liderar a nível nacional, num ano marcado por quedas generalizadas e pela entrada da Beira Interior e de Évora no mapa mundial.
Já foram divulgados os resultados do QS World University Rankings 2027, um dos barómetros mais importantes e aguardados do ensino superior global. Este ano, o panorama para as instituições portuguesas revela uma tendência de recuo nas pontuações, com quase todas as universidades de topo a perderem algumas posições. A grande e honrosa exceção pertence à Universidade de Coimbra (UC), que não só contrariou a tendência nacional como garantiu a sua melhor marca de sempre nesta tabela.
A edição de 2027 avaliou mais de 8800 instituições em todo o mundo, listando de forma detalhada as 1504 melhores. Com a inclusão de duas novas instituições este ano, Portugal passa a estar representado por 11 universidades no ranking mundial.
O Pódio Nacional: Lisboa lidera mas Porto e Nova registam quedas
A Universidade de Lisboa (ULisboa) mantém o estatuto de melhor universidade portuguesa nesta classificação, ocupando o 237.º lugar a nível global. Contudo, a instituição registou uma ligeira quebra de sete posições face à edição anterior (onde se encontrava no 230.º posto).
A maior descida no topo da tabela nacional pertenceu à Universidade do Porto (UPorto), que caiu 18 posições, fixando-se no 255.º lugar mundial (estava em 237.º em 2026). A fechar o pódio em Portugal surge a Universidade Nova de Lisboa, que desceu dez lugares e ocupa agora a 337.ª posição.
O feito histórico de Coimbra
O grande destaque nacional vai inteiramente para a Universidade de Coimbra (UC). Sendo a única universidade portuguesa a registar uma subida líquida no ranking deste ano, a UC escalou cinco posições e alcançou o 342.º lugar mundial, superando o seu recorde histórico fixado no ano anterior (347.º lugar). Embora continue a ser, em termos absolutos, a quarta força nacional no ranking, a instituição de Coimbra aproxima-se significativamente da Universidade Nova de Lisboa.
Comparação detalhada: Como se saíram todas as universidades portuguesas?
A análise detalhada dos dados do 2027 QS World University Rankings permite-nos traçar o perfil evolutivo de cada uma das 11 representantes nacionais entre 2026 e 2027:
- Universidade de Lisboa: 237.º lugar (Desceu 7 posições — era 230.º)
- Universidade do Porto: 255.º lugar (Desceu 18 posições — era 237.º)
- Universidade Nova de Lisboa: 337.º lugar (Desceu 10 posições — era 327.º)
- Universidade de Coimbra: 342.º lugar (Subiu 5 posições — era 347.º)
- Universidade de Aveiro: 425.º lugar (Desceu 6 posições — era 419.º)
- Universidade do Minho: 572.º lugar (Desceu 6 posições — era 566.º)
- Universidade Católica Portuguesa: Intervalo 791-800 (Ligeiro recuo — estava no intervalo 781-790)
- Iscte – Instituto Universitário de Lisboa: Intervalo 851-900 (Descida — estava no intervalo 711-720)
- Universidade da Beira Interior (UBI): Intervalo 901-950 (Nova Entrada)
- Universidade do Algarve: Intervalo 1001-1200 (Manteve a mesma posição face a 2026)
- Universidade de Évora: Intervalo 1201-1400 (Nova Entrada)
(Nota: A partir da 500.ª posição, a consultora QS agrupa as universidades em intervalos de classificação).
A entrada da Universidade da Beira Interior e da Universidade de Évora constitui um marco muito positivo para a coesão territorial e o reconhecimento internacional da investigação e do ensino feitos no interior de Portugal.
Panorama Global: Domínio anglo-americano e a liderança inabalável do MIT
Lá fora, o topo do mundo continua a falar inglês. O Massachusetts Institute of Technology (MIT), nos Estados Unidos, mantém-se firmemente ancorado na 1.ª posição mundial.
O grande destaque no topo vai para o empate técnico na 2.ª posição, partilhada pelo Imperial College London (Reino Unido) e pela Universidade de Stanford (EUA). Logo a seguir surgem a Universidade de Oxford (4.º) e a Universidade de Harvard (5.º). O domínio anglo-americano é de tal forma evidente que estas duas potências académicas partilham oito das dez primeiras posições mundiais (quatro instituições para cada país).
Como funciona a avaliação?
O QS World University Rankings baseia-se numa métrica rigorosa composta por nove indicadores de desempenho bem delimitados. Se queres perceber o que dita o sucesso ou a queda de uma instituição, estes são os critérios com maior peso na nota final:
- Reputação Académica (30%): Avaliada com base nas respostas de milhares de académicos em todo o mundo.
- Citações Científicas por Docente (20%): Mede o impacto e a relevância da investigação produzida pela universidade.
- Reputação entre Empregadores (15%): Sondagem global sobre a qualidade dos graduados aos olhos do mercado de trabalho.
- Rácio Docente/Estudante (10%): Mede a capacidade e recursos de acompanhamento letivo.
Embora estes rankings gerem frequentemente debate e alguma controvérsia na comunidade académica — dado que assentam em sondagens de opinião e critérios com visões muito específicas do ensino —, continuam a ser ferramentas cruciais de prestígio internacional, influenciando a atração de estudantes estrangeiros, parcerias científicas e o posicionamento das nações junto de entidades como a OCDE.

