Haverá mudanças no programa de Matemática do ensino secundário

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As mudanças já começaram a ser testadas no ensino básico. O objetivo é apostar na literacia financeira e no raciocínio computacional dos alunos.

Com o avanço destas alterações ficam definitivamente enterrados os programas e metas curriculares aprovados no tempo do ministro Nuno Crato, durante o Governo de Passos Coelho.

O que entra em discussão nesta semana?

Há três documentos que entram em discussão pública e que visam o ensino da matemática no secundário.

O objetivo é fazer mudanças ao nível da Matemática A, lecionada nos cursos Cientifico-Humanísticos, na Matemática B, do curso de Artes Visuais e ainda na Matemática dos cursos Profissionais.

Só a matemática aplicada às ciências sociais (MACS), ensinada no curso de Línguas e Humanidades não vai sofrer alterações.

Qual a grande novidade?

Desde logo, o programa vai ser encurtado. O grupo de trabalho entendeu que era preciso dar atenção à extensão do programa, para que fosse exequível e cumprido dentro do prazo dos três anos do ensino secundário.

Quais as prioridades?

Passam pela diversificação de temas:

– Literacia Financeira, com trabalhos previstos sobre a Matemática nos salários, a Matemática nos impostos ou a matemática nos descontos e promoções.

– “Matemática para a Cidadania”, ou seja, ter uma matemática que valorize o desenvolvimento da literacia estatística e a análise de modelos financeiros

– A valorização do pensamento computacional, portanto pretende-se desenvolver práticas como a abstração, o reconhecimento de padrões, a analise e definição de algoritmos. Está prevista também a utilização do programa em linguagem Python

– Teoria Matemática das Eleições. Segundo o jornal Público é proposto que os professores analisem, com os alunos, as eleições presidenciais de 1986, as mais disputadas de sempre em Portugal. O objetivo é ensinar os jovens a identificar quem ganha num processo eleitoral através de maioria simples e maioria absoluta. Pretende-se ainda que os alunos sejam capazes de discutir o Método de Hondt e as suas vantagens e desvantagens face a outros métodos.

O que muda no ensino profissional?

Pretende-se criar um conjunto de seis módulos obrigatórios para facilitar, tanto a transição entre cursos profissionais, como a transição com os cursos gerais, do ensino secundário.

Os módulos oferecidos aumentam de 18 para 24, para poder haver uma melhor adequação à enorme diversidade de cursos profissionais. São criados, por exemplo, os módulos de Biomatemática e Criptografia.

A avaliação dos alunos vai sofrer alterações?

As formas de avaliar não vão esgotar-se nos tradicionais testes. Devem incluir apresentações em vídeo, desenvolvimento de blogues ou apresentação de relatórios.

Quando entra em vigor?

O objetivo é que as mudanças entrem em vigor em 2024 para o 10.º ano, alargando-se gradualmente até ao 12º ano, no ano letivo 2026/27.