Foto de Sérgio Azenha @ Público

Haverá realmente praxe?

Inicio esta minha parábola por apresentar as minhas sinceras desculpas aos mais sensíveis mas, de acordo com a minha humilde opinião, já não se realiza a verdadeira praxe há alguns períodos.

Enganados pela evolução destes estranhos tempos, os universitários idealizaram um conjunto de conceitos e regras (por sua vez correctas, em que não tenho nada a apontar) mas com os seus significados totalmente deturpados. E, para agravar o que parece não ter cenário pior, juntam-se os barulhentos que contestam e esbracejam contra uma tradição que não tem culpa de não encontrar bons representantes.

Perguntarão vocês: mas de que lado desta desavença estará este opinador? Bom, dos dois lados mas de exactamente lado nenhum. Como poderei eu realizar tal escolha quando simpatizo com a causa mas não com a sua interpretação? Resumindo, como posso eu defender a praxe quando esta é praticada tão desnaturadamente? Temo que esta não seja só uma opinião minha ou talvez fique aliviado por saber que há quem não se sinta realizado, tal como eu.



Eu gostava de conseguir exercer a real praxe, simples mas com uma mensagem incrivelmente única. Eu tentei. Fiz de tudo, como melhor sabia. Concluo que também não foi a mais correcta. Bastou uma conversa com “os velhos” que nós achamos que não percebem minimamente do assunto e pesquisar. Exactamente por isso tomei a iniciativa de me retirar e entrar no círculo dos meros espectadores. E, finalmente, entendo as lacunas daquilo que, tão afincadamente, defendi.

Espero que todos se sintam revoltados com estas palavras infâmes: praxistas, não-praxistas e, claro, aqueles que afirmam praxar mas sem saber o porquê.

Quem resmunga, que pesquise. Que acha que tudo está bem, deve pesquisar de igual forma. É verdade que os tempos mudam, outras mentalidades surgem e, por sua vez, métodos novos nascem. Mas há uma coisa que nunca poderá mudar: o significado e intuito da praxe.

O que pretendo com isto? Deixar a pensar. Não, não quero criar mais conflitos desnecessários. Bem, se for necessário para que algo mude, então que hajam. Tudo depende do bom-senso, claro. Percebam que, tanto os defensores da praxe como aqueles que a repugnam, estão errados.

Haverá realmente praxe? Representa, de facto, uma interessante questão.

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Este texto faz parte de uma nova série de textos de opinião de alunos do ensino secundário e superior sobre a sua visão do ensino e da educação.

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