Introversão: a minha jornada da descoberta do meu superpoder


Quando estava a pesquisar para tentar escrever algo que merecesse a atenção de quem me lê, reparei que não consegui encontrar (pelo menos recentes) artigos de opinião que falassem de um específico tema, que em especial me afeta: a introversão.

Desde pequena que sempre fui considerada uma rapariga tímida, que pouco ou nada falava em festas com família, que gostava de estar no seu canto a fazer as suas coisas e que preferia estar em casa em oposição a ir sair.

Durante toda a minha vida, que não é assim tão longa, fui bombardeada com comentários deste género: “Porque é que não falas?”, “Devias participar mais nas aulas”, “ Nunca tinha ouvido a tua voz antes” ou até mesmo, comentários dirigidos a quem se encontrava comigo do género: “Ela sabe falar?”. Isto é extremamente doloroso, e a verdade é que só quem passa por esta situação, sabe o quanto.

Ora, isto sempre me fez sentir que existia algo de errado comigo, porque não gostava de fazer o que toda a gente gostava, não gostava de estar rodeada de muita gente e apenas tinha dois ou três pessoas a quem considerava serem realmente meus amigos. Que estranho, não é? Será que há algo de errado comigo? Por muito tempo achei que a resposta a esta pergunta fosse um grande “SIM!”, mas tenho vindo a aperceber-me que a verdadeira resposta é “Não”. Mas o processo desta descoberta, foi bastante demorado.

Desde que percebi que sou uma pessoa introvertida tenho feito o esforço de me conhecer melhor, perceber melhor que tipo de pessoa sou e aprender a aceitar-me, sem deixar de procurar evoluir e melhorar-me a cada dia, dentro do possível. Existe muita informação errada e as pessoas assumem coisas sobre introvertidos e pessoas tímidas que muitas vezes estão completamente erradas.

Um dos melhores livros que já li na minha vida, ensinou-me imenso acerca de mim própria e também a descobrir capacidades em mim que achei nunca teria. Esse livro é o “Quiet- The Power of Introverts in a World That Can´t Stop Talking” de Susan Cain. Enquanto lia este livro não conseguia parar de ficar espantada por finalmente me estar a sentir compreendida, pois sempre achei que ninguém se sentia como eu já me senti tantas vezes, mas isso afinal, não era verdade. Senti-me assim, porque estava a ler o testemunho de alguém “como eu”. Na verdade, este livro ensinou-me e, penso que pode ensinar muito, quer a pessoas introvertidas a conhecerem-se melhor, quer a pessoas extrovertidas, a aprenderem e a saberem lidar melhor com este tipo de pessoas.

Todos deveríamos ler este livro: adolescentes, pais e professores. Eu, aprendi que afinal ser introvertida não têm de ser algo negativo e que pode mesmo ser, e usando a expressão de Susan Cain:“um superpoder”. Aprendi que existem capacidades dentro do meu mundo introvertido que podem fazer de mim uma pessoa interessante e que posso contribuir para fazer do mundo um lugar melhor, tal como sou, algo que sempre achei impossível. Se calhar, ao invés de falar tanto, posso utilizar as palavras da maneira em que me soa mais confortável, na escrita. E posso contribuir mais numa conversa ouvindo, do que falando.

Existe (ou deveria existir) um mundo em que todos possamos ser aceites como somos, porque parece que a sociedade nos diz que ser uma pessoa extrovertida é o “melhor”, mas não tem de o ser. Todos temos capacidades e talentos escondidos dentro de nós, sejamos nós introvertidos, extrovertidos ou no algo no intervalo destes dois espetros.

Se antes achei que seria diferente e isso era errado, hoje apercebo-me que estava apenas a ser eu própria e que isso nunca deve ser considerado um erro.

Durante muito tempo não me aceitei como era, porque achava que não era boa “o suficiente” e porque não encaixava no estereótipo de uma adolescente de 17 anos. Agora, e em muita parte por ter lido este livro, acredito mais em mim. (Vejam lá, até já faço apresentações orais, que sempre me recusei a fazer durante anos e que me deixavam aterrorizada!). Olho para trás e desejava que nunca tivesse ouvido os comentários que ouvi, porque foram eles que não me deixaram ver o meu potencial mais cedo.

Por fim, quero deixar uma palavra de solidariedade para quem passou ou passa pelo que eu passei. Não é fácil, mas é possível sermos felizes dentro da nossa “condição”, se assim me permitem chamar, para isso só precisamos de perceber que isto pode e deve ser um superpoder que podemos usar a nosso favor.

Espero que um dia o mundo esteja mais ensinado no que diz respeito a este assunto (o livro que falei já veio a ajudar imenso nisto) e, espero que quando assim o for, mais nenhuma menina ou menino oiça as palavras que eu ouvi.

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Este texto faz parte de uma série de textos de opinião de alunos do ensino secundário e superior sobre a sua visão do ensino e da educação.

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