Entre 29 e 31 de março, todos os caminhos foram dar ao JeniAL – Encontro Nacional de Júniores Empresários – promovido, na sua 10ª edição, pelas júnior empresa oriunda da Faculdade de Economia da Universidade do Porto (FEP Junior Consulting) e Federação de Júnior Empresas de Portugal (JADE Portugal).

O tema? “Empreendedorismo? Define a tua rota”, um caminho trilhado pelos mais de 200 júniores empresários que estiveram presentes no encontro onde ocorreu a cerimónia da entrega dos JeniAL Awards. Prémios em que a divulgação, a expansão e o aprofundamento do conceito de júnior empresa, bem como das boas práticas de empreendedorismo académico, imperam.

Os JeniAL Awards dividem-se em cinco categorias. Do painel de jurados, fazem parte personalidades relevantes e com experiência no universo das iniciativas, da inovação e do risco. Este ano, a Júnior Empresas do Instituto Superior Técnico (JUNITEC), que completa o seu 29º aniversário, arrecadou os prémios de Projeto do Ano, Júnior Empresa Mais Inovadora e Júnior Empresa Mais Promissora. Já a Júnior Empresa da Faculdade de Farmácia da Universidade de Lisboa (LisbonPH), com apenas 5 anos, destacou-se como Júnior Empresa do Ano e Júnior Empresa Mais Socialmente Responsável.



Para compreender como a academia e o mundo empresarial se interligam, o Uniarea esteve à conversa com Gil Afonso Coelho – estudante do Mestrado Integrado em Engenharia Aeroespacial e presidente da JUNITEC – e com Alice Ramos – aluna do Mestrado Integrado em Ciências Farmacêuticas e presidente executiva da LisbonPH.

Maria Moreira Rato (M.M.R.): Os jeniAL Awards constituem “a distinção de exemplos de boas práticas e inspiram à definição de objetivos comuns cada vez mais altos”. O que significa ser presidente de uma júnior empresa que se destacou em várias categorias do concurso?

Alice Ramos (A.R.): Foi com um grande orgulho e sentimento de recompensa que, no passado dia 30 de março, vi a LisbonPH ser distinguida com os prémios “Júnior Empresa Mais Socialmente Responsável” e “Júnior Empresa do Ano”.
Presidir à LisbonPH e fazer parte desta espetacular equipa, que atualmente coordeno, é um constante desafio e um trabalho a tempo inteiro que desenvolvo com todo o empenho e carinho. Desafia-me diariamente, faz-me pensar “fora da caixa” e querer contribuir para o desenvolvimento deste projeto, maior que qualquer um de nós.
Mais que os prémios que colecionamos, ser presidente da Júnior Empresa do Ano é querer torná-la uma referência em todos os setores onde se insere mas também um espaço onde os nossos membros se sintam realizados e com liberdade para colocar em prática as suas ideias e crescer, lado a lado, com esta iniciativa.

Gil Afonso Coelho (G.A.C.): Antes de presidente, ser membro de uma júnior empresa que se destacou em três das cinco categorias, é um orgulho e uma confirmação de muito trabalho e dedicação ao longo dos últimos anos.
Como presidente, encaro com muita responsabilidade e felicidade a oportunidade de liderar uma organização composta por alguns dos melhores talentos a nível nacional – e que é agora reconhecida pelo esforço cumulativo de várias gerações de membros, direções e presidentes.

M.M.R.: O que representa obter estas distinções numa competição onde participaram 16 júnior empresas?

A.R.: Tornou o momento ainda mais especial e credível. É por pertencermos ao Movimento Júnior, trabalharmos de perto com as restantes Júnior Empresas e conhecermos, em primeira mão, os padrões de excelência e qualidade pelo qual é pautado o trabalho de cada uma, que reconhecemos o valor dos prémios atribuídos.
Estamos cientes de que o Movimento Júnior é a maior incubadora de talentos, a nível universitário, e não encaramos, de todo, estes prémios como algo garantido.
O ambiente de entreajuda, empreendedorismo, vontade de inovar e fazer mais que se vive entre as Júnior Empresas só nos motiva para, todos os anos, abraçar novas práticas, novos projetos, limar arestas e continuar a ser uma referência dentro deste Movimento.

G.A.C.: É importante, em primeiro lugar, reconhecer que as júnior empresas trabalham como parte de uma rede e muito raramente o sucesso de uma pode ser completamente desassociado das outras.
A JUNITEC aprendeu, e continua a aprender continuamente, com as melhores práticas: tanto dos nossos colegas a nível nacional como internacional.
Não apenas por serem 16, mas sim por serem 16 júnior empresas com iniciativas de elevado nível e impacto, com membros dinâmicos, inteligentes e competentes temos noção de que é uma competição de alto nível. Por isso, estas distinções representam ainda mais para nós.



M.M.R.: Ou seja, representam o reconhecimento do trabalho desenvolvido ou uma responsabilidade acrescida também?

A.R.: Ser distinguido em duas categorias tão importantes é um reconhecimento merecido por todo o trabalho e entrega que os mais de 40 membros têm todos os dias do ano.
É também, sem dúvida alguma, uma responsabilidade acrescida. As várias distinções que temos recebido ao longo dos anos espelham o trabalho de elevada qualidade que é produzido pela LisbonPH.
Não é de todo nossa intenção reverter estas tendências e queremos preservar as boas práticas que nos levaram a atingir este patamar e que, consequentemente, resultaram nestas tão ambicionadas distinções.
No entanto, o foco da LisbonPH é sempre o crescimento do nosso projeto, a inovação no setor onde nos inserimos e a satisfação e desenvolvimento dos membros que compõem a nossa Júnior Empresa. São estas premissas que estão na base de todas as decisões que são tomadas e é a aposta nestes três pilares, o segredo de todas as nossas conquistas!

G.A.C.: Sem dúvida que representa ambos. Nenhum reconhecimento é atribuído sem expectativa da continuação do bom trabalho. Mas, encaramos esta responsabilidade acrescida de forma confiante pois faz parte da natureza da JUNITEC ambicionar cada vez mais.
Não tenho dúvidas de que mesmo sem as distinções procuraríamos ser “melhores que ontem”. A diferença é que agora o “o ontem” carrega também trabalho que produziu três JeniAL Awards.

M.M.R.: A JUNITEC arrecadou o prémio “Projeto do Ano” que procura “dar o reconhecimento formal a todas as horas de trabalho e dedicação de uma equipa”. Por outro lado, a vertente da responsabilidade social da LisbonPH foi realçada. As júniores empresas a que presidem simbolizam o esforço e inovação inerentes ao empreendedorismo jovem?

A.R.: Sem dúvida que sim. De nenhuma outra forma teria sido possível, a uma Júnior Empresa constituída na íntegra por estudantes de Ciências Farmacêuticas, destacar-se desta forma pelo quarto ano consecutivo.
Pertencer à LisbonPH é sinónimo de não ter medo, arriscar e de nos lançarmos numa nova realidade, até então, completamente desconhecida – com a expetativa de que nos tornaremos pessoas mais conhecedoras e mais experientes.

G.A.C.: Acredito que sim. Como Júnior Empresa ativa mais antiga em Portugal, a JUNITEC carrega os valores inerentes a todas as Júnior Empresas. É também um excelente exemplo daquilo que pode acontecer quando um grupo de jovens se dedica a inovar, procurando impactar disruptivamente a sociedade.
Para mim, este tipo de iniciativas é um dos melhores exemplos de empreendedorismo que temos e representa perfeitamente a capacidade dos júnior empresários.

M.M.R.: A JUNITEC e a LisbonPH afirmam-se através dos projetos que realizam mas também como incubadoras de grandes talentos. Em poucas palavras, como as descreveriam?

A.R.: De uma forma muito simples, descrevo-a como a oportunidade perfeita de formação complementar para qualquer estudante do Mestrado Integrado em Ciências Farmacêuticas da Faculdade de Farmácia da Universidade de Lisboa.
Ambicioso, perspicaz e com vontade de sair da sua zona de conforto. Existe uma expressão que muito utilizamos e que tem vindo a ser transmitida entre as várias gerações que já passaram por esta casa e que considero que em muito se aplica à nossa realidade: “Tudo o que deres à LisbonPH, esta dar-te-á a duplicar”.

G.A.C.: Uma família e uma escola. Uma organização composta por jovens estudantes universitários cheios de ambição e vontade de fazer a diferença, preparados para impactar a universidade, o meio empresarial e a sociedade através de práticas empreendedoras e de aplicações inovadoras na tecnologia.
O mais importante não é saber fazer, é a vontade de querer fazer e a dedicação para ultrapassar obstáculos (inevitáveis em qualquer percurso) atingindo grandes sucessos – acredito que seja o motivo para tantos talentos saírem da JUNITEC.