Legislativas 2022: propostas dos partidos políticos sem representação parlamentar para a Educação e Ensino Superior


Este artigo reúne as medidas de política do sector da Educação e Ensino Superior propostas pelos partidos políticos sem representação parlamentar nos programas eleitorais para as eleições legislativas de 2022. Podes encontrar as medidas dos partidos políticos com representação parlamentar focadas na Educação até ao Ensino Secundário neste outro artigo. Encontras ainda noutro artigo as propostas desses partifos para os Exames Nacionais e o Acesso ao Ensino Superior e ainda neste outro as propostas dos partidos com representação parlamentar para o Ensino Superior.

Listam-se em baixo todas as ideias de todos os partidos sem assento parlamentar (na sequência das eleições legislativas de 2019). Nesse sentido, consideraram-se os capítulos destinados ao sector da educação e do Ensino Superior, aparecendo os partidos pela ordem dos resultados das últimas eleições Legislativas 2019. O Volt concorre pela primeira vez e aparece no fim. No âmbito dos temas abordados pelo Uniarea, existiu um foco nas medidas  que abrangem o Ensino Básico e Secundário, deixando de fora, por exemplo, as medidas ligadas à educação pré-escolar ou à contratação dos professores. O mesmo foi realizado no ensino superior, deixando de fora, por exemplo, as medidas ligadas à ciência ou aos centros de investigação. Vamos então às propostas.

Aliança

O programa eleitoral do partido ainda não foi tornado público.

Partido Comunista dos Trabalhadores Portugueses

No manifesto para as Eleições Legislativas 2022 apenas encontramos a seguinte proposta:

  • Sistemas assumidamente universais e gratuitos para o Ensino e Saúde, impedindo o financiamento do privado pelo público.

Reagir Incluir Reciclar

O Programa pode ser consultado aqui, prevê as seguintes medidas:

  1. Oportunidades de aprendizagem, respeitando a individualidade de cada aluno:
  • A escola deve ser acessível e flexível, por isso queremos garantir que todos têm acesso às mesmas oportunidades ao longo do percurso escolar;
  • Integrar de uma forma facilitada outras formas de aprendizagem como o ensino à distância, ensino para a itinerância e doméstico, contribuindo com meios humanos e digitais para a sua concretização;
  • Criar estruturas gratuitas de ocupação de tempos livres;
  • Promover a cidadania;
  • Promover a multiculturalidade e o seu respeito;
  • Incentivar o ensino artístico e da programação;
  • Integrar temas como a sustentabilidade, sexualidade, retórica, etc., desde cedo;
  • Integrar profissionais de saúde nas escolas, nomeadamente nutricionistas;  Incentivar a deteção precoce de problemas de desenvolvimento da linguagem e da numeracia;
  • Criar oferta para públicos específicos com mais línguas estrangeiras, artes circenses, etc.;
  • Reforçar o ensino da matemática;
  • Reforçar a orientação vocacional dos alunos;
  • Garantir o exercício dos direitos da pessoa com deficiência ou diversidade funcional no acesso à escola, nomeadamente nas barreiras físicas e na falta de recursos técnicos;
  • Promover o ensino do português junto das comunidades emigrantes;
  • Melhorar a diversificação do ensino profissional e dotá-lo de mais e melhores meios;
  • Incluir serviços mínimos de voluntariado no âmbito da disciplina de educação cívica.

2. Ensino superior de qualidade, gratuito e de acordo com as necessidades do mercado de trabalho

  • Garantir a acessibilidade ao ensino superior, independente da condição económica e geográfica do aluno;
  • Apoio na frequência do ensino superior que vão para além das propinas, com a criação de mais residências e outras estruturas ao redor das universidades que permitam ao aluno desenvolver as suas capacidades, tais como bibliotecas, salas de estudo, laboratórios, etc.;
  • Dignificar e prestigiar o ensino superior técnico;
  • Internacionalizar as nossas instituições de ensino para que se tornem atrativas a estudantes internacionais, facilitando a mobilidade estudantil;
  • Estimular a frequência de trabalhadores-estudantes, reforçando os horários pós-laborais;
  • Promover o aumento da frequência de alunos com deficiência, melhorando as condições físicas, de acolhimento e recursos humanos;
  • Estimular um ensino superior mais diversificado, nomeadamente nas áreas tecnológicas e artísticas.

Ergue-te

O Programa Eleitoral pode ser encontrado aqui. O capítulo dedicado à Educação prevê as seguintes medidas:

  • Rever toda a política de manuais escolares de forma a garantir a validade de cada manual escolar por três anos e reduzindo o preço de aquisição;
  • Acabar com a politização dos manuais e libertar o ensino da influência do «politicamente correcto» ideológico e do marxismo cultural;
  • Aumentar os níveis de exigência do ensino e combater o facilitismo;
  • Tornar obrigatório que todas as escolas públicas tenham hasteada a Bandeira Nacional;
  • Tornar obrigatório cantar o Hino Nacional nas escolas públicas, no primeiro dia aulas da semana;
  • Restaurar a segurança nas escolas, no interior e nas imediações dos estabelecimentos;
  • Criar Escolas Técnico-Profissionais, com forte componente prática, para possibilitar a formação de jovens especializados em áreas específicas, onde encontrem saída profissional e sejam úteis, também, à produção nacional;
  • Definir, com caráter durador, programas, currículos e métodos de ensino;
  • Abolir a disciplina de “Cidadania”;
  • Criar programas concretos de Área de Projecto e Formação Cívica, com interesse específico, quer para o aluno, quer para a comunidade;
  • Criar um “Regulamento do Aluno”, que assente na exigência do conhecimento e do esforço, na disciplina e na implementação de valores patriotas e morais;
  • Anular o “Acordo Ortográfico” nas escolas e repor o Português correcto;
  • Apoiar as famílias que optam por ter os filhos em colégios particulares e que desse modo aliviam o Estado com o custo de um posto escolar, através da atribuição de um “Cheque-escolar” tendencialmente igual ao valor de um posto escolar no Ensino Público;
  • Fundir num só Ministério a Educação e Cultura para criar sinergias, com o objectivo principal de promover a cultura portuguesa e salvaguardar o património imaterial da nossa Nação, num ambiente educacional vocacionado para o sentimento patriótico e de pertença a uma comunidade com identidade própria;
  • Reverter a actual municipalização do ensino, geradora de maiores assimetrias no âmbito da Educação, de acordo com o desenvolvimento municipal, e de aumento da burocracia.

Partido da Terra

O seu Manifesto Eleitoral pode ser consultado aqui. As propostas que encontramos na área da Educação:

  • Promoção de programas escolares que visem a literacia alimentar e nutricional, bem como a adaptação curricular escolar à educação, à sensibilização ambiental e à literacia do oceano;
  • Incentivar hábitos e estilos de vida saudáveis, promovendo a educação física nas escolas e nos locais de trabalho, através da implementação de tempos de exercício físico;
  • Promover a ética nas escolas e nas universidades, incentivando a educação e as boas práticas de cidadania.

Nós, Cidadãos!

O seu programa político pode ser consultado no seu site. As suas propostas na área da Educação:

  • Proceder a uma intensa e radical desburocratização das práticas e dos processos administrativos aplicados à gestão da Educação, dado que a vida dos docentes tem estado submersa por papéis, processos, reuniões e práticas administrativas sem sentido.
  • Assumir a progressiva autonomia das escolas e flexibilidade dos currículos. O poder deve confiar nos professores e entregar-lhes a responsabilidade de gestão das escolas, instituindo um curriculum nacional mínimo e deixando o curriculum complementar à competência das escolas.
  • Reorganizar globalmente os planos de estudo e os programas disciplinares, articulando-os vertical e horizontalmente, de modo a torná-los sequenciais e coesos. A dispersão disciplinar deverá dar lugar à preponderância de saberes fundamentais e adequados aos públicos-alvo.
  • Reestruturar o ensino profissional, que não pode persistir numa formação de papel e lápis, orientando-o para áreas prioritárias de formação, que serão definidas em estreita articulação com as necessidades do tecido empresarial português.
  • Auditar do ponto de vista financeiro, pedagógico e científico o programa Novas Oportunidades. Reapreciar e reformar os programas EFA (Educação e Formação de Adultos) e CEF (Cursos de Educação e Formação). A formação de adultos não pode ser descurada pela escola pública.
  • Valorizar o ensino artístico, nomeadamente o musical, que deve ser alargado, em parceria com associações e entidades da sociedade civil. O ensino artístico faz parte da educação integral que defendemos.
  • Relativamente ao ensino superior, o Estado deve procurar garantir que todos os jovens com ambição e as competências de acesso não sejam impedidos de o fazer por razões financeiras, disponibilizando um rigoroso e criterioso mecanismo de bolsas ajustado à realidade social dos estudantes.

Alternativa Democrática Nacional

O programa eleitoral para as Legislativas 2022 pode ser consultado aqui. A área da Educação, mais do que medidas concretas, tem um conjunto de princípios orientadores:

  • O ADN entende que toda a pessoa tem direito à educação. O ensino elementar é obrigatório, pois a aquisição de certas competências basilares é fundamental para a condução da vida independente numa civilização complexa como a Ocidental. Para além do ensino obrigatório, deve ser disponibilizada a possibilidade de ensino facultativo continuado em qualquer fase da vida.
  • O ensino de todos os graus académicos deve ser providenciado pelo Estado, de modo tendencialmente gratuito, e o seu acesso universal garantido a todos os cidadãos em plena igualdade de oportunidades e em função do seu mérito, admitindo que cada um possa optar, livremente, pelo ensino público ou privado.
  • Compete aos pais de menores o direito de escolher a orientação da educação dos seus filhos.
  • Apesar de o ensino ser inclusivo e dirigido a todos, deve-se evitar o facilitismo e manter a excelência dos currículos, bem como uma avaliação rigorosa, eficaz na distinção de competências e mérito. Devem para isso estar disponíveis programas educativos diversificados, capazes de corresponder às espectativas dos alunos, tendo os mesmos uma base curricular comum – a indispensável.
  • O ADN entende que a educação de excelência é a condição necessária para a participação democrática plena e consciente, bem como para o desenvolvimento económico, social e cultural do país, dado que a instrução é um fator associado à defesa das liberdades fundamentais, da compreensão, tolerância e aceitação da novidade e da diferença. O investimento numa educação exigente e rigorosa colherá dividendos económicos, sociais e culturais a médio e longo prazo, sendo fundamental dinamizar a Investigação científica e tecnológica que coloque Portugal na liderança da inovação.
  • Mais do que ser um mero dispositivo de qualificação de indivíduos para a sua integração no mercado de trabalho – fator de suma importância –, a educação deve capacitar para a autonomia, para a compreensão do mundo em que se vive, para o exercício de pensamento crítico, para a confiança em si mesmo e para a auto-realização.
  • A educação deve se dar em função da expansão da personalidade humana e a realização das potencialidades individuais, com a capacidade para compreender, respeitar e apreciar as realizações mais elevadas do espírito humano no campo das ciências, das artes e das letras. Uma sociedade altamente educada é tendencialmente mais pacífica, mais confiante, mais dinâmica, mais solidária, mais próspera, graças a uma maior facilidade em identificar e rejeitar discursos demagógicos e populistas que visem instilar terror ou incitar ao ódio.

Juntos pelo Povo

O partido político com origem na Região Autónoma da Madeira apresenta-se a eleições como me a “Juntos, pela Madeira”, composto por 12 propostas. Dessas apenas 1 está relacionada com os estudantes: 

  • Garantir o pagamento de 86€ e 65€ (estudantes) nas viagens aéreas – alterar o modelo de subsídio social de mobilidade, desenhado pelo PSD com a cumplicidade do PS, que tanto tem prejudicado os madeirenses.

Partido Popular Monárquico

O programa eleitoral do partido ainda não foi tornado público.

Partido Trabalhista Português

O programa eleitoral do partido ainda não foi tornado público.

Movimento Alternativa Socialista

O programa eleitoral para as Eleições Legislativas 2022 pode ser consultado no seu site. É constituído por 12 “medidas urgentes”, sendo as seguintes as relacionadas com a Educação e Ensino Superior:

  • Fim das propinas e arrendamento acessível para os estudantes. Os custos com o ensino superior e com a habitação são dois problemas que afastam muitos jovens do direito à formação superior. Propinas, Processo de Bolonha, Universidades-fundação e especulação financeira transformaram o ensino superior e a habitação jovem num negócio lucrativo, mantendo ciclos de pobreza e desigualdade, sobretudo entre mulheres, negros e imigrantes. Por outro lado, a esquerda tem aclamado como vitória a descida do valor da propina, mas esconde que esta só se deu nas licenciaturas. Para interromper os ciclos de pobreza e desigualdade, há que defender a Educação pública, acabar com as propinas e criar arrendamento público e acessível para os jovens.
  • Investimento efetivo na Saúde, Educação Cultura e Transportes. A descapitalização dos serviços públicos faz parte de uma estratégia de transformação destes setores fundamentais em mercados apetecíveis aos lucros privados. Este é o mesmo interesse que justificou a privatização desenfreada de muitos dos setores estratégicos do país. Sem meios, ficamos sem capacidade de desenvolver qualquer estratégia produtiva. Fomos transformados num país de turismo, call-centers e especulação imobiliária, com salários miseráveis e emprego precário. A direita e os novos liberais chamam-lhe “cortar gorduras do Estado”. No entanto, a realidade mostra-nos que “quando tudo for privado, seremos privados de tudo”. É urgente um efetivo investimento na Saúde, Educação, Cultura e Transportes públicos.

Volt Portugal

É o partido desta lista que apresenta o programa eleitoral mais extenso e completo, que pode ser consultado aqui. _Nas medidas previstas para a Educação e Ensino Superior constam:

Instrumentos de apoio aos cidadãos:

  • Reconhecer que a mudança constante de métodos de ensino e avaliação têm um efeito negativo nos estudantes, que por vezes acabam por se sentir como cobaias. Quaisquer reformas estruturais deverão ser aplicadas somente dentro de cada ciclo sendo que cada conjunto de alunos que entra num dado ciclo seguirá esse modelo de ensino até à passagem para um próximo ciclo.
  • Realizar planos educativos de médio prazo de consenso alargado entre partidos e representantes educativos.
  • Proporcionar refeições escolares diárias, saudáveis e gratuitas a todos os alunos para quebrar o ciclo da fome e da pobreza infantil. O acesso a refeições gratuitas tem benefícios nutricionais, de aprendizagem e de saúde, apoiando a produtividade e o sucesso escolar. Precisamos de um sistema estandardizado, com maior investimento na alimentação, que deverá ser fresca e confeccionada localmente, de modo a garantir a sua qualidade.
  • Assegurar o acesso à Internet de alta qualidade e a conectividade à tecnologia, através de redes móveis e ligações Wi-Fi mais rápidas, que consigam alcançar zonas rurais e outras comunidades mais isoladas o mais rapidamente possível. Isto é absolutamente vital para a educação das crianças e jovens, uma vez que permite um acesso rápido à informação proveniente de uma grande variedade de fontes, o que deverá sempre ser acompanhado por um pensamento crítico bem desenvolvido.
  • Reforçar o sistema educativo, alargando o financiamento das escolas públicas nas zonas urbanas e rurais. Temos de dar a todas as crianças a possibilidade de participarem numa escola bem desenvolvida. Todas as escolas deverão ter estruturas básicas de qualidade (balneários, ginásios, campos, espaços de convívio abertos e resguardados, salas, refeitórios, etc.).
  • Criar programas especiais de integração das crianças migrantes para os ajudar a adaptarem-se a uma nova língua e cultura.
  • Basear o nosso ensino vocacional no modelo alemão e suíço. Queremos um sistema que procura rapidamente aconselhar os seus estudantes a mudar, por sua vontade, para as áreas que são de maior interesse para os mesmos em vez de esperar pela sua reprovação, ou múltiplas reprovações, para agir. Este sistema é baseado em duas componentes: no estudo em sala de aula numa escola especializada e na obtenção de experiência no local de trabalho, tudo através de parcerias público-privadas, que permitem à Alemanha ter uma das forças de trabalho mais qualificadas da Europa.
  • Reforçar o número de psicólogos nas escolas, cuja função será monitorizar o estado mental dos nossos estudantes, oferecer apoio e direção aos mesmos, como também denunciar casos de maus-tratos e negligência às autoridades.
  • Aprofundamento e aperfeiçoamento dos programas de combate ao abandono escolar.
  • Alterar a forma como a composição das turmas é decidida hoje-em-dia, que tem vindo a criar uma distinção clara entre turmas de “bons alunos” e turmas de “maus alunos”, estas últimas acabando muitas vezes por ser composto, incorretamente, por alunos de minorias étnicas. Defendemos que as turmas sejam decididas por sorteio, de ciclo a ciclo, de modo a impedir este tipo de prática.

Abordagens e técnicas inovadoras:

  • Investir na investigação para encontrar formas melhores e mais criativas de ensinar, como a aprendizagem baseada em fenómenos: ensino por temas, aprendizagem em grupo, abordagens mais experimentais e práticas, educação assente em valores e desenvolvimento de pensamento crítico, que estimule a criatividade e imaginação. Educar todas as crianças com foco nos seus pontos fortes, assegurando simultaneamente que atingem certos níveis de desenvolvimento, incentivando-as a aprender através da liderança, da participação e da consciência cívica.
  • Introduzir novas técnicas de medição do sucesso das escolas, tais como as taxas de escolarização/abandono escolar; a retenção de colaboradores e o seu desenvolvimento profissional; a ligação das escolas com a comunidade através de fundos de filantropia, de participação/empenho parental e satisfação comunitária.
  • As turmas não deverão exceder os 20 alunos de modo a promover uma maior proximidade aluno-professor. Dentro da mesma lógica , defendemos a criação de uma sessão matinal onde os assuntos da turma são tratados com o diretor de turma, adotando assim o conceito de “Homeroom”.
  • Incentivos à criação de competências digitais, tanto no ensino primário, como na preparação para o mundo profissional (aulas de programação, etc.). Tais competências seriam adquiridas na disciplina de Informática. Queremos garantir o domínio de ferramentas básicas de produtividade informática até ao fim do 9°ano, aparecendo a possibilidade para aprender programação e outros softwares no secundário, em áreas relevantes.
  • Reforçar o sistema educativo através do aperfeiçoamento dos cursos e aulas online, tornando o ensino disponível para todos, em especial para os estudantes que vivem em zonas remotas.
  • Rever os artigos de investigação no campo da neurociência e biologia sobre a aprendizagem, a atenção e a concentração do aluno, por exemplo, no que se refere aos tempos de aula ou de exame, bem como experimentar uma nova estruturação dos horários escolares.
  • Menor quantidade de trabalhos de casa, privilegiando que os mesmos sejam terminados durante o horário escolar.
  • Redefinir e aperfeiçoar métodos de avaliação alternativos e trazer o fim da reprovação. Queremos avaliações mais personalizadas, com um sistema individual criado pelo professor. Temos de colocar maior ênfase no ensino pela criatividade, com novas estruturas de trabalho e ambientes de trabalho. Introduzir sistemas de avaliação com base em comentários e opiniões de todos os intervenientes em vez do sistema estandardizado de notas presente.

Reforma das Metas Curriculares:

  • Introdução formal de um “Ano Zero”, opcional e eminentemente prático, em antecipação ao percurso no ensino superior, com a aplicação de programas de orientação vocacional capazes de dar conhecimentos base e experiência prática na área de preferência dos estudantes. O estudante que decidisse participar neste programa teria a possibilidade de estagiar ou fazer voluntariado numa dada área do seu interesse, preferencialmente ligada ao caminho que vai seguir na faculdade (ex: quem quer estudar engenharia ou arquitetura poderia ganhar experiência prática numa empresa de construção). Este ano deverá ser subsidiado pelo estado de modo a garantir que o trabalho dos jovens estudantes seja, indiretamente, renumerado. De modo a permitir aos jovens conhecer diferentes realidades durante este Ano Zero, defendemos a colaboração do estado português com empresas europeias, procurando assim replicar o sistema Erasmus.
  • Repensar as metas, flexibilidade e autonomia curriculares. Idealizamos que o sistema de disciplinas seja reconstruído, com disciplinas mais adaptadas ao conceito de interdisciplinaridade (tendo “mega” disciplinas que englobam outras disciplinas, exemplo: Ciências Sociais no ensino americano) com a garantia da colocação de professores especificamente formados nas diferentes áreas que serão lecionadas, aceitando que uma disciplina poderá ter mais que um docente associado.
  • “Garantir que as recomendações de programas curriculares são desenvolvidos por especialistas nas suas respectivas áreas do conhecimento com as mais recentes investigações e evidência científica.”
  • Reformar o ensino linguístico, permitindo uma elevada fluência numa língua estrangeira, com especial interesse no inglês, visto tratar-se indiscutivelmente da língua franca na comunicação internacional. É fundamental começar o ensino de línguas o mais cedo possível, adotando uma nova abordagem baseada na forma como a linguagem é inicialmente adquirida no período formativo inicial humano. Assim, as aulas linguísticas (inglês, espanhol, francês, etc.) deverão ser maioritariamente lecionadas na língua estrangeira.
  • Garantir um maior foco no domínio da língua materna, reconhecendo que a fraca capacitação no português resulta muitas vezes em exclusão social, permitindo assim um empenho e envolvimento adequado na comunidade.
  • Julgamos que a aprendizagem online da língua portuguesa junto das comunidades portuguesas é uma questão essencial, na medida em que há muitos filhos e netos de portugueses que não têm recursos nem oferta local para aprenderem o Português. O Volt quer apostar em programas online a baixo custo e de grande qualidade para esta população.
  • Priorizar a educação para a cidadania e o ensino sobre o sistema político e as suas instituições, abordando o seu funcionamento, desde o governo local, ao governo nacional e à União Europeia. Tornar a formação cívica uma prioridade.
  • Introduzir uma disciplina de “Desenvolvimento Pessoal e Social”, com foco nas competências pessoais e responsabilidade de cada um. Será obrigatória, servindo como uma substituta de Cidadania, sendo lecionada durante todo o ensino obrigatório, abrangendo conteúdos como a economia (incluindo economia doméstica) e a literacia financeira básica, fundamentos jurídicos, instituições políticas, competências sociais e emocionais, sustentabilidade e estilo de vida saudável. Deve também promover a cooperação entre as escolas e o seu ambiente local.
  • Reestruturar os programas e currículos educativos, para que promovam ativamente a tolerância e o diálogo intercultural, o envolvimento dos cidadãos, a abolição dos preconceitos e a promoção de valores democráticos. Deve ser dada prioridade à promoção da igualdade entre homens e mulheres (de forma a ultrapassar os estereótipos de género e as discriminações), bem como à educação sexual e de relações.
  • Aumentar a educação no domínio da saúde e bem-estar mental, que deve abordar os desafios que pessoas de todos os grupos etários enfrentam num mundo de conectividade constante, marginalização socioeconómica e intimidação e assédio online.
  • Criar uma “disciplina” dedicada a clubes escolares (desporto, música, literatura, teatro, etc.) criados por iniciativa dos professores e alunos, sendo geridos pelos primeiros. Será obrigatório participar em pelo menos um clube. Estes clubes deverão procurar ter uma ligação com a comunidade, seja através de atividades e colaborações, permitindo uma maior abertura da escola à sociedade e a devida inclusão dos jovens na mesma.
  • Introduzir aulas de Cultura Artística, no ensino básico, substituindo a Educação Visual, cuja função será desenvolver a criatividade e empatia através do cinema, teatro e arte. Dentro do mesmo molde da proposta anterior, vemos esta disciplina como uma oportunidade para criar uma maior ligação entre as escolas e a comunidade, promovendo visitas a teatros, cineclubes, etc e colaborações com os mesmos.
  • Maior contacto e colaboração com escolas estrangeiras deve ser facilitado e promovido através da utilização das novas tecnologias e de uma maior promoção e realização de programas de intercâmbio como o Erasmus+. Assim, defendemos a implementação do modelo de twin school, ou “escolas gémeas”, de forma mandatória.
  • Introdução de ensino de Suporte Básico de Vida na escolaridade obrigatória.

Ensino superior e formação profissional:

  • Expandir o projeto Erasmus +, através de um aumento significativo do seu orçamento e da melhoria da acessibilidade, divulgação e sensibilização para as oportunidades que oferece. Atualmente, a difusão de informação do programa é feita através da plataforma da Direção-Geral pela Educação e Cultura (DG EAC), mas queremos assegurar uma maior colaboração com as instituições nacionais e regionais, de modo a podermos chegar aos lugares que mais podem beneficiar com este intercâmbio. Desde o início do programa Erasmus+, em 2014, que mais de 2 milhões de pessoas participaram no programa.
  • Expandir o programa Erasmus Pro e assegurar que chega a pessoas de todas as áreas e contextos socioeconómicos, em programas educativos e profissionais. Trinta anos volvidos, o programa tem provado o seu valor e a sua expansão é certamente um investimento compensador para o futuro da Europa.
  • Estabelecer um debate aberto sobre como projetar as universidades do futuro, com foco em temas como o acesso livre a residentes de determinada região ou a promoção de aulas online.
  • Permitir a continuação do ensino, criando bolsas de estudo para ex-alunos e profissionais que pretendam regressar aos estudos, para promover a aprendizagem ao longo da vida.
  • Investir em universidades situadas em regiões desfavorecidas para atrair estudantes e recursos.
  • Investir em centros de educação relacionados com artes e técnicas locais ou regionais (por exemplo, a Escola de Nápoles para Alfaiates).
  • Envolver as empresas e a sociedade civil na criação de aulas e seminários, de forma a garantir a criação das competências necessárias no mercado de trabalho e uma maior mobilidade entre instituições de aprendizagem.