A ambição da Universidade de Évora (UÉ) em lecionar o Mestrado Integrado em Medicina sofreu um novo revés. Pela segunda vez em pouco mais de um ano, a Agência de Avaliação e Acreditação do Ensino Superior (A3ES) decidiu não acreditar o ciclo de estudos, apontando falhas em critérios considerados essenciais para a qualidade do ensino médico.
A decisão, datada de 25 de fevereiro e confirmada esta semana após o indeferimento do recurso da universidade, baseia-se em pareceres negativos da Comissão de Avaliação Externa e da Ordem dos Médicos.
Os motivos do “chumbo”
A A3ES foi clara ao afirmar que a proposta da academia alentejana não cumpre plenamente os requisitos da agência nem da World Federation for Medical Education. Entre as principais lacunas apontadas no processo, destacam-se:
- Sustentabilidade Incerta: Dúvidas sobre a viabilidade do programa a curto e longo prazo, tanto a nível financeiro como de recursos humanos.
- Corpo Docente: Considerado “insuficiente e desigualmente qualificado”, faltando um plano estruturado de desenvolvimento pedagógico e investigação.
- Falta de Infraestruturas: A agência nota a inexistência de um hospital universitário central plenamente funcional e adaptado à formação clínica.
- Simulação Clínica: As instalações propostas foram classificadas como inadequadas por falta de pessoal e de planos de atualização.
A Universidade de Évora ainda tentou uma acreditação condicionada — uma espécie de “aprovação sob reserva” enquanto corrigia as falhas — mas o Conselho de Revisão da A3ES negou o pedido, argumentando que a falta de requisitos legais obriga à não acreditação imediata.
Reitoria mantém otimismo apesar da saída
Apesar do desfecho negativo, a reitora cessante, Hermínia Vasconcelos Vilar, afirmou à agência Lusa não estar surpreendida, dado que já conhecia as reservas da A3ES. Para a responsável, as principais objeções já estão a ser trabalhadas para que a próxima tentativa seja “ganhadora”.
“Sabemos o que há a corrigir e penso que temos todas as condições para apresentar uma nova proposta que reúna as condições exigidas” — Hermínia Vasconcelos Vilar.
Sobre a falta de um hospital central, a reitora admitiu que a conclusão do novo Hospital Central do Alentejo seria uma ajuda importante, mas reforçou que as Unidades Locais de Saúde (ULS) da região são parceiras fundamentais e capazes de apoiar a formação.
O que se segue?
O futuro do curso de Medicina em Évora passará agora para as mãos de António Candeias, o novo reitor que toma posse a 11 de maio. Caberá à nova equipa reitoral decidir o calendário para a submissão de uma terceira proposta, num momento em que o país continua a discutir a necessidade de formar mais médicos para o Serviço Nacional de Saúde.
Para já, os candidatos ao Ensino Superior que esperavam ver a capital do Alentejo como opção no concurso de acesso terão de aguardar por novos desenvolvimentos nos próximos anos.
Fica atento ao Uniarea para mais atualizações sobre as vagas e novos cursos de Medicina.

