A minha experiência num ano sabático

Para dizer a verdade nem tudo o que acontece pós 12º é universidade e praxe. Sou um exemplo disso.

Desde sempre tive o sonho de entrar na universidade tirar um bom curso e ser alguém com uma vida estável. Sabia lá eu que os planos me iam sair furados.

Acabei o 12º com uma média satisfatória. Cheguei a candidatar-me à universidade e até fui colocada.

Mas o nervoso miudinho tomou conta de mim: “Como que é que vai ser depois? Como é que eu vou enfrentar uma nova e tão grande etapa sem o apoio (financeiro e moral) dos meus pais? Será que vou conseguir mesmo?”

 



Perante todas estas questões e pressões em ficar pelo 12º ano, acabei por não me inscrever.
E aqui estou – a ter um ano sabático, gap year ou o raio que lhe queiram chamar – para vos dizer que fazer uma pausa não é mau de todo. Neste momento estou a trabalhar e ando a estudar para melhorar a nota dos exames. Enquanto a coisa vai e não vai, estou a ponderar as minhas possibilidades, alargar os horizontes e a aproveitar cada momento livre que tenho.

É verdade aquilo que dizem acerca do quão difícil é parar de trabalhar depois de se começar – ver dinheiro chegar às nossas mãos e poder gastá-lo como bem nos apetecer é uma sensação extraordinária. Porém, trabalhar tem-me colocado face a face com várias pessoas, muitas delas licenciadas, e tem-me dado uma perspectiva completamente diferente daquela que eu tinha acerca da universidade, ao que junto cada história que ouço pela experiência pessoal dos meus amigos universitários – alguns caloiros ativos nas suas praxes e um ou outro sem o mínimo interesse em tal atividade.

 

Sou sincera, as dúvidas aumentaram. Mas a coragem também porque, a cada dia, tenho-me  deparado com situações novas que me têm feito amadurecer e ver que não preciso do apoio de ninguém para realizar os meus sonhos, e ao mesmo tempo, tenho acabado com as incertezas sobre qual curso escolher.

Acreditem, o ano de folga não está a tirar-me vontade de prosseguir os estudos, mas sim a aumentá-la.

Por isso, se estão confusos com o curso, a universidade em si ou que quer que seja relativamente ao vosso futuro, arrisquem no ano sabático porque vão acabar por (re)descobrir coisas sobre vocês mesmo que nunca imaginariam! Para o ano letivo que vem já me junto à grande família do caloiro.

(Sabem que nem sempre planos furados são planos estragados. É só fazer uns remendos para que tudo siga pelo caminho que mais convém.)

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Este texto faz parte de uma nova série de textos de opinião de alunos do ensino secundário e superior sobre a sua visão do ensino e da educação.

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