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Mais de 44.500 alunos enchem este ano letivo as salas de aula do ensino superior português. Uns pela primeira vez nas suas vidas, outros tentando mudar o rumo do seu currículo já universitário. Engenharia derrota Medicina pelo quarto ano seguido, e existem cerca de 6.700 vagas para preencher na segunda fase. Os dados estão cá mas as inseguranças também.

Os cursos que ficaram com uma nota de entrada abaixo dos 10 valores, totalizando os 26, serão como costume de universidades do interior do país, juntando os 38 cursos que não registam nenhum colocado.

Este registo mantém então a noção que se tem acerca do ensino superior no interior do país, questionando a sua qualidade e legitimidade, com medo dos que, apesar de seus pares em curso ilustram no seu currículo uma universidade do litoral.



Após os comentários de António Rolo Duarte, em Abril deste ano temos um exemplo certeiro dessa ideia. “Regra geral, a qualidade de ensino é baixa. Passa pela cabeça de alguém ir aprender para a Universidade de Évora? Ou para a da Beira Interior? Ou para a do Algarve? Não brinquem comigo.” Afirma o jovem que sendo um aluno exemplar e filho do jornalista Pedro Rolo Duarte, teve a oportunidade de estudar numa das melhores faculdades do mundo.

No final das contas como se sentem então os alunos que entram nas faculdades nomeadas por António Rolo? Ou mesmo em cursos de média mais baixa nas faculdades do litoral? 

O acesso ao ensino superior teve sempre uma grande dicotomia no que toca aos cursos de médias elevadas comparadas aos seus irmãos de menos mérito. Contudo, isso não deveria retirar o mérito aos alunos de cursos com médias abaixo de 15 ou de universidades do interior, pelo contrário, devia motivar os seus alunos a trabalharem para mostrar que os seus sonhos e sucesso não serão marcados pela média do último colocado ou pela reputação da sua universidade.

O nosso orgulho não deveria estar assente nesses emblemas superficiais, mas sim no nosso esforço como alunos do ensino superior. Respeitando os nossos pares, tenham eles acabado com ínfimos pontos acima de nós ou meia dezena de valores abaixo, porque no final do dia todos queremos o mesmo: sucesso.

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Este texto faz parte de uma série de textos de opinião de alunos do ensino secundário e superior sobre a sua visão do ensino e da educação.

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