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Sou um sonhador. Gosto muito de ter os meus objetivos e pensar neles como se já os tivesse alcançado. Mas não. Não aconteceu, pelo menos à primeira. Faço 18 anos este mês e deveria ter concluído o ensino secundário no ano letivo 2018/2019, ou seja, neste último. Chumbei a Matemática e a Físico-química e devo confessar que foi um momento difícil, principalmente quando senti que tinha falhado, que não tinha sido capaz o suficiente. Quando me senti inferiorizado pela sociedade. Fui posto no pacote dos “burros” que não foram para a faculdade. Sem direito a sonhar.

Na verdade, um dos meus sonhos é ser enfermeiro. Ser enfermeiro para cuidar do outro, individualmente. E tenho pena que o nosso método de entrada na faculdade, seja ainda tão exclusivo. Retrógrado talvez seja mais explícito. Supostamente é durante aproximadamente 3 horas, quando são realizados os exames nacionais, que os alunos têm que provar que sabem. Que são capazes. Há quem diga que se avalia o conhecimento. Eu digo que se avalia a capacidade que os alunos têm de decorar a matéria e executá-la naquele preciso momento. O conhecimento é algo mais profundo, que não se avalia em 3 hora num teste escrito. Claro que há quem se dê bem, e consegue, efetivamente, alcançar os seus objetivos. Mas, infelizmente, há muitos alunos, que não por falta de estudo ou dedicação, falham, não conseguindo alcançar a prova que é proposta.



É preocupante, que com tantas manifestações e discussões, que ninguém tenha ainda percebido ou reparado que todos nós, alunos e pessoas, somos diferentes. Diferentes características, formas de pensar, reagir e de interpretar. Uns melhores a decorar, escrever, falar, interagir com o público, outros pior. É alarmante que esta ainda seja a realidade, principalmente em cursos de saúde, não querendo tirar a importância aos restantes cursos. Somos ainda um número. Uma média. Que não traduz o nosso esforço. A nossa integridade, e principalmente o nosso potencial enquanto futuro profissional. Não caíamos no erro de achar, que automaticamente um enfermeiro, médico com média de 20 será melhor do que um com média de 14. É triste saber que ainda muitas pessoas pensam assim, e talvez seja essa uma das razões pelas quais o método de ensino e de avaliação não avance. As pessoas são um todo. Não são só A, B ou C. São a soma de todas as suas caraterísticas e vivências. Um médico com 20 pode ser melhor a decorar, mas o de 14 poderá reagir mais eficazmente a uma situação delicada. Pensemos nisto, por favor. O resultado está à vista de que é preciso mudar. Sei que nunca encontraremos um método de avaliação perfeito. Mas devemos trabalhar e lutar por um mais justo. E dar lugar a todos. Ninguém deve ser estereotipado em função de uma média. Todos temos direito aos nossos sonhos e principalmente de lutar por eles.

Por isso, no ano letivo que se aproxima, lutarei e trabalharei para conseguir entrar para o curso de enfermagem na universidade Católica. E sei que vou conseguir. A todos aqueles que se encontram na mesma situação, não desistam, nem deixem que ninguém vos impeça de sonhar. Não é o fim de nada. É só o início.

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Este texto faz parte de uma série de textos de opinião de alunos do ensino secundário e superior sobre a sua visão do ensino e da educação.

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