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Neste momento sou uma estudante de Mestrado, na área que me faz feliz e numa faculdade de excelência na área. Mas custou chegar até aqui, aliás continua a custar, não deixa de ser necessário todo o esforço. Com esperança que a minha história possa vir a influenciar e a ajudar alguém que passe pelo mesmo e acredito que cada vez mais isto vai acontecer uma vez que as médias de entrada não deixam de subir.

Sempre tive na cabeça muito claro que queria seguir as áreas económicas, das ciências económicas. Cheguei ao 10° ano e foi muito claro para mim o que queria: ciências socioeconómicas. E assim foi, talvez um pouco influenciada pela minha mãe que trabalha numa faculdade de excelência nesta área, mas o facto é que adorei economia A no meu secundário e cada vez mais tinha a certeza que estava no caminho certo. No entanto as notas a matemática no 10° ano não foram as melhores, talvez por ainda vir com a ideia do ensino básico de que não era preciso estudar muito. Enganei-me. Era mesmo preciso estudar para matemática A. Meti isto na cabeça, comecei a estudar mais, mas cheguei ao exame nacional e a nota novamente não foi má mas também não foi a melhor ao ponto de eu me sentir confortável. Tentei a segunda fase e tive ainda pior nota. 



Está na hora de ir para a faculdade, pensava eu. Hora de escolher as opções que vão definir o meu futuro. Como tinha sido sempre opção, as minhas escolhas não foram muito difíceis. Gestão primeiro, economia depois. Nas faculdades mais conhecidas de Lisboa. Qualquer uma que entrasse ficava feliz, achava eu. Nem sequer meti a hipótese de colocar outro curso para o caso de não entrar nos primeiros. Nem sequer meti a hipótese de não entrar, eu tinha de entrar. O facto é que chegou a hora de ver os resultados e quando abri aquele email da DGES só me lembro de ver “não colocado”. Chorei a noite toda, chorei os dias seguintes. O meu mundo tinha desabado naquele momento, eu não tinha entrado na faculdade. O que seria de mim naquele ano? O que ia fazer eu? O meu sonho tinha ido por água abaixo. Eu não tinha conseguido entrar em gestão por décimas. As médias subiram bastante. Comecei a equacionar tantas e tantas opções do que poderia fazer naquele momento. 

A decisão foi não desistir e tentar a segunda fase. Desta vez com decisões mais conscientes de que eu afinal não tinha uma nota de candidatura excelente. Continuei a por gestão em primeiro, e seguidamente coloquei um curso que eu nem sabia o que era aquilo, mas estava relacionado com a minha área e tinha notas mais baixas apesar de ser considerado também um bom curso. Contabilidade e administração no ISCAL. Era a minha esperança esta segunda fase. Depois de alguns dias de ansiedade la chegou o email dos resultados. Desta vez, lá veio o “colocado”. Mas não tinha sido em gestão, não tinha sido em economia. Tinha sido naquilo que eu nem sabia o que era. Contabilidade. Eu ia estudar contabilidade. Inscrevi-me. A ansiedade de não saber no que me ia meter era muita. A probabilidade de eu não gostar era muita porque eu não estava naquilo que tanto sonhei e tanto idealizei. A adaptação não foi muito fácil, entrei em segunda fase, as aulas já tinham começado, as pessoas já se conheciam, já se tinham formado alguns grupos e eu caí ali de paraquedas sem saber muito bem o que queria. O primeiro semestre fez-se mas não correu às mil maravilhas. No segundo semestre e sobretudo no segundo ano os meus olhos começam a brilhar, eu gostava mesmo daquilo. Afinal contabilidade é mesmo a “minha cena”. Via colegas meus que tinham entrado ali em primeira opção e não gostavam e eu, que entrei contrariada estava mesmo a começar a gostar daquilo. 

Deus escreve mesmo direito por linhas tortas. Tive cadeiras de economia e gestão e cada vez mais acho que não ia gostar tanto como gostei do meu curso. Fui lá parar apenas porque não entrei em primeira fase e não entrei naquilo que tanto desejei e a um dia das candidaturas da segunda fase vejo este curso, meto como ultima opção na segunda fase, entrei desanimada, sem saber o que era aquilo e hoje sou licenciada num curso que gostei mesmo e isso refletiu-se na minha média de licenciatura. Hoje estou em Mestrado numa das faculdades que sonhei entrar para a licenciatura, não estou em economia nem estou em gestão. Também relacionado, mas desta vez em Finanças. Continuo a preferir a Contabilidade. E agradeço todos os dias por ter entrado neste curso. 

Tu, que estás a passar ou que poderás vir a passar por isto, tudo acontece por uma razão. E se não entrares em primeira fase o melhor pode ainda estar por vir. Para mim, o melhor chegou mesmo da maneira mais inesperada possível e hoje sou feliz, pretendo trabalhar em Contabilidade e sou feliz aqui. Se entrares num curso que talvez não querias tanto, dá uma oportunidade, pode ser mesmo aquele o teu caminho. Nunca desistas daquilo que te faz feliz! 

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Este texto faz parte de uma série de textos de opinião de alunos do ensino secundário e superior sobre a sua visão do ensino e da educação.

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