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Não, não depende tudo de um exame nacional


Há exatamente 1, 2 e 3 anos atrás estava na tua posição. Estava a apenas alguns dias daquele que achava ser o grande dia, o dia D, que iria condicionar a minha vida, para o bem ou para o mal. Devo dizer-te que olhando para trás e a partir da posição em que me encontro hoje, gostaria de ter ouvido e de ter acreditado que “nãonão depende tudo de um exame nacional“, como muitas vezes nos é  acometido por alguns professores, por alguns colegas ou até mesmo por nós próprios. Acreditem, são estes últimos, somos nós próprios, que iremos colocar as maiores pedras no nosso caminho. O medo de falhar, a falta de autoconfiança ou a pressão de atingir o sonho levam-nos muitas vezes a transformar os exames nacionais num enorme bicho de 7 cabeças. A verdade é que não há bicho nenhum para destronar a não ser a nossa ansiedade, e por mais difícil que possa parecer, acreditem que é possível. Eu consegui, por isso vocês também conseguem.

Talvez seja melhor explicar-vos um pouco do meu percurso. Dessa forma poderão até identificar-se e perceber que afinal isto dos exames nacionais até é uma coisa fazível, e acreditem que o é, mesmo.

Corria o ano letivo de 2018/19, o meu 12º ano, e depois de muito explorar e refletir percebi que nada mais me via a estudar do que medicina. Assim, decidi melhorar um dos exames de 11º ano e fazer os exames de 12º ano, dando especial enfoque ao de Matemática A, que era uma prova de ingresso, e que seria o tal bicho de 7 cabeças a combater naquele ano. A pressão de saber que tudo dependia daquele exame fez-me colocar uma enorme pressão sobre mim mesmo, tão grande que acabou por nem me deixar demonstrar os meus conhecimentos. Mal acabei o exame sentia quase como se o meu mundo estivesse perdido, sem rumo. O que iria fazer agora? O sonho de medicina estava perdido… Ou se calhar até não, estava era adiado!

Naqueles dias difíceis pós-exame alguém me disse que “às vezes não compreendemos o porquê das coisas acontecem de certa forma, mas acredita que no fim vais olhar para trás e perceber que tudo, até ao mais pequeno detalhe, fez sentido”. Naquela altura não conseguia ver significado naquelas palavras, só conseguia pensar na desilusão que sentia.

Percebi umas semanas depois que tinha de provar a mim mesmo que aquela nota não me representava. Aliás, nenhuma nota nos representa, nunca. Então, enchi-me de confiança em mim mesmo, e decidi ir à 2ª fase de exames. O facto de saber que não dependia tudo daquele momento permitiu-me subir de um 11 para um 19. Acho que não restam dúvidas do que permitiu esta subida. Nãonão foi a questão de estudar mais, foi sim o não me colocar debaixo de tanta pressão como havia feito anteriormente.

Levei daqui a importante lição de que apenas consigo controlar o que sei, o quanto invisto no meu estudo, e que o resto não depende de mim. Por isso, vamos lá tirar esta pressão de cima de nós próprios, confiar nas nossas capacidades e seguir em frente, fortes e confiantes!

Foi o que tentei fazer no ano seguinte, depois de um ano a fazer outro curso, a estudar para os exames nacionais e acima de tudo, a investir na minha saúde mental e na minha autoconfiança, porque acreditem, esta é para mim a grande chave do sucesso. Sem ela não fazemos absolutamente nada. Repeti então em 2020 os três exames que servem de prova de ingresso ao curso que pretendia e guess what, correram melhor que as minhas expectativas.

Depois de tanto sofrimento, dedicação e acima de tudo crescimento pessoal, a recompensa estava ali, o sonho estava mais perto e eu era uma pessoa mais completa, mais forte e mais preparada para as adversidades que a vida tinha e tem para me dar.

Neste momento acabo o primeiro ano de medicina. Olho para trás, para o que aquela pessoa me havia dito depois daquela desilusão do 12º ano e sinto cada palavra daquelas que me foram ditas. Agora tudo faz sentido. Estou no sítio onde quero estar, estou no curso onde quero estar, sou a pessoa que quero ser.

Resumindo, nunca desistas. A vida é feita de altos e baixos. Atingir o sonho é difícil, mas no fim tudo vai valer a pena.

Agora olhando para trás, para os exames nacionais, penso ” qual bicho de 7 cabeças qual quê? Ele não faz ideia de com quem se meteu”.

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Este texto faz parte de uma série de textos de opinião de alunos do ensino secundário e superior sobre a sua visão do ensino e da educação.

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