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Olá! Bem vindo(a) à storytime que, hoje, eu dava o mundo para ter lido há cerca de um ano: a entrada para um curso errado, com um objetivo incerto.
É verdade que deliberei, imaginei e discuti comigo mesmo, muitas vezes sobre este dia: o dia em que teria estabilidade suficiente para contar o meu bipolar relacionamento com o Ensino Superior.

Comecemos, como dizem os entendidos, pelo começo. Na entrada para o 10º ano. Iniciei o secundário com um objetivo: Medicina.

Ora bem, aqui mora o “erro”, a lacuna da minha personalidade. Seria esse o meu sonho? Seria aí onde encontraria a concretização dos meus sonhos de criança? Hoje sei que não. Confesso-te que me considero uma “alma velha” e, como tal, desde muito cedo que me debruço a imaginar quem eu seria com 30 e alguns anos.. sonhava com a minha casa, com o meu carro e com um trabalho no qual me sentisse feliz ao levantar-me as 7h (pedi isso em muitas passagens de ano consecutivas com as mãos cheias de passas).



É agora que o co-protagonista desta história entra: o meu pai. Costumava fascinar-me com a profissão de sonho (dele). Aquele estatuto incomensurável, inatingível, inigualável, enfim muitos os adjetivos começados em “in”, inclusive (i)ndiferente. Para mim.

No entanto, carreguei isso como se fosse o meu sonho, como se eu me tivesse tornado na projeção dele, porém sem me dar conta disso. Porventura, muitos de nós sabemos o quão o sonho de seguir Medicina se pode tornar numa utopia no Secundário, quando nos deparamos com exames que valem 50% e uma média que, infelizmente, não sofre de memória curta e acumula constantemente os deslizes que damos nos testes, nas questões aula – enfim, tudo e mais alguma coisa…

Assumo que fui bom aluno. No 10º ano senti a diferença no ritmo de estudo e não me adaptei logo: consegui uma média de 16.9 valores. No 11º ano já fui mais consciente e, como tal, esforcei-me imenso. Contudo, eu e o Inglês tivemos algumas quezílias, tendo continuado com 17 valores.

12º ano… Quando atingimos este patamar começamos, literalmente, a fazer contas à vida. Nomeadamente, quando ainda estamos convalescentes da desgraça dos exames nacionais. Foi um ano difícil no âmbito pessoal. Perdi alguém que amava profundamente, mas não me afetou profissionalmente. O sonho dessa pessoa era ver-me vestir a famosa capa preta. Eu tinha de concretizá-lo. Só não sabia a que preço.

Sem o Inglês e a Filosofia consegui caminhar mais verticalmente na escarpa das notas e consegui uma média final de 17.7. Eu e os exames temos uma relação de ódio-ódio. Pelo menos, foi assim que sempre os encarei. E como tal, a razia do 11º ano repetiu-se no 12º e consegui uma nota de candidatura igual a 15.9.

O “sonho” de medicina tinha sido destruído. Quando as coisas correm mal, a nossa tendência é saltar do barco. Foi aquilo que fiz. Tinha chegado ao 12º ano com um sonho que não era meu e que nem poderia concretizar.

O que iria eu fazer? Sob a terrível pressão da candidatura decidi escolher Engenharia Eletrotécnica e de Computadores (MIEEC), aconselhado por uma professora que dizia ser um curso de futuro (não discordo). Quando não fazemos a maior ideia do que queremos, qualquer um já nos tranquiliza. E assim foi. Em setembro, estava eu a caminhar para o curso que afirmava ser o meu destino. Estava tão errado. Ainda bem.

Depois de enfrentar a Programação em C, a lógica booleana e de perceber que todos os meus colegas de camisola tinham tido “luzes” de eletrónica, informática e linguagens de programação, senti-me um peixe fora de água e as notas refletiram essa depressão.

Foi um sofrimento diário e solitário. Agora já estava. O investimento tinha sido feito. Eu tinha de conseguir.

Orgulho-me da mãe que tive. Não me deixou sofrer mais. “Eu sabia que isto ia acontecer. Agora estou cá para te dar a mão”, disse-me. No dia 18 de dezembro de 2018 abandonei o curso. Não me arrependo nada mesmo.
Depois de um tempo para me entender, hoje sei o caminho a percorrer. Hoje sei onde ir procurar a “casa” que não encontrei em MIEEC. Por agora, espero estar certo, espero que corra tudo bem. Que este ano consiga entrar no curso que hoje sei que foi feito para mim.

E quanto a ti: chegaste até aqui e já por isso mereces os parabéns! Espero que te tenha ajudado de alguma forma. Não é nenhuma derrota abandonar um curso. É teres a oportunidade de poderes ser a tua própria solução. O teu salva-vidas. Se hoje não sabes o que queres, não te atires de cabeça só porque tens de entrar para o Ensino Superior precisamente no ano em que acabas o 12º ano. Dá um tempo, cada um de nós tem o seu. O que importa um ou dois anos de “break” quando estás a ter a hipótese de pintares a cores o teu futuro? Boa sorte e cabeça para cima! Como é a frase da praxe “Não estamos mesmo sozinhos”.

Obrigado e sucesso!

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Este texto faz parte de uma série de textos de opinião de alunos do ensino secundário e superior sobre a sua visão do ensino e da educação.

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