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Não tenho tempo para ler todos os textos da cadeira, mas tenho tempo para papar uma série de 10 episódios na Netflix. Não tenho tempo para passar todas as aulas práticas desta cadeira, mas tenho tempo para conversar sobre aquele novo smartphone que saiu. Não tenho tempo. Já disse que não tenho. Não tenho tempo para ir sair, não tenho tempo para estudar, não tenho tempo sequer para não fazer nada, já disse que não tenho.

Sabem qual é o problema do tempo? É que ele não estica. É que ele não para. É que as horas continuam a passar, ora mais rápido ora mais devagar, e sentimo-nos afogados dentro do mar de responsabilidades sem saber muito bem por onde começar.



Respirem fundo que não é o fim do mundo. É difícil chegar a todo lado e fazer tudo o que temos para fazer, especialmente, quando queremos também ir beber aquela jola na esplanada com o calor que está, ir naquele date com a/o namorada/o ou estar presente naquele jantar de família com os primos todos. Não é fácil e quanto maior for a exigência do curso e quanto mais forem os elementos de avaliação, pior se torna.

Contudo, papem as séries de 10 episódios na Netflix; vão beber aquela jola com os amigos; falem sobre algo que vos apaixona; vão naquele date que sempre quiseram ir. O problema do tempo é que nos esquecemos que ele existe não para o servirmos, mas para ele nos servir a nós. Quanto mais sem tempo nos sentimos, é quando devemos parar para respirar e perceber como melhorar o nosso estado emocional ou psicológico.

Não podemos estar constantemente a trabalhar sem parar sem pelo menos uma pausa para a nossa saúde mental. Mesmo que a mãe reclame, mesmo que a/o namorada/o reclame, mesmo que aquele amigo reclame, se precisares de uma pausa só para ti, se precisares de tempo só para ti, se sentires que naquele momento precisas de cuidar de ti e de priorizar a tua saúde mental e emocional sobre o tempo e atenção que essas pessoas requerem de ti, fá-lo. Elas podem reclamar, os livros em cima da tua secretária podem reclamar, as leituras obrigatórias podem reclamar, mas às vezes é preciso dar um passo para trás para dar três em frente.

Pessoalmente, se estou um dia inteiro cheia de sono e atrapalhada com o estudo de tanto que tenho para fazer, por muito que me custe parar, a minha melhor solução é fazer uma sesta de 1h30m, tomar banho e depois sim estudar. E aí já serei muito mais eficaz no meu estudo. Não foi na esplanada que estive, não foi com o namorado que estive, não foi com a família que estive, foi sozinha, comigo mesma, a tratar de mim.

Nem sempre é fácil conciliar tudo, nem sempre é fácil chegar a todo lado, nem sempre é fácil ter tempo para tudo. Na realidade, torna-se bastante difícil, em especial, quando estamos na última semana de frequências ou na época de exames.

Se um estudante universitário te disser que não tem tempo para fazer determinada tarefa, mas depois fica durante uma hora a fazer rigorosamente nada ou de volta de um livro, uma série, ou a dar scroll nas redes sociais, antes de o chamarem à atenção, antes de dizeres que ele se vai arrepender, antes mesmo de dizeres que vai chumbar à cadeira, dá-lhe 5 minutos.

Para mais, se esse estudante tentar conciliar o tempo que tem para si mesmo, com o tempo que tem para os amigos e o tempo para a namorada ou namorado, acredita que ele se está a esforçar.

Portanto: se o teu namorado ou namorada te disser que não tem tempo para te dar mais abraços ou sair contigo, mas fica ao teu lado encostado a partilhar vídeos  no youtube contigo e a explicar-te com detalhe o que quer dizer cada um, não te preocupes. É só mais um estudante universitário a passar-se com a faculdade e a conciliar o tempo que para si, contigo.

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Este texto faz parte de uma série de textos de opinião de alunos do ensino secundário e superior sobre a sua visão do ensino e da educação.

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