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Em que se baseia o teu curso (saídas profissionais, plano curricular, etc…)?

Marta Guerreiro (M.G) Eu sou aluna do 1º ano do curso de Comunicação Social da Escola Superior de Educação do Instituto Politécnico de Setúbal. Este curso consiste em aprendermos e apreendermos mecanismos de comunicação aplicáveis à nossa futura profissão: quer esta seja na área do jornalismo, da comunicação empresarial ou organizacional, relações públicas, etc. O plano curricular divide-se muito em tópicos direcionados para as áreas já mencionadas, porém, o jornalismo é uma área predominante neste plano

Fábio Santos (F.S): – Comunicação Social é uma área um pouco abrangente. Entrei no IPS (Setúbal) em 2014, o plano de estudos anterior (2013) ainda separava o curso em dois ramos: cultural e jornalismo, e os estudantes podiam escolher qual a vertente que melhor se adequava ao pretendido. Porém, no ano em que entrei misturaram as cadeiras e criaram apenas um ramo comum e diversas opcionais. Dentro do plano podemos encontrar cadeiras de escrita (jornalística, científica, etc.), multimédia, artes performativas, rádio, marketing, história, outras mais direcionadas para entrevistas e criação de uma revista impressa…

Em termos de cadeiras é um curso muito eclético. Entre as saídas profissionais podemos ter jornalismo (o que eu pretendia), áreas relacionadas com a cultura, fotografia e vídeo, ou mesmo para a vertente radiofónica.

Inês Saúde (I.S): Eu estou no 2º ano do curso de Comunicação Social da Escola Superior de Educação de Viseu. Desde o início que me apercebi que a componente prática do curso é bastante extensa o que nos permite ficar bastante bem preparados para situações com as quais vamos ter que lidar quando formos para o mercado de trabalho. Tenho unidades curriculares de teor teórico, como Metodologia de Investigação em Comunicação que é essencial para aprendermos a elaborar artigos científicos, semiótica onde analisamos processos de comunicação, Psicologia Social que é muito importante para sabermos como interagir com as pessoas no mercado de trabalho, entre outras. De componente prática, trabalhamos muito com os diversos programas da Adobe em vertentes de som, imagem, vídeo, praticamente tudo, e conseguimos ter o domínio suficiente dessas ferramentas para aplicar no futuro.

A nível de saídas profissionais começo por dizer que não é apenas em áreas relacionadas como o jornalismo, como muita gente pensa. Temos oportunidades de trabalho em áreas como produção, multimédia e assessoria, por exemplo.

O que te levou a escolher Comunicação Social? Sempre foi uma opção?

M.G.: O que me levou a escolher o curso foi o meu desejo em seguir jornalismo. Uma das maiores influências foi a componente prática do curso: no final do 3º ano da licenciatura realizamos um estágio onde temos contacto direto com empresas para as quais fomos preparadas para interagir, o que é ótimo para percebermos, de facto, o que queremos ou não queremos fazer quando finalizarmos o curso. Foi a minha primeira opção, e sem sombra de dúvidas que voltaria a ser se pudesse voltar a escolher!

F.S.: – A minha escolha começou ainda durante o secundário, tive uma experiência online da qual gostei imenso e decidi deixar a área das ciências, onde já tinha feito um ano, e mudar-me para a área das humanidades. A área foi a minha primeira escolha, desde essa altura que defini bem o que pretendia, o local não, pois ficava longe de minha casa. Setúbal foi a segunda opção.

I.S.: O curso foi a minha primeira escolha quando concorri para o ensino superior, no entanto não foi a minha primeira escolha de todas, pois eu gostava de ter ingressado no Instituto Superior de Ciências Polícias e Segurança Interna, no entanto, por motivos de saúde não me foi possível.

Ao fim deste percalço, fiquei um bocadinho perdida e, por muita insistência da minha mãe, que sempre disse que eu era muito comunicativa e desenrascada, acabei por procurar opções na área da comunicação. Vi nesta área uma possibilidade de seguir mais tarde a área de jornalismo de investigação e foi principalmente isso que me fez ter a certeza de que esta era uma boa opção.

Escolhi Viseu, pois por ser um politécnico, eu sabia que o curso ia ser bastante prático que foi o que ajudou na minha decisão.

O que te surpreendeu pela positiva e negativa no teu curso?

M.G.: Surpreendeu-me positivamente o espírito de união que existe entre as turmas dos três anos do curso, o que torna a integração muito mais fácil. Negativamente, o stress muitas vezes causado pela ansiedade de cumprir os prazos necessários.

F.S.: Pela positiva, creio ter sido uma mais-valia ter tido determinadas cadeiras, por exemplo, artes performativas foi das que mais me surpreendeu, por ser uma cadeira completamente prática e que nos obrigava a largar determinados tiques que temos, e a sentirmo-nos mais descontraídos. Foi bastante importante e tenho pena que agora se tenha tornado uma cadeira totalmente teórica e aborrecida, merecia muito mais destaque.

Pela negativa, creio que o facto de terem juntado os diferentes ramos num só tronco comum. Enquanto jornalista gostava de ter tido mais oportunidades que não tive, algumas cadeiras que queria estavam na mesma opção, e por causa disso não tive, por exemplo, cadeiras de fotografia, que são mesmo muito importantes para a minha atividade.

I.S.: Pela positiva foi a hospitalidade das pessoas, ser uma escola pequena, organizada e sem dúvida os professores terem tempo para nós e serem próximos dos alunos. O curso correspondeu imenso às minhas expectativas também e isso foi ótimo pois fez-me ter a certeza de que queria continuar.

Pela negativa penso que não tenho nada a apontar, fui sempre muito bem recebida, integrei-me bastante bem e estou feliz na escola e no curso em que estou.

Como consideras a proximidade com os professores?

M.G.: A proximidades com os professores é um fator muito positivo que posso dizer que está presente não só no meu curso como também em toda a ESE. Todos os docentes mostram-se bastante acessíveis a esclarecer as nossas dúvidas e constrangimentos e a apoiar-nos nos nossos trabalhos académicos.

F.S.: Alguns professores são bastante próximos aos alunos e mostram-se muito disponíveis para ajudar em qualquer momento, mas outros são extremamente difíceis de contactar e raramente vêm os e-mails. Tive um problema em que um professor não me respondeu a um e-mail e isso custou-me a própria cadeira, tive de ir a exame após um projeto enorme e notas bastante altas nos trabalhos.

I.S.: É fantástica. Como disse anteriormente, os professores estão sempre muito disponíveis e preocupados com os alunos. Como é uma escola pequena, as turmas são pequenas também, e isso faz com que seja possível uma interação mais forte entre alunos e professores, o que é, sem dúvida, ótimo para trocas de experiências e aquisição de conhecimentos.

Como tem sido a experiência de frequentar o curso? O que é que te marcou/tem marcado mais?

M.G.: Frequentar a faculdade e este curso é uma experiência muito além do que estava à espera. O facto de conhecer, quase diariamente, pessoas com os mesmo interesses académicos que eu, mas que ao mesmo tempo se mostram tão diferentes e diversificadas a nível de personalidade e escolhas pessoais é o que me marca mais.

F.S.: Após o curso, sinto que a experiência foi mais negativa que positiva, para ser sincero. Creio que não aprendi tanto como deveria ter aprendido para a minha atividade atual. Aprendi imenso em determinadas áreas que nada tinham a ver com a área jornalística, mas dentro desta área o que mais aprendi foi em termos radiofónicos e expressivos.

I.S.: Tem sido muito enriquecedora. O que me marcou mais foi o que já tive oportunidade de fazer e de ver fazer de perto. As oportunidades que já me foram dadas ao longo destes dois anos e sem dúvida as experiências que já ouvi, pois fizeram-me aprender muito e começamos a ver as coisas de outra forma.

Como descreverias a tua adaptação ao Ensino Superior? Quais foram/têm sido os teus principais desafios?

M.G.: A adaptação foi de certo modo um choque, a dada altura tudo se torna diferente do que era o ensino secundário, e como primeiro impacto, é chocante. O principal desafio talvez tenha passado por ganhar o ritmo necessário a conciliar a vida académica com a vida pessoal e outras atividades. Para mim, foi muito importante aprender a fazer um planeamento pormenorizado e a gestão do meu tempo mediante o que me era exigido.

F.S.: Cheguei a uma cidade diferente que desconhecia, mas facilmente me adaptei ao ambiente sadino, começando desde logo pelas praxes. Fui sempre muito ativo, dentro e fora do curso, participei nos mais diversos projetos, desde a tuna, desporto escolar (vólei), conselho de representantes, jornal escolar, representante da escola nas praxes, entre outros projetos culturais como o Cinescópio. Como é espectável, o maior desafio foi conseguir gerir o meu tempo para participar em todas essas atividades.

I.S.: A minha adaptação inicial foi bastante fácil, no que diz respeito à forma de ensino, à escola em si, professores, etc. Porém, foi muito difícil a nível pessoal, o que me provocou algum desgaste emocional no início, o que não me permitiu entrar com o pé direito no curso. Por outro lado, nunca foi devido à instituição e ao que a envolve, mas sim às mudanças de cidade, estar longe da família e aprender a fazer tudo sozinha, mexeu bastante comigo.

Achas que o teu curso te prepara para exercer as funções de um profissional dessa área? 

M.G.: Até agora, posso concordar que estas competências são adquiridas. Um fator muito prezado pelo curso é o trabalho em grupo/ trabalho em equipa, que cada vez mais se torna importante na minha área de estudo. Com esforço e com a ajuda dos professores, os mecanismos e ferramentas para que possamos adquirir essas competências são atingíveis.

F.S.: Sinceramente, creio que não. Não desfazendo das grandes competências que o curso nos traz, claro, que são muitas, aprendemos imenso, o problema está em termos de ser seletivos, pois como dizia anteriormente temos de abdicar de uma unidade curricular que possamos querer ter, simplesmente por ser uma opcional, e todas as opções podem ser importantes para o exercício da atividade. Outro dos problemas principais é saírem estudantes do curso que dão erros óbvios de português, e penso que para a profissão que pretendem desenvolver após o curso é inadmissível serem aprovados num curso de escrita quando não sabem escrever.

I.S.: Sim, sem dúvida. Somos desde o início confrontados com tudo o que podemos vir a ter que fazer enquanto profissionais. Temos muitas aulas no “terreno”, onde aplicamos conhecimentos, fazemos entrevistas, gravamos, etc. já nos é familiar aquilo que um profissional da nossa área faz, e isso também nos facilita para escolhermos a área que pretendemos seguir no fim.

Consideras o teu curso difícil? Se sim, porquê?

M.G.: O curso em si não é difícil. Talvez se torne difícil para alguém que não queira aprender sobre as áreas do jornalismo e da comunicação estratégica.

F.S.: Não considero difícil, há cursos muito mais difíceis, e em termos de conhecimentos específicos creio que este seja simples, ou pelo menos para mim foi. O que me complicou o curso foram as unidades curriculares que anteriormente eram do ramo cultural, pois não era do meu interesse seguir essa vertente. O mesmo aconteceu com estudantes do ramo cultural em relação às que anteriormente pertenciam ao ramo de jornalismo.

I.S.: É preciso ter dedicação e vontade de fazer as coisas, principalmente devido à componente prática, mas não o considero difícil. Tem a exigência necessária num curso de Ensino Superior.

Quais são as tuas expectativas no que toca à entrada no mercado de trabalho?

M.G.: Acho que é muito cedo para criar expectativas sobre o mercado de trabalho. Penso que, com os anos que me faltam de licenciatura, poderei tirar uma melhor conclusão sobre esse tema.

F.S.: Sou suspeito quanto a isso, pois consegui logo trabalho em cerca de um mês e meio, mas creio que seja uma área muito difícil de conseguir emprego, devido à grande oferta de profissionais no mercado e à pouca procura. Muitos colegas meus foram parar a agências de comunicação ou departamentos de marketing, no mais próximo da área, e raros casos conseguiram um emprego diretamente na área.

I.S.: Face às circunstâncias que estamos a viver agora, penso que vai ser bastante complicada e que, inicialmente, talvez não consiga seguir exatamente a área que pretendo, mas o estágio vai ser bastante essencial no traçar dessa entrada.

Pensas em prosseguir estudos, isto é, frequentar uma pós-graduação, um mestrado e/ou um doutoramento são opções que tens em mente?

M.G.: Gostava muito de frequentas uma pós-graduação em jornalismo, por ser a área que desde sempre me despertou mais interesse. Mas prefiro esperar pelo estágio e pelas aprendizagens que ainda vou adquirir.

F.S.: Pensei logo nessa opção, antes de conseguir o emprego, mas com a oportunidade a bater-me à porta decidi exercer primeiro e depois pensar numa pós-graduação ou mestrado, ainda não estou certo do que pretenda.

I.S.: Pretendo fazer mestrado em Marketing e Comunicação, pois acho que são duas áreas que, quando conjugadas, nos abrem horizontes para muitas áreas distintas e interessantes.

Se soubesses aquilo que sabes hoje, farias a mesma escolha novamente? Porquê?

M.G.: Faria a mesma escolha! Porque em momento nenhum me senti deslocada a nível de unidades curriculares e sei que para exercer a profissão que pretendo, tenho de dominar certos conteúdos, conteúdos esses que este curso me permite.

F.S.: Faria a mesma escolha relativamente à área, mas não quanto à escola, devido às falhas que o curso tem. O plano curricular é bastante importante e não ponderei suficientemente bem sobre ele.

I.S.: Faria. O curso está a preparar-me não só para a minha vida profissional, mas para a minha vida em geral. Os meus ideais já estão muito mais bem formados, a nível de comunicação melhorei bastante. Notei em mim uma evolução enorme desde o início do curso e sei que foi devido às oportunidades de aprender que me estão a ser dadas e à forma como essa aprendizagem é feita. Somos muito autónomos, e isso ajuda imenso na vida pessoal.

Que recomendações deixas aos próximos candidatos ao Ensino Superior?

M.G.: Acima de tudo que escolham um curso onde sabem que podem evoluir a nível académico, mas principalmente a nível pessoal. Que não se sintam pressionados porque vão sempre a tempo de mudar o rumo das suas carreiras profissionais. Informem-se, procurem a maior quantidade de informação possível sobre os cursos pelos quais se interessam, a vida académica, a cidade para onde vão estudar, tudo o que for possível!

F.S.: Estejam atentos ao plano curricular, procurem informar-se sobre possíveis planos de visita à escola que pretendem escolher, no caso do IPSetúbal existe uma semana dedicada a visitas de possíveis estudantes, e através deles obter informações mais específicas sobre o curso.

I.S.: Não terem medo, não é nenhum bicho de 7 cabeças. Porém, também não é como o secundário. Mas quando se está a estudar o que se gosta, tudo se torna mais fácil. Por isso recomendo também que tentem sempre ir para uma área que se identifiquem e que saibam que vão ser felizes a estudá-la e a trabalhar nela.

E irem com uma mente aberta também, pois vão conhecer muitas pessoas diferentes que lhes vão mostrar perspetivas e modos de vida muito diferentes do que estão habituados.

Como consideras a vida académica na cidade onde estudas?

M.G.: A vida académica de Setúbal mostrou-se muito além do que estava à espera. As praxes foram o ponto de partida para que começasse a viver esta realidade mais seriamente, e sem dúvida que foram a melhor forma de a começar! Todo o ambiente criado pelos estudantes é magnífico e inexplicável, sinto-me deveras acolhida numa família que não é de sangue, mas que me é muito.

F.S.: Bastante ativa, muito graças às tunas do IPS. As tunas costumam ir para a rua tocar e angariar dinheiro, as pessoas gostam muito de as ouvir e creio que a cidade esteja muito ligada a elas. Não tanto relativamente às praxes, cada vez são mais restritas, mas creio que o verdadeiro espírito académico esteja nas tunas, e felizmente a cidade tem tunas muito boas e bastante animadas. Acho que essa é a principal chave para o sucesso.

I.S.: É bastante boa, pois há um enorme espírito de integração entre os alunos. Embora não tivesse frequentado a praxe durante muito tempo, nunca tive problemas em me relacionar com os outros, nunca fui posta de parte. Não há essa divisão entre quem está na praxe e quem não está.

As saídas à noite também são muito tranquilas, como é uma cidade pequena, todos se conhecem.