Número de alunos carenciados que fizeram exames nacionais caiu para metade

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Relatório do Júri Nacional de Exames mostra que, desde que os exames nacionais são obrigatórios apenas para aceder ao ensino superior, houve uma quebra no número de alunos com Ação Social Escolar que os realizaram.

Um relatório do Júri Nacional de Exames revela que o número de jovens carenciados que fez exames nacionais caiu para metade desde que as provas são realizadas apenas para acesso ao ensino superior. A notícia é avançada esta quarta-feira pelo jornal Público, que cita este relatório sobre os exames realizados em 2021. 

“Do total dos exames finais nacionais, apenas 15,3% dos exames foram realizados por alunos com Ação Social Escolar (ASE)”, lê-se no documento.

Antes da pandemia, os exames nacionais, além de necessários para acesso ao ensino superior, eram igualmente obrigatórios para conclusão dos cursos científico-humanísticos do secundário: contavam para a média final e para a conclusão das disciplinas com aproveitamento.

Desde 2020 que, com o encerramento das escolas devido à pandemia de covid-19, o Governo optou por tornar obrigatórios os exames apenas aos estudantes que querem prosseguir para o ensino superior, lembra o Público; o atual ministro da Educação já se mostrou a favor da manutenção desta medida.

Este mesmo relatório do Júri Nacional de Exames dá conta de um aumento residual do número de alunos do ensino profissional que fizeram exames nacionais em 2021, de 7% para 7,9%. Mas foram os alunos do ensino profissional que tiveram a “menor média de classificações”, 8,8 na escala de zero a 20. A média global dos restantes estudantes, informa o documento, foi de 11,5. A diferença nas notas pode explicar-se, assinala o Público, porque os alunos do ensino profissional têm de fazer exame a disciplinas que não fazem parte dos seus currículos. 

O Público assinala ainda que o documento relata um aumento de 6,6% do número de pedidos para adaptação das provas devido a necessidades especiais dos alunos, passando de 4.100 para 4.371. Estas necessidades especiais podem justificar a adaptação de enunciados, grelha de classificação ou a possibilidade de os alunos realizarem provas diferentes dos outros. Do total dos pedidos, 51,8% deveram-se a situação de dislexia, ligeira, moderada ou grave.